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Archive for the ‘Nacional’ Category

Há dez anos era a loucura da vontade da banca em emprestar dinheiro a todos, até a quem não precisava ou não tinha condições de pagar. Houve casos de corrupção, mas o encontro de contas consolidadas que obriga a considerar como perdas o crédito mal-parado tem sido  mortal para uma série de prejuízos, depois de BPN, BES e Banif, seguiu-se a Caixa e agora o Montepio e sempre que no passado nos garantiram que tudo ia ficar bem, acabou mal.

Não acredito que mudar de nome a um banco cujo dono está endividado salva a instituição bancária, como parecem agora querer fazer com o Montepio, mas a finança e política nacional tem sido bem criativa em apontar soluções que qualquer mente ajuizada não consegue crer na sua eficácia, mas tirando o discurso político, na realidade parece que nada muda neste Portugal para melhor.

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Não sei porquê, mas há uma prevalência para que o uso dos segredos ao abrigo da legislação na administração pública tenderem a favorecer os suspeitos de crime, tanto políticos como corrupto de outras áreas. Apesar da dureza coerciva de cobranças do fisco ao cidadão comum, o mesmo serve-se do segredo fiscal para dificultar investigações a potenciais grandes detentores de capital suspeitos de fugirem às suas obrigações se o pedido de dados vier do Ministério Público.

Na pressão que o Fisco faz ao cidadão comum e o acusa, este tem por norma de pagar primeiro e reclamar depois, mas mesmo quando os investigados do Ministério Público querem investigar suspeitos de fuga aos impostos quando alguém envia dinheiro para paraísos fiscais, aí o Fisco coloca-se do lado do provável criminoso sobre quem os crimes potencialmente serão de grande dimensão à escala de volume de dinheiro, enquanto o pobre Zé Povinho é considerado, por norma, por aquela autoridade como reles criminoso sem direito a se defender antes de pagar o exigido pela Autoridade Tributária. Uma vergonha que se baseia em leis perniciosas.

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Apesar da austeridade do resgate da troica assumida por Passos, foi no seu tempo de Primeiro-ministro que, pela primeira e única vez, um todo poderoso banqueiro caiu por falta de ajuda do Governo após o 25 de Abril, foi nesse tempo que o regabofe na poderosa PT como lugar de manobras políticas claudicou e ainda se tentou criminalizar o enriquecimento ilícito. A dureza imposta nunca foi simpática e por vezes, penso, injusta, mas bastou o caso das fugas não publicitadas para as offshores para que a argumentação dos ataques que o PàF fez aos fortes ficasse descredibilizada.

Apesar dos muitos erros de estratégia comunicacional do governo da Coligação, para além da implementação de medidas que utilidade duvidosa e altamente impopulares, como nos feriados e tolerância de ponto, ou da opção de tributar e reduzir os rendimentos dos trabalhadores do setor público como meio de poupança do Estado,  até ao momento parece que os sacrifícios impostos aos Portugueses tinham como objetivo atingir todos os que poderiam contribuir para o problema da bancarrota em que Portugal mergulhara. Mesmo sabendo nós que ficaram de fora ainda administradores de grandes empresas.

A trapalhada de como Paulo Núncio manipulou a página de divulgação da estatística dos dinheiros saídos para offshores, bem como a possibilidade de os mesmos não terem passado pelo crivo do fisco no seu tempo, mesmo que devido a um problema informático, dá argumentos a quem sempre quis passar a ideia de que a Coligação estava ao serviço do capital e dos poderosos e sem olhar a meios para triturar os mais fracos, é um machadada em muitos dos sucessos alcançados que permitem agora que os seus sucessores possam numa situação diferente brilhar e os acusar maldade para com os Portugueses da classe média e mesmo baixa.

Já não confiava nas estatísticas colocadas em nome da transparência num portal de Governo, agora tenho a certeza que os números divulgados são mesmo manipulados de acordo com os interesses dos governantes e mantenho que se investigue até às últimas consequências este caso e que se alguém tiver de ir parar ao banco dos réus que vá e não volte.

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Agora parece ter entrado em moda quando um governante parecer ter sido apanhado desmascarado em asneiras, este desculpar-se com um possível erro de perceção: primeiro foi Centeno, agora é Paulo Núncio. A mim só me importa que os assuntos fiquem devidamente esclarecidos, tanto num caso, como noutro e que no mais recente escândalo, se houve algum dinheiro em impostos não cobrado no momento que se procure ainda recuperá-lo, caso se perca, que os responsáveis sejam penalizados. Doa a quem doer.

Não aceito que se acumulem escândalos em paralelo para se irem branqueando entre si e suavizar os inquéritos entre adversários políticos, ameaçando atirar pedras às telhas de vidro para o outro lado partidário para com as suas reivindicações de investigações.

Ainda não percebi se os 10.000  milhões de euros passaram pelo crivo do fisco ou se apenas não foram parar ao portal das finanças, mas que é mesmo muito dinheiro para deixar alguma coisa por esclarecer, lá isso é.

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Independentemente da constitucionalidade em mostrar sms e correspondência entre Domingues e Centeno,  é claro que este mentiu. O ataque cerrado da oposição é para fragilizar o Governo, o normal na política nacional, provocar desgaste no executivo e o PS após assumir que a divulgação da comunicação entre o Ministro e o ex-Presidente da Caixa iria ridicularizar o PSD virou o discurso, escudou-se na Constituição e diz que a direita quer atacar é a Caixa… como se não fosse Costa o inimigo de Passos e não o banco.

