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Posts Tagged ‘revoluções’

É preciso perder a vergonha de ir buscar a quem está acumular” foi esta a declaração de Mariana Mortágua que mais tem incendiado as redes sociais e tal não tem a ver apenas com o lóbi de ricos a tentar proteger-se, é que esta ideia também ameaça quem se sacrifica a poupar todos os dias, poupou no passado ou investiu com dificuldade as suas poupanças em habitação para assegurar a sua velhice ou proteger o futuro dos seus filhos.

Numa sociedade onde 54% das famílias não paga imposto, a classe média que suporta as receitas do Estado está acima do rendimento médio do País: professores, técnicos superiores, médicos, enfermeiros e outras profissões por conta de outrem ganha na sua maioria mais que a média nacional, são o maior contributo do Orçamento de Estado em IRS e IVA e foram os mais sacrificados em termos de rendimento de trabalho no pós-resgate de 2011 e, mesmo com dificuldades, é também daqui que são a maioria das contas bancárias um pouco acima dos 50 mil euros e do património imobiliário ligeiramente acima dos 500 mil euros, até porque muitas das casas foi reavaliada aquando da alteração do sistema do IMI e depósitos e habitação foi onde esta classe investiu as suas poupanças.

Há quem acumule porque rouba, mas há quem acumula porque poupa e este discurso alimenta o ódio a quem se sacrifica a poupar por quem nem consegue poupar e o receio a quem se sacrifica por pretende poupar.

A luta de classes nos países em que se tornou força de regime empobreceu mais este tipo a classe média citada do que fez subir o rendimento médio da população, veja-se os rendimentos dos médicos e outros técnicos que fugiram para o ocidente com o fim da guerra fria e aquela frase de Mortágua é uma lança neste grupo social.

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Felizmente houve o 25 de Abril para podermos celebrar o ano inteiro a liberdade de expressão e a democracia.

É verdade que para alguns os valores de Abril são ideológicos, mas naquele dia de 1974, que nunca saiu da minha memória e nas imagens daquela data, nunca vi discutirem-se ideologias, apenas celebrava-se a libertação, a conquista da liberdade há muito perdida.

Na realidade, o 25 de Abril constrói-se mais com o bom-senso e cooperação, no sentido de se alcançar um futuro melhor e sustentável das condições socioeconómicas dos Portugueses e na tolerância para quem pensa ou é diferente, do que uns a exigir o insustentável ou outros a impor a injustiça.

Já houve no passado comemorações do 25 de Abril onde a esperança parecia mais atrofiada do que hoje, tal como já houve no passado comemorações do 25 de Abril onde as certezas da sustentabilidade da economia dos Portugueses pareciam mais seguras do que hoje.

É no equilíbrio entre a utopia do sonho sem limites por um mundo melhor e a razão do conhecimento da realidade confinada que se pode democraticamente alcançar um Portugal mais justo de modo a se construir a Justiça em Liberdade e é isto que me move e celebro no 25 de Abril.

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Choca, mas choca mesmo, ver que depois de décadas a se falar na Europa do que foi o nazismo, o fascismo e a II Guerra Mundial, se volte a ver um partido de extrema-direita ser o mais votado numa das maiores potências económicas, militares e demográficas do velho continente: a França, um país que esteve envolvido e foi ocupado pela ditadura de Hitler.

É verdade que décadas de ditaduras e genocídios comunistas na Europa oriental não fizeram cair os aliados deste regime em muitos Estados da Europa ocidental, mas é verdade que estes nunca estiveram sujeitos ao regime vivido na União Soviética, mas a França esteve ocupada pelos nazistas.

Também é verdade que o ideal marxista assenta numa revolta pela justiça na economia, que é em princípio um valor positivo atraente, enquanto o ideal da extrema-direita vai contra o cidadão que é diferente em cor, cultura ou religião que leva a uma revolta pela segurança, que é o princípio do medo, algo negativo que pode levar a juízos menos claros.

Contudo, estranho que num Continente onde tanto se fala dos malefícios do neoliberalismo e da injustiça do capitalismo a desilusão ou o medo vá mais no sentido de ir para o extremismo da direita num dos Estados mais ricos da União Europeia, algo vai mal nesta Europa, mesmo muito mal…

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O Islão e o Ocidente, a grande discórdia” de Jaime Nogueira Pinto é um síntese da história das relações diplomáticas, guerras e tensões entre o mundo ocidental dito cristão e os povos do oriente na sua maioria convertidos ao islamismo desde o aparecimento desta religião até à atualidade.

