Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for the ‘Reflexões Pessoais’ Category

Politicamente há muito que Paulo Menezes é um pau-mandando do Governo dos Açores na gestão da SATA, este há anos que só se faz disparates com a empresa apenas com objetivos de ganhos políticos de curto-prazo. Como consequência, em 2017 o grupo acumulou 41 milhões de euros de prejuízo, só que o Governo usa o seu pau-mandado como bode expiatório, substituindo-o apenas para disfarçar as suas responsabilidades políticas na interferência na empresa.

Não é que Paulo Menezes pela incapacidade de enfrentar o Governo, a falta de assumir mesmo o papel de gestor da empresa e ainda por se ter deixado manipular como testa-de-ferro dos inimigos do Faial não merecesse mesmo ser demitido, mas o meu protesto é  político. Esta demissão foi apenas para disfarçar a má gestão do Governo dos Açores pelas consequências da sua interferência na gestão do grupo SATA.

Quem deveria ser responsabilizado por este descalabro financeiro e tem as costas quentes pelo sistema político vigente, que o permite destruir a SATA e responsabilizar um pau-mandado, é o próprio Governo dos Açores.

Paulo Menezes no seio deste conflito de interesses politiqueiros do Governo dos Açores é a vítima onde parece que nem sua saúde resistiu ao embate. A verdade é que se tivesse sido um Homem com H grande, ele mesmo se teria demitido e tornado público os motivos reais deste descalabro, assim é apenas mais um medíocre pau-mandado que ficou pelo caminho sem honra nem glória devido às manipulações do poder político com recurso aos seus boys.

Espero ao menos que o caso sirva de lição a quem vai entrar agora com Presidente do Grupo SATA e que tenha a coragem de ver e servir o Faial com a atenção e justiça que esta ilha merece.

Anúncios

Read Full Post »

Meu artigo de opinião de hoje no diário Incentivo:

SISMO DE 9 DE JULHO VINTE ANOS DEPOIS

Para quem assistiu o sismo de 9 de julho de 1998 sentindo a casa a ruir à sua volta, vivendo o pavor do que lhe poderia acontecer, mesmo saindo ileso, e depois observou que tudo nas imediações estava também destruído, que todos os vizinhos eram igualmente sinistrados desalojados, que só restava cooperar na dor e na necessidade de ir em frente: 20 anos nunca vira a passado. Aquele dia é sempre hoje.

É verdade que agora, na generalidade, a grande maioria dos sinistrados vivos reorganizou a sua vida e alguns até conseguiram atingir níveis de bem-estar que antes nunca pensaram alcançar. Mas ficaram feridas profundas em praticamente todos que nunca cicatrizaram. Abriram-se fissuras sociais jamais tapadas e o mundo onde se vivia mudou tão bruscamente que as memórias ficaram desenraizadas da própria terra onde nasceram ou cresceram.

Quem não viveu de modo tão intenso este sismo não percebe a dor de quando se perde as referências do próprio passado ao dizer-se algo como: era por aqui a minha casa, penso que ali a dos meus pais, mas onde?… já nem sei bem e nem me lembro perfeitamente como era, isto está tudo tão diferente!

É verdade que a realidade à nossa volta é um contínuo em mudança, só que as coisas naturalmente mudam de modo progressivo, sem um corte radical e abrupto com o passado. Num terramoto não há tempo de adaptação entre o que era e passou a ser; não temos um aviso prévio e nunca se está preparado para a mudança que é imposta e sem culpados para responsabilizarmos das nossas angústias. Tem de se suportar tudo cá dentro: a resignação, dói; o pôr mãos à obra para recomeçar, dói; até a alegria de concluir e entrar numa casa nova nossa, dói.

Como sinistrado e após tanta dor, para mim não há insulto maior que sentir a inveja de alguém ao dizer: ainda tens é de agradecer ao sismo! Confesso, já ouvi isto numerosas vezes.

É verdade que tal como qualquer queda, toda a catástrofe é uma oportunidade para repensar a situação, levantar-se, ir em frente e muitas vezes abrem-se portas que sem esse tombo nunca teriam aparecido escancaradas. É verdade que no seio das oportunidades há os que as sabem aproveitar e os que abusam do aproveitamento, tal como há os que as desperdiçam e as perdem e nunca mais se levantam. No primeiro caso apenas há que congratular a capacidade de regeneração após tanto sofrimento. No segundo, compete à lei e à justiça disciplinar e, nos restantes, importa a solidariedade de uma mão que os puxe para cima. Só que um sinistro é sempre um mal que dói e ao mal não se agradece.

Vinte anos depois do 9 de julho de 1998 tenho a sorte de ter uma vida reconstruida, mas não me esqueço de todas as mãos que se me estenderam, algumas eram de amigos, outras geraram amizades que perduram, algumas eram de conhecidos de ocasião e muitas vieram de gente anónima e desconhecida com quem hoje pouco convivo, mas a todos os que souberam ajudar os sinistrados, sobretudo aos que nada receberam em troca e o fizeram por solidariedade grátis, merecem um agradecimento.

