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Posts Tagged ‘COVID-19’

Agora com o caso de Reguengos de Monsaraz parece que Portugal acordou para a situação a que foram votados os idosos em lares. A verdade é que acuso o Governo e os Portugueses de pouco terem olhado para os mais velhos e ainda menos olharam para os idosos não institucionalizados.

Neste País só houve medidas para ostracizar idosos asilados e nem uma consistente para os que vivem em família. Houve para quem tinha crianças, o grupo de menor risco, mas nenhuma especifica para quem tinha velhos a seu cargo ou ativos em ambiente familiar, nem vi a sociedade olhar para isto.

Agora há mortalidade a mais não Covid e há risco a mais para idosos em lares e nas casas por onde estão distribuídos neste País e vejo duas explicações para isto:

  1. dava mais votos fechar escolas e creches para contentar um grupo profissional e casais novos, do que proteger de facto os mais vulneráveis a esta pandemia: os velhos, institucionalizados ou não.
  2. era bem mais fácil fechar instituições com crianças e serviços públicos e dava nas vistas do que de facto implementar medidas para proteger os idosos mantendo a sociedade a funcionar.

Infelizmente Portugal não foi o único, isto foi transversal à generalidade dos Estados democráticos no ocidente, agiram copiando-se uns aos outros sem corrigir o que estava mal… e insistem nos erros.

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Segundo dados do Público de hoje, só em julho morreram em Portugal mais 2137 pessoas do que no mesmo mês do ano passado e o Covid-19 só justifica 1,5% deste excedente.

O Governo, sem a fiscalização da oposição, limita-se a dizer que foi do calor, a verdade é que o número de mortes anormalmente alto já vinha dos meses mais frios e durante os quais nunca a oposição apertou os calos ao Executivo para perceber porque os Portugueses sem Covid estavam a morrer tanto sem se perceber o porquê.

A verdade é que nos últimos tempos, mesmo se descontarmos as mortes por Covid-19, o número de mortos em Portugal subiu excessivamente, são mais do que as próprias mortes provocadas pelo SARS-Cov2 e ninguém da oposição cumpriu eficazmente o seu papel de fiscalizar o Governo nesta matéria.

Quantas pessoas desta mortandade em Portugal nos últimos meses estariam hoje vivas se Rui Rio tivesse cumprido o seu papel de fiscalizar o Governo como líder da oposição estando atento ao muito que havia para fiscalizar desde o início da da pandemia neste País? Nunca o saberemos penso eu, mas suspeito que muitas.

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Meu artigo de de hoje no diário Incentivo:

UM VERÃO DIFERENTE E A QUESTÃO DO QUARTEL DE BOMBEIROS

Não haja dúvida que a realidade da pandemia está a tornar este verão diferente: os turistas são poucos, menos ainda que na época baixa, embora eles já andem por aí e cruzo-me com eles nos mais diversos pontos a visitar o Faial.

Mas a diferença é mais evidente por estarmos em ano de eleições legislativas e ver-se um pacífico confronto político, é como se o dia dos votos estivesse muito distante. Sem dúvida que a estratégia da oposição desaparecer durante o período de emergência não deu espaço à reentrada posterior de um debate de ideias sobre o que se pretende para os Açores no ciclo pós-pandemia, mesmo sem se saber quando este vá terminar já que tudo aponta para que o seu fim não esteja próximo.

É verdade que o Governo dos Açores, quer através de visitas estatutárias, quer por iniciativas das suas Secretarias Regionais, lá vai apresentando quase diariamente projetos em vias de arrancar no terreno ou iniciativas de projetos a passar a papel; sinal claro que está atento ao período pré-eleitoral que atravessa. Mas exposição e debate de ideias para o futuro dos Açores neste verão: nada!

Entre os projetos cujo papel está pronto para arrancar no terreno, felizmente, está o Novo Quartel de Bombeiros do Faial a construir em Santa Bárbara. Efetivamente o atual, talvez o mais bonito de todos os que já vi na Região, enferma de numerosos constrangimentos devido à sua longa idade, enquadramento urbano e o evoluir das exigências aos soldados da paz em termos de serviços operacionais de Proteção Civil.

