Feeds:
Artigos
Comentários

Os cortes aos salários e pensões mais elevadas só foi aceite pelo Tribunal Constitucional como medida transitória que até obrigava Passos a repor se continuasse a governar, mas Costa assumiu a reposição como um mérito pessoal seu ao anunciar as reposições, mas isto não era o fim da austeridade era uma imposição legal, mas ninguém soube denunciar a fraude, nem a direita, talvez porque a velocidade da proposta desta era mais lenta.

Depois das reposições Costa manteve os congelamentos salariais praticamente a todos , a não atualização de vencimentos até já vinha de Sócrates, e é uma forma de manter cortes salariais disfarçados, mas ninguém foi capaz de denunciar a fraude.

Agora ao fim de 10 anos e após uma década de congelamentos e de não progressões eis que Costa propõe aumentos muitos menores para a função pública onde considera apenas o último ano de inflação e o crescimento económico. Toda gente grita que é uma vergonha, e é, mas prova, sobretudo, crescimento anémico ao nível nacional e é a evidência de que a austeridade de Centeno sempre usou os salários da função pública, mas poucos em Portugal têm a coragem de chamar a isto a austeridade desta Governação. Além de ser a prova de que Portugal sempre tem vindo a recuar economicamente dentro da União Europeia apesar do propalado sucesso da Geringonça que apenas deu continuidade à perda de competitividade do nosso País.

No contexto Europeu, Portugal tem continuado sempre a perder para os restantes Estados desde que a troika saiu do nosso País.

Meu artigo de hoje no jornal diário Incentivo:

DO HOTEL DO CARMO AOS SISMOS NO FAIAL

  1. Faz agora três anos que aqui no Incentivo escrevi “Outra notícia promissora que ouvi… foi a celebração de um protocolo de cedência do Quartel do Carmo pela Secretaria de Estado da Defesa ao Ministério da Economia, para no âmbito do programa Revive se disponibilizar aquele imponente imóvel a investimentos na área do turismo… fico aguardar o evoluir da situação,esperando que se concretize.

Levou três anos para se perceber o episódio seguinte: O Grupo Lux Hotels apresentou na passada semana os traços gerais da transformação do antigo convento e quartel do Carmo num hotel de cinco estrelas com 98 quartos, 173 camas e um salão de congressos para cerca de 250 pessoas.

Este projeto ainda não se concretizou, mas o anúncio aumentou em muito a esperança numa solução condigna para aquele magnífico conjunto patrimonial da Horta, cheio de história, que já esteve para ser demolido no século XIX por falta de uso e destino, mas tal como a Fénix da mitologia que renascia das cinzas, tudo aponta que aqueles imóveis em degradação também voltem a ter vida.

Como já então era evidente, congratulo-me por este passo por vários motivos: a reabilitação do espaço, a nova oferta de alojamento turístico para um nicho de clientes diferentes e a criação de uma zona de congressos, pois a do Teatro Faialense não possui as condições adequadas para este fim. Apesar de alguns não gostarem que se diga esta verdade de facto.

Assim, além de desejar que esta pretensão não volte atrás, espero que também se encontre uma solução de reabilitação e transformação do uso que concilie e integre o que for possível recuperar ao nível do património histórico daquelas estruturas para preservar a memória do que aquele espaço já foi: convento religioso e quartel militar, ambos importantes para contar o passado da Horta.

  1. Há cerca de um mês que a calma dos Faialenses tem sido perturbada por uma crise sísmica centrada a cerca de 30 km para oeste dos Capelinhos, como geólogo da área de riscos acompanho estes fenómenos e não vejo agora nada de novo: já há muito que é conhecida a agitação daquela zona e, felizmente, nunca em anteriores crises conhecidas dali resultaram danos graves para o Faial e, até ao momento, nada está a ser distinto para se suspeitar que seja diferente.

