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Posts Tagged ‘legislativas’

O Governo dos Açores há anos que prejudica o Faial: leva demasiado tempo nas obras anunciadas, foram 16 anos para reconstruir o bloco C do hospital; faseia projetos para demorar ainda mais, como no caso do porto da Horta; depois encolhe-os, como na 1.ª e 2.ª fase do porto, cancela investimentos após as eleições como a variante; alicia a marinha a retirar coisas na Horta como fez com a Rádio Naval; desculpa o mau serviço da SATA; recusa ampliar o aeroporto e até se dá ao luxo de falar que vai concluir o que nem começou, como o polivalente da Feteira; de facto há um tratamento diferente aos Faialenses face a outros Açorianos.

Não me admira que haja Açorianos em ilhas onde o Governo dos Açores fez grandes investimentos que estejam satisfeitos com esta forma do PS-Açores governar a Região. Confesso nessas terras pode haver outros motivos de descontentamento, mas não a falta de obras executadas e iniciativas, até se fazem elefantes brancos como marinas vazias e museus caríssimos ou atividades culturais com artistas de renome onde o prejuízo na importa para animar a festa e até se compraram terras para se oferecer a entidades nacionais de modo a se tirarem estruturas existentes no Faial como se esta ilha não pertencesse aos Açores

O que me admira é que ainda haja Faialenses que se deslumbrem com investimentos em outras terras e não vejam o mau tratamento dado à sua terra, que estejam ao lado de políticos locais cuja sua função tem sido apenas de arranjar desculpas para a falta de obra, atrasos, faseamentos e retiradas de estruturas desta ilha azul, que se deixem levar pelo discurso de governantes que só cederam em fazer algo no concelho da Horta depois de muitos anos das populações e das oposições a reivindicar e a falar alto em defesa do Faial e mesmo assim se sintam agradecidos a quem só fez parte do prometido, de forma incompleta, faseada, encolhida e depois de tanto anos de insistência.

Todavia uma das características da democracia é que o eleitor é de tal forma livre que até tem a liberdade de ser masoquista e de gostar de ser maltratado e de votar em quem o não defende. Efetivamente qualquer Faialense tem o direito de agir assim, mesmo que eu não compreenda tal comportamento por não ser masoquista, apenas há que democraticamente respeitar o incompreensível.

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Independentemente da legalidade ser inquestionável, o mesmo já não se passa com a legitimidade moral, alguém em Portugal aceitar ser primeiro-ministro após perder as eleições, mesmo assim, justifico hoje no Incentivo porque não estou preocupado com a eventual escolha de Costa.

PORQUE NÃO TEMO QUALQUER SOLUÇÃO GOVERNATIVA

Confesso que tenho acompanhado as conversações entre as várias forças políticas com assento na Assembleia da República vinda das legislativas do passado dia 4 sem nenhuma ansiedade. Não sei se no fim poderá resultar uma boa solução para Portugal, o que desejo de facto, mas mesmo assim: estou tranquilo a assistir a estas negociações.

Não haja dúvida que há contradições em todas as partes envolvidas face ao que as mesmas já disseram no passado, mas estou habituado a que os políticos moldem as suas declarações aos momentos em que as prestam e sem escrúpulos de desrespeitar o que diziam antes, raramente os Governos seguiram os programas eleitorais que foram a votos e venceram, tal como os que perderam muitas vezes mudam de posição só para contrariar e desgastar o vencedor.

A maior diferença agora face ao que se assistia antes é que as cambalhotas que se faziam depois das eleições deixaram de ser um exclusivo do denominado arco da governação: PS, PSD e CDS e estenderam-se até à extrema-esquerda. Para governar o PS metera o socialismo na gaveta, o PSD ignorou a social-democrata e o CDS arrumou a democracia-cristã. Presentemente, até o PCP, mesmo que a prazo, engaveta o comunismo só para não ter um governo do PàF. Assim, já não exige as nacionalizações, a saída do euro e podemos continuar na NATO nascida para enfrentar o marxismo. O BE, pelo mesmo motivo, já não considera fundamental renegociar a dívida. Tudo isto em prol desta nova coerência: já não ganha as eleições o projeto com mais votos ou deputados, mas quem se une depois das eleições para formar uma maioria no parlamento, mesmo que se tenham apresentado ao eleitorado com propostas contraditórias e como adversários.

