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covid19 prop

Pelo gráfico acima publicado no jornal Expresso torna-se muito elucidativo quão perigoso pode ser o descontrolo da propagação da CoVid-19, basta pensar que a gripe espanhola matou mais gente que toda a primeira grande guerra, numa época que embora com menos conhecimentos científicos, havia muito menos circulação das pessoas.

Para quem diz que é apenas uma gripe mais agressiva, o gráfico mostra bem que tendo em conta os critérios do gráfico, o CoVid-19 uma pandemia desta poderá devastar vidas com uma amplitude de cerca de 78 vezes maior que a média de um surto de gripe sazonal, além do alarmante número de doentes em simultâneo que poderão existir no pico da crise.

Assim, prevenção individual e medidas coletivas pelo Estado atempadas tem toda a razão de ser, antes que se instale um pânico global e não relaxar nem entrar em paranoia. Basta bom-senso.

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É chocante ver a falta de humanismo com que o Japão trata as pessoas retidas por quarentena no navio Diamond Princess devido ao coronavírus associado à COVID-19

Uma coisa é ter as cautelas de colocar as pessoas de quarentena, disponibilizando espaços devidamente preparados para o efeito de modo a evitar não só o contágio para a população exterior, mas também e sobretudo evitar a propagação do vírus dentro da comunidade sob quarentena. Outra coisa é deixar uma comunidade isolada, sem as condições adequadas para o tratamento dos doentes e, sobretudo, sem criar o essencial cuidado para evitar a propagação do mal dentre desse grupo.

O Japão no caso do Diamond Princess está a comportar-se com a desumanidade do isolamento típica da luta contra a peste na Idade Média e sem o aproveitamento do conhecimento científico e humanismo que caracteriza o tempo presente.

Um retrocesso civilizacional!

Uma falta de ética e moral absurda.

Nem tanto ao mar, como o humanismo sem precaução adequada de Portugal que se deixa ficar refém de leis que colocam o voluntarismo dos potenciais afetados para se colocarem em quarentena (felizmente as pessoas em causa foram conscientes), nem o desumanismo puro e duro do Japão. Bom-senso e equilíbrio precisava-se neste controlo ao vírus, mas é em crise que se conhecem verdadeiramente as pessoas e também as civilizações ou países.

Entretanto, o Português canalizador do navio está sem tratamento, contaminado com o SARS-CoV-2 e ainda sem sintomas graves da doença no Diamond Princess.

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Felizmente, até agora o coronavírus surgido em Wuhan não parece ter mais de 2 a 3% de mortandade entro os que desenvolvem sintomas da doença no universo dos infetados, mas se tivesse um valor mais elevado tem-se ouvido que a lei em Portugal não permite a quarentena preventiva por privar da liberdade pessoas potencialmente contaminadas antes de se ter provado o facto.

O nosso “desenvolvido” Portugal está muito à frente de Espanha, França e outros Estados com que nos queremos igualar que apostam mais nas defesa coletiva do seu Povo do que nos direitos individuais de quem O pode matar, mesmo que não intencionalmente.

Quando se fala da sobrevivência do Planeta Terra deve imperar o princípio da cautela, é  o que está na base de toda a atual política de descarbonização para enfrentar a alterações climáticas, contudo quando se trata da sobrevivência de um Povo já não impera o princípio da cautela mas sim o dos direitos individuais.

Um contradição incompreensível.

Outra contradição está no facto de Portugal, tal como outros países europeus mas mais grave no nosso por não haver imposição de quarentena, que à viva força querem trazer para o seu seio os seus cidadãos que estão em Wuhan, o epicentro do foco do coronovírus que neste momento a humanidade enfrenta quando já todas as outras províncias da China e as suas maiores cidades estão contaminadas. Como será?

Vão trazer os nossos compatriotas apenas do primeiro centro e os restantes ficam por lá ou vamos continuar a importar mais potenciais contaminados sem os pôr em quarentena enquanto lutamos para fazer face ao não alastrar do vírus?

Outra contradição incompreensível.

Por último, ainda me recordo do saudoso Diretor-geral da Saúde: George, este quando explicava algo preocupante conseguia infundir confiança e não nos deixava com dúvidas. A sua sucessora diz que o controlo da contaminação deve ser feito na origem e não no destino por ser mais eficaz e explica a incerteza do período de incubação. Então se ainda na China o cidadão tiver um resultado negativo por ainda não ter decorrido o tempo suficiente para um contaminado resultar num teste positivo, a incerteza aumenta no destino depois de passar mais tempo desde a contaminação? Uma contradição mal explicada e os jornalistas não sabem interrogar sobre esta contradição?

