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Meu artigo de hoje no diário Incentivo:

NOVA OPORTUNIDADE PERDIDA NO FAIAL

Não nego que neste momento não estejam várias obras em curso no Faial, mas entre aquelas que se concluíram há pouco tempo já é visível que quando se faz um investimento nesta ilha nunca se aproveita a oportunidade para resolver as coisas como deve ser.

Tem escassos meses a beneficiação da Estrada Príncipe Alberto do Mónaco, que entronca com as ruas Mestre Feijó e Ilha Azul nos semáforos, o local onde se se situa um dos cruzamentos mais movimentados da cidade e, sem dúvida, aquele que ao longo dos últimos anos tem apresentado os maiores problemas de fluidez de trânsito na Horta. Só que, apesar do ordenamento na envolvente do hospital e da intervenção nesta estrada regional, novamente se desperdiçou a oportunidade de se resolver ali os engarrafamentos e a insegurança, dado os acidentes que já fizeram história naquele local.

Infelizmente, neste momento a situação está mais emperrada junto àqueles semáforos do que antes das obras e não me venham dizer que é por causa da interrupção de trânsito na Rua Cônsul Dabney, o motivo principal foi o de não se ter aproveitado as várias recentes obras na zona para se corrigir a situação.

É má a desculpa de que as vias que ali se cruzam não têm largura suficiente para ter três faixas de modo a disponibilizar uma para quem vai virar à esquerda e os semáforos puderem, deste modo, regular bem esta mudança de direção sem impedir o avanço dos que pretendem ir em frente ou virar à direita, pois há terrenos da Região em duas das esquinas, pelo que se poderia ter criado uma solução segura e fluída para a circulação de viaturas e peões. Mas o Governo dos Açores, desde há muitos anos, quando investe no Faial faz sempre obra insuficiente com o mínimo de custos, embora com o máximo de gastos em propaganda, e este caso não foi diferente. Nada muda na forma de menosprezar os Faialenses! Infelizmente, as vozes no poder do Faial parecem ter todas mentes pequenas e não conseguem lutar por esta ilha com uma visão em grande e de longo prazo.

Fizeram obras bonitas para a circulação de passageiros no porto da Horta e criaram um cais norte, mas encolheram a sua baía para poupar dinheiro, ao mesmo tempo que investiam em grande numa infraestrutura de transporte noutra ilha. Perderam então a oportunidade de termos um porto à medida das necessidades futuras. Para Faialense encher os olhos, mas, como de costume, eles pensaram em pequeno para nós. Apesar disto não quiseram aprender com a asneira.

A seguir fizeram uma bela obra de substituição de um dos blocos do hospital danificado pelo sismo de 1998, mas em paralelo iam-se reformando especialistas e desperdiçava-se a oportunidade de negociar com outros para vir para cá. Assim, vamos ficando cada vez mais limitados a médicos que passam a residir noutras cidades. Novamente encheram os olhos dos Faialenses com a arquitetura de um bloco moderno, mas diminuíram os serviços de saúde prestados permanentemente aos habitantes destas ilhas de baixo. Como de costume, fizeram a mesma asneira.

Agora, no cruzamento dos semáforos da Príncipe Alberto do Mónaco, os atuais engarrafamentos são já a última prova de que nada mudou na forma como o Faial continua a ser desprezado mesmo com investimentos, outra oportunidade perdida por o Governo dos Açores insistir na mesma asneira de não fazer as coisas como devem ser feitas.

Apesar da denúncia desta situação ao longo de vários anos, a verdade é que os políticos no poder desta ilha insistem em desculpar esta forma de agir e não deixam de pensar em pequeno para o Faial. Contentam-se com intervenções diminuídas e insuficientes à nascença. Assim, vamos assistindo à continuada insuficiência ou inadequação dos projetos que se construem por cá e os líderes locais continuam a não aprender nada com os erros do passado. O problema deve estar mesmo em terem mentes pequenas, pois, após tantas décadas, ainda acreditam no “small is beautifull”, por isso continuam a desperdiçar oportunidades quando se investe nesta ilha e até nos mais recentes fazem fachadas bonitas que escondem a pequenez e a deficiência do que por cá se faz.

