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Posts Tagged ‘Estratégia’

Não haja dúvida, António Costa é um caso de estudo, pois consegue liderar um Governo minoritário do partido mais europeísta de Portugal, o PS, e consegue assegurar o apoio do BE, que quer preparar o País para  este sair do Euro, e da CDU, que nunca desejou, nem quer estar ligado a esta União Europeia e de onde vem grande parte do dinheiro que mantém o sistema políticoeconómico nacional sem colapsar.

Em contrapartida, a oposição a Costa vem precisamente dos partidos que comungam do mesmo objetivo central do PS: preservar Portugal numa economia de mercado livre, integrado na  União Europeia e na NATO, sendo que esta foi mesmo criada para combater os Estados que tinham os modelos políticos defendidos pela CDU e BE.

Esta capacidade de Costa, não sei se é sustentável para sempre, mostra um engenho político notável do atual Primeiro-ministro: une interesses opostos e sem nada em comum e abafa concorrentes que têm objetivos semelhantes e métodos pouco diferentes. Por isso não admira que, com esquemas ou sem eles, o atual Governo tenha conquistado sucessos imprevisíveis face à incompatibilidade da sua base de apoio, mas presumo que é o perigo destes interesses opostos que espreitam nos apoiantes do Executivo que faz Marcelo agir como um manto protetor a esta solução à partida impossível de se conciliar, mas que pode conseguir mesmo o que não era viável de outro modo e sem uma CGTP comprometida e maniatada a esta geringonça que de facto tem funcionado.

Não admira o desnorte de Passos, mas penso que as energias que dispensou contra a atual solução sem dar o benefício da dúvida que cimentou interesses tão opostos à esquerda no Parlamento e Costa maquiavelicamente de novo soube explorar muito bem esta estratégia da direção do PSD em benefício próprio e para preservar o apoio que precisava fazendo o contrário das muitas coisas que o BE e a CDU sempre defenderam e dizem defender.

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A Câmara de Comércio da Horta defendeu a abertura dos aeroportos do Faial e Pico a voos “low cost”, todavia, salvaguardou a necessidade de um regime apoiado pela Região. Efetivamente a experiência tem demonstrado que abrir algo à concorrência esperando que o privado aja em benefício das populações ao corrigir disfunções da administração pública em muitos casos resulta em prejuízo das comunidades mais desprotegidas com enviesamentos para o lucro fácil. Mas o poder público também é perito nesta subversão.

A verdade é que a administração pública regional não está isenta destes enviesamentos, veja-se que na questão dos transportes as pressões políticas tem sido muitas vezes interesseiras à preservação dos eleitos dos seus cargos que estes não se têm furtado a prejudicar ilhas menos populosas como o Faial e o Pico em detrimento de outras onde esperam cativar mais votos.

Por exemplo estratégia da empresa pública SATA só é possível por estar concertada com o Governo dos Açores, pois para fazer preços mais baixos a circuitos que passam por São Miguel e usam mais aviões e aeroportos para se chegar ao Continente do que ir diretamente para Lisboa num voo mais rápido e com menores encargos globais resulta de um enviesamento de não refletir no percurso indireto as despesas que resultam para a Região do uso um maior número de aparelhos e das taxas aeroportuárias das escalas pelas infraestruturas públicas regionais, ou seja: os Açorianos, inclusive os prejudicados, pagam pela calada estes encargos para a empresa pública favorecer a rota entre Ponta Delgada e Lisboa, aquela que descaradamente é referida na publicidade como Açores, para deste modo também intencionalmente apagar a existência de outras gateways no Arquipélago.

A tentativa que o Governo Açores teve em vender as plataformas logísticas no transporte de mercadorias é outro caso evidente de como o setor público também não é garante de defesa dos mais fracos se outros interesses mais altos se levantarem aos políticos.

Assim, sou favorável à abertura defendida pela Câmara do Comércio da Horta, mas as forças vivas do Faial, Pico e mesmo de São Jorge terão de acompanhar e analisar muito bem a solução a encontrar para no fim não nos venderem com grandes parangonas publicitárias nos mídia, para tirarem proveitos pessoais, um outro cavalo de Tróia que nos prejudicaria ainda mais a seguir.

