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Archive for the ‘Faial’ Category

Apesar de não garantir a execução da obra, é de facto um sinal positivo a inclusão das obras neste aeroporto no OE2019, se não estivesse é que estava mesmo excluída a hipótese de se darem passos para a sua concretização ainda neste mandato. Agora também é possível aos Faialenses fiscalizarem se isto avança alguma coisa até às próximas eleições ou se foi só fogo de vista para alimentar a ideia eleitoral de que da próxima é vai ser.

Também é verdade que se os Faialenses não se tivessem unido em torno desta causa, manifestado fortemente e dado um cartão vermelho nas últimas eleições legislativas regionais e um cartão amarelo nas passadas autárquicas, os homens do poder rosa nesta ilha não teriam passado um susto tão grande e começado a mexer-se como agora estão a dar sinais terem mudado de comportamento e fazer refletir os anseios do Faial ao mais alto nível da política nacional.

Uma coisa é certa, a perda de votos rosas no Faial nos últimos tempos começou a trazer frutos para a ilha. Não há melhor remédio para pôr o político no poder a trabalhar do que ele se sentir inseguro em termos eleitorais.

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo

ANORMALIDADES E MEMÓRIAS DE LUTA

  1. Durante os últimos tempos habituei-me às anormais declarações do anterior Presidente de Administração da SATA e pensei que com a sua substituição, mesmo que a estratégia desfavorável ao Faial daquela empresa não mudasse muito, deixaria de haver por uns tempos alguém que se prestasse a tal tipo de figura. É verdade que a primeira entrevista do seu sucessor na SATA não foi feliz, antes pelo contrário,deu tiros nos pés, mas não chegaram ao calibre do substituído.

Diz-se que a natureza tem horror ao vazio, pelo que quando um lugar fica disponível logo aparece algo ou alguém para ocupar esse espaço, mesmo assim, com a saída de Paulo Menezes da SATA não esperava que de imediato alguém se disponibilizasse a dar entrevistas tão surrealistas como as dele, mas enganei-me. Só que o lugar não foi ocupado pelo novo Presidente da SATA, mas sim pelo Diretor Clínico do Hospital da Horta. Quem ler o artigo de como decorreu a sua entrevista ao Incentivo sobre o problema de refrigeração no bloco operatório, que já levou a cancelamentos de cirurgias, fica pasmado com o relato absurdo da mesma dado por quem ocupa um tão importante cargo. Modo de agir que pode comprometer a confiança sobre as reais condições que aquela infraestrutura de saúde oferece aos Faialenses e outros Açorianos que recorram à mesma.

O problema da refrigeração não é novo, esta situação já teve denúncias públicas há meses vindas da oposição ao poder no Faial; mas, mesmo a acreditar que casos urgentes nunca foram afetados, a qualidade de vida de vários doentes já foi prejudicada pela impossibilidade de prestação de devidos cuidados a tempo naquele bloco operatório por esta causa, sendo que o direito a esse serviço está constitucionalmente protegido e tem de ser garantido sempre, no Continente pelo Estado e nos Açores pela Região. Já assisti à atenção e ao cuidado que os trabalhadores do Hospital da Horta colocam na prestação do seu serviço aos doentes que ali se deslocam não mereciam que alguém de topo se mostrasse tão ligeiro, comprometendo a imagem daquela casa, nem merecem os Faialenses e Açorianos comportamentos e desculpas tão inconsistentes.

  1. Agora outro assunto. Após tantos anos quase sem obras municipais (também do Governo Regional) no Faial, bastaram os maus resultados eleitorais das últimas legislativas regionais e a recente vitória pelos mínimos para a Câmara para logo se ver a mudança de postura da Presidência da Câmara. Agora felizmente há obras no mercado, passou a haver um envolvimento do Presidente com a População Faialense nos protestos à SATA e na reivindicação das obras na pista do aeroporto da Horta e no primeiro ano deste mandato autárquico foi consignada a frente mar da cidade .