Na verdade, desde a regularização da democracia em Portugal houve vários governos que se coligaram depois das eleições para conseguir maiorias absolutas no Parlamento, o que não houve foram acordos pós-eleitorais para eleger como Primeiro-ministro alguém que se propunha liderar um governo nas legislativas e depois perdeu as eleições.

Claro que esta mudança é legal, não está expressa na Lei mas esta abre tal possibilidade. Se é ética e politicamente correta já é questionável, mas também é verdade, como já escrevi várias vezes, se um gestor privado falir uma empresa em Portugal sujeita-se ao banco dos réus por gestão danosa, mas um Governante pode levar um País à falência e fazer aprovar medidas injustas que o Ministério Público e os Juízes não lhe tocam, pois opções políticas desastrosas e imorais não vão a Tribunal. Pois, quem faz as leis, os políticos, são de parecer que basta o julgamento das eleições e os ministros lá vão à sua vidinha descansados, muitas vezes para um lugar bem remunerado, enquanto o povo fica a pagar os erros: é um defeito da democracia atual, é legal, mas eticamente reprovável!

Agora com o PCP a meter o comunismo na gaveta para poder ter um governo na mão, está visto que a coerência que o distinguia dos outros: foi-se! Já não é uma cassete, pois já não exige o que dizia e, com esta mudança radical, o derrotado António Costa pode ser o próximo Primeiro-ministro. Na verdade Jerónimo de Sousa nem foi original, já na China o Partido Comunista Chinês nunca se converteu às vitórias eleitorais para governar, mas criou uma China com dois sistemas económicos: uma parte capitalista (Hong Kong e Macau) e o resto comunista com uma esmagadora maioria de trabalhadores com baixos salários e uma minoria de multimilionários maior que a dos Estados Unidos.

Espero não ver Portugal sujeitar-se a outra crise como a que aconteceu na Grécia, pois neste caso será Costa a abrir a porta a outro programa de austeridade tal como Tsipras o fez, só que o Primeiro-ministro grego vencera as eleições o que lhe garantia legitimidade ética para o cargo.

É verdade que António Costa é um bom exemplo de incoerência política, dado que de uma forma pouco ética destronou o anterior líder do PS por considerar que este não tinha condições para continuar no cargo por alcançar vitórias pouco expressivas – António Seguro que venceu eleições e onde toda a oposição reunira 72,29% contra 27,71% -, agora o atual Secretário-Geral do PS sente-se que ficam reunidas as condições ao levar o seu partido de vitorioso a derrotado, quando a oposição baixou para 61,56%, o PàF venceu e subiu para os 38,44%, o PSD sozinho ficou com mais deputados que o PS e a Coligação ultrapassa-o em 21 deputados.

Contudo o que vejo são apenas mais partidos a fazer cambalhotas, passou-se de 3 para 5 forças políticas a darem o dito por não dito após as eleições. Por tudo isto e a ter de respeitar as regras do euro e do tratado orçamental deduzo que não vem aí uma governação muito diferente da do passado, se mudarem as moscas, salvaguardaram-se as regras europeias. Só desejo que a coisa não piore daqui em diante, independentemente de quem for o próximo Primeiro-ministro.

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Se Costa sobreviver à guerrilha interna, o que não é tão improvável assim, deve estar a pensar numa solução que não o fragilize a médio prazo que de derrotado ainda com algum poder presentemente, depois torne o seu partido numa fraqueza de segunda dimensão nacional ao estilo do PASOK da atual Grécia.

Assim os cenários que tem pela frente são:

Une-se à esquerda radical anti-euro da CDU e da renegociação da dívida do BE ao estilo de Syriza seguindo a estratégia grega de 2015, uma tentação para muitos que por norma têm dificuldades de ver as coisas a longo prazo, será então erodido pelo centro que o torna num PASOK português com apoiantes quase exclusivamente do sua fação mais esquerdista;

ou

Une-se à direita do PàF que neste momento é a mais liberal de sempre, uma visão demasiado hostil à maioria dos eleitores, será então erodido pela esquerda que o torna num PASOK português quase unicamente com gente do centro comodista do centrão e de elite;

ou

Assume o papel charneira viabilizando por fora um governo à direita enquanto no seu jogo de cintura vai negociando coisas à direita para tirar proveito e desgastar o Primeiro-ministro, enquanto vai apoiando questões fraturantes à esquerda para esvaziar partes do BE e depois com um PS gordinho tira o tapete ao PàF e vai a eleições com força e arrebata o poder.