As pessoas estão assustadas, pois além dos quase 30 sismos sentidos num mês também vão aos sites da internet e descobrem que já são muitas centenas de eventos registados nos sismógrafos, mas isto nas últimas década não é novo: os comunicados falavam das crises depois de tremores sentidos, mas sempre houve muitos mais abalos registados e a relativa grande distância ao Faial, apesar das incertezas da natureza, não indicia nada de pior face às anteriores crises já ali localizadas.

Assim, além das habituais medidas preventivas das pessoas dadas pela Proteção Civil, que nunca devem ser descuradas por quem reside nestas ilhas, o mais importante é no tempo de acalmia fazer os trabalhos necessários: os reforços de resistência sísmica nas habitações já existentes em vez da mera cosmética nas fachadas; não construir ou ir viver para as áreas de risco, por norma mais perigosas mesmo para as novas casas; não ter nas habitações objetos pesados que possam cair sobre locais onde se dorme e se colocam as crianças; no interior das moradias definir zonas de abrigo e caminhos de refúgio até elas e esperar que tais obras, ordenamento seguro e atitudes nunca sejam testados num grande terramoto, mas nos Açores é provável que um dias surja essa oportunidade.

Reconheço que parece ilógico que sendo eleita pelo Livre e por Lisboa Joacine não tivesse considerado a importância que a causa palestiniana tem na história do partido. Assim parece-me estranho a opção da deputada e deve haver outras razões que se desconhecem para aquela abstenção. Pessoais? Não sei.

Agora é muito estranho que num partido tão pequeno toda a discussão nesta questiúncula esteja a ser feita na praça pública, é que pela dimensão do Livre bastava reunirem-se numa sala baterem-se (já sei que são contra a violência e de quererem parecer tão justos e sérios são incapazes de perceberem uma ironia) e depois de derramada a fúria virem todos de mãos dadas mostrar que têm um projeto para Portugal.

E a vida do Livre na AR ainda é uma criança…

Meu artigo publicado hoje no diário Incentivo da cidade da Horta

COMPETÊNCIA NÃO BASTA

No passado dia 13 os Açorianos conheceram o nome do novo Presidente do Conselho de Administração da SATA: Luís Rodrigues, nomeado pelo dono do grupo: o Governo dos Açores.

O escolhido tem no seu currículo o desempenho de cargos de Administrador Executivo e de Presidente do Conselho de Administração de empresas do Grupo TAP, o que à partida garante ter conhecimentos na área de gestão financeira e comercial de transportes aéreos de passageiros, ao contrário do seu antecessor que numa declaração infeliz durante uma entrevista no início do seu mandato deixou transparecer a sua ignorância para a matéria em que fora empossado.

Se tal currículo pode dar garantias de potencial capacidade individual do nomeado para o cargo em questão, infelizmente tal não afiança que Luís Rodrigues possa gerir convenientemente o grupo SATA. Pois, além do novo líder desta administração ter de articular uma boa gestão financeira e comercial das empresas envolvidas com as necessidades a prover ao nível de serviço público de transporte aéreo de passageiros, cargas e acessibilidades aos Açores, ele continuará sujeito aos riscos resultantes dos interesses políticos dos governantes da Região e seus devaneios irracionais ao tutelarem esta empresa pública.

Desengane-se desde já quem acima perspetivou uma pretensão a defender a privatização, no todo ou em parte, do grupo SATA. Nada disso. Sobre esta opção não me pronuncio neste artigo, aliás, quem já pretendeu vender a privados a empresa Azores Airlines foi o socialista Governo dos Açores e as críticas que então lhe enderecei nesse campo foi do desastroso modo como conduziu o processo e escondeu aos Açorianos o fiasco daí resultante nas negociações com os pretendentes islandeses.

O que quero realçar é o facto de que no passado a SATA já teve administradores competentes e afastados dos cargos pelas interferências absurdas impostas pela tutela e com denúncias de erros crassos nas opções estratégicas de gestão e compra de equipamento que o Governo dos Açores impunha à empresa pública. Situações cujo tempo veio dar plena razão aos primeiros sem nenhum mea culpa (máxima culpa mesmo) assumida pelo Excetivo Regional, o que desembocou no descalabro financeiro do grupo e na degradação colossal da qualidade do serviço de transporte de passageiros e carga ao Arquipélago com reflexos negativos bem evidentes nas ilhas do Faial e Pico.

