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Posts Tagged ‘Transportes’

O meu artigo de hoje no diário Incentivo:

TURISMO – O PORQUÊ DO FAIAL EM MÁ MARÉ

Quando se alterou o regime de ligações aéreas entre os Açores e o Continente há cerca de três anos, abrindo-o às empresas de aviação de baixo-custo nos aeroportos de Ponta Delgada e da Terceira com reencaminhamento para outras ilhas a custo zero e mantendo-se o serviço-público para as restantes “gateways” da Região: Horta, Pico e Santa Maria; perspetivou-se que o turismo nos Açores iria crescer substancialmente em São Miguel e que este “boom” se propagaria por todo o Arquipélago. Infelizmente, várias notícias recentes têm deixado claro que a realidade se tornou bem diferente das previsões de então para o Triângulo e, sobretudo, para o Faial.

Sou de opinião que se os princípios estratégicos iniciais tivessem sido seguidos, talvez a abrangência regional daquele crescimento se concretizasse, mas a política de transportes e de promoção turística que se fez a seguir nos Açores, com o apoio do Governo Regional, subverteu descaradamente as premissas daquele projeto de ligação aérea entre a Região e o exterior.

Efetivamente, as campanhas para se visitar a Região centraram-se quase só em São Miguel. Mais, quando se consulta rotas entre o Continente e os Açores fica-se com a ideia de que os preços anunciados são da ligação entre Lisboa/Porto para Ponta Delgada e sem os reencaminhamentos a custo zero para outras ilhas. Pior ainda, com muita frequência se deduz que a empresa pública regional SATA oferece no portal aos passageiros que queiram chegar ou partir da Horta preços mais baratos se estes fizerem escalas noutros aeroportos regionais e no fim entrar ou saírem dos Açores através do aeroporto João Paulo II, tornando assim menos apelativa a opção Horta ou Triângulo como destino turístico final a quem consulta e não está previamente informado das regras do sistema de transportes aéreos entre o Continente e este Arquipélago.

Mesmo assim, na internet continua-se a ver micaelenses a criticar investimentos estruturais no Faial, como o do aeroporto, com o argumento de que a sua grande ilha vai financiar esses custos, como se os Açorianos das restantes ilhas já não estivessem a contribuir no dinheiro injetado na promoção centrada em São Miguel, nas suas estradas e marinas vazias e ainda as rotas deficitárias da SATA entre Ponta Delgada e o estrangeiro sem nada ter a ver com a nossa diáspora ou como se a solidariedade para aquela ilha fosse obrigatória e de sentido único.

Assim, não admira que neste período de férias da Páscoa, mesmo depois da maior oferta de camas em São Miguel, a RTP-Açores na Sexta-feira Santa informasse que a ocupação hoteleira nesta ilha rondava os 90%, enquanto o Faial se quedava por 60% nos maiores hotéis, ficando mesmo por uns míseros 10% em certas residenciais. Estes maus resultados, infelizmente, não são acidentais, são mesmo fruto desta estratégia do Governo de concentrar o turismo, sobretudo, em Ponta Delgada.

Se é certo que o canal televisivo não fez referências naquele dia a outras ilhas, nomeadamente do Triângulo, a verdade é que circularam noutros espaços dados estatísticos dos últimos tempos referentes ao crescimento do número de passageiros nos aeroportos do Arquipélago e onde Faial, Pico e São Jorge apresentam dinâmicas muito abaixo da média regional e, claro está, esta é bem inferior ao grande aumento observado em São Miguel.

Estes dados não seriam ofensivos se a culpa fosse só nossa e houvesse uma estratégia promocional dos Açores onde o Faial e o Triângulo fossem tratados em pé de igualdade com outras ilhas, mas eles são fruto de um tratamento desigual. onde, não só a Horta, como o Pico e São Jorge, além de ignorados, são até desfavorecidos em termos de preços e de ligações diretas e ainda assistimos aos esforços da SATA em reduzir o número de ligações aéreas a esta ilha, até com recurso a estatística de ocupação dos aviões com critérios selecionados para maltratar o Faial.

Alerto que este mau tratamento ao Faial também teve cúmplices nesta ilha, mas também me parece que a maioria dos Faialenses já despertou e viu isso e mesmo muitos dos que antes pactuaram nesta estratégia agora sentem-se na obrigação ou, no mínimo, forçados a reivindicar mais alto por esta terra e sub-região turística para estancar o enfraquecimento económico a que assistimos ao longo dos últimos anos ou segurarem votos em futuras eleições.