Igualmente mantenho que a articulação no transporte inter-aeroportos e inter-ilhas é outra peça a estudar para garantir a unidade do Triângulo, pois deficiências neste sistema apenas servem para serem oportunisticamente exploradas por adversários da união entre o Faial, Pico e São Jorge.

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Novamente um cruzeiro de turistas foi para o cais de mercadorias, pois para se poupar se encolheu o cais norte, para se poupar, também não se desassoreia a sua baía, mas apostou-se num grande terminal de passageiros de trânsito local que, na mentalidade de alguns, se for bem gerido, o Faial pode ficar a ganhar, algo assim como encolher no estratégico regional e internacional para apostar na pequenez local como se fez na feira Açores… Certo? 😜

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O meu artigo de opinião de hoje no jornal Incentivo.

SERVIÇO DE SAÚDE, APESAR DO DISCURSO, DEGRADA-SE NO FAIAL

Já neste mês de março, li uma notícia num meio de comunicação social da internet que: enquanto o Secretário Regional da Saúde garantia a uma Comissão do Parlamento Regional que o serviço de Suporte Imediato de Vida (SIV) no Faial estava assegurado das 8 da manhã até à meia-noite, o mesmo estava de facto a ser interrompido entre as 16 e as 19 horas por falta de condutor.

Este tipo de contradição sobre o nível dos serviços que um responsável da Administração dos Açores diz que se prestam no Faial face ao que se passa na realidade é cada vez mais frequente, sobretudo, para quem conhece as situações por dentro que ocorrem na nossa ilha ou pela experiência dos utentes desses mesmos serviços públicos.

Venho ouvindo cada vez mais lamentações de doentes que dizem estar a aguardar uma consulta de um médico especialista que virá ao Faial, pois o profissional que acompanha o seu problema e com quem a instituição de saúde da nossa cidade tem um acordo reside e trabalha num hospital de outra terra que não na nossa ilha.

O que se está a passar agora com as especialidades de Oncologia e de Hematologia, as áreas da medicina que abordam respetivamente as doenças cancerosas e as do sangue, vai pelo mesmo caminho. Isto porque os dois médicos que aqui residiam e trabalhavam, após anos de elevada dedicação e de relevante trabalho prestado às nossas gentes, chegaram à sua idade de aposentação, e se um, entretanto, assegurou ainda por mais algum tempo a continuidade do seu serviço no Hospital da Horta, era evidente que esta situação não seria eterna e agora chegou a vez de ambos gozarem a merecida reforma. Enquanto isto, a administração dá a entender que passaremos à prestação de serviço por especialistas que trabalham fora do Faial que, deste modo, esporadicamente virão à Horta para, ocasionalmente, atender às necessidades dos doentes desta zona do Arquipélago.

Não vale a pena tapar o sol com a peneira. Não é a mesma coisa, nem fica assegurada igual qualidade de serviço que poderia ser prestada por um médico especialista cujo local de trabalho e de residência seja permanentemente na Horta. Sei isto por experiência, há 30 anos, muito tempo antes do hospital desta terra atingir o seu máximo de serviços que já prestou, eu próprio fui forçado a mudar-me para Ponta Delgada para que o profissional de saúde que cá vinha pudesse assegurar em continuidade a atenção que o meu pai então carecia e não quero que outros agora voltem a passar pelo mesmo suplício, isto depois de tal lacuna já ter sido colmatada e agora voltar-se atrás.

Felizmente, depois dele, o Hospital da Horta aumentou as suas valências e outros doentes oncológicos e renais já não tiveram de sair do Faial e do Pico para receberem a assistência médica continuada requerida, mas desde há alguns anos e após este pico de serviços, eis que paulatinamente tem-se sentido um esvaziamento progressivo desta instituição de saúde e, tal como o Secretário Regional, os responsáveis dizem sempre que está tudo salvaguardado e previsto, só que a realidade que os Faialenses sentem não é essa.

