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Meu artigo de hoje no diário Incentivo:

MELHOR QUARTEL PARA PIORES ACESSOS AO NORTE DO FAIAL

É uma sina que amaldiçoa o Faial há demasiados anos: os projetos apresentados para esta ilha ou não se fazem ou, quando se fazem, são faseados ou encolhem ou então são programados considerando infraestruturas da envolvente a construir que depois não se concretizam. Assim, por cá temos ano novo, mas continuam as maldições velhas!

Deste modo, como já não é de estranhar, associado ao último anúncio de um projeto para esta ilha, temos a estragar a boa-nova a constatação de uma situação negativa que leva a novas preocupações.

Assim, depois de uma discussão em dezembro de 2017, ainda sem uma solução consensual à vista, para as obras na baía da Horta, pelas preocupações que o projeto levantou; logo em janeiro de 2018 já temos a notícia de o novo Quartel de Bombeiros, cuja localização antes escolhida tinha em conta a proximidade da variante ficar completa para permitir fáceis acessos das operações de socorro ao sul, ao norte e ao centro da ilha, bem como à cidade, só que como esta estrada não foi totalmente construída, há já que lamentar que o novo quartel piore a acessibilidade ao norte da ilha.

Deste modo, enquanto os Faialenses se podem congratular pelo facto de aos bombeiros locais lhes ter sido apresentado um projeto de novas instalações modernas e melhores condições operacionais, os habitantes da Praia do Almoxarife aos Cedros já têm uma preocupação com as prováveis maiores demoras de socorro em resultado da não construção da segunda fase da variante. O costume: nesta ilha não há bela sem senão!

Estava a esquematizar este artigo e fui surpreendido pela notícia de que o ainda jovem navio Mestre Simão encalhara no porto da Madalena, um novo acidente da Atlanticoline, felizmente, com eficácia no socorro, sem danos pessoais, sendo a tripulação digna de elogios. Este acontecimento levou-me a nova evolução do texto, embora mantendo a temática: obras que trouxeram novas preocupações.

O número tão elevado de incidentes e acidentes que têm afetado as ligações entre o Faial, Pico e São Jorge desde que foram efetuadas obras nos principais portos destas ilhas não pode ser mera coincidência, mesmo considerando o estado agitação marítima em que este caso e alguns dos anteriores aconteceram. São demasiados problemas para não haver outras causas que não estão a ser devidamente estudadas, ou então, as conclusões não estão a ser divulgadas devidamente.

Há anos que gente fora do poder faz alertas de aspetos a se corrigir após o anúncio de muitos projetos nestas ilhas. Avisos que a seguir são ridicularizados ou desacreditados por quem governa: acusando quem os fez de ser do contra; e as obras avançam sem atender às recomendações. O quartel que piora acessos a uma parte da ilha, porque contou com uma variante por acabar, não é uma situação original. Erros a molhes que se dizia não resolver problemas de agitação marítima foram denunciados até por homens do Povo. Venceu a teimosia de quem pode e manda.

Assim, temos aerogares modernas em pistas insuficientes com penalizações e quem pode não resolve. Há bons terminais marítimos no Triângulo que enchem o olho em portos cujas intervenções se dizia criar problemas operacionais nunca assumidos pelo dono das obras. O Faial deverá ter um quartel desejado, mas que piora o tempo de socorro a grande parte da ilha porque as autoridades não concluem a estrada que corrigiria isso. Torna-se evidente que os investimentos privilegiam o que dá nas vistas em detrimento da operacionalidade. Os Governantes fazem anúncios e autoelogios à sua obra sem corrigir os defeitos que a tempo foram denunciados, comprometendo a segurança e o futuro desta terra com os próprios projetos, mancos à nascença, que inauguram. Bom Ano Novo!

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Meu artigo desta semana no Incentivo:

AEROPORTO: UNIÃO NOS FAIALENSES: SIM – UNICIDADE: DISPENSA-SE

Parece que de uma forma mais ou menos assumida a generalidade dos Faialenses está a favor da necessidade de se melhorar as condições de operacionalidade do aeroporto e tal obriga a obras na pista da Horta.

Agora existe uma controvérsia sobre o passado que, com frequência, tem armadilhado a união em torno desta reivindicação: a distribuição das culpas porque a ampliação da pista nunca foi feita pelos poderes políticos que puderam concretizar este objetivo dos Faialenses.

