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Meu artigo de hoje no diário Incentivo:

DE MERCADO A CENTRO EMPRESARIAL

Participei em décadas de debate na Assembleia Municipal sobre a necessidade da Câmara revitalizar o Mercado. Foram muitos anos de promessas da reformulação desta estrutura nas propostas dos manifestos eleitorais autárquicos e foi muito tempo a assistir-se ao declínio deste histórico Mercado.

Longe, mesmo muito longe, o tempo das memórias do Mercado Municipal cheio de vida, azáfama de fregueses entre as lojas com vendedores residentes no Faial e a complementar, mais do que a competir, os vendedores vindos do Pico que enchiam todas as bancas ali existentes e onde se comprava, sobretudo, produtos destas duas ilhas.

Ainda me lembro da anterior grande reformulação do Mercado Municipal da Horta, onde a madeira deu lugar ao cimento e as condições ficaram modernas à luz daqueles anos do século XX e a atividade dentro daquele espaço manteve-se viva e dinâmica.

Lembro-me dos partidos agendarem quase em simultâneo ações de campanha para o Mercado Municipal, seguros que ali encontrariam sempre numerosos eleitores a cativar e, apesar dos adversários se encontrarem no mesmo espaço, o espírito democrático e a exposição pública criava a oportunidade de um são convívio entre opositores, população e comerciantes, por vezes temperadas com alguns jargões e ironias para vincar as posições de cada um, as diferenças entre eles e as acusações de falhas de quem estava no poder.

Depois o Mercado Municipal transformou-se num espaço triste, praticamente vazio de clientes, quase sem produtos locais, várias lojas fechadas e bancas vazias. Lembro-me da última campanha eleitoral em que lá estive praticamente só havia a possibilidade dos candidatos dos vários partidos trocarem manifestos entre si, pois clientes eleitores eram mesmo muito escassos.

Foram muitos anos de declínio e inoperância, mas a partir de hoje surge a oportunidade de assistir à segunda grande reformulação do Mercado Municipal da Horta que começa a ser inaugurada neste dia e que espaço passará a ostentar o nome de Centro de Acolhimento Empresarial da Horta. Após tantos anos, a promessa eleitoral de reformulação de Mercado Municipal inúmeras vezes repetida em manifestos eleitorais finalmente se concretiza e congratulo-me por isso.

Não conheço ainda o interior novo espaço, o que sei são as imagens divulgadas e o que se observa do exterior, tenho recebido informação de empresas que ali se instalarão, tenho ouvido dificuldades de outros e já me comunicaram o desinteresse de alguns em passar a sua atividade do antigo mercado para as estruturas reformuladas. É normal, o declínio arrastou-se por muito tempo e seguramente fez vítimas inocentes que agora já não conseguem ultrapassar o pesado fardo apesar da renovação e da esperança daquele espaço.

Agora o que mais desejo, depois de tanto esperar, é que o Mercado Municipal após esta reformulação, independentemente do nome de Centro de Acolhimento Empresarial da Horta, fique mesmo revigorado, seja um sucesso, contribua para a revitalização daquela zona do centro histórico da Horta e dinamize a produção e o comércio local para bem das pessoas e da economia do Faial.

Feliz Páscoa a todos

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Ressurreição de Auguste Clésinger (Bésançon)

Fonte da Imagem Wikimedia

Aquilo que poderia ser uma greve com alguns incómodos aos Portugueses, estes conseguiram transformá-la num caso de estudo sobre o caos típico de um racionamento em tempo de guerra e dar um peso a este protesto e a este grupo profissional que o bom-senso da população o teria protegido desta loucura.

Não é que em pleno familygate um elemento do governo tem a falta de cuidado de nomear o marido de uma ministra? Já que alguns se orgulham de não ir às redes sociais asta gente não acompanha o que se diz na comunicação social para asneiras tão inoportunamente?

Não é que depois de se falar tanto das suspeitas de na Assembleia da República se legislar muitas vezes no interesse dos parlamentares e onde o principal mau-exemplo dado pela população é dos deputados estarem em simultâneo ao serviço de gabinetes de advogados e do poder legislativo, não é que do lado do PSD se tolera a continuidade destas situações?

Depois admirem-se com o descrédito da política.