Esta mudança de comportamento de alguns nos últimos meses talvez já não apague todas as sequelas das atitudes subservientes do passado, mas, arrependidos no seu íntimo ou apenas em fachada, importa que os Faialenses reúnam todas as forças para reverter o mal, antes que seja demasiado tarde, porque os adversários do Faial são muitos e estão até em quem governa os Açores.

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O caso do arquivamento pelo Ministério Público do processo em que o cabeço de amarração do porto rebentou e matou um Faialense no navio Gilberto Mariano por não encontrar culpa no mestre da embarcação, faz-me lembrar aquela história da Entidade Pública que não efetuava a manutenção da ponte que caiu, mas quem foi acusado não foram os dirigentes, mas sim um mergulhador. Depois o juiz desculpou-se com a meteorologia ao não ver culpas no mergulhador. Aqui o cabeço do porto rebenta e acusam o mestre da embarcação, claro perante tal desvio parece que só restava esta solução, o que me entristece é que sem dúvida os verdadeiros culpados andam entre nós a vangloriar-se que o processo foi arquivado.

É a impunidade no sistema politico que temos e o estado de justiça que assim funciona. Resta-me ficar indignado com a situação, pois não mais voltarei a cumprimentar a vítima do acidente que não regressará à vida apesar da inexistência de culpados nesta justiça.

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A Câmara de Comércio da Horta defendeu a abertura dos aeroportos do Faial e Pico a voos “low cost”, todavia, salvaguardou a necessidade de um regime apoiado pela Região. Efetivamente a experiência tem demonstrado que abrir algo à concorrência esperando que o privado aja em benefício das populações ao corrigir disfunções da administração pública em muitos casos resulta em prejuízo das comunidades mais desprotegidas com enviesamentos para o lucro fácil. Mas o poder público também é perito nesta subversão.

A verdade é que a administração pública regional não está isenta destes enviesamentos, veja-se que na questão dos transportes as pressões políticas tem sido muitas vezes interesseiras à preservação dos eleitos dos seus cargos que estes não se têm furtado a prejudicar ilhas menos populosas como o Faial e o Pico em detrimento de outras onde esperam cativar mais votos.

Por exemplo estratégia da empresa pública SATA só é possível por estar concertada com o Governo dos Açores, pois para fazer preços mais baixos a circuitos que passam por São Miguel e usam mais aviões e aeroportos para se chegar ao Continente do que ir diretamente para Lisboa num voo mais rápido e com menores encargos globais resulta de um enviesamento de não refletir no percurso indireto as despesas que resultam para a Região do uso um maior número de aparelhos e das taxas aeroportuárias das escalas pelas infraestruturas públicas regionais, ou seja: os Açorianos, inclusive os prejudicados, pagam pela calada estes encargos para a empresa pública favorecer a rota entre Ponta Delgada e Lisboa, aquela que descaradamente é referida na publicidade como Açores, para deste modo também intencionalmente apagar a existência de outras gateways no Arquipélago.

A tentativa que o Governo Açores teve em vender as plataformas logísticas no transporte de mercadorias é outro caso evidente de como o setor público também não é garante de defesa dos mais fracos se outros interesses mais altos se levantarem aos políticos.

Assim, sou favorável à abertura defendida pela Câmara do Comércio da Horta, mas as forças vivas do Faial, Pico e mesmo de São Jorge terão de acompanhar e analisar muito bem a solução a encontrar para no fim não nos venderem com grandes parangonas publicitárias nos mídia, para tirarem proveitos pessoais, um outro cavalo de Tróia que nos prejudicaria ainda mais a seguir.

Igualmente mantenho que a articulação no transporte inter-aeroportos e inter-ilhas é outra peça a estudar para garantir a unidade do Triângulo, pois deficiências neste sistema apenas servem para serem oportunisticamente exploradas por adversários da união entre o Faial, Pico e São Jorge.

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Não admira que haja um menor crescimento do turismo no Triângulo do que na Região, com tantas dificuldades que são colocadas na realização de reservas da Azores Airlines diretamente para a Horta, no embuste que foi o charter para Pico destinado a enganar Picoense e na calendarização tardia das ligações marítimas entre estas três ilhas; só um milagre é que este crescimento no Triângulo estaria acima do do Arquipélago.

