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Posts Tagged ‘eleições’

O Reino Unido votou no Brexit porque não estava disposto aos sacrifícios que a União Europeia necessita para coexistir, apesar das muitas críticas de falta de solidariedade dentro desta. A Primeira-ministra do RU convoca eleições para reforçar o poder negocial do país no Brexit, ela que fora contra, mas os britânicos curiosamente dão num voto que enfraquece a sua capacidade negocial e pode gerar uma crise económica na ilha. São mesmo estranhos estes ingleses que pensam como se fossem os maiores do mundo e começaram a dar tiros nos seus próprio pés sucessivamente.

Curiosamente, muitos dos que se congratularam com o Brexit do lado lusitano faziam-no porque queriam enfraquecer a UE, numa linguagem onde tanto querem a solidariedade europeia para nos ajudarem como querem colocar os pés fora da União, mas já comecei a ver congratulações nestes por o Reino Unido ficar mais fraco com o resultado eleitoral que as projeções estão a dar.

Não é o mundo que está louco, é apenas a visão eleitoralista dos partidos e das ideologias a curto-prazo que nesta continua contradição para ganhos imediatos envenena também a democracia a longo-prazo. Efetivamente votar no brexit e a seguir votar no enfraquecimento negocial deste é mesmo de uma incoerência a toda a prova.

Portugal, há muito, e o Reino Unido nos últimos tempos têm levado esta incoerência aos píncaros da democracia, as consequências veremos no futuro. Para já penso que esta noite a UE deve estar intrigada, mas a rir-se do comportamento dos lordes ingleses com este tiro no pé.

 

 

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo:

O QUE ERAM OS ANOS DE AUTÁRQUICAS NO FAIAL E O QUE É AGORA

Lembro-me bem do desfile de inaugurações que ocorria em ano de eleições autárquicas no Faial antigamente. Presidentes de Junta de Freguesia e da Câmara Municipal andavam então numa corrida de corta-fitas e de primeiras-pedras das obras resultantes do mandato que estavam a terminar. Era a forma de apresentar os frutos do seu trabalho aos Faialenses antes da ida às urnas.

Lembro-me também do desagrado das oposições com tanta inauguração e primeiras-pedras antes das eleições, pois os deixava sem discurso e assim tinham de se esforçar por apresentar ideias diferentes no seu programa em detrimento de apontar o que não fora feito.

Lembro-me, quando fui candidato à minha freguesia, me terem aconselhado que no meu programa eleitoral deveria constar o que pretendia, podia fazer e tivesse condições para arrancar ou concluir até ao final do mandato, pois os projetos repetidos para as autárquicas seguintes e não iniciados formavam a lista das promessas não cumpridas.

Era assim noutros tempos, outros modos de fazer política e onde o Faial ficava a ganhar com a exposição do trabalho realmente feito no terreno e à mostra dos Faialenses.

Depois isto começou lentamente a mudar, primeiro foi o discurso “the small is beautiful” ou “o pequeno é bonito”, para justificar a execução ou aceitação de projetos menores do que os anteriormente prometidos. Foi o início do tempo em que no desenvolvimento socioeconómico e infraestrutural o Faial começou a ficar para trás face a outras ilhas.

Após o sismo de 1998, houve autarcas a justificar o adiamento de projetos prometidos a esta terra, pois não queriam a ilha transformada em estaleiro e iniciou-se a fase onde as promessas para um mandato passaram a ter desculpas para não ser cumpridas e começou-se impunemente a repetir as mesmas propostas de 4 em 4 anos, atrasando-as mesmo décadas com desculpas esfarrapadas.

Esta degradação foi progressiva e o Faial foi ficando sempre para trás face a outras ilhas onde esta estratégia não pegava. Assim, não admira que no corrente ano de 2017 se veja a Câmara a apresentar novas versões de projetos antes prometidos, parecendo até novas promessas para o próximo mandato, mas que já se arrastam há anos e já foram comunicadas em anteriores autárquicas, repetindo a velha estratégia: dar a ideia de que é desta que vai ser. Só que a experiência mostra que no passado tal não levou a nada. É apenas o disfarce para a lista das promessas não cumpridas conforme me ensinaram antigamente e só se deixa enganar de novo quem quer.