Apesar de muitas vezes se atribuir este tipo de tensões como fruto da intolerância destes dois credos religiosos, o livro demonstra que se a fé pode ter fomentado guerras entre as partes, não foram menos importantes os interesses políticos e geostratégicos, muitas vezes dentro do mesmo bloco, dos países envolvidos no envenenamento das relações entre os mundos ditos cristão e muçulmano e, presentemente, até o laicismo e ateísmo militante que grassa nalguns Estados do ocidente é um fator que fomenta discórdia e terrorismo dito religioso.

O autor denuncia acontecimentos como as cruzadas e os interesses paralelos não religiosos dos interveniente que comprometeram negativamente estas relações, bem como outros momentos que alimentaram a desconfiança e o ódio, como o surgir e a expansão do império otomano, a evangelização nas descobertas em paralelo com motivações económicas e coloniais, a coligação estratégica da Europa para desmantelar o domínio turco, a descoberta do petróleo e sua importância na industrialização, as rivalidades entre xiismo e sunismo, o colonialismo, a guerra fria, o laicismo agressivo, a primavera árabe e o sionismo. Tudo pesa e mistura aspetos de crença, orgulhos nacionais, visões fanáticas, sedes de justiça e de liberdade.

No fim fica claro que neste relacionamento não há soluções fáceis nem verdades racionais absolutas pois tantas são as variáveis e complexas onde em ambos os lados há culpados e inocentes, interesses ocultos e aproveitamentos demagógicos.

Um excelente livro de fácil e rico de informação, onde o papel de Portugal na história não é omitido, que recomendo para melhor se compreender o que está na origem e distingue a Al-Qaeda do DAESH, as motivações, os erros do ocidente e as suas sequelas, a revolução do Irão, as guerras do Afeganistão, do Golfo e da Síria, a primavera árabe, os refugiados e o terrorismo jihadista e os equilíbrios precários que ligam tudo isto e inclusive os posicionamentos atuais que do lado de cá e de lá continuam a inflamar esta discórdia.

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Disputar a democracia – a política para tempos de crise” de Pablo Eglesias, que acabei de ler para conhecer melhor as ideias desta ala de esquerda radical europeia, é essencialmente um livro de denúncia do sistema politicofinanceiro atual pelo modo como o autor e Secretário-Geral do partido “Podemos” espanhol vê e conta a história do seu País, da Europa e do Ocidente desde o final do século XIX e a exposição da sua estratégia para conquistar o poder aos homens da finança e dos partidos tradicionais designados por ele como  “a casta”.

Apesar de concordar com o autor de que o poder da finança impôs-se internacionalmente e tornou a política numa fonte de injustiças, de desrespeito dos cidadãos como pessoas e dos próprios Estados como Países soberanos, não vejo esta situação como resultado de uma cabala global organizada pelas elites tradicionais do poder contra o povo iniciada no século XIX e que a mudança implica uma disputa em luta de classes que leve à derrota de uma minoria vergada sob o povo como se deduz da obra.

Para mim é claro que esta perspetiva é fruto das injustiças do sistema atual que está a esmagar muitos inocentes e urge mudar. Só que para Pablo Eglesias nesta luta de um lado todos são maus, muito maus mesmo, e do outro só há bons, não há erros, nem vícios, nem oportunistas, apenas vítimas inocentes. Mais chocado fico quando para demonstrar a sua visão por vezes se contradiga, reveja a história, dê como exemplos como se tudo esteja a ser um sucesso na América Latina ideologicamante próxima e branqueie Estaline selecionando exemplos como se este não fosse de facto um ditador.

Conclui que a proposta de Pablo Iglesias pode ser uma utopia e vende devido ao desumanismo e injustiça da política atual. Radica no marximo e estalinismo duro, é estrategicamente inteligente por vestir-se de forma atraente e fazer a guerra sem armas bélicas, mas é uma disputa ao sistema capitalista ocidental e por isto não vejo compatibilidade, que alguns dizem ser viável, que possa ser partilhada democraticamente numa mesma união monetária como a eurozona, pois, de facto, tem por fim a destruição do modelo e não a cooperação para o melhorar por dentro, só eles são democratas. Recomendo a leitura da obra a todos que vão mais no sonho do que no conhecimento das ideias do Podemos, do Syriza e talvez do BE e do Livre.

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Terminei a leitura de “Portugal a Flor e a Foice”  de J. Rentes de Carvalho que por mim ser resumido simplesmente a uma exposição demonstrativa de que em Portugal não há heróis: o povo sempre foi vítima dos seus chefes oportunistas e medíocres desde D. Afonso Henriques até à Revolução dos Cravos, e como a obra foi escrita e terminada pouco antes do 25 de novembro, o autor acaba por evidenciar que, face ao passado do País, pouco há a esperar de diferente para o futuro com o 25 de Abril.