Lembro-me dos avisos públicos havidos ao anúncio de rotas não rentáveis que nem interessavam aos Açorianos e na compra de aviões que não se adequavam a vários aeroportos das ilhas, quando já era necessário melhorar o serviço e cujos encargos daí resultantes só agravaram o que estava mal. Infelizmente não foram esses bons administradores que levaram água ao seu moinho, mas sim a teimosia irracional de certos governantes que ainda vão tutelar Luís Rodrigues e os mais recentes administradores que foram sobretudo subservientes à irracionalidade destes políticos que continuam a mandar sem nunca terem sido responsabilizados pelo descalabro que provocaram na SATA.

Assim, embora a carreira do novo administrador indicie capacidades para implementar uma boa gestão na SATA, tal não garante que possa tapar os gigantes buracos feitos e muito menos impor-se às vontades irracionais de certos governantes regionais e não é justo apagar agora da memória os bons administradores afastados do cargo por teimosia dos políticos que têm destruído a SATA.

Meu artigo de hoje no diário do Faial – Incentivo:
ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS, OBRAS LITORAIS E RISCO
Não sei se é um aviso do que pode acontecer ao Faial e aos Açores com as alterações climáticas que se perspetivam devido à subida da temperatura média do ar atribuída ao efeito estufa ou se foi só um outubro meteorologicamente anómalo; a verdade é que ao longo do mês que findou esta Ilha e Região foram afetadas pelo furacão tropical Lorenzo, quase de categoria 2 na escala Saffir-Simpson, estiveram sob a ameaça da tempestade tropical Pablo, e ainda da extratropical Rebekah e nestes fenómenos bateram-se alguns recordes na história dos registos da meteorologia.
Se efetivamente estivermos perante uma tendência, ficou claro que teremos de nos preparar e adaptarmo-nos a maresias cada vez mais altas e galgamentos que penetram mais para o interior de terra (como se viu na Feteira e Porto Pim), a uma maior frequência de inundações de zonas planas de baixa altitude (Largo da República) e ocorrência de ventos mais fortes (Lorenzo).
Sei que existem instituições e departamentos governamentais a estudar e a acompanhar estas tendências, mas também já deu para perceber que as perspetivas que estão a ser determinadas ainda não estão a ser assimiladas por parte da população e talvez até por certas entidades públicas. Se não fosse assim, já se sentia um maior pudor das pessoas em apresentar ou apoiar projetos para ocupar o litoral não urbanizado e a propor construir em zonas expostas a riscos naturais costeiros.
Confesso que também me parece que algo está mal com projetistas e engenheiros associados às nossas obras costeiras, se é certo que já ocorreram tempestades que afetaram obras portuárias com mais de cem anos, os danos estruturais e acidentes em portos têm-se concentrado nos construídos nas últimas décadas, feitos já em condições de maior informação científica e de disponibilidade de soluções técnicas para estas infraestruturas resistirem melhor aos perigos naturais.
Parece que os estudos técnicos para obras costeiras são feitos mais para justificar decisões políticas tomadas antes pelo dono da obra, ao nível das características e local do projeto anunciado, do que para se encontrar a melhor solução que conjugue a maior resistência às intempéries com a máxima operacionalidade e sem comprometer o futuro desenvolvimento da ilha onde seja construído. É que se uma pretensão nasce torta dificilmente se endireitará com estudos justificativos posteriores, estes terão sempre objetivos de remediar erros já cometidos, antes de à partida se maximizar a resiliência às tempestades e a adequação da obra aos objetivos.
Como o litoral das nossas ilhas já estava urbanizado muito antes das atuais preocupações com as alterações climáticas e do levantamento de zonas de risco, tal leva a que em muitos destes casos exista a necessidade de pensar na realização de obras de proteção do património já edificado em zonas costeiras e só em casos mais extremados optar por deslocalizar os aí residentes. Assim, salvo alguma exceção pontual, há que encontrar soluções para proteger os que já habitam entre a baía do Porto Pim e o porto da Feteira, sendo fundamental ter cuidado em não criar atrativos que fomentem futuras ocupações sobre o mar, colocando mais pessoas e projetos expostos a galgamentos marinhos e ao recuo da costa. Aliás, foi o risco desta zona que já antes justificou a primeira fase da variante.
Assim, falar de alterações climáticas tem de ser consequente e conduzir a mudanças de mentalidade com reflexo em futuras ocupações do litoral e na construção de novas infraestuturas costeiras.