Claro que existem temperos nisto tudo do interesse nacional, mas António Costa da forma como atacou Seguro e depois da tareia que teve deve estar mais interessado na sua sobrevivência do que na de Portugal… mas se de facto tiver pruridos apenas poderá alcançar algo de melhor para o País negociando o que for mais conveniente sem se comprometer com o desgaste do executivo, uma tática com benefícios para os dois lados: o do PS a médio-prazo e o do País a curto-prazo.

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O meu artigo de ontem no diário Incentivo:

LEGISLATIVAS  SURPREENDENTES OU NÃO TANTO ASSIM

Quando terminou a campanha eleitoral para as legislativas sabia-se que qualquer resultado eleitoral seria uma surpresa para uma parte dos Portugueses: se ganhasse a coligação Portugal à Frente seria-o para aqueles que já estavam convencidos há meses que Passos Coelho não tinha qualquer hipótese de vencer; se ganhasse o PS seria-o para os que se convenceram com as sondagens.

A verdade é que após Seguro vencer duas eleições consecutivas, nas europeias o PSD já estava coligado com o CDS, António Costa traiu o Secretário-Geral do PS com o único argumento de que era capaz de ter melhores resultados eleitorais. Não apresentou nenhuma ideia nova para Portugal enfrentar a crise, mas muitos militantes e simpatizantes acreditaram e deram-lhe a vitória, só que este limitou-se cavalgar a onda populista antiausteridade e a mudar oportunisticamente de opinião sem qualquer estratégia clara para um Governo com a permanência do País no euro e no tratado orçamental que dizia defender.

Passos Coelho por seu lado foi subserviente ao longo de três anos à supervisão e às imposições da troika, mereceu críticas de todas as frentes, algumas mortais vieram mesmo de militantes sociais-democratas. Se o Primeiro-ministro se acomodou aos credores externos, com os críticos nacionais foi um resistente estoico, apenas cedeu em setembro de 2012 na questão da TSU, desde então, com punho de ferro, ultrapassou todas as crises e ataques internos, inclusive uma rebelião de Portas no verão de 2013, e acreditou na recolha posterior de frutos face às estatísticas negativas de então devido à austeridade. Esperou no meio da tempestade para que viesse a bonança e os primeiros resultados positivos apareceram: não veio a espiral recessiva anunciada pelos opositores, não houve o segundo resgate previsto pelos adversários e a economia e o emprego começaram a recuperar timidamente, mesmo com a negação de muitos. Mas o desgaste estava feito, era previsível que já não conseguisse recuperar e vencer em 2015. Praticamente Passos estava derrotado à partida.

Então o que se passou no último ano para que no fim da campanha o resultado virasse a tendência favorável para Passos em detrimento de Costa?

De facto, no início qualquer secretário-geral do PS parecia mesmo capaz de vencer um Governo tão impopular, mas Costa em vez de apresentar um programa consistente como alternativa para defender os reais problemas de Portugal, optou pelo populismo fácil da recusa de qualquer sacrifício, não só os injustos, como até os compreensíveis e necessários, isto para agradar a todos e com isso contradizia-se e ia perdendo a confiança de todos. Não foi solidário com os socialistas gregos quando parecia dar jeito ir atrás do Syriza, mas logo virou as costas a este modelo quando lhe era inconveniente e com isso ia-se desacreditando ainda mais. Recusou cooperar com o Governo na segurança social, uma questão urgente aos olhos de muitos, para conquistar a extrema-esquerda e com isso foi perdendo o centro. Encomendou um programa económico escrito compatível com o euro e o tratado orçamental para atrair o centro, mas ao falar renegava o seu conteúdo e com isto nem recuperou o centro nem segurou a extrema-esquerda. Entretanto foi negando os sinais de melhoria de Portugal na saída da crise e até transparecia a ideia de que desejava o pior para que o povo lhe desse apoio, mas os factos não lhe davam razão e viu-se ultrapassado pela recuperação ténue que os Portugueses já viam e, como machadada final, anunciou inviabilizar o orçamento de estado se Passos vencesse, uma ameaça aos princípios democráticos de uma eleições, com tal tique antidemocrático perdeu eleitores de todos os lados e saiu derrotado no que à partida até era fácil vencer, bastava ter sido competente, coerente, ter um projeto viável e mais justo que o da troika acatado por Passos e Porta.