Recordo-me de há vários anos ter sido pessoalmente auscultado sobre a localização em Santa Bárbara e lembro-me então, dado o troço da variante então em construção, o outro a pensar-se construir e as características geológicas do sítio de implantação, ter sido de opinião que o Novo Quartel de Bombeiros do Faial teria um enquadramento excelente para servir bem toda a ilha.

Depois disso, o segundo troço da variante à cidade da Horta caiu, apesar de quase concluído em papel não saiu dos gabinetes do Governo para o terreno e a realidade do magnífico enquadramento para servir bem toda a ilha mudou: o que também já denunciei há uns anos aqui neste jornal.

Fico contente se a obra for em frente, mas já não posso dizer que o enquadramento permite melhorar a rapidez de atendimento a todas as partes da ilha. Há zonas que ficarão com condições de prestação de serviço mais rápidas: as freguesias do lado sul. Mas, sem o segundo troço da variante ou sem uma alternativa de acesso livre e desimpedido que assegure uma circulação a grande velocidade em segurança para o norte da ilha, esta zona poderá sofrer maiores demoras de atendimento que urge pensar e compensar.

Não vale a pena negar a situação, o estado de negação só serve para não resolver o problema. Há sim que encontrar soluções. Se não for a variante, a que antes estava preconizada, então que seja outra. Passar a obrigar os veículos de socorro a circular ao longo de toda a cidade de sul a norte não torna mais rápido o trajeto para chegar às freguesias além Espalamaca. O percurso pela rua da Travessa no início parece desafogado, mas desemboca em afunilamentos na Volta ou em Santo Amaro que não estão resolvidos. Analisar a questão de forma séria e sem partidarismos é necessário.

Não usufrui ainda do novo Largo do Infante, mas já vi que está diferente. Uns gostarão mais, outros menos. Uns defenderão apenas por quem fez, outros criticarão por ser quem fez. Eu não me vou pronunciar num arranjo que tem virtudes e defeitos mas onde o essencial é todo o conjunto da Frente Mar da Horta ainda por concluir. Tal como acontece com o projeto de Saneamento Básico da cidade de que já não se fala. Apreciar bocados de projetos globais por concluir dificulta um juízo válido do todo e, tal como já demonstrei hoje no caso da variante, o não se fazer tudo o que estava convenientemente planeado no início pode dar depois resultados bem diferentes do idealizado. Espero para ver tudo um dia…

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Os que se regozijaram com o facto de Bolsonaro estar contaminado e a sofrer de alguns sintomas ligeiros de Covid-19, o homem que sempre desvalorizou a doença e a pandemia, esquecem-se que no caso de ele não passar por uma situação crítica como a de Boris Johnson esta infeção pode-lhe dar mais trunfos do que nunca para criticar todos os que defendem medidas duras para proteção da propagação da doença em detrimento da economia.

O homem que sempre disse que se fosse contaminado esta não seria mais do que um simples resfriado ou uma gripezinha pode de facto provar que consigo foi assim.

Assim, se for ligeiro o modo como ele atravessar esta doença, esta pode tornar-se num dos trunfos e ele usará isso quando falar da sua situação em particular como prova de tudo o que dissera antes.

Então veremos os seus adeptos mais fãs da sua estratégia, o Brasil mais dividido nesta guerrilha e temo que muito pior do que já está neste momento e Bolsonaro sairá reforçado politicamente perante os seus seguidores.

Sim, há a probabilidade de acontecer-lhe pior, mas pelas estatísticas face à idade estas são lhe favoráveis aos seus intentos em cerca de 80%. Já imaginaram isto?

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Meu artigo de 30 de junho no diário incentivo:

HORTA ABERTA AO MUNDO E PARABÉNS À CIDADE

No tempo que parece o da duração de um relâmpago concluiu-se o mês de junho, não se deu pelo Santo António, o São João não foi à Estrada da Caldeira e nem o São Pedro desceu a vários portinhos do Faial. Só a pandemia é que se eterniza a ameaçar o mundo à nossa volta, insiste em não passar rápido e a humanidade anseia por uma cura efetiva que elimine o seu carácter mortal.

A nossa ilha, felizmente, já tem a sua marina aberta e o nosso aeroporto também retomou as suas ligações diretas ao Continente. Só que, para azar nosso, esta retoma coincidiu precisamente com um novo surto do SARS-Cov2 na região de Lisboa, o qual tristemente já remeteu o nosso País para o segundo pior lugar entre os Estados da União Europeia no que se refere ao aparecimento de novos casos de contágio por milhão de habitantes, mais grave que nós agora só mesmo a Suécia.

