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Posts Tagged ‘Europa’

Já não é só o resultado das presidenciais amanhã em França que me preocupa, é o progressivo aumento de votação em partidos extremistas ou populista na Europa e EUA. Mesmo que Le Pen seja derrotada nesta volta, o UKIP já conseguiu o Brexit e não serviu de lição que o seu líder no dia seguinte se tenha posto ao lado, depois venceu Trump e Beppe Grillo ameaça desestabilizar a Itália com o 5 estrelas.

Curiosamente, muitos daqueles que se dizem progressistas de esquerda ou de direita e insatisfeitos com o sistema político atual no ocidente, incluindo de Portugal, não têm deixado de partilhar discursos de Nigel Farage anti-europa, de aplaudir o progresso do 5 Estrelas ou outros discursos embrulhados em vontade de mudar o sistema vindo de gente que disfarça ideias centrais perigosas.

Choca-me mesmo ver emigrantes lusos, alguns até de elevado nível intelectual e cultural, a defenderem, como protesto políticos, propagandistas de ideias nacionalistas, anti-imigração e xenófobas nos países que os acolheram, como se isso não alimentasse um animal que parasita a democracia e a destrói por dentro, sendo que este regime, apesar dos seus defeitos, foi até hoje o modelo que mais estendeu direitos e regalias pelos indivíduos dos povos por onde se instalou, com benefícios para todas as classes sociais.

Le Pen pode perder e assim desejo, mas o monstro das ideias que lhe são similares continua a crescer e a minar a democracia e não sei por quanto tempo mais esta lhe resistirá ainda.

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O que mais me surpreendeu em 2016 foi mesmo a derrota em outubro dos políticos do Faial que desculpavam estratégias que prejudicavam esta ilha. Destaco o à vontade com que desde então deram a volta ao seu discurso, passando até a criticar a administração da SATA e a reconhecer a importância de ampliação da pista da Horta como se em setembro nem tivessem rejeitado votos de protesto sobre os mesmos assuntos. Mas assumo ainda bem que juntaram a sua voz aos que falavam alto em defesa desta ilha. Espero apenas que não seja fogo de vista e que esta viragem dê frutos até outubro próximo. Ao nível do Porto da Horta já estes derrotados tem tido um discurso ambíguo e estão a desresponsabilizar o Governo dos Açores dos atentados que por ali se podem ainda praticar

Não sei até que ponto e por quanto tempo é sustentável financeiramente a estratégia do governo de António Costa, mas que, em termos de imagem da crise, a situação social e económica no final de 2016 parece muito mais apaziguada e com melhores perspetivas de ultrapassar as dificuldades sentidas que o pensado em final de 2015, há que reconhecê-lo. É verdade que os aspetos negativos aparecem esbatidos: nunca o investimento público foi tão baixo, apesar de ser uma das alavancas antes defendida pelos atuais governantes para a retoma, o crescimento ficou muito aquém do anunciado e a dívida pública e juros desta crescem paulatinamente e parecem bombas relógios que temo, também assumo. Agora que o desemprego baixou e isto estava entre o fundamental dos Portugueses, foi um objetivo bem conseguido. A obsessão pela redução do défice que era alvo de críticas aos anteriores governantes passou a ser o maior trunfo dos que agora ocupam o poder, uma mudança substancial e uma bandeira de sucesso, tal como a coesão da esquerda que se mostrou capaz de engolir sapos perante as dificuldades da realidade foi uma surpresa que garantiu uma estabilidade que se duvidava ser conseguida com os acordos da denominada geringonça. Assim, Costa está em alta e surpreendeu pela positiva.

Desportivamente a vitória de Portugal no euro 2016 foi sem dúvida a maior conquista do País e praticamente poucos acreditavam ser possível. A seleção nacional não brilhou nos vários jogos da corrida para a sua meta, mas no momento final arrancou e alcançou um feito que parecia impossível.

Internacionalmente a guerra na Síria e os refugiados pareciam ser os acontecimentos que maiores marcas deixariam em 2016, até que a vitória do Brexit fez mudar os holofotes da Europa para a necessidade de coesão entre os Estados da União e sem dúvida que Merkel e Bruxelas passaram a ser mais tolerantes com os países em dificuldades económicas, mas o que parece mesmo ser o maior fenómeno do ano foi a vitória eleitoral de Trump e, provavelmente, será este o evento que mais irá condicionar a política internacional do futuro próximo ou mesmo distante da Terra, tudo depende de como ele irá mudar a estratégia de enfrentar os problemas internos e externos dos Estados Unidos.

