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Meu artigo de hoje no diário Incentivo sobre as autárquicas no Faial:

LEGITIMIDADE POPULAR E UM REPTO AOS VENCEDORES

Terminei o anterior artigo de opinião aqui no Incentivo concluindo: “respeitarei qualquer resultado das próximas autárquicas mas aposto na mudança.” Assim sendo, logicamente aceito agora a opção que resultou da contagem dos votos dos Faialenses que se deslocaram às assembleias de voto no passado domingo.
Foi um resultado honroso para aqueles que queriam mudança e se reuniram em torno da coligação Acreditar no Faial, grandes vitórias em muitas freguesias, na Assembleia Municipal mas o objetivo principal era de facto liderar o Governo do Faial ou seja a Câmara Municipal e esse não foi alcançado. O vencedor num regime democrático adquire legitimidade para governar de acordo com a expressão eleitoral que foi obtida através dos votos válidos depositados livremente em urna.
Todavia deixo claro: legitimidade democrática em eleições não é sinónimo de validação da não razão que suporta uma opinião diferente. Por isso assiste-me também o direito de manter as minhas ideias independentemente de a maioria ter discordado de mim. O regresso de voos redondos no próprio dia das eleições que fora denunciado durante a campanha eleitoral e retirados segundo se deu a entender a pedido do recandidato Presidente da Câmara vieram dar-me razão, o poder político dos Açores não joga limpo com o Faial.
Sou uma pessoa que respeita as regras do jogo democrático, mesmo que por vezes o poder não o faça de forma limpa, mas também sou um indivíduo de convicções refletidas e amadurecidas e por isso continuo a assumir que preferia que Carlos Ferreira tivesse vencido por ainda pensar que era o melhor para o Faial, mas não foi neste sentido que a maioria dos Faialenses se manifestou quando se expressou no passado dia 1 de outubro.
Por vontade própria pedira para não ser colocado em posições elegíveis para os órgãos municipais nas listas em que me convidaram e aceitara integrar nestas autárquicas, pelo que independente dos resultados que viessem a acontecer, eu estava seguro que ao fim de 24 anos deixaria por agora a atividade institucional autárquica ao nível concelhio. Todavia, mesmo cansado de décadas sempre deixei claro com quem falei que esta saída não seria uma desistência pessoal de vida pública ativa, continuarei a defender o Faial como um simples cidadão. Assim, enquanto tiver possibilidades, aqui ou noutros espaços não deixarei de expressar as minhas opiniões sobre o que considero mais importante dizer em prol da defesa dos interesses desta Terra.
Confesso até que me seria mais doloroso ser desiludido por uma má prestação daqueles que apoiei nestas eleições caso não correspondessem às minhas expectativas, por isso fruto dos resultados eleitorais ficou intata a esperança de que teriam sido bons autarcas. O reaparecimento dos voos redondos após o fim da campanha mostra bem que eu estava do lado do jogo limpo, o que também me é reconfortante.
Na minha luta autárquica de décadas e na minha vida pública sempre esteve em primeiro lugar a defesa do Faial. Assim não tenho complexo em deixar claro que prefiro até que os atuais vencedores me venham a surpreender pela positiva e me deem razões para ficar bem impressionado com eles, continuo a desejar que finalmente consigam dar o tal impulso ao desenvolvimento do Faial que faltou nas últimas décadas por culpa de quem nos representou ao nível de ilha e sobretudo do poder regional, mas apesar disto, têm sido sucessivamete reeleitos pelos Faialenses e há que respeitar.
Assim e embora ainda não convencido, deixo aqui o repto aos vencedores: surpreendam-me finalmente pela positiva para bem do Faial!
Sou um bairrista convicto defensor desta Terra, não para atacar qualquer outra parcela Açoriana, mas por sonhar e desejar o melhor para esta ilha. Foi o bem desta ilha que sempre me moveu e me deu força para não desistir da vida autárquica durante tantos anos, por insisto de novo: supreendam-me pela positiva alcançando o desenvolvimento que tanto falta faz ao Faial e o concelho da Horta bem merece.

Carlos Faria

Sugestões e crítica: cefaria@hotmail.com

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Foi com a mensagem em título para se aproveitar as eleições do próximo domingo como a grande oportunidade para haver uma mudança de atitude da Câmara Municipal da Horta em prol dos Faialenses que Carlos Ferreira deu o mote ao seu discurso na freguesia das Angústias perante uma enorme multidão de gente desta ilha. A partir de agora é consigo, mas eu quero Acreditar no Faial.

Carlos Ferreira, com um currículo profissional de excelência, já agraciado pelo bom desempenho nas suas funções com medalhas de mérito atribuídas pela Câmara Municipal da Horta, passando pelo Governo da República e até à Presidência da República é de facto a esperança para que um cidadão independente nascido de gente humilde na Horta possa reunir as condições para mudar o Faial e a ilha sair deste marasmo em que caiu ao longo das últimas décadas.