Já perdi a conta às ideias e às versões dos projetos para a frente mar da Horta, mas esta nunca arrancou. Já não sei quantas vezes se disse o que se vai fazer para o Mercado Municipal, mas após tantos anos a obra nunca começou. Já mudou a quantidade e os locais de parques de estacionamento para o centro da cidade, umas vezes é a céu aberto, outras em silos de vários andares, só não surgiram os parques que de tempos a tempos se prometeram. Eis alguns de tantos exemplos.

Não me esqueço da prosápia com que nos tempos últimos se anunciou a primeira intervenção do saneamento básico da Horta, mas recordo-me bem quando, há mais de uma década atrás, na Assembleia Municipal a bancada a oposição propunha o faseamento deste trabalho para acelerar o seu arranque e o executivo avançar ao ritmo das suas possibilidades sem comprometer as finanças da Câmara. A sugestão foi criticada por não acreditarmos na capacidade anunciada do município, mas após tantos anos seguiram mesmo o velho conselho que então se deu, só não houve agora a humildade de assumir o atraso, nem a autoria da estratégia de fasear este investimento.

Este ano, reconheço, inauguraram bancos no jardim da República substituindo-os por outros iguais aos de antigamente, algo que não estava prometido nas últimas autárquicas, mas nem quero imaginar no que se diria há 20 ou 30 anos se um corta-fitas fosse para fazer uma correção de uma asneira de mau gosto e apenas voltar a repor algo igual ao que de bonito existia antes.

Há uma área que em todas as autárquicas vinha ao de cima: a rede de abastecimento de água; mas parece que no último mandato fizeram-se de facto investimentos que há muito foram sucessivamente adiados. Talvez fiquem corrigidas as disfunções do passado neste setor, mas com tantos outros adiamentos e tantas mais obras que não saíram do papel, virando apenas a projetos alterados reanunciados, não admira que o município tenha poupado dinheiro e diminuído as dívidas. Boa gestão era executarem-se as obras prometidas e ainda assim reduzir o endividamento.

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Apesar do candidato mais votado na primeiro volta ser de centro, penso que, tal como eu, mais liberal na economia e mais de esquerda nos costumes, o chocante foi ver que as duas pessoas com discursos extremos, de esquerda ou direita, obterem mais 40% dos votos, partilhando a ideia de desconfiar do euro e da União Europeia. Pelo crescimento desta tendência, por um lado ou outro, num futuro mais ou menos próximos podemos assistir a um “frexit“.

Tristemente os motivos da extrema esquerda ou direita são nacionalistas de não solidariedade, pois tanto um diz que se é contra a UE por não querer submeter-se a diretivas de integração dos estados europeus como o outro porque não quer gastar dinheiro para ajudar povos estrangeiros: o resultado é o mesmo – egoísmo nacionalista.

Se o centro não for capaz de procurar um caminho mais justo para os povos que governa abre-se de facto a porta a alternativas ainda mais sombrias em termos humanitários.

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Conforme as regras da democracia dos EUA Donald Trump ganhou as últimas eleições presidenciais do seu País e é empossado hoje como Presidente da maior potência económica e militar da Terra. Não sei se Trump será tão perigoso como me aparenta, mas que me parece portador de instabilidade para o seu País e o Planeta, parece-me. Faço votos que me surpreenda pela positiva, para bem dos Americanos e da Humanidade, não piorar a situação atual já seria uma boa surpresa, espero que me engane e ele venha a ser um bom Presidente para os EUA e para o Mundo.

Foram os Americanos quem o escolheu, não o resto do mundo, mas soberania e democracia é isso mesmo, ganha a vontade do Povo conforme as leis do seu Estado e não o que mais agrada ou convém às outras Nações. Não simpatizo, nem sinto afinidade com o discurso e com o modo de agir de Trump, mas tenho de respeitar a sua legitimidade de ocupar o cargo para o qual concorreu e venceu.

Todavia o respeitar não é estar de acordo com as suas ideias, menos ainda deixar de estar preocupado, na política tão grave quanto ter ideias perigosas é ser-se intempestivo quano se enfrentam contrariedades e Trump defende não só propostas perigosas como reage emotivamente a quente e de forma temerária, o que para uma potência global é um risco enorme para a estabilidade e paz do Planeta. Ser democrata também tem uma componente de saber e aceitar a dor.

