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Posts Tagged ‘Estratégias’

Lamentei em 2010 o fecho da fábrica do peixe da COFACO no Faial, logo após o período em que tal era viável sem ter de devolver os subsídios europeus que recebera. Então ofertaram aos seus trabalhadores faialenses vagas no Pico, não sei quantos dos que aceitaram continuam ainda a ir diariamente para a Madalena, mas foi um despedimento encapotado imposto de forma abusiva pela empresa a muitos. Volto a lamentar o despedimento agora daquela fábrica com a desculpa de construir uma nova sem se perceber das garantias aos novos desempregados.

É muito triste ver imporem ao Pico os mesmos sacrifícios que antes fizerem ao Faial, embora o ditado diga que: quando vires as barbas do teu vizinho a arder coloca as tuas de molho, um sinal claro que mais cedo ou tarde o mesmo irá acontecer a quem está ao lado.

Agora ainda sobra esperança com a perspetiva de uma futura fábrica que já se percebeu não será para o mesmo tipo de produção que a atual e por isso, mesmo que se venha a concretizar, talvez já não acolha todos os desempregados deste despedimento coletivo.

Sempre fui defensor de que o Pico e o Faial tinham ambos a ganhar quando lutavam unidos pela defesa de cada uma das suas ilhas, em vez de se gladiarem esperando que com a desgraça ou desinvestimento da outra viessem a acolher benefícios do exterior mais forte. Um engano total tal estratégia!

Sou há muito da opinião que quando uma ilha do canal enfraquece está aberta a porta para a seguir esse exterior mais forte começar a atacar a outra. O que se está a passar agora com a COFACO da Madalena aponta para a correção da minha forma de pensar o problema ao nível do eixo Faial-Pico e, coerentemente, estou solidário com o Pico, pois o enfraquecimento deste, a médio ou longo prazo, também atingirá o Faial.

A solidariedade tem dois sentidos e se for feita com inteligência consegue-se defender a sua terra sem pisar a do vizinho e nunca nos devemos aliar aos mais distantes e fortes que ambicionam os bens na nossa vizinhança, pois neste caso rompem com cooperação dos vizinhos que servi para se defenderem e esse exterior depois vem buscar os bens que ambicionava de cada um deixando os dois cada vez mais fracos.

Votos que este processo acabe bem no Pico para de todas as gentes do Canal.

 

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É bom para Portugal que a Fitch tenha retirado a dívida pública na categoria de investimento subindo a sua nota em dois degraus. É também bom que a economia esteja a crescer, sobretudo, pelas exportações, o que sempre defendi, e não pelo consumo interno que eu contestava. É igualmente bom que ao nível do investimento seja o setor privado o que mais contribui para crescimento económico. Agora estes facto escondem alguns aspetos ideológicos interessantes.

Não foi preciso reformas nos últimos dois anos para a economia, que já vinha a crescer ligeiramente desde meados de 2014, dar um pulo, pois a única reversão de políticas foi a de reposição de vencimentos com o argumento que o consumo seria o motor do crescimento, só que o aumento económico veio e não foi pelo consumo.

O turismo é classificado como exportação na análise económica e todos sabemos que este cresceu e muito nos últimos anos, logo a fuga de turistas do mundo árabe e Turquia revelou-se benéfica para Portugal e foi uma aposta correta aqueles anos de promoção em força do País na Europa e agora estamos a colher bons frutos disso.

O facto de o investimento privado estar a superar o público torna evidente que a política de cativações é a estratégia de rigor que ocupou a de austeridade, se mantém para o Estado não gastar dinheiro, uma forma agora mais subtil de não colocar dinheiro na sociedade do que a do passado e por isso melhor tolerada.

Agora basta um incidente que afete o ânimo económico ou afaste os turistas para tudo isto voltar a trás, pelo que toda a cautela é pouca, mas estes indicadores não apontam para que se tenha seguido nestes dois anos uma via minimamente semelhante à das ideias defendidas pelo BE e CDU e aqui também está outro risco para o Governo e também evidencia como a direita não via o caminho que o executivo estava a trilhar.

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Meu artigo de ontem no diário Incentivo:

O CASO IMAR OU DA DESUMANIZAÇÃO DO SETOR PÚBLICO

Foi com amargura que vi amigos e conhecidos, entre outros, a comunicar, no telejornal da RTP-Açores, a receção das primeiras cartas de despedimento como investigadores ou outras funções que desempenhavam na sede do IMAR, nas instalações do DOP da Universidade dos Açores na Horta.

