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Posts Tagged ‘reflexões’

Interessante a aceitação do argumento da tradição para invocar a tolerância de ponto no Carnaval, uma festa associada ao calendário litúrgico num Estado Laico, enquanto o uso da tradição de dar tolerância de ponto pela vinda de um Papa a Portugal escandalizar por estarmos num Estado laico. Em 2010 falei sobre isto e disse:

Não sou um defensor da tolerância de ponto de hoje, mas ela não me choca, este é um País onde a grande maioria de cidadãos ainda se assume como católica e a tolerância quase não tem custos para o Estado: evita a burocracia da alteração de férias aos que se forem às celebrações com o Papa, que ao contrário de outros Chefes de Estado fala diretamente ao povo nas visitas oficiais, e não coloca serviços a meio-gás, com todas as confusões resultantes.

Talvez a tolerância num jogo da selecção não fosse polémica, mas há aqui muita hipocrisia e propaganda de movimentos anti-católicos e de ateus que, pela sua agressividade, se comportam como religiões modernas à conquista dos seus fieis.”

O posto mantém-se atualizado, pois continuo a pensar precisamente o mesmo.

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Há frases fortes, mais ainda se suportadas por slogans que estão na memória coletiva no momento. O Presidente da Associação Agrícola de São Miguel foi descuidado ao dizer “nos Açores temos vacas felizes e lavradores tristes“. Compreendo a amargura, mas pode ser contraproducente se o mote afetar as vendas de leite baseada na campanha publicitária, provocando então ainda mais infelicidade à classe profissional que quer defender.

Sim, conheço produtores de leite em grandes dificuldades devido à redução do preço de venda sem a correspondente diminuição dos custos de produção, há quem esteja de facto muito triste e outros já estão a abandonar o setor, mas envenenar uma das poucas campanhas que ficou no ouvido dos Portugueses e pode promover as vendas que estanquem o decréscimo dos rendimentos da classe pode ser um tiro no pé.

Reivindicar e chamar a atenção para o problema é necessário, mas penso ser dispensável declarações que possam provocar danos colaterais de quem necessita de ajuda.

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A atual epidemia de sarampo e a morte de uma jovem de 17 anos têm levado a posições extremadas e a comunicação social tem culpas ao dar notícias sem a devida prudência. Primeiro deu que a mãe da falecida era anti-vacinas que a deixou aos olhos de muitos como culpada do falecimento, agora sabe-se que em criança a vítima tivera um choque anafilático com uma vacina que justifica os receios parentais.

Entretanto surgiu uma petição a defender a vacinação obrigatória, como se não houvesse crianças cuja saúde desaconselha a que sejam expostas a este método preventivo de doenças infetocontagiosas.

É o bom-senso que nestes casos deve prevalecer. Nem ir na onda de movimentos populares que tendem a lutar contra tudo o que de bom a ciência tem oferecido à humanidade, vendendo uma ideia de que a natureza é sempre melhor do que o trabalho sério que resulta da inteligência do homem e por vezes veiculando mitos urbanos e falsas notícias assustadoras. Nem devemos partir no sentido contrário de impor como bom tudo o que resulta da investigação, nem livre das influências e de interesses de económicos que valorizam benefícios ou amortecem outros cuidados tradicionais eficazes.

Recorde-se que os judeus escaparam fortemente à peste negra que avassalou a Europa na Idade Média apenas porque tinham regras de higiene muito rígidas de origem religiosa que foram suficientes para enfrentar melhor o problema de saúde pública de então que a restante população.

Em matéria de saúde as leis necessitam de bom-senso e este raramente vem com posições a quente, e aquele é preciso para se tomarem as decisões adequadas nesta matéria.

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O meu artigo de hoje no diário Incentivo:

TURISMO – O PORQUÊ DO FAIAL EM MÁ MARÉ

Quando se alterou o regime de ligações aéreas entre os Açores e o Continente há cerca de três anos, abrindo-o às empresas de aviação de baixo-custo nos aeroportos de Ponta Delgada e da Terceira com reencaminhamento para outras ilhas a custo zero e mantendo-se o serviço-público para as restantes “gateways” da Região: Horta, Pico e Santa Maria; perspetivou-se que o turismo nos Açores iria crescer substancialmente em São Miguel e que este “boom” se propagaria por todo o Arquipélago. Infelizmente, várias notícias recentes têm deixado claro que a realidade se tornou bem diferente das previsões de então para o Triângulo e, sobretudo, para o Faial.

