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Posts Tagged ‘eleições’

Apesar do candidato mais votado na primeiro volta ser de centro, penso que, tal como eu, mais liberal na economia e mais de esquerda nos costumes, o chocante foi ver que as duas pessoas com discursos extremos, de esquerda ou direita, obterem mais 40% dos votos, partilhando a ideia de desconfiar do euro e da União Europeia. Pelo crescimento desta tendência, por um lado ou outro, num futuro mais ou menos próximos podemos assistir a um “frexit“.

Tristemente os motivos da extrema esquerda ou direita são nacionalistas de não solidariedade, pois tanto um diz que se é contra a UE por não querer submeter-se a diretivas de integração dos estados europeus como o outro porque não quer gastar dinheiro para ajudar povos estrangeiros: o resultado é o mesmo – egoísmo nacionalista.

Se o centro não for capaz de procurar um caminho mais justo para os povos que governa abre-se de facto a porta a alternativas ainda mais sombrias em termos humanitários.

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Conforme as regras da democracia dos EUA Donald Trump ganhou as últimas eleições presidenciais do seu País e é empossado hoje como Presidente da maior potência económica e militar da Terra. Não sei se Trump será tão perigoso como me aparenta, mas que me parece portador de instabilidade para o seu País e o Planeta, parece-me. Faço votos que me surpreenda pela positiva, para bem dos Americanos e da Humanidade, não piorar a situação atual já seria uma boa surpresa, espero que me engane e ele venha a ser um bom Presidente para os EUA e para o Mundo.

Foram os Americanos quem o escolheu, não o resto do mundo, mas soberania e democracia é isso mesmo, ganha a vontade do Povo conforme as leis do seu Estado e não o que mais agrada ou convém às outras Nações. Não simpatizo, nem sinto afinidade com o discurso e com o modo de agir de Trump, mas tenho de respeitar a sua legitimidade de ocupar o cargo para o qual concorreu e venceu.

Todavia o respeitar não é estar de acordo com as suas ideias, menos ainda deixar de estar preocupado, na política tão grave quanto ter ideias perigosas é ser-se intempestivo quano se enfrentam contrariedades e Trump defende não só propostas perigosas como reage emotivamente a quente e de forma temerária, o que para uma potência global é um risco enorme para a estabilidade e paz do Planeta. Ser democrata também tem uma componente de saber e aceitar a dor.

Também excluo de reconhecer que Obama também cometeu erros que degradaram as relações de paz na humanidade, não teve culpa de lhe terem atribuído o prémio Nobel da Paz antes de provar que as suas decisões o justificava, mas nem sempre foi sensato no modo como enfrentou o problema do mundo árabe, as ambições russas no leste da Europa e, sobretudo, não compreendeu as dores de muitos americanos da denominada América profunda que se confrontaram com o desemprego, as sequelas da crise financeira e as imposições do capitalismo exacerbado no seu próprio País e daí muito do voto de protesto das passadas presidenciais, mas ao menos o Presidente que agora abandona a Casa Branca parecia ser capaz de fazer exames de consciência e de tentar corrigir-se para bem do seu Povo e do Planeta.

Trump pode até nem ser tão mau em consciência quanto a batalha ideológica faz crer, mas o modo impulsivo e radical com que explora as contrariedades e muito dos seus argumentos provocam receios a quem, como eu, considera o bom-senso e o humanismo como algo fundamental na política para evitar injustiçase conflitos sociais, ideológicos ou mesmo bélicos de efeitos imprevisíveis. Que Deus proteja a América e o Mundo.

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O que mais me surpreendeu em 2016 foi mesmo a derrota em outubro dos políticos do Faial que desculpavam estratégias que prejudicavam esta ilha. Destaco o à vontade com que desde então deram a volta ao seu discurso, passando até a criticar a administração da SATA e a reconhecer a importância de ampliação da pista da Horta como se em setembro nem tivessem rejeitado votos de protesto sobre os mesmos assuntos. Mas assumo ainda bem que juntaram a sua voz aos que falavam alto em defesa desta ilha. Espero apenas que não seja fogo de vista e que esta viragem dê frutos até outubro próximo. Ao nível do Porto da Horta já estes derrotados tem tido um discurso ambíguo e estão a desresponsabilizar o Governo dos Açores dos atentados que por ali se podem ainda praticar

