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Posts Tagged ‘ideologia’

Pode-se desejar diferentes modelos de sociedade com gestão de esquerda, centro ou de direita e acredito que os aderentes de cada um deles reconhece que no dos seus sonhos as virtudes superam os defeitos, mas há princípios de justiça coletiva que não podem ser ultrapassados por nenhum deles. Uma desigualdade na distribuição da riqueza onde os 8 maiores bilionários do planeta possuem mais que metade da riqueza mundial e os 1% dos mais ricos tem mais do que os restantes 99% da população da Terra é revoltante e o espelho de uma injustiça que urge combater.

Sou dos que assumem que a igualdade imposta não gera justiça, esta defende-se com a equidade de tratamento e humanismo, mas também desigualdade que se observa no mundo atual não é o fruto da equidade ou do humanismo que defendo, mas sim o resultado do egoísmo de uma concorrência sem princípios entre as pessoas que permite pisar os direitos dos mais fracos que se instalou nesta civilização que se diz global, mas que não o é, pois os seus bons resultados não chegam à maioria dos humanos de forma digna e justa.

Confesso-me cansado de ver o aproveitamentos de oportunistas que singram às claras em torno daqueles que lutam com as bandeiras da liberdade individual e do empreendorismo como se nestes domínios não houvesse necessidade de ética e moral que regule os proveitos de quem investe, trabalha e dinamiza a economia.

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É preciso perder a vergonha de ir buscar a quem está acumular” foi esta a declaração de Mariana Mortágua que mais tem incendiado as redes sociais e tal não tem a ver apenas com o lóbi de ricos a tentar proteger-se, é que esta ideia também ameaça quem se sacrifica a poupar todos os dias, poupou no passado ou investiu com dificuldade as suas poupanças em habitação para assegurar a sua velhice ou proteger o futuro dos seus filhos.

Numa sociedade onde 54% das famílias não paga imposto, a classe média que suporta as receitas do Estado está acima do rendimento médio do País: professores, técnicos superiores, médicos, enfermeiros e outras profissões por conta de outrem ganha na sua maioria mais que a média nacional, são o maior contributo do Orçamento de Estado em IRS e IVA e foram os mais sacrificados em termos de rendimento de trabalho no pós-resgate de 2011 e, mesmo com dificuldades, é também daqui que são a maioria das contas bancárias um pouco acima dos 50 mil euros e do património imobiliário ligeiramente acima dos 500 mil euros, até porque muitas das casas foi reavaliada aquando da alteração do sistema do IMI e depósitos e habitação foi onde esta classe investiu as suas poupanças.

Há quem acumule porque rouba, mas há quem acumula porque poupa e este discurso alimenta o ódio a quem se sacrifica a poupar por quem nem consegue poupar e o receio a quem se sacrifica por pretende poupar.

A luta de classes nos países em que se tornou força de regime empobreceu mais este tipo a classe média citada do que fez subir o rendimento médio da população, veja-se os rendimentos dos médicos e outros técnicos que fugiram para o ocidente com o fim da guerra fria e aquela frase de Mortágua é uma lança neste grupo social.

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Uma das lutas da esquerda contra o neoliberalismo tem sido opor-se à privatização da água, um recurso que se quer público e não alvo de lucros privados, nem mesmo em prestação de serviço. Mas agora a mesma esquerda quer nacionalizar o Sol e o seu uso paga-se através do IMI, quem tem dinheiro pode assim usufruir de casas com maior exposição ao sol e paisagem mais amplas e belas. Pergunto: quanto aumentará  em imposto a vista do Faial para a Montanha do Pico?

Não haja dúvida que este governo está cheio de criatividade, é verdade que o Sol continuará a nascer para todos, mas mais para uns que podem pagar do que para os outros cuja pobreza lhe caberá contentar-se em residir em locais sombrios e feios… uma proposta muito igualitária sem dúvida e digna da esquerda tão bem caracterizada pela fábula “Revolta dos Porcos” de George Orwell.

Afinal a austeridade pode tomar as formas mais variadas de sacar uns cobre e há sempre uns mais iguais que outros, apenas podem mudar os favorecidos desde que o povinho fique cá em baixo a suportar estas aberrações de quem está no poder.

