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Posts Tagged ‘União Europeia’

Na política a fama muitas vezes é ultrapassada pela realidade, a verdade nua e crua é que enquanto se acusa a Alemanha de egoísmo personificado na gestão de Merkel, é o Reino Unido quem pratica a política mais fortemente nacionalista  e financeiramente egoísta.

O acordo com o governo de Sua Majestade mais não é que a cedência a um País política e economicamente forte como o Reino Unido para que este possa ser menos solidário para com os outros Estados, para que este possa reduzir os direitos dos imigrantes europeus que aquele acolhe deixando estes mais desprotegidos e com maior risco de pobreza, apesar de contribuírem significativamente para a riqueza da Grã-Bretanha e a prestação de serviços básicos aos subditos.

Um suma, o acordo para evitar o brexit mais não é que uma vitória das chantagens dos egoísmos nacionalistas daquele povo ilhéu arrogante perante a solidariedade que esteve no início da construção da União Europeia, por outras palavras, está-se a celebrar a oferta aos europeus de um cavalo de Tróia inglês para uma tréguas de curto prazo e a destruição dos alicerces solidários que começou com a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço e ainda o Reino Unido pode levar a referendo a questão da permanência na União Europeia caso considere suficientemente atendidos os seus egoísmos nacionalistas…

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Quem tem acompanhado ao longo dos anos os vários planos e orçamentos municipais da Horta uma coisa já aprendeu: mudam-se os tempos que o essencial no conteúdo e nas obras previstas nos planos da Câmara mantém-se essencialmente os mesmos.

Há anos, nalguns casos mesmo décadas, que estes planos e orçamentos se concentram em repetir como prioridades: o saneamento básico, o mercado municipal, a reabilitação de estradas, a reabilitação da rede de águas, o ordenamento da cidade e freguesias como PDM e PP’s e a frente mar; sem que se veja concluir ou avançar de modo significativo estes aspetos.

Entretanto, como acontece este ano de 2015, que coincide com o início de um novo Quadro Comunitário de Apoios ou, mais corretamente chamado, Programa Operacional, o que se vê é que os objetivos e prioridades dos financiamentos europeus vão evoluindo e o Município lamenta-se que as verbas habituais contidas nos Quadros Comunitários antigos para a tipologia dos seus projetos habituais vão desaparecendo.

Assim, para 2016, o Presidente da Câmara lamenta-se de já não estarem previstos pela Europa fundos para as obras que entretanto por cá se foram arrastando, sem se fazer, nem concluir, enquanto a União Europeia aponta já outros caminhos de investimento.

O problema não está em Bruxelas, infelizmente o problema está cá, foi aqui que nunca se executaram a tempo as obras anunciadas quando a Europa tinha verbas abertas para elas. Foi a Horta que não evoluiu, mas a União Europeia avançou e continua a avançar. Foi o Município da Horta que estagnou no tempo e continua a deixar-se ultrapassar pela propostas de evolução dos objetivos e daí o desfasamento entre as propostas do plano e orçamento para 2016 da Câmara da Horta e o destino dos fundos do Programa Operacional Europeu para se investir até 2020.

O maior problema é que não vejo vontade de a Câmara corrigir este tradicional vício que se tem arrastado no tempo.

 

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A minha perspetiva de mais cedo ou tarde a Europa tentar fechar a porta à emigração de jovens portugueses licenciados começa a dar os primeiros sinais de concretização e a Ministra do Interior do Reino Unido já está a levantar a questão, para já ainda de mansinho… depois, temo que o cerco será ainda pior.

Efetivamente, nos últimos tempos devido à crise nacional os recém-licenciados têm mais frequentemente rumado para outros Estados da União Europeia em busca de emprego e de melhores condições de vida: a livre circulação de pessoas entre estes Países tem ajudado também e as infelizes palavras de Passos Coelho no início da licenciatura deu outro estímulo a esta sangria nacional.

Contudo, apesar de se tentar culpar quase apenas as políticas do governo nacional por esta fuga de jovens licenciados, a verdade é que os Países mais ricos também a favoreceram com falta de solidariedade financeira e vindo procurar e buscar a Portugal pessoas ainda em formação para cobrir as suas carências. Assim esta Lusitânia sofre uma dupla sangria desta geração por duas vias: uma pelas dificuldades internas ampliada pela falta de solidariedade financeira europeia e a outra pelo aliciamento dos mesmos Estados ricos que nos deixa ainda mais pobres por investirmos em formação que depois é aproveitada por quem nos obriga a seguir a austeridade.

