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Meu artigo de hoje no diário Incentivo com reflexões múltiplas de ocorrências num dia ímpar.

REFLEXÕES SOBRE UM DIA MEMORÁVEL PARA PORTUGAL

Treze de maio de 2017 deve ficar na história como o dia em que os Portugueses mais extravasaram o seu brio Lusitano na sua história. Houve motivos de contentamento de âmbito global e transversais a várias áreas que fazem vibrar o íntimo das pessoas: a fé, para os que são crentes; a cultura, para os amantes da língua de Camões; a arte, para os que vibram com uma bela canção e a emotividade, para os fãs do futebol e do clube que mais adeptos tem no País.

A conquista do título europeu de futebol para a seleção nacional foi transversal às clubites, mas limitou-se sobretudo aos amantes de futebol. O 13 de maio de 2017 foi bem mais abrangente.

No campo religioso, o convite à oração para a Paz Mundial e Conversão das Pessoas que emanara de Fátima precisamente há 100 anos é ainda o fenómeno de fé de maior projeção do mundo Católico saído de Portugal no século XX e a celebração deste centenário com a vinda ao nosso País do Papa mais popular e consensual dos últimos tempos, não apenas tocou o íntimo de muitas consciências, como foi um evento de cobertura mediática global, colocando os Lusitanos nos holofotes à escala planetária e isto ajuda o ânimo dos Portugueses.

O fenómeno de Fátima não gera consensos no seio dos católicos, demais crentes e ateus e, se algumas críticas são feitas de forma honesta, igualmente existem ataques às movimentações e aproveitamentos em torno de Fátima cujo único objetivo é desvalorizar a força deste apelo à Oração para a Paz e Conversão retransmitido ao mundo por três crianças. Algo que incomoda muitos, não só pela sua exigência aos cristãos, como também, pela sua adversidade às razões antirreligiosas.

Sim, há discrepâncias entre a mensagem da Igreja e a prática seus fiéis, mas a razão de ser do apelo à Conversão em Fátima justifica-se precisamente por isso, porque os Cristãos não são perfeitos e existem essas contradições a corrigir e é bem mais difícil a luta permanente para se corrigir o mal, que tende a crescer em nós crentes como cogumelos em madeira podre, do que colocar-se de fora a apontar os males que com frequência aqueles são vencidos. Não deixa de ser claro que muita denúncia orgulhosa vinda fora das falhas dos cristãos serve para incentivar o abandono da fé, mas também para branquear a consciência de alguns agressores que desistiram dessa conversão.

Ainda no campo religioso, a canonização de Jacinta e Francisco Marto também me cria problemas na luta contínua de conversão. Formado e ligado às ciências da natureza sou por convicção defensor de explicações naturais e é bem mais fácil rejeitar qualquer milagre, dizendo que no futuro a ciência o explicará, do que do que ter a humildade de aceitar que a fé move montanhas que a física não consegue, lembro-me do agnóstico Sam Harris, que passou a ser desprezado por ateus após reconhecer que sempre houve e haverá fenómenos que a ciência não consegue cobrir e deveria ter a humildade de mesmo sem acreditar não combater a religião por preconceito. O que é bem diferente de desistir de procurar o esclarecimento dos fenómenos estranhos que ocorrem na natureza

No domínio da música, este grande dia 13 fica na memória pela primeira vitória de Portugal no festival da eurovisão da canção em 53 anos de presença nacional neste tipo de evento. Não só com uma composição que foge ao populismo de uma melodia fácil e banal, mas também com a coragem de a cantar em Português entre tantos países que desprezaram as suas línguas maternas para irem na onda da língua franca inglesa numa sessão cujo lema era a diversidade. Neste mundo que se deixa dominar pela epidemia contagiosa que confunde cultura com o comercial fácil que a globalização vende, foi uma lição dada por Luísa e Salvador Sobral não ter medo de serem eles próprios e de mostrar ao mundo a sua língua contra a maré da moda subserviente do pop anglo-saxónico.

Por fim, numa matéria que também não gera unanimidade: o tetracampeonato do Benfica foi um motivo de alegria para os adeptos do futebol do clube que reúne maior número de simpatizantes em Portugal. Os festejos celebraram-se de forma civilizada e cordial. Isto não é um antídoto suficiente para o envenenamento continuado que lavra no desporto nacional a partir de líderes e comentadores desportivos que passaram a época a semear ódios e a alimentar suspeitas de desonestidade dos adversários que podem germinar em discórdia e violência entre adeptos em competição doentes.

