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Posts Tagged ‘efeméride’

Faz hoje precisamente 9 anos que saiu o primeiro post deste blogue, desde de então muita coisa mudou em Portugal:

Mente Livre arrancou no início do período descendente de Sócrates e assistiu à sua derrota política, apesar do seu ofuscante brilho comunicacional e da acomodação dos meios de informação que se limitavam a esmagar quem denunciava o escuro que se escondia debaixo do poder, o que deixou de ser disfarçável com a entrada da troika em Portugal.

Mente Livre assumiu que queria experimentar uma via mais liberal do que as águas em que navegava habitualmente o blogger e viu subida de Passos, esta foi seguida da cegueira ideológica a afetar não só a estratégia comunicacional, mas também a sua governação, apesar de tirar a troika do País, mérito de que muitos culpados de a trazerem para o Pais lhe querem tirar ou desvalorizar, o feito foi árduo, mas o sacrifício deixou-se afetar por influências ultraliberais desnecessárias e aselhice publicitária, o que foi inteligentemente aproveitado pelos seus adversários internos e externos, e até permitiu a ascensão de Costa com uma jogada inicial fraticida que pôs a nu cedo a sua não lealdade e a sua veia oportunista.

Mente Livre assiste agora a astuta veia comunicacional de Costa para passar incólume na falsa metamorfose de austeridade em rigor que continua a apertar o garrote sempre da classe média, mas que lhe permite alimentar sonhos de mais subidas, enquanto vai fazendo vítimas entre os seus companheiros para não se chamuscar.

Só nos Açores nada mudou. O polvo do poder regional foi sempre num crescendo e a abafar quase tudo o que quer agir sem amarras do partido no poder, no Faial o abafamento já era e manteve-se generalizado à sociedade que anseie pela livre iniciativa ou mudanças, motivos mais que suficiente para se justificar a persistência na manutenção de um espaço que seja uma Mente Livre nos Açores.

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Eram 5h19m da madrugada do dia 9 de julho de 1998 quando a Ribeirinha, onde vivo e vivia, foi atingida por um sismo de magnitude 5,9 Richter e devido a ser o local mais próximo do epicentro, uns escassos 5 km, este alcançou a intensidade VIII-IX Mercalli, o choque destruiu a povoação ao ponto que as fotos abaixo documentam:

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Uma destruição de mais de 90% do parque habitacional da Ribeirinha, ainda mais significativa nos Espalhafatos, o outro lugar da freguesia. Cinco mortos numa população com cerca de 500 habitantes, 1% dos residentes e isto pode dar a perspetiva de quantos seriam se tal destruição tivesse atingido uma cidade de muitos milhares ou milhões de habitantes. Houve mais 3 óbitos nas localidades contíguas: Pedro Miguel e Salão, mas ligeiramente mais distantes do epicentro. Os danos estenderam-se por toda a ilha do Faial e ainda Pico e São Jorge.

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Apesar de isolados por estrada, sem luz, água e em pouco minutos de outros meios de telecomunicação, a inter-ajuda no lugar da Ribeirinha das pessoas foi enorme, desde o auxílio na retirada de soterrados, ao apoio a feridos, passando pelo acalmar indivíduos em estado de choque; a verdade é que praticamente todos habitantes reunidos em torno do edifício polivalente recém-inaugurado por volta das 9 horas foi servida uma refeição ligeira com bolachas, pão, queijo, manteiga, leite e café fruto da partilha das instituições locais e dos residentes organizada por voluntários…pouco tempo depois começaram a chegar os primeiros socorros em virtude do desbloqueio das vias de acesso. Um dia difícil, mas onde a solidariedade imperou e foi a palavra de ordem.

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Nos Espalhafatos, sem um local de acolhimento adequado e com vias internas também cortadas pela queda de pontes, foi mais difícil a organização das populações, mas a solidariedade foi a mesma, não faltaram exemplos de ajuda mútua e cooperação.

 Uma data em que o programa de vida de todos os Ribeirinhenses, tal como também para muitos outros Faialenses, Picoenses e alguns Jorgenses, mudou para sempre, houve dor, mas houve solidariedade humana desde a primeira hora, naquele dia não houve divisões políticas… estas vieram mais tarde e não tiveram origem no Povo e geraram outros problemas; mas neste 9 de Julho de 2018, 20 anos depois daquela catástrofe, quero lembrar a coragem e a cooperação desta gente, sem esquecer os que partiram e para todos eles a minha homenagem.

