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Meu artigo de hoje no diário da ilha do Faial: Incentivo

REALIDADES CHEIAS DE CONTRADIÇÕES E UMA CONGRATULAÇÃO

Olhando para o que se passa neste País e Região parece-me que a sociedade ficou apática às contradições de quem nos Governa, estamos a viver uma pasmaceira que só se explica por estarmos a sofrer de um choque pós-traumático devido à pandemia. Os Açores por agora são uma terra sem casos de COVID-19 ativos, mas, por precaução, com a qual concordo, cancelou-se tudo o que eram festas do Espírito Santo e Santos Populares, mas enquanto o coronavírus está a alastrar em Lisboa, o nosso Presidente da República e Primeiro-Ministro participam em dois espetáculos à porta fechada com milhares de pessoas.

O mesmo Presidente, não se contentando com estar com milhares de pessoas numa zona coberta numa terra em plena expansão do SARS-Cov2, logo a seguir vem visitar os Açores por já não termos o vírus a circular, não sei se apresentou algum exame negativo como é exigido ao comum dos açorianos que queiram regressar à sua terra ou a quem vem prestar serviços a estas ilhas, a verdade é que tudo isto aconteceu como se fosse uma coisa natural, onde imperou a cordialidade diplomática e como se tal visita fosse desejada pelos Açorianos numa altura destas e depois da afronta da continuidade territorial com os aviões como se a proteção da nossa saúde fosse um movimento separatista. Dá para entender? Eu não entendo.

A economia dos Açores passou a ter, por opção política, uma forte dependência do Turismo e apesar de o projeto “Viver Açores” do Governo Regional pretender dinamizar o setor através duma procura interna que compense a redução externa, a verdade é que em paralelo está-se a usar o trunfo do Arquipélago ser uma região livre de Covid-19, sem dúvida um bom argumento para apelar à vinda de turistas de fora. A verdade é que essa limpeza é ameaçada por esses mesmos turistas terem de passar pelo aeroporto em Lisboa, onde a situação não parece de todo segura, onde o próprio passageiro se pode contaminar a seguir a obter um teste negativo e trazer a doença para esta ilhas.

Temos de facto de abrir mais cedo ou tarde as nossas ligações ao exterior, mas esta realidade é também uma das nossas fragilidades para enfrentar esta pandemia e a situação de os resultados dos testes serem de 12 horas na Terceira e S. Miguel e mais de um dia nas outras ilhas é um meio de tratamento desigual dos Açorianos das ilhas mais pequenas. Contudo não deixa de ser uma contradição criarmos cautelas que dificultam os nossos conterrâneos e a quem vem cá em trabalho enquanto se promove esta Terra para que venham cá passear: o que, assumo, é importante para a nossa economia. Como se concilia isto de forma segura? Como continuaremos a proteger os idosos que coabitam com quem trabalha e contacta com tantos colegas e se cruza com visitantes? Confesso: o recurso de apenas lavar-se as mãos e usar máscaras deixa-me muitas dúvidas como modo de manter protegidos estes anciãos não institucionalizados sem os ostracizar em casa, até porque vejo gente a usar sem cuidado máscaras diante de quem se protege por ter idosos em casa.

O festival gastronómico “Juntos à Mesa” do Faial é um bom exemplo de como as dificuldades agudizam o engenho. A minha participação foi bafejada pela sorte do restaurante escolhido ter um serviço de take-away que levava a refeição ao meio rural: uma evidência de que sem gente de fora se olha para os clientes potenciais em toda a ilha e é possível estender este modo de servir sem o limitar à zona da cidade. Talvez não haja grande rentabilidade nisto, mas fideliza gente e com imaginação dever ser possível criar no futuro um sistema que compatibilize a concorrência com cooperação do setor da restauração local com uma solução para estas situações que junte mais residentes da ilha numa mesa na dimensão do Faial. Parabéns pela iniciativa!

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Foi com grande alegria que ouvi a RTP-Açores noticiar que o Hospital de Ponta Delgada desenvolveu um teste rápido de deteção da leptospirose, o que pode salvar muita gente nos Açores onde esta doença é endémica. Quem, como eu, viu familiares queridos saudáveis serem ceifados em poucos dias por falta de diagnóstico a tempo só pode regojizar-se. Acresce que o método pode exportar-se para outros Países que sofrem de igual risco.

Espero agora que o Serviço Regional de Saúde permita estender o método de análise ao máximo de ilhas dos Açores e o mais rapidamente possível. Até porque ficou explícito que além de rápido não era caro, para que assim mais nenhum Açoriano sinta a dor da perda de familiares e amigos saudáveis contaminados por esta bactéria, cuja infeção é facilmente tratável se detetada precocemente, mesmo que por vezes com sequelas duradouras, mas mortal se não tratada a tempo.