A competição e a rivalidade até podem ser saudáveis, pois criam dinâmicas no enfrentar o dia-a-dia. Pode-se fazer críticas aos adversários para os obrigar a melhorar a sua prestação, a política presta-se a esta conduta. Pode-se sobrevalorizar as nossas cores para incentivar as nossas equipas perante os concorrentes. Agora, semear ódios e desconfiança na honestidade dos oponentes e outros intervenientes que regulam uma competição ultrapassa a decência e as exigências da ética. Por isso se é enorme a alegria que o Benfica me deu, não deixo de respeitar os que não venceram e protesto contra esta tática que se está a generalizar em Portugal do envenenar permanente da competitividade desportiva com ódios para criar uma rivalidade doentia que desperta violência.

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O meu artigo de hoje no diário Incentivo:

NA AMPLIAÇÃO DA PISTA VASCO CORDEIRO TEM O DEVER DE CORRIGIR OS ERROS

A reivindicação do aumento do atual comprimento da pista do aeroporto da Horta tem décadas. Não é casual que o Presidente do Governo dos Açores em 2001, Carlos César, prometia no Faial aos Faialenses que “se o Governo da República ou a empresa ANA não ampliarem a pista do aeroporto da Horta, o Governo Regional assumirá essa obra”. Tal garantia do líder deste governo só foi feita porque já então nesta ilha se reivindicava, e muito, a ampliação da pista.

Curiosamente, à data desta promessa, o Presidente da República, o Primeiro-ministro, o Presidente do Governo dos Açores e o Presidente da Câmara Municipal da Horta eram todos do PS, e ninguém deste partido colocou em questão que o compromisso para colmatar a não execução da obra por parte da ANA, uma empresa então pública dependente do Governo de Portugal, corresponderia a colocar os Açorianos a pagar por um erro do então Governo da República do mesmo partido de que Carlos César e Vasco Cordeiro faziam e fazem parte.

A razão porque nesse momento ninguém em nenhuma ilha levantou a questão foi porque então na Região a solidariedade inter-ilhas ainda era um conceito prevalecente da estratégia autonómica dos Açores, infelizmente, esta foi sendo substituída pelo interesse político de concentrar de preferência os investimentos públicos na terra que reunia a maior dimensão eleitoral Arquipélago, reforçando ainda mais o poder económico e político dessa parcela e aumentando o fosso da capacidade reivindicativa, da competitividade e da desertificação populacional entre as ilhas menores e a maior e ainda ampliado com a mudança dos critérios de eleição do parlamento que foram no sentido de dar mais peso aos que são grandes face aos mais pequenos.

Desde 2001 houve várias mudanças partidárias em Portugal: houve Presidentes vindos das áreas socialista e social-democrata; houve Primeiros-ministros e Ministros vindos do PS, do PSD, do CDS e independentes, mas a nível nacional só me lembro de Santana Lopes ter garantido apoiar este projeto se continuasse governo; e temos agora um Governo da República rosa que só subsiste com o apoio parlamentar da CDU e do BE. Só as Câmaras Municipais da Horta e os Governos dos Açores nunca deixaram de ser presididos pelo PS, nem foi ampliada a pista do aeroporto no Faial, apesar de ser uma reivindicação já com quase duas décadas e feita perante tanta gente.

Assim, é possível dizer que neste momento não há partido na Assembleia Regional que não tenha uma parcela de culpa por a reivindicação da pista da Horta nunca ter sido atendida: uns porque no Governo na República ou nos dos Açores nunca levaram em frente este compromisso, outros porque maioritários nos parlamentos ou no Município nunca conseguiram obrigar os Governos dos Açores, da República, a ANA ou a Vinci e executar esta obra reivindicada pelos Faialenses.

É verdade que a ANA foi privatizada, mas é um mito tal impedir agora a ampliação da pista. A Vinci pode explorar a infraestrutura, mas o aeroporto é nosso e somos nós Faialenses que precisamos do seu aumento, não aquela empresa. O que temos é um problema político, não técnico, e quem está no poder, se quiser, pode resolvê-lo. Veja-se o que se está a passar em Lisboa: apesar do aeroporto estar sob a exploração da mesma Vinci o Governo assume obras noutra pista para tirar aviões ao dono da ANA. Assim, argumentar com a privatização é desculpa de quem quer fugir às suas responsabilidades neste processo ou preconceito. Algo que os Faialenses dispensam.