É na luta de tentar repartir estas responsabilidades que nos dividimos: ninguém quer assumir a sua cota de culpa mas quer à força culpar o outro; com isto os Faialenses perdem forças que deveriam canalizar para o objetivo principal: a ampliação da pista. Um desperdício de energia, pois a resolução futura do problema não depende das culpas passadas nem é possível mudá-las.

Na realidade, ninguém que tenha ocupado até hoje os lugares com poder de decidir sobre esta matéria atendeu à reivindicação dos Faialenses quando lá esteve e, por isso, o processo nunca andou, mas agora não importa determinar o grau ou o momento da culpa para inutilmente desperdiçar as nossas energias. Temos de nos concentrar todos é na obra tão desejada para o Faial.

Sei que nenhum dos que esteve nos lugares com poder de decisão efetiva para ampliar a pista da Horta era da ilha. Assim, mais ou menos aguerridos ao longo desta longa história, em função do decisor pertencer ou não à sua filiação partidária, todo o político Faialense quis alcançar este sonho do aeroporto e sempre engoliu um sapo por gente do exterior lhe dizer: não!

Isto tudo para dizer que é doentio que após tantos anos sem se ver esta causa avançar, logo a seguir à conferência de imprensa do primeiro subscritor do abaixo-assinado para a melhoria das condições de acessibilidade aérea no Faial, em que lamentava o tratamento discriminatório que estava a haver neste processo pela Comissão de Economia do Parlamento dos Açores em relação ao Faial, logo o presidente da Comissão, outro não Faialense, acusou alguém e seguiu-se o habitual desperdício de energias na guerrilha de culpas entre Faialenses ficando para trás o objetivo principal: desbloquear este processo.

Tanto por questões partidárias na ilha, como por argumentos externos para dividir os Faialenses, a verdade é que por cá se arranja sempre uma razão para nos desunirmos quando nos devíamos unir. Acredito que não foi inocentemente que o Presidente da Comissão falou como falou e os Faialenses morderam o isco e logo começaram nas redes sociais e outros espaços a atirar pedras entre si, desperdiçando assim energia vital que deveria ser canalizada para a questão do aeroporto da Horta.

Não se pede aos Faialenses que tenham unicidade política, partidária, religiosa, desportiva ou outra na forma de encararem as questões ou as suas paixões, mas peço que sejam capazes de se unir quando têm objetivos comuns e sem dúvida que agora é a questão do aeroporto. Neste momento nem há eleições locais para que as partes se temam mutuamente, pelo que o mínimo que se pede é que com as suas diferenças individuais todos os Faialenses sejam capazes de saber unir-se no essencial sem escorregarem em todas as armadilhas como esta última atirada para nos dividir e fazermos o jogo dos adversários à ampliação da pista da Horta. Bom Natal a todos.

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Meu artigo de ontem no diário Incentivo:

O CASO IMAR OU DA DESUMANIZAÇÃO DO SETOR PÚBLICO

Foi com amargura que vi amigos e conhecidos, entre outros, a comunicar, no telejornal da RTP-Açores, a receção das primeiras cartas de despedimento como investigadores ou outras funções que desempenhavam na sede do IMAR, nas instalações do DOP da Universidade dos Açores na Horta.

Já não é a primeira vez que assisto a um despedimento coletivo e encapotado de grande dimensão no Faial por meras questões de interesses financeiros alheias aos problemas das gentes que serão afetadas por essas decisões e onde as pessoas são tratadas como peças de uma máquina que se pode descartar sem nenhum peso na consciência dos decisores.

A primeira vez foi há mais de uma década, quando do encerramento da fábrica de conservas de peixe no Pasteleiro, só para transferir a produção desta unidade e concentrá-la noutra instalação fabril no Pico, modernizada com subsídios públicos, sobretudo vindos da Europa, logo depois que se concluiu o tempo para que pudessem fechar a da Horta em virtude das obrigações resultantes dos anteriores subsídios públicos que tinham recebido para modernizar a fábrica no Faial.

Este despedimento foi encapotado, pois permitia que muitas das mulheres pudessem manter o seu trabalho na ilha em frente, indiferentes às possibilidades para apanhar a tempo o cruzeiro, de serem mães com filhos pequenos ou terem outros familiares que lhes impedisse tal mudança de vida. Então, o poder político justificou a sua impotência por ser uma medida de gestão privada, omitiu o facto de que era tomada para sacar ao máximo apoios públicos em desrespeito da salvaguarda social dos trabalhadores, onde estes nada lucravam com o dinheiro injetado e gerido pelo poder político.