Sou de opinião que se os princípios estratégicos iniciais tivessem sido seguidos, talvez a abrangência regional daquele crescimento se concretizasse, mas a política de transportes e de promoção turística que se fez a seguir nos Açores, com o apoio do Governo Regional, subverteu descaradamente as premissas daquele projeto de ligação aérea entre a Região e o exterior.

Efetivamente, as campanhas para se visitar a Região centraram-se quase só em São Miguel. Mais, quando se consulta rotas entre o Continente e os Açores fica-se com a ideia de que os preços anunciados são da ligação entre Lisboa/Porto para Ponta Delgada e sem os reencaminhamentos a custo zero para outras ilhas. Pior ainda, com muita frequência se deduz que a empresa pública regional SATA oferece no portal aos passageiros que queiram chegar ou partir da Horta preços mais baratos se estes fizerem escalas noutros aeroportos regionais e no fim entrar ou saírem dos Açores através do aeroporto João Paulo II, tornando assim menos apelativa a opção Horta ou Triângulo como destino turístico final a quem consulta e não está previamente informado das regras do sistema de transportes aéreos entre o Continente e este Arquipélago.

Mesmo assim, na internet continua-se a ver micaelenses a criticar investimentos estruturais no Faial, como o do aeroporto, com o argumento de que a sua grande ilha vai financiar esses custos, como se os Açorianos das restantes ilhas já não estivessem a contribuir no dinheiro injetado na promoção centrada em São Miguel, nas suas estradas e marinas vazias e ainda as rotas deficitárias da SATA entre Ponta Delgada e o estrangeiro sem nada ter a ver com a nossa diáspora ou como se a solidariedade para aquela ilha fosse obrigatória e de sentido único.

Assim, não admira que neste período de férias da Páscoa, mesmo depois da maior oferta de camas em São Miguel, a RTP-Açores na Sexta-feira Santa informasse que a ocupação hoteleira nesta ilha rondava os 90%, enquanto o Faial se quedava por 60% nos maiores hotéis, ficando mesmo por uns míseros 10% em certas residenciais. Estes maus resultados, infelizmente, não são acidentais, são mesmo fruto desta estratégia do Governo de concentrar o turismo, sobretudo, em Ponta Delgada.

Se é certo que o canal televisivo não fez referências naquele dia a outras ilhas, nomeadamente do Triângulo, a verdade é que circularam noutros espaços dados estatísticos dos últimos tempos referentes ao crescimento do número de passageiros nos aeroportos do Arquipélago e onde Faial, Pico e São Jorge apresentam dinâmicas muito abaixo da média regional e, claro está, esta é bem inferior ao grande aumento observado em São Miguel.

Estes dados não seriam ofensivos se a culpa fosse só nossa e houvesse uma estratégia promocional dos Açores onde o Faial e o Triângulo fossem tratados em pé de igualdade com outras ilhas, mas eles são fruto de um tratamento desigual. onde, não só a Horta, como o Pico e São Jorge, além de ignorados, são até desfavorecidos em termos de preços e de ligações diretas e ainda assistimos aos esforços da SATA em reduzir o número de ligações aéreas a esta ilha, até com recurso a estatística de ocupação dos aviões com critérios selecionados para maltratar o Faial.

Alerto que este mau tratamento ao Faial também teve cúmplices nesta ilha, mas também me parece que a maioria dos Faialenses já despertou e viu isso e mesmo muitos dos que antes pactuaram nesta estratégia agora sentem-se na obrigação ou, no mínimo, forçados a reivindicar mais alto por esta terra e sub-região turística para estancar o enfraquecimento económico a que assistimos ao longo dos últimos anos ou segurarem votos em futuras eleições.