É verdade que as oposições nom Município da Horta e os seus deputados de ilha nunca pararam de reivindicar esta ampliação, mesmo quando expostos à acusação de que o Governo da República era da mesma cor. Há muitos votos de protesto, questões e moções a provar isso, mas mesmo sem ser atendidos por quem tinha mais poder, têm a consciência limpa para continuar a reivindicar.

Também é verdade que apesar de nos últimos anos o PS-Faial ter andado a desculpar o Governo dos Açores e a concentrar as culpas em Passos Coelho, nos meses mais recentes o Presidente da Câmara da Horta uniu-se ao coro dos que sempre reivindicam esta obra e criou um grupo de trabalho com pessoas que deram um contributo para uma alternativa mais barata para este objetivo.

O último grande ataque que a intenção Faialense teve foi a recente declaração de Vasco Cordeiro em resposta a um pedido na ALRAA para se comprometer com todos os potenciais responsáveis na execução deste projeto, respondendo “não querer os Açorianos a pagarem por um erro e por uma falha” do anterior governo da república. Como se Guterres, Durão, Santana, Sócrates e agora Costa e, sobretudo, ele mesmo como legítimo herdeiro da promessa de Carlos César, não estivessem todos em falta para com esta ilha. Pior, disse ter falado com o atual Primeiro-ministro, mas vê-se que o líder do Governo dos Açores também nada conseguiu deste e com esta atitude não se solidarizou com o esforço do atual Presidente da Câmara da Horta que se recandidata pelo seu partido que ele preside e ainda deu uma machadada na solidariedade dos Açorianos das outras ilhas com um mau argumento para recusarem vincular-se à reivindicação dos Faialenses.

Vasco Cordeiro não quis ver os 17 anos de erros, quis concentrar todas as culpas na privatização da ANA para se descomprometer com a maior reivindicação dos Faialenses, fugir à sua obrigação e esconder a sua culpa de desvincular-se do não cumprimento da já longa promessa do Governo dos Açores que ele legitimamente herdou do seu antecessor.

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O meu artigo de hoje no diário Incentivo:

TURISMO – O PORQUÊ DO FAIAL EM MÁ MARÉ

Quando se alterou o regime de ligações aéreas entre os Açores e o Continente há cerca de três anos, abrindo-o às empresas de aviação de baixo-custo nos aeroportos de Ponta Delgada e da Terceira com reencaminhamento para outras ilhas a custo zero e mantendo-se o serviço-público para as restantes “gateways” da Região: Horta, Pico e Santa Maria; perspetivou-se que o turismo nos Açores iria crescer substancialmente em São Miguel e que este “boom” se propagaria por todo o Arquipélago. Infelizmente, várias notícias recentes têm deixado claro que a realidade se tornou bem diferente das previsões de então para o Triângulo e, sobretudo, para o Faial.

Sou de opinião que se os princípios estratégicos iniciais tivessem sido seguidos, talvez a abrangência regional daquele crescimento se concretizasse, mas a política de transportes e de promoção turística que se fez a seguir nos Açores, com o apoio do Governo Regional, subverteu descaradamente as premissas daquele projeto de ligação aérea entre a Região e o exterior.

Efetivamente, as campanhas para se visitar a Região centraram-se quase só em São Miguel. Mais, quando se consulta rotas entre o Continente e os Açores fica-se com a ideia de que os preços anunciados são da ligação entre Lisboa/Porto para Ponta Delgada e sem os reencaminhamentos a custo zero para outras ilhas. Pior ainda, com muita frequência se deduz que a empresa pública regional SATA oferece no portal aos passageiros que queiram chegar ou partir da Horta preços mais baratos se estes fizerem escalas noutros aeroportos regionais e no fim entrar ou saírem dos Açores através do aeroporto João Paulo II, tornando assim menos apelativa a opção Horta ou Triângulo como destino turístico final a quem consulta e não está previamente informado das regras do sistema de transportes aéreos entre o Continente e este Arquipélago.

