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Posts Tagged ‘reflexões’

Fui interpelado várias vezes por surpreendidos pelo CDS e o PSD se individualizarem na Assembleia Municipal da Horta. Digo: numa coligação é normal! Os dois concorreram juntos para eleger Presidentes, pois numa lista unida reforça-se a possibilidade de vitória. Individualizam-se depois, pois isso também reforça a capacidade de intervenção de cada um. Não cortaram relações, podem cooperar se para o Faial for conveniente e ter opiniões distintas se a identidade das partes também o considerar importante.

Também a nível nacional o PàF concorreu coligado, até foi grupo mais votado e na Assembleia da República individualizaram-se por grupos partidários. O mesmo acontece à décadas com a CDU que concorre sempre como uma coligação e no parlamento tem o grupo do PCP e d’Os Verdes e ninguém estranha que assim consigam ter quase o dobro do tempo de intervenção nos debates e nas cerimónias discursem sempre individualmente em vez de um único discurso mais curto que os dois separados.

Alguém pode contestar que no anterior mandato tal não aconteceu, é verdade, mas tanto o CDS, como o PPM tinham um único eleito, pelo que cada um não seria grupo, o que cria certas dificuldades específicas de participação nos trabalhos que podem ser melhor resolvidas mantendo a coligação. Agora também é verdade que mesmo quando falava o membro do CDS não havia a perceção nos ouvintes que era uma voz distinta da do PSD. Agora essa confusão deixou de existir.

O importante é que cada um, em coligação ou não, trabalhem o melhor possível em prol da ilha do Faial, sejam capazes de se coordenar e de cooperar quando necessário e conveniente para o concelho da Horta sem perder a identidade que os define individualmente como partidos e que estes princípios também orientem os restantes que concorrencialmente se apresentaram às eleições.

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo:

A LIÇÃO DE COSTA A PASSOS

Ao ouvir as propostas para o Orçamento de Estado de 2018 apresentadas pelo Ministro das Finanças vejo que já não há pudor em se dizer que os congelamentos de carreiras na função pública vêm desde o ano de 2010, ou seja do tempo do PS. Percebi que neste mandato se reduziu a sobretaxa aos vencimentos progressivamente como propunha a coligação Portugal à Frente nas últimas legislativas. Compreendi que se vai reduzir o IRS mas em contrapartida aumentam-se outros impostos por razões de saúde (produtos ricos sal ou açúcar e bebidas alcoólicas exceto o vinho) mas também sobe o selo dos carros. Mantém-se a estratégia de chamar rigor à austeridade. Assim até parece que vamos ter mais dinheiro disponível no fim do mês só que na prática não e é esta a conclusão final.

Pode parecer que fiz um crítica de desagrado relativamente ao próximo Orçamento de Estado, mas nada disso. Concordo na generalidade com o acima exposto, pois o Governo apenas está a ser realista na gestão dos dinheiros públicos. Agora o PS já não propõe o crescimento do PIB nacional através do consumo como dizia antes e sorridente até o Ministro das Finanças refere que este aumento é suportado, sobretudo, pelas exportações, isto tal como era defendido pelo anterior executivo.

Igualmente o Ministro assume o corte das despesas intermédias do Estado e impõem cativações nos gastos, algo que os atuais governantes e seus apoiantes eram totalmente contra até 2015 e lembro-me bem quanto a oposição lutava na rua o que agora no suporte ao poder acata e até implementa.

Pode-se até dizer que há aumentos extraordinários nas baixíssimas pensões de muitos Portugueses, mas o desbloqueio destas já vinha de trás e, além disto, é preciso não esquecer quanto o Estado tira logo com a outra mão aos pensionistas até nas simples bolachas de água e sal que muitos destes comem como alternativa a não ter tempo nem paciência para cozinhar uma refeição sozinhos com o novo imposto sobre vários alimentos prontos a comer.

Eu já sabia que os juros da dívida pública tinham uma grande importância nas despesas do Estado, estes quando baixam têm um impacte enorme na redução do défice orçamental… mas, curiosamente, foi também através dos esclarecimentos do Ministro das Finanças que me apercebi agora que após o anúncio da retirada da categoria de lixo da dívida pública portuguesa pela Standard & Poor’s que os juros voltaram a ser tão baixos quanto já haviam sido no mandato do anterior Governo quando da saída limpa e do regresso aos mercados. Um sinal que em termos de sucessos houve recuos nestes dois últimos anos e ninguém o denunciara convenientemente.

Assim vários dos elogios à atual governação tem mais de emocional que diferenças face ao proposto pelo anterior executivo após a saída limpa. As emoções são de facto tão importantes para as finanças públicas quanto a empatia da população a um dado político e às suas ideias. Isto é algo que há muito me apercebera e foi reconhecido de tal modo agora que até levou à atribuição do prémio Nobel da economia deste ano. Assim, após uma crise política, medidas semelhantes ditas de modo simpático por um governo em estado de graça podem ser melhor aceites do que medidas semelhantes implementadas por políticos desgastados e a prova está aí. Claro que o modo de defesa das mesmas pela comunicação social também pode ajudar.