Esta mudança de comportamento de alguns nos últimos meses talvez já não apague todas as sequelas das atitudes subservientes do passado, mas, arrependidos no seu íntimo ou apenas em fachada, importa que os Faialenses reúnam todas as forças para reverter o mal, antes que seja demasiado tarde, porque os adversários do Faial são muitos e estão até em quem governa os Açores.

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A vontade  do populista islâmico Erdogan reforçar o seu poder ganhou por escassa margem na Turquia, mas perdeu nas maiores cidades do País, indicando que os turcos não temeram concentrar num só homem o domínio simultâneo sobre a justiça, o parlamento e o governo, algo típico de estados totalitários, pode ser perturbante, mas assustador é a aceitação deste caminho de poder sobremusculado ter tido maior aceitação nas comunidades dos seus emigrantes em estados democráticos defensores da divisão de poderes residentes na Alemanha, França e Holanda.

Esta maior aceitação de um regime musculado pelos emigrantes em Estados, onde a liberdade e a laicidade são das suas maiores bandeiras, evidencia o elevado desfasamento existente nas comunidades turcas em relação aos países de acolhimento, assemelhando-se a guetos não integrados nas nações onde vivem diariamente o que mostra grande dificuldade para sarar qualquer ferida aberta por diferenças de cultura e para aceitação do pensar distinto do outro, algo muito perigoso para o futuro desta Europa.

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Meu artigo de ontem no diário Incentivo:

PISTA: AGORA, O IMPORTANTE, É FICARMOS UNIDOS

Não sou entendido em aeronáutica nem em infraestruturas aeroportuárias, mas o grupo de trabalho criado para estudar a ampliação da pista da Horta possui elementos que sabem da matéria para eu acreditar que as conclusões a que chegou mereçam confiança.

Uma das conclusões dá um grande golpe ao argumento do custo excessivo para se ampliar a pista com o fim de se alcançar as condições de segurança e de operacionalidade adequadas às necessidades e anseios dos Faialenses, bem como acabar com as limitações de carga e passageiros que os aviões que realizam os voos para fora dos Açores têm estado sujeitos neste aeroporto. Efetivamente, alcançar o mesmo objetivo por 34,5 milhões de euros em vez dos anteriormente anunciados 75 milhões é uma redução superior a cinquenta por cento do preço.

Não opino sobre as várias alternativas estudadas pelo grupo de trabalho, volto a deixar isso aos entendidos, pois o importante é encontrar uma solução que satisfaça as necessidades das populações desta região dos Açores em condições de segurança e com os menores custos financeiros e de impactes ambientais possíveis, mas sempre sem comprometer os objetivos. Agora o Município da Horta possui um documento base sério para defender os interesses dos seus Munícipes.

Neste momento todos os beneficiários desta infraestrutura têm de estar unidos na luta para que este objetivo se concretize, pois não faltam adversários a esta obra e muitos têm um peso político e económico elevado para que se esteja perante um confronto semelhante ao de David e Golias. Mas, como se sabe, naquela batalha foi a inteligência e a persistência que permitiu ao mais fraco e inexperiente ganhar ao mais forte. Assim, espero que agora também sejam os Faialenses a alcançar a vitória perante todos os que tudo têm feito para que a ampliação da pista do aeroporto da Horta não se concretize. Já vimos manipulação de estatísticas por entidades públicas, incumprimento da palavra dada por políticos, ofensas de grupos organizados nas redes sociais e a exploração de divisionismos inter-ilhas, tudo isto só para que faltem condições para este projeto não ir em frente.

Isto porque o Triângulo unido tem um potencial de atratividade turística que assusta muita gente que prefere destruir a união entre as ilhas do Faial, Pico e São Jorge para que esta sub-região dos Açores fique enfraquecida e manietada aos interesses económicos de parcelas mais populosas e económica e politicamente mais fortes e influentes.

Este receio tem levado ao uso a argumentos que vão desde o custo, à inutilidade do investimento, às dificuldades técnicas e até à exploração de animosidades partidárias, bairrismos no seio do Triângulo e manipulações cujo único fim é boicotar a concretização desta pretensão.