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Agora, 20 anos depois, ainda há cicatrizes, físicas e psíquicas, há património perdido e até subsiste algum por recuperar, mas no essencial a vida das pessoas e da comunidade reconstituiu-se e tomou um rumo. Ficou a memória da Ribeirinha e dos Espalhatos anterior ao sismo em muitos então jovens e adultos. Hoje as crianças olham a freguesia como se esta sempre tivesse sido assim e parecem-me com todas as condições para virem a ser felizes como nós antes do sismo fôramos sempre sujeitos aos percalços da natureza e da história e é esta a minha homenagem às gentes que aqui vivem. Bem-hajam a todos.

Fotos cedidas há uma década por Conceição Quaresma desta freguesia para o meu único blogue de então Geocrusoe.

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Nunca questionei o legitimidade do atual Governo e sempre defendi que se deveria esperar para ver o valor desta solução. Agora é evidente que foi revertendo as medidas impopulares de Passos sem implementar nenhuma reforma de fundo e se a Coligação já colhia louros com o recomeço da expansão económica global, Costa recebeu um ramalhete completo sem se esforçar para isso e teve a acalmia dos sindicatos que antes nada perdoavam

O ministro das Finanças vai leiloando dívida para comprar outra a menores juros, mas já Maria Luís Albuquerque fazia isso desde 2014. Mário Centeno com o aumento da economia a acelerar também acelera os adiantamentos ao FMI, mas a anterior ministra tinha começado com isso mais devagar pois o crescimento era mais lento.

Assim, o principal benefício do atual executivo face ao anterior foi dar lugar ao otimismo face à imagem pessimista a que Passos ficou ligado pelo discurso e austeridade e diga-se a esperança também ajuda à economia e à confiança no Governo e isto Costa fê-lo bem. Agora há um marketing comunicacional muito mais simpático do que o da Coligação anterior. Esta cortava nas despesas assumidamente e desgostava o público e sindicatos enquanto o atual coloca o dinheiro no orçamento, alegra o povo mas depois cativa-o para o mesmo fim e os sindicatos iam deixando isso passar.

Passos subia impostos diretos dizendo que era para pagar as dívidas do Estado, Costa sobe-os de forma indireta e diz que é para criar mais saúde e justiça social e muitos até ficam contentes com esta forma de lhes ir ao bolso.

Agora há duas coisas que pioraram significativamente: o assumir das responsabilidade políticas pelas atitudes, erros que naturalmente todos podem cometer, e a forma de gerir uma situação impopular ou de crise; nisto Costa e o atual Governo têm sido desde Pedrogão Grande  uns aselhas de primeira, veremos se este não será o calcanhar de Aquiles da atual solução governativa.

 

 

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A 28 de outubro de 2009 com este post nasceu o meu blogue pessoal de análise política Mente Livre sob o lema “A pensar o Faial, o Triângulo, os Açores e Portugal sem amarras“. Desde então com períodos de postagens quase diárias e outros mais escassa, mas todas semanas saíram posts com assuntos a debate. Nem sempre os temas mais amadurecidos foram os mais visitados e participados como gostaria, mas deixei opiniões e os leitores tratam-nas como querem. Obrigado a todos que me têm visitado, com apoio, desapoio ou em silêncio!

Por experiência tenho verificado que os posts sobre temas do Faial são os mais visitados e quanto mais polémica e dura for a linguagem da publicação mais interesse desperta, embora os comentários diretos tenham diminuído ao longo dos anos, muitos destes transitaram para o meu mural no facebook e muitos posts mereceram ainda partilha noutros espaço das redes sociais.

Curiosamente são os perfis desconhecidos os que mais se pronunciam e em defesa do poder instalado na ilha: algo que me surpreendeu, pois é muito mais fácil bajular quem está por cima do que criticar livremente quem manda, a não ser que sejam pessoas que se sentem obrigadas à defesa de quem governa mas em consciência sintam que tenho razão no que escrevi ou, em alternativa, gente a defender-se em causa própria e sem coragem de assumir que é uma autodefesa.

Já no grupo das pessoas que comentam diretamente no blogue e conheço existem para todos os gostos, embora em número cada vez mais reduzido, mas confesso: sinto-me mais próximo de um crítico ao que escrevi que assuma a sua identidade do que de um elogio de alguém que se esconde, pois o debate em democracia é entre pessoas e não entre máscaras ou apoios anónimos.

Pelo menos agressões vis à honra das pessoas é algo que sou totalmente contra e também por norma raramente precisei de não aceitar publicar os comentários, mesmo vindo de anónimos e alguns a contrariarem o teor das minhas postagens, mas também refiro no editorial que cá sobrevive há 8 anos “Mente Livre, ao pretender lançar o debate sobre várias questões, não se furta a emitir ideias que podem ainda não estar bem amadurecidas na mente do autor e reflectirem problemas circunstanciais ou o estado de espírito em virtude da desilusão que muitas vezes acontece ao olhar o mundo que nos rodeia.” Por isso até eu próprio com o tempo já mudei ou corrigi opiniões aqui lançadas.