Ah! dizem alguns, mas agora criou-se uma maioria antiausteridade que se deve coligar!… Só que isso é cometer o mesmo erro de Costa: a união dos contraditórios impossíveis de compatibilizar acaba sempre em autodestruição. Entre a CDU, que é contra a zona euro e o pacto de estabilidade; o BE, que defende a permanência no euro sem austeridade tal como o falhado modelo do Syriza de janeiro passado; e o PS, que assume o pacto de estabilidade e a manutenção na moeda única e cujo programa escrito tem sacrifícios; existem muito mais diferenças de fundo do que entre os projetos do PS e o de Passos para um País atado pelo sobre-endividamento e sem produzir o suficiente para se autossustentar. Por isso, Costa não se aproximou de Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, o que considerou uma coligação negativa, e mostrou-se mais disposto a negociar com o PaF, resta saber como ele vai sobreviver dentro do seu partido ou se ele e Passos se vão conseguir entender para salvar o País da situação em que se encontra ou por quanto tempo o PS vai resistir a uma desforra socialista a este governo minoritário pelo chumbo do PEC IV sem se importar com Portugal.

Assim, resta-me desejar que na nova Assembleia da República as forças políticas em presença coloquem em primeiro lugar o interesse nacional à frente dos egoísmos partidários para a construção de um futuro sustentável para o País, mesmo que com sacrifícios de curto-prazo e essas negociações consigam soluções viáveis, sirvam à recuperação de Portugal e sejam mais justas que as dos últimos anos.

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O PS ganhou, teve um resultado melhor que a média nacional e conquistou a maioria das ilhas, mesmo assim não esmagou as oposições, com estes resultados não sei como ficaria em termos de maioria absoluta na ALRAA, mas perderia muitos lugares face a 2012 e o cabeça de lista fora presidente do Governo dos Açores durante 16 anos, quase sempre com vitórias arrasadoras e era agora o número dois do PS nacional, mas também é verdade que ultrapassou o obstáculo tradicional das eleições regionais serem ganhas pelo PS quando o PSD ganha ao nível nacional.

O PSD perdeu mas não saiu esmagado, apesar do apelo patético de César aos sociais-democratas com quem nunca cooperou na região e das críticas da fação de Mota Amaral que até na véspera espetou mais uma lança através de Maria do Céu Patrão Neves, o que não a prestigiou aos meus olhos, alguém que antes passara de desconhecida para uma pessoa que eu passara a admirar. O PSD melhorou face às últimas legislativas regionais, mas piorou significativamente face às últimas eleições lideradas por Mota Amaral, que foi um adversário neste ato eleitoral. Mesmo assim acabou-se a tradição de o PSD vencer nos Açores quando vence ao nível nacional.

O BE foi sem dúvida a força política que mais cresceu nas ilhas e se fossem eleições regionais suspeito que cresceria significativamente na ALRAA, pois praticamente duplicou em termos de votos face a 2011 e triplicou face a 2012.

O CDS, que na região tem sido mais inimigo do PSD do que adversário do PS, apesar de no Continente estar coligado com o seu inimigo de estimação regional, desceu tanto nas legislativas dos Açores como nas últimas nacionais, sem dúvida que não sai beneficiado por se colar preferencialmente ao PS o que é de facto uma opção contranatura. É cada vez mais um partido da Terceira e se tivesse havido PàF na Região os resultados não teriam implicado mudanças em termos de eleição de deputados.

A CDU que por norma resiste em termos percentuais e eleitorais, não cresce em percentagem, tem uns escassos votos a mais em urna, como é hábito só assume vitórias mesmo quando perde, este ano não parece ter sido diferente.

Por fim o Faial apesar do crescimento do PS face a 2011, comparando com os valores regionais de 2012 recua forte enquanto o PSD  recua perante 2011 e resiste a 2012 e fica-se a uns escassos 28 votos do partido vencedor, a onda rosa no Faial começa a murchar. O BE sobe a grande velocidade à medida que recuam a CDU e o CDS, este que na ilha está autarquicamente coligado com o PSD, mas onde Félix Rodrigues era desconhecido e por isso tem mais significado a troca na extrema esquerda.

