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Desde a guerra fria que a Europa se habituou a viver sob a proteção dos EUA, enquanto o bloco de leste existiu a NATO era também do interesse dos americanos. Agora sem a inimiga URSS, a Europa quer ser livre, mas com a mesada do tio Sam. Trump avisa que todos têm de contribuir na defesa do grupo e a Europa treme pagar para ser livre. Eu sou pela independência total e o Velho Continente tem pânico disto.

Claro que Trump faz bluff, não lhe interessa mesmo que o resto do mundo que foi subserviente aos EUA se liberte totalmente, mas eu nisso dava mesmo o fora, apesar dos custos para a Europa e os outros que se libertassem.

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Meu artigo de opinião de hoje no diário Incentivo:

SISMO DE 9 DE JULHO VINTE ANOS DEPOIS

Para quem assistiu o sismo de 9 de julho de 1998 sentindo a casa a ruir à sua volta, vivendo o pavor do que lhe poderia acontecer, mesmo saindo ileso, e depois observou que tudo nas imediações estava também destruído, que todos os vizinhos eram igualmente sinistrados desalojados, que só restava cooperar na dor e na necessidade de ir em frente: 20 anos nunca vira a passado. Aquele dia é sempre hoje.

É verdade que agora, na generalidade, a grande maioria dos sinistrados vivos reorganizou a sua vida e alguns até conseguiram atingir níveis de bem-estar que antes nunca pensaram alcançar. Mas ficaram feridas profundas em praticamente todos que nunca cicatrizaram. Abriram-se fissuras sociais jamais tapadas e o mundo onde se vivia mudou tão bruscamente que as memórias ficaram desenraizadas da própria terra onde nasceram ou cresceram.

Quem não viveu de modo tão intenso este sismo não percebe a dor de quando se perde as referências do próprio passado ao dizer-se algo como: era por aqui a minha casa, penso que ali a dos meus pais, mas onde?… já nem sei bem e nem me lembro perfeitamente como era, isto está tudo tão diferente!

É verdade que a realidade à nossa volta é um contínuo em mudança, só que as coisas naturalmente mudam de modo progressivo, sem um corte radical e abrupto com o passado. Num terramoto não há tempo de adaptação entre o que era e passou a ser; não temos um aviso prévio e nunca se está preparado para a mudança que é imposta e sem culpados para responsabilizarmos das nossas angústias. Tem de se suportar tudo cá dentro: a resignação, dói; o pôr mãos à obra para recomeçar, dói; até a alegria de concluir e entrar numa casa nova nossa, dói.

Como sinistrado e após tanta dor, para mim não há insulto maior que sentir a inveja de alguém ao dizer: ainda tens é de agradecer ao sismo! Confesso, já ouvi isto numerosas vezes.

É verdade que tal como qualquer queda, toda a catástrofe é uma oportunidade para repensar a situação, levantar-se, ir em frente e muitas vezes abrem-se portas que sem esse tombo nunca teriam aparecido escancaradas. É verdade que no seio das oportunidades há os que as sabem aproveitar e os que abusam do aproveitamento, tal como há os que as desperdiçam e as perdem e nunca mais se levantam. No primeiro caso apenas há que congratular a capacidade de regeneração após tanto sofrimento. No segundo, compete à lei e à justiça disciplinar e, nos restantes, importa a solidariedade de uma mão que os puxe para cima. Só que um sinistro é sempre um mal que dói e ao mal não se agradece.

Vinte anos depois do 9 de julho de 1998 tenho a sorte de ter uma vida reconstruida, mas não me esqueço de todas as mãos que se me estenderam, algumas eram de amigos, outras geraram amizades que perduram, algumas eram de conhecidos de ocasião e muitas vieram de gente anónima e desconhecida com quem hoje pouco convivo, mas a todos os que souberam ajudar os sinistrados, sobretudo aos que nada receberam em troca e o fizeram por solidariedade grátis, merecem um agradecimento.

Vinte anos depois do sismo de 9 julho de 1998 espero que os Faialenses e os Açorianos não esqueçam das características destas ilhas onde vivemos, que não se insista nos erros que ampliam dores futuras para tirar dividendos de curto prazo, pois a melhor homenagem aos sinistrados é agir preventivamente para reduzir males vindouros… e os sismos são riscos que não deixam de nos espreitar.