Não sei até que ponto e por quanto tempo é sustentável financeiramente a estratégia do governo de António Costa, mas que, em termos de imagem da crise, a situação social e económica no final de 2016 parece muito mais apaziguada e com melhores perspetivas de ultrapassar as dificuldades sentidas que o pensado em final de 2015, há que reconhecê-lo. É verdade que os aspetos negativos aparecem esbatidos: nunca o investimento público foi tão baixo, apesar de ser uma das alavancas antes defendida pelos atuais governantes para a retoma, o crescimento ficou muito aquém do anunciado e a dívida pública e juros desta crescem paulatinamente e parecem bombas relógios que temo, também assumo. Agora que o desemprego baixou e isto estava entre o fundamental dos Portugueses, foi um objetivo bem conseguido. A obsessão pela redução do défice que era alvo de críticas aos anteriores governantes passou a ser o maior trunfo dos que agora ocupam o poder, uma mudança substancial e uma bandeira de sucesso, tal como a coesão da esquerda que se mostrou capaz de engolir sapos perante as dificuldades da realidade foi uma surpresa que garantiu uma estabilidade que se duvidava ser conseguida com os acordos da denominada geringonça. Assim, Costa está em alta e surpreendeu pela positiva.

Desportivamente a vitória de Portugal no euro 2016 foi sem dúvida a maior conquista do País e praticamente poucos acreditavam ser possível. A seleção nacional não brilhou nos vários jogos da corrida para a sua meta, mas no momento final arrancou e alcançou um feito que parecia impossível.

Internacionalmente a guerra na Síria e os refugiados pareciam ser os acontecimentos que maiores marcas deixariam em 2016, até que a vitória do Brexit fez mudar os holofotes da Europa para a necessidade de coesão entre os Estados da União e sem dúvida que Merkel e Bruxelas passaram a ser mais tolerantes com os países em dificuldades económicas, mas o que parece mesmo ser o maior fenómeno do ano foi a vitória eleitoral de Trump e, provavelmente, será este o evento que mais irá condicionar a política internacional do futuro próximo ou mesmo distante da Terra, tudo depende de como ele irá mudar a estratégia de enfrentar os problemas internos e externos dos Estados Unidos.

Claro, há outros acontecimentos marcantes, refiro aqui apenas: a chegada a Secretário-Geral das Nações Unidas de Guterres, mas sem dúvida que o prestígio é maior que a eficácia do cargo para este conseguir com eficácia que o mundo rume para uma política global mais justa e humana. Embora de outra índole, não me esqueço da destituição de Dilma Rousseff num Brasil que se afunda na fossa da corrupção que tudo suja, mas lamento que  Lula tenha aceite entrar para o Executivo de molde a deixar a ideia que era para fugir à justiça, mesmo que esta não pareça neste processo mais limpa que os restantes políticos, mas os heróis também devem saber marcar a diferença e ele neste ano não soube, mas este parece-me que é um fenómeno com maior efeitos apenas dentro do Brasil do que a nível Internacional.

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Nunca escondi o meu desagrado como Trump se mostrou na sua candidatura, mas compreendi que ele falava para uma população alvo muito diferente de mim em ideias e em sonhos de vida. Contudo, muitos dos que dizem que o povo é sábio ou tem razão nas suas escolhas eleitorais agora lamentam a opção vencedora dos norteamericanos. Ao menos eu sempre assumi que uma vitória eleitoral só dá legitimidade democrática para governar, não é uma declaração de quem tem a razão ou os valores mais elevados.

Cedo temi que Trump vencesse, não porque a alternativa me despertasse confiança, apenas sentia que esta não propagava ideias contra os imigrantes que fazem o trabalho que muitos americanos fogem mas a quem atribuem do seu desemprego; não se vangloriava de fugir aos impostos como um sinal de esperteza que justificasse aprovação nas urnas; não tinha como projeto o isolacionismo do seu País com barreiras aos outros povos por motivos essencialmente chauvinistas; não privilegiava a supremacia americana sobre o mundo como objetivo central da sua propaganda; nem exibia uma arrogância onde o sonho de ser multimilionário é a prova do valor de uma pessoa e das suas capacidades e evidenciava uma preocupação social e de justiça que alimentava ideais de equidade e dignidade de quem não tem como meta ou a sorte  de poder fazer dinheiro ou foi vítima dos males e azares da vida.