Pior, este crescimento inferior é mesmo estrategicamente fomentado, não só pelo que acima foi dito, como também nas omissões de informação dos reencaminhamentos gratuitos, na tentativa de redução da rota Horta-Lisboa e nos esforços que a SATA tem feito para desunir Faialenses e Picoenses nas exigências de cada um em mais ligações nas suas ilha ou no uso dos seus dois aeroportos como alternativos e descaradamente evidenciado de quando há promoções turísticas dos Açores a imagens favorecem automaticamente a maior ilha da Região onde a transportadora aérea regional quer concentrar os passageiros.

São Jorge sofre também por tabela por muitas das indecisões que tem sempre que é convidada a reforçar a sua união ao Triângulo e vacila pelas sua histórica ligação à Terceira herdada do passado e do tempo da ditadura e, efetivamente, há quem alimente esta incerteza que prejudica a ilha geograficamente central dos Açores… mas muitos Jorgenses ainda não se aperceberam disso.

O Triângulo só confirmará todo o seu potencial quando unido vencer todos os que têm medo da sua força e criam barreiras ao turismo integrado do Faial, Pico e São Jorge.

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Depois de vários acidentes em atracações de embarcações com passageiros, onde um deles provocou a morte de um Faialense no cais de São Roque do Pico, eis que só decorridos mais de dois anos a Portos dos Açores anuncia que vai instalar novos em cabeços de amarração em portos das ilhas do Pico, São Jorge e Faial e ainda divulga esta intervenção, uma atrasada e lenta correção, como um investimento. Uma forma de comunicação que cheira mais a propaganda do que a reparação dos danos já provocados ao Triângulo.

Assim se sente a autodesresponsabilização política e civil dos Administradores desta empresa e governante da tutela no acidente que ceifou a vida de um Faialense ainda jovem, bem conhecido na sua ilha, acresce que parte destas infraestruturas portuárias são muito novas, evidenciando-se deste modo também a má qualidade das obras que estes responsáveis “investem” com os dinheiros públicos… mas ninguém é culpado nem política, nem moralmente pelo mal-feito.

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O meu artigo de ontem no diário Incentivo:

ENTRE A ESPADA E A PAREDE

Oito de dezembro é feriado nacional para celebração da festa religiosa da Imaculada Conceição, apesar da tradição católica do Povo luso, esta data tornou-se para a maioria dos Portugueses, Açorianos e Faialenses exclusivamente no Dia das Montras.

Efetivamente, tanto em conversas com colegas, como nos noticiários e ainda da leitura de redes sociais na internet, verifiquei que as conversas daquele dia centravam-se, sobretudo, nas animações de rua e nas vitrinas das lojas comerciais, embora a tempestade da véspera tenha ocupado algum espaço na comunicação das pessoas, contudo, sobre as festas de Nossa Senhora da Conceição que decorreram nesta ilha, em muitas paróquias do Arquipélago e por este País fora, apesar de ser o motivo do feriado, o assunto ficou alheio de quase todos diálogos e reportagens.

Sendo eu Cristão e crescido numa sociedade onde a religião penetrava nos costumes intensamente, não deixo de notar este alheamento das pessoas ao cerne dos eventos que formataram a nossa cultura ocidental, mas é assim mesmo a realidade em que vivemos e respeito.

Já ao nível do Dia das Montras reconheço que o programa levado a cabo em cooperação entre as Câmaras Municipal e do Comércio da Horta foi este ano um sucesso, não só pela adesão dos Faialenses, como pelas opiniões de agrado manifestadas por estes. Não tenho complexo de elogiar uma organização que corre bem, mesmo que em muitos outros aspetos eu seja crítico, é precisamente a justeza das minhas análises que tanto leva a denunciar o que está mal, como também a louvar com igual correção o que correu bem.

Outra notícia promissora que ouvi a seguir ao feriado foi a celebração de um protocolo de cedência do Quartel do Carmo pela Secretaria de Estado da Defesa ao Ministério da Economia, para no âmbito do programa Revive se disponibilizar aquele imponente imóvel a investimentos na área do turismo. Tenho de reconhecer que ainda não está claro se já existe um projeto de aproveitamento do edifício, montantes ou identificação de interessados, mas reconheço que é algo com potencial interesse económico para o Faial e fico aguardar o evoluir da situação, esperando que se concretize.

Infelizmente também não faltaram notícias de movimentações tendentes a criar instabilidades e divisões no Triângulo na estratégia de ataque do grupo SATA e do PS- Açores ao Faial. Esclareço desde já que o anúncio de mais ligações aéreas a qualquer outra ilha desta zona do Arquipélago não cria em mim qualquer frentismo divisionista, nem reduz a força da argumentação da necessidade de se aumentar o número de viagens diretas entre o Faial e Lisboa.