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– Para mim vocês são todos iguais…Ah!… Mas não me lembro da Câmara da Horta ser governada por gente de outro partido além do atual!

– Pois… para haver democracia não podem ser todos do mesmo partido, senão não podíamos escolher. Os senhores são necessários!

– Por mim são todos bem-vindos, já brindei o PS como estou a brindar os senhores e se vierem cá os comunistas, brindo-os da mesma maneira e o meu voto está escolhido.

Não haja dúvida, as campanhas eleitorais mostram que há muita gente merecedora de respeito cujo saber político com que trata quem se envolve civicamente na luta democrática dá força à pluralidade de ideias e mantém viva a democracia.

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pavilhão

O pavilhão das Angústias esgotou, anexou-se uma tenda que encheu e não couberam todos, foi preciso buscar mesas e cadeiras para dispersar mais gente em torno das zonas de serviço para receber e sentar a multidão de Faialenses que foi apoiar a mudança em curso por Carlos Ferreira e o desejo de se voltar a Acreditar no Faial. O fim dos subserviência a São Miguel está no ar, os Faialenses estão a perder o medo de quem os tem oprimido e espero que muitos mais Faialenses contribuam para a mudança no próximo dia 1 de outubro. Já somos muitos a apostar a mudança

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Primeira foto deste post da autoria de Souto Gonçalves.

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Após 28 anos com o mesmo partido na Câmara da Horta, com vícios de décadas e sem mudança, gostaria de ainda ver a Horta governada por gente diferente e não subserviente a São Miguel.

Pessoas com capacidade de liderança, sem medo, sem censurar jovens ou criticar jornais daquilo que são eles os culpados.

Queria um Presidente que fosse um líder e capaz de pôr ao seu lado os adversários para reforçar o poder reivindicativo do Faial, alguém que recuperasse do tempo já perdido e fizesse avançar o Faial no conjunto dos Açores. Queria um Presidente que pensasse bem os investimentos municipais para esta ilha e olhasse o campo tanto quanto a cidade.

Desejaria ver gente com coragem de estar ao pé dos Faialenses e sem medo de estar ao lado do seu povo como aconteceu cobardemente na manifestação de setembro 2016.

Preferia gente que não precisasse de perder eleições para só a seguir mostrar obra feita à pressa ou lançar projetos em série a menos de um mês das eleições como se eu fosse um parvo e não percebesse a maldade.

Mas respeitarei qualquer resultado das próximas autárquicas, a escolha é de todos e sempre fui um democrata convicto, continuarei a defender a minha ilha independentemente de quem ganhar com a minhas palavras e as minhas ideias, mas para já aposto na mudança Acreditar no Faial e em Carlos Ferreira.

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Meu artigo de ontem no diário Incentivo:

MILAGRES DAS DERROTAS DO PODER

Há quem diga: “todos os anos deveria haver eleições”, mas eu vi anos seguidos de eleições com a Horta sempre a ficar mais para trás. Aliás, a cada vitória do PS-Faial para os Açores, os vencedores logo diziam que os Faialenses tinham validado a sua estratégia e com este argumento nunca se corrigiram e o Faial foi sempre caindo mais depressa. As vitórias socialistas regionais e municipais na Horta só fizeram esta ilha perder importância nos Açores, até já há dados que nos comparam ao Corvo e foi este o resultado de anos de eleições com os mesmos no poder do Faial.

Só no ano passado quando pela primeira vez o PS local perdeu ao nível dos Açores algo mudou. A inesperada derrota do PS-Faial em outubro trouxe mais mudanças de atitude nos eleitos socialistas da Horta do que as suas anteriores vitórias municipais e regionais consecutivas. Uma derrota que causou autênticos milagres.

Na Assembleia Municipal até há um ano a norma era rejeitar qualquer protesto da oposição, desde então o entendimento do PS com os outros partidos aumentou e foram então possíveis mais consensos em torno do aeroporto e unanimidades a expressar descontentamentos pelos maus serviços da SATA. Um milagre claro para todos os que acompanham o trabalho deste órgão.

Em setembro de 2016, antes das últimas eleições, os Faialenses movidos por um grupo independente protestaram com uma afluência nunca vista em frente do Parlamento dos Açores pelo péssimo serviço que a SATA prestava ao Faial, reivindicaram a ampliação da pista do aeroporto e questionaram a continuidade do projeto RISE na Horta. Havia a união dos Faialenses em torno destas causas, mas olhando à volta faltava a generalidade dos eleitos socialistas desta ilha. Eles não se juntaram à gente desta terra, não estavam ali, não tinham nada a apresentar, nada para se associarem a nós Faialenses. Eles foram um grupo à parte dos Faialenses.