Todavia Hillary tinha telhados de vidro, não tanto por causa dos emails, mas porque tem sido conivente com um sistema que também tem semeado a desigualdade dentro do seu País e, sobretudo, não teve sapiência de gerir a complexidade de problemas internacionais que levaram, junto com a União Europeia, à guerra na Síria, ao declínio do Iraque, à instabilidade no Norte de África e ao recrudescimento do conflito civilizacional entre Ocidente (diferente de cristianismo) e o mundo islâmico a causa principal do problema dos refugiados na Europa. A sua derrota mostra também que Obama não era tão bem visto dentro de portas como o é fora dos Estados Unidos.

Apesar de todos os defeitos em torno da candidatura democrata, a verdade é que o extremismo de linguagem e atitudes de Trump parecem-me ainda mais perigosas, pelo menos a curto-prazo… e para quem diz que o povo é sábio quando vota não tem outro remédio que engolir este sapo, eu pelo menos posso assumir que penso que na sua maioria o eleitor da américa profunda neste caso escolheu a opção mais arriscada, emotiva, de ética duvidosa e pouco racional e por isso considero que escolheu o pior.

Como filho de pais emigrantes, embora regressados a Portugal, chocou-me muito, muito mesmo, ouvir emigrantes portugueses nos EUA apoiarem Trump porque este era contra os novos imigrantes no seu atual país de acolhimento, um argumento que mostra como algumas pessoas querem ser bem tratadas mas não estão disponíveis para o bom tratamento aos outros se tal lhes for inconveniente.

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Já cansa ouvir falar das eleições americanas, porque nenhuma notícia deste tema é boa, os dois principais candidatos não alimentam boas perspetivas de um futuro melhor. Uma Clinton cinzenta da continuidade dos vícios da política em conluio com os defeitos do sistema ou o terror que Trump deixa prever, não só para a América, como também para a visão da humanidade como um todos onde cada indivíduo é igual em direitos, dignidade e deveres. Agravada por um chauvinismo exagerado e perigoso para a maior potência económica e militar do mundo, numa mente que parece desequilibrada em termos de princípios éticos.

Assim, ou a manutenção dos vícios com riscos de problemas com a justiça a seguir ou então o corte com estes hábitos para implantar um radicalismo que pelo anunciado em campanha ainda é pior, parece ser o destino das eleições americanas que se desenrolam esta semana.

Esperemos ao menos que o suspense acabe esta semana e não haja um prolongamento como no tempo da disputa Al Gore versus George W Bush, onde a balança final também me parece que caiu para o lado pior, espero ao menos que agora tal não aconteça.

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O meu artigo de hoje publicado no diário Incentivo:

OS AÇORIANOS ESCOLHERAM A CONTINUIDADE MAS OS FAIALENSES DISSERAM: BASTA!

Sempre tive consciência de que quando escrevia e pensava que o Faial ao longo dos últimos anos fora desfavorecido em investimento público face a outras ilhas da Região estava implícito que considerava que, pelo menos em termos de construção de projetos, nessas terras favorecidas do Arquipélago as suas populações poderiam ter razões para estar satisfeitas com o Governo dos Açores, pelo que se não votassem no partido que o apoiava é porque teriam outras razões de descontentamento diferentes das desta ilha tão prejudicada.

Assim, não estranhei que nas ilhas onde o Governo anterior fez mais investimentos e onde vivem mais Açorianos o PS-Açores fosse a força política mais votada nas legislativas do passado domingo. Não era coerente eu dizer que essas terras estavam a ser favorecidas em relação à minha e depois esperar que por lá a população também estivesse tão descontente como eu.

Todavia e olhando para o passado, já não era a primeira vez que o Faial após ser maltratado pelo Governo dos Açores vi aqueles que trataram mal os Faialenses ou os de cá que não nos defenderam não tinham sido punidos eleitoralmente pela maioria dos residentes nesta ilha, por isso tinha dúvidas se a população desta Terra tinha coragem de dizer: Basta de maus-tratos! Mas ao contrário do passado, desta vez dois em cada três dos votantes desta ilha disseram: Basta!

Efetivamente o Faial tem sido prejudicado face a outras terras do Arquipélago e muitos Faialenses tinham-se acomodado ao mau tratamento dado a esta ilha ou tinham-se deixado enganar, permitindo assim que esta situação continuasse impune.

