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Posts Tagged ‘alternativas em confronto’

Os que se regozijaram com o facto de Bolsonaro estar contaminado e a sofrer de alguns sintomas ligeiros de Covid-19, o homem que sempre desvalorizou a doença e a pandemia, esquecem-se que no caso de ele não passar por uma situação crítica como a de Boris Johnson esta infeção pode-lhe dar mais trunfos do que nunca para criticar todos os que defendem medidas duras para proteção da propagação da doença em detrimento da economia.

O homem que sempre disse que se fosse contaminado esta não seria mais do que um simples resfriado ou uma gripezinha pode de facto provar que consigo foi assim.

Assim, se for ligeiro o modo como ele atravessar esta doença, esta pode tornar-se num dos trunfos e ele usará isso quando falar da sua situação em particular como prova de tudo o que dissera antes.

Então veremos os seus adeptos mais fãs da sua estratégia, o Brasil mais dividido nesta guerrilha e temo que muito pior do que já está neste momento e Bolsonaro sairá reforçado politicamente perante os seus seguidores.

Sim, há a probabilidade de acontecer-lhe pior, mas pelas estatísticas face à idade estas são lhe favoráveis aos seus intentos em cerca de 80%. Já imaginaram isto?

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Desde o início do século XXI que o conflito ambiental mais intenso na Terra se faz entre os defensores da redução das emissões de CO2, sobretudo os que assumem como a principal ou única causa das alterações climáticas, e as petrolíferas. Donald Trump ao nomear como Secretário de Estado o CEO da maior multinacional deste setor abriu as hostilidades com os ambientalistas e deve ter minado a maioria dos acordos internacionais no domínio da política mundial das alterações climáticas.

Se a admiração do recém-eleito presidente americano a Putin e os seus ataques quase diretos à China podem mudar o quadro de equilíbrio da geopolítica e da economia global, esta nomeação é o aumentar a escalada de mais um conflito ideológico, pois coloca no topo da política da maior potência militar e económica do mundo um representante do inimigo das maioria dos ecologistas mais radicais e colando até os mais os moderados  ambientalistas à esquerda.

Se as teorias científicas prevalecentes no meio da investigação no campo das alterações climáticas estiverem corretas, então assistiremos provavelmente ao desmoronar do muito trabalho em torno da proteção do planeta, se estiverem erradas, em ciência há sempre essa hipótese, e de facto forem os negacionistas quem está mais próximo da verdade, então estes terão uma maior oportunidade de demonstrar a sua razão, mas se errados, caminharemos então aceleradamente para uma catástrofe global mais acentuada. O futuro o dirá, mas que o princípio da precaução agora foi pisado como nunca… foi e isto não costuma gerar estabilidade nos sistemas de equilíbrio precário.

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Agora mais de 70 economistas internacionais vieram mostrar a sua solidariedade pelo manifesto dos 70 (que parece que eram 74 também) sobre a reestruturação da dívida, mas as minhas dúvidas anteriores aqui expostas sobre a correção moral e conveniência económica desta proposta que transfere parte dos encargos do nosso bem-estar atual para sacrificar os netos e bisnetos das presentes gerações e se este prolongamento de pagamento é de facto imprescindível devido à situação em que nos deixámos cair por erros económicos cometidos ao longo de décadas ou esquecendo que tal reestruturação pode não ser aceite pelos credores, mantêm-se.

Todavia, além da manutenção das incertezas mencionadas, tendo em conta que vários dos subscritores da reestruturação da dívida antes eram os grandes defensores do endividamento pois era motor do crescimento económico, questiono:

– esta reestruturação por si só seria suficiente para o crescimento e não seriam precisas outras medidas de reformas do Estado atual cujo modelo sempre levou nas décadas anteriores ao aumento continuado da dívida?

– Se forem necessárias reformas, as mesmas não implicam nenhuma austeridade em nenhum setor? Se implicam, onde e quais?

– Se após a negociação da dívida Portugal a curto prazo necessitar de empréstimos, quais os efeitos desta reestruturação em termos de conseguir esse dinheiro em termos de juros ou outras condições?

É que dizer apenas a parte agradável da proposta e esconder os riscos é tão enganador como dizer que tudo ficará melhor com o fim do resgate a limpo num Portugal que não aceita austeridade e onde grande parte do consumo provém de importações que não seriam cobertas pelas exportações, já que os saldos positivos dos último tempos que obtivemos foi resultado da diminuição de entrada de mercadorias mais significativa do que o crescimento das exportações.

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Francisco Louçã, coerente com a sua estratégia de extrema-esquerda de há muito tempo de não sermos capazes de pagar a dívida pública ou até mesmo de não a pagarmos, e Manuela Ferreira Leite, conservadora de direita e coerente com a sua ideia de há muito tempo da impossibilidade de se sair da crise sem uma interrupção temporária da democracia e com o seu ódio de estimação a Passos Coelho, são capazes de se entenderem e chegar a acordo para a necessidade de Portugal reestruturar a mesma dívida, estendendo o prazo para o seu pagamento para 40 anos de forma a sairmos das medidas de estratégia económica atuais para outras diferentes.

Não vou discutir da correção moral e conveniência económica desta proposta que transfere parte dos encargos do nosso bem-estar atual para sacrificar os netos e bisnetos das presentes gerações, que se alicerça no conceito de que também os benefícios das dívidas hoje contraídas com o nosso consentimento devem levar a que os encargos sejam impostos a futuras gerações  pois eles também beneficiarão com o nosso despesismo. Uma ideia progressista que já ouvi defendida por pessoas idosas que conheço que argumentaram-me que os avós não têm de se sacrificar pelos netos, pois já sofreram com os filhos e chegou a altura de aproveitarem a sua vida pois os mais novos já estão beneficiados pelo que já foi feito por eles mais velhos.

