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Posts Tagged ‘Comunicação social’

Foi triste que, num dia com ondas de 13 metros e sem qualquer alerta da proteção civil, a notícia de que a vila da Madalena do Pico assistira incrédula ao galgamento da sua zona costeira com a destruição de uma exposição, de um bar premiado pela sua arquitetura e do maior molhe do seu porto, tenha sido relegada pela RTP-Açores para segundo plano para se dar primazia à dúvida de quem compete pagar o transporte para a Região do cadáver de um Açoriano presidiário e a cumprir pena no Continente que infelizmente faleceu fora dos Açores.

Não está em causa a questão levantada ao nível da competência de custos, está sim em causa que não se dê o devido destaque da importância de um acontecimento numa vila Açoriana que sofreu graves danos durante uma maresia, situação que além dos impactes financeiros à escala local também são do orçamento regional e implicará transtornos para numerosos habitantes de duas ilhas dos Açores, Pico e Faial, que foi relevada para segundo plano, talvez apenas porque não ocorreu em São Miguel, ao contrário da origem do falecido micaelense. Uma vergonha secundarizar aquela noticia face a esta denúncia.

Para se ser Açoriano, como a RTP- Açores se julga que é, não basta ter no seu nome a palavra Açores, é preciso tratar todas as ilhas com o devido respeito e não dar primazia a um caso apenas porque está relacionado com São Miguel e relegar para trás o que de mais importante acontece na sua área de abrangência quando não ocorre na ilha política e economicamente mais forte do Arquipélago.

Apesar de ser Carnaval, este comportamento da RTP-Açores é indigno e leva-se a mal.

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Incidentes violentos sempre foram acontecimentos relativamente comuns ao nível global, desde e a redes mediáticas há muito que os noticiam, com cobertura local nos casos em que há alguns poucos feridos ou mortos, regional se esse número for um pouco maior nacional ou internacional se atingir a ordem de dezenas ou centenas de mortos e feridos.

Atos tresloucados são uma das causas comuns destes incidentes violentos, tal como rixas entre gangues, questões passionais pessoais e vinganças entre pessoas pelos motivos mais diversos ou mesmo ações de pressão por grupos de banditismo organizados, qualquer um destes acontecimentos não são considerados terrorismo pois não tem motivações políticas ou de guerrilha ideológica.

Todavia nos últimas semanas praticamente qualquer incidente nas cidades da Europa e dos Estados Unidos é automaticamente noticiado globalmente e acompanhado de suspeitas de serem possíveis atos terroristas, dando uma perceção que o terrorismo está num crescente imparável nos últimos tempos.

É verdade que existem razões de preocupação para os serviços de inteligência e segurança estarem atento e em vigilância permanente, mas não há necessidade de colocar as populações já em estado de pânico e ansiedade antes do tempo e ultimamente a comunicação social está a valorizar em demasia estes casos aumentando psicologicamente a sensação de insegurança na nossa sociedade.

Bom-senso na comunicação social também é preciso no combate ao terrorismo, caso contrário, este pode assenhorar-se de tudo o que é violência para alastrar a ideia de que estão a vencer a sua guerra.

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Meu artigo de ontem no Incentivo:

SEIS MESES DE COSTA E A GREVES DOS ESTIVADORES

  1. Os políticos, tal como os jornalistas, têm horror ao silêncio, aos períodos de reflexão ou de espera para se amadurecer a análise de uma situação, resolver um problema ou alcançar um resultado de uma estratégia.

Os políticos não conseguem controlar a ansiedade e esperar para emitir uma opinião balizada sobre os frutos de uma decisão: se são da oposição, sentem logo a obrigação de criticar e desfazer uma opção acabada de tomar; se são do lado do poder, apoiam imediatamente a decisão do governante a dizer que não havia alternativa melhor. Assim, as partes mantêm um conflito partidário em lugar de cooperar em prol do interesse público e do desenvolvimento socioeconómico da população.

Os jornalistas também não suportam esperar por um resultado final, insistem que o político fale sobre perspetivas para depois ter matéria para divulgar, mesmo que apenas alimente o confronto partidário e não sejam notícias amadurecidas, intrigas que enchem os meios de comunicação social de declarações inúteis que prendem o leitor, o ouvinte ou o telespetador.