Alguns Faialenses protestaram publicamente então, criticaram tal modo de gestão desumana, mas muitos quedaram-se no silêncio, talvez lamentassem no seu íntimo, mas era um problema que não era deles e como tal assistiram tal ataque a gentes desta ilha sem se incomodar.

Agora é uma estratégia de gestão de uma entidade pública que vive, sobretudo, de dinheiro público: a Universidade dos Açores, isto só para maximizar individualmente a gestão de apoios que geria de modo coletivo no IMAR de que era membro. Novamente não importam as pessoas, nem como estas programaram a sua vida, fizeram compromissos financeiros ou se enraizaram no Faial.

Acredito que também haja outra foma encapotada de despedir pessoas ao oferecer-se a uma parte dos investigadores, em paralelo, trabalho no novo Okeanus, em condições que com o tempo vir-se-á a saber, e para outras poderá ser o fim de um emprego que já não era de grande estabilidade, como acontece à maioria dos investigadores científicos em Portugal. Suspeito que de novo haverá alguns Faialenses a protestar e a reagir em público por este modo desumano de atrair fundos públicos e muitos outros a ficar em silêncio, talvez a lamentar-se no seu intimo, mas cientes que o problema não é deles e a ver, sem se incomodar, este ataque a gente que vive nesta ilha.

Há muito que se fala de deslocalizações de fábricas e empresas privadas para maximizar lucros e aproveitar apoios ou incentivos públicos, onde se culpa o neoliberalismo e a globalização que penaliza de forma desumana os trabalhadores sem ter em conta os problemas sociais que provoca.

Infelizmente, isto não é um vício exclusivo de privados culpa do neoliberalismo e da globalização. Não só porque muitos dos incentivos que permitem tal gestão desumana no privado é apoiado com dinheiros públicos de Estados e patrocinados por estes, mas também porque os governantes e altos gestores públicos o praticam cada vez mais com os seus funcionários: umas vezes para satisfazer elites, foi o caso da Rádio Naval; outras para tentar captar votos a gente que se deixe vender com deslocalizações de estruturas existentes sem justificação técnica e que provocam danos sociais a terceiros, é o caso agora do Infarmed; e ainda para se ter mão individual numa maior fatia de fundos públicos que se geria em cooperação, é caso da Universidade dos Açores com o IMAR/Okeanus.

Eis exemplos de vícios em entidade públicas que se diziam típicos de privados gananciosos no capitalismo, mas que se fazem num Estado que mexa à vontade com os seus funcionários, certo da passividade de muitos outros e seguro que os seus tentáculos amedrontam quem se oponha.

Há dias disseram-me que os Faialenses têm medo de falar e protestar contra quem governa pois dependem destes e o poder usa das mesmas armas de pressão que se acusa o privado ganancioso. Algo que desvirtua a democracia e no Faial, com a mágoa e silêncio de muitos, já se vê o esmagar de cada vez mais dos seus residentes pelo poder público, ou seja, aquele que se dizia garantir a defesa das pessoas acima dos vícios dos privados. Hoje eles… amanhã quem será?

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Adequar a oferta de transporte aéreo à procura nas rotas inter-ilhas é intenção da Secretária Regional, à partida é uma boa ideia, mas conhecendo como o Presidente da SATA trabalhou a estatística da ocupação dos aviões para prejudicar o Faial, isto obriga a grande atenção para que não haja malabarismos que prejudiquem a Horta. Abrir a Azores Airlines a privados pode ser apetecível com uma gestão racional, mas difícil sem os caprichos centralistas do Governo dos Açores.

São estas as duas novidades ao nível da política de transportes aéreos regionais noticiadas hoje no jornal Incentivo. Contudo, as ressalvas que lancei acima são minhas, pois a experiência diz-me que neste domínio o Governo Regional há muito que toma medidas moldadas de forma a prejudicar o Faial e também por vezes o Pico em matéria de acessibilidades para servir outros interesses bem distantes do Triângulo.

Na abertura do capital da empresa do grupo SATA é lógico que disponibilizar rotas ao exterior do Arquipélago fora do serviço público e rentáveis pode também requerer o recurso a medidas de desfavorecimento das ligações entre outros aeroportos açorianos de menor tráfego e o exterior da Região para viabilizar as centradas no aeroporto de Ponta Delgada e o já muito propalado “hub” a colocar naquela infraestrutura para centralizar os passageiros ali independentemente de serem de São Miguel ou não.