Agora a alteração de tática da esquerda, que articulou o seu discurso, já não é tentar  querer divulgar a verdade, que aliás já se percebeu qual é: Centeno mentiu. É inventar uma outra vítima da querela: a Caixa; e atribuir um juízo de intenções à oposição para  vender uma discurso popular: – nós queremos salvar a caixa e eles querem a privatização; quando não é isto que está em jogo, mas sim abrir cada vez mais fundo uma ferida no Ministro das Finanças, o homem que sabe trabalhar os dados financeiros para que a propaganda do Governo possa gritar sucesso.

Nesta guerrilha, o mais evidente é a esperteza comunicacional em torno de Costa e a desastrada veia de Passos enfrentar esta máquina de propaganda.

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Os partidos têm como objetivo defender o modelo de gestão do País que acreditam (pelo menos na era das ideologias) e lutam para chegar ao poder. No sistema político nacional o Presidente da República é um fiel da balança entre forças que se combatem: Parlamento, Partidos, Governo, Sindicatos, patrões e, há que assumi-lo, os que usam os media. Sempre que o Chefe de Estado dá prioridade à estabilidade, as oposições ficam insatisfeitas, mesmo se saído desse lado.

Neste momento Marcelo não satisfaz os interesses do PSD que é oposição, embora vindo deste partido, que milita e presidiu, pois na sua ação tem privilegiado a estabilidade governativa de uma solução inovadora que muitos temem vir a acabar mal e outros têm esperança que funcione e tire Portugal da crise, mas ainda é cedo para conclusões.

No passado os Presidentes também assumiram posições que descontentaram os seus partidos de origem:

  • Soares, quando convocou eleições na sequência da moção de censura a Cavaco Silva vinda do PS e PRD queriam ser Governo;
  • Sampaio, quando aceitou a proposta do PSD de Santana Lopes ser Primeiro-ministro, que inclusive levou à demissão do secretário-geral do PS: Ferro Rodrigues;
  • Cavaco, no seu primeiro mandato que coabitou com Sócrates, embora no segundo mandato lhe tenha aberto uma guerra declarada.

Tirando o bom relacionamento com as pessoas intrínseco a Marcelo Rebelo de Sousa, o que mais o distingue neste momento de Cavaco é que privilegia  a estabilidade do governo de Costa, que ainda não sofre de rejeição do eleitorado e é de outra área ideológica, uma combinação conjuntural que também lhe confere popularidade; enquanto o anterior Presidente da República ao continuar a privilegiar a estabilidade da Passos, que era do mesmo campo político, quando este já era alvo de grande contestação, a conjuntura tornava o Chefe de Estado também impopular e parecia mais ser um apoio tácito da mesma área ideológica do que uma questão de estratégia de privilegiar a estabilidade governativa, até teve de aceitar a solução atual sem acreditar nela e quando a sua popularidade já era baixíssima.

Assim, mesmo podendo haver alguma colagem excessiva nesta estratégia de apoio ao Governo para garantir a estabilidade política, é normal que o PSD sinta que o Presidente da República não é uma bengala para a sua estratégia partidária e sofra com isso e haja críticas dos líderes deste força que o apoiou na eleição à presidência. Mas compete a Passos, no meio das dificuldades, saber gerir melhor a sua mensagem para o País e estratégia de oposição do que a Marcelo estender-lhe a mão… mas isto já é outro problema que também não é tão simples como querem dar a entender.

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Continuo sem certeza se era melhor o chumbo ou não do acordo da concertação social de descida da TSU para as empresas para subir o salário mínimo. Mas, como suspeitava, o Governo fez bluff: até à hora do chumbo afirmava que não ter alternativa se o Parlamento chumbasse a descida da TSU e no dia do chumbo já tinha uma medida compensatória. Assim, com sucessivos bluffs, se vai minando a credibilidade na política.

Quando o Governo diz que tudo corre bem e existem sinais no horizonte que o modo de gerir as finanças públicas é insustentável manter-se, veja-se a ascensão progressiva dos juros e a paragem de manutenção de infraestruturas públicas, o executivo não está a fazer bluff?

Quando se dizia que eram precisas medidas corretivas ou extraordinárias para se cumprir o défice de 2016 o Governo negava, mas adiou a resolução da injeção de dinheiro na Caixa e recorreu a um perdão extraordinário de dívidas aos contribuintes. Isto não é um bluff?

Quando o Governo assume que não precisa da direita e faz acordos com terceiros que vão contra o negociado com o BE e a CDU, não está a fazer bluff?

Quando se diz que tudo está bem com os parceiros da geringonça e as sondagens mostram o rombo que o PS está também a infligir a estes partidos, estes logo endurecem a sua posição e tomam posições contra o executivo no Parlamento para sobreviverem, logo a esquerda não está a fazer outro bluff?

O problema é mesmo saber onde começa o bluff neste jogo, só que a governação não é um casino e quando as coisas correm mal não é apenas o jogador que o faz que se atulha em dívidas, na governação o político arrasta um País inteiro de inocentes que deram condições a quem subiu ao Poder para os governar… a seguir ele pode sair de cena, mas o Povo continua a sofrer as consequências como uma vítima inocente, enquanto os políticos culpados continuarão com um nível de vida que o cidadão comum fica impossibilitado de ter.

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