Vinte anos depois do sismo de 9 julho de 1998 espero que os Faialenses e os Açorianos não esqueçam das características destas ilhas onde vivemos, que não se insista nos erros que ampliam dores futuras para tirar dividendos de curto prazo, pois a melhor homenagem aos sinistrados é agir preventivamente para reduzir males vindouros… e os sismos são riscos que não deixam de nos espreitar.

Read Full Post »

Eram 5h19m da madrugada do dia 9 de julho de 1998 quando a Ribeirinha, onde vivo e vivia, foi atingida por um sismo de magnitude 5,9 Richter e devido a ser o local mais próximo do epicentro, uns escassos 5 km, este alcançou a intensidade VIII-IX Mercalli, o choque destruiu a povoação ao ponto que as fotos abaixo documentam:

sismo1

Uma destruição de mais de 90% do parque habitacional da Ribeirinha, ainda mais significativa nos Espalhafatos, o outro lugar da freguesia. Cinco mortos numa população com cerca de 500 habitantes, 1% dos residentes e isto pode dar a perspetiva de quantos seriam se tal destruição tivesse atingido uma cidade de muitos milhares ou milhões de habitantes. Houve mais 3 óbitos nas localidades contíguas: Pedro Miguel e Salão, mas ligeiramente mais distantes do epicentro. Os danos estenderam-se por toda a ilha do Faial e ainda Pico e São Jorge.

sismo2

Apesar de isolados por estrada, sem luz, água e em pouco minutos de outros meios de telecomunicação, a inter-ajuda no lugar da Ribeirinha das pessoas foi enorme, desde o auxílio na retirada de soterrados, ao apoio a feridos, passando pelo acalmar indivíduos em estado de choque; a verdade é que praticamente todos habitantes reunidos em torno do edifício polivalente recém-inaugurado por volta das 9 horas foi servida uma refeição ligeira com bolachas, pão, queijo, manteiga, leite e café fruto da partilha das instituições locais e dos residentes organizada por voluntários…pouco tempo depois começaram a chegar os primeiros socorros em virtude do desbloqueio das vias de acesso. Um dia difícil, mas onde a solidariedade imperou e foi a palavra de ordem.

sismo3

Nos Espalhafatos, sem um local de acolhimento adequado e com vias internas também cortadas pela queda de pontes, foi mais difícil a organização das populações, mas a solidariedade foi a mesma, não faltaram exemplos de ajuda mútua e cooperação.

 Uma data em que o programa de vida de todos os Ribeirinhenses, tal como também para muitos outros Faialenses, Picoenses e alguns Jorgenses, mudou para sempre, houve dor, mas houve solidariedade humana desde a primeira hora, naquele dia não houve divisões políticas… estas vieram mais tarde e não tiveram origem no Povo e geraram outros problemas; mas neste 9 de Julho de 2018, 20 anos depois daquela catástrofe, quero lembrar a coragem e a cooperação desta gente, sem esquecer os que partiram e para todos eles a minha homenagem.

sismo4

Agora, 20 anos depois, ainda há cicatrizes, físicas e psíquicas, há património perdido e até subsiste algum por recuperar, mas no essencial a vida das pessoas e da comunidade reconstituiu-se e tomou um rumo. Ficou a memória da Ribeirinha e dos Espalhatos anterior ao sismo em muitos então jovens e adultos. Hoje as crianças olham a freguesia como se esta sempre tivesse sido assim e parecem-me com todas as condições para virem a ser felizes como nós antes do sismo fôramos sempre sujeitos aos percalços da natureza e da história e é esta a minha homenagem às gentes que aqui vivem. Bem-hajam a todos.

Fotos cedidas há uma década por Conceição Quaresma desta freguesia para o meu único blogue de então Geocrusoe.

Read Full Post »

Da análise do Incentivo ao relatório do acidente que o navio Mestre Simão sofreu deduz-se que: apesar de já se estar dentro da baía do porto e do navio não ter respondido às manobras que corretamente o mestre deu a partir do leme… a culpa é do mar! Não há problemas com o projeto de abrigo do porto, nem com as características do navio. Não há surpresas ou esperavam uma conclusão que responsabilizasse algo ou alguém que não a natureza?

Tudo como dantes no castelo de Abrantes.

Read Full Post »

Quase não há semana em que algo que envolva a SATA não acabe comprometido: desde viagens que não se fazem com desculpas esfarrapadas, a pretensas negociações de aquisição que vão bem e não se fecham, até operações que não se assegura no prazo. A administração nunca é responsabilizada e de facto a culpa é da tutela: o governo dos Açores está paulatinamente a destruir a transportadora e a sua credibilidade.