Assim, apenas o BE parece não ter razões preocupações para o futuro próximo, os restantes partidos têm muito para digerir para a legislativas regionais de 2016… mas o PS parte em vantagem

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O meu artigo de ontem no diário Incentivo

NO FIM VENCE SEMPRE A CONTA A PAGAR

Apesar de só agora se estar oficialmente em campanha eleitoral para a Assembleia da República para um novo Parlamento a que se seguirá outro Governo, na realidade, há meses que os vários partidos e coligações estão de facto em campanha, mas confesso que desta vez tenho acompanhado as atividades das candidaturas com um maior distanciamento do que fazia no passado e para isso contaram, sobretudo, dois motivos:

Primeiro sinto-me cada vez mais desligado dos assuntos nacionais e regionais, o meu interesse tem-se centrado essencialmente ao que se passa no concelho da Horta e, efetivamente, toda a minha vida de intervenção política foi, por opção pessoal, limitada ao exercício de autarca e de defesa do Faial e nunca ambicionei agir fora da minha ilha.

Em segundo lugar, ao ter acompanhado o que se passou nos vários países em crise, sobretudo dentro da zona euro, aprendi que a política contra a austeridade na prática é uma utopia: em todos estes países as oposições fizeram discursos contra esta, mas, na prática, quando as cores do governo trocaram retomaram-se as medidas impopulares. A única exceção de início foi, de facto, a Grécia; mas o fim foi ainda pior do que em todos os outros casos de conversão envergonhada e imediata à austeridade. Agora o Syriza de Tsipras convertido à austeridade venceu as eleições, enquanto o ainda resistente e recém-formado de Varoufakis nem um deputado elegeu.

Assim sendo, já conclui que, mesmo sem gostar, partido ou coligação que defenda a continuidade no euro, independente do que disser e propuser em campanha, se for Governo, acabará por aderir à austeridade.

Sei que há quem diga, e eu concordo, que para se mudar de política Portugal tem de se sair da moeda única, mas a Coligação que tem a coragem de assumir isto às claras está ideologicamente muito distante do meu pensar, pois nunca fui próximo do marxismo, menos ainda do soviético. Na verdade, a estratégia de se enfrentar a crise através da saída do espartilho do euro nenhum País da Europa a quis testar e deve haver riscos demasiado grandes para nenhum Governo ter querido experimentar isto… nem Tsipras!

Infelizmente, desde países grandes e ricos como a França, apesar de Hollande com o seu discurso de fim da austeridade que o elegeu, até países pequenos e pobres como o Chipre, todos no fim, para desilusão de muitos, renderam-se à austeridade. Até a Finlândia, que era o exemplo da riqueza e não queria ajudar Portugal, agora começou a apertar o cinto aos finlandeses, embora como o tivesse muito mais largo do que o nosso, continuam mesmo assim a viver em condições bem melhores do que os Portugueses alguma vez viveram. Mas a estratégia é precisamente a mesma: cortar.

Assim, com este histórico, independentemente das sondagens para as eleições, sei que a austeridade vai vencer no fim e, apesar disto me desagradar, pelo menos já não vou ficar surpreendido, é que, passado o período das promessas agradáveis, vem a escravatura da dívida e o discurso do não pagamos é impraticável e já percebi que quanto mais atraente é o discurso de uma força política, mais distante ele está do que irá acontecer na prática.

Durante décadas os governos nacionais e até regionais fizeram uma maldade estratégica no desenvolvimento de Portugal por puro interesse de se preservar no poder a curto prazo: usaram um truque ilusionista que dava a sensação de que nos estávamos a desenvolver ao ritmo da melhoria da qualidade de vida. Afinal era a ilusão do crédito, não apenas público, mas também privado e poucos alertavam que a conta a pagar estava escondida. Parafraseando uma ministra desses tempos de euforia: “era uma festa”.

O Povo acreditou que os credores eram altruístas que nos davam subsídios para investirmos em níveis de vida de sonho sem a devida necessidade de suporte de criação de riqueza interna, afinal quando se trata de dinheiro não há amigos, a fatura aparece sempre no fim para ser cobrada. Por isso ou pagamos nós ou deixamos a conta para os filhos das atuais gerações, mas alguém vai pagar a doer e quanto mais tarde… mais dói!