Mesmo assim, na internet continua-se a ver micaelenses a criticar investimentos estruturais no Faial, como o do aeroporto, com o argumento de que a sua grande ilha vai financiar esses custos, como se os Açorianos das restantes ilhas já não estivessem a contribuir no dinheiro injetado na promoção centrada em São Miguel, nas suas estradas e marinas vazias e ainda as rotas deficitárias da SATA entre Ponta Delgada e o estrangeiro sem nada ter a ver com a nossa diáspora ou como se a solidariedade para aquela ilha fosse obrigatória e de sentido único.

Assim, não admira que neste período de férias da Páscoa, mesmo depois da maior oferta de camas em São Miguel, a RTP-Açores na Sexta-feira Santa informasse que a ocupação hoteleira nesta ilha rondava os 90%, enquanto o Faial se quedava por 60% nos maiores hotéis, ficando mesmo por uns míseros 10% em certas residenciais. Estes maus resultados, infelizmente, não são acidentais, são mesmo fruto desta estratégia do Governo de concentrar o turismo, sobretudo, em Ponta Delgada.

Se é certo que o canal televisivo não fez referências naquele dia a outras ilhas, nomeadamente do Triângulo, a verdade é que circularam noutros espaços dados estatísticos dos últimos tempos referentes ao crescimento do número de passageiros nos aeroportos do Arquipélago e onde Faial, Pico e São Jorge apresentam dinâmicas muito abaixo da média regional e, claro está, esta é bem inferior ao grande aumento observado em São Miguel.

Estes dados não seriam ofensivos se a culpa fosse só nossa e houvesse uma estratégia promocional dos Açores onde o Faial e o Triângulo fossem tratados em pé de igualdade com outras ilhas, mas eles são fruto de um tratamento desigual. onde, não só a Horta, como o Pico e São Jorge, além de ignorados, são até desfavorecidos em termos de preços e de ligações diretas e ainda assistimos aos esforços da SATA em reduzir o número de ligações aéreas a esta ilha, até com recurso a estatística de ocupação dos aviões com critérios selecionados para maltratar o Faial.

Alerto que este mau tratamento ao Faial também teve cúmplices nesta ilha, mas também me parece que a maioria dos Faialenses já despertou e viu isso e mesmo muitos dos que antes pactuaram nesta estratégia agora sentem-se na obrigação ou, no mínimo, forçados a reivindicar mais alto por esta terra e sub-região turística para estancar o enfraquecimento económico a que assistimos ao longo dos últimos anos ou segurarem votos em futuras eleições.

Esta mudança de comportamento de alguns nos últimos meses talvez já não apague todas as sequelas das atitudes subservientes do passado, mas, arrependidos no seu íntimo ou apenas em fachada, importa que os Faialenses reúnam todas as forças para reverter o mal, antes que seja demasiado tarde, porque os adversários do Faial são muitos e estão até em quem governa os Açores.

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Meu artigo de ontem no diário Incentivo:

PISTA: AGORA, O IMPORTANTE, É FICARMOS UNIDOS

Não sou entendido em aeronáutica nem em infraestruturas aeroportuárias, mas o grupo de trabalho criado para estudar a ampliação da pista da Horta possui elementos que sabem da matéria para eu acreditar que as conclusões a que chegou mereçam confiança.

Uma das conclusões dá um grande golpe ao argumento do custo excessivo para se ampliar a pista com o fim de se alcançar as condições de segurança e de operacionalidade adequadas às necessidades e anseios dos Faialenses, bem como acabar com as limitações de carga e passageiros que os aviões que realizam os voos para fora dos Açores têm estado sujeitos neste aeroporto. Efetivamente, alcançar o mesmo objetivo por 34,5 milhões de euros em vez dos anteriormente anunciados 75 milhões é uma redução superior a cinquenta por cento do preço.

Não opino sobre as várias alternativas estudadas pelo grupo de trabalho, volto a deixar isso aos entendidos, pois o importante é encontrar uma solução que satisfaça as necessidades das populações desta região dos Açores em condições de segurança e com os menores custos financeiros e de impactes ambientais possíveis, mas sempre sem comprometer os objetivos. Agora o Município da Horta possui um documento base sério para defender os interesses dos seus Munícipes.