Aos que desenvolveram o novo método no Hospital do Divino Espírito Santo os meus parabéns e votos para que esta doença deixe de ser motivo de preocupação de tantos Açorianos.

 

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Foi com a mensagem em título para se aproveitar as eleições do próximo domingo como a grande oportunidade para haver uma mudança de atitude da Câmara Municipal da Horta em prol dos Faialenses que Carlos Ferreira deu o mote ao seu discurso na freguesia das Angústias perante uma enorme multidão de gente desta ilha. A partir de agora é consigo, mas eu quero Acreditar no Faial.

Carlos Ferreira, com um currículo profissional de excelência, já agraciado pelo bom desempenho nas suas funções com medalhas de mérito atribuídas pela Câmara Municipal da Horta, passando pelo Governo da República e até à Presidência da República é de facto a esperança para que um cidadão independente nascido de gente humilde na Horta possa reunir as condições para mudar o Faial e a ilha sair deste marasmo em que caiu ao longo das últimas décadas.

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Merece ser noticia alguém hoje em dia nos Açores ter coragem de recusar um subsídio público quando tudo parece refém do dinheiro do Poder para as suas atividades, mas a Associação MiratecArts recusou um subsídio da Câmara Municipal das Lajes do Pico após as denúncias desta não acautelar o bem-estar de cães vadios que recolheu. Ser coerente muitas vezes tem custos, neste caso há que louvar quem preferiu perder dinheiro a fechar os olhos, continuar a lutar pelo que acredita.

Não vou discutir a ação da Câmara neste post, o que quero destacar é a coragem de haver ainda alguém hoje em dia nos Açores capaz de dizer não ao dinheiro político para ir em frente com os seus projetos, preferindo perder subsídios a se calar ou a não ser coerente com a sua consciência.

Quantos se calam? e quantos depois de se calarem por um subsídio são capazes ainda de votar em quem lhes compra com dinheiros públicos a sua consciência?

Penso que os Açores e sobretudo as ilhas mais pequenas como o Faial e o Pico estariam bem melhores que atualmente estão se fossem muitos mais os que não se deixam vender por um apoio público, que ainda por cima não é dado com dinheiro do político que o anuncia, mas sim  retirado da saco que se enche com os nossos impostos.

A falta de ética e de moral não é um mal exclusivo dos políticos, é também resultado daqueles eleitores que compactuam com essa falta de ética e de moral, tornando o mal benéfico para quem o pratica, fazendo perpetuar no poder quem compra as consciências dos cidadãos.

Os bons exemplos são para de louvar e divulgar nem que seja para ver se conseguimos que frutifiquem na nossa sociedade e daqui o meu louvor à coragem da MiratecArts

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Foram anos seguidos de défices excessivos desde aquele máximo de 2010 que levou Portugal a pedir ajuda em 2011 e à vinda da troika para escaparmos a uma bancarrota imediata. Com sacrifício dos Portugueses desde então todos os anos o défice foi descendo e finalmente após 6 anos o País saiu deste procedimento de défice excessivo. Votos para que não se caia noutro.

É verdade que muitas vezes uns semeiam, mas outros colhem e comem os frutos, neste caso não fosse a longa e persistente caminhada para se reduzir o défice nos últimos 7 anos não teríamos chegado até aqui, verdade que quem começou esta luta já não governa, mas a vida é assim mesmo e chegar ao objetivo era o mais importante e finalmente este foi alcançado…

Mas já não foi a primeira vez que Portugal esteve à beira da bancarrota desde o 25 de Abril, por isso apenas desejo que se tenha aprendido com os erros do passado e este último sucesso não leve ao País a meter-se noutra alhada do mesmo ou de outro género por falta de visão de longo prazo ou ânsia de colher frutos no imediato. Para já parabéns a Portugal

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Não sou economista para assumir a sustentabilidade financeira a longo-prazo da estratégica económica do atual Governo de Portugal. Mas há que reconhecer que o dado de 2.8% de crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2017 é a cereja em cima do bolo de otimismo de António Costa. A única alavanca que ainda sustentava a crítica de que este executivo estava condenado ao fracasso.

Desde a redução do desemprego, diminuição do défice, aumento das exportações, até à redução dos juros da dívida iniciada nos últimos dois meses e agora o crescimento económico levam a concluir que em termos internos e pelo menos a curto-prazo este Governo está a conseguir o pleno das ambições que há muito de se desejava para Portugal.

Alguém poderá ainda falta tirar da classificação de lixo da dívida soberana dada pelas agências financeiras, mas a verdade é que esta é mais uma notação baseada em sentimentos e interesses da alta finança do que uma valorização honesta e desinteressada dos factos de quem controla o capitalismo selvagem global.

Espero que nada volte a trás pois estes resultados são bons para Portugal e os Portugueses e sei criticar o que está mal, mas não tenho preconceito para não elogiar os casos de sucesso de uma governação na qual não votei.

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