Como não são os votos em urnas que validam as ideias ou condicionam o meu carácter, mesmo nas derrotas continuei a falar em defesa do Faial e agora penso continuar com a mesma persistência de sempre e insistirei nos projetos que considero fundamentais para esta ilha, nomeadamente: a melhoria das ligações aéreas e das condições de segurança da pista da Horta, como os dois principais problemas que condicionam a economia da ilha; a alertar para que se assegure que as obras encolhidas no porto não comprometem a sua operacionalidade futura; a reivindicar a variante para que o centro da cidade fique mais disponível para os peões e não sirva de zona principal de passagem do trânsito do lado sul para o norte da ilha e assim melhorar a qualidade de vida das pessoas na Horta e ainda continuarei a reclamar por investimentos económicos geradores de emprego que permitam às novas gerações ter trabalho para que aqui possam viver em condições dignas de forma sustentável. Sem esquecer outros como as valências do hospital, etc.

Contudo saber que dois terços dos votantes Faialenses estão descontentes com o facto de o Faial estar a ser maltratado e de ainda terem tido coragem de punir nas urnas quem tem votado contra os protestos pelo mau serviço da Azores Airlines, votado contra moções por lembrarem que a nossa Câmara deve liderar a defesa da nossa ilha e ainda desculpar o não atendimento das justas reivindicações de investimentos e promessas para esta Terra devido a diretrizes partidárias ou do Governo dos Açores, remetendo para segundo plano a defesa da população local, o último resultado eleitoral dá força a todos aqueles, todos mesmo, que têm mobilizado gente, levantado a voz, trabalhado e escrito em diversos locais, inclusive nos órgãos competentes onde estavam legitimamente eleitos como oposição para a necessidade do PS mudar de atitude em relação à cidade e a todo o concelho da Horta.

Na realidade muita da arrogância que vi resultou da impunidade dos eleitos como representantes dos Faialenses serem os porta-vozes e desculpadores do desinvestimento e maus-tratos que eram dados pelo poder ao Faial, precisamente vindo daqueles que tinham maior obrigação de defendê-lo, por terem mais força. Felizmente o povo Faialense numa esmagadora maioria agora disse: Basta!

Espero que aqueles que antes não foram punidos mudem agora de atitude sem retaliarem por terem sido justamente castigados, um cenário possível que receio e não elimino, desejo antes que vejam neste resultado uma forma de se redimirem e comecem finalmente a defender sem pruridos o Faial.

Não me custa colaborar com quem pensa ideologicamente diferente de mim ou pertence a um partido distinto se tal for em prol da minha terra. Mas doía ver a vanglória daqueles que maltrataram esta terra por se sentirem sempre perdoados pelos Faialenses dos seus maus-tratos ao Faial, usando o argumento das suas sucessivas vitórias mesmo após o mau serviço prestado à nossa ilha azul.

Não há motivo para baixar os braços na luta pela defesa do Faial, mas agora sabemos que o Faialense quer estar com aqueles que nesta ilha se esforçam para que as justas reivindicações desta terra se concretizem e espero que todas as forças política coloquem este objetivo como prioridade absoluta, sobretudo aquela que perdeu neste círculo e ganhou ao nível Açores, até porque tem um ano para demonstrar de que é capaz de reverter o mal que já permitiu e assim compensar o Faial.

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Num dia em que a maioria dos votantes Açorianos deu o seu voto à continuidade do Governo PS, no Faial e em contraciclo, dois em cada três Faialenses votaram num partido que se opunha ao PS e, inclusive, deram como força de ilha vencedora o PSD. Assim dois terços dos eleitores que se expressaram nas urnas disseram: Basta de o PS maltratar o Faial! Basta de sermos mal defendidos pelos deputados rosa que optaram por colocar em primeiro lugar as posições do partido em prejuízo do Faial! Basta de termos eleitos a votar contra os protestos aos maus-tratos à nossa ilha!

Há muito tempo que os Faialenses não puniam quem os maltratavam, agora disseram: BASTA!

Um desafio agora também se coloca a todos os representantes de dois terços dos Faialenses, não apenas aos dois deputados eleitos pelo PSD, mas sim a todas as forças políticas que nestes tempos atraíram o descontentamento dos Faialenses, existem divergências ideológicas e programáticas entre estas, mas espero que sejam capazes de unir as vozes e aos esforços para defenderem em primeiro lugar o Faial.

A todos os eleitos espero que doravante sejam vozes que defendam alto e a bom som o Faial e aqueles que antes se calaram e até tomaram posições contra o Faial tenham aprendido a lição e mudem de comportamento.

Hoje voltei a ter orgulho em ver os Faialenses serem capazes de protestar.

VIVA O FAIAL!

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