Tentativas de concentras a circulação dos Açorianos no João Paulo II já não são novas e com esta intenção de envolver privados esta tentação aumenta exponencialmente.

Assim, tendo em conta os riscos que interesses políticos ocultos pode envolver estas ligações todo o cuidado é pouco para os Faialenses, Picoenses e outros Açorianos não serem de novo ludibriados.

 

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo.

TSUNAMI DE DESCONHECIMENTOS E SEMPRE CONTRA O FAIAL

Nos últimos dias fomos inundados por uma onda tipo tsunami de desconhecimentos de decisões, de situações e de intenções por quem tinha a obrigação política e técnica de estar bem informado e dar a conhecedor aos Faialenses os elementos necessários para o povo estar esclarecido do que fazem os titulares de cargos que mexem connosco, curiosamente sempre em prejuízo do Faial.

O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia e o Reitor, apesar das funções dos seus cargos, desconheciam o encerramento próximo do IMAR no Faial. A piscina da Escola Escola Manuel Arriaga foi encerrada por excesso de cloro, voltou a fechar por possuir excesso de uma bactéria e foi reaberta sem se conhecer as causas das anomalias. O Presidente da Associação Portuguesa de Pilotos de Linha Aérea (APPLA) assumiu desconhecer “com a profundidade adequada” os temas da petição sobre as acessibilidades, segurança e ampliação da pista da Horta no abaixo-assinado dos Faialenses, mas deu parecer à Assembleia Regional. O Ministro do Planeamento escudou-se na privatização da ANA para manter o desconhecimento sobre as obras pedidas para o nosso aeroporto. Tanta ignorância de gente responsável e nunca a favor Faial!

O Secretário Regional mencionado é o único membro do Governo dos Açores que vive no Faial e até é o responsável pelas áreas de investigação científica e do mar, exatamente aquilo que o IMAR faz, a Secretaria que ele dirige até tem contratos com o IMAR para a prossecução das políticas do Governo, mas pasme-se: Não sabia de nada do fecho do IMAR!

A Universidade dos Açores é membro do IMAR, deu autorização para este ficar no DOP e tem quadros e dirigentes seus no IMAR e a presidi-lo. Contudo o reitor criou um centro de investigação igualmente no DOP que desenvolve as mesmas atividades IMAR, mas, apesar disto tudo, o Reitor também desconhecia que o IMAR no Faial iria fechar. Dá para acreditar?

Além disto, nem o Secretário Regional, nem o Reitor e nem o Presidente do IMAR deram a conhecer o futuro da instituição aos investigadores que trabalham ali no Faial, como se estes não fossem gente que importa considerar nestas mudanças. Ninguém assume conhecer o mal que daí pode advir.

Na piscina a história é diferente. Além de o Governo dos Açores não dar explicações sobre as causas das anomalias e das medidas tomadas que garantam saúde dos utentes, a maioria crianças e jovens desta ilha, o Secretário Regional da Educação e Cultura mostrou desconhecer o papel e  estatuto da oposição ao acusar os deputados do PSD eleitos pelos Faialenses de ao levantarem a questão de estarem a “promover o alarmismo mesmo antes de apurar concretamente as situações e a atuação dos serviços envolvidos”.  Então este senhor desconhece que estes eleitos diretamente pelo povo, coisa que ele não é, se na oposição têm, precisamente, a função de fiscalizar a ação do governo e de o questionar e, em democracia, isto não se faz pela calada como no tempo de Salazar?

Já relativamente ao Presidente da APPLA, depois de escrever que não conhece adequadamente as pretensões dos Faialenses para o aeroporto, mostra que nem estudou a assunto a sério, mas tem o desplante de assumir que as mesmas não devem ser feitas, pois podem custar cerca de um bilião de euros, ou seja, não é o dobro ou o triplo do estimado nos estudos feitos por técnicos, mas pasme-se a dimensão do desconhecimento, um erro aproximadamente 29 mil vezes acima de quem estudou o assunto a pedido da Câmara Municipal da Horta. Grande asneira! Mas sempre contra os Faialenses.

O Ministro do Planeamento na Assembleia da República interrogado sobre a possibilidade de ampliação deste aeroporto também desconhece perspetivas de se financiar esta pretensão, e escuda-se ainda na antiga ANA, como se não fosse uma pessoa que tem obrigação de no presente encontrar soluções em vez de lavar as mãos! Tanta ignorância e sempre em prejuízo do Faial!