Igualmente os alertas de proteção civil e previsões de intempéries ou de análises de ocorrências sismovulcânicas despertam também muitas visitas, estes quase se tornam num serviço público, mas por vezes há posts de reflexão que considerava de grande interesse cujo público ignorou de todo e outros que foram uma quasi fantasia, um mero desabafo ou uma nota humor que cativaram imensos leitores e até comentários e partilhas com um alcance surpreendente.

Assim tem sido Mente Livre, mas sendo um blogue pessoal o seu rumo e duração é sem amarras e por isso será sempre levado pela minha disposição, paciência, interesses e o modo de olhar o mundo à minha volta sempre com especial atenção para o Faial e depois os Açores, Portugal, o Canada, a União Europeia e o resto do Mundo, mas uma coisa é certa: o que aqui escrevi foi sempre de iniciativa pessoal sem ser mandatado ou acordado com nenhuma outra organização exterior.

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Proud for my Homeland Canada – Happy Anniversary to all Canadians and Canada fans.

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Há dias assim, hoje sou 100% Canadiano, mas de expressão Portuguesa também.

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Sou cristão mas não um mariano profundo, mas reconheço que a mensagem de oração pela Paz no Mundo e Conversão das Pessoas saída há 100 anos da minúscula dolina da Cova da Iria, da rural freguesia de Fátima, no pequeno país marginal Portugal propagou-se por toda a Terra com uma energia imparável contra todas as forças poderosas antirreligiosas que dominam a civilização global, um fenómeno.
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É verdade que há notícias de mais aparições marianas e movimentos populistas em países e locais muito maiores e centrais que aquela comunicada por três crianças pobres, incultas que até aquele momento nada as distinguia de outras da região. Fátima não se impôs ao Mundo, só abraça a Mensagem quem quer, mas foi uma multidão de muitos milhões que abraçou Fátima e se aproximou: pobres, ricos, incultos e cultos, sendo necessário apenas humildade e coragem para não rejeitar publicamente a Fé dos que sentem acreditar para espanto de muitos outros que não compreendem o que é ser-se crente.

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Depois dos descobrimentos iniciados por génios Portugueses, nada mais teve tal impacte global a partir de Portugal que a comunicação destas três crianças de terem visto Maria, a senhora do Rosário, a Mãe de Jesus, que Este disse para aceitarmos como nossa Mãe também, em 13 de Maio de 1917, faz hoje precisamente 100 anos.

Pastorinhos

Imagens todas retiradas da Wikipédia.

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“Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro nos céus; depois vem e segue-me. O jovem, porém, ouvindo estes preceitos, retirou-se triste; porque tinha muitos bens.” (Mt. XVIII, 21,22). A mensagem de partilhar a riqueza vem de Cristo e quem conhece a doutrina social da Igreja sabe que está escrita oficialmente no Catolicismo. Agora, tal como Jesus convidou o jovem rico à partilha e o deixou livre para recusar e tristemente se afastar, também a Igreja não força nenhuma classe, quer a conversão das pessoas, não a revolução política.

Agora o convite para esta conversão não está dissociado da denúncia da injustiça social que se assiste e é mesmo um método para convidar o Mundo para uma mudança, à conversão para seguir Jesus. Só que, tal como o jovem rico, são as pessoas que compõem o mundo que, livremente, tristes ou alegres, recusam esta Mensagem ou a aceitam respetivamente.

No julgamento de Jesus, Pilatos deixou ao mundo duas escolhas alternativas: a proposta pacifista de partilha e conversão interior com repercussões no indivíduo de Cristo ou a ação revolucionária de Barrabás, com o assalto forçado aos bens em detrimento do convite à partilha voluntária da riqueza. O resultado desta votação é conhecido e o mundo de hoje, frequentemente, não é muito diferente.

Entre a Mensagem Cristã e os discursos revolucionários populistas de qualquer lado ideológico há uma distância enorme, mesmo quando a imperfeição humana impede o crente de ser plenamente como Jesus pedia ou o do ativista político não ver o papel da conversão livre na sua busca da Justiça.

O grande dilema da Mensagem do Papa Francisco, e ele não esconde que sente isso nas entrevistas que estão na base do livro “Esta economia mata“, pois percebe que com o seu discurso quer apresentar Cristo ao Mundo para este se converter e seguir Jesus, mas o Mundo tende a interpretar a denúncia como um apelo para seguir a via de Barrabás, mas já há quase dois mil anos que este desencontro existe e suspeito que isto nos caracteriza como Homens imperfeitos sujeitos ao erro.

Bem-vindo Papa Francisco a Fátima e, como tal, a Portugal.

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