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Meu artigo de opinião publicado hoje no semanário Incentivo:

FALTA DE IMAGINAÇÃO E AMBIÇÃO NA SEMANA DO MAR

Não haja dúvida: há falta de imaginação da equipa organizativa que elabora os programas lúdicos em terra da Semana do Mar, onde esta prova uma imaginação nula.

Até nos pacotes dos vários concertos que se realizam nas várias Semanas do Mar a organização é incapaz de surpreender qualquer mente perspicaz: muitos artistas mais baratinhos em anos sem eleições locais, mesmo que coincidam com bodas de aniversário deste festival náutico e grupos musicais potencialmente mais caros ou de maior renome quando as festas se sobrepõem a um período de pré-campanha eleitoral autárquica.

O ano de 2017 não foi exceção. Já em 2013 se dizia que teríamos de esperar quatro anos para ter um conjunto de artistas que satisfizessem públicos mais vastos e fossem chamariz de gente das ilhas vizinhas e, de facto, como então se perspetivava, a presente Semana do Mar em plena pré-campanha tem grupos de fora que dizem ser de maior nomeada e custos que os das anteriores três edições. Normal! Nem esta estratégia é novidade para o comum dos Faialenses com o mínimo de discernimento e de visão estratégica. Até já ouvi este ano: “Lá teremos de esperar mais quatro anos para um novo cartaz bonzinho!”.

Considerei que este conjunto era capaz de atrair vizinhos pois para os habitantes de outras ilhas mais distantes as “Festas da Praia”, com a sua maior versatilidade de programas, atratividade no nome artistas envolvidos e variabilidade gastronómica, já relegou a Semana do Mar há muito para o refugo das festividades realizadas no verão nos Açores.

Quando estudante, os meus colegas continentais tinham como referência do verão Açoriano dois grandes festivais: a Semana do Mar e a Maré de Agosto; e se esta última ainda preserva alguma mística, a da Horta, pela sua componente terrestre nem satisfaz muitos Faialenses há anos. Conheço até vários que em edições anteriores tiraram férias nestes dias para ir à Praia da Vitória ou outros locais, alguns salvaguardaram que em ano de autárquicas arriscavam a ficar por cá, mas esta estratégia a longo prazo é mortal para a emblemática Semana do Mar. Contudo subsiste ainda a ideia de que pelo menos na parte náutica a degradação não aconteceu como em terra.

O que se passou com o surgimento e crescimento de popularidade das Festas da Praia, que ofuscam a Semana do Mar, mostra bem aos Faialenses que se poderia ter