É verdade que quem deu a cara em público a reivindicar tais obras em vários lugares, muitos em nome do Povo que os elegera na oposição, foram anos e anos a lutar contra a inoperância dos políticos no poder da ilha e sem estes fazerem o reivindicado e sem serem penalizados por isso. Foram décadas a ouvir desculpas esfarrapadas pela não concretização da frente mar: porque dependia da conclusão da variante, ou da segunda fase do porto ou do saneamento básico, etc. Bastou uma derrota e um susto eleitoral e logo essas desculpas caem por terra e as obras arrancam. Pena os Faialenses terem levado tantos anos sem penalizar os que tantos anos pouco ou nada fizeram, nem defenderam bem esta ilha. Demorou, mas já alguns dos frutos de anos de esforço começam a nascer, só que outras obras perderam, talvez para sempre, a oportunidade de nascer.

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Bem dizia eu no Incentivo que mudaria o Presidente da Administração da SATA, mas que não previa grandes mudanças no serviço desta empresa ao Faial pois isto era uma estratégia do Governo dos Açores. Se antes deixou de pegar a desculpa de com bom tempo dizer que era o mau tempo. Agora a moda é: falta de tripulação técnica. A mesma má-vontade a mesma má gestão o mesmo mau serviço ao Faial.

Entretanto já conheço pelo menos já duas pessoas que perderam consultas médicas a que iam amanhã… para isto não há indemnização da SATA que pague o transtorno que pode provocar às pessoas pela sua má gestão.

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Pelo discurso de abertura da Semana do Mar que acabou, vai já iniciar-se a consignação para o arranque de obras da Frente Mar, uma obra há décadas reivindicada pelos Faialenses. A concretizar-se este anúncio por alteração do espaço as futuras Semanas do Mar terão de ser diferentes.

É verdade que esta obra e o plano de urbanização sempre estiveram associados com a necessária conclusão de variante à cidade. Assim deixar-se-ia a frente marítima ao uso preferencial das pessoas e outra estrada por fazer seria o eixo destinado aos carros de passagem sem necessitar de vir ao centro da Horta.

Numa estratégia perfeita era assim que aconteceria: mais gente na meio da Horta e menos carros a passar pois tinham o espaço alternativo – a variante.

Contudo, como já se viu que por vontade do Governo dos Açores a variante não é para se concluir e como no Faial a experiência já ensinou que quando um projeto espera por outro por vezes não se fazem os dois, o melhor é mesmo que arranque a Frente Mar da Horta e que tudo corra pelo melhor.

Mas não me esqueço da variante…

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Meu artigo de ontem no diário Incentivo a falar de vários assuntos e um alerta final.

VIAGEM POR VÁRIOS ACONTECIMENTOS DESTES DIAS

A entrada no verão costuma dar uma acalmia aos temas políticos, mas as últimas semanas foram férteis de acontecimentos: desde a aprovação em bloco das recomendações ao Governo de Portugal para a ampliação da pista da Horta, que já falei aqui no Incentivo por ser o assunto que considero exigir maior atenção dos Faialenses; passando pela demissão de Paulo Menezes de Presidente da Administração do Grupo SATA; indo ao escândalo da reportagem da TVI sobre o tratamento de pessoas nos cuidados continuados em duas IPSS nos Açores e chegando à proposta da aquisição da Loftleidir de 49% da Sata Internacional; não faltam temas neste momento.

Não volto ao primeiro pois já recomendei a necessidade de vigilância dos Faialenses na questão da ampliação da pista e não se sintam reconfortados pois foi bem mas não se alcançou ainda nada.

No que se refere à demissão de Paulo Menezes da presidência da SATA, tendo em conta que penso que ele foi apenas o rosto da estratégia do Governo dos Açores nos últimos anos a sua saída, após serem conhecidos os resultados financeiros negativos dos últimos tempos da empresa, apenas o torna o rosto oficial desse endividamento, mesmo que tal descalabro seja da total responsabilidade da estratégia imposta pelo executivo de Vasco Cordeiro. Já sobre o mau serviço da Azores Airlines ao Faial, quem nomeou o demissionário continua a ser quem manda e por isso nada de distrações, pois quem não queria servir bem esta ilha é quem continua ainda a “mandar” na realidade.

Sobre o escândalo da reportagem da TVI, se é certo que já havia fumo fraco a vir a público sobre esta matéria, a verdade é que jornalismo de investigação profundo feito nos Açores para este caso e outros não houve antes. Isto parece ter muito a ver com a sensação da existência de constrangimentos à verdadeira liberdade de expressão e denúncia no Arquipélago. Temos meios de comunicação com dificuldades financeiras e a necessitar de subsídios do poder para sobreviver, mesmo sem o Governo precisar de pressionar às claras, isto pode limitar que os jornalistas se sintam encorajados a serem um contrapoder a quem os subsidia, por isto dificilmente formam um quarto poder como os verdadeiros agentes que denunciam informação sensível à sociedade regional.