Uma boa notícia foi o prémio recebido pelo Hospital da Horta na evolução registada dos indicadores clínicos. Um sinal que quem está a trabalhar nesta unidade dá o seu máximo pelos doentes e está a tornar-se mais eficaz no seu exercício em prol da saúde das pessoas. O que desconheço é se o prémio tem em conta as especialidades que entretanto o hospital possa ter perdido, pois não me esqueço da saída de especialistas por motivos de reforma ou outros e nunca mais ouvi falar das substituições destes. Esta omissão será para ficar no tsunami de desconhecimentos em prejuízo do Faial?

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O meu artigo de hoje no Incentivo:

O INOPORTUNO ELOGIO DA LIÇÃO E RISCOS NO FAIAL

No passado dia 15 de outubro quando escrevia o artigo para ser publicado no Incentivo na terça-feira seguinte, onde mostrava as capacidades comunicacionais de António Costa para disfarçar a austeridade oculta do Orçamento de Estado para 2018 e a arte de assumir medidas alheias que recusara antes, para dar a entender que tinha um pacote de politicas populistas e originais e levar os Portugueses a renderem-se à sua estratégia, não imaginava a catástrofe que Portugal Continental estava a enfrentar e ampliada pela incompetência do Governo em proteger as populações rurais.

Além de desconhecer o que estava a acontecer, estava longe de imaginar que no dia seguinte o mesmo Primeiro-ministo me iria mostrar que poderia ser inapto em comunicação e assisti a um António Costa desastrado na forma de falar aos Portugueses da calamidade que o País passava e da estratégia do Governo para enfrentar o problema. Uma coincidência que se não fosse tão trágica até seria irónica, pois ocorreu quando decidi elogiar a veia comunicacional do Primeiro-ministro.

Contudo, no dia de saída do artigo assisti à capacidade comunicacional de Marcelo Rebelo de Sousa, alguém a quem eu já várias vezes criticara por ser excessivo em palavras, mas que naquele díficil momento optou por se calar, reservar-se no início e depois fazer um dos discursos mais assertivos num Presidente da República de Portugal em democracia, com uma análise real da situação e a impor ao Governo a tarefa de definir a estratégia nacional para enfrentar a catástrofe. Falou aos Portugueses sem disfarces da dura realidade e ao poder executivo daquilo que era prioridade este pensar e decidir, obrigá-lo a um programa, mas a definir por quem lhe competia: Governo.

Confesso que preferia ter visto o Presidente da República brilhar sem ser numa catástrofe, mas também é do conhecimento geral que é nos momentos difíceis que se vêm os melhores.

Costa não brilhou quando Portugal foi à falência, mas depois de arrumado o País com a sua veia comunicacional soube chamar a si louros de um desenvolvimento livre da troika e com ventos externos favoráveis como se tudo se devesse a ele próprio. Infelizmente na primeira grande intempérie que enfrentou, Pedrógão Grande, nem uma medida corretiva atempada tomou para então arrumar a casa, e pior, desresponsabilizou-se a si e ao Governo com heranças do passado.

Na segunda tempestade, Costa já seguia a mesma estratégia e não fosse alguém capaz de o enfrentar como o Presidente da República e duvido que hoje não estaria tão humildemente a trabalhar e a refletir nas prioridades dos problemas do ordenamento das florestas e do despovoamento rural.

Uma vez que não se pode alterar o passado, o importante agora é que se corrijam muitos dos erros de ordenamento territorial que aumentaram os riscos associados aos fogos e para as populações, cuja incompetência diretiva da proteção civil não impediu que resultasse em tantos mortos.

Também é verdade que não foi apenas a incúria e incompetência que levou a este aumento do risco que conduziu à morte de tanta gente, houve e há que ter a coragem de continuar a denunciar isto: interesses eleitoriais a curto-prazo de alguns políticos fecham os olhos e deixam que o perigo se alastrasse até tomar proporções difíceis de mitigar em danos humanos.