Infelizmente, isto aconteceu logo a seguir aos nossos Governantes terem, por interesse político, promovido a ideia de que o pior já passara e éramos dos melhores na Europa. Até foram a espetáculos com milhares pessoas em recinto fechado. Agora, tanto o Primeiro-ministro como o Presidente da República, têm o desplante de acusar de irresponsabilidade simples jovens que depois disso fizeram festas com centenas de participantes. Quem foi que começou por dar o mau exemplo?

Como de costume, os Governantes, quando as coisas correm bem, elogiam-nos enquanto chamam a si louros do sucesso, mas se por erros deles isto dá para o torto começam logo a acusar o Povo.

Embora os Açores tenham implementado uma estratégia de controlo de potenciais contaminados com o SARS-Cov2 para as pessoas que entrem na Região, infelizmente este método não é completamente eficaz, não só pela possibilidade de poderem ocorrer falsos negativos devido a uma contaminação ainda muito recente do infetado, como alguns com teste feito no Continente puderem contaminar-se logo a seguir no aeroporto, situado mesmo junto às freguesias de maior risco de contágio em Portugal, ou no avião. Por isso compreendo os novos alertas lançados há uma semana pela Unidade de Saúde da Ilha do Faial, pois agora o perigo dos Faialenses serem apanhados pelo Covid-19 é bem mais elevado do que desde abril último até ao passado dia de São João.

A demonstrar este risco já houve a situação de apenas numa segunda análise de um visitante a São Miguel este ter dado positivo e quando o alerta saiu o mesmo já nem se encontrava naquela ilha: o que desencadeou uma busca de potenciais contactos suspeitos, felizmente parecem ter escaparam ilesos… mas pode não ser sempre assim e no futuro pode acontecer ao contrário aqui no Faial.

Infelizmente, agora que o risco subiu passei a sentir aqui no Faial um maior relaxamento e vi a maior contestação em Faialenses à tomada de medidas de precaução para evitar o contágio. Certo que eram pessoas de idade com menor risco de desenvolverem sintomas graves da doença, mas não só contactavam com outros que eram próximos de idosos, como com visitantes. Cada vez tenho mais a ideia de que no desconfinamento muitas das medidas foram demasiado transversais e pouco específicas para proteger os mais velhos e os seus contactos próximos. Não é por certos Serviços Públicos terem atendimento exclusivo a idosos entre as 9 e as 11 horas que eles ficam mais protegidos, o vírus não é um noctívago que fica na cama até tarde durante a manhã: contamina a qualquer hora. Neste surto, Lisboa pode exportar contágios e atingir idosos em várias regiões.

Nesta semana a Horta fará 187 anos como cidade, não haverá também a habitual festa do mercado, apesar deste agora estar renovado e ser um espaço convidativo para passar umas horas numa noite de verão, nem haverá outras celebrações oficiais comemorativas que reúnam muita gente, mas ficam aqui os meus Parabéns para esta cidade da Horta onde trabalho e ao seu concelho onde decidi viver por amor a esta Terra das minhas raízes e onde tive a oportunidade de trabalhar. Faço votos para que a Horta tenha um futuro brilhante e os seus filhos possam continuar a ter orgulho nesta Ilha e ainda encontrem a oportunidade de cá se empregar, viver e de serem Felizes.

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Na generalidade o que a pandemia trouxe foi mau, a economia, vida em sociedade e saúde tudo sofreu negativamente, mas se tentarmos ver algo que pode ser aproveitado de positivo foi a oportunidade de muitos poderem fazer a sua vida profissional por conta de outrém em teletrabalho.

Pelo que tenho lido, havia uma grande desconfiança e receio no início do confinamento em muitos trabalhadores sobre o teletrabalho, contudo, no período de desconfinamento verificou-se uma alteração nas pessoas com um aumento significativo de confiança e de preferência na parte de muitos trabalhadores por este regime de trabalho desde que o pudessem realizar à distância do gabinete da empresa ou do serviço. Não tenho complexo em assumir, fui um dos que ficou mesmo agradado com esta possibilidade.