Neste momento todos os beneficiários desta infraestrutura têm de estar unidos na luta para que este objetivo se concretize, pois não faltam adversários a esta obra e muitos têm um peso político e económico elevado para que se esteja perante um confronto semelhante ao de David e Golias. Mas, como se sabe, naquela batalha foi a inteligência e a persistência que permitiu ao mais fraco e inexperiente ganhar ao mais forte. Assim, espero que agora também sejam os Faialenses a alcançar a vitória perante todos os que tudo têm feito para que a ampliação da pista do aeroporto da Horta não se concretize. Já vimos manipulação de estatísticas por entidades públicas, incumprimento da palavra dada por políticos, ofensas de grupos organizados nas redes sociais e a exploração de divisionismos inter-ilhas, tudo isto só para que faltem condições para este projeto não ir em frente.

Isto porque o Triângulo unido tem um potencial de atratividade turística que assusta muita gente que prefere destruir a união entre as ilhas do Faial, Pico e São Jorge para que esta sub-região dos Açores fique enfraquecida e manietada aos interesses económicos de parcelas mais populosas e económica e politicamente mais fortes e influentes.

Este receio tem levado ao uso a argumentos que vão desde o custo, à inutilidade do investimento, às dificuldades técnicas e até à exploração de animosidades partidárias, bairrismos no seio do Triângulo e manipulações cujo único fim é boicotar a concretização desta pretensão.

Nada tenho a opor que, em paralelo, se invista em outro aeroporto no Triângulo, pois, potenciar a complementaridade das infraestruturas aqui existentes assegura melhor que quem tenha como destino esta sub-região dos Açores consiga de facto cá chegar, sem ter de ser frequentemente desviado para outras zonas que lhe são concorrenciais que até incentivam (com o nosso dinheiro) a preferirem esses locais em alternativa a vir diretamente para o Faial, Pico e São Jorge.

É importante que os interessados no Triângulo possam chegar de facto a estas três ilhas com baixo risco de desvios ou de custos acrescidos. Mas com este trabalho os obstáculos não vão diminuir: quanto maiores e melhores forem os nossos trunfos os nossos argumentos, maior será a adversidade cultivada pelos opositores do Triângulo a enfrentar e, para alguns deles, tudo vale.

O Município da Horta também não pode agora sentir que já cumpriu o seu dever de liderança e acobardar-se perante estas forças exteriores. Na verdade, neste momento tem é de usar toda a sua capacidade para vencer os falsos argumentos: financeiros, de que o investimento pode não ser rentável; ideológicos, de que a infraestrutura é privada e não pode ser alvo de dinheiro público; divisionistas, de que deve ser apenas um aeroporto no Triângulo que deve ficar noutra ilha; de competência legal, que deve ser a ANA, ou o Governo de Lisboa para desresponsabilizar o dos Açores; ou mesmo de pressão partidária, para eleitos locais desta ilha não perderem o apoio de âmbito regional; ou outro subterfúgio qualquer; pois todos eles são ultrapassáveis se houver vontade e coragem de quem lidera os destinos do Faial para utilizar o presente momento para se alcançar este objetivo antes das próximas eleições, pois deixar para depois é porque fomos alvo de mais um embuste que até despudoradamente se serviu de Faialenses técnicos, sérios e competentes.

A partir de 1 de outubro sem uma vitória irreversível nesta matéria fica claro que assistimos agora apenas a mais um foguetório político para iludir os que se deixam enganar pelo fogo de artifício efémero, abrem a boca pasmados pelo brilho, mas deixam passar a oportunidade sem saírem da mediocridade. Espero que assim unidos e sem receios se alcance a tempo o objetivo de ampliação da pista para bem do Faial e do Triângulo. Aproveito para desejar um boa Páscoa a todos os leitores.

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo:

NOVA OPORTUNIDADE PERDIDA NO FAIAL

Não nego que neste momento não estejam várias obras em curso no Faial, mas entre aquelas que se concluíram há pouco tempo já é visível que quando se faz um investimento nesta ilha nunca se aproveita a oportunidade para resolver as coisas como deve ser.

Tem escassos meses a beneficiação da Estrada Príncipe Alberto do Mónaco, que entronca com as ruas Mestre Feijó e Ilha Azul nos semáforos, o local onde se se situa um dos cruzamentos mais movimentados da cidade e, sem dúvida, aquele que ao longo dos últimos anos tem apresentado os maiores problemas de fluidez de trânsito na Horta. Só que, apesar do ordenamento na envolvente do hospital e da intervenção nesta estrada regional, novamente se desperdiçou a oportunidade de se resolver ali os engarrafamentos e a insegurança, dado os acidentes que já fizeram história naquele local.