Infelizmente há gente que sabe explorar esta pequenez em líderes faialenses para prosseguir a decadência da ilha, disfarçada em obras que até lhes podem assegurar votos, mas que, ironicamente, eles sabem à partida que não irão resolver os problemas de fundo e antigos do Faial.

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O meu artigo de opinião de hoje no jornal Incentivo.

SERVIÇO DE SAÚDE, APESAR DO DISCURSO, DEGRADA-SE NO FAIAL

Já neste mês de março, li uma notícia num meio de comunicação social da internet que: enquanto o Secretário Regional da Saúde garantia a uma Comissão do Parlamento Regional que o serviço de Suporte Imediato de Vida (SIV) no Faial estava assegurado das 8 da manhã até à meia-noite, o mesmo estava de facto a ser interrompido entre as 16 e as 19 horas por falta de condutor.

Este tipo de contradição sobre o nível dos serviços que um responsável da Administração dos Açores diz que se prestam no Faial face ao que se passa na realidade é cada vez mais frequente, sobretudo, para quem conhece as situações por dentro que ocorrem na nossa ilha ou pela experiência dos utentes desses mesmos serviços públicos.

Venho ouvindo cada vez mais lamentações de doentes que dizem estar a aguardar uma consulta de um médico especialista que virá ao Faial, pois o profissional que acompanha o seu problema e com quem a instituição de saúde da nossa cidade tem um acordo reside e trabalha num hospital de outra terra que não na nossa ilha.

O que se está a passar agora com as especialidades de Oncologia e de Hematologia, as áreas da medicina que abordam respetivamente as doenças cancerosas e as do sangue, vai pelo mesmo caminho. Isto porque os dois médicos que aqui residiam e trabalhavam, após anos de elevada dedicação e de relevante trabalho prestado às nossas gentes, chegaram à sua idade de aposentação, e se um, entretanto, assegurou ainda por mais algum tempo a continuidade do seu serviço no Hospital da Horta, era evidente que esta situação não seria eterna e agora chegou a vez de ambos gozarem a merecida reforma. Enquanto isto, a administração dá a entender que passaremos à prestação de serviço por especialistas que trabalham fora do Faial que, deste modo, esporadicamente virão à Horta para, ocasionalmente, atender às necessidades dos doentes desta zona do Arquipélago.

Não vale a pena tapar o sol com a peneira. Não é a mesma coisa, nem fica assegurada igual qualidade de serviço que poderia ser prestada por um médico especialista cujo local de trabalho e de residência seja permanentemente na Horta. Sei isto por experiência, há 30 anos, muito tempo antes do hospital desta terra atingir o seu máximo de serviços que já prestou, eu próprio fui forçado a mudar-me para Ponta Delgada para que o profissional de saúde que cá vinha pudesse assegurar em continuidade a atenção que o meu pai então carecia e não quero que outros agora voltem a passar pelo mesmo suplício, isto depois de tal lacuna já ter sido colmatada e agora voltar-se atrás.

Felizmente, depois dele, o Hospital da Horta aumentou as suas valências e outros doentes oncológicos e renais já não tiveram de sair do Faial e do Pico para receberem a assistência médica continuada requerida, mas desde há alguns anos e após este pico de serviços, eis que paulatinamente tem-se sentido um esvaziamento progressivo desta instituição de saúde e, tal como o Secretário Regional, os responsáveis dizem sempre que está tudo salvaguardado e previsto, só que a realidade que os Faialenses sentem não é essa.

Embora em algumas outras áreas os cidadãos possam por si procurar soluções alternativas para compensar as lacunas que o Estado tem no seu sistema prestação de serviço público, por exemplo, pode-se ser autodidata no ensino ou fazer treino desportivo individualmente, na saúde é impossível ser o doente a autopropor-se acompanhar e tratar da sua doença, tem de ser mesmo um médico e, nos casos mais sensíveis como a oncologia, deve ser um acompanhamento presencial e em continuidade, o que não é compatível com visitas programadas de acordo com um calendário genérico pré-estabelecido pelo hospital com um profissional que reside e presta o seu serviço na maior parte do tempo à distância e separado por um mar e só transponível com a deslocação do doente por avião e frequentemente mudança de residência de quem já está debilitado.

