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Meu artigo de hoje terça, dia 21 no diário do Faial “Incentivo”.

ELES COM OS LOUROS, NÓS COM A CONTA

  1. Estamos em período de campanha para as eleições ao Parlamento Europeu, tenho assistido a uma roda-viva de candidatos e partidos a falar dos problemas do País que não são da competência daquele Órgão e não vi ninguém referir questões cuja resolução esteja nas mãos da União Europeia, embora saiba que as obras de âmbito nacional e regional são, na sua maioria, pagas por fundos comunitários e quando se faz qualquer coisa por cá, os políticos portugueses colhem os louros como se tivessem pago e quando por má-vontade destes ou incompetência não se fazem atiram as culpas para a Europa.

Lembro-me que há uns meses atrás, numa sessão no Amor da Pátria, falou um Eurodeputado, agora considerado o eleito português mais influente naquele Parlamento, deixou claro haver condições de a ampliação adequada e pretendida pelos Faialenses para a pista do aeroporto da Horta ter cabimento e ser convenientemente apoiada por fundos Comunitários. A verdade é que até ao momento da escrita deste artigo paira silêncio sobre esta matéria, apesar de alguns andarem a tentar tirar louros sobre este processo sem nunca se ver ao certo e a tempo a luz ao fundo do túnel que garanta que esta obra vai mesmo ser feita. Para este projeto, o ainda eurodeputado referiu que os governantes de cá nada pareciam querer aproveitar a possibilidade- Já sobre a variante, os de cá não a fizeram quando deviam e depois culparam a União Europeia de já não financiar a obra.

Uma coisa eu suspeito: quando chegar novamente a hora da verdade na questão do aeroporto os culpados do que correr mal vão lavar as suas mãos, mas vão chamar a si louros de esforços que camuflaram má vontade política do Governo e as contas serão sempre sentidas pelo Povo Faialense.

  1. Não haja dúvida que Joe Berardo distingue-se de muitos políticos que nos tem desgovernado por ser menos hipócrita, embora igual em oportunismo. Já me parece evidente como vai acabar o escândalo das declarações descaradas do ainda Comendador na Comissão Parlamentar de Inquérito sobre aos desvarios financeiros da Caixa: esta vai-se transformar numa oportunidade de ouro para um pacote de sonsos governantes e seus nomeados gestores,que têm destruído as finanças de Portugal e se servido do País impunemente,lavarem mais uma vez as suas culpas pelos maus acordos que fizerem com privados em prejuízo do Estado e da Banca para colher louros políticos de curto prazo e atirando os riscos da conta para longo prazo e para o Povo.

Cruzando os dados, eu suspeito que a evolução deste caso terá uma destas conclusões: a banca (cujos prejuízos de má gestão e interesses políticos têm resultado em injeções de dinheiro pago pelos cidadãos) ou irá conseguir a penhora das obras de arte para tapar as suas dívidas e vende-as ao Estado para que os compromissos culturais deste assegurem a exposição da coleção, ou o Governo a compra diretamente e injeta verbas nos buracos dos bancos, de qualquer forma, a despesa será coberta pelos impostos dos cidadãos, enquanto os políticos dirão que preservaram um espólio de grande interesse público para daí tirarem mais dividendos. Resumindo: os sonsos governantes e gestores combinados fizeram asneira da grossa neste negócio, mas no fim, sempre pagará o Povo e os culpados maiores tentarão ainda tirar louros públicos e sair a ganhar da má gestão.

A dúvida que ainda tenho é se Joe Berardo, que neste momento está a ser o único bode expiatório de toda esta gente sonsa culpada e coligada, sairá incólume mais uma vez ou chamuscado.

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo:

DE MERCADO A CENTRO EMPRESARIAL

Participei em décadas de debate na Assembleia Municipal sobre a necessidade da Câmara revitalizar o Mercado. Foram muitos anos de promessas da reformulação desta estrutura nas propostas dos manifestos eleitorais autárquicos e foi muito tempo a assistir-se ao declínio deste histórico Mercado.

Longe, mesmo muito longe, o tempo das memórias do Mercado Municipal cheio de vida, azáfama de fregueses entre as lojas com vendedores residentes no Faial e a complementar, mais do que a competir, os vendedores vindos do Pico que enchiam todas as bancas ali existentes e onde se comprava, sobretudo, produtos destas duas ilhas.

