Feeds:
Artigos
Comentários

Durante décadas em Portugal a luta operária foi controlada por sindicatos que eram braços armados dos principais partidos que compuseram a Assembleia da República a seguir ao 25 de Abril: PCP com a CGTP e o PS e PSD com a UGT.

A CGTP sempre foi a central mais obediente à estratégia do partido de onde saíra e o PCP com décadas de oposição conseguiu que os sindicatos seus filiados tomassem a dianteira na luta na praça pública.

  A UGT não só por ser de origem plural, como por os partidos fundadores terem estado ininterruptamente no poder, ora PS, ora PSD e num momento até os dois em simultâneo, habituou-se mais à negociação de bastidores para as suas conquistas e defesa dos trabalhadores e com menor ruído nas ruas e reivindicações mais ponderadas.

O apoio do PCP ao governo de Costa colocou a CGTP numa situação nova, a de ser menos barulhento, mais negocial e mais ponderado, logicamente esta situação deixou órfãos os grupos, com razão ou não, se mantiveram mais reivindicativos e dispostos à luta, o que deu lugar a novos estilos de greves, como nos enfermeiros, descontentamentos abertos do líder Fernando Nogueira com o seu partido e o surgimento de sindicatos não alinhados como o dos camionistas de mercadorias perigosas.

Até agora tem funcionado para os líderes não alinhados ataques individuais às caras associadas à luta: Ana Rita Cavaco que até era bastonária embora solidária com a sua classe de enfermeiros e Pedro Pardal Henriques. Onde até as autoridades de inspeção, fiscalização do Estado ou ministério público parecem mesmo estar a fazer fretes ao governo para acalmar o surgir desta nova frente de luta operária, deixando dúvidas se estamos perante problemas criminais ou de instrumentalização de meios contra pessoas  incómodas.

Nogueira escapou a esta situação, mas estava ligado ao PCP, mas a desavença entre ele e o partido foi pública e não se sabe se deixará sequelas.

Agora, estamos ainda no início do surgimento deste novos tipos de luta, libertos das máquinas do poder, o cansaço da austeridade da troika ainda rende a Costa neste período de expansão económica, resta perceber como funcionará esta estratégia quando chegar a momentos de crise e de desgaste governativo… suspeito que o sindicalismo nunca mais será o mesmo em Portugal depois da Geringonça e penso que o PCP tem-se suicidado ao desbaratar a única arma que tinha: a luta operária contra os partidos da governação.

Temo que na próxima legislatura assistiremos ao detonar de muito mais descontentamento  que até agora foi controlado ainda pelas forças sindicais partidarizadas e veremos o surgimento de cada vez mais casos de lutas libertas das tutelas habituais e não sei se a tática até agora seguida por Costa continuará a funcionar e a dominar a opinião pública.

Meu artigo de hoje no diário Incentivo:

DA SEMANA DO MAR AO REGRESSO DA TAP

Mais uma Semana do Mar passou e não sendo 2019 um ano de autárquicas não seria de esperar um cartaz de arromba como o de há dois anos atrás para os concertos em terra e, pelo que ouvi, no mar o festival foi programado como habitualmente.

Nunca escondi que gosto da Semana do Mar e mesmo sem ter seguido a grande maioria dos concertos e apesar do espaço ter sido encolhido (devido às obras na Praça do Infante) coube toda a gente que quis vir à festa. Entre o que mais apreciei este ano encontra-se o desfile coreográfico “Sambódromo do Mar Profundo”, trouxe cor, luz e novidade numa hora acessível a todos os que não podem estender a sua participação pela madrugada fora e foi portador de uma mensagem sobre a problemática dos oceanos e do ambiente, tema pertinente neste festival: o mar; mais ainda nos tempos que correm.

Apesar de a meteorologia não ter sido a melhor, pelas reportagens e conversas, tal pouco afetou as tasquinhas e os restaurante, sinal da importância da Semana do Mar para o convívio das pessoas, que ultrapassam o obstáculo da chuva e se juntam para o encontro de amigos e famílias em partilha gastronómica, importância que esta festa, à semelhança das do Espírito Santo, não perdeu, ao contrário de muitas outras tradicionais desta ilha onde a afluência dos Faialenses tem vindo num progressivo decréscimo, sobretudo dos mais jovens.