É cada vez maior o desfasamento entre o que os responsáveis políticos e administrativos dizem para a comunicação social faialense na área da saúde e o que se passa na realidade, tal como ocorreu no caso do SIV, onde os condutores vêm de outra ilha para assegurar o serviço e por isso ele esteve interrompido quando não devia, o que parece cada vez mais evidente vir também a acontecer com maior frequência e em mais áreas de especialidades médicas no Hospital da Horta por esses profissionais residirem no exterior.

Este é mais um problema em relação ao qual o povo Faialense não se pode acomodar face aos discursos dúbios que procuram transmitir a ideia de que está tudo bem enquanto se trilha um caminho para piorar o serviço público de saúde prestado no Faial.

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Meu artigo de ontem no diário Incentivo:

COMPENSAÇÕES QUE SEMPRE PREJUDICAM O FAIAL

Não tenho interesses ligados à realização da Feira Açores, não pertenço ao setor de produção agrícola, nem ao comércio de equipamentos ou de mercadorias ligadas a este ou a outra área de compra e venda, mas este certame no Faial é importante para as pessoas da agropecuária, para os comerciantes e empresários de hotelaria e restauração e, sobretudo, para a valorização do tecido económico desta ilha no contexto regional.

Assim, é lógico que na sequência de um voto de protesto, apresentado pelo PSD na Câmara Municipal, contra a decisão unilateral do Governo dos Açores em não realizar a Feira Açores no Faial este ano, o voto tenha merecido o apoio unânime, incluindo do executivo socialista maioritário naquele órgão, pois, desde outubro último, os autarcas do PS-Faial têm tido uma postura de aceitação e até de propositura de críticas contra ações levadas a cabo pelo Governo dos Açores e empresas públicas regionais, nomeadamente SATA, que tenham implicações negativas na Ilha Azul.

Todavia, logo a seguir a esta unanimidade no protesto, o mesmo Presidente da Câmara esvaziou o seu voto oficial de descontentamento com declarações em que contradiz a sua insatisfação, usando o argumento “podemos ficar a ganhar se fizermos bem o nosso trabalho”, tendo ele em conta a compensação do aumento do apoio do Governo para a organização da Festa do Mundo Rural, um evento sub-regional que conta com a envolvência do Município, subsídio como contrapartida à retirada a esta terra da realização de um evento de âmbito regional: a Feira Açores.

Este comportamento volta a pôr a nu a tática do PS-Açores: comprar o esvaziamento do Faial negociando contrapartidas com os seus eleitos nesta ilha para ações de menor projeção. Até acredito que com mais apoio do Governo dos Açores este evento possa ter maior brilho, mas, na realidade, o somatório dos benefícios para a Horta resultante da realização, em simultâneo, de uma Feira Açores em 2017 e da Festa do Mundo Rural era maior e melhor para esta terra do que só a realização de um único evento de menor projeção e mesmo que ligeiramente ampliado não é de escala Regional.

O discurso do Presidente da Câmara demonstra o que há muito denuncio na política regional: sempre que o Governo dos Açores dá ao Faial tira sempre algo mais importante para que no saldo final esta ilha acabe sempre a perder. Para esta estratégia, o Executivo Regional contou durante muitos anos com a complacência e anuência dos socialistas faialenses. A desculpa agora apresentada pelo líder do Município da Horta sobre o ganho que se poderia vir a ter num evento menor mais não é que a continuação desse vício, evidenciando que o apoio ao protesto apenas foi estratégico, para não se dizer que voltavam a votar contra uma crítica referente a uma decisão que prejudicava esta terra. Mas logo a seguir veio a desculpa e a minimização do ataque ao Faial

O susto de outubro último obrigou a disfarces nos autarcas rosas do Faial, mas parece mesmo que eles têm de desculpar os ataques que o Governo dos Açores faz à nossa ilha ou então é mais forte a sua vontade em agradar ao PS-Açores do que a coragem em assumir com todas as consequências a defesa do Faial. Eles não se curam deste tique de branquear os ataques ao Faial quando há uma negociação cujo saldo final é prejudicial a esta ilha. Tenho pena, mas é assim que agem.