Esperemos que tudo corra bem, até porque parece certo que o alarido é mais forte que a mortandade provocada pelo vírus, mas fica um sinal claro de que Portugal terá de corrigir muitos aspetos em matéria de proteção dos Portugueses para enfrentar uma futura epidemia mais letal.

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Meu artigo de hoje no jornal diário Incentivo:

DO HOTEL DO CARMO AOS SISMOS NO FAIAL

  1. Faz agora três anos que aqui no Incentivo escrevi “Outra notícia promissora que ouvi… foi a celebração de um protocolo de cedência do Quartel do Carmo pela Secretaria de Estado da Defesa ao Ministério da Economia, para no âmbito do programa Revive se disponibilizar aquele imponente imóvel a investimentos na área do turismo… fico aguardar o evoluir da situação,esperando que se concretize.

Levou três anos para se perceber o episódio seguinte: O Grupo Lux Hotels apresentou na passada semana os traços gerais da transformação do antigo convento e quartel do Carmo num hotel de cinco estrelas com 98 quartos, 173 camas e um salão de congressos para cerca de 250 pessoas.

Este projeto ainda não se concretizou, mas o anúncio aumentou em muito a esperança numa solução condigna para aquele magnífico conjunto patrimonial da Horta, cheio de história, que já esteve para ser demolido no século XIX por falta de uso e destino, mas tal como a Fénix da mitologia que renascia das cinzas, tudo aponta que aqueles imóveis em degradação também voltem a ter vida.

Como já então era evidente, congratulo-me por este passo por vários motivos: a reabilitação do espaço, a nova oferta de alojamento turístico para um nicho de clientes diferentes e a criação de uma zona de congressos, pois a do Teatro Faialense não possui as condições adequadas para este fim. Apesar de alguns não gostarem que se diga esta verdade de facto.

Assim, além de desejar que esta pretensão não volte atrás, espero que também se encontre uma solução de reabilitação e transformação do uso que concilie e integre o que for possível recuperar ao nível do património histórico daquelas estruturas para preservar a memória do que aquele espaço já foi: convento religioso e quartel militar, ambos importantes para contar o passado da Horta.

  1. Há cerca de um mês que a calma dos Faialenses tem sido perturbada por uma crise sísmica centrada a cerca de 30 km para oeste dos Capelinhos, como geólogo da área de riscos acompanho estes fenómenos e não vejo agora nada de novo: já há muito que é conhecida a agitação daquela zona e, felizmente, nunca em anteriores crises conhecidas dali resultaram danos graves para o Faial e, até ao momento, nada está a ser distinto para se suspeitar que seja diferente.

As pessoas estão assustadas, pois além dos quase 30 sismos sentidos num mês também vão aos sites da internet e descobrem que já são muitas centenas de eventos registados nos sismógrafos, mas isto nas últimas década não é novo: os comunicados falavam das crises depois de tremores sentidos, mas sempre houve muitos mais abalos registados e a relativa grande distância ao Faial, apesar das incertezas da natureza, não indicia nada de pior face às anteriores crises já ali localizadas.

Assim, além das habituais medidas preventivas das pessoas dadas pela Proteção Civil, que nunca devem ser descuradas por quem reside nestas ilhas, o mais importante é no tempo de acalmia fazer os trabalhos necessários: os reforços de resistência sísmica nas habitações já existentes em vez da mera cosmética nas fachadas; não construir ou ir viver para as áreas de risco, por norma mais perigosas mesmo para as novas casas; não ter nas habitações objetos pesados que possam cair sobre locais onde se dorme e se colocam as crianças; no interior das moradias definir zonas de abrigo e caminhos de refúgio até elas e esperar que tais obras, ordenamento seguro e atitudes nunca sejam testados num grande terramoto, mas nos Açores é provável que um dias surja essa oportunidade.

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Meu artigo publicado a 22 de outubro 2019 no diário Incentivo, que por ausente em férias só agora é transposto para o presente blogue:

SEGURANÇA DAS CRIANÇAS E RESAS NO AEROPORTO

Já não é a primeira vez que denuncio publicamente que no outono e inverno aqui no Faial, precisamente quando os estudantes se dirigem a pé para os autocarros escolares ou diretamente para estabelecimentos de ensino e apesar de ainda estar de noite a iluminação pública se apaga e deixa os nossos caminhos dentro das zonas urbanas, sobretudo das freguesias rurais, mas também citadinas, às escuras.