Cedo perspetivei que esta porta começaria a fechar-se, pois mais cedo ou tarde esta migração de sentido único iria não só saturar os mercados de emprego no destino, como os lusitanos (provavelmente outros vindos do leste e do sul do velho continente) entrariam em concorrência com os autóctones dos atuais Estados recetores desta geração.

Assim temo que depois da falta de solidariedade financeira, virá também a falta de solidariedade social da Europa. Os Países do sul que fiquem com a dívida e a austeridade imposta pela UE e também com os desempregados devido ao fecho de portas. É que todos os povos Europeus se consideram solidários, mas só até ao momento em que estão a beneficiar com a solidariedade e quanto mais ricos são mais disponíveis para o egoísmo estão!per

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Disputar a democracia – a política para tempos de crise” de Pablo Eglesias, que acabei de ler para conhecer melhor as ideias desta ala de esquerda radical europeia, é essencialmente um livro de denúncia do sistema politicofinanceiro atual pelo modo como o autor e Secretário-Geral do partido “Podemos” espanhol vê e conta a história do seu País, da Europa e do Ocidente desde o final do século XIX e a exposição da sua estratégia para conquistar o poder aos homens da finança e dos partidos tradicionais designados por ele como  “a casta”.

Apesar de concordar com o autor de que o poder da finança impôs-se internacionalmente e tornou a política numa fonte de injustiças, de desrespeito dos cidadãos como pessoas e dos próprios Estados como Países soberanos, não vejo esta situação como resultado de uma cabala global organizada pelas elites tradicionais do poder contra o povo iniciada no século XIX e que a mudança implica uma disputa em luta de classes que leve à derrota de uma minoria vergada sob o povo como se deduz da obra.

Para mim é claro que esta perspetiva é fruto das injustiças do sistema atual que está a esmagar muitos inocentes e urge mudar. Só que para Pablo Eglesias nesta luta de um lado todos são maus, muito maus mesmo, e do outro só há bons, não há erros, nem vícios, nem oportunistas, apenas vítimas inocentes. Mais chocado fico quando para demonstrar a sua visão por vezes se contradiga, reveja a história, dê como exemplos como se tudo esteja a ser um sucesso na América Latina ideologicamante próxima e branqueie Estaline selecionando exemplos como se este não fosse de facto um ditador.

Conclui que a proposta de Pablo Iglesias pode ser uma utopia e vende devido ao desumanismo e injustiça da política atual. Radica no marximo e estalinismo duro, é estrategicamente inteligente por vestir-se de forma atraente e fazer a guerra sem armas bélicas, mas é uma disputa ao sistema capitalista ocidental e por isto não vejo compatibilidade, que alguns dizem ser viável, que possa ser partilhada democraticamente numa mesma união monetária como a eurozona, pois, de facto, tem por fim a destruição do modelo e não a cooperação para o melhorar por dentro, só eles são democratas. Recomendo a leitura da obra a todos que vão mais no sonho do que no conhecimento das ideias do Podemos, do Syriza e talvez do BE e do Livre.

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Nesta guerra não acredito em bons e maus, ambos os lados são ambiciosos e a vítima até agora foram os ucranianos que se viram vítimas da exaltação nacionalista nos seus territórios de população com maioria de expressão russa e os passageiros do avião da Air Malaysia.

Contudo é evidente que o ocidente se habituou a manipular estados nas últimas décadas a favor dos seus interesses com recurso à influência política e com dinheiro e a Rússia preserva ainda uma tendência muito mais de recurso à força por ser muito maior que quase todos os seus vizinhos exceto China e Índia.

Por enquanto a guerra fora da Ucrânia para controlo deste país tem se feito sobretudo com armas económicas e piropos políticos, agora mais um tiro de sanções foi disparado como retaliação do lado russo… será que ficará por aqui? É que no horizonte já pairam alertas/boatos de movimentações de soldados na fronteira ocidental da Rússia. Entretidos com isto e o Ébola vai se expandindo e a OMS declara emergência mundial pois a humanidade está a perder o controlo desta outra frente.

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Penso que ainda é cedo para se acusar quem quer que seja do acidente do avião caído na Ucrânia, inclusive para se estar seguro de que este resultou de um incidente lateral proveniente da guerra civil que se trava na zona ou foi apenas fruto de um problema técnico na aeronave. Falta muito a investigar no terreno para se tirar as conclusões finais, felizmente parece haver cooperação de ambas as partes em confronto.