Para termos um novo cais de cruzeiros na Horta (mesmo que encolhido), não concluíram a variante. Para se ter a Escola do Mar, tiveram que tirar a Rádio Naval da Horta. Concluíram o Bloco C do Hospital, mas não foi uma ampliação, apenas tiveram de demolir uma parte antiga devido aos danos do sismo de 1998 e há muito fechada, mas deixaram de negociar a vinda atempada de substitutos a tempo inteiro para vários dos médicos especialistas que, entretanto, se foram reformando. Para se ter a nova escola da Cônsul Dabney negociaram o encerramento de muitas escolas nas freguesias rurais da ilha. Quando compraram os novos aviões à SATA escolheram equipamentos que não operassem na Horta e puseram os seus autarcas do Faial a justificar esta política da empresa que nos prejudica e continuam sem se comprometer com o aumento da pista. Infelizmente havia ainda mais casos para esta lista, mas este artigo tornava-se demasiado longo.

É a sina que estes líderes rosas traçam para o Faial, sempre que se investe em algo por cá ou se aumenta um apoio, há como contrapartida a retirada de algo maior e há sempre uma desculpa para disfarçar esse esvaziamento progressivo da importância da Horta no contexto dos Açores. Agora para se ter um melhor subsídio à Feira do Mundo Rural teve-se que perder a Feira Açores 2017… o costume!

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo, curiosamente, desde o envio deste texto o Secretário Regional da tutela visitou a CALF, mas também não disse nada que resolvesse as questões aqui levantadas.

O FAIAL TEM OUTROS DESAFIOS QUE NÃO SE PODE ESQUECER

Apesar de continuar a considerar prioritário a questão das acessibilidades aéreas ao Faial e a ampliação da pista do aeroporto da Horta, o grupo de Faialenses que a mim mais preocupações tem manifestado nos últimos tempos sobre a sua situação financeira, a insegurança do seu futuro profissional e a respetiva estabilidade económica tem sido o dos produtores de leite.

Além disto, nos últimos meses tive conhecimento de vários cidadãos deste setor que abandonaram a produção de leite, conheço outros que já me disseram que estão a ponderar estratégias tendentes seguir o mesmo caminho de desistência, o que me deixa altamente preocupado.

Efetivamente, pelas declarações destas pessoas, várias mostraram-me o quanto estão desesperadas e se  algumas delas buscam soluções alternativas, sobretudo produção de carne, por ser esta a atividade que lhes é mais próxima daquela que ainda desempenham, torna-se evidente que este abandono também se vai refletir na viabilidade financeira da fábrica da Cooperativa Agrícola de Lacticínios do Faial (CALF) poder continuar a laborar e onde igualmente existe um número significativo de trabalhadores desta ilha cuja possibilidade de encontrarem um outro emprego para o qual estejam preparados me parece altamente improvável. Mesmo tendo em conta que o Governo quando é incapaz de resolver problemas de trabalho aposta ou na falsa solução de reformas antecipadas para quem ainda tem muito a contribuir no futuro da sociedade ou os pendure como ocupados ao seu serviço, mas em condições laborais de dignidade duvidosa, pela precariedade, inexistência de oportunidade de progressão de carreira e subserviência ao poder político.

Uma coisa é certa, as perspetivas do setor dos laticínios no Faial são muito sombrias e desde o protocolo sobre o preço de água entre a Câmara Municipal e a CALF, publicitado pouco antes das últimas eleições, nada mais se tem ouvido das entidades oficiais no sentido de se estar a resolver esta situação ao nível do concelho da Horta, pois sobre o que é negociado em outras ilhas, já eu sei como o Faial costuma ser desvalorizado.

Acresce ainda, como neste processo os arautos do poder também não têm atirado culpas à oposição, tal torna-se numa prova cabal que nem ainda conseguiram encontrar um argumento que os ilibe das suas responsabilidades neste caso, por muito esfarrapada que seja, como o têm feito com a SATA e o aeroporto, onde, após mais de 20 anos de poder regional e local, muitos dos quais em simultâneo com o nacional, e depois de tantas recusas a votos de protesto, agora assumem que é só por eles que se mantém o compromisso e a luta para se encontrar condições de se concretizar aquilo porque tantas forças Faialenses se têm empenhado há anos. Depois do que se viu até outubro passado, tanta presunção agora é mesmo de pasmar.