Também excluo de reconhecer que Obama também cometeu erros que degradaram as relações de paz na humanidade, não teve culpa de lhe terem atribuído o prémio Nobel da Paz antes de provar que as suas decisões o justificava, mas nem sempre foi sensato no modo como enfrentou o problema do mundo árabe, as ambições russas no leste da Europa e, sobretudo, não compreendeu as dores de muitos americanos da denominada América profunda que se confrontaram com o desemprego, as sequelas da crise financeira e as imposições do capitalismo exacerbado no seu próprio País e daí muito do voto de protesto das passadas presidenciais, mas ao menos o Presidente que agora abandona a Casa Branca parecia ser capaz de fazer exames de consciência e de tentar corrigir-se para bem do seu Povo e do Planeta.

Trump pode até nem ser tão mau em consciência quanto a batalha ideológica faz crer, mas o modo impulsivo e radical com que explora as contrariedades e muito dos seus argumentos provocam receios a quem, como eu, considera o bom-senso e o humanismo como algo fundamental na política para evitar injustiçase conflitos sociais, ideológicos ou mesmo bélicos de efeitos imprevisíveis. Que Deus proteja a América e o Mundo.

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O que mais me surpreendeu em 2016 foi mesmo a derrota em outubro dos políticos do Faial que desculpavam estratégias que prejudicavam esta ilha. Destaco o à vontade com que desde então deram a volta ao seu discurso, passando até a criticar a administração da SATA e a reconhecer a importância de ampliação da pista da Horta como se em setembro nem tivessem rejeitado votos de protesto sobre os mesmos assuntos. Mas assumo ainda bem que juntaram a sua voz aos que falavam alto em defesa desta ilha. Espero apenas que não seja fogo de vista e que esta viragem dê frutos até outubro próximo. Ao nível do Porto da Horta já estes derrotados tem tido um discurso ambíguo e estão a desresponsabilizar o Governo dos Açores dos atentados que por ali se podem ainda praticar

Não sei até que ponto e por quanto tempo é sustentável financeiramente a estratégia do governo de António Costa, mas que, em termos de imagem da crise, a situação social e económica no final de 2016 parece muito mais apaziguada e com melhores perspetivas de ultrapassar as dificuldades sentidas que o pensado em final de 2015, há que reconhecê-lo. É verdade que os aspetos negativos aparecem esbatidos: nunca o investimento público foi tão baixo, apesar de ser uma das alavancas antes defendida pelos atuais governantes para a retoma, o crescimento ficou muito aquém do anunciado e a dívida pública e juros desta crescem paulatinamente e parecem bombas relógios que temo, também assumo. Agora que o desemprego baixou e isto estava entre o fundamental dos Portugueses, foi um objetivo bem conseguido. A obsessão pela redução do défice que era alvo de críticas aos anteriores governantes passou a ser o maior trunfo dos que agora ocupam o poder, uma mudança substancial e uma bandeira de sucesso, tal como a coesão da esquerda que se mostrou capaz de engolir sapos perante as dificuldades da realidade foi uma surpresa que garantiu uma estabilidade que se duvidava ser conseguida com os acordos da denominada geringonça. Assim, Costa está em alta e surpreendeu pela positiva.

Desportivamente a vitória de Portugal no euro 2016 foi sem dúvida a maior conquista do País e praticamente poucos acreditavam ser possível. A seleção nacional não brilhou nos vários jogos da corrida para a sua meta, mas no momento final arrancou e alcançou um feito que parecia impossível.

Internacionalmente a guerra na Síria e os refugiados pareciam ser os acontecimentos que maiores marcas deixariam em 2016, até que a vitória do Brexit fez mudar os holofotes da Europa para a necessidade de coesão entre os Estados da União e sem dúvida que Merkel e Bruxelas passaram a ser mais tolerantes com os países em dificuldades económicas, mas o que parece mesmo ser o maior fenómeno do ano foi a vitória eleitoral de Trump e, provavelmente, será este o evento que mais irá condicionar a política internacional do futuro próximo ou mesmo distante da Terra, tudo depende de como ele irá mudar a estratégia de enfrentar os problemas internos e externos dos Estados Unidos.