Concorde-se ou não com este princípio ou que este prolongamento de pagamento seja de facto imprescindível devido à situação em que nos deixámos cair por erros económicos cometidos ao longo de décadas ou esquecendo que tal reestruturação pode não ser aceite pelos credores e UE, o interessante é ver que é mais fácil a extrema-esquerda e a direita conservadora chegarem a entendimento que os partidos do centrão político que praticamente não se distinguem ideologicamente… talvez por os primeiros não terem perspetivas de serem Governo, ao contrário dos últimos.

ADENDA

O centrão já reagiu: aqui na versão rosa e aqui na laranja, pensam quase o mesmo, só não se entendem 😉

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No 25 de abril foi evidente que embora Cavaco não se reveja no modelo de governação do Primeiro-ministro e tenha consciência que muitos dos votantes em Passos Coelho já lhe retiraram o seu apoio, não pretende desencadear uma crise política neste momento que leve a eleições antecipadas. Conhecendo a realidade de Portugal  e a conjuntura, é normal.

Para além daqueles que por norma pouco depois de eleições e de um novo governo pedem novas eleições, o estranho é que muitos outros previssem um cenário de crise por iniciativa presidencial, pois:

– Mesmo que a maioria dos portugueses não se reveja já no atual governo, tal é  frequente a meio de mandatos, nem sempre com percentagens tão elevadas, mas havendo maioria parlamentar neste regime é no fim da legislatura que se julga o executivo antes eleito;

– Nas sondagens não se vê um consenso em torno de uma alternativa, há mudanças, mas nenhum sinal a apontar uma nova maioria parlamentar sem um ou mais partidos comprometidos no memorando, logo tender-se-ia, com mais ou menos pormenor, para uma política cujos pontos principais seriam os da troika, o honrar dos compromissos dito por Seguro;

– Uma crise política sobre a financeira sem perspetivar uma solução alternativa forte e sem resultar numa maioria parlamentar, agravaria a austeridade pelas exigências do exterior, levaria a um novo descontentamento acelerado do executivo e ao descrédito ainda maior dos políticos.

O Presidente da República sabe que se intervier, virá uma nova realidade onde terá de ser ainda mais interventivo e sem consenso político e social onde pudesse agir, não só por estar também comprometido com o memorando, mas, sobretudo, por a esquerda lhe ter destruído a sua margem de manobra com a agressão à pessoa em si e esta agora reflete-se por deixar de ter uma tábua de salvação em Cavaco Silva, logo o não agir é o menor dos males agora.

Não se pode destruir a confiança o Presidente da República e depois torná-lo agente da mudança, este nunca deveria ser alvo de lutas ideológicas num regime onde as suas funções são acima do executivo, tal é uma desvantagem deste modelo face à monarquia constitucional noutros países do ocidente.

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Depois de tanto paleio, de tanta oposição à austeridade, refletida nos cortes e nos impostos exigidos pelo atual executivo, sendo estes últimos os que mais descontentamento tem gerado, eis que Seguro na sua entrevista ao DN, sem apresentar uma medida concreta, apenas assume que não está em condições de assegurar a descida dos impostos se fosse Governo, para o qual se sente já preparado e até tem nomes que surpreenderiam o País.

Há montanhas que se diz que pariram um rato, mas Seguro a única coisa que deveria ter condições de assegurar neste momento era a descida de impostos e nem isso ele assume ser possível e mesmo assim talvez pense que seja uma alternativa preparada.

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As esquerdas reuniram-se pra refletir sobre alternativas e parece que… As principais ideias do Congresso Democrático das Alternativas (CDA) que decorreu ontem na Aula Magna em Lisboa são três: denunciar o Memorando de entendimento, renegociar a dívida pública e demitir o governo de Pedro Passos Coelho.
Resumindo: Tudo passa pela negação: não ao memorando, não aos termos de pagamento da dívida e não ao governo em exercício.
A única coisa que os une é o não ao que há neste momento e sempre que alguém discorda, desunem-se, pois é muito mais fácil dizer que não quero ir por aí, do que assumir um outro caminho para se ir.
Denunciar o memorando é bonito de se dizer, mas com isso, como renegociariam uma dívida em melhores condições perante os credores?
Pode-se dizer “não pagamos”, mas será que um povo que nem na alimentação é autossuficiente pode dizer hoje que não paga e amanhã comprar cereal para o seu pão ao exterior?
Podemos sempre demitir o governo, mas sem eleições qual a sua legitimidade? Com eleições, quem lhes garante que terão a união no essencial para formar um governo se nem num congresso conseguiram acordo de ideias?

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O ministro das finanças francês, Pierre Moscovici, declarou hoje que a França poderá reduzir o défice, sem austeridade e políticas de crescimento.

Acredito que a curto prazo tal objetivo pode ser conseguido, sobre a sustentabilidade do modelo a longo prazo já tenho dúvidas. Crescer até onde neste planeta realmente limitado, mas onde se instalou uma economia que pretende crescer ilimitadamente?

O que acontecerá à Europa se o modelo se demonstrar insustentável ou à França se se verificar o inverso?

Neste mundo mediático que gosta de resultados a curto prazo e raramente vê as consequências a longo prazo, as duas visões de ultrapassar a crise estão em confronto dentro da Europa, resta saber quem vencerá no fim…

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