Já não é a primeira vez que assisto a um despedimento coletivo e encapotado de grande dimensão no Faial por meras questões de interesses financeiros alheias aos problemas das gentes que serão afetadas por essas decisões e onde as pessoas são tratadas como peças de uma máquina que se pode descartar sem nenhum peso na consciência dos decisores.

A primeira vez foi há mais de uma década, quando do encerramento da fábrica de conservas de peixe no Pasteleiro, só para transferir a produção desta unidade e concentrá-la noutra instalação fabril no Pico, modernizada com subsídios públicos, sobretudo vindos da Europa, logo depois que se concluiu o tempo para que pudessem fechar a da Horta em virtude das obrigações resultantes dos anteriores subsídios públicos que tinham recebido para modernizar a fábrica no Faial.

Este despedimento foi encapotado, pois permitia que muitas das mulheres pudessem manter o seu trabalho na ilha em frente, indiferentes às possibilidades para apanhar a tempo o cruzeiro, de serem mães com filhos pequenos ou terem outros familiares que lhes impedisse tal mudança de vida. Então, o poder político justificou a sua impotência por ser uma medida de gestão privada, omitiu o facto de que era tomada para sacar ao máximo apoios públicos em desrespeito da salvaguarda social dos trabalhadores, onde estes nada lucravam com o dinheiro injetado e gerido pelo poder político.

Alguns Faialenses protestaram publicamente então, criticaram tal modo de gestão desumana, mas muitos quedaram-se no silêncio, talvez lamentassem no seu íntimo, mas era um problema que não era deles e como tal assistiram tal ataque a gentes desta ilha sem se incomodar.

Agora é uma estratégia de gestão de uma entidade pública que vive, sobretudo, de dinheiro público: a Universidade dos Açores, isto só para maximizar individualmente a gestão de apoios que geria de modo coletivo no IMAR de que era membro. Novamente não importam as pessoas, nem como estas programaram a sua vida, fizeram compromissos financeiros ou se enraizaram no Faial.

Acredito que também haja outra foma encapotada de despedir pessoas ao oferecer-se a uma parte dos investigadores, em paralelo, trabalho no novo Okeanus, em condições que com o tempo vir-se-á a saber, e para outras poderá ser o fim de um emprego que já não era de grande estabilidade, como acontece à maioria dos investigadores científicos em Portugal. Suspeito que de novo haverá alguns Faialenses a protestar e a reagir em público por este modo desumano de atrair fundos públicos e muitos outros a ficar em silêncio, talvez a lamentar-se no seu intimo, mas cientes que o problema não é deles e a ver, sem se incomodar, este ataque a gente que vive nesta ilha.

Há muito que se fala de deslocalizações de fábricas e empresas privadas para maximizar lucros e aproveitar apoios ou incentivos públicos, onde se culpa o neoliberalismo e a globalização que penaliza de forma desumana os trabalhadores sem ter em conta os problemas sociais que provoca.

Infelizmente, isto não é um vício exclusivo de privados culpa do neoliberalismo e da globalização. Não só porque muitos dos incentivos que permitem tal gestão desumana no privado é apoiado com dinheiros públicos de Estados e patrocinados por estes, mas também porque os governantes e altos gestores públicos o praticam cada vez mais com os seus funcionários: umas vezes para satisfazer elites, foi o caso da Rádio Naval; outras para tentar captar votos a gente que se deixe vender com deslocalizações de estruturas existentes sem justificação técnica e que provocam danos sociais a terceiros, é o caso agora do Infarmed; e ainda para se ter mão individual numa maior fatia de fundos públicos que se geria em cooperação, é caso da Universidade dos Açores com o IMAR/Okeanus.

Eis exemplos de vícios em entidade públicas que se diziam típicos de privados gananciosos no capitalismo, mas que se fazem num Estado que mexa à vontade com os seus funcionários, certo da passividade de muitos outros e seguro que os seus tentáculos amedrontam quem se oponha.

Há dias disseram-me que os Faialenses têm medo de falar e protestar contra quem governa pois dependem destes e o poder usa das mesmas armas de pressão que se acusa o privado ganancioso. Algo que desvirtua a democracia e no Faial, com a mágoa e silêncio de muitos, já se vê o esmagar de cada vez mais dos seus residentes pelo poder público, ou seja, aquele que se dizia garantir a defesa das pessoas acima dos vícios dos privados. Hoje eles… amanhã quem será?