Claro, há outros acontecimentos marcantes, refiro aqui apenas: a chegada a Secretário-Geral das Nações Unidas de Guterres, mas sem dúvida que o prestígio é maior que a eficácia do cargo para este conseguir com eficácia que o mundo rume para uma política global mais justa e humana. Embora de outra índole, não me esqueço da destituição de Dilma Rousseff num Brasil que se afunda na fossa da corrupção que tudo suja, mas lamento que  Lula tenha aceite entrar para o Executivo de molde a deixar a ideia que era para fugir à justiça, mesmo que esta não pareça neste processo mais limpa que os restantes políticos, mas os heróis também devem saber marcar a diferença e ele neste ano não soube, mas este parece-me que é um fenómeno com maior efeitos apenas dentro do Brasil do que a nível Internacional.

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A crise económica e política dos últimos anos faz encaminhar o mundo para opções ideologicamente mais radicais. Se nos Estados Unidos o partido Democrata vê a força da esquerda radicalizar-se em Sanders, o partido Republicano esta encostado à extrema-direita pelo xenófobo e isolacionista Trump, que até já lidera sondagens nacionais. Em Espanha o Podemos, coligado com a Izquierda Unida, também começa a aparecer na preferência dos Espanhóis.

Na Áustria, a pátria de Hitler, foi por um unha negra que o povo não elegeu um presidente da extrema-direita, em França a ameaça de uma vitória Le Pen nas próximas presidenciais é real, o Brasil anda a ferro e fogo sem qualquer bom-senso na guerrilha política, a Venezuela é mesmo quase uma situação de guerra civil e de ditadura e o peso da extrema direita sente-se na União Europeia através da Hungria, Polónia e ameaças económicas do norte da Europa aos países endividados do  sul.

A continuar assim, qualquer dia não há diplomacia e política que controle este barril de pólvora… Hitler também chegou ao poder democraticamente… agora até a maior economia do mundo não está livre de eleger um radical colado à extrema direita e Putin não é um exemplo de democracia saudável ou seja a as maiores potências económicas e militares estão a cair em regimes de democracia muito frágil… para além da Primavera Árabe estar a levar para um inverno de horrores uma fração muito significativa de muçulmanos.

Este mundo está a ficar mesmo muito perigoso!

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É injusto que na sequência de uma política de excessiva obediência a Bruxelas, seguida por Passos, mas que não deu os frutos que a Europa queria, venha agora a Comissão pensar em sancionar Portugal precisamente quando se está no início da experiência de uma estratégia diferente implementada por Costa e antes de se saber se esta vai dar certo.

Todavia, na sequência desta ameaça europeia, Costa desaproveitou a oportunidade dada por Passos para ter neste mais um aliado do Governo de Portugal no braço de ferro com Bruxelas. Isto porque precisamente em vez de elogiar as declarações do anterior Primeiro-ministro e de Maria Luís Albuquerque quando também se manifestaram contra as sanções, ele optou por falar para os socialistas e criticar a contradição entre o líder do PSD e o Partido Popular Europeu que estaria a favor do sancionamento ao nosso País.

Após uma birra de Passos em não cooperar com o atual Governo à espera que as coisas deem para o torto (risco que ainda existente), colocando os interesses partidários acima dos nacionais; após os lamentos do atual Primeiro-ministros pela não cooperação do PSD quando da recente discussão do orçamento; após o Presidente da República apelar a entendimentos entre todos em favor de Portugal; António Costa desaproveitou a abertura dada pelo líder da oposição em estar a seu lado nos diferendos com a Europa, dificultando ainda mais futuras cooperações deste se Bruxelas for  mais dura com Lisboa e os partidos à sua esquerda acharem que se ultrapassou a linha vermelha que estão dispostos a ceder para salvar a sua estratégia.

António Costa porque tem tido alguns sucessos iniciais quando pouca acreditavam na sobrevivência desta coligação de esquerda esquece-se que está a andar sobre terreno muito pantanoso cheio de areias movediças onde um pormenor pode acabar com todas a estratégia por ele montada e ao fechar esta porta dá argumentos a que nessa altura possa ficar sozinho.

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A decisão de Bruxelas sobre o fim das cotas leiteiras não é de agora e nas negociações desta situação esteve muito mais tempo envolvido o anterior Governo de Portugal que o atual e há muito que se sabia que o decidido teria um impacte financeiro negativo nos produtores de leite do nosso País e nos Açores.

Agora que a realidade dos efeitos se começam a sentir no terreno torna-se evidente que os interesses de Portugal não foram devidamente salvaguardados pelos últimos dois governos da república, nem os regionais e ninguém preparou convenientemente o setor para os problemas que se sabia que viriam bater à nossa porta.