Ainda me lembro da anterior grande reformulação do Mercado Municipal da Horta, onde a madeira deu lugar ao cimento e as condições ficaram modernas à luz daqueles anos do século XX e a atividade dentro daquele espaço manteve-se viva e dinâmica.

Lembro-me dos partidos agendarem quase em simultâneo ações de campanha para o Mercado Municipal, seguros que ali encontrariam sempre numerosos eleitores a cativar e, apesar dos adversários se encontrarem no mesmo espaço, o espírito democrático e a exposição pública criava a oportunidade de um são convívio entre opositores, população e comerciantes, por vezes temperadas com alguns jargões e ironias para vincar as posições de cada um, as diferenças entre eles e as acusações de falhas de quem estava no poder.

Depois o Mercado Municipal transformou-se num espaço triste, praticamente vazio de clientes, quase sem produtos locais, várias lojas fechadas e bancas vazias. Lembro-me da última campanha eleitoral em que lá estive praticamente só havia a possibilidade dos candidatos dos vários partidos trocarem manifestos entre si, pois clientes eleitores eram mesmo muito escassos.

Foram muitos anos de declínio e inoperância, mas a partir de hoje surge a oportunidade de assistir à segunda grande reformulação do Mercado Municipal da Horta que começa a ser inaugurada neste dia e que espaço passará a ostentar o nome de Centro de Acolhimento Empresarial da Horta. Após tantos anos, a promessa eleitoral de reformulação de Mercado Municipal inúmeras vezes repetida em manifestos eleitorais finalmente se concretiza e congratulo-me por isso.

Não conheço ainda o interior novo espaço, o que sei são as imagens divulgadas e o que se observa do exterior, tenho recebido informação de empresas que ali se instalarão, tenho ouvido dificuldades de outros e já me comunicaram o desinteresse de alguns em passar a sua atividade do antigo mercado para as estruturas reformuladas. É normal, o declínio arrastou-se por muito tempo e seguramente fez vítimas inocentes que agora já não conseguem ultrapassar o pesado fardo apesar da renovação e da esperança daquele espaço.

Agora o que mais desejo, depois de tanto esperar, é que o Mercado Municipal após esta reformulação, independentemente do nome de Centro de Acolhimento Empresarial da Horta, fique mesmo revigorado, seja um sucesso, contribua para a revitalização daquela zona do centro histórico da Horta e dinamize a produção e o comércio local para bem das pessoas e da economia do Faial.

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Aquilo que poderia ser uma greve com alguns incómodos aos Portugueses, estes conseguiram transformá-la num caso de estudo sobre o caos típico de um racionamento em tempo de guerra e dar um peso a este protesto e a este grupo profissional que o bom-senso da população o teria protegido desta loucura.

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Homo

Li o ebook Homo Deus do israelita Yuval Noah Harari em inglês por não existir em suporte digital na língua de Camões em Portugal, uma vez que a edição brasileira não é comercializada na Europa por direitos editoriais, mas esta obra encontra-se traduzida em papel e pode adquirir-se no nosso País aqui.

Na cultura ocidental o Homem desde o início quis ser igual a Deus, é esta a tentação feita a Eva. Durante milénios o mal: a fome, a guerra, a doença e a morte foram vistos como resultado de castigos de Deus ou caprichos dos deuses, esse que movia(m) os cordelinhos que o Homem não dominava. Harari evidencia que nos últimos séculos a humanidade, através da ciência e tecnologia, foi eliminando (pelo menos nas regiões mais desenvolvidas) a fome e muitas das epidemias, tornando-se cada vez mais dona de si, até que se tornou autoconfiante e nasceu o Humanismo onde o Eu do Homem passa a ser o centro e relega Deus para longe.

Humanismo tornou-se uma nova religião e no século XX a política conseguiu criar vastas e longas zonas da Terra sem guerra, a esperança de vida aumentou e já há a busca do grande elixir da vida longa e o Homem sente-se como o deus que gere o seu destino.