Contudo a notícia da semana foi a que o Diretor Executivo da TAP, cargo atualmente conhecido pela sigla CEO, Miguel Frasquilho, comunicou à Câmara do Comércio da Horta de que o regresso ao Faial da transportadora aérea nacional “é uma possibilidade a ter em conta”. Não sendo uma promessa garantida – aliás, falta de garantias em boas notícias é o que a população desta ilha está habituada – não deixa de ser uma oportunidade a que todas as forças-vivas desta terra se devem associar para que não esmoreça e mais uma vez se gore esta pretensão de tantos Faialenses.

Não estou certo se a melhor solução para os aeroportos do Triângulo, mais especificamente os do Pico e da Horta, seja a liberalização do espaço aéreo a estas infraestruturas, como se deduz da notícia. Mas estou seguro que a situação atual de serviço prestado pela Azores Airlines não serve os interesses desta zona dos Açores e até despromoveu este destino devido à falta de qualidade e de garantias das ligações entre estas ilhas e Lisboa ao longo dos últimos anos.

Assim, queiram tanto os grupos profissionais do turismo, comércio e indústria; como os representativos dos cidadãos aqui residentes, eleitos nos mais diferentes órgãos políticos, ter engenho, arte e espírito de cooperação para levar a bom porto, ou a bom aeroporto neste caso, a resolução deste assunto para bem de todos.

Desejo uma solução que não coloque as gentes do Triângulo reféns de ninguém. Uma solução capaz de planear a sua atividade a longo-prazo para que seja viável, não só aos turistas que nos queiram visitar, como também aos que cá residem e à diáspora destas ilhas, programar as suas deslocações com a devida distância ou proximidade temporal adequada aos tempos atuais. Uma solução que seja do interesse da própria transportadora dinamizar as ligações ao Faial e ao Pico através das suas gateways sem querer desviar os passageiros para outras portas de entrada e saída dos Açores.

Pelo menos nenhum Governo de direita conseguiu até hoje colocar os grevistas como os maus da fita face aos patrões, mas Costa tem este pioneirismo: foi com os professores, os enfermeiros (até era ele o patrão), os condutores de mercadorias (patrões privados), etc. um esvaziamento da luta popular precisamente quando esta deu mostras de musculatura.

Pois, assim compreendo melhor porque as greves eram intoleradas do outro lado da cortina de ferro e são-no na Venezuela ainda hoje em dia, na China e na Coreia do Norte

Meu artigo de hoje no Incentivo

BOAS-VINDAS E TIQUES

O navio Mestre Jaime Feijó chegou ao porto da Horta, bem-vindo! Talvez tenha sido a ideia de alegria mais divulgada nas redes sociais durante a noite de 24 de julho da passada semana por estas bandas dos Açores. Um contentamento a que me senti de todo associado como Faialense residente.

A abundância e unanimidade das manifestações de satisfação com a chegada deste navio à Atlanticoline, que vem substituir o acidentado Mestre Simão, mostrou bem a ânsia que os Faialenses, Picoenses e Jorgenses tinham deste equipamento para a assegurar ligações marítimas adequadas dentro do Triângulo e espero, de modo sincero, que com a presença do Mestre Jaime Feijó haja um planeamento atempado que permita a realização de um número de viagens entre estas três ilhas com qualidade e frequência que fortaleça não só a união das suas populações, mas também a identidade da realidade do Triângulo como destino turístico nos Açores.

Felizmente, nos objetivos as populações por estas bandas costumam ter sonhos e ambições consensuais e quando as coisas correm bem não têm complexo de manifestar-se unidas nas suas alegrias, independentemente da sua ilha de residência ou ideologia política.