Contudo as posturas dos partidos com responsabilidades nesta matéria mostram bem a diferença de comportamento entre a Coligação PàF e o PS e são uma das razões porque a primeira paga pelos seus erros estratégicos cometidos e ainda porque os outros conseguem lavar-se das suas responsabilidades.

Enquanto Assunção Cristas assume que os 4,8 milhões de euros para ajudar o setor são positivos, o PS, através do seu presidente, considera ridícula e verba atribuída a Portugal e a comunicação social denuncia que nestes apoios a Espanha fica a ganhar face ao nosso País. Tendo em conta que aquele Estado tem melhores condições financeiras do que o nosso, proporcionalmente deveria receber apoios menores do que nós.

Contudo, mesmo sem conseguir mais um euro nada na prática, César mostra descontentamento e com isso evidencia uma postura reivindicativa, pelo contrário a imagem do Governo da República é de subserviência, sem nunca evidenciar publicamente qualquer esforço feito na luta pela defesa dos interesses de Portugal perante Bruxelas e o Governo alemão e isto torna o atual executivo aos olhos dos cidadãos culpado não só das suas falhas, como da dos outros e um fraco ou até dá trunfos para os que vendem a ideia de aproveitamento da crise para impor uma estratégia prejudicial aos trabalhadores.

Acredito que o atual Governo de Portugal possa até ter-se esforçado por alcançar melhores acordos nesta matéria e noutras ao longo dos seu mandato e, inclusive, com os credores do resgate, mas pouco mostrou desse trabalho. Sempre deu uma imagem de fatalidade passiva das consequências da crise, em detrimento do braço de ferro para alcançar melhor do que as imposições iniciais de Bruxelas, Merkel ou troika, e é pena! A fatura desta postura vai ser usada contra o PàF nestas legislativas e ele é o maior culpado de arcar com o fardo das culpas que outros também colocaram às costas dos Portugueses.

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A solidariedade é uma coisa muito bonita, mas só tem significado se for por vontade de ajudar o próximo sem daí tirar proveito e sem receio de algum sacrifício de quem dá.

Na questão dos refugiados que estão a chegar à Europa têm-me chocado as cada vez mais as numerosas declarações, sobretudo em redes sociais e blogosfera, de receio de Portugal não ter capacidade de acolher pessoas refugiadas, pois tal implica canalização de dinheiros públicos que já faltam para apoiar os nossos necessitados e vítimas da crise.

Curiosamente, algumas destas declarações vêm de gente que passa a vida a apelar para que os povos do norte da zona euro ajudem Portugal, países que há décadas até tem um “crédito” de subsídios aos portugueses para estes se desenvolverem e mesmo assim ficámos à beira da bancarrota. Além disto, com maior ou menor dificuldade nós ainda podemos viver no nosso País, ao contrário de muita daquela gente que viu a sua terra destruída por uma guerra e por isso têm de fugir para sobreviver, conflito fomentado pelos interesses do ocidente a que pertencemos e que nos subsidia em contínuo.

Não deixo de afirmar que também me metem menor nojo declarações de políticos, da esquerda à direita, que propalam uma solidariedade que não está na suas mãos fazer, ou afirmam uma solidariedade que podiam fazer e não implementaram ou ainda denunciam uma coisa ou outra aproveitando momentos onde se torna evidente que o objetivo é tirar dividendos eleitorais.

Infelizmente a minha experiência tem-me ensinado que todos os povos das nações da Europa pregam a solidariedade, desde que com isso não tenham de se sacrificar, quando se chega a esta exigência é o momento em que o comodismo e o egoísmo passa a dominar e até a ser utilizado como arma de oportunismo e de aproveitamento político.

Neste momento o que é urgente é ser-se proativo na solidariedade para com gente que ainda é mais pobre do que nós, está diariamente a morrer às portas da Europa e se encontra enclausurada em campos de refugiados ou escondida sem uma solução à vista, mesmo que para isso todo o Europeu tenha de fazer algum sacrifício para ajudar as vítimas que integram esta avalanche de refugiados.

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Infelizmente para muitos refugiados já é demasiado tarde mas ainda para muitos outros vai-se a tempo, por isso está na hora de a Europa passar das palavras aos atos como se deduz deste título.

Infelizmente quanto mais refugiados terão de morrer para que os povos egoístas europeus, do sul a norte, imponham a defesa desta gente?

Defender esta causa é mesmo uma questão de moral coletiva para toda a União Europeia.

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