Assim, o Presidente do grupo SATA fica informado que qualquer aumento do número de voos ao Pico é bem-vindo, só não justifica qualquer diminuição das ligações deste lado ocidental do Canal e ele tem de ter consciência que só há uma melhoria global do serviço prestado pela transportadora aérea regional ao Triângulo se um melhoramento numa parte deste não estiver associado à pioria ou redução do serviço noutra ilha desta zona, caso contrário, se um lado sobe à custa do baixar do outro, então o saldo é negativo ou nulo.

Vou ser muito claro: mais voos diretos para o exterior para o Pico, sim senhor! Tem todo o meu apoio, só que nem um voo a menos entre a Horta e Lisboa do que os 14 exigidos por unanimidade na Assembleia Municipal desta ilha.

Agora existe uma realidade social na ilha Azul diferente da que a Administração da SATA e o PS-Açores estavam habituados. Os Faialenses despertaram, abriram os olhos e já não se deixam enganar. Mais, o próprio partido do poder que localmente era subserviente às maldades feitas ao Faial percebeu que já não pode ser conivente com esquemas que prejudiquem esta terra: ou lutam connosco por ela, mesmo com risco de perderem a simpatia dos camaradas de outros círculos mais poderosos, ou são os residentes desta terra que os desalojam e mais, correm até o risco de perder as simpatias nas duas frentes se não alcançarem vitórias irreversíveis para o Faial e a questão da acessibilidade aérea e da operacionalidade do aeroporto são fundamentais para recuperar o tempo perdido que agora não lhes é perdoado se não o compensarem efetivamente.

Assim, os eleitos pelo PS-Faial estão entre a espada dos residentes, que exigem resultados, e a parede dos camaradas de partido, adversários desta ilha, que dizem na RTP-Açores “os Faialenses não têm razão”, mas foram os locais que se meteram nesta encruzilhada, pois, apesar de estarem no poder da ilha, desprezaram os conselhos de quem nunca baixou os braços na defesa desta terra.

Assim, por muitas manobras de diversão e tentativas de divisão vindas de fora, compete ao PS-Faial agora recuperar o essencial e há muito adiado por culpa deles, pois por cá já ninguém anda distraído, apenas desconfiado que possamos estar em manobras eleitoralistas sem frutos antes das eleições e depois foi-se… tática que já não pega nos Faialenses. Bom Natal a todos os leitores!

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Após o desmascaramento do Presidente da SATA na sua tentativa de criar argumentos para reduzir o número de ligações diretas Horta-Lisboa na época alta, eis que numa manobra de divisão do Canal o mesmo anuncia um inquérito e promete mais ligações ao Pico. Ao aumento digo: ainda bem, mas tal não reduz a reivindicação de 14 voos semanais no Faial nem a questão de operacionalidade da pista.

A tentativa de dividir as populações do Triângulo fomentando bairrismos que no fim levam a beneficiar outras ilhas maiores e prejudicar estas duas com um presente envenenado já há muito é conhecida pelos Faialenses e neste caso tornou-se demasiado descarada em Paulo Meneses, por isso não vale a pena pensar que do Faial se diminuirá a luta iniciada em 2016 contra a conspiração Governo/SATA de prejudicar a ilha Azul em matéria de acessibilidades.

Tudo o que derem a mais ao Pico tem o meu apoio. Se aumentarem o número de ligações na ilha Montanha, são mais voos para o Triângulo, agora se com isso pensam aumentar de um lado para reduzir do outro, a resposta é NÃO! Neste caso o saldo seria nulo em termos desta zona geográfica do Canal.

Agora o PS-Faial sabe que os Faialenses estão despertos e já não vão em manobras de diversão. Assim, se querem preservar o poder na ilha terão agora não só de lutar ao lado dos habitantes desta terra, como ainda obter a curto-prazo resultados que no passado não foram obtidos fruto da sua subserviência às diretrizes regionais do partido, presentemente têm de compensar o mal feito por esse comportamento e o conluio SATA/Governo ou cede ou então deixa cair os seus camaradas da ilha azul em descrédito total.

Ninguém no Faial se pode deixar manipular por tentativas divisionistas organizadas pelo poder Regional centralizado nas ilhas de maior poder político e quem deixou as coisas atingirem este desplante por conivência partidária tem agora de compensar o tempo em que deixou que prejudicassem a Horta pois os Faialenses já abriram os olhos.

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