Nada tenho a opor que, em paralelo, se invista em outro aeroporto no Triângulo, pois, potenciar a complementaridade das infraestruturas aqui existentes assegura melhor que quem tenha como destino esta sub-região dos Açores consiga de facto cá chegar, sem ter de ser frequentemente desviado para outras zonas que lhe são concorrenciais que até incentivam (com o nosso dinheiro) a preferirem esses locais em alternativa a vir diretamente para o Faial, Pico e São Jorge.

É importante que os interessados no Triângulo possam chegar de facto a estas três ilhas com baixo risco de desvios ou de custos acrescidos. Mas com este trabalho os obstáculos não vão diminuir: quanto maiores e melhores forem os nossos trunfos os nossos argumentos, maior será a adversidade cultivada pelos opositores do Triângulo a enfrentar e, para alguns deles, tudo vale.

O Município da Horta também não pode agora sentir que já cumpriu o seu dever de liderança e acobardar-se perante estas forças exteriores. Na verdade, neste momento tem é de usar toda a sua capacidade para vencer os falsos argumentos: financeiros, de que o investimento pode não ser rentável; ideológicos, de que a infraestrutura é privada e não pode ser alvo de dinheiro público; divisionistas, de que deve ser apenas um aeroporto no Triângulo que deve ficar noutra ilha; de competência legal, que deve ser a ANA, ou o Governo de Lisboa para desresponsabilizar o dos Açores; ou mesmo de pressão partidária, para eleitos locais desta ilha não perderem o apoio de âmbito regional; ou outro subterfúgio qualquer; pois todos eles são ultrapassáveis se houver vontade e coragem de quem lidera os destinos do Faial para utilizar o presente momento para se alcançar este objetivo antes das próximas eleições, pois deixar para depois é porque fomos alvo de mais um embuste que até despudoradamente se serviu de Faialenses técnicos, sérios e competentes.

A partir de 1 de outubro sem uma vitória irreversível nesta matéria fica claro que assistimos agora apenas a mais um foguetório político para iludir os que se deixam enganar pelo fogo de artifício efémero, abrem a boca pasmados pelo brilho, mas deixam passar a oportunidade sem saírem da mediocridade. Espero que assim unidos e sem receios se alcance a tempo o objetivo de ampliação da pista para bem do Faial e do Triângulo. Aproveito para desejar um boa Páscoa a todos os leitores.

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A agressão a um árbitro por um jogador de Canelas, um clube distrital, chocou o País. Depois os telejornais informaram que a equipa já era conhecida internacionalmente por fenómenos de violência em jogo, vários outros clubes preferiram perder por falta de comparência em vez de se expor a tal plantel e o próprio treinador dá a entender que os seus jogadores apenas tem mais garra com o adversário, que o futebol não é tão suave como a natação. Com isto o Canelas está impunemente prestes a subir de divisão.

São muitos pormenores que se levantaram com este caso que evidenciam que algo vai mesmo muito mal no mundo do futebol oficialmente organizado.

Todas as semanas dezenas de comentadores e painelistas de futebol dissecam pormenores em câmara lenta e repetições de imagens para dar a entender que o desporto profissional não é uma atividade isenta, mas onde se jogam interesses a favor do clube adversário e assim vão paulatinamente semeando mais ódio entre os simpatizantes e sócios das várias partes em confronto.

O que se passou com o jogador do Canela é fruto deste apodrecimento progressivo que semeia violência em muitos espetadores e amantes de futebol.

Comentadores e canais de informação não precisam de apelar diretamente à violência para esta florescer nas mentes perturbadas de muitos, basta semear o ódio, a desconfiança e a sensação de injustiça intencional que a violência florescerá viçosa em muitos adeptos da modalidade e há anos que isto está a ser feito às claras e impunemente por interesse de guerras de audiências e intenção de pressão psicológica para obtenção de  resultados desportivos por métodos que não são de jogo em campo.

Isto não é ético nem moral, mas mantém-se no nosso Portugal e ninguém corrige isto, depois admirem-se que a situação venha ainda piorar e haja mortos.

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