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A resistência do Governo para a contagem do tempo plena, em que as carreiras estiveram congeladas na função pública, mostra apenas quanto da austeridade estava oculta com o conluio dos sindicatos, a reversão era apenas às medidas do tempo de Passos, a que vinha de Sócrates era para se respeitar, não havia dinheiro e só havia um mau da fita, a derrota da CDU nas autárquicas acabou com este esquema.

Tivesse a CDU não perdido câmaras para o PS, o único que ganhou louros deste silêncio da CGTP, que deixou que as classificações restringissem a progressão, fechando os olhos aos congelamentos, e esta caixa de Pandora não tinha sido aberta, pois era uma forma de não pagar o salário devido sem se falar de cortes.

As cativaçōes também eram outra forma encoberta de cortes na despesa não denunciada, antes faltava dinheiro nos hospitais e escolas devido aos cortes, agora apenas o dinheiro necessário estava cativo.

O que critico não é esta austeridade, mas o seu encobrimento pelas forças antes tão intolerantes e o uso deste novo termo de rigor e o conluio associado, como se fôssemos todos tolos, é que de facto alguns são e deixam-se enrolar, eu não.

A vitória de Costa nas autárquicas também lhe trouxe este fim do conluio.

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Adequar a oferta de transporte aéreo à procura nas rotas inter-ilhas é intenção da Secretária Regional, à partida é uma boa ideia, mas conhecendo como o Presidente da SATA trabalhou a estatística da ocupação dos aviões para prejudicar o Faial, isto obriga a grande atenção para que não haja malabarismos que prejudiquem a Horta. Abrir a Azores Airlines a privados pode ser apetecível com uma gestão racional, mas difícil sem os caprichos centralistas do Governo dos Açores.

São estas as duas novidades ao nível da política de transportes aéreos regionais noticiadas hoje no jornal Incentivo. Contudo, as ressalvas que lancei acima são minhas, pois a experiência diz-me que neste domínio o Governo Regional há muito que toma medidas moldadas de forma a prejudicar o Faial e também por vezes o Pico em matéria de acessibilidades para servir outros interesses bem distantes do Triângulo.

Na abertura do capital da empresa do grupo SATA é lógico que disponibilizar rotas ao exterior do Arquipélago fora do serviço público e rentáveis pode também requerer o recurso a medidas de desfavorecimento das ligações entre outros aeroportos açorianos de menor tráfego e o exterior da Região para viabilizar as centradas no aeroporto de Ponta Delgada e o já muito propalado “hub” a colocar naquela infraestrutura para centralizar os passageiros ali independentemente de serem de São Miguel ou não.

Tentativas de concentras a circulação dos Açorianos no João Paulo II já não são novas e com esta intenção de envolver privados esta tentação aumenta exponencialmente.

Assim, tendo em conta os riscos que interesses políticos ocultos pode envolver estas ligações todo o cuidado é pouco para os Faialenses, Picoenses e outros Açorianos não serem de novo ludibriados.

 

Meu artigo de hoje no diário Incentivo.

TSUNAMI DE DESCONHECIMENTOS E SEMPRE CONTRA O FAIAL

Nos últimos dias fomos inundados por uma onda tipo tsunami de desconhecimentos de decisões, de situações e de intenções por quem tinha a obrigação política e técnica de estar bem informado e dar a conhecedor aos Faialenses os elementos necessários para o povo estar esclarecido do que fazem os titulares de cargos que mexem connosco, curiosamente sempre em prejuízo do Faial.

O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia e o Reitor, apesar das funções dos seus cargos, desconheciam o encerramento próximo do IMAR no Faial. A piscina da Escola Escola Manuel Arriaga foi encerrada por excesso de cloro, voltou a fechar por possuir excesso de uma bactéria e foi reaberta sem se conhecer as causas das anomalias. O Presidente da Associação Portuguesa de Pilotos de Linha Aérea (APPLA) assumiu desconhecer “com a profundidade adequada” os temas da petição sobre as acessibilidades, segurança e ampliação da pista da Horta no abaixo-assinado dos Faialenses, mas deu parecer à Assembleia Regional. O Ministro do Planeamento escudou-se na privatização da ANA para manter o desconhecimento sobre as obras pedidas para o nosso aeroporto. Tanta ignorância de gente responsável e nunca a favor Faial!

O Secretário Regional mencionado é o único membro do Governo dos Açores que vive no Faial e até é o responsável pelas áreas de investigação científica e do mar, exatamente aquilo que o IMAR faz, a Secretaria que ele dirige até tem contratos com o IMAR para a prossecução das políticas do Governo, mas pasme-se: Não sabia de nada do fecho do IMAR!

A Universidade dos Açores é membro do IMAR, deu autorização para este ficar no DOP e tem quadros e dirigentes seus no IMAR e a presidi-lo. Contudo o reitor criou um centro de investigação igualmente no DOP que desenvolve as mesmas atividades IMAR, mas, apesar disto tudo, o Reitor também desconhecia que o IMAR no Faial iria fechar. Dá para acreditar?