Contudo, por vezes descuidam-se, pois nos últimos dias chegaram ao extremo de menosprezar um abaixo-assinado promovido pela sociedade civil desta ilha. Talvez sejam ainda tiques do passado, quando impunemente atacavam quem se manifestava por esta terra, enquanto eles iam sempre defendendo o Governo Regional das desfeitas que ia progressivamente fazendo ao Faial.

Contudo, voltando novamente a levantar a questão do setor do leite no Faial e da sobrevivência da CALF, sinto que este silêncio por cá é estratégico, pois já ocorreu uma situação semelhante na fábrica da SINAGA em São Miguel, onde nos meses antes das eleições o poder regional e seus arautos mantiveram-se silenciosos e o descalabro só se tornou verdadeiramente público a seguir à legislativas, já então com os culpados daquela ilha reeleitos nos seus postos.

A verdade é que enquanto os produtores de leite nesta ilha se lamentaram a mim, falaram de decréscimos de preços e de rendimento assustadores nos últimos tempos, nos derivados lácteos de cá eu não senti essa redução e os produtos semelhantes de outras terras, depois de transportes, ainda chegam ao Faial mais baratos para o consumidor local desprezar mesmo o que por cá se produz.

Será que o problema destes agricultores e do futuro dos trabalhadores da CALF só não está em debate público porque o PS-Faial não quer lutar para se concretizar uma solução neste campo ou apenas porque não sabe como resolver o problema? Será novamente o seu habitual acomodamento aos influentes interesses exteriores a esta ilha?

Assim, apesar de agora haver quem até considere desnecessário o poder mostrar resultados dos seus esforços antes das próximas autárquicas, insisto que os problemas do Faial têm um prazo bem claro para se provar que quem está no poder quer mesmo resolvê-los e no pacote das questões também têm de estar o dos produtores de leite do Faial e a viabilidade da CALF. Antes que também seja tarde.

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo.

O JOGO DO EMPATA E O DO EMPURRA COM O FAIAL

Desde as últimas eleições legislativas regionais o Faial tem assistido a uma grande agitação no Governo dos Açores e da Câmara Municipal da Horta no sentido de darem a entender que, finalmente estão de acordo com as reivindicações dos Faialenses e que até se esforçam em as atender, apesar de não se ver nada de novo efetivamente alcançado.

Na questão do mamarracho que a Porto dos Açores apresentou para a baía sul da Horta e depois de meses com várias manifestações de preocupação, assistimos ao Presidente da Câmara da Horta ir com ar voluntarioso reunir-se com aquela empresa expressando publicamente a sua solidariedade com as preocupações dos Faialenses. Frutos deste encontro?… Nada!

Alguém ouviu falar quem tem competência para decidir sobre a alteração do projeto de que vão ser de facto respeitadas as promessas feitas aos Faialenses para aquela obra e salvaguardada a imagem de uma baía sem aquele mamarracho? Tenho estado atento e não escutei nada dessa entidade. Os resultados destes aparentes esforços parecem estar no segredo dos políticos ou então deram mesmo em: Nada!

Ao nível da questão da ampliação da pista do aeroporto da Horta e das acessibilidades, devido à forma como o grupo SATA, através da Azores Airlines, tem vindo a exercer este serviço, soube que à lista das reivindicações entregues ao Presidente do Governo dos Açores durante a manifestação dos Faialenses do passado dia 7 de setembro, em frente ao Parlamento Regional, decorridos mais de quatro meses veio, finalmente, uma resposta do líder do Executivo Açoriano.

Nesta resposta torna-se claro que no que estava então parado tentar parecer que se procura ultrapassar a estagnação, mas, de facto, nada se avançou e continua-se a passar responsabilidades para terceiros: Governo da República, ANA e a privatização desta. Mas compromissos a sério assumidos pelo Governo dos Açores: Nada!