A administração parece aquele fantoche que está em cena apenas para servir de escudo dos maus, mas se um fantoche real não pensa e se na SATA alguém faz figura de fantoche de forma consciente é porque não tem vergonha de dar a cara enquanto vai assistindo à destruição da transportadora aérea pública regional.

Agora foi a situação do avião cargueiro, na Madeira o consórcio sabe operar, mas nos Açores lá tropeçou na SATA e esta é uma caixinha de imprevistos que já nem poupa São Miguel…

Quem pensou que o mal da SATA se iria restringir apenas a ilhas pequenas agora já começa a sentir os efeitos do veneno que mata aquela empresa

Read Full Post »

Foi com grande alegria que ouvi a RTP-Açores noticiar que o Hospital de Ponta Delgada desenvolveu um teste rápido de deteção da leptospirose, o que pode salvar muita gente nos Açores onde esta doença é endémica. Quem, como eu, viu familiares queridos saudáveis serem ceifados em poucos dias por falta de diagnóstico a tempo só pode regojizar-se. Acresce que o método pode exportar-se para outros Países que sofrem de igual risco.

Espero agora que o Serviço Regional de Saúde permita estender o método de análise ao máximo de ilhas dos Açores e o mais rapidamente possível. Até porque ficou explícito que além de rápido não era caro, para que assim mais nenhum Açoriano sinta a dor da perda de familiares e amigos saudáveis contaminados por esta bactéria, cuja infeção é facilmente tratável se detetada precocemente, mesmo que por vezes com sequelas duradouras, mas mortal se não tratada a tempo.

Aos que desenvolveram o novo método no Hospital do Divino Espírito Santo os meus parabéns e votos para que esta doença deixe de ser motivo de preocupação de tantos Açorianos.

 

Read Full Post »

Meu artigo de hoje no diário Incentivo

UNS COM OBRAS A MAIS E O FAIAL COM FALTA

Na semana passada numa deslocação a São Miguel fui surpreendido pelo descontentamento de alguns Micaelenses pelo recente anúncio do Governo Regional de uma obra de vinte milhões de euros para aquela ilha, isto porque os mesmos consideravam um desperdício de dinheiro público face aos benefícios da mesma.

Não me vou pronunciar sobre a obra em concreto, até porque, por princípio, não costumo pronunciar-me contra obras propostas ou executadas noutras terras dos Açores. Sou sim um defensor de investimentos de projetos que considero necessários ao Faial. Nada me move contra nenhuma outra ilha.

Agora a comunicação deste descontentamento por vários conhecidos foi para mim um murro no estômago. Isto porque estou cansado de ouvir desculpas esfarrapadas do poder político para não se fazerem algumas das obras imprescindíveis para assegurar o bom desenvolvimento económico do Faial, as quais até geram um consenso reivindicativo no povo Faialense e, mesmo assim, passados longos anos alguns destes investimentos continuam a esbarrar com um não do Governo dos Açores. Logo este que “impõe” na ilha maior obras que nem ali são consensuais para os seus habitantes, não são reivindicadas pela maioria da sua população e ainda vários cidadãos de lá consideram-nas como sem trazer benefícios significativos para a terra deles.

Assim chegámos a uma situação onde numa ilha há obras caras anunciadas que os seus habitantes consideram desnecessárias, enquanto no Faial o mesmo Governo nega obras fundamentais para esta terra. Como Faialense dói-me muito assistir a isto sem conseguir alterar este estado de coisas.

O encolhimento da baía norte do porto, o abandono da variante à cidade, a recusa em ampliar a pista do aeroporto, a inexistência de apoio para recuperar um polivalente desportivo existente que poderia cobrir as necessidades de prática de várias modalidades na Horta e até à não implementação de um bom serviço de transporte aéreo para passageiros e cargas entre o Faial e Lisboa são alguns exemplos de falta de investimentos que os Faialenses têm visto ser adiados ou recusados ao longo dos anos na sua ilha. Por vezes com a desculpa de não haver dinheiro, mas para lá o dinheiro até surge para o que não é muito reivindicado e gera descontentamento.

Uns com obras que eles próprios já dizem serem a mais, enquanto por cá temos a menos e ainda recusam-nos muitas das consensuais e essenciais ao futuro do Faial.

Não vou dizer que por cá nada se fez, mas não tenho problema em assumir o contraste: aqui houve obras a menos que as necessárias e no outro lado os seus habitantes demonstraram-me que tem havido obras a mais do que as necessárias, o que já lhes causa descontentamento.

Uns com congestões de tanta obra, inclusive impostas pelo Governo dos Açores, e nós com fome de vários projetos essenciais que reivindicamos há anos, mas que o mesmo Governo dos Açores nos recusa e confesso: não há comemoração do dia de Portugal na Região, cheia de “selfies”, exposições e discursos promotores do orgulho nacional e regional que apague a real injustiça desta gestão centralista na atual política autonómica

Read Full Post »

Older Posts »