Confesso que para quem sofre de soberba nacionalista lusa este livro será sem dúvida uma terapia para baixar essa prosápia, enquanto que para quem sofre do mal do complexo de inferioridade nacionalista tão comum entre os habitantes desta lusa pátria, então esta obra será um instrumento para agudizar este problema.
Assumo que aprendi algumas coisas da história de Portugal, sobretudo durante século XX, embora a obra vá ao nascimento da nacionalidade, mas Rentes de Carvalho não dá a mais pequena tolerância aos nossos líderes, todos foram maus e o seu povo um constante conjunto de ignorantes vítimas desta cáfila.

Face às maiores personalidades associadas ao período da revolução dos cravos (só faltou assumir que este resultou da cooperação com a PIDE/DGS) e do verão quente, talvez a única que não é criticada é Salgueiro Maia, mais porque é pouco falado e se ausentou da vida pública do que por outro motivo, dos restantes, nenhum se salva, exceto se for quase ignorado no livro, como Sá Carneiro, enquanto a crítica máxima parece recair sobre Mário Soares: tratado como uma marca oportunista que se soube deslindar em ditadura e na revolução, que mais do que vítima do Estado Novo, foi um filho da burguesia lisboeta a quem se deu as possibilidades de fuga de uma forma discreta mas intencional e depois alguém que continuou o seu jogo para vir a ser considerado o salvador do momento e o poder lhe cair a seus pés. 

Há uma dose excessiva de crítica das personagens da história nacional e de vitimização do País e do Povo na obra. Seria interessante ver como Rentes de Carvalho escreveria um apêndice específico sobre o que se passou nos últimos 41 anos… e o que perspetiva para o próximo futuro.

Um livro que, sobretudo, tem a virtude de não pintar o início do atual regime democrático numa perspetiva idealista, sem mácula e bem-intencionado do espírito de Abril e isso também permite compreender muito pelo que atualmente estamos a passar 41 anos depois.

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Entre todos os defeitos que apontam ao atual Governo de Passos Coelho há uma que partilho: a incapacidade deste impor medidas desagradáveis que se reflitam nos grandes grupos económicos. Até já houve um Secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, que se demitiu e cujas principais suspeitas recaem na pressão do lóbi que beneficia da elevada renda energética que os Portugueses pagam, nomeadamente vinda da EDP.

Infelizmente, esta fragilidade do Governo tem tido efeitos perniciosos  que afetam a ética e a moral do exercício do executivo que leva à sobrecarga da austeridade sobre os rendimentos do trabalho e das pensões da classe média, enquanto EDP, Galp, detentores de PPP, etc. e respetivos acionistas se vão esquivando em sacrificar os seus lucros ou mais-valias.

Agora, o Ministro do Ambiente e da Energia, Jorge Moreira da Silva, abriu uma nova batalha no campo do gás natural, onde assume que os elevados ganhos da Galp neste tipo de combustível nunca se processaram em benefício dos consumidores, apesar do quase monopólio da empresa ao longo de anos. Felizmente, este membro do Governo tem um poder pessoal político muito acima do ex-Secretário de Estado Henrique Gomes e inclusive do Ministro independente Álvaro Santos Pereira.

Vamos ver agora como a estrutura da justiça vai atuar, suspeito que, infelizmente, a máquina judicial será emperrada por todos os meios pelo dinheiro que está nas mãos da Galp e deveria ter beneficiado os consumidores nesta matéria e isto novamente  em prejuízo do Povo.

Suspeito ainda que mesmo sobre membros da classe política de todos os partidos do arco governativo surgirão pressões para que esta medida justa não vá em frente, tal como a injustiça nas rendas foi fruto da promiscuidade entre poderes executivo, legislativo e judicial com os interesses dos grandes grupos económicos.

Temo que aqueles que tanto apelaram aos tribunais contra a austeridade verão agora como a justiça não é uma aliada do Povo: Esta é frágil pois trabalha com leis distorcidas que protegem os poderosos e muito dos sofrimentos por que estamos a passar são mais fruto dessa fraqueza e dessa distorção legislativa do que do atual Governo que em termos de moral e ética seriam tão ou mais inconstitucionais que as aprovadas nesta legislatura e ninguém fez nada para impedir isso.

Votos que o Governo o atual ou os que lhe seguirem, sejam capazes de vencer esta guerra de Justiça no campo daqueles que aplicam as leis que muitas vezes não fazem justiça… nesta guerra estou mesmo do lado de Jorge Moreira de Silva… apesar das baixas esperanças que deposito na justiça.

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