Quando à Loftleidir, neste momento nem sabemos o que a empresa propôs, mas se esta tiver de facto plena vontade de conciliar o verdadeiro bom serviço público aos Açorianos na área dos transportes aéreos com rentabilidade financeira da SATA poderá provocar uma revolução no setor. Será que assistiremos a este milagre? Enquanto o negócio estiver no segredo dos deuses do Governo dos Açores será impossível perceber o que aí vem ou se o negócio chegar mesmo ao fim.

Enquanto não sabemos se o Governo dos Açores vai de facto ter uma estratégia de servir bem o Faial com a Azores Airlines ou se a Loftleidir vai de facto e como fechar o negócio, resta-nos aproveitar a Semana do Mar, cuja suja estrutura pouco muda, sendo outra vez mais do mesmo, mas sem dúvida que é um bom momento para convivermos e nos divertirmos na cidade da Horta.

Boa Semana de Mar, mas que os folguedos não impeçam de se ficar atentos ao que se anda a definir para o futuro do Faial

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Meu artigo publicado hoje no diário Incentivo.

PISTA: APÓS APROVADAS AS RESOLUÇÕES, NADA DE BAIXAR OS BRAÇOS

Em Lisboa, no passado dia 18, a Assembleia da República, por unanimidade de todas as bancadas e em conjunto, aprovou na generalidade 4 propostas a recomendar a ampliação e melhoramento da capacidade operacional da pista do aeroporto da Horta, resoluções apresentadas pelo PS, o PSD, o CDS-PP e o PCP. Fiquei contente, mas ainda é cedo para qualquer foguetório.

Dei-me ao trabalho de procurar no portal da Assembleia da República o teor de cada uma das propostas apresentadas. Na introdução são diferentes, é normal, pois metem-se aí as considerações estratégicas e as visões do partido que a apresenta. Contudo, também ao nível do conteúdo recomendado verifiquei que as propostas não recomendam todas o mesmo, isto já requer maior atenção, pois, passada esta fase de propaganda, terá ainda de haver um entendimento para que haja uma proposta final com um mínimo de consenso na especialidade para ser definitivamente aprovada no Parlamento e, como muitas vezes acontece, o diabo esconde-se é nos pormenores.

Acredito que se houver boa vontade em todos os partidos será possível ultrapassar as diferenças e chegar a consensos que salvaguardem os principais objetivos dos Faialenses. Mas, se estivermos perante uma manobra política, sobretudo de quem tem de desembolsar o dinheiro e não quer gastá-lo, receio que alguns pormenores abram as portas para esta unanimidade vir a esbarrar em desentendimento que sirva para culpar outros de teimosia e resultar na inviabilização do projeto, permitindo a seguir propagar a ideia de o poder estar inocente por não se virem a reunir as condições finais para viabilizar a ampliação da pista e deste modo não desembolsar as verbas para a obra e acusar outros por não se fazer e ainda não perder votos. Alguns dirão: Isto seria maquiavélico! Mas na política deste País já vi situações do mesmo género, logo isto não seria nade de novo.

Assim, nem todos propõem o aumento da pista para 2050 metros, embora o acordo nesta pretensão talvez possa ser fácil de alcançar através do ponto da recomendação de se assegurar a concretização da ampliação da pista tendo em conta a categoria de aeroporto intencional da Horta obtida em 2001.

Igualmente deduz-se de todas as propostas que as intervenções na pista deverão ser discutidas na renegociação do Governo da República com a VINCI dos termos do acordo de concessão da ANA (dona do aeroporto), contudo, nada é dito sobre a possibilidade desta empresa não aceitar todos os custos do aumento da pista para além dos metros necessários à criação das zonas de segurança RESA (Runway End Safety Area) e, neste cenário e da leitura das introduções de algumas propostas, parece que certos partidos discordam totalmente que os executivos da República ou dos Açores comparticipem em tal investimento. Falta assim saber se na especialidade haverá abertura para se possibilitar como último recurso a comparticipação de dinheiros públicos, nacionais e ou comunitários, para não se criar impedimentos ao projeto de ampliação desejado pelos Faialenses.