Não acreditando em alternativas à austeridade, a única coisa que me resta é que esta seja implementada com a melhor eficácia e justiça possível. Penso que já foram cometidos demasiados atentados a estes princípios que importa corrigir e apesar de rendido ao colete de força da realidade do euro, espero ter força e saúde para continuar a lutar por um Faial melhor e um Portugal mais justo, o que não é sinónimo de acreditar num futuro próximo fácil para a generalidade dos Portugueses.

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Chocou-me verdadeiramente a mensagem do pretendente a Primeiro-ministro António Costa de garantir que não viabiliza  Orçamento de Estado se perder as eleições. Sobretudo porque ela demonstra mesmo antes do escrutínio eleitoral os tiques deste candidato de não saber perder e por colocar a nu que não se sente constrangido por colocar as suas estratégias políticas pessoais à frente do interesse de Portugal.

Apesar de me sentir chocado, tenho de assumir que é um ato de coragem de António Costa este assumir vingar-se no País se o Povo não lhe der a vitória eleitoral que ele deseja.

Para já fiquei esclarecido quanto à atitude de respeito da vontade popular de António Costa e efetivamente as campanhas eleitorais fizeram-se precisamente para se conhecer não só os programas à escolha, como também o caráter dos candidatos que estão à frente destes e a afirmação do Secretário-Geral do PS foi muito esclarecedora.

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A decisão de Bruxelas sobre o fim das cotas leiteiras não é de agora e nas negociações desta situação esteve muito mais tempo envolvido o anterior Governo de Portugal que o atual e há muito que se sabia que o decidido teria um impacte financeiro negativo nos produtores de leite do nosso País e nos Açores.

Agora que a realidade dos efeitos se começam a sentir no terreno torna-se evidente que os interesses de Portugal não foram devidamente salvaguardados pelos últimos dois governos da república, nem os regionais e ninguém preparou convenientemente o setor para os problemas que se sabia que viriam bater à nossa porta.

Contudo as posturas dos partidos com responsabilidades nesta matéria mostram bem a diferença de comportamento entre a Coligação PàF e o PS e são uma das razões porque a primeira paga pelos seus erros estratégicos cometidos e ainda porque os outros conseguem lavar-se das suas responsabilidades.

Enquanto Assunção Cristas assume que os 4,8 milhões de euros para ajudar o setor são positivos, o PS, através do seu presidente, considera ridícula e verba atribuída a Portugal e a comunicação social denuncia que nestes apoios a Espanha fica a ganhar face ao nosso País. Tendo em conta que aquele Estado tem melhores condições financeiras do que o nosso, proporcionalmente deveria receber apoios menores do que nós.

Contudo, mesmo sem conseguir mais um euro nada na prática, César mostra descontentamento e com isso evidencia uma postura reivindicativa, pelo contrário a imagem do Governo da República é de subserviência, sem nunca evidenciar publicamente qualquer esforço feito na luta pela defesa dos interesses de Portugal perante Bruxelas e o Governo alemão e isto torna o atual executivo aos olhos dos cidadãos culpado não só das suas falhas, como da dos outros e um fraco ou até dá trunfos para os que vendem a ideia de aproveitamento da crise para impor uma estratégia prejudicial aos trabalhadores.

Acredito que o atual Governo de Portugal possa até ter-se esforçado por alcançar melhores acordos nesta matéria e noutras ao longo dos seu mandato e, inclusive, com os credores do resgate, mas pouco mostrou desse trabalho. Sempre deu uma imagem de fatalidade passiva das consequências da crise, em detrimento do braço de ferro para alcançar melhor do que as imposições iniciais de Bruxelas, Merkel ou troika, e é pena! A fatura desta postura vai ser usada contra o PàF nestas legislativas e ele é o maior culpado de arcar com o fardo das culpas que outros também colocaram às costas dos Portugueses.

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo:

OBSERVAÇÕES FEITAS NA LAZEIRA DE AGOSTO.

Continuo ainda em espírito de verão, apesar de uma parte de agosto já ter passado e a Semana do Mar já ter acabado e por agora pensar mais em lavadias que este ano vieram cedo e em águas-vivas que não largam a costa do Faial do que em questões políticas, mesmo assim, não se pense que não ando atento ao que por cá se passa, se diz e se propõe ou não para o futuro da ilha..