Além disto, nem o Secretário Regional, nem o Reitor e nem o Presidente do IMAR deram a conhecer o futuro da instituição aos investigadores que trabalham ali no Faial, como se estes não fossem gente que importa considerar nestas mudanças. Ninguém assume conhecer o mal que daí pode advir.

Na piscina a história é diferente. Além de o Governo dos Açores não dar explicações sobre as causas das anomalias e das medidas tomadas que garantam saúde dos utentes, a maioria crianças e jovens desta ilha, o Secretário Regional da Educação e Cultura mostrou desconhecer o papel e  estatuto da oposição ao acusar os deputados do PSD eleitos pelos Faialenses de ao levantarem a questão de estarem a “promover o alarmismo mesmo antes de apurar concretamente as situações e a atuação dos serviços envolvidos”.  Então este senhor desconhece que estes eleitos diretamente pelo povo, coisa que ele não é, se na oposição têm, precisamente, a função de fiscalizar a ação do governo e de o questionar e, em democracia, isto não se faz pela calada como no tempo de Salazar?

Já relativamente ao Presidente da APPLA, depois de escrever que não conhece adequadamente as pretensões dos Faialenses para o aeroporto, mostra que nem estudou a assunto a sério, mas tem o desplante de assumir que as mesmas não devem ser feitas, pois podem custar cerca de um bilião de euros, ou seja, não é o dobro ou o triplo do estimado nos estudos feitos por técnicos, mas pasme-se a dimensão do desconhecimento, um erro aproximadamente 29 mil vezes acima de quem estudou o assunto a pedido da Câmara Municipal da Horta. Grande asneira! Mas sempre contra os Faialenses.

O Ministro do Planeamento na Assembleia da República interrogado sobre a possibilidade de ampliação deste aeroporto também desconhece perspetivas de se financiar esta pretensão, e escuda-se ainda na antiga ANA, como se não fosse uma pessoa que tem obrigação de no presente encontrar soluções em vez de lavar as mãos! Tanta ignorância e sempre em prejuízo do Faial!

Uma boa notícia foi o prémio recebido pelo Hospital da Horta na evolução registada dos indicadores clínicos. Um sinal que quem está a trabalhar nesta unidade dá o seu máximo pelos doentes e está a tornar-se mais eficaz no seu exercício em prol da saúde das pessoas. O que desconheço é se o prémio tem em conta as especialidades que entretanto o hospital possa ter perdido, pois não me esqueço da saída de especialistas por motivos de reforma ou outros e nunca mais ouvi falar das substituições destes. Esta omissão será para ficar no tsunami de desconhecimentos em prejuízo do Faial?

Também não gostei de ver um jantar de negócios no âmbito do Web Summit, nem percebo como pessoas gostam de jantar no meio de mausoléus de mortos que dignificaram um País, mas o que é  vergonhoso é ver um Governo que poderia autorizar a disponibilização privada daquele espaço, mas condicionado pela dignidade do evento ao local requerido, o tenha autorizado sem atender a essa dignidade e depois o Primeiro-ministro chute as culpas para quem lhe deu a liberdade de autorizar ou não. É também muita falta de dignidade em António Costa.

Dia a dia a falta de ética do Primeiro-ministro vai sendo evidenciada pela falta de capacidade de assumir o que lhe corre mal.

António Costa teve a sorte de que o início do seu mandato coincidiu com um período de expansão económica para assim assumir os louros da sua governação sem ter feito nada de especial para isso. Sócrates também teve essa sorte, mas ao menos fazia algo, nem que fosse endividar Portugal com as PPP em série.

Não sei se António Costa terá o azar que Sócrates teve depois no seu segundo mandato, quando lhe caiu em cima a crise das dívidas soberanas, mas uma coisa prevejo,  se tal vier a acontecer, à semelhança de Sócrates, António Costa também irá culpar tudo e todos menos ele, pois este só é capaz de assumir que é responsável pelo acontece de bom e os sucessos que lhe caem ao colo.

Já com António José Seguro ele mostrara que só gosta de apostar quando o sucesso está garantido para assumir louros, enquanto foi difícil, queimou o então Secretário-Geral do PS em lume brando e não se candidatou, mas ao menos Seguro em termos de carácter mostrou estar muito acima de António Costa.

O Secretário Regional do Mar Ciência e Tecnologia disse que o Governo dos Açores desconhecia o fecho do Instituto do Mar, é surpreendente: 1.º o Secretário tutela a Investigação e os Assuntos do Mar, as duas áreas de ação do IMAR; 2.º O presidente do IMAR foi há dias candidato pelo partido do seu Governo a líder da Assembleia Municipal da Horta; 3.º a Universidade dos Açores é apoiada pelo Governo Regional. Então ninguém discute com o o Governo o futuro. Para que é então um Secretário Regional com estas tutelas?