Eram 5h19m da madrugada do dia 9 de julho de 1998 quando a Ribeirinha, onde vivo e vivia, foi atingida por um sismo de magnitude 5,9 Richter e devido a ser o local mais próximo do epicentro, uns escassos 5 km, este alcançou a intensidade VIII-IX Mercalli, o choque destruiu a povoação ao ponto que as fotos abaixo documentam:

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Uma destruição de mais de 90% do parque habitacional da Ribeirinha, ainda mais significativa nos Espalhafatos, o outro lugar da freguesia. Cinco mortos numa população com cerca de 500 habitantes, 1% dos residentes e isto pode dar a perspetiva de quantos seriam se tal destruição tivesse atingido uma cidade de muitos milhares ou milhões de habitantes. Houve mais 3 óbitos nas localidades contíguas: Pedro Miguel e Salão, mas ligeiramente mais distantes do epicentro. Os danos estenderam-se por toda a ilha do Faial e ainda Pico e São Jorge.

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Apesar de isolados por estrada, sem luz, água e em pouco minutos de outros meios de telecomunicação, a inter-ajuda no lugar da Ribeirinha das pessoas foi enorme, desde o auxílio na retirada de soterrados, ao apoio a feridos, passando pelo acalmar indivíduos em estado de choque; a verdade é que praticamente todos habitantes reunidos em torno do edifício polivalente recém-inaugurado por volta das 9 horas foi servida uma refeição ligeira com bolachas, pão, queijo, manteiga, leite e café fruto da partilha das instituições locais e dos residentes organizada por voluntários…pouco tempo depois começaram a chegar os primeiros socorros em virtude do desbloqueio das vias de acesso. Um dia difícil, mas onde a solidariedade imperou e foi a palavra de ordem.

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Nos Espalhafatos, sem um local de acolhimento adequado e com vias internas também cortadas pela queda de pontes, foi mais difícil a organização das populações, mas a solidariedade foi a mesma, não faltaram exemplos de ajuda mútua e cooperação.

 Uma data em que o programa de vida de todos os Ribeirinhenses, tal como também para muitos outros Faialenses, Picoenses e alguns Jorgenses, mudou para sempre, houve dor, mas houve solidariedade humana desde a primeira hora, naquele dia não houve divisões políticas… estas vieram mais tarde e não tiveram origem no Povo e geraram outros problemas; mas neste 9 de Julho de 2018, 20 anos depois daquela catástrofe, quero lembrar a coragem e a cooperação desta gente, sem esquecer os que partiram e para todos eles a minha homenagem.

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Agora, 20 anos depois, ainda há cicatrizes, físicas e psíquicas, há património perdido e até subsiste algum por recuperar, mas no essencial a vida das pessoas e da comunidade reconstituiu-se e tomou um rumo. Ficou a memória da Ribeirinha e dos Espalhatos anterior ao sismo em muitos então jovens e adultos. Hoje as crianças olham a freguesia como se esta sempre tivesse sido assim e parecem-me com todas as condições para virem a ser felizes como nós antes do sismo fôramos sempre sujeitos aos percalços da natureza e da história e é esta a minha homenagem às gentes que aqui vivem. Bem-hajam a todos.

Fotos cedidas há uma década por Conceição Quaresma desta freguesia para o meu único blogue de então Geocrusoe.

Da análise do Incentivo ao relatório do acidente que o navio Mestre Simão sofreu deduz-se que: apesar de já se estar dentro da baía do porto e do navio não ter respondido às manobras que corretamente o mestre deu a partir do leme… a culpa é do mar! Não há problemas com o projeto de abrigo do porto, nem com as características do navio. Não há surpresas ou esperavam uma conclusão que responsabilizasse algo ou alguém que não a natureza?

Tudo como dantes no castelo de Abrantes.

Quase não há semana em que algo que envolva a SATA não acabe comprometido: desde viagens que não se fazem com desculpas esfarrapadas, a pretensas negociações de aquisição que vão bem e não se fecham, até operações que não se assegura no prazo. A administração nunca é responsabilizada e de facto a culpa é da tutela: o governo dos Açores está paulatinamente a destruir a transportadora e a sua credibilidade.

A administração parece aquele fantoche que está em cena apenas para servir de escudo dos maus, mas se um fantoche real não pensa e se na SATA alguém faz figura de fantoche de forma consciente é porque não tem vergonha de dar a cara enquanto vai assistindo à destruição da transportadora aérea pública regional.