Todavia, se existem problemas logo surgem divisões. Tiques doentios de lambe-botas que borram a transparência que os poderes públicos em democracia devem ter na resolução das dificuldades e dão força aos que querem a desunir o Faial, Pico e São Jorge. Não há que ter medo em assumir: o maior inimigo do Triângulo é gente opositora desta união instalada noutras bandas dos Açores que é influente na gestão e governação da Região. Esse grupo conta com aliados ingénuos ou interesseiros daqui que se deixam levar e argumentam com pistas falsas e meias verdades lançadas de fora para nos dividir com ódios bairristas, gastarmos energias em confrontos e nos distrairmos.

No modo como a SATA tem maltratado as gentes do Triângulo e abusado da paciência dos turistas para este destino; no modo como a Atlanticoline tem planeado os seus calendários de viagens que não favorecem a vinda às maiores festas do Faial, Pico e São Jorge nem são definidas com a antecedência para um bom planeamento de quem nos pretende visitar; no modo como o Governo se tem desculpado nas obras dos aeroportos, incidentes em portos e até no não explicar a interdição da praia do Porto Pim ou a não conclusão da variante, etc. as autoridades sempre contaram com colaboracionistas locais que nos desviam para causas não essenciais para que os responsáveis saiam ilesos e, pior ainda, as coisas não sejam resolvidas rápida e adequadamente.

Em democracia é normal as oposições questionarem o Governo: é como se assegura a transparência e se força a ação governativa. Mas é doentio o tique de colaboracionistas locais em desvalorizar estas questões, apelarem ao silêncio da denúncia, acusarem quem questiona em vez de ser exigente com os responsáveis dos incumprimentos que nos afetam. Isto só serve para fortalecer os vícios instalados, à perpetuação de incompetentes oportunistas ambiciosos, à desresponsabilizações das autoridades culpadas, à não resolução dos problemas e à vitória dos inimigos do Triângulo.

A todos votos de uma boa Semana do Mar e divirtam-se! Mas não se deixem deslumbrar com o brilho da festa de modo a ficarem ofuscados e cegos que impeça de ver e de defender o Triângulo e cada uma das suas três ilhas e no respeito das várias diferenças e particularidades de cada um.

Quando o ministro da Administração Interna apela aos outros para não haver aproveitamento político no caso do kit de proteção aos fogos, não estava precisamente o Governo a fazer aproveitamento político com essas prendas à custa dos nossos impostos?

Ao mesmo tempo o executivo não estava a favorecer uma empresa “amiga” com a seleção destas golas?

Não estava ao governo a colocar pessoas em risco em possíveis campos de incêndio se não se tivesse denunciado que as golas eram inflamáveis?

Quem fez nisto maior aproveitamento? Quem estava a aumentar a vulnerabilidade das pessoas com golas que não se sabia serem inflamáveis com dinheiros públicos ou quem critica tais comportamentos de governantes oportunistas feitos com o dinheiro dos outros?

Irrita-me profundamente a hipocrisia dos que se aproveitam do dinheiro das populações para fazer propaganda mas acusam quem os denunciam como se não fossem os culpados.

 

Vendo a qualidade do serviço da transportadora aérea açoriana nos últimos tempos, recomendo que o Governo dos Açores primeiro resolva a questão da Azores Airlines e só depois arranque com este concurso de promoção turística dos Açores no Canadá, é que com as falhas que tem havido nas rotas para o novo mundo não haverá promoção que resista à despromoção que poderá vir das queixas dos clientes com a qualidade prestada pela SATA.

Não digam depois que eu não avisei a tempo. 😉

Tanta publicidade do Governo dos Açores ao seu novo regime de pré-reformas publicado esta semana, mas parece-me um bluff total dizer que oferece condições favoráveis… talvez para alguns muito poucos.
Grandes cortes no vencimento, mas sem abatimento nas contribuições obrigatórias a pagar, o que dá um rombo astronómico e sem se suavizar em função dos anos de carreira nem com o avançar da idade entre os 55 e os 65 anos…
Uma coisa o Vice-Presidente parece-me que tinha razão: isto não deve custar nada ao erário regional, pois praticamente ninguém de bom-senso deverá aderir depois de fazer as contas… exceto se tiver já um segundo emprego… e quem são estes? Os do costume.