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Não tenho complexo em assumir que, na generalidade, estou de acordo com as ideias defendidas e os desafios de Portugal identificados por Pedro Passos Coelho no seu discurso no final do congresso de PSD.

Sim, goste-se ou não, o PSD está na oposição e o Governo atual tem a legitimidade resultante do quadro da Assembleia da República, independentemente de o PS ter perdido as eleições. Levou tempo a que este discurso fosse assimilado pelo partido com maior número de deputados no parlamento. Finalmente este quadro foi aceite e assumido publicamente por Passos Coelho.

Sim, Portugal tem um problema demográfico grave que tem de resolver, a natalidade não repõe as gerações que entram para a velhice e isto tem um custo na segurança social que urge resolver com justiça e sustentabilidade, assim há que reformar esta última e levar a que os Portugueses consigam resolver a questão da pirâmide etária do País.

Sim, Portugal tem uma “avaria” no sistema redistributivo da riqueza nacional, na desigualdade da distribuição de rendimentos e apesar da concentração de capital numa pequena pequena percentagem da população ser uma questão global, o nosso País tem de pensar o problema, não só de modo a se tornar mais equitativo, mas também de forma a que os beneficiários da ação social não fiquem eternamente retidos e dependentes da solidariedade pública.

Sim, Portugal tem um problema de sobreendividamento público e privado e apesar de discordâncias de muitos, concordo que não é gastando que se pagam dívidas, nem é pedindo perdão e mantendo os erros que se resolve este problema, é sem dúvida esta a minha grande divergência com o atual Governo e o grande teste da sua política. Espero para ver. Mantenho que sou um defensor de que sairemos da crise pelo crescimento da economia com investimento sobretudo das empresas.

Sim, o atual regime eleitoral privilegia a eleição de gente incógnita o que favorece os oportunistas e os anónimos das máquinas partidárias em detrimento das escolhas daqueles que o cidadão comum considera serem as pessoas a eleger e por isso defendo a reforma do sistema eleitoral e uma menor quantidade de deputados.

Sim, dou o benefício da dúvida que Passos Coelho não conseguiu governar em conformidade com estas ideias porque encontrou um Portugal totalmente falido e onde as medidas urgentes para estancar a hemorragia financeira que nos colocou sob a ameaça da bancarrota nacional se sobrepuseram ao projeto que hoje defendeu, mas não escondo que também por me vezes pareceu no passado mais convicto numa estratégia liberal do que um defensor da socialdemocracia e nisto divergirmos em muito. Se não era assim, parecia; mas se apenas agora se converteu a esta, mais vale tarde que nunca, pois não me revejo num modelo de governação que valoriza mais a finança do que as pessoas.

Se em relação ao Governo atual dou o benefício da dúvida para o qual também divirjo na estratégia, com muito mais razão aguardo que Passos Coelho esteja convicto com o que defendeu no seu discurso que é próximo do que eu defendo e espero que doravante seja coerente com esta linha.

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Nunca ouvir falar de Angus Deaton, nem encontrei livros da sua autoria, o vencedor em 2015 do prémio para as Ciências Económicas, que apesar de ser conhecido como Nobel da Economia, é de facto atribuído por uma entidade independente da Fundação Nobel, o Banco da Suécia.

Embora desconheça o trabalho deste laureado, confesso que da notícia descobri que o tema da sua investigação é precisamente aquilo que mais me preocupa em termos de economia: a relação entre consumo, pobreza e bem-estar; faltando só, ou talvez não, o quarto pilar das minhas dúvidas nesta temática: a questão da sustentabilidade.

Estranho que a sua obra não seja mais conhecida e as suas ideias mais divulgadas na comunicação social, talvez por fazer um trabalho isento que não sirva de apoio a fações ideológicas; é que na verdade ao ler determinadas obras de anteriores laureados fiquei com a ideia frequente que os mesmos serviam mais para ser suporte das suas visões do mundo em detrimento da isenção e assim temos premiados que até defendem e justificam posições contraditórias que se digladiam mais no campo da política do que no da economia.