Aquela promessa lançada em 2001 pelo Presidente Carlos César “se o Governo da República ou a empresa ANA não ampliarem a pista do Aeroporto da Horta, o Governo Regional assumirá essa obra” nem é considerada em termos de eventual parceria com as entidades nomeadas para deste modo ultrapassar o problema. Parece que o Faial não está na área geográfica da gestão do Governo dos Açores, pelo que se as entidades exteriores à Região não atenderem ao que os Faialenses reivindicam, este excusa-se, pois sente que nada tem a ver com os Faialenses, como se estes nem fossem Açorianos e como se entre a promessa e a privatização não tivessem existido quase 15 anos em que o aeroporto foi público e o Governo dos Açores foi liderado quase exclusivamente por Carlos César.

Todavia, o que naquele dia de setembro estava em efetivo andamento e vinha de trás, continua o seu caminho, ou seja: está a avançar o projeto RISE da parceria iniciada no tempo da TAP, depois parado com a saída desta da rota Horta-Lisboa e já então retomado pela Azores Airlines.

Assim, o que Vasco Cordeiro respondeu aos Faialenses foi: o que estava a andar, continua a andar o que estava parado: Nada fez de novo! O Presidente açoriano até pode lamentar se os do Continente não fizerem nada, mas não dá qualquer sinal que o podemos contar com o Governo dos Açores para se comprometer com as necessidades e reivindicações Faial: não é nada com ele além de conversar a favor do que pedimos.

Este jogo de empurrar as responsabilidades sempre que se pode apontar para terceiros e sem o poder regional se comprometer com nada e, quando não pode atribuir aos outros a resolução das questões colocadas em cima da mesa, fazer o jogo do empata: é a estratégia do PS-Açores. Por isso é que até ao momento dá-se a aparência de que se está a trabalhar, mas sem acrescentar nada de facto à situação que já existia antes das últimas eleições legislativas regionais.

Os Faialenses já disseram uma vez: Basta de maus tratos ao Faial! Suspeito que não estão dispostos a se deixarem enganar com estes jogos do empurra ou do empata para continuarem a ser maltratados. Agora há apenas se acrescenta mais cinismo sem nada beneficiar esta Ilha e este Povo. Continuo à espera de resultados que não aparecem e a resposta do Presidente do Governo dos Açores, mais o silêncio sobre o projeto da baía sul do Porto da Horta indiciam que é mesmo para não aparecer nada de concreto. Infelizmente!

Resta-me apenas o compromisso de que não deixarei de denunciar todas as artimanhas que sinto prejudicarem o Faial sem resolver os seus problemas.

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo

PORTO DA HORTA – LEVOU TEMPO A ADESÃO

Embora importe não esquecer que o problema prioritário para o Faial é o das acessibilidades aéreas da ilha ao exterior do Arquipélago, ou seja para já: a ampliação da pista, o projeto RISE e o número de ligações entre Horta e Lisboa; onde em cada um destes o Governo dos Açores tem grandes responsabilidades para se alcançar a sua concretização, nas últimas semanas a atenção centrou-se nas obras da segunda fase do porto da Horta, o que evidencia que os Faialenses estão agora muito atentos e bem despertos ao modo como os governantes tratam esta terra.

A preocupação dos Faialenses agrada-me e muito: a dinâmica da democracia cresce a partir do Povo e aquela não amadurece quando as pessoas estão adormecidas ou delegam nos políticos o seu papel de intervirem civicamente na sociedade.

Bastou o cartão vermelho de outubro último para que o Presidente da Câmara Municipal da Horta compreendesse que tinha a cabeça a prémio e mudasse a atitude que tinha no passado. Deixou de combater as vozes da oposição, que diziam alto os protestos e anseios dos Faialenses, enquanto o governo dos Açores pisava esta ilha, e passou a comprometer-se com as preocupações levantadas na sociedade do Faial e em público já leva ao poder regional os alertas dos munícipes.

É verdade que até ao momento não tem sido ele a tomar a iniciativa de assumir o papel de defesa do Concelho. Primeiro, na questão do aeroporto, já há meses que a população se movimentava e se manifestava ativa e publicamente em torno das acessibilidades aéreas e só depois das eleições e de o movimento cívico se manter ativo é que o Presidente da Câmara criou um grupo de trabalho para análise da ampliação da pista e aderiu às claras a esta causa dos Faialenses.