Nas últimas décadas a Inteligência Artificial tornou o atributo para muitos característica exclusiva do Homo sapiens numa realidade exterior ao próprio homem e a tecnologia passou a ser capaz de criar ciborgues que substituem danos no corpo e inclusive podem melhorar a suas limitações e arriscamo-nos a criar Super-homems. Só que o humanismo e esta nova via de seres que superam o Homem têm genes que colocam em riscos o próprio Homem e as questões que isto levanta e as preocupações são o cerne do desenvolvimento deste livro.Até onde vai este Homo Deus? Qual o futuro do Homem com sentimentos? Esses seres Inteligentes que criamos sem sensibilidade e exclusivamente lógicos tratar-nos-ão como nós tratámos os animais domésticos? Será o Homem um mero algoritmo que pode ser independente de si mesmo?

Um excelente livro cheio de inquietações que vale a pena ler, onde se fala das religiões das modernidade sem Deus mas que criam o mesmo fanatismo das religiões do passado sem a moral que estava na respetiva base.

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo

O EMBUSTE DA ESCOLA DO MAR

Alguns adultos para convencerem uma criança, sobre algo que ela não quer fazer, não gosta de comer ou para ela aceitar dar o que tem na sua posse e não quer entregar, aliciam-na com um rebuçado e todos sabemos que por vezes as crianças (e não só!) se deixam levar em troca de uma doce recompensa.

Só que também há gente que depois de conseguir o que queria não cumpre com aquilo que prometeu. Uns simplesmente não dão nada do que acordaram antes, mas outros são embusteiros manhosos, disfarçam a sua falta de palavra mudando a recompensa para outra coisa com menos sabor ou menor interesse. O embuste torna-se num rebuçado amargo para quem se sente enganado.

A Escola do Mar, em fase final de construção, foi usada desde o início como o rebuçado para os Faialenses aceitarem melhor a retirada do Faial da Rádio Naval e não, como querem dar a entender, um investimento limpinho, foi uma troca que para alguns até parecia vantajosa ao princípio e se não fosse a tática do embuste manhoso esta ilha talvez não ficasse a perder tanto assim.

Desde o início desta promessa os sinais de embuste começaram a vir ao de cima, em dezembro de 2014 eu escrevi um artigo na internet onde então dizia “Apesar de a Escola do Mar ainda não ter visto a luz do dia no Faial, por nunca se ter tornado realidade, já hoje surge noticiado no Incentivo que o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia anunciou a criação de um núcleo desta escola em Rabo de Peixe, em São Miguel, uma ilha onde vive mais de metade da população dos Açores.” que intitulei “Antes de nascer: Governo esvazia mais de 50% da Escola do Mar no Faial”.

Cerca de um mês depois do artigo surgiu a polémica em torno da criação do curso em Ciências do Mar na Universidade dos Açores, que mais parecia uma tática para concorrer com a nova Escola do Mar e, apesar do então denominado Departamento de Oceanografia e Pescas estar na Horta, foi então decidido que este curso não poderia ser lecionado no Faial. Íamos ter uma escola do mar, tínhamos um polo universitário para o oceano só o que não podiam fazer é ensinar algo que fosse de nível superior ao de uma escola secundária. Contudo, apesar de um certo alvoroço de então, muitos Faialenses deixaram-se levar quando começaram a ver as obras e esqueceram-se dos sinais dados.

Nos últimos dias foi denunciado que a Escola do Mar apenas vai dar ensino equivalente ao 12.º ano em áreas marítimas, ou seja, uma outra escola profissional, e mesmo assim, alguns dos seus cursos podem ser dados noutras ilhas que não no Faial, um embuste manhoso para continuar a ludibriar os Faialenses que habitualmente se deixam enganar.

A Escola do Mar está a tornar-se cada vez mais numa obra que é mais fachada exterior para fazer uma festa inaugural para passar nos noticiários os discursos enganadores do momento, mas cuidadosamente esvaziada das principais mais-valias que poderia trazer para o Faial.

A ser assim, em resultado final: o Faial perdeu todas as valências da Rádio Naval que puderam ficar em São Miguel e não ganha quase nada em troca, pois a Escola do Mar será paredes com formação apenas de grau de ensino ao já dado por outros estabelecimentos existentes na Horta e ainda sem garantias de ser ministrado nesta ilha. Se não isto não mudar, será um embuste.