Embora em algumas outras áreas os cidadãos possam por si procurar soluções alternativas para compensar as lacunas que o Estado tem no seu sistema prestação de serviço público, por exemplo, pode-se ser autodidata no ensino ou fazer treino desportivo individualmente, na saúde é impossível ser o doente a autopropor-se acompanhar e tratar da sua doença, tem de ser mesmo um médico e, nos casos mais sensíveis como a oncologia, deve ser um acompanhamento presencial e em continuidade, o que não é compatível com visitas programadas de acordo com um calendário genérico pré-estabelecido pelo hospital com um profissional que reside e presta o seu serviço na maior parte do tempo à distância e separado por um mar e só transponível com a deslocação do doente por avião e frequentemente mudança de residência de quem já está debilitado.

É cada vez maior o desfasamento entre o que os responsáveis políticos e administrativos dizem para a comunicação social faialense na área da saúde e o que se passa na realidade, tal como ocorreu no caso do SIV, onde os condutores vêm de outra ilha para assegurar o serviço e por isso ele esteve interrompido quando não devia, o que parece cada vez mais evidente vir também a acontecer com maior frequência e em mais áreas de especialidades médicas no Hospital da Horta por esses profissionais residirem no exterior.

Este é mais um problema em relação ao qual o povo Faialense não se pode acomodar face aos discursos dúbios que procuram transmitir a ideia de que está tudo bem enquanto se trilha um caminho para piorar o serviço público de saúde prestado no Faial.

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Apesar da austeridade do resgate da troica assumida por Passos, foi no seu tempo de Primeiro-ministro que, pela primeira e única vez, um todo poderoso banqueiro caiu por falta de ajuda do Governo após o 25 de Abril, foi nesse tempo que o regabofe na poderosa PT como lugar de manobras políticas claudicou e ainda se tentou criminalizar o enriquecimento ilícito. A dureza imposta nunca foi simpática e por vezes, penso, injusta, mas bastou o caso das fugas não publicitadas para as offshores para que a argumentação dos ataques que o PàF fez aos fortes ficasse descredibilizada.

Apesar dos muitos erros de estratégia comunicacional do governo da Coligação, para além da implementação de medidas que utilidade duvidosa e altamente impopulares, como nos feriados e tolerância de ponto, ou da opção de tributar e reduzir os rendimentos dos trabalhadores do setor público como meio de poupança do Estado,  até ao momento parece que os sacrifícios impostos aos Portugueses tinham como objetivo atingir todos os que poderiam contribuir para o problema da bancarrota em que Portugal mergulhara. Mesmo sabendo nós que ficaram de fora ainda administradores de grandes empresas.

A trapalhada de como Paulo Núncio manipulou a página de divulgação da estatística dos dinheiros saídos para offshores, bem como a possibilidade de os mesmos não terem passado pelo crivo do fisco no seu tempo, mesmo que devido a um problema informático, dá argumentos a quem sempre quis passar a ideia de que a Coligação estava ao serviço do capital e dos poderosos e sem olhar a meios para triturar os mais fracos, é um machadada em muitos dos sucessos alcançados que permitem agora que os seus sucessores possam numa situação diferente brilhar e os acusar maldade para com os Portugueses da classe média e mesmo baixa.

Já não confiava nas estatísticas colocadas em nome da transparência num portal de Governo, agora tenho a certeza que os números divulgados são mesmo manipulados de acordo com os interesses dos governantes e mantenho que se investigue até às últimas consequências este caso e que se alguém tiver de ir parar ao banco dos réus que vá e não volte.

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Meu artigo de ontem no diário Incentivo:

COMPENSAÇÕES QUE SEMPRE PREJUDICAM O FAIAL

Não tenho interesses ligados à realização da Feira Açores, não pertenço ao setor de produção agrícola, nem ao comércio de equipamentos ou de mercadorias ligadas a este ou a outra área de compra e venda, mas este certame no Faial é importante para as pessoas da agropecuária, para os comerciantes e empresários de hotelaria e restauração e, sobretudo, para a valorização do tecido económico desta ilha no contexto regional.

Assim, é lógico que na sequência de um voto de protesto, apresentado pelo PSD na Câmara Municipal, contra a decisão unilateral do Governo dos Açores em não realizar a Feira Açores no Faial este ano, o voto tenha merecido o apoio unânime, incluindo do executivo socialista maioritário naquele órgão, pois, desde outubro último, os autarcas do PS-Faial têm tido uma postura de aceitação e até de propositura de críticas contra ações levadas a cabo pelo Governo dos Açores e empresas públicas regionais, nomeadamente SATA, que tenham implicações negativas na Ilha Azul.