Agora nas obras do porto não se viu o Presidente da Câmara agir quando as preocupações se levantaram na Assembleia Municipal, a seguir deixou que as deputadas do seu partido e concelho fossem à Portos dos Açores com a comunicação social para a empresa passar a ideia de que estava tudo bem na atual versão do projeto, continuou a não se mexer quando os deputados Carlos Ferreira e Luís Garcia denunciaram o que consideravam aberrações na intervenção para ali prevista, permitiu até o burburinho de descontentamento crescerem nas redes sociais desta terra e só depois da denúncia pública das preocupações da mesa do turismo da Câmara do Comércio e Indústria da Horta e da reunião desta com o Presidente da Câmara é que este finalmente se resolveu a agir.

Levou tempo, mas ainda bem que por fim lá se decidiu unir às vozes dos Faialense em vez de criticar quem lançava os alertas, como era norma na história política de quem estava no poder desta ilha antes da derrota das últimas eleições. Podemos dizer que se o Presidente da Câmara ainda não lidera as causas do Concelho, ao menos, com o tempo associa-se aos argumentos dos seus Munícipes e no fim mostra-se solidário com as suas preocupações e envolve-se nas questões ao lado do seu Povo. É um progresso no bom sentido, parece um pouco forçado por ser ao retardador, mas reconheço a mudança.

Há quem diga que a mudança é estratégica e só até às próximas autárquicas. Não tenho provas da veracidade ou falsidade desta ideia, mas digo que se está numa corrida a contrarrelógio, ou o Presidente alcança resultados concretos até às eleições com soluções irreversíveis, ou deixa tudo pendente e voltará aquele discurso de promessas que os Faialenses já conhecem, onde passam os votos e o prometido se engaveta, então terá de decidir se estão dispostos a não penalizar quem não defendeu a tempo esta terra dos maus resultados, mas nisto o Povo é soberano.

Pode haver quem pense que um ano é pouco tempo para se exigir frutos irreversíveis, mas este curto período para a concretização dos objetivos só acontece por culpa daqueles que durante anos desculparam quem prejudicava o Faial em vez de estar do lado dos Faialenses, agora têm de correr para recuperar o tempo perdido por culpa deles. Tivessem eles antes ouvido e estado ao lado do Povo desta ilha.

Por mim, prefiro que seja o Faial a sair bem desta nova postura em detrimento de quais forem os políticos que com isso conquistem vitórias, eu apenas luto pela minha ilha e insisto que o importante é em tempo útil satisfazer as necessidades do Faial e espero que nos próximos meses as obras do porto se concretizem, sem comprometer a sua operacionalidade, nem a beleza da baía da Horta com aquele mamarracho que as imagens do projeto nos assustam.

NOTA: Pouco depois de escrever este artigo soube da morte do Dr. Mário Soares, sem dúvida alguém cuja resistência contra forças totalitárias, no poder ou a querer tomá-lo, é uma das razões porque Portugal vive em democracia. Lamento a sua morte e honremos o regime democrático que nos legou.

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O meu artigo de ontem no diário Incentivo:

ENTRE A ESPADA E A PAREDE

Oito de dezembro é feriado nacional para celebração da festa religiosa da Imaculada Conceição, apesar da tradição católica do Povo luso, esta data tornou-se para a maioria dos Portugueses, Açorianos e Faialenses exclusivamente no Dia das Montras.

Efetivamente, tanto em conversas com colegas, como nos noticiários e ainda da leitura de redes sociais na internet, verifiquei que as conversas daquele dia centravam-se, sobretudo, nas animações de rua e nas vitrinas das lojas comerciais, embora a tempestade da véspera tenha ocupado algum espaço na comunicação das pessoas, contudo, sobre as festas de Nossa Senhora da Conceição que decorreram nesta ilha, em muitas paróquias do Arquipélago e por este País fora, apesar de ser o motivo do feriado, o assunto ficou alheio de quase todos diálogos e reportagens.