Foi bom ter esta unanimidade, os protestos dos Faialenses obrigaram já a cedências, mas importa não esquecer: um voto de recomendação, mesmo unânime, não obriga o governo, não impõe nada, é um conselho que o executivo pode ignorar. Por isso, apesar da aparente boa-vontade de todos os partidos agora, até dos que apoiam o poder que terá a palavra final, os Faialenses não podem baixar a guarda, é cedo para qualquer festa, pois a ampliação não ficou ainda assegurada e já vi anúncios mais fáceis ficarem por cumprir e sem as perspetivas de desculpas que estas diferenças permitem

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Meu artigo de opinião de hoje no diário Incentivo:

SISMO DE 9 DE JULHO VINTE ANOS DEPOIS

Para quem assistiu o sismo de 9 de julho de 1998 sentindo a casa a ruir à sua volta, vivendo o pavor do que lhe poderia acontecer, mesmo saindo ileso, e depois observou que tudo nas imediações estava também destruído, que todos os vizinhos eram igualmente sinistrados desalojados, que só restava cooperar na dor e na necessidade de ir em frente: 20 anos nunca vira a passado. Aquele dia é sempre hoje.

É verdade que agora, na generalidade, a grande maioria dos sinistrados vivos reorganizou a sua vida e alguns até conseguiram atingir níveis de bem-estar que antes nunca pensaram alcançar. Mas ficaram feridas profundas em praticamente todos que nunca cicatrizaram. Abriram-se fissuras sociais jamais tapadas e o mundo onde se vivia mudou tão bruscamente que as memórias ficaram desenraizadas da própria terra onde nasceram ou cresceram.

Quem não viveu de modo tão intenso este sismo não percebe a dor de quando se perde as referências do próprio passado ao dizer-se algo como: era por aqui a minha casa, penso que ali a dos meus pais, mas onde?… já nem sei bem e nem me lembro perfeitamente como era, isto está tudo tão diferente!

É verdade que a realidade à nossa volta é um contínuo em mudança, só que as coisas naturalmente mudam de modo progressivo, sem um corte radical e abrupto com o passado. Num terramoto não há tempo de adaptação entre o que era e passou a ser; não temos um aviso prévio e nunca se está preparado para a mudança que é imposta e sem culpados para responsabilizarmos das nossas angústias. Tem de se suportar tudo cá dentro: a resignação, dói; o pôr mãos à obra para recomeçar, dói; até a alegria de concluir e entrar numa casa nova nossa, dói.

Como sinistrado e após tanta dor, para mim não há insulto maior que sentir a inveja de alguém ao dizer: ainda tens é de agradecer ao sismo! Confesso, já ouvi isto numerosas vezes.

É verdade que tal como qualquer queda, toda a catástrofe é uma oportunidade para repensar a situação, levantar-se, ir em frente e muitas vezes abrem-se portas que sem esse tombo nunca teriam aparecido escancaradas. É verdade que no seio das oportunidades há os que as sabem aproveitar e os que abusam do aproveitamento, tal como há os que as desperdiçam e as perdem e nunca mais se levantam. No primeiro caso apenas há que congratular a capacidade de regeneração após tanto sofrimento. No segundo, compete à lei e à justiça disciplinar e, nos restantes, importa a solidariedade de uma mão que os puxe para cima. Só que um sinistro é sempre um mal que dói e ao mal não se agradece.

Vinte anos depois do 9 de julho de 1998 tenho a sorte de ter uma vida reconstruida, mas não me esqueço de todas as mãos que se me estenderam, algumas eram de amigos, outras geraram amizades que perduram, algumas eram de conhecidos de ocasião e muitas vieram de gente anónima e desconhecida com quem hoje pouco convivo, mas a todos os que souberam ajudar os sinistrados, sobretudo aos que nada receberam em troca e o fizeram por solidariedade grátis, merecem um agradecimento.

Vinte anos depois do sismo de 9 julho de 1998 espero que os Faialenses e os Açorianos não esqueçam das características destas ilhas onde vivemos, que não se insista nos erros que ampliam dores futuras para tirar dividendos de curto prazo, pois a melhor homenagem aos sinistrados é agir preventivamente para reduzir males vindouros… e os sismos são riscos que não deixam de nos espreitar.

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