O atual governo do PS, com o apoio da CDU e do BE, apenas está há seis meses no poder, mas desde a primeira hora não há resultado positivo que a esquerda não ostente a bandeira do sucesso da nova política e não há dado mau que a oposição não avise os Portugueses que o País vai descarrilar ao seguir a nova via. Tudo isto é acompanhado por um Presidente da República, que na sua vida foi jornalista e político, pelo que fala a dobrar sobre tudo o que é importante ou acessório e de comentador político virou a conselheiro e intermediário entre todos, atraindo a si simpatias mas sem favorecer de facto entendimentos entre as forças políticas em jogo, tal como diz desejar.

Seis meses de governação é um escassíssimo tempo para se tirar qualquer conclusão sobre o saldo final da estratégia que António Costa tem em curso. Basta só ver que sempre que alguma estatística má sai, imediatamente o Executivo e seus apoiantes responsabilizam os governantes do passado, lavando todas as suas culpas; mas se um dado é bom, logo o Primeiro-ministro chama a si todo o sucesso sem reconhecer nenhum louro do trabalho anterior. São assim sempre os períodos de transição entre governos de cores diferentes, até que se limpem as nuvens do desgaste dos que saíram do poder e a continuação das dificuldades da vida comecem a ensombrar-se as auroras de esperança colocadas na equipa que entrou.

Tenho de assumir que eu não sei ainda se Portugal vai desembocar numa nova crise económica ou não e, se sairmos, se haverá necessidade de mais ou menos sacrifícios que os atuais para saldar as dívidas que herdámos após anos a gastar o que não tínhamos e a vivermos como se a Europa fosse apenas uma mera benemérita da nossa economia: uns são totalmente otimistas, outros visceralmente pessimistas sobre o momento que atravessamos. Como não sei ainda se vamos por um bom ou mau caminho, espero com calma para perceber no que isto vai dar.

  1. Felizmente a greve dos estivadores do porto de Lisboa já chegou ao fim e nestes conflitos a razão raramente está apenas de um lado, mas esta questiúncula estava a prejudicar e muito todo o País e, dada à especificidade geográfica insular, mais ainda os Açores e a Madeira.

Todavia, esta greve também mostrou que, apesar do inovador quadro de apoio parlamentar do atual governo do PS, suportado pela primeira vez pelos partidos da extrema-esquerda, há coisas nestes que não mudam. Se estávamos habituados a que sempre que houvesse um conflito laboral estes partidos, que nunca seguraram qualquer governo, estivessem sempre de forma incondicional do lado do sindicato e contra o poder, desta vez também não foi diferente. Foi interessante ver o BE dizer em pleno Parlamento como o Primeiro-ministro tinha de resolver o conflito através de uma declaração toda colada ao sindicato e sem qualquer consideração com o facto da Ministra do Mar estar naquele momento a mediar negociações para o entendimento entre as duas partes em conflito pelo que se precisava de um Governo isento para viabilizar um acordo.

Igualmente vi eleitos pelos Açorianos da mesma força política que, mesmo perante os prejuízos que as populações do Arquipélago estavam a ter com esta greve, assumiram a mera propaganda dos sindicatos nesta luta. Assim, se uns ideologicamente se cegam com os argumentos do patronato, outros não conseguem defender o Povo que representam e privilegiam a luta de classes de um grupo particular em detrimento de uma População inteira.

É por exemplos deste que não consigo encontrar bom senso nas forças políticas que se afastam do centro ideológico entre a esquerda e a direita, aqui, apesar de muitos vícios que resultam dos compromissos entre partes próximas, ainda é possível equilíbrios entre os aspetos positivos e negativos que vislumbro em ambos os lados políticos sem a cegueira das posições extremadas.

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Desde o escândalo da prisão de Sócrates que não tenho comentado este caso judicial, até porque, como tenho dito várias vezes, o meu problema com o ex Primeiro-ministro relaciona-se com o facto de ficar impune o ter deixado Portugal à beira da bancarrota que nos levou ao resgate financeiro e reféns dos credores, e não com os aspetos de corrupção que ele é alvo na investigação e este assunto deixo por agora a cargo da justiça, independentemente de vir a concluir-se pela inocência ou culpabilidade do arguido.

Já no que se refere à providência cautelar que impede o grupo de comunicação social Cofina, proprietário do jornal Correio da Manhã e da revista Sábado, de publicar notícias sobre o processo Marquês  não tenho dúvida em qualificá-la como do regresso da censura a Portugal. Curiosamente não diretamente através do poder político, como seria de esperar, mas através do poder judicial.

Não sei se é legal ou constitucional, sei que se for alguma destas coisas é a Constituição e a Lei que estão mal e, consequentemente, mesmo que esteja coberto pela letra da legislação, o poder judicial está a agir contra os princípios da ética, da moral e da Justiça e concordo com as considerações do sindicato dos jornalistas.