Todavia, logo a seguir a esta unanimidade no protesto, o mesmo Presidente da Câmara esvaziou o seu voto oficial de descontentamento com declarações em que contradiz a sua insatisfação, usando o argumento “podemos ficar a ganhar se fizermos bem o nosso trabalho”, tendo ele em conta a compensação do aumento do apoio do Governo para a organização da Festa do Mundo Rural, um evento sub-regional que conta com a envolvência do Município, subsídio como contrapartida à retirada a esta terra da realização de um evento de âmbito regional: a Feira Açores.

Este comportamento volta a pôr a nu a tática do PS-Açores: comprar o esvaziamento do Faial negociando contrapartidas com os seus eleitos nesta ilha para ações de menor projeção. Até acredito que com mais apoio do Governo dos Açores este evento possa ter maior brilho, mas, na realidade, o somatório dos benefícios para a Horta resultante da realização, em simultâneo, de uma Feira Açores em 2017 e da Festa do Mundo Rural era maior e melhor para esta terra do que só a realização de um único evento de menor projeção e mesmo que ligeiramente ampliado não é de escala Regional.

O discurso do Presidente da Câmara demonstra o que há muito denuncio na política regional: sempre que o Governo dos Açores dá ao Faial tira sempre algo mais importante para que no saldo final esta ilha acabe sempre a perder. Para esta estratégia, o Executivo Regional contou durante muitos anos com a complacência e anuência dos socialistas faialenses. A desculpa agora apresentada pelo líder do Município da Horta sobre o ganho que se poderia vir a ter num evento menor mais não é que a continuação desse vício, evidenciando que o apoio ao protesto apenas foi estratégico, para não se dizer que voltavam a votar contra uma crítica referente a uma decisão que prejudicava esta terra. Mas logo a seguir veio a desculpa e a minimização do ataque ao Faial

O susto de outubro último obrigou a disfarces nos autarcas rosas do Faial, mas parece mesmo que eles têm de desculpar os ataques que o Governo dos Açores faz à nossa ilha ou então é mais forte a sua vontade em agradar ao PS-Açores do que a coragem em assumir com todas as consequências a defesa do Faial. Eles não se curam deste tique de branquear os ataques ao Faial quando há uma negociação cujo saldo final é prejudicial a esta ilha. Tenho pena, mas é assim que agem.

Para termos um novo cais de cruzeiros na Horta (mesmo que encolhido), não concluíram a variante. Para se ter a Escola do Mar, tiveram que tirar a Rádio Naval da Horta. Concluíram o Bloco C do Hospital, mas não foi uma ampliação, apenas tiveram de demolir uma parte antiga devido aos danos do sismo de 1998 e há muito fechada, mas deixaram de negociar a vinda atempada de substitutos a tempo inteiro para vários dos médicos especialistas que, entretanto, se foram reformando. Para se ter a nova escola da Cônsul Dabney negociaram o encerramento de muitas escolas nas freguesias rurais da ilha. Quando compraram os novos aviões à SATA escolheram equipamentos que não operassem na Horta e puseram os seus autarcas do Faial a justificar esta política da empresa que nos prejudica e continuam sem se comprometer com o aumento da pista. Infelizmente havia ainda mais casos para esta lista, mas este artigo tornava-se demasiado longo.

É a sina que estes líderes rosas traçam para o Faial, sempre que se investe em algo por cá ou se aumenta um apoio, há como contrapartida a retirada de algo maior e há sempre uma desculpa para disfarçar esse esvaziamento progressivo da importância da Horta no contexto dos Açores. Agora para se ter um melhor subsídio à Feira do Mundo Rural teve-se que perder a Feira Açores 2017… o costume!

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo

PORTO DA HORTA – LEVOU TEMPO A ADESÃO

Embora importe não esquecer que o problema prioritário para o Faial é o das acessibilidades aéreas da ilha ao exterior do Arquipélago, ou seja para já: a ampliação da pista, o projeto RISE e o número de ligações entre Horta e Lisboa; onde em cada um destes o Governo dos Açores tem grandes responsabilidades para se alcançar a sua concretização, nas últimas semanas a atenção centrou-se nas obras da segunda fase do porto da Horta, o que evidencia que os Faialenses estão agora muito atentos e bem despertos ao modo como os governantes tratam esta terra.