Infelizmente, neste momento a situação está mais emperrada junto àqueles semáforos do que antes das obras e não me venham dizer que é por causa da interrupção de trânsito na Rua Cônsul Dabney, o motivo principal foi o de não se ter aproveitado as várias recentes obras na zona para se corrigir a situação.

É má a desculpa de que as vias que ali se cruzam não têm largura suficiente para ter três faixas de modo a disponibilizar uma para quem vai virar à esquerda e os semáforos puderem, deste modo, regular bem esta mudança de direção sem impedir o avanço dos que pretendem ir em frente ou virar à direita, pois há terrenos da Região em duas das esquinas, pelo que se poderia ter criado uma solução segura e fluída para a circulação de viaturas e peões. Mas o Governo dos Açores, desde há muitos anos, quando investe no Faial faz sempre obra insuficiente com o mínimo de custos, embora com o máximo de gastos em propaganda, e este caso não foi diferente. Nada muda na forma de menosprezar os Faialenses! Infelizmente, as vozes no poder do Faial parecem ter todas mentes pequenas e não conseguem lutar por esta ilha com uma visão em grande e de longo prazo.

Fizeram obras bonitas para a circulação de passageiros no porto da Horta e criaram um cais norte, mas encolheram a sua baía para poupar dinheiro, ao mesmo tempo que investiam em grande numa infraestrutura de transporte noutra ilha. Perderam então a oportunidade de termos um porto à medida das necessidades futuras. Para Faialense encher os olhos, mas, como de costume, eles pensaram em pequeno para nós. Apesar disto não quiseram aprender com a asneira.

A seguir fizeram uma bela obra de substituição de um dos blocos do hospital danificado pelo sismo de 1998, mas em paralelo iam-se reformando especialistas e desperdiçava-se a oportunidade de negociar com outros para vir para cá. Assim, vamos ficando cada vez mais limitados a médicos que passam a residir noutras cidades. Novamente encheram os olhos dos Faialenses com a arquitetura de um bloco moderno, mas diminuíram os serviços de saúde prestados permanentemente aos habitantes destas ilhas de baixo. Como de costume, fizeram a mesma asneira.

Agora, no cruzamento dos semáforos da Príncipe Alberto do Mónaco, os atuais engarrafamentos são já a última prova de que nada mudou na forma como o Faial continua a ser desprezado mesmo com investimentos, outra oportunidade perdida por o Governo dos Açores insistir na mesma asneira de não fazer as coisas como devem ser feitas.

Apesar da denúncia desta situação ao longo de vários anos, a verdade é que os políticos no poder desta ilha insistem em desculpar esta forma de agir e não deixam de pensar em pequeno para o Faial. Contentam-se com intervenções diminuídas e insuficientes à nascença. Assim, vamos assistindo à continuada insuficiência ou inadequação dos projetos que se construem por cá e os líderes locais continuam a não aprender nada com os erros do passado. O problema deve estar mesmo em terem mentes pequenas, pois, após tantas décadas, ainda acreditam no “small is beautifull”, por isso continuam a desperdiçar oportunidades quando se investe nesta ilha e até nos mais recentes fazem fachadas bonitas que escondem a pequenez e a deficiência do que por cá se faz.

Infelizmente há gente que sabe explorar esta pequenez em líderes faialenses para prosseguir a decadência da ilha, disfarçada em obras que até lhes podem assegurar votos, mas que, ironicamente, eles sabem à partida que não irão resolver os problemas de fundo e antigos do Faial.

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O meu artigo de opinião de hoje no jornal Incentivo.

SERVIÇO DE SAÚDE, APESAR DO DISCURSO, DEGRADA-SE NO FAIAL

Já neste mês de março, li uma notícia num meio de comunicação social da internet que: enquanto o Secretário Regional da Saúde garantia a uma Comissão do Parlamento Regional que o serviço de Suporte Imediato de Vida (SIV) no Faial estava assegurado das 8 da manhã até à meia-noite, o mesmo estava de facto a ser interrompido entre as 16 e as 19 horas por falta de condutor.

Este tipo de contradição sobre o nível dos serviços que um responsável da Administração dos Açores diz que se prestam no Faial face ao que se passa na realidade é cada vez mais frequente, sobretudo, para quem conhece as situações por dentro que ocorrem na nossa ilha ou pela experiência dos utentes desses mesmos serviços públicos.