Talvez porque esta mudança também tem vantagens para a entidade patronal, inclusive o Estado, eis que o Governo começou por apresentar uma meta para aumentar o número de funcionários em regime de teletrabalho e logo a seguir sindicatos do setor começaram a fazer exigências salariais para dificultar esta oportunidade.

Um erro estúpido e preconceituoso dos sindicalistas? ou medo de este regime vir a dificultar a congregação de funcionários para a lutas que dão razão à criação de tantos lugares para dirigentes sindicais? Não sei.

É verdade que em teletrabalho tive maiores custos de energia e água e até porque não estava preparado para tal mudança brusca usei consumíveis meus em prol do serviço que me esquecera de trazer. Mas também poupei em combustível e no preço do almoço, este até aumentou em qualidade, além de ter melhorado em muito a minha qualidade de vida pessoal e atenção à família, benefícios que compensaram largamente aquele aumento de despesas.

São estes benefícios que os sindicatos me querem tirar em nome de compensações financeiras por falta de imaginação ou preconceito dos sindicalistas?

Sim, para alguns o teletrabalho não foi fácil nem um ganho ou satisfação pessoal e como tal a adoção deste regime deve-se fazer por acordo individual, caso a caso e na defesa dos interesses mútuos, nunca por imposição de uma parte e servir para a entidade patronal chutar custos e responsabilidades com a implementação de um modelo em que só o patrão ganha. Equilíbrio, precisa-se e isto não é uma questão de salário que discrimine quem não pode ter teletrabalho ou prejudique quem o possa ter e era esta a via que os sindicatos deveriam seguir.

Infelizmente os sindicatos da função pública não começaram por adotar a melhor postura em defesa de quem anseia por este regime, um opção de luta que em nada beneficia os trabalhadores em funções públicas.

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Meu artigo de hoje no diário da ilha do Faial: Incentivo

REALIDADES CHEIAS DE CONTRADIÇÕES E UMA CONGRATULAÇÃO

Olhando para o que se passa neste País e Região parece-me que a sociedade ficou apática às contradições de quem nos Governa, estamos a viver uma pasmaceira que só se explica por estarmos a sofrer de um choque pós-traumático devido à pandemia. Os Açores por agora são uma terra sem casos de COVID-19 ativos, mas, por precaução, com a qual concordo, cancelou-se tudo o que eram festas do Espírito Santo e Santos Populares, mas enquanto o coronavírus está a alastrar em Lisboa, o nosso Presidente da República e Primeiro-Ministro participam em dois espetáculos à porta fechada com milhares de pessoas.

O mesmo Presidente, não se contentando com estar com milhares de pessoas numa zona coberta numa terra em plena expansão do SARS-Cov2, logo a seguir vem visitar os Açores por já não termos o vírus a circular, não sei se apresentou algum exame negativo como é exigido ao comum dos açorianos que queiram regressar à sua terra ou a quem vem prestar serviços a estas ilhas, a verdade é que tudo isto aconteceu como se fosse uma coisa natural, onde imperou a cordialidade diplomática e como se tal visita fosse desejada pelos Açorianos numa altura destas e depois da afronta da continuidade territorial com os aviões como se a proteção da nossa saúde fosse um movimento separatista. Dá para entender? Eu não entendo.

A economia dos Açores passou a ter, por opção política, uma forte dependência do Turismo e apesar de o projeto “Viver Açores” do Governo Regional pretender dinamizar o setor através duma procura interna que compense a redução externa, a verdade é que em paralelo está-se a usar o trunfo do Arquipélago ser uma região livre de Covid-19, sem dúvida um bom argumento para apelar à vinda de turistas de fora. A verdade é que essa limpeza é ameaçada por esses mesmos turistas terem de passar pelo aeroporto em Lisboa, onde a situação não parece de todo segura, onde o próprio passageiro se pode contaminar a seguir a obter um teste negativo e trazer a doença para esta ilhas.