Meu artigo de hoje no diário Incentivo

UMA LEMBRANÇA, UM ESCLARECIMENTO E VOTOS

  1. Tenho assistido a um silêncio ensurdecedor sobre o que se está a passar ao nível das obras de ampliação da pista do aeroporto da Horta, as eleições vão-se aproximando rapidamente e nada de concreto e irreversível saiu até agora, apenas a suspeita de que a ANA pretende fazer o mínimo obrigatório. Isto já depois da euforia de alguns apenas com uma referência no Orçamento de Estado desta infraestrutura, mas sem definir qualquer característica do projeto. Acredito que lá para as eleições ouvirei muitas palavras, mas atos concretos: temo que nada em tempo útil!

Agora que o Governo dos Açores até oferece carros de polícia ao comando de São Miguel que pertence ao Ministério da Administração Interna do Continente, desembolsando dinheiro de todos os Açorianos, lembro que deste modo caiu por terra o argumento de Vasco Cordeiro para não contribuir para as necessárias obras de ampliação do aeroporto da Horta de molde a poder servir condignamente o Faial e o Triângulo por não ser uma infraestrutura pertencente à Região.

  1. Na minha incansável e longa defesa do Faial aprendi que mais vale protestar antes que um mal anunciado aconteça do que esperar para ver e depois já ser tarde para se corrigir esse mal. Nesta ilha já existem erros de investimento que se o Povo Faialense tivesse agido desde o início os mesmos nunca teriam sido feitos de modo a comprometer o que já existia.

Na grande maioria das vezes em que usei este espaço para levantar preocupações sobre investimentos públicos no Faial não assisti depois a qualquer esclarecimento da tutela desses projetos. Todavia, na sequência de uma notícia surgida na comunicação social de que a Escola do Mar apenas iria ministrar cursos equivalentes ao nível do 12.º ano de escolaridade, a qual serviu de mote a uma preocupação levantada no meu anterior artigo, o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia prestou na semana passada a informação de que este estabelecimento de ensino iria poder ministrar cursos de Especialização Tecnológica de nível V, ou seja, acima do grau de uma escola profissional ou secundária. Sem dúvida um esclarecimento à notícia e congratulo-me com essa possibilidade, pois espero que este investimento traga algo mais para o Faial de forma a compensar de facto a retirada da Rádio Naval desta ilha.

É verdade que este esclarecimento não garante que tal nível de curso venha de facto a concretizar-se nestas instalações da Escola do Mar, mas ao menos ficaram argumentos para os Faialenses no futuro poderem reivindicar a sua criação em caso de não se estar a ver a realização deste objetivo. Lembro-me que o Faial tinha o DOP e Ponta Delgada ficou com o curso de ciências do mar.

Assim, continuou por esclarecer se tal possibilidade seria realizada de facto no Faial ou se assistiríamos a cursos desses níveis na Escola do Mar mas a ser ministrados noutras ilhas como já referido. Esta dúvida obriga a continuar atento sobre o lugar da sua concretização, pois faz muita diferença em termos das mais-valias que este investimento pode trazer para o concelho da Horta.

  1. A Páscoa avizinha-se, esta é uma festividade religiosa que tem um grande significado na minha vida,mas mesmo para aqueles que este evento não tem a força da fé, por norma existe a marca da tradição no encontro de famílias, férias escolares, celebrações e gastronomia típica desta quadra, assim, a todos os leitores envio, crentes ou não, os meus votos de Feliz Páscoa.

Homo

Li o ebook Homo Deus do israelita Yuval Noah Harari em inglês por não existir em suporte digital na língua de Camões em Portugal, uma vez que a edição brasileira não é comercializada na Europa por direitos editoriais, mas esta obra encontra-se traduzida em papel e pode adquirir-se no nosso País aqui.

Na cultura ocidental o Homem desde o início quis ser igual a Deus, é esta a tentação feita a Eva. Durante milénios o mal: a fome, a guerra, a doença e a morte foram vistos como resultado de castigos de Deus ou caprichos dos deuses, esse que movia(m) os cordelinhos que o Homem não dominava. Harari evidencia que nos últimos séculos a humanidade, através da ciência e tecnologia, foi eliminando (pelo menos nas regiões mais desenvolvidas) a fome e muitas das epidemias, tornando-se cada vez mais dona de si, até que se tornou autoconfiante e nasceu o Humanismo onde o Eu do Homem passa a ser o centro e relega Deus para longe.

Humanismo tornou-se uma nova religião e no século XX a política conseguiu criar vastas e longas zonas da Terra sem guerra, a esperança de vida aumentou e já há a busca do grande elixir da vida longa e o Homem sente-se como o deus que gere o seu destino.