Meu artigo publicado a 22 de outubro 2019 no diário Incentivo, que por ausente em férias só agora é transposto para o presente blogue:

SEGURANÇA DAS CRIANÇAS E RESAS NO AEROPORTO

Já não é a primeira vez que denuncio publicamente que no outono e inverno aqui no Faial, precisamente quando os estudantes se dirigem a pé para os autocarros escolares ou diretamente para estabelecimentos de ensino e apesar de ainda estar de noite a iluminação pública se apaga e deixa os nossos caminhos dentro das zonas urbanas, sobretudo das freguesias rurais, mas também citadinas, às escuras.

É muito estranho que ainda de madrugada escura e na hora de maior movimento de peões de pouca idade pelas ruas, nas estações que sobrepõem o ano letivo e as piores condições meteorológicas para a visibilidade dos condutores de viaturas, a que acresce os faróis acesos dos carros que ofuscam e escondem as pessoas que andam pelos caminhos a pé e ficam na sombra ou em contraluz, a iluminação vinda de cima, que tornaria as nossas crianças visíveis, seja apagada.

Até ao momento não tive eco de nenhuma autoridade ou associação de cidadãos do Faial a dar atenção a este assunto, apesar de colocar em risco a segurança física de muitas crianças do concelho da Horta, eu mesmo já vi situações assustadoras com condutores cuidadosos.

Presumo que com a próxima mudança de hora durante uma semana ou duas este problema se esbata, mas para meados de novembro volta em força se não for resolvido por quem de direito, pois o nascer do sol será cada vez mais tardio e a hora da escola e da circulação das crianças para os estabelecimentos de ensino manter-se-á a mesma.

Contudo, quem por volta das 7 horas e meia da manhã olha para o concelho da Madalena a partir do Faial verá por ali todas as ruas urbanas iluminadas, enquanto estranhamente percorrerá um grande número de ruas das freguesias e cidade da nossa ilha sem a iluminação pública acesa por aqui. Paragens de autocarros e envolvente de escolas no escuro é uma desconsideração muito estranha dos Faialenses adultos para com o cuidar de ter as suas crianças bem visíveis quando circulam no seio do trânsito às escuras pela madrugada. Eu não tenho filhos, mas para os pais e responsáveis fica aqui o alerta.

Após toda a luta dos Faialenses para se alcançar uma ampliação adequada das pistas do aeroporto da Horta e de até a Câmara Municipal se ter aliado à reivindicação, encomendando um estudo técnico para um projeto que maximizasse o aumento daquela infraestrutura com um mínimo de custos e a melhor operacionalidade possível, eis que as últimas notícias saídas ainda antes das eleições, pelo que agora ninguém foi enganado, vieram a confirmar o meu receio: a VINCI executará apenas o trabalho mínimo, limitando-se a assegurar a extensão num comprimento imposto por lei para a criação de áreas de segurança nos extremos das pistas, a denominada RESA (Runway End Safety Area).

Assim e com todo o desplante, os Governos da República e dos Açores puseram-se de facto de fora nesta reivindicação e até meteram o projeto da Câmara na gaveta, tudo isto sem qualquer penalização de fundo por parte de muitos Faialenses após se conhecer esta situação. Estes estão no seu direito de se contentarem com isto, eu discordo e respeito, mas manifesto o meu protesto, pois queria mais para a ilha que me viu crescer, onde vivo e considero que merecia uma maior atenção.

Teste