Efetivamente, a facilidade de gestão de uma crise e da imagem de um governo depende muitas vezes mais do modo como os políticos dizem e apresentam as medidas de austeridade para estas serem acolhidas e aceites pela população face às implicações dos sacrifícios impostos ou do saber disfarçar a não libertação do efeitos práticos desse rigor na maioria dos cidadãos em si e esta arte de anunciar colocando-os de forma que até parece populista e usando outras palavrar para o bom-senso que antes de se chegar ao poder se recusava é a grande lição de estratégia comunicacional que António Costa deu a Passos Coelho.

Muitas vezes mais vale como se diz do que o aquilo que se disse mesmo.

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Tanta, mas tantas falhas mesmo na cadeia de comando técnico dos nomeados pela titular política de topo no enfrentar o incêndio de Pedrógão Grande! O que não diria Catarina Martins, Jerónimo Sousa e António Costa se surgisse entre 2011 e 15 um relatório deste teor da comissão independente à catástrofe mais mortífera em Portugal por um fogo florestal? Com que orgulho ela assume que não pede demissão depois de tudo o que ali foi escrito!

Há muito que defendo que um bom político não se vê quando as coisas estão a correr bem, mas sim quando surgem os problemas ou as crises.

Pedrógão Grande diz mais sobre o carácter, a capacidade, a competência e o papel do atual executivo no estado do país do que muitos dados económicos de que vai entretanto colhendo louros sem ter feito qualquer reforma de fundo em Portugal em dois anos que justifique que o comboio posto antes nos carris ele agora comanda.

Não desejo uma crise como a de 2011, mas Pedrógão Grande dá sinal que perante algo semelhante com o atual governo a cadeia de comando para pôr Portugal novamente nos eixos ia ser mesmo uma catástrofe sem precedentes.

A culpa política morrerá sempre solteira nesta tragédia se um nomeado pela ministra da administração interna for demitido mantendo-se esta no cargo quem o nomeou.

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Anos a investigar, até protestei por Sócrates ser constituído arguido em público, preso de forma preventiva e depois levar anos a ser acusado e conhecidos os crimes. Agora o caso pode avançar para tribunal e ele defender-se até julgamento, até lá presume-se inocente. Mas alguém que leva um País à falência e preserva tanta admiração no Povo é talvez mais um génio maquiavélico do que é ingénua a população que ainda o bajula. Tal genialidade pode justificar a demora que protestei mas assumo o in dubio pro reo.

Todavia se em termos de crimes por que é acusado eu não assumo que seja culpado dos atos até ao julgamento final, o facto de ter criminosamente levado Portugal à falência isso eu assumo-o culpado na generalidade.

Reconheço que pode ter havido algum pormenor que lhe escapou e ter arriscado inocentemente em certas opções financeiras para o País que depois saíram furadas com a crise nos Estados Unidos e das dívidas soberanas na Europa. Mas muitas opções económicas que tomou desde que foi Secretário de Estado do Ambiente ao ser Primeiro-ministro eram à partida prejudiciais ao Povo e benéficas para certas empresas que dominavam a economia nacional e isto é uma forma suja de fazer política que leva um Estado e os seus cidadãos no futuro a serem prejudicados sem que a justiça faça os culpados pagarem por esse mal.

Igualmente muito do mal que Sócrates fez a Portugal teve outros envolvidos beneficiários dos seus esquemas e houve participantes nuns casos ingenuamente usados e noutros por oportunismo, muitos destes continuam sem reparar o mal que fizeram aos Portugueses e ainda tem a possibilidade de nos fazer mais mal… Sócrates talvez esteja a sofrer por alguns dos seus erros enquanto muitos do conluio estão impavidamente serenos a assistir de bancada a queda de outros que são tão culpados como eles.

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esta empresa Pico Airways vale pela coragem e demonstração empreendedora, pois há que forçar as barreiras existentes para se ultrapassar os constrangimentos atuais. Só por isto esta iniciativa já merece ser referenciada pela capacidade dos seus proponentes. Há muita gente no setor privado só à espera, sem investir ou arriscar, embora este comportamento não seja um exclusivo do Faial, vai muito além desta terra, mesmo que nesta ilha em virtude do enorme peso do setor público seja mais normal esperar-se que seja este a resolver tudo.

Também não sou ignorante para não saber que já houve empreendedores no Faial que nas suas áreas de atividade quiseram ser inovadores e investir e que disseram que foram esmagados pelo poder instalado e até alguns saíram desta ilha  para outras porque lá fora lhes criaram as condições de investimento necessárias ao seus projetos ao contrário de cá, comprovando as suas justificações

Não vou levantar rivalidades bairristas, a coragem de iniciativa dos investidores que gostaria de ver no Faial logicamente merece o meu elogio se a vir no Pico ou em São Jorge e serão apontados os bons exemplos.