Temos de facto de abrir mais cedo ou tarde as nossas ligações ao exterior, mas esta realidade é também uma das nossas fragilidades para enfrentar esta pandemia e a situação de os resultados dos testes serem de 12 horas na Terceira e S. Miguel e mais de um dia nas outras ilhas é um meio de tratamento desigual dos Açorianos das ilhas mais pequenas. Contudo não deixa de ser uma contradição criarmos cautelas que dificultam os nossos conterrâneos e a quem vem cá em trabalho enquanto se promove esta Terra para que venham cá passear: o que, assumo, é importante para a nossa economia. Como se concilia isto de forma segura? Como continuaremos a proteger os idosos que coabitam com quem trabalha e contacta com tantos colegas e se cruza com visitantes? Confesso: o recurso de apenas lavar-se as mãos e usar máscaras deixa-me muitas dúvidas como modo de manter protegidos estes anciãos não institucionalizados sem os ostracizar em casa, até porque vejo gente a usar sem cuidado máscaras diante de quem se protege por ter idosos em casa.

O festival gastronómico “Juntos à Mesa” do Faial é um bom exemplo de como as dificuldades agudizam o engenho. A minha participação foi bafejada pela sorte do restaurante escolhido ter um serviço de take-away que levava a refeição ao meio rural: uma evidência de que sem gente de fora se olha para os clientes potenciais em toda a ilha e é possível estender este modo de servir sem o limitar à zona da cidade. Talvez não haja grande rentabilidade nisto, mas fideliza gente e com imaginação dever ser possível criar no futuro um sistema que compatibilize a concorrência com cooperação do setor da restauração local com uma solução para estas situações que junte mais residentes da ilha numa mesa na dimensão do Faial. Parabéns pela iniciativa!

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Meu artigo de 19 de maio no diário Incentivo:

DESCONFINAMENTO COM OPORTUNIDADES PERDIDAS, LAPSOS E INCÓGNITAS

Em março escrevi aqui no Incentivo que “Em todas as crises há oportunidades a aproveitar e dificuldades a vencer e esta não será diferente” O desafio que deixei era para quem tivesse poder de influência e de decisão aprendesse com os ensinamentos que se obtivessem desta situação anormal da pandemia e extraísse o máximo em prol do bem da sociedade e minimizasse os males desta crise.

Se o inferno esta cheio de boas intenções, a vida está cheia de oportunidades perdidas: umas porque não houve inteligência para vislumbrar as possibilidades que surgiram, outras, talvez na maioria dos casos, porque aproveitá-las implicaria mudar e muitos preferem voltar ao conforto passado e temem dar um salto em frente, mesmo que isto corrija erros tolerados e elimine preconceitos.

O fim da situação de emergência, do confinamento e regresso à normalidade nos Açores está a ser moldado pelo objetivo de voltar ao passado sem aproveitar ensinamentos obtidos, é como se tudo pudesse regressar ao mesmo. Assim, desprezam-se situações testadas que melhorariam problemas anteriores: a ideia de que tudo vai ficar bem, não quer dizer ficar tudo na mesma.

O Governo dos Açores testou intensamente o teletrabalho, viu que funciona bem em muitas situações e sei de casos com melhorias de produtividade e bem-estar de trabalhadores, mas depois de fixar por escrito nas medidas de retorno à normalidade “Abertura dos serviços da Administração Regional, mantendo o regime de teletrabalho em todos os casos em que isso seja possível” temeu os preconceitos antigos e limitou-o apenas aos grupos de risco e excluiu todos os casos em que tal fosse possível, impôs trabalho presencial a todos os funcionários sem negociar, por vezes em piores condições só para repor o passado! Quem denuncia isto arrisca-se a ser acusado de prejudicar a luta ao covid e o unanimismo criado nestes tempos permite desperdiçar esta oportunidade de mudar. Trabalhar em gabinetes lotados, com máscara, óculos, rinite, etc. só para repor o passado não é ficar tudo bem e melhorar o ambiente pela redução de trânsito volta a ser desaprendido.

Nas suas medidas o Governo dos Açores não teve em atenção a realidade de que Faial e Pico tem povos siameses, preservou aqui uma cerca injustificável, pior que a das concelhias em S Miguel em período de contaminação local, isto porque a unidade com que trabalhou foi “ilha”. Há medidas para idosos que andam na rua, vivem isolados ou estão institucionalizados, mas não para os de idade mais avançada que já pouco ou nada saem para obrigações sociais, mas não-institucionalizados e integrados em famílias que trabalham. Estes, por vezes doentes e suas famílias ficaram em situação pior que antes da pandemia, pois foi agravada por riscos de contágio inerentes à necessidade de circulação dos que compartilham a habitação, mas sem as alternativas de acompanhamento como quem tem crianças. Um lapso, uma incapacidade ou só desinteresse?