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A resistência do Governo para a contagem do tempo plena, em que as carreiras estiveram congeladas na função pública, mostra apenas quanto da austeridade estava oculta com o conluio dos sindicatos, a reversão era apenas às medidas do tempo de Passos, a que vinha de Sócrates era para se respeitar, não havia dinheiro e só havia um mau da fita, a derrota da CDU nas autárquicas acabou com este esquema.

Tivesse a CDU não perdido câmaras para o PS, o único que ganhou louros deste silêncio da CGTP, que deixou que as classificações restringissem a progressão, fechando os olhos aos congelamentos, e esta caixa de Pandora não tinha sido aberta, pois era uma forma de não pagar o salário devido sem se falar de cortes.

As cativaçōes também eram outra forma encoberta de cortes na despesa não denunciada, antes faltava dinheiro nos hospitais e escolas devido aos cortes, agora apenas o dinheiro necessário estava cativo.

O que critico não é esta austeridade, mas o seu encobrimento pelas forças antes tão intolerantes e o uso deste novo termo de rigor e o conluio associado, como se fôssemos todos tolos, é que de facto alguns são e deixam-se enrolar, eu não.

A vitória de Costa nas autárquicas também lhe trouxe este fim do conluio.

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Adequar a oferta de transporte aéreo à procura nas rotas inter-ilhas é intenção da Secretária Regional, à partida é uma boa ideia, mas conhecendo como o Presidente da SATA trabalhou a estatística da ocupação dos aviões para prejudicar o Faial, isto obriga a grande atenção para que não haja malabarismos que prejudiquem a Horta. Abrir a Azores Airlines a privados pode ser apetecível com uma gestão racional, mas difícil sem os caprichos centralistas do Governo dos Açores.

São estas as duas novidades ao nível da política de transportes aéreos regionais noticiadas hoje no jornal Incentivo. Contudo, as ressalvas que lancei acima são minhas, pois a experiência diz-me que neste domínio o Governo Regional há muito que toma medidas moldadas de forma a prejudicar o Faial e também por vezes o Pico em matéria de acessibilidades para servir outros interesses bem distantes do Triângulo.

Na abertura do capital da empresa do grupo SATA é lógico que disponibilizar rotas ao exterior do Arquipélago fora do serviço público e rentáveis pode também requerer o recurso a medidas de desfavorecimento das ligações entre outros aeroportos açorianos de menor tráfego e o exterior da Região para viabilizar as centradas no aeroporto de Ponta Delgada e o já muito propalado “hub” a colocar naquela infraestrutura para centralizar os passageiros ali independentemente de serem de São Miguel ou não.

Tentativas de concentras a circulação dos Açorianos no João Paulo II já não são novas e com esta intenção de envolver privados esta tentação aumenta exponencialmente.

Assim, tendo em conta os riscos que interesses políticos ocultos pode envolver estas ligações todo o cuidado é pouco para os Faialenses, Picoenses e outros Açorianos não serem de novo ludibriados.

 

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O Secretário Regional do Mar Ciência e Tecnologia disse que o Governo dos Açores desconhecia o fecho do Instituto do Mar, é surpreendente: 1.º o Secretário tutela a Investigação e os Assuntos do Mar, as duas áreas de ação do IMAR; 2.º O presidente do IMAR foi há dias candidato pelo partido do seu Governo a líder da Assembleia Municipal da Horta; 3.º a Universidade dos Açores é apoiada pelo Governo Regional. Então ninguém discute com o o Governo o futuro. Para que é então um Secretário Regional com estas tutelas?

Será apenas para distribuir dinheiro sem ver se as instituições beneficiadas garantem a execução desses programas?

O próprio presidente do IMAR foi há pouco mais de um mês o candidato do partido do Governo à Assembleia Municipal da Horta. Já foi Deputado e Secretário Regional também pelo partido do Governo dos Açores e não fala com os membros do governo do seu partido e do seu concelho sobre um assunto tão crucial para o município de que era candidato pelo partido do mesmo governo de onde é também o atual Secretário Regional da área em causa que até é do quadro do DOP com quem o IMAR até partilha as instalações?

Então quem define de facto a política de investigação e do mar nos Açores, não é o Governo da Região?

Uma coisa é certa, esta declaração de desresponsabilização de um Secretário Regional sobre matéria tão importante nas áreas das suas competências cheira mesmo a esturro ou está a atirar areia para os olhos dos Faialenses e estes vão perder mais um setor que fornecia emprego e crédito à Horta como cidade mar, será uma negociata debaixo da mesa em troca da Escola do Mar? Tantas interrogações que tal declaração arrasta consigo.