Mas logo a seguir à derrota: milagre! Acabou a timidez inicial de participar no abaixo-assinado sobre o aeroporto e felizmente começaram a aderir à causa dos Faialenses e até o Presidente da Câmara teve a iniciativa pública de criar o grupo de trabalho para se estudar a ampliação da pista.

Em novembro até elogiei esta mudança de atitude, mas escrevi sobre o estudo “Assim, só vendo a tempo resultados práticos consequentes e que tornem irreversível o atendimento da pretensão dos Faialenses, este anúncio se prova credível e para isso o Presidente da Câmara tem menos de um ano para mostrar…”. A seguir a conduta do Presidente não foi sempre de louvar. Por medo, em vez de unir todo o elenco camarário à sua volta para ter mais força reivindicativa conjunta com a oposição, preferiu ir sozinho levar as conclusões do estudo ao Governo da República, ao dos Açores e à ANA. Assim só se enfraqueceu e como não expôs quem tinha poder aos olhos das restantes forças políticas deu azo para que o Governo, o Presidente dos Açores e a ANA não se comprometeram com nada. Estes remeteram-se ao silêncio o que, tacitamente, é um não-compromisso e isto é por culpa de José Leonardo. Um verdadeiro líder não agia sozinho, sabe levar os seus adversários seguros a si. Infelizmente o Presidente nem nisto soube agir como líder, teve medo e falhou. Agora nem pode repartir as culpas pois desprezou os aliados que o reforçariam nesta causa e quem saiu prejudicado foi a ampliação do aeroporto e os Faialenses.

O medo não é bom conselheiro e foi o medo de nova derrota do PS que forçou a outros pretensos milagres feitos à pressa. Pressa que impediu eliminar defeitos graves que com bom senso e coragem seriam evitados. Assim, a obra acelerada e mal pensada junto à torre do Relógio ficaria bem feita e não teria tido tantas críticas técnicas e sem o medo a Câmara não teria censurado um cidadão por falar dela. Os líderes não mostram receio nem censuram, só os fracos usam esta estratégia.

Foi a ânsia que levou a Câmara a dizer que havia Faialenses que já se poderiam ligar à rede de esgotos, isto apesar das obras de saneamento já terem décadas de atraso e a Horta ter perdido milhões em fundos comunitários para isso. Mesmo assim é ainda tecnicamente inviável a ligação anunciada por falta de construção da estação de tratamento de águas residuais. Bons líderes não caem nas suas próprias armadilhas e expõem-se assim às suas inverdades.

Gostaria de ver a Horta governada por gente diferente, com capacidade de liderança, sem medo, sem censurar jovens ou criticar jornais e sem as fragilidades da Câmara dos últimos anos. Queria um Presidente que pensasse bem os seus investimentos. Um líder capaz de pôr ao seu lado os adversários para reforçar o poder reivindicativo do Faial, alguém que recuperasse do tempo já perdido e fizesse avançar o Faial no conjunto dos Açores. Desejaria ver gente não comprometida com a subserviência a S. Miguel, com coragem de estar ao pé dos Faialenses sem faltar como na manifestação de 2016. Gente que não precisasse de perder eleições para só a seguir mostrar obra feita à pressa. Mas respeitarei qualquer resultado das próximas autárquicas mas aposto na mudança.

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O Reino Unido votou no Brexit porque não estava disposto aos sacrifícios que a União Europeia necessita para coexistir, apesar das muitas críticas de falta de solidariedade dentro desta. A Primeira-ministra do RU convoca eleições para reforçar o poder negocial do país no Brexit, ela que fora contra, mas os britânicos curiosamente dão num voto que enfraquece a sua capacidade negocial e pode gerar uma crise económica na ilha. São mesmo estranhos estes ingleses que pensam como se fossem os maiores do mundo e começaram a dar tiros nos seus próprio pés sucessivamente.

Curiosamente, muitos dos que se congratularam com o Brexit do lado lusitano faziam-no porque queriam enfraquecer a UE, numa linguagem onde tanto querem a solidariedade europeia para nos ajudarem como querem colocar os pés fora da União, mas já comecei a ver congratulações nestes por o Reino Unido ficar mais fraco com o resultado eleitoral que as projeções estão a dar.

Não é o mundo que está louco, é apenas a visão eleitoralista dos partidos e das ideologias a curto-prazo que nesta continua contradição para ganhos imediatos envenena também a democracia a longo-prazo. Efetivamente votar no brexit e a seguir votar no enfraquecimento negocial deste é mesmo de uma incoerência a toda a prova.

Portugal, há muito, e o Reino Unido nos últimos tempos têm levado esta incoerência aos píncaros da democracia, as consequências veremos no futuro. Para já penso que esta noite a UE deve estar intrigada, mas a rir-se do comportamento dos lordes ingleses com este tiro no pé.

 

 

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