Não conheço o sistema de funcionamento do ensino para comentar o retorno, o modelo de regresso à normalidade tem virtudes, é necessário, mas também tem oportunidades perdidas, omissões e tem riscos associados a grandes incógnitas: como sobreviverá o Turismo, o comércio e certas indústrias? qual a dimensão do desemprego? Como será a solidariedade institucional da Europa e Lisboa?

O Governo pode melhorar o seu plano, não penso que se vence uma ameaça de saúde pública como uma crise financeira, escrevo medidas possíveis ou em falta, mas respeito as impostas. Não abro uma guerra política escudada numa Constituição pensada por juristas e políticos que a moldaram em tempo de revolução ideológica pouco atenta às leis da Natureza e feita por gente mais próxima de ciências sociais do que naturais. Outra lição desta crise é: a Constituição é que se deve adaptar às leis da Natureza e não esta às leis do Homem. Talvez outra oportunidade que se vai desperdiçar…

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O meu artigo de hoje de opinião quinzenal no diário da Horta “Incentivo”:

DO FIM DA EMERGÊNCIA À ABERTURA EXTERNA DO FAIAL

O período de emergência começou no Dia do Pai e, curiosamente, terminou à chegada do Dia da Mãe, vários objetivos foram alcançados: baixou-se o pico da pandemia, não houve rotura dos serviços de saúde e não se atingiu o descalabro de mortos como nalguns países. Mas não se teve números tão bons como em muitos outros países de que não se fala, nem se protegeu bem muitos dos nossos lares de idosos. O contágio do Nordeste é a situação que sujou o sucesso dos Açores.

No Faial estamos agora a viver o melhor período desde a declaração da pandemia pela OMS. Apenas tivemos situações importadas sem nenhuma cadeia de contaminação local, o último caso já ocorreu há mais de 28 dias e continuamos com as nossas ligações ao exterior fechadas. Assim, até à abertura do porto e do aeroporto a zonas onde existe o vírus em circulação, a nossa ilha parece protegida do aparecimento de novos doentes.

Para já há muitos heróis para este sucesso no Faial: quem tinha poder e teve coragem de impor medidas duras de contenção deste vírus contra argumentos de certas vozes; os elementos das oposições que se comportaram com responsabilidade quando lhes apetecia questionar ações dúbias para não enfraquecer a luta; os muitos Faialenses que acataram com dificuldade a regra de ficar em casa, uns a teletrabalhar com crianças e em condições não ideais mas a cumprir as suas funções e a evitar transmissões locais; o pessoal de saúde e de serviços essenciais que assumiram a tarefa de se preparar para o pior e manter as condições de vida na ilha que como humanos não estavam imunes nem à doença nem ao medo; e o grupo pouco lembrado dos próprios doentes Covid-19 que vivem nesta ilha e se comportaram exemplarmente, de tal modo que não contaminaram nem uma pessoa nesta terra além de si pois cumpriram a higiene e o isolamento rigidamente. Noutros locais houve gente que se sabia estar infetada e não cumpriu tão bem, até saiu e pôs outros em risco.

Apesar deste período de acalmia que o Faial desfruta, mais dia menos dia a ilha vai ter de se abrir novamente ao exterior e, mesmo com fases iniciais de quarentena, o perigo de futuras contaminações vai voltar e não vale a pena pensar que esta terra pode viver num gueto a esperar até ao dia, que não se sabe quando, a ciência descubra um tratamento e vacina eficaz. A humanidade é uma entidade social e nós também fazemos parte desta sociedade.

Alguns já foram intensamente prejudicados nos seus rendimentos, mas a acalmia que vivemos na ilha só foi possível porque houve portas e atividades económicas fechadas e se não tivesse sido assim estaríamos agora a chorar os nossos mortos que nos pesariam na consciência por não termos feito mais. Mas, não se pense que com ligações ao exterior o turismo, onde os Açores investiu tanto em detrimento de outros setores, se regulariza rápido. Não! Muitos potenciais turistas têm medo de viajar, de passar por aeroportos e instalar-se em hotéis com gente que eles não sabem de onde virá e nem todas as pessoas estão disponíveis a acolher de braços abertos gente que vem de fora que pode trazer escondido o SARS-Cov-2. Eis uma sequela dura desta crise para tratar com tempo.