Apesar de tudo o que acima disse, as dificuldades sentidas ou o espírito de iniciativa a promover não são impedimento para ninguém nesta terra deixar de reivindicar justamente o quer que seja às entidades públicas em prol do Faial, tal como em outras terras por parte do seus residentes desde que não o façam em prejuízo de outras ilhas.

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Subscrevo na generalidade todo o artigo de Pedro Duarte, apesar de me parecer que neste momento ninguém vai conseguir que se pare para pensar… Infelizmente penso que vai ser o costume: a mera tentativa de arregimentar peões para eleger barões via que raramente leva a bom porto o quer que seja para mal do futuro do País.

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo sobre as autárquicas no Faial:

LEGITIMIDADE POPULAR E UM REPTO AOS VENCEDORES

Terminei o anterior artigo de opinião aqui no Incentivo concluindo: “respeitarei qualquer resultado das próximas autárquicas mas aposto na mudança.” Assim sendo, logicamente aceito agora a opção que resultou da contagem dos votos dos Faialenses que se deslocaram às assembleias de voto no passado domingo.
Foi um resultado honroso para aqueles que queriam mudança e se reuniram em torno da coligação Acreditar no Faial, grandes vitórias em muitas freguesias, na Assembleia Municipal mas o objetivo principal era de facto liderar o Governo do Faial ou seja a Câmara Municipal e esse não foi alcançado. O vencedor num regime democrático adquire legitimidade para governar de acordo com a expressão eleitoral que foi obtida através dos votos válidos depositados livremente em urna.
Todavia deixo claro: legitimidade democrática em eleições não é sinónimo de validação da não razão que suporta uma opinião diferente. Por isso assiste-me também o direito de manter as minhas ideias independentemente de a maioria ter discordado de mim. O regresso de voos redondos no próprio dia das eleições que fora denunciado durante a campanha eleitoral e retirados segundo se deu a entender a pedido do recandidato Presidente da Câmara vieram dar-me razão, o poder político dos Açores não joga limpo com o Faial.
Sou uma pessoa que respeita as regras do jogo democrático, mesmo que por vezes o poder não o faça de forma limpa, mas também sou um indivíduo de convicções refletidas e amadurecidas e por isso continuo a assumir que preferia que Carlos Ferreira tivesse vencido por ainda pensar que era o melhor para o Faial, mas não foi neste sentido que a maioria dos Faialenses se manifestou quando se expressou no passado dia 1 de outubro.
Por vontade própria pedira para não ser colocado em posições elegíveis para os órgãos municipais nas listas em que me convidaram e aceitara integrar nestas autárquicas, pelo que independente dos resultados que viessem a acontecer, eu estava seguro que ao fim de 24 anos deixaria por agora a atividade institucional autárquica ao nível concelhio. Todavia, mesmo cansado de décadas sempre deixei claro com quem falei que esta saída não seria uma desistência pessoal de vida pública ativa, continuarei a defender o Faial como um simples cidadão. Assim, enquanto tiver possibilidades, aqui ou noutros espaços não deixarei de expressar as minhas opiniões sobre o que considero mais importante dizer em prol da defesa dos interesses desta Terra.
Confesso até que me seria mais doloroso ser desiludido por uma má prestação daqueles que apoiei nestas eleições caso não correspondessem às minhas expectativas, por isso fruto dos resultados eleitorais ficou intata a esperança de que teriam sido bons autarcas. O reaparecimento dos voos redondos após o fim da campanha mostra bem que eu estava do lado do jogo limpo, o que também me é reconfortante.
Na minha luta autárquica de décadas e na minha vida pública sempre esteve em primeiro lugar a defesa do Faial. Assim não tenho complexo em deixar claro que prefiro até que os atuais vencedores me venham a surpreender pela positiva e me deem razões para ficar bem impressionado com eles, continuo a desejar que finalmente consigam dar o tal impulso ao desenvolvimento do Faial que faltou nas últimas décadas por culpa de quem nos representou ao nível de ilha e sobretudo do poder regional, mas apesar disto, têm sido sucessivamete reeleitos pelos Faialenses e há que respeitar.
Assim e embora ainda não convencido, deixo aqui o repto aos vencedores: surpreendam-me finalmente pela positiva para bem do Faial!
Sou um bairrista convicto defensor desta Terra, não para atacar qualquer outra parcela Açoriana, mas por sonhar e desejar o melhor para esta ilha. Foi o bem desta ilha que sempre me moveu e me deu força para não desistir da vida autárquica durante tantos anos, por insisto de novo: supreendam-me pela positiva alcançando o desenvolvimento que tanto falta faz ao Faial e o concelho da Horta bem merece.

Carlos Faria

Sugestões e crítica: cefaria@hotmail.com

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