Venho ouvindo cada vez mais lamentações de doentes que dizem estar a aguardar uma consulta de um médico especialista que virá ao Faial, pois o profissional que acompanha o seu problema e com quem a instituição de saúde da nossa cidade tem um acordo reside e trabalha num hospital de outra terra que não na nossa ilha.

O que se está a passar agora com as especialidades de Oncologia e de Hematologia, as áreas da medicina que abordam respetivamente as doenças cancerosas e as do sangue, vai pelo mesmo caminho. Isto porque os dois médicos que aqui residiam e trabalhavam, após anos de elevada dedicação e de relevante trabalho prestado às nossas gentes, chegaram à sua idade de aposentação, e se um, entretanto, assegurou ainda por mais algum tempo a continuidade do seu serviço no Hospital da Horta, era evidente que esta situação não seria eterna e agora chegou a vez de ambos gozarem a merecida reforma. Enquanto isto, a administração dá a entender que passaremos à prestação de serviço por especialistas que trabalham fora do Faial que, deste modo, esporadicamente virão à Horta para, ocasionalmente, atender às necessidades dos doentes desta zona do Arquipélago.

Não vale a pena tapar o sol com a peneira. Não é a mesma coisa, nem fica assegurada igual qualidade de serviço que poderia ser prestada por um médico especialista cujo local de trabalho e de residência seja permanentemente na Horta. Sei isto por experiência, há 30 anos, muito tempo antes do hospital desta terra atingir o seu máximo de serviços que já prestou, eu próprio fui forçado a mudar-me para Ponta Delgada para que o profissional de saúde que cá vinha pudesse assegurar em continuidade a atenção que o meu pai então carecia e não quero que outros agora voltem a passar pelo mesmo suplício, isto depois de tal lacuna já ter sido colmatada e agora voltar-se atrás.

Felizmente, depois dele, o Hospital da Horta aumentou as suas valências e outros doentes oncológicos e renais já não tiveram de sair do Faial e do Pico para receberem a assistência médica continuada requerida, mas desde há alguns anos e após este pico de serviços, eis que paulatinamente tem-se sentido um esvaziamento progressivo desta instituição de saúde e, tal como o Secretário Regional, os responsáveis dizem sempre que está tudo salvaguardado e previsto, só que a realidade que os Faialenses sentem não é essa.

Embora em algumas outras áreas os cidadãos possam por si procurar soluções alternativas para compensar as lacunas que o Estado tem no seu sistema prestação de serviço público, por exemplo, pode-se ser autodidata no ensino ou fazer treino desportivo individualmente, na saúde é impossível ser o doente a autopropor-se acompanhar e tratar da sua doença, tem de ser mesmo um médico e, nos casos mais sensíveis como a oncologia, deve ser um acompanhamento presencial e em continuidade, o que não é compatível com visitas programadas de acordo com um calendário genérico pré-estabelecido pelo hospital com um profissional que reside e presta o seu serviço na maior parte do tempo à distância e separado por um mar e só transponível com a deslocação do doente por avião e frequentemente mudança de residência de quem já está debilitado.

É cada vez maior o desfasamento entre o que os responsáveis políticos e administrativos dizem para a comunicação social faialense na área da saúde e o que se passa na realidade, tal como ocorreu no caso do SIV, onde os condutores vêm de outra ilha para assegurar o serviço e por isso ele esteve interrompido quando não devia, o que parece cada vez mais evidente vir também a acontecer com maior frequência e em mais áreas de especialidades médicas no Hospital da Horta por esses profissionais residirem no exterior.

Este é mais um problema em relação ao qual o povo Faialense não se pode acomodar face aos discursos dúbios que procuram transmitir a ideia de que está tudo bem enquanto se trilha um caminho para piorar o serviço público de saúde prestado no Faial.

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Meu artigo de ontem no diário Incentivo:

COMPENSAÇÕES QUE SEMPRE PREJUDICAM O FAIAL

Não tenho interesses ligados à realização da Feira Açores, não pertenço ao setor de produção agrícola, nem ao comércio de equipamentos ou de mercadorias ligadas a este ou a outra área de compra e venda, mas este certame no Faial é importante para as pessoas da agropecuária, para os comerciantes e empresários de hotelaria e restauração e, sobretudo, para a valorização do tecido económico desta ilha no contexto regional.