Todavia, a se provar ou a se conseguir acusar uma das partes em confronto na Ucrânia (pois em cenários bélicos a hipótese de manipulação dos factos nunca se pode excluir na totalidade), esta seria talvez a primeira grande consequência trágica de nível internacional e sobre civis resultantes de um conflito local gerado na Europa, fruto de políticas desastrosas e incompetentes da luta de influências entre a União Europeia liderada pela Alemanha e a Rússia após o termo da guerra fria.

Na Jugoslávia, onde também a força das armas foi culpa de erros de opções dos líderes no velho continente, as mortes de cidadãos foram sobretudo de residentes locais, enquanto a morte de cidadãos dos outros Estados concentraram-se essencialmente em forças militares e paramilitares que foram intervir nos Balcãs. Agora, a concluir-se pelo abate por um míssil, veremos um número significativo de cidadãos de estados da União Europeia, criada inicialmente para se evitar novas guerras no continente, a morrerem em solo europeu e isso não permitirá que os povos agora de luto deixem de reparar que os conflitos que correm à nossa porta são resultado de erros estratégicos nas lideranças da Europa aos quais ninguém está livre de vir a tornar-se vítima.

No cenário da abate do avião, a Europa terá de tomar consciência de que o rumo que o Velho Continente está a tomar, tanto ao nível das influências leste-oeste, como centro rico-periferia endividada, pode mesmo ser fraticida e suicida. Por agora estou chocado por saber que muitas das vítimas são holandeses de cidades onde passei dias felizes há bem poucos dias e saídos do mesmo aeroporto de onde tão recentemente vim para casa e compartilho o luto e a solidariedade.

ADENDA: Já começou o jogo de responsabilizar o outro… a “verdade” assim dificilmente pode nunca corresponder à realidade.

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“O Declínio do Ocidente” de Niall Ferguson, editado pela Dom Quixote, é sobretudo uma análise da evolução de quatro campos que estruturam os Estados e o torna mais ou menos aptos em termos concorrenciais com outros e permitem dar melhores condições aos respetivos povos: a democracia ou a política, o capitalismo ou a economia, o estado de direito ou a justiça e a sociedade civil ou a participação cívica. Ao longo da obra e através da evolução destes pilares nos últimos tempos o autor demonstra e justifica porque a Europa e os Estados Unidos estão globalmente menos competitivos e se degrada o nível de vida da classe média dos seus cidadãos.

Não posso dizer que concordo com tudo o que Ferguson conclui, mas é interessante ele basear-se na comparação de um Estado a uma colmeia humana onde o alargamento da administração é equiparado ao aumento de zangãos à sombra das obreiras e considerar as enormes dívidas soberanas como uma rutura de um contrato social intergeracional, aspetos que constrangem a competitividade do ocidente. Contudo o autor, ao contrário do que o título sugere, não considera assegurado um futuro brilhante para a China pois a falta de democracia compromete a transparência necessária para um continuado progresso económico e social.

Uma aspeto interessante trabalhado no livro é a evidenciação de que pior que a desregulação financeira é uma má regulação, burocrática e ineficaz que em si é uma doença a assumir o papel de cura e tem sido a via adotada no ocidente, sendo o autor um adepto do capitalismo e do liberalismo a receita estaria num sistema onde a simplicidade, a prudência e a responsabilidade criminal dos banqueiros e gestores seriam o motor da economia.

Ao nível da justiça Ferguson usa e abusa do orgulho britânico para defender o direito comum inglês que considera mais apto na busca de resolução de conflitos que dinamizam os investimentos face aos herdados do Velho Continente que são mais complexos e defensores dos interesses do Estado que trava a economia, alerta para a tendência da burocracia excessiva, para o primado dos advogados e a onerosidade da justiça como restrições à liberdade necessária à evolução da sociedade e competitividade.

O autor não é menos complacente com os cidadãos do que é com políticos e agentes económicos e da justiça. A exigência do Estado democrático satisfazer todas as necessidades das pessoas, sem dar lugar à concorrência público privado, cria povos acomodados e hiper-protegidos que deixam de intervir coletivamente, o que degrada a vitalidade dessas sociedades, condenando o País ao endividamento e perda de dinâmica competitiva económica e social.

Mesmo discordando em vários aspetos com Ferguson, muito dos problemas que aponta no livro e soluções que propõe devem ser conhecidos e refletidos por todos antes que seja demasiado tarde para o ocidente…

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