É muito estranho que ainda de madrugada escura e na hora de maior movimento de peões de pouca idade pelas ruas, nas estações que sobrepõem o ano letivo e as piores condições meteorológicas para a visibilidade dos condutores de viaturas, a que acresce os faróis acesos dos carros que ofuscam e escondem as pessoas que andam pelos caminhos a pé e ficam na sombra ou em contraluz, a iluminação vinda de cima, que tornaria as nossas crianças visíveis, seja apagada.

Até ao momento não tive eco de nenhuma autoridade ou associação de cidadãos do Faial a dar atenção a este assunto, apesar de colocar em risco a segurança física de muitas crianças do concelho da Horta, eu mesmo já vi situações assustadoras com condutores cuidadosos.

Presumo que com a próxima mudança de hora durante uma semana ou duas este problema se esbata, mas para meados de novembro volta em força se não for resolvido por quem de direito, pois o nascer do sol será cada vez mais tardio e a hora da escola e da circulação das crianças para os estabelecimentos de ensino manter-se-á a mesma.

Contudo, quem por volta das 7 horas e meia da manhã olha para o concelho da Madalena a partir do Faial verá por ali todas as ruas urbanas iluminadas, enquanto estranhamente percorrerá um grande número de ruas das freguesias e cidade da nossa ilha sem a iluminação pública acesa por aqui. Paragens de autocarros e envolvente de escolas no escuro é uma desconsideração muito estranha dos Faialenses adultos para com o cuidar de ter as suas crianças bem visíveis quando circulam no seio do trânsito às escuras pela madrugada. Eu não tenho filhos, mas para os pais e responsáveis fica aqui o alerta.

Após toda a luta dos Faialenses para se alcançar uma ampliação adequada das pistas do aeroporto da Horta e de até a Câmara Municipal se ter aliado à reivindicação, encomendando um estudo técnico para um projeto que maximizasse o aumento daquela infraestrutura com um mínimo de custos e a melhor operacionalidade possível, eis que as últimas notícias saídas ainda antes das eleições, pelo que agora ninguém foi enganado, vieram a confirmar o meu receio: a VINCI executará apenas o trabalho mínimo, limitando-se a assegurar a extensão num comprimento imposto por lei para a criação de áreas de segurança nos extremos das pistas, a denominada RESA (Runway End Safety Area).

Assim e com todo o desplante, os Governos da República e dos Açores puseram-se de facto de fora nesta reivindicação e até meteram o projeto da Câmara na gaveta, tudo isto sem qualquer penalização de fundo por parte de muitos Faialenses após se conhecer esta situação. Estes estão no seu direito de se contentarem com isto, eu discordo e respeito, mas manifesto o meu protesto, pois queria mais para a ilha que me viu crescer, onde vivo e considero que merecia uma maior atenção.

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Meu artigo de hoje no diário “Incentivo”:

LORENZO E A IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO E DA INFORMAÇÃO

Ao longo de quase uma dezena de dias, através de sites de instituições internacionais e nacionais, acompanhei o evoluir duma instabilidade meteorológica nascida perto da Guiné-Bissau até ela se transformar em tempestade e furacão tropical batizado de Lorenzo. Assisti ao seu crescer até à categoria 5 (o máximo da escala Saffir-Simpson) e ao seu posterior e lento decréscimo de força perturbado por alguns impulsos e fui lendo os comunicados das modelações da sua trajetória em que ia aumentando probabilidade deste fenómeno meteorológico adverso afetar os Açores.

Como bom conhecedor destas ilhas, sobretudo do Faial, e desperto para os riscos naturais por formação técnica, cedo percebi os perigos a que nos estávamos a expor. Fui dando conhecimento das minhas observações e recomendando o acompanhar dos comunicados da Proteção Civil. Todavia ouvia alguns afirmarem que os Açores sempre sofreram este tipo de tempestades, que tudo era normal e a informação apenas alarmava as pessoas habituadas a estas ocorrências.

Na verdade, os Açorianos ao longo da sua história enfrentaram muitas catástrofes naturais e se para algumas ainda não há hipótese de tomar medidas preventivas de curto-prazo por ser imprevisível a data de ocorrência, outras, a tecnologia já permite emitir alertas para nos acautelarmos.

Assim, estudando os danos das catástrofes históricas é possível questionar sobre quantos sofrimentos, prejuízos e vítimas os nossos antepassados teriam evitado se tivessem tido a sorte que nós hoje temos de saber com antecedência a ocorrência de um furacão, chuvadas ou um vulcão?

Quantas pessoas teriam planeado a sua vida de forma diferente se tivessem sido informadas adequadamente e com a devida antecedência sobre os riscos de ter uma moradia num local mais exposto a inundações, movimentos de terras ou um maior perigo sísmico?