A preocupação dos Faialenses agrada-me e muito: a dinâmica da democracia cresce a partir do Povo e aquela não amadurece quando as pessoas estão adormecidas ou delegam nos políticos o seu papel de intervirem civicamente na sociedade.

Bastou o cartão vermelho de outubro último para que o Presidente da Câmara Municipal da Horta compreendesse que tinha a cabeça a prémio e mudasse a atitude que tinha no passado. Deixou de combater as vozes da oposição, que diziam alto os protestos e anseios dos Faialenses, enquanto o governo dos Açores pisava esta ilha, e passou a comprometer-se com as preocupações levantadas na sociedade do Faial e em público já leva ao poder regional os alertas dos munícipes.

É verdade que até ao momento não tem sido ele a tomar a iniciativa de assumir o papel de defesa do Concelho. Primeiro, na questão do aeroporto, já há meses que a população se movimentava e se manifestava ativa e publicamente em torno das acessibilidades aéreas e só depois das eleições e de o movimento cívico se manter ativo é que o Presidente da Câmara criou um grupo de trabalho para análise da ampliação da pista e aderiu às claras a esta causa dos Faialenses.

Agora nas obras do porto não se viu o Presidente da Câmara agir quando as preocupações se levantaram na Assembleia Municipal, a seguir deixou que as deputadas do seu partido e concelho fossem à Portos dos Açores com a comunicação social para a empresa passar a ideia de que estava tudo bem na atual versão do projeto, continuou a não se mexer quando os deputados Carlos Ferreira e Luís Garcia denunciaram o que consideravam aberrações na intervenção para ali prevista, permitiu até o burburinho de descontentamento crescerem nas redes sociais desta terra e só depois da denúncia pública das preocupações da mesa do turismo da Câmara do Comércio e Indústria da Horta e da reunião desta com o Presidente da Câmara é que este finalmente se resolveu a agir.

Levou tempo, mas ainda bem que por fim lá se decidiu unir às vozes dos Faialense em vez de criticar quem lançava os alertas, como era norma na história política de quem estava no poder desta ilha antes da derrota das últimas eleições. Podemos dizer que se o Presidente da Câmara ainda não lidera as causas do Concelho, ao menos, com o tempo associa-se aos argumentos dos seus Munícipes e no fim mostra-se solidário com as suas preocupações e envolve-se nas questões ao lado do seu Povo. É um progresso no bom sentido, parece um pouco forçado por ser ao retardador, mas reconheço a mudança.

Há quem diga que a mudança é estratégica e só até às próximas autárquicas. Não tenho provas da veracidade ou falsidade desta ideia, mas digo que se está numa corrida a contrarrelógio, ou o Presidente alcança resultados concretos até às eleições com soluções irreversíveis, ou deixa tudo pendente e voltará aquele discurso de promessas que os Faialenses já conhecem, onde passam os votos e o prometido se engaveta, então terá de decidir se estão dispostos a não penalizar quem não defendeu a tempo esta terra dos maus resultados, mas nisto o Povo é soberano.

Pode haver quem pense que um ano é pouco tempo para se exigir frutos irreversíveis, mas este curto período para a concretização dos objetivos só acontece por culpa daqueles que durante anos desculparam quem prejudicava o Faial em vez de estar do lado dos Faialenses, agora têm de correr para recuperar o tempo perdido por culpa deles. Tivessem eles antes ouvido e estado ao lado do Povo desta ilha.

Por mim, prefiro que seja o Faial a sair bem desta nova postura em detrimento de quais forem os políticos que com isso conquistem vitórias, eu apenas luto pela minha ilha e insisto que o importante é em tempo útil satisfazer as necessidades do Faial e espero que nos próximos meses as obras do porto se concretizem, sem comprometer a sua operacionalidade, nem a beleza da baía da Horta com aquele mamarracho que as imagens do projeto nos assustam.

NOTA: Pouco depois de escrever este artigo soube da morte do Dr. Mário Soares, sem dúvida alguém cuja resistência contra forças totalitárias, no poder ou a querer tomá-lo, é uma das razões porque Portugal vive em democracia. Lamento a sua morte e honremos o regime democrático que nos legou.

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