Assim, é lógico que na sequência de um voto de protesto, apresentado pelo PSD na Câmara Municipal, contra a decisão unilateral do Governo dos Açores em não realizar a Feira Açores no Faial este ano, o voto tenha merecido o apoio unânime, incluindo do executivo socialista maioritário naquele órgão, pois, desde outubro último, os autarcas do PS-Faial têm tido uma postura de aceitação e até de propositura de críticas contra ações levadas a cabo pelo Governo dos Açores e empresas públicas regionais, nomeadamente SATA, que tenham implicações negativas na Ilha Azul.

Todavia, logo a seguir a esta unanimidade no protesto, o mesmo Presidente da Câmara esvaziou o seu voto oficial de descontentamento com declarações em que contradiz a sua insatisfação, usando o argumento “podemos ficar a ganhar se fizermos bem o nosso trabalho”, tendo ele em conta a compensação do aumento do apoio do Governo para a organização da Festa do Mundo Rural, um evento sub-regional que conta com a envolvência do Município, subsídio como contrapartida à retirada a esta terra da realização de um evento de âmbito regional: a Feira Açores.

Este comportamento volta a pôr a nu a tática do PS-Açores: comprar o esvaziamento do Faial negociando contrapartidas com os seus eleitos nesta ilha para ações de menor projeção. Até acredito que com mais apoio do Governo dos Açores este evento possa ter maior brilho, mas, na realidade, o somatório dos benefícios para a Horta resultante da realização, em simultâneo, de uma Feira Açores em 2017 e da Festa do Mundo Rural era maior e melhor para esta terra do que só a realização de um único evento de menor projeção e mesmo que ligeiramente ampliado não é de escala Regional.

O discurso do Presidente da Câmara demonstra o que há muito denuncio na política regional: sempre que o Governo dos Açores dá ao Faial tira sempre algo mais importante para que no saldo final esta ilha acabe sempre a perder. Para esta estratégia, o Executivo Regional contou durante muitos anos com a complacência e anuência dos socialistas faialenses. A desculpa agora apresentada pelo líder do Município da Horta sobre o ganho que se poderia vir a ter num evento menor mais não é que a continuação desse vício, evidenciando que o apoio ao protesto apenas foi estratégico, para não se dizer que voltavam a votar contra uma crítica referente a uma decisão que prejudicava esta terra. Mas logo a seguir veio a desculpa e a minimização do ataque ao Faial

O susto de outubro último obrigou a disfarces nos autarcas rosas do Faial, mas parece mesmo que eles têm de desculpar os ataques que o Governo dos Açores faz à nossa ilha ou então é mais forte a sua vontade em agradar ao PS-Açores do que a coragem em assumir com todas as consequências a defesa do Faial. Eles não se curam deste tique de branquear os ataques ao Faial quando há uma negociação cujo saldo final é prejudicial a esta ilha. Tenho pena, mas é assim que agem.

Para termos um novo cais de cruzeiros na Horta (mesmo que encolhido), não concluíram a variante. Para se ter a Escola do Mar, tiveram que tirar a Rádio Naval da Horta. Concluíram o Bloco C do Hospital, mas não foi uma ampliação, apenas tiveram de demolir uma parte antiga devido aos danos do sismo de 1998 e há muito fechada, mas deixaram de negociar a vinda atempada de substitutos a tempo inteiro para vários dos médicos especialistas que, entretanto, se foram reformando. Para se ter a nova escola da Cônsul Dabney negociaram o encerramento de muitas escolas nas freguesias rurais da ilha. Quando compraram os novos aviões à SATA escolheram equipamentos que não operassem na Horta e puseram os seus autarcas do Faial a justificar esta política da empresa que nos prejudica e continuam sem se comprometer com o aumento da pista. Infelizmente havia ainda mais casos para esta lista, mas este artigo tornava-se demasiado longo.

É a sina que estes líderes rosas traçam para o Faial, sempre que se investe em algo por cá ou se aumenta um apoio, há como contrapartida a retirada de algo maior e há sempre uma desculpa para disfarçar esse esvaziamento progressivo da importância da Horta no contexto dos Açores. Agora para se ter um melhor subsídio à Feira do Mundo Rural teve-se que perder a Feira Açores 2017… o costume!

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