O planeamento do território com zonas de risco, as medidas preventivas, o acompanhamento da informação e os serviços de intervenção de proteção civil estão para a segurança das populações como as vacinas, as regras de higiene, as consultas de medicina preventivas e os serviços de urgência estão para a saúde dos cidadãos. Nenhum destes aspetos deve ser desprezado sob o risco de se reduzir a proteção pessoas e bens a curto, médio ou longo-prazo.

O lançamento de dúvida à conveniência de se cumprirem planos de vacinas levou a que muitos pais desrespeitassem esta via de imunizar os filhos e fez ressurgir doenças que já consideradas erradicadas por cá que já provocaram mortes evitáveis, tal como o descrédito e resistência lançado às zonas de risco que levou a deixar caducar medidas preventivas a elas associadas pode conduzir a que no futuro ocorram danos materiais e humanos escusáveis e não sei se com a atribuição de responsabilidades politicocriminais a quem poderia a tempo corrigir esta situação.

Todos temos de facto de viver com erros passados: na saúde, os abusos de práticas de vida; no terreno, as construções já feitas em locais arriscados, não sismorresistentes, etc. Nalguns casos o acompanhamento técnico e medidas de remediais ou preventivas pode ser a forma de reduzir a ampliação de uma doença ou os efeitos de uma catástrofe natural, mas o importante é aproveitar todos os meios disponíveis para se minimizar dentro do possível as consequências dos perigos a que estamos expostos que nunca passam a zero. Agora um furacão, amanhã uma chuvada, noutro dia uma avalanche, sismo ou vulcão, para tudo isto se exige planeamento, identificação de zonas de risco, medidas preventivas ou corretivas e informações dadas a tempo para a nossa segurança.

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Os modelos apontam cada vez mais para que o olho do furacão Lorenzo passe entre as ilhas do Faial e das Flores, embora muito mais perto desta embora com ventos mais fortes na ilha Azul, neste momento a intensidade deste ciclone tropical é de categoria 3 na escala Saffir-Simpson, mas quando atravessar os Açores, na noite e manhã de quarta-feira 2 de outubro deverá ter uma menor força de transição de 2 para 1 ou menos e a enfraquecer.

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Neste momento estima-se que o Faial poderá ser atingido com ventos sustentado na ordem de 132km/h e com rajadas máximas até 171km/h de SSW, sendo que o crescimento da velocidade dar-se-á a partir de SSE e o decréscimo já a rodar para o quadrante W. A que se podem associar perturbações locais devido à interferência do vento, direção e o relevo, que podem nalguns casos ampliar os efeitos.

Lorenzo 1

O mar será alteroso, podendo afetar zonas costeiras baixas, uma vezes que as ondas podem atingir a altura de 16,5m vindas de SW, contudo, a exposição aos ventos, contorno do litoral e cota poderão implicar perturbações locais, ora ampliando o efeito, ora diminuindo, a que acresce a sobreelevação do nível do mar devido à baixa pressão no ar e as variações do nível da maré. Isto exige cuidados especiais a quem vive ou se encontra próximo da costa ou no mar.

Face a este cenário e possíveis incertezas, todos os Açorianos dos Grupos Ocidental e Central deverão tomar medidas preventivas e seguir as recomendações da proteção civil dos Açores.

Poderão seguir informações atualizadas nos mesmos sites que eu recolho: National Hurricane Center, Prociv e Windguru. Novas atualizações irão sendo dadas neste espaço.

Eu já comecei a tomar algumas medidas… e você?

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Apesar de ainda faltar muito tempo para se ter alguma segurança sobre a rota do ciclone tropical Lorenzo na região dos Açores, já existem indícios que apontam para uma grande probabilidade de passar perto de algumas das ilhas do Arquipélago, talvez um pouco a oeste de Flores e Corvo, mas a incerteza não permite referir se não será mais perto de outra ilha sobretudo no grupo Central como o Faial.Lorenzo 0Assim, embora sem alaridos, recomenda-se a todos os Faialenses e restantes Açorianos para calmamente tomarem as devidas precauções como evitar objetos e estruturas sensíveis ao vento soltos, terem disponíveis sistemas de proteção da janelas e portas e boa condução de água nas caleiras, algerozes e valetas, bem todas as outras que venham a ser indicadas pelos avisos serviço regional de proteção civil.

Este site irá pontualmente fazer futuras atualizações em função do evoluir da situação de previsão meteorológica referente ao ciclone Lorenzo.

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo.