Nasceu um novo grupo no facebook “Bons Banhos | Faial” cujos membros lá vão dando notícias sobre a meteorologia, os níveis de ultravioleta e onde se pode entrar no mar sem grande risco de um encontro indesejado com aqueles bicharocos urticantes ou com umas ondas violentas e ao qual estou agradecido pelo seu contributo em ajudar a aproveitar melhor o verão nesta ilha.

Contudo, reconheço que neste período de férias no Faial as principais excitações têm-se limitado quase apenas aos disparos apimentados entre os adeptos de clubes figadalmente rivais sobre as perspetivas futebolísticas para a época agora a arrancar, sobretudo devido às últimas trocas de treinadores e jogadores, e ao contrarrelógio dos candidatos à Assembleia da República para conseguirem visitar todas as instituições, públicas ou privadas e com alguma projeção no concelho para depois prestarem declarações à saída, certos que há sempre algum jornalista à porta para ouvir aquilo que habitualmente ouvimos sempre que há umas eleições legislativas nacionais, só que, para mim, estas têm o condão de serem bem menos entusiasmantes do que as regionais e as muito frenéticas locais ou autárquicas.

Infelizmente a Horta tende a ser cada vez mais apenas um dos muitos e pequenos concelhos esquecidos deste País, e, à exceção do tempo de um grande político Faialenses que projetou a sério o Faial em Lisboa: o Duque de Ávila e Bolama; atualmente as propostas dos partidos principais ignoram a nossa ilha e, assim sendo, as motivações para os locais são escassas e este ano ainda menores: pois agora que a ANA pertence à Vinci, os candidatos já nem se sentem com coragem para assumir obras a levar a cabo numa infraestrutura gerida por uma empresa privada e por isso até a questão do aeroporto tem andado arredada da lista atual de promessas eleitorais.

Antes quase não havia campanha legislativa onde a questão do aeroporto não fosse esgrimida a alto e bom som, este ano: nada!… Berta Cabral, que pouco se comprometeu no passado com esta infraestrutura, centra agora as atenções na base das Lajes. Carlos César, que de facto tem um compromisso para com os Faialenses não cumprido: o de garantir a ampliação da pista caso o Governo da República o não fizesse; este ano, que é o número dois nacional do partido por onde concorre e braço-direito de um potencial primeiro-ministro, tem deixado passar ao lado esta questão. Parece que este assunto queima quem lhe tentar tocar ou propuser uma solução e até penso que a Vinci não se oporia a um investimento público naquela pista do qual, não só ela, mas sobretudo os Faialenses, tirariam proveito económico e financeiro. Procedimento que não seria assim tão inovador após tantas concessões no passado a privados por esse Portugal fora.

Assim vai o mês de agosto pelo Faial, onde, apesar do tempo quente, a campanha eleitoral não aquece localmente por falta de uma proposta que motive verdadeiramente os Faialenses e muitos estão conscientes que depois das eleições o próximo Governo arranjará um argumento para continuar com a austeridade ou outro sinónimo e nos fazer pagar os graves erros e as gigantes dívidas que vieram do passado e fizeram a troika passar por cá três anos.

Apesar de descrente em relação ao futuro em termos de melhorias de qualidade de vida a curto-prazo ao nível nacional e de nada de promissor ver surgir no horizonte para o Faial, acabo este desabafo com uma nota positiva: os meus parabéns à RTP-Açores pelos seus 40 anos de atividade.

Eis um canal de televisão onde os seus trabalhadores são seguramente pessoas de coragem, pois, apesar de tanto tempo a ver o seu futuro laboral de forma incerta, nunca baixaram os braços e foram capazes de ao longo destas quatro décadas de transformar três distritos de costas viradas entre si e nove ilhas que se desconheciam umas às outras numa região com uma identidade única, onde se sente a pertença e se tem a consciência de se ser Açoriano e cidadão da Região Autónoma dos Açores.

Por este feito, parabéns a RTP-Açores e a toda a sua equipa que com tantas condicionantes técnicas e financeiras e até, naturalmente, com falhas humanas, foi mesmo assim capaz de cumprir o papel para que foi criada: Unir e Informar os Açorianos.

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Meu artigo de ontem no diário Incentivo.