Podia-se questionar igualmente os princípios que permitiram o poder judicial deixar retido o arguido tanto tempo para investigação sem acusação, embora neste caso a lei tenha sido feita quando o investigado era o líder do poder político executivo e legislativo em Portugal. A Lei pode estar mal, mas a vítima é a maior culpada por ter viabilizado tal aberração.

Agora a Comunicação Social, apesar de ser chamada de quarto poder em democracia, nunca faz a Lei nem a aplica e por isso a decisão da juiz só tem uma classificação: Censura e limitação da liberdade de imprensa. Algo que Portugal deixara de assistir desde o PREC e a força líder deste período revolucionário nem ainda chegou ao poder desde então…

Não sou um habitual leitor dos órgãos de comunicação social do grupo Cofina, mas neste momento estou plenamente solidário com esta vítima da reintrodução em Portugal da Censura e da limitação da liberdade de imprensa através do poder judicial.

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Um dia os jornais e os Portugueses denunciam que há médicos que devido a trabalho suplementar ganham salários milionários, no outro fazem parangonas nos jornais porque devido aos baixos salários do pessoal de saúde, médicos e enfermeiros emigram para outros Países, aliás existem mesmo notícias que informam que membros da União Europeia já cativam os estudantes de saúde para saírem de Portugal ainda nas Universidades.

Um dia grita-se em Portugal que os medicamentos estão demasiado caros no País, mas no outro denuncia-se o Governo por estar a negociar novos medicamentos para preços aceitáveis porque a vida não tem preço e por isso aqueles já deveriam estar disponíveis a qualquer preço.

Um dia usa-se as estatísticas para afirmar que Portugal vai no mau caminho pois o desemprego está a piorar, mas no dia em que as estatísticas informam que o desemprego está a melhorar, logo surge uma série de críticos a reformular os critérios da estatística porque as coisas não podem estar a melhorar.

É assim este Portugal crispado que está mal, mas com tanta contradição também começo a duvidar se este País merece  mesmo estar melhor…

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Não sei o que se passará no futuro próximo e mais distante na Grécia, sei que o problema grego por si só conseguiu que desaparecessem da comunicação social casos ainda mais perigosos para o futuro da humanidade e da Europa.

No primeiro caso está a situação do Estado Islâmico (daesh), a sua expansão na Síria e o recrutamento de jovens por todo o mundo, incluindo o ocidental. A verdade é que parece que esta guerra está cada vez mais pujante e em paralelo com a Al Qaeda pode ser o início de um próximo conflito civilizacional global… mas apesar das últimas vitórias e conquistas deste EI, infelizmente, na comunicação social só dava Grécia.

No segundo caso está a situação cada vez mais degradada da Ucrânia, talvez nalguns espaços nem haja multibancos para as pessoas poderem fazer fila, há apenas refugiados de guerrra, mas este País que confiou no ocidente está deixado à sua sorte perante o desnorte da União Europeia, aqui nem é o sistema financeiro e as amarras da eurozona, é mesmo o abandono de um povo mártir que pelos vistos tem um futuro muito mais negro que o dos cidadãos gregos que abafaram a sua causa.

A questão do terrorismo também silenciosamente deve estar a crescer como indiciou o caso da Tunísia imediatamente antes, a Palestina nada deve ter melhorado nestes tempos, mas tudo a Grécia abafou, é assim o mundo atual cujo pensamento é dominado mais pelo melhor vendável a curto prazo na comunicação social do que pela realidade dos factos complexos e mais significativos para o futuro da civilização.

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O meu artigo de ontem no diário Incentivo:

MAIS UM SINAL DE DESPREZO PELO FAIAL E FAIALENSES

Sou autarca desde 1993, no início como Presidente de Junta de Freguesia e desde 2001 apenas como membro efetivo da Assembleia Municipal, por isso neste órgão autárquico, primeiro por inerência, depois por eleição direta, tenho assento vai já para 22 anos, onde se discute, com mais ou menos frutos, temas relativos ao concelho da Horta, que geograficamente coincide com a ilha do Faial.

Desde o início, com Presidentes da Assembleia Municipal da mesma cor do Governo dos Açores ou de cor diferente, coincidindo aquele ou não com o do partido vencedor da Câmara, habituei-me a que, na sequência de votos aprovados antes da ordem do dia, de discussões na ordem de trabalhos ou devido a participação do público, se questionassem departamentos do Governo Regional sobre dúvidas levantadas nas reuniões. Habituei-me também que estas perguntas fossem respondidas pelos órgãos interpelados, independentemente de se ficar satisfeito com o seu conteúdo ou não.