Infelizmente este interesse politiqueiro que coloca gente em perigo não é um mal exclusivo do Continente. Estou a recordar-me daquela pessoa que aqui no Faial durante a última campanha autárquica que me dizia com grande contentamento que tinha conseguido uma casa a bom preço porque os politicos tinham acabado com as zonas de risco… conhecendo eu a sismicidade regional, só espero que a abertura para gente ir viver em locais tão perigosos como aquele que ela me mostrou para a sua habitação não venha um dia a ser causa de mortes de Faialenses evitáveis. Mas se futuros sinistrados precisarem de socorro, desejo que também não encontrem uma organização tão incompetente de Proteção Civil como aquela que os Portuguesas se depararam neste verão em Portugal Continental.

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo:

A LIÇÃO DE COSTA A PASSOS

Ao ouvir as propostas para o Orçamento de Estado de 2018 apresentadas pelo Ministro das Finanças vejo que já não há pudor em se dizer que os congelamentos de carreiras na função pública vêm desde o ano de 2010, ou seja do tempo do PS. Percebi que neste mandato se reduziu a sobretaxa aos vencimentos progressivamente como propunha a coligação Portugal à Frente nas últimas legislativas. Compreendi que se vai reduzir o IRS mas em contrapartida aumentam-se outros impostos por razões de saúde (produtos ricos sal ou açúcar e bebidas alcoólicas exceto o vinho) mas também sobe o selo dos carros. Mantém-se a estratégia de chamar rigor à austeridade. Assim até parece que vamos ter mais dinheiro disponível no fim do mês só que na prática não e é esta a conclusão final.

Pode parecer que fiz um crítica de desagrado relativamente ao próximo Orçamento de Estado, mas nada disso. Concordo na generalidade com o acima exposto, pois o Governo apenas está a ser realista na gestão dos dinheiros públicos. Agora o PS já não propõe o crescimento do PIB nacional através do consumo como dizia antes e sorridente até o Ministro das Finanças refere que este aumento é suportado, sobretudo, pelas exportações, isto tal como era defendido pelo anterior executivo.

Igualmente o Ministro assume o corte das despesas intermédias do Estado e impõem cativações nos gastos, algo que os atuais governantes e seus apoiantes eram totalmente contra até 2015 e lembro-me bem quanto a oposição lutava na rua o que agora no suporte ao poder acata e até implementa.

Pode-se até dizer que há aumentos extraordinários nas baixíssimas pensões de muitos Portugueses, mas o desbloqueio destas já vinha de trás e, além disto, é preciso não esquecer quanto o Estado tira logo com a outra mão aos pensionistas até nas simples bolachas de água e sal que muitos destes comem como alternativa a não ter tempo nem paciência para cozinhar uma refeição sozinhos com o novo imposto sobre vários alimentos prontos a comer.

Eu já sabia que os juros da dívida pública tinham uma grande importância nas despesas do Estado, estes quando baixam têm um impacte enorme na redução do défice orçamental… mas, curiosamente, foi também através dos esclarecimentos do Ministro das Finanças que me apercebi agora que após o anúncio da retirada da categoria de lixo da dívida pública portuguesa pela Standard & Poor’s que os juros voltaram a ser tão baixos quanto já haviam sido no mandato do anterior Governo quando da saída limpa e do regresso aos mercados. Um sinal que em termos de sucessos houve recuos nestes dois últimos anos e ninguém o denunciara convenientemente.

Assim vários dos elogios à atual governação tem mais de emocional que diferenças face ao proposto pelo anterior executivo após a saída limpa. As emoções são de facto tão importantes para as finanças públicas quanto a empatia da população a um dado político e às suas ideias. Isto é algo que há muito me apercebera e foi reconhecido de tal modo agora que até levou à atribuição do prémio Nobel da economia deste ano. Assim, após uma crise política, medidas semelhantes ditas de modo simpático por um governo em estado de graça podem ser melhor aceites do que medidas semelhantes implementadas por políticos desgastados e a prova está aí. Claro que o modo de defesa das mesmas pela comunicação social também pode ajudar.

Efetivamente, a facilidade de gestão de uma crise e da imagem de um governo depende muitas vezes mais do modo como os políticos dizem e apresentam as medidas de austeridade para estas serem acolhidas e aceites pela população face às implicações dos sacrifícios impostos ou do saber disfarçar a não libertação do efeitos práticos desse rigor na maioria dos cidadãos em si e esta arte de anunciar colocando-os de forma que até parece populista e usando outras palavrar para o bom-senso que antes de se chegar ao poder se recusava é a grande lição de estratégia comunicacional que António Costa deu a Passos Coelho.

Muitas vezes mais vale como se diz do que o aquilo que se disse mesmo.

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