Claro, há outros acontecimentos marcantes, refiro aqui apenas: a chegada a Secretário-Geral das Nações Unidas de Guterres, mas sem dúvida que o prestígio é maior que a eficácia do cargo para este conseguir com eficácia que o mundo rume para uma política global mais justa e humana. Embora de outra índole, não me esqueço da destituição de Dilma Rousseff num Brasil que se afunda na fossa da corrupção que tudo suja, mas lamento que  Lula tenha aceite entrar para o Executivo de molde a deixar a ideia que era para fugir à justiça, mesmo que esta não pareça neste processo mais limpa que os restantes políticos, mas os heróis também devem saber marcar a diferença e ele neste ano não soube, mas este parece-me que é um fenómeno com maior efeitos apenas dentro do Brasil do que a nível Internacional.

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Nunca escondi o meu desagrado como Trump se mostrou na sua candidatura, mas compreendi que ele falava para uma população alvo muito diferente de mim em ideias e em sonhos de vida. Contudo, muitos dos que dizem que o povo é sábio ou tem razão nas suas escolhas eleitorais agora lamentam a opção vencedora dos norteamericanos. Ao menos eu sempre assumi que uma vitória eleitoral só dá legitimidade democrática para governar, não é uma declaração de quem tem a razão ou os valores mais elevados.

Cedo temi que Trump vencesse, não porque a alternativa me despertasse confiança, apenas sentia que esta não propagava ideias contra os imigrantes que fazem o trabalho que muitos americanos fogem mas a quem atribuem do seu desemprego; não se vangloriava de fugir aos impostos como um sinal de esperteza que justificasse aprovação nas urnas; não tinha como projeto o isolacionismo do seu País com barreiras aos outros povos por motivos essencialmente chauvinistas; não privilegiava a supremacia americana sobre o mundo como objetivo central da sua propaganda; nem exibia uma arrogância onde o sonho de ser multimilionário é a prova do valor de uma pessoa e das suas capacidades e evidenciava uma preocupação social e de justiça que alimentava ideais de equidade e dignidade de quem não tem como meta ou a sorte  de poder fazer dinheiro ou foi vítima dos males e azares da vida.

Todavia Hillary tinha telhados de vidro, não tanto por causa dos emails, mas porque tem sido conivente com um sistema que também tem semeado a desigualdade dentro do seu País e, sobretudo, não teve sapiência de gerir a complexidade de problemas internacionais que levaram, junto com a União Europeia, à guerra na Síria, ao declínio do Iraque, à instabilidade no Norte de África e ao recrudescimento do conflito civilizacional entre Ocidente (diferente de cristianismo) e o mundo islâmico a causa principal do problema dos refugiados na Europa. A sua derrota mostra também que Obama não era tão bem visto dentro de portas como o é fora dos Estados Unidos.

Apesar de todos os defeitos em torno da candidatura democrata, a verdade é que o extremismo de linguagem e atitudes de Trump parecem-me ainda mais perigosas, pelo menos a curto-prazo… e para quem diz que o povo é sábio quando vota não tem outro remédio que engolir este sapo, eu pelo menos posso assumir que penso que na sua maioria o eleitor da américa profunda neste caso escolheu a opção mais arriscada, emotiva, de ética duvidosa e pouco racional e por isso considero que escolheu o pior.

Como filho de pais emigrantes, embora regressados a Portugal, chocou-me muito, muito mesmo, ouvir emigrantes portugueses nos EUA apoiarem Trump porque este era contra os novos imigrantes no seu atual país de acolhimento, um argumento que mostra como algumas pessoas querem ser bem tratadas mas não estão disponíveis para o bom tratamento aos outros se tal lhes for inconveniente.

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Já cansa ouvir falar das eleições americanas, porque nenhuma notícia deste tema é boa, os dois principais candidatos não alimentam boas perspetivas de um futuro melhor. Uma Clinton cinzenta da continuidade dos vícios da política em conluio com os defeitos do sistema ou o terror que Trump deixa prever, não só para a América, como também para a visão da humanidade como um todos onde cada indivíduo é igual em direitos, dignidade e deveres. Agravada por um chauvinismo exagerado e perigoso para a maior potência económica e militar do mundo, numa mente que parece desequilibrada em termos de princípios éticos.

Assim, ou a manutenção dos vícios com riscos de problemas com a justiça a seguir ou então o corte com estes hábitos para implantar um radicalismo que pelo anunciado em campanha ainda é pior, parece ser o destino das eleições americanas que se desenrolam esta semana.

Esperemos ao menos que o suspense acabe esta semana e não haja um prolongamento como no tempo da disputa Al Gore versus George W Bush, onde a balança final também me parece que caiu para o lado pior, espero ao menos que agora tal não aconteça.

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