Em abril de 2014, numa Assembleia Municipal realizada na Praia do Norte, este órgão autárquico teve a participação de uma cidadã em representação da sua família a informar sobre um investimento no ramo da inspeção automóvel que esta levara a cabo no Faial que, segundo a mesma, estava concluído e respeitava as exigências legais, mas não conseguia o licenciamento para exercer a atividade, pior, não sabia das razões da demora na obtenção da licença. Por isso, como munícipe, interpelava aquele órgão autárquico no sentido deste mover diligências para oficialmente obter uma resposta sobre este assunto que a preocupava e lesava o projeto no qual se aplicara dinheiro, mantinha custas de manutenção, mas sem quaisquer receitas.

Com a concordância de todos os grupos municipais o Presidente da Assembleia Municipal assumiu oficialmente questionar o departamento competente do Governo Regional. Largos meses depois a mesma cidadã, não tendo obtido qualquer resposta escrita sobre a sua diligência, tentou saber os resultados da mesma através de nova participação numa sessão realizada na Feteira, onde foi informada que o Serviço do Governo dos Açores oficiado ainda não se dignara responder.

Recentemente, já no final de Fevereiro de 2015, noutra sessão da Assembleia Municipal, agora ocorrida em Castelo Branco, a mesma cidadã voltou pela terceira vez a participar na reunião no período destinado ao público e novamente foi informada pelo Presidente do órgão autárquico que este insistira perante o Governo Regional mas sem qualquer resultados efetivos e, num aparte, lá se lamentou que não compreendia como um Departamento do Governo dos Açores nem se dignava a responder ao Presidente da Mesa da Assembleia Municipal da Horta.

Confesso que após mais de duas décadas como membro da Assembleia Municipal da Horta me sinto desprezado e ofendido pelo Governo dos Açores por nem se dar ao trabalho de responder a um ofício de um órgão autárquico, que por coincidência representa legitimamente e por eleição direta toda a população do Faial. Isto mostra desconsideração para com toda esta ilha, independentemente de a questão em si ser específica de uma cidadã.

Em primeiro lugar a cidadã e sua família tinham o direito de ser diretamente esclarecidos, no que diz que não foram, depois, o Governo dos Açores tem a obrigação de esclarecer as pessoas e mais ainda a Assembleia Municipal da Horta no que é oficialmente questionado.

O tipo de comportamento indicia o desprezo com que o Governo dos Açores trata os investidores desta ilha, independentemente de poderem terem tido subsídios regionais ou da Europa, pois no primeiro caso não saiu do bolso dos governantes, mas sim das receitas arrecadadas legalmente aos Portugueses, incluindo Açorianos, no segundo caso, são verbas dadas por outros povos estrangeiros e se não houve subsidiação a coragem recai apenas sobre o investidor Faialense que merecia a devida consideração do executivo regional.

Contudo, se o Governo dos Açores trata assim o Presidente do órgão autárquico legislativo da Horta e de fiscalização dos poderes executivos da ilha, o qual até foi eleito pelo mesmo partido que apoia o Governo Regional e que na sua vida política já ocupou o cargo mais elevado da Região Autónoma dos Açores pela mesma força política, como não desprezará mais facilmente todos os restantes anónimos investidores do Faial?

Este caso só evidencia como o Faial é desprezado há muito pelo Governo dos Açores, Este que durante os últimos 20 anos impávido deixou fechar a fábrica de peixe sem compensações para esta ilha, passou estradas regionais asfaltadas a bagacina, colaborou na saída da rádio naval para Ponta Delgada com terrenos por ele cedidos, adiou múltiplas vezes a segunda fase da variante, não nomeou um Secretário Regional residente nesta ilha na última década, desautorizou a atual Presidente da Assembleia Regional indicada pelo seu partido e tem assistido comodamente ao definhar da economia desta terra que agora recebeu mais um apertão com a redução do número de voos da SATA de Lisboa para a Horta numa empresa tutelada pelo Governo Regional.

Tanto quanto sei, infelizmente, a cidadã desta ilha continua sem resposta e o investimento sem andar, tal como acontece a um grande número das reivindicações dos Faialenses, que até na sua maioria tem apoiado o Governo dos Açores nas eleições regionais e autárquicas e, mesmo que não o tivesse feito, não merecia ser assim desrespeitado.

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