Confesso, sinto-me indignado com as jogadas de bastidores onde os Faialenses são marginalizados e o governo dos Açores assume estar de fora nas matérias em jogo. Uma vergonha.

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O meu artigo de hoje no Incentivo:

O INOPORTUNO ELOGIO DA LIÇÃO E RISCOS NO FAIAL

No passado dia 15 de outubro quando escrevia o artigo para ser publicado no Incentivo na terça-feira seguinte, onde mostrava as capacidades comunicacionais de António Costa para disfarçar a austeridade oculta do Orçamento de Estado para 2018 e a arte de assumir medidas alheias que recusara antes, para dar a entender que tinha um pacote de politicas populistas e originais e levar os Portugueses a renderem-se à sua estratégia, não imaginava a catástrofe que Portugal Continental estava a enfrentar e ampliada pela incompetência do Governo em proteger as populações rurais.

Além de desconhecer o que estava a acontecer, estava longe de imaginar que no dia seguinte o mesmo Primeiro-ministo me iria mostrar que poderia ser inapto em comunicação e assisti a um António Costa desastrado na forma de falar aos Portugueses da calamidade que o País passava e da estratégia do Governo para enfrentar o problema. Uma coincidência que se não fosse tão trágica até seria irónica, pois ocorreu quando decidi elogiar a veia comunicacional do Primeiro-ministro.

Contudo, no dia de saída do artigo assisti à capacidade comunicacional de Marcelo Rebelo de Sousa, alguém a quem eu já várias vezes criticara por ser excessivo em palavras, mas que naquele díficil momento optou por se calar, reservar-se no início e depois fazer um dos discursos mais assertivos num Presidente da República de Portugal em democracia, com uma análise real da situação e a impor ao Governo a tarefa de definir a estratégia nacional para enfrentar a catástrofe. Falou aos Portugueses sem disfarces da dura realidade e ao poder executivo daquilo que era prioridade este pensar e decidir, obrigá-lo a um programa, mas a definir por quem lhe competia: Governo.

Confesso que preferia ter visto o Presidente da República brilhar sem ser numa catástrofe, mas também é do conhecimento geral que é nos momentos difíceis que se vêm os melhores.

Costa não brilhou quando Portugal foi à falência, mas depois de arrumado o País com a sua veia comunicacional soube chamar a si louros de um desenvolvimento livre da troika e com ventos externos favoráveis como se tudo se devesse a ele próprio. Infelizmente na primeira grande intempérie que enfrentou, Pedrógão Grande, nem uma medida corretiva atempada tomou para então arrumar a casa, e pior, desresponsabilizou-se a si e ao Governo com heranças do passado.

Na segunda tempestade, Costa já seguia a mesma estratégia e não fosse alguém capaz de o enfrentar como o Presidente da República e duvido que hoje não estaria tão humildemente a trabalhar e a refletir nas prioridades dos problemas do ordenamento das florestas e do despovoamento rural.

Uma vez que não se pode alterar o passado, o importante agora é que se corrijam muitos dos erros de ordenamento territorial que aumentaram os riscos associados aos fogos e para as populações, cuja incompetência diretiva da proteção civil não impediu que resultasse em tantos mortos.

Também é verdade que não foi apenas a incúria e incompetência que levou a este aumento do risco que conduziu à morte de tanta gente, houve e há que ter a coragem de continuar a denunciar isto: interesses eleitoriais a curto-prazo de alguns políticos fecham os olhos e deixam que o perigo se alastrasse até tomar proporções difíceis de mitigar em danos humanos.

Infelizmente este interesse politiqueiro que coloca gente em perigo não é um mal exclusivo do Continente. Estou a recordar-me daquela pessoa que aqui no Faial durante a última campanha autárquica que me dizia com grande contentamento que tinha conseguido uma casa a bom preço porque os politicos tinham acabado com as zonas de risco… conhecendo eu a sismicidade regional, só espero que a abertura para gente ir viver em locais tão perigosos como aquele que ela me mostrou para a sua habitação não venha um dia a ser causa de mortes de Faialenses evitáveis. Mas se futuros sinistrados precisarem de socorro, desejo que também não encontrem uma organização tão incompetente de Proteção Civil como aquela que os Portuguesas se depararam neste verão em Portugal Continental.

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