Agora foi a situação do avião cargueiro, na Madeira o consórcio sabe operar, mas nos Açores lá tropeçou na SATA e esta é uma caixinha de imprevistos que já nem poupa São Miguel…

Quem pensou que o mal da SATA se iria restringir apenas a ilhas pequenas agora já começa a sentir os efeitos do veneno que mata aquela empresa

Meu artigo de hoje no Incentivo

GOVERNO DOS AÇORES TRATA MENOS BEM OS AÇORIANOS

No Funchal, na passada semana, o presidente do “Instituto da Administração da Saúde da Madeira” (IASAÚDE) denunciou publicamente que o Continente não está a cumprir os acordos estabelecidos com aquela Região Autónoma ao nível do pagamento dos reembolsos do subsistema de saúde ADSE.

A verdade é que aquela situação não é um exclusivo da Madeira, isto também ocorre nos Açores perante um quase silêncio de cumplicidade partidária do nosso Governo Regional para esconder o desrespeito da República para com os contribuintes Açorianos deste subsistema de saúde que passou a ser gerido apenas a partir do Continente.

Recordo que os Açorianos que contribuem para a ADSE não deixaram de pagar as suas contribuições a tempo e horas, cobradas pela Administração dos Açores, só não têm sido reembolsados nas suas despesas de saúde num subsistema para o qual continuam a pagar.

As tentativas dos Governos no Continente evitarem ter despesas com as Regiões Autónomas têm sido transversais aos diferentes partidos que os integraram. Mas nos Açores, quando o Primeiro-ministro é da mesma cor do Presidente do Governo Regional a intensidade das reivindicações dos governantes açorianos baixa e os políticos por cá no poder colocam as denúncias na gaveta e chegam mesmo a silenciar-se.

Se fosse só esta mudança do grau de exigência do Governo Regional em função da cor política do executivo em Lisboa ser igual ou não, mesmo discordando, eu até percebia que era o mal da partidarite a afetar os governantes e deputados no poder regional. Mas, além deste mal, a atitude dos Governos das duas Regiões Autónomas para com os seus funcionários também não está a ser igual.

O Governo da Madeira não se limitou a denunciar alto este incumprimento do Continente, aquele Governo, para não prejudicar os Madeirenses, ao contrário do que se passa por cá com os Açorianos, também assumiu que iria adiantar o pagamento dos reembolsos às pessoas daquela Região e depois acertava as contas quando viessem as verbas atrasadas de Lisboa sem prejudicar o seu Povo.

Já o Governo dos Açores não só optou pelo não pagamento dos reembolsos aos Açorianos e quando as questões dos lesados surgiram, o Executivo teve então de responder e enviou um email interno aos seus funcionários para acalmar os protestos, mas escondeu que a Madeira optara por uma via diferente para não prejudicar os Madeirenses, ao contrário do que ele fazia por cá aos Açorianos.

Quem diria! O Governo da Madeira que há poucos anos estava praticamente falido e foi alvo de resgate financeiro, já tem dinheiro para adiantar aos Madeirenses em virtude do incumprimento do Continente, enquanto o Governo dos Açores, que sempre tem falado das suas boas contas, mesmo que se saiba do que esconde de dívidas debaixo das empresas regionais, deixa os Açorianos mais pobres à rasca, protege o abuso de Lisboa e vai gerindo isto como se nada fosse com ele, mas já é com ele continuar a cobrar as contribuições para ADSE para enviar para Lisboa.

A verdade é que o Governo dos Açores age assim em prejuízo de Açorianos porque muitos também têm deixado que isto aconteça de modo impune…

Foi com grande alegria que ouvi a RTP-Açores noticiar que o Hospital de Ponta Delgada desenvolveu um teste rápido de deteção da leptospirose, o que pode salvar muita gente nos Açores onde esta doença é endémica. Quem, como eu, viu familiares queridos saudáveis serem ceifados em poucos dias por falta de diagnóstico a tempo só pode regojizar-se. Acresce que o método pode exportar-se para outros Países que sofrem de igual risco.

Espero agora que o Serviço Regional de Saúde permita estender o método de análise ao máximo de ilhas dos Açores e o mais rapidamente possível. Até porque ficou explícito que além de rápido não era caro, para que assim mais nenhum Açoriano sinta a dor da perda de familiares e amigos saudáveis contaminados por esta bactéria, cuja infeção é facilmente tratável se detetada precocemente, mesmo que por vezes com sequelas duradouras, mas mortal se não tratada a tempo.

Aos que desenvolveram o novo método no Hospital do Divino Espírito Santo os meus parabéns e votos para que esta doença deixe de ser motivo de preocupação de tantos Açorianos.