Haverá muitas coisas que nós Faialenses teremos de agir face aos menores rendimentos de vizinhos e amigos a quem temos de dar a mão; há o facto de nem todos os idosos viverem isolados em lar, uns vivem na sua própria casa e outros partilham-na com a família que trabalha ou vai à escola e temos de protegê-los a todos. Esta ilha sempre dependeu do seu porto a que, nos tempos mais recentes, se juntou o aeroporto e temos sido reivindicativos de mais ligações diretas ao exterior e não ao contrário. Na fase que aí vem, os Faialenses terão de continuar a ser heróis e tudo fazer para se ultrapassar estes problemas sem deitar a perder tudo o que se conseguiu até agora.

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Meu artigo de hoje no diário da Horta Incentivo:

UMA PÁSCOA DIFERENTE

Apesar do título falso e infeliz de um jornal nacional ter dito “Costa proíbe a Páscoa”, a verdade é que para os Cristãos está-se na Semana Santa e, embora de uma forma diferente e no pleno respeito das autoridades, eu e muitos outros vamos celebrar a Páscoa. É verdade que para os Cristãos esta Páscoa será celebrada de uma forma diferente, mas a ideia é igual: Jesus Ressuscitou como garante da força da sua Mensagem para nos amarmos uns aos outros e a Deus e vencermos a morte.

Já a Quaresma com quarentena foi um período de preparação para a festa da Ressurreição de Cristo vivido de um modo como eu nunca imaginara: uma Quarentesma por causa da Covid-19. Mesmo assim, mantive as minhas resoluções quaresmais e continuo a ter esperança de que, mesmo nesta tribulação, Deus nos ampara para ir-mos em frente: o que não é sinónimo de nos tirar as dificuldades do caminho, mas que nos dá sabedoria e capacidade para nos orientarmos, fazermos o que nos compete fazer e para preservarmos a esperança no futuro.

Contudo e tal como já referi no anterior artigo, embora o período pós-Covid-19 nos possa trazer oportunidades para mudanças positivas, trará, sobretudo muitas dificuldades económicas e sociais que não afetarão a todos de forma igual, mas quase ninguém ficará imune ao sofrimento.

Os Açores, onde o peso do turismo teve um crescimento significativo nos últimos anos e viu um decréscimo no peso e diversidade da produção de bens agrícolas, deverá haver um choque económico negativo forte e será pior se os turistas não recuperarem confiança em viajar. Então, o setor da restauração e hoteleiro será fonte de muito desemprego nalgumas ilhas, com queda de rendimentos de quem aí tem trabalhado, mas também a crise que se avizinha poderá afetar os preços dos bens que produzimos, compramos e na rendibilidade de pequenas empresas, abrindo vários problemas orçamentais em mais famílias Açorianas.

Espero que a solidariedade coletiva, privada e pública defendida no meio laico, de mãos dadas com a assumida pela caridade cristã dos crentes, possam suavizar muitas das agruras que aí virão. Sem dúvida uma forma de conjuntamente vivermos a mensagem da Páscoa.

Confesso que todos os dias sigo ansiosamente a divulgação dos números regionais para o coronavírus e apesar de várias ilhas já não terem ligações ao exterior há mais de duas semanas, infelizmente, teimam em continuar a aparecer novos casos e suspeitos e, quando houver mesmo a necessidade imperiosa de se baixar estas barreiras, ficaremos sujeitos a futuras contaminações, pior se ocorrerem ainda outras vagas. O que me preocupa, pois embora os nossos serviços de saúde agora já estejam melhor equipados que no início da pandemia, os nossos doentes e idosos continuam a ser vulneráveis e alguns de nós, como eu, vivemos com eles nos nossos agregados.

Assim, o futuro mostra-se perigoso para as nossas gentes da ilhas, apesar de sentirmos que foram tomadas medidas de proteção nos Açores mais rápidas e fortes do que no Continente, mas urge planear o dia a seguir a esta pandemia, pois ainda não surgiu uma medicação eficaz nem vacina e é preciso evitar que não se caia na situação de quando abrirmos as portas ver acontecer na Região o que bem parece estarmos a evitar na primeira vaga.

A todos, mesmo que diferente no estilo desejado, votos de uma feliz Páscoa que é sem dúvida a festa cristã da renovação da vida e da esperança no futuro.

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