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Confesso que há anos tem sido o que está expresso no ponto 5 do movimento 5.7 a minha ideologia e a minha preocupação tem sido ver isto colocado em prática.

5 – Partimos do princípio de que é possível vencer a pobreza, reparar os extremos de desigualdade injustificável que põem em causa a comunicação entre os grupos sociais, dar sustentabilidade ao Estado social e reinventar os mecanismos de coesão e de confiança cívica. E, por isso, recusamos o centralismo burocrático e a articulação das políticas sociais enquanto instrumentos ideológicos.

Não sei se será viável, desilusões tenho tido muitas, observando a prática política de gente que se diz não socialista, o grupo em que me revejo, sendo um social-democrata não socialista, pois reconheço que livre das amarras do Estado é também possível lutar por um mundo mais desenvolvido e justo e fazê-lo melhor.

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O meu artigo de ontem no diário Incentivo:

O CENTRALISMO É CENTRALISMO, TANTO NACIONAL COMO REGIONAL

Independentemente de se gostar da escolha de Mota Amaral ou não ou de ser compreensível o porquê de alguém, após se reconhecer um bom desempenho como deputado no parlamento europeu em nome dos Açores, ter de ser substituída no termo do primeiro mandato (e já não é a primeira vez), não é uma mera questão de presunção ou de orgulho pessoal a exigência de uma posição elegível para aquele aceitar integrar a lista única nacional em representação do PSD-Açores.
A reivindicação de um lugar elegível para Mota Amaral (neste caso concreto) é, sobretudo, uma questão de se exigir o reconhecimento de que esta pessoa não vai para esse lugar apenas em nome próprio ou só pelos seus méritos individuais, vai como representante de uma estrutura política com um estatuto específico de uma Região Autónoma e Ultraperiférica, não se confundindo com um mero departamento da organização interna de um partido como uma distrital ou concelhia.
Assim, a reivindicação de um lugar, perspetivado à priori elegível, tem a ver essencialmente com o reconhecimento do estatuto próprio dos Açores no todo nacional. O Arquipélago é uma região em descontinuidade geográfica e distante do território original do País. Esta situação projeta Portugal para uma realidade marítima muito além dos limites da plataforma continental da Europa e dá ao Estado uma importância geopolítica, económica e estratégica global muito superior à da sua real dimensão em termos de território emerso e população residente.
Foi o reconhecimento destas especificidades no todo nacional que possibilitaram que num País que nunca foi capaz de levar a cabo a regionalização no seu território continental, desde o início da democracia fosse viável criar um estatuto autónomo para os Açores, com a possibilidade destes legislarem e gerirem o seu território nos assuntos de interesse regional (mesmo que nem sempre tenha sido claro e consensual o significado deste interesse regional). Assim, a reivindicação de uma posição considerada elegível do representante dos Açores numa na lista nacional ultrapassa em muito o aspeto individual e entra na defesa do reconhecimento do estatuto específico e da importância desta Região no contexto de Portugal e não é uma questão de orgulho pessoal.
Se fosse uma mera questão demográfica, os Açores não ultrapassam os 4% da população nacional e a Região teria de se cingir a uma representatividade conforme com essa dimensão. Mas não é. Só que esta especificidade esbarra com o centralismo de muitos e estes têm dificuldade em reconhecer aspetos que não giram em torno do seu centro e neste caso não é apenas Lisboa, é o todo-Portugal- Continental. Foi o reconhecer a particularidade das ilhas menores no contexto arquipelágico que lhes deu mais peso eleitoral que a sua representatividade populacional na fundação da autonomia e foi o centralismo regional que desvirtuou este reconhecimento.
Infelizmente, neste momento o PSD-Açores está a sentir, como força política desta Região, o que sentem também ilhas mais pequenas perante o esmagamento centralista das maiores do Arquipélago, que usam a sua dimensão populacional e económica para centralizar em si tudo o que interessa enquanto esmagam as terras mais fracas e lhes reduziram força eleitoral para se defenderem. O Centralismo que este partido político regional está agora a lutar dentro do nacional é o mesmo centralismo que Faialenses e outros Açorianos de ilhas pequenas combatem quando denunciam que não estão a ser devidamente defendidos os seus interesses e importância no contexto do Arquipélago. O mesmo centralismo que também mina a Autonomia dentro dos Açores.

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