Será apenas para distribuir dinheiro sem ver se as instituições beneficiadas garantem a execução desses programas?

O próprio presidente do IMAR foi há pouco mais de um mês o candidato do partido do Governo à Assembleia Municipal da Horta. Já foi Deputado e Secretário Regional também pelo partido do Governo dos Açores e não fala com os membros do governo do seu partido e do seu concelho sobre um assunto tão crucial para o município de que era candidato pelo partido do mesmo governo de onde é também o atual Secretário Regional da área em causa que até é do quadro do DOP com quem o IMAR até partilha as instalações?

Então quem define de facto a política de investigação e do mar nos Açores, não é o Governo da Região?

Uma coisa é certa, esta declaração de desresponsabilização de um Secretário Regional sobre matéria tão importante nas áreas das suas competências cheira mesmo a esturro ou está a atirar areia para os olhos dos Faialenses e estes vão perder mais um setor que fornecia emprego e crédito à Horta como cidade mar, será uma negociata debaixo da mesa em troca da Escola do Mar? Tantas interrogações que tal declaração arrasta consigo.

Confesso, sinto-me indignado com as jogadas de bastidores onde os Faialenses são marginalizados e o governo dos Açores assume estar de fora nas matérias em jogo. Uma vergonha.

erososO IMAR, instituto de investigação do mar, vive em parceria com o DOP da Universidade dos Açores e ameaça fechar no Faial e a mesma Universidade vai criar o centro de investigação dos oceanos: Okeanus. Não sei que funções os distingue, talvez os sócios públicos. O Presidente da Câmara da Horta não sabe os objetivos do Okeanus e defende que a sede seja na Horta. Não percebo estas mudanças, mas desde que seja para ficar no Faial: concordo.

No romance Leopardo do escritor Lampedusa o protagonista dizia que era preciso mudar para que tudo ficasse na mesma, deduzia-se que os poderosos continuassem a dominar e o povo fosse ludibriado, penso que se está numa situação semelhante de guerra entre instituições públicas que se digladiam para chamar a si fundos europeus e os investigadores são o povo carne para canhão nesta guerra.

Já sei que vivemos num País rico em saber atrair dinheiro de Bruxelas e desperdiçá-lo a seguir de forma a não criarmos um Estado ou uma Região exemplar em boa gestão. Por norma quem está por baixo lixa-se, neste caso investigadores. Resta-me por agora desejar que o Faial também não saia prejudicado com esta guerrilha.

Por isso, mesmo sem perceber bem o que é o Okeanus, algo semelhante ao IMAR, mas se é para atrair fundos comunitários e investigadores sobre o mar, estou ao lado do Presidente da Câmara: que se instale o Okeanus na Horta cidade mar.

O resto deixo para os entendidos interesseiros e, já agora, tenham em atenção em não deitar fora quem já cá investigava no IMAR, um património de saber a proteger, pois não há proteção da Terra que valha a pena se não tiver também imbuída da precaução de proteger as pessoas.

Nada tenho contra a pessoa em si, mas torna-se suspeito um vereador entre 2013 e meados de outubro de 2017, mal sai da Câmara é nomeado logo Vice-Presidente da Proteção Civil dos Açores. Certo que como autarca tinha este pelouro, mas é licenciado em algo que nada tem a ver com a matéria e só agora está a frequentar uma pós-graduação no assunto, logo nem a acabou, mas já é Vice-presidente da Proteção Civil. A Catástrofe das nomeações à pressa no Continente não serviu de lição nos Açores.

No curriculum de proteção civil do novo Vice-Presidente, que o Governo empola sempre quando nomeia um boy, verifica-se que ele nunca enfrentou nenhuma situação grave em concreto no terreno, “fez” planeamento de âmbito municipal. Mas em escassos dias de saída de um cargo político eleito logo tem uma nomeação, isto numa região altamente exposta a terramotos, vulcões, vendavais, inundações, maresias, movimentos de massa, tsunamis, etc. é muito pouco para que alguém que ainda nem acabou a sua única formação superior em proteção civil seja logo nomeado Vice-Presidente de uma área onde qualquer deslize pode matar muita gente.

Em alternativa a proteção civil pode mesmo ter estado à espera que ele acabasse o seu mandato para lhe dar o lugar e durante esse tempo os Açorianos estiveram à mercê da falta de um boy num lugar tão importante para a proteger as pessoas felizmente não aconteceu nada de grave neste período.

Agora que esta rápida nomeação de um político acabado de sair do seu mandato é um indício muito suspeito de que se está a brincar com a Proteção Civil… lá isso é.

Apesar dos maus indícios que tal nomeação apressada represneta, espero que ele seja mesmo muito competente e, sobretudo, que não haja nenhuma catástrofe que o venha pôr à prova, pois nestes casos, melhor que a prevenção é mesmo que os acidentes e catástrofes não ocorram e não seja necessário testar a competência da Proteção Civil, como se viu no Continente este verão.