Sendo eu Cristão e crescido numa sociedade onde a religião penetrava nos costumes intensamente, não deixo de notar este alheamento das pessoas ao cerne dos eventos que formataram a nossa cultura ocidental, mas é assim mesmo a realidade em que vivemos e respeito.

Já ao nível do Dia das Montras reconheço que o programa levado a cabo em cooperação entre as Câmaras Municipal e do Comércio da Horta foi este ano um sucesso, não só pela adesão dos Faialenses, como pelas opiniões de agrado manifestadas por estes. Não tenho complexo de elogiar uma organização que corre bem, mesmo que em muitos outros aspetos eu seja crítico, é precisamente a justeza das minhas análises que tanto leva a denunciar o que está mal, como também a louvar com igual correção o que correu bem.

Outra notícia promissora que ouvi a seguir ao feriado foi a celebração de um protocolo de cedência do Quartel do Carmo pela Secretaria de Estado da Defesa ao Ministério da Economia, para no âmbito do programa Revive se disponibilizar aquele imponente imóvel a investimentos na área do turismo. Tenho de reconhecer que ainda não está claro se já existe um projeto de aproveitamento do edifício, montantes ou identificação de interessados, mas reconheço que é algo com potencial interesse económico para o Faial e fico aguardar o evoluir da situação, esperando que se concretize.

Infelizmente também não faltaram notícias de movimentações tendentes a criar instabilidades e divisões no Triângulo na estratégia de ataque do grupo SATA e do PS- Açores ao Faial. Esclareço desde já que o anúncio de mais ligações aéreas a qualquer outra ilha desta zona do Arquipélago não cria em mim qualquer frentismo divisionista, nem reduz a força da argumentação da necessidade de se aumentar o número de viagens diretas entre o Faial e Lisboa.

Assim, o Presidente do grupo SATA fica informado que qualquer aumento do número de voos ao Pico é bem-vindo, só não justifica qualquer diminuição das ligações deste lado ocidental do Canal e ele tem de ter consciência que só há uma melhoria global do serviço prestado pela transportadora aérea regional ao Triângulo se um melhoramento numa parte deste não estiver associado à pioria ou redução do serviço noutra ilha desta zona, caso contrário, se um lado sobe à custa do baixar do outro, então o saldo é negativo ou nulo.

Vou ser muito claro: mais voos diretos para o exterior para o Pico, sim senhor! Tem todo o meu apoio, só que nem um voo a menos entre a Horta e Lisboa do que os 14 exigidos por unanimidade na Assembleia Municipal desta ilha.

Agora existe uma realidade social na ilha Azul diferente da que a Administração da SATA e o PS-Açores estavam habituados. Os Faialenses despertaram, abriram os olhos e já não se deixam enganar. Mais, o próprio partido do poder que localmente era subserviente às maldades feitas ao Faial percebeu que já não pode ser conivente com esquemas que prejudiquem esta terra: ou lutam connosco por ela, mesmo com risco de perderem a simpatia dos camaradas de outros círculos mais poderosos, ou são os residentes desta terra que os desalojam e mais, correm até o risco de perder as simpatias nas duas frentes se não alcançarem vitórias irreversíveis para o Faial e a questão da acessibilidade aérea e da operacionalidade do aeroporto são fundamentais para recuperar o tempo perdido que agora não lhes é perdoado se não o compensarem efetivamente.

Assim, os eleitos pelo PS-Faial estão entre a espada dos residentes, que exigem resultados, e a parede dos camaradas de partido, adversários desta ilha, que dizem na RTP-Açores “os Faialenses não têm razão”, mas foram os locais que se meteram nesta encruzilhada, pois, apesar de estarem no poder da ilha, desprezaram os conselhos de quem nunca baixou os braços na defesa desta terra.

Assim, por muitas manobras de diversão e tentativas de divisão vindas de fora, compete ao PS-Faial agora recuperar o essencial e há muito adiado por culpa deles, pois por cá já ninguém anda distraído, apenas desconfiado que possamos estar em manobras eleitoralistas sem frutos antes das eleições e depois foi-se… tática que já não pega nos Faialenses. Bom Natal a todos os leitores!

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