PREVENÇÃO NA SABEDORIA DOS NOSSOS ANTEPASSADOS

Apesar de algumas pessoas nos últimos dias terem dito: o verão acabou e começaram os furacões! a verdade é que o verão nos Açores desemboca sempre na época de tempestades tropicais e quanto mais quente for e mais agradáveis as temperaturas da água do mar; maior é esta ameaça. É mais um caso para se dizer: não há bela sem senão!

Felizmente no Faial a preocupação com o Helene foi maior do que os efeitos e mais vale prevenir-nos sem correr nada de mal do que ao contrário e espero que continue a ser melhor a prevenção do que o azar. Na verdade, uma tempestade tende a ter piores efeitos quanto menos nos prepararmos na acalmia anterior e os avisos da proteção civil só podem ser emitidos a curto-prazo.

Na realidade cada um pode bem precaver-se a tempo, basta olhar para as técnicas que os nossos antepassados aprenderam por experiência de gerações. Não é por acaso que as janelas tradicionais tinham vidros pequenos. Assim ficavam melhor protegidas do vento forte de furacões e do inverno. Se hoje os vidros são grandes, por vezes disfarçados com ripas estéticas, é maior a necessidade de gelosias exteriores. Também no Faial predominavam janelas em guilhotina e não com dobradiças a abrir para dentro, deste modo ficavam com dois lados completos seguros nos caixilhos em vez de só um, oferecendo assim maior resistência aos vendavais e, se não havia dinheiro para gelosias mais caras, as portadas eram interiores com trancas em diagonal ou transversais. Proteções boas que a experiência ensinou que se vão perdendo enquanto a probabilidade de intempéries aumenta.

Mas a sabedoria dos nossos antepassados não estava só nas janelas. Os pátios não tinham cimento e alcatrão e quanto mais se cobre a envolvente à casa com estes materiais maior o risco da água entrar na moradia, por isso onde chove muito o acabamento dos pátios tradicionais era de terra batida ou calçada. Soluções que dão mais trabalho, mas permeáveis que evitam inundações. Assim, hoje em dia deve-se compensar a impermeabilidade do piso com “sumidouros” e canteiros em condições de receber a maior escorrência, mesmo que com o incómodo das roças e outras manutenções.

Infelizmente muitas das modernices que se copiam da construção civil de outros sítios e da oferta de novos materiais não vêm acompanhadas de bom gosto e muito menos de regras para compensar outros perigos do clima dos Açores que as alterações climáticas ainda vêm agravar mais. Nada que não possa ser obviado com conselhos técnicos de arquitetos e outros profissionais dotados de bom-senso que felizmente existem na nossa terra.

Além destes exemplos, poderia dar outros, mas, na verdade, nem tudo o que hoje se faz piorou. Antigamente só alguns podiam fazer as paredes da sua casa com pedra emparelhada para enfrentar melhor os sismos. Hoje, felizmente, a engenharia generalizou a resistência das habitações novas aos abalos com betão e ferro. Apesar de nos apoios públicos a moradias antigas muitas vezes se optar pela solução fácil e barata de disfarçar as fragilidades das paredes velhas com tinta, como se nos tempos de acalmia tectónica não fosse a altura adequada para nos precavermos contra terramotos.

Claro que no passado também a pobreza por vezes não permitia adotar as soluções mais adequadas, havia quem não podia pôr gelosias, quem não conseguia caiar as paredes para evitar infiltrações, etc., mas quando podiam, por norma, faziam-no bem feito e hoje com dinheiro muitas vezes não.

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Face ao que disse ontem à noite, quase tudo igual: trajetória a definir-se cada vez mais para perto das Flores e Corvo, sobre as ilhas ou um pouco a NW, o que melhora o cenário para o Faial face aos dias anteriores, mas retarda o momento da passagem dos ventos mais fortes no Grupo Central, ou seja o rabo do furacão como o povo lhe chama, que agora poderá ser mais pelo noite dentro ou madrugada fora.

Assim tudo aponta para termos algo típico de um dia de inverno ventoso, embora possam ocorrer chuvas por vezes intensas e risco de trovoada, tudo isto a desenvolver-se entre sábado e a manhã de domingo. Mantenho que devem acompanhar os comunicados da proteção civil ou NHC

Quanto à Joyce, os  modelos apontam agora que deverá passar a sul dos Açores sem afetar os Grupos Central e Ocidental. Menos uma preocupação.

Helene11

A partir de agora não se justifica novas atualizações sobre este tema, a não ser que haja mudanças de surpresa de última hora, é esperar, cumprir as medidas de segurança e manter a esperança que de facto nada de grave aconteça.

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