Se for um economista acima dos preconceitos ideológicos espero que agora haja a oportunidade se se conhecerem as suas ideias e se lance luz sobre o problema da pobreza, consumo, apoios sociais e sustentabilidade da economia.

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A questão é uma dúvida que me tem assaltado desde o início este processo, o qual foi original e por isso teve riscos novos que o Governo tentou escamotear, mas também teve o mérito de na primeira vez desde que há falência de um banco em Portugal as consequências negativas não passarem imediatamente para o cidadão comum, que ou ficava com dívida da instituição para pagar através da nacionalização, como aconteceu com o BPN, ou em alternativa deixava os seus depositantes sem dinheiro (fora da garantia existente para os depósitos que será paga a seguir por todos nós também) e os seus empregados sem emprego.

A verdade é que em parte devido à infeliz declaração de que este processo não tinha custos para os Portugueses, tornou-se evidente não só a tentativa de mostrar que esta afirmação era abusiva, o que está correto; como também comentários vindos desde meros comentadores na internet anónimos ou vindos de personalidades públicas e políticos que denunciam uma vontade íntima para que o negócio a seguir corresse mal. Isto como se quanto pior for a venda, não fosse pior a dívida a arcar para a banca nacional e esta seguramente fará repercutir estes prejuízos sobre o simples cidadão.

Cada vez mais tenho a intenção que o ódio cego e interesseiro de adversários políticos e de cidadãos ideologicamente distantes do executivo intimamente desejam que praticamente tudo corra mal nas ações governativas como se esses insucessos não viessem a seguir a ser pagos pelas pessoas que constituem o Povo Português.

Uma coisa é ter ideias diferentes e referir que outras são apostas erradas e com custos, outra coisa é por interesse torcer e defender um mal público que a seguir recai sobre todos e parece-me que neste segundo grupo há portugueses em demasia para Portugal poder confiar na sua gente para ultrapassar a crise que atravessamos.

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Disputar a democracia – a política para tempos de crise” de Pablo Eglesias, que acabei de ler para conhecer melhor as ideias desta ala de esquerda radical europeia, é essencialmente um livro de denúncia do sistema politicofinanceiro atual pelo modo como o autor e Secretário-Geral do partido “Podemos” espanhol vê e conta a história do seu País, da Europa e do Ocidente desde o final do século XIX e a exposição da sua estratégia para conquistar o poder aos homens da finança e dos partidos tradicionais designados por ele como  “a casta”.

Apesar de concordar com o autor de que o poder da finança impôs-se internacionalmente e tornou a política numa fonte de injustiças, de desrespeito dos cidadãos como pessoas e dos próprios Estados como Países soberanos, não vejo esta situação como resultado de uma cabala global organizada pelas elites tradicionais do poder contra o povo iniciada no século XIX e que a mudança implica uma disputa em luta de classes que leve à derrota de uma minoria vergada sob o povo como se deduz da obra.

Para mim é claro que esta perspetiva é fruto das injustiças do sistema atual que está a esmagar muitos inocentes e urge mudar. Só que para Pablo Eglesias nesta luta de um lado todos são maus, muito maus mesmo, e do outro só há bons, não há erros, nem vícios, nem oportunistas, apenas vítimas inocentes. Mais chocado fico quando para demonstrar a sua visão por vezes se contradiga, reveja a história, dê como exemplos como se tudo esteja a ser um sucesso na América Latina ideologicamante próxima e branqueie Estaline selecionando exemplos como se este não fosse de facto um ditador.

Conclui que a proposta de Pablo Iglesias pode ser uma utopia e vende devido ao desumanismo e injustiça da política atual. Radica no marximo e estalinismo duro, é estrategicamente inteligente por vestir-se de forma atraente e fazer a guerra sem armas bélicas, mas é uma disputa ao sistema capitalista ocidental e por isto não vejo compatibilidade, que alguns dizem ser viável, que possa ser partilhada democraticamente numa mesma união monetária como a eurozona, pois, de facto, tem por fim a destruição do modelo e não a cooperação para o melhorar por dentro, só eles são democratas. Recomendo a leitura da obra a todos que vão mais no sonho do que no conhecimento das ideias do Podemos, do Syriza e talvez do BE e do Livre.

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