Nas últimas décadas a Inteligência Artificial tornou o atributo para muitos característica exclusiva do Homo sapiens numa realidade exterior ao próprio homem e a tecnologia passou a ser capaz de criar ciborgues que substituem danos no corpo e inclusive podem melhorar a suas limitações e arriscamo-nos a criar Super-homems. Só que o humanismo e esta nova via de seres que superam o Homem têm genes que colocam em riscos o próprio Homem e as questões que isto levanta e as preocupações são o cerne do desenvolvimento deste livro.Até onde vai este Homo Deus? Qual o futuro do Homem com sentimentos? Esses seres Inteligentes que criamos sem sensibilidade e exclusivamente lógicos tratar-nos-ão como nós tratámos os animais domésticos? Será o Homem um mero algoritmo que pode ser independente de si mesmo?

Um excelente livro cheio de inquietações que vale a pena ler, onde se fala das religiões das modernidade sem Deus mas que criam o mesmo fanatismo das religiões do passado sem a moral que estava na respetiva base.

Meu artigo de hoje no diário Incentivo

O EMBUSTE DA ESCOLA DO MAR

Alguns adultos para convencerem uma criança, sobre algo que ela não quer fazer, não gosta de comer ou para ela aceitar dar o que tem na sua posse e não quer entregar, aliciam-na com um rebuçado e todos sabemos que por vezes as crianças (e não só!) se deixam levar em troca de uma doce recompensa.

Só que também há gente que depois de conseguir o que queria não cumpre com aquilo que prometeu. Uns simplesmente não dão nada do que acordaram antes, mas outros são embusteiros manhosos, disfarçam a sua falta de palavra mudando a recompensa para outra coisa com menos sabor ou menor interesse. O embuste torna-se num rebuçado amargo para quem se sente enganado.

A Escola do Mar, em fase final de construção, foi usada desde o início como o rebuçado para os Faialenses aceitarem melhor a retirada do Faial da Rádio Naval e não, como querem dar a entender, um investimento limpinho, foi uma troca que para alguns até parecia vantajosa ao princípio e se não fosse a tática do embuste manhoso esta ilha talvez não ficasse a perder tanto assim.

Desde o início desta promessa os sinais de embuste começaram a vir ao de cima, em dezembro de 2014 eu escrevi um artigo na internet onde então dizia “Apesar de a Escola do Mar ainda não ter visto a luz do dia no Faial, por nunca se ter tornado realidade, já hoje surge noticiado no Incentivo que o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia anunciou a criação de um núcleo desta escola em Rabo de Peixe, em São Miguel, uma ilha onde vive mais de metade da população dos Açores.” que intitulei “Antes de nascer: Governo esvazia mais de 50% da Escola do Mar no Faial”.

Cerca de um mês depois do artigo surgiu a polémica em torno da criação do curso em Ciências do Mar na Universidade dos Açores, que mais parecia uma tática para concorrer com a nova Escola do Mar e, apesar do então denominado Departamento de Oceanografia e Pescas estar na Horta, foi então decidido que este curso não poderia ser lecionado no Faial. Íamos ter uma escola do mar, tínhamos um polo universitário para o oceano só o que não podiam fazer é ensinar algo que fosse de nível superior ao de uma escola secundária. Contudo, apesar de um certo alvoroço de então, muitos Faialenses deixaram-se levar quando começaram a ver as obras e esqueceram-se dos sinais dados.

Nos últimos dias foi denunciado que a Escola do Mar apenas vai dar ensino equivalente ao 12.º ano em áreas marítimas, ou seja, uma outra escola profissional, e mesmo assim, alguns dos seus cursos podem ser dados noutras ilhas que não no Faial, um embuste manhoso para continuar a ludibriar os Faialenses que habitualmente se deixam enganar.

A Escola do Mar está a tornar-se cada vez mais numa obra que é mais fachada exterior para fazer uma festa inaugural para passar nos noticiários os discursos enganadores do momento, mas cuidadosamente esvaziada das principais mais-valias que poderia trazer para o Faial.

A ser assim, em resultado final: o Faial perdeu todas as valências da Rádio Naval que puderam ficar em São Miguel e não ganha quase nada em troca, pois a Escola do Mar será paredes com formação apenas de grau de ensino ao já dado por outros estabelecimentos existentes na Horta e ainda sem garantias de ser ministrado nesta ilha. Se não isto não mudar, será um embuste.