ONDA DE DELÍCIAS ESTIVAIS

Tal como a banda a “A Fúria do Açúcar”, eu também gosto é do verão. A estação em que o Faial se veste de facto de azul, o período onde os dias são longos, mais frequentemente ensolarados e menos ventosos para permitir uns bons banhos de mar em águas quentes após o horário de trabalho e é ainda nesta estação que ocorre a Semana do Mar, que aproveito habitualmente para conviver com os meus amigos e sair à noite a gozar o fresco, a música e os sabores das tasquinhas e restaurantes, festa esta que arranca já no próximo fim de semana.

Este ano, segundo as estatísticas anunciadas, o verão tem sido acompanhado de um forte um crescimento do número de turistas nos Açores, posicionando-se o Faial no pódio das ilhas onde o aumento de dormidas tem sido mais significativo. É verdade, não sei porquê, que algumas pessoas ligadas à hotelaria da ilha têm-me confidenciado que a realidade não é tão brilhante quanto parecem ser estes números oficiais, mas não tenho elementos para questionar quem tem mais razão e ninguém me demonstrou a existência de manipulação destes dados. Por isso acredito que em termos turísticos este tem sido um bom verão para o concelho da Horta.

Como gosto de boas notícias e quando denuncio as más não é por vício ou interesse mas para se corrigirem as situações, assumo que fico satisfeito com este “boom” de visitantes e o bom posicionamento da minha ilha. Contudo, fico sempre com uma dúvida: se no Triângulo houvesse também a possibilidade de voos diretos de baixo custo, o vulgo “low-cost”, se estas estatísticas sobre o Turismo no Faial, Pico e São Jorge não seriam ainda bem melhores? Algo que por estes lados do canal pode até estar em parte comprometido tanto pela falta de vontade política de quem tem o poder, como também devido ao não cumprimento da promessa de governantes do Continente e dos Açores sobre o aumento da pista do aeroporto da Horta.

Ainda nesta onda de boas notícias, parece que a Escola do Mar deu mais um passo em frente, pelo menos foi divulgada a apresentação do projeto nos últimos tempos para a adaptação das instalações esvaziadas da Rádio Naval da Horta às necessidades deste novo estabelecimento de ensino especializado e a sediar no Faial.

É verdade que este passo não garante nada, mais avançada esteve a segunda fase da variante e todos sabemos que o Governo dos Açores, depois de a encolher e de a fasear, meteu a sua conclusão na gaveta. Tal como é verdade que o espaço da Rádio Naval só está vazio porque saiu de lá para São Miguel uma grande parte das valências que ali eram prestadas e não me esqueço, nem perdoo aos colaboracionistas desta retirada. Há ainda um silêncio comprometedor em torno do facto desta nova infraestrutura já ter sido alvo do anúncio da criação de um polo na ilha do arcanjo e não me esqueço que isto a vai partir a meio e reduzir significativamente a importância das instalações da Horta. Mesmo assim, se não houver nenhum outro recuo ou divisão, é um passo no bom sentido para valorizar a importância do Faial como centro de estudos marítimos.

Igualmente nesta boa maré têm surgido outras boas intenções, pois os candidatos faialenses a deputados na Assembleia da República por diferentes partidos têm defendido o reforço da importância de se concentrar na Horta as estruturas de estudo e investigação do mar, propondo o aproveitamento e a valorização do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores e do IMAR.

É verdade que de anúncios e boas intenções as campanhas eleitorais costumam estar recheadas e a credibilidade de levar à prática estas apostas políticas está em baixa, mas prefiro que se crie uma vaga favorável a esta pretensão, pois esta até pode alimentar reivindicações dos Faialenses após as eleições.

Assim, embora sem esquecer as perdas que já tivemos nos últimos anos e a probabilidade de algumas das intenções agora anunciadas serem mero oportunismo eleitoral inconsequente, na verdade em tempo estival e de férias, há mais turistas a animar as nossas ruas, há estatísticas a condizer e há promessas boas para a ilha de modo a ficar mais otimista e gozar mais descansado este calor com banhos e animações refrescantes na Semana do Mar que agora celebra 40 anos de história e por isto também está de parabéns. Pelo que, sem me fiar muito no que se diz e continuando atento para a eventualidade de me julgarem distraído, talvez possa fazer uma pausa nas preocupações e gozar o verão.

Aproveitem a Semana do Mar, cujo programa depois de tanto se falar de mudança, mudou de tal forma que no essencial ficou na mesma, logo já sabemos com o que podemos contar. Divirtam-se como a cigarra no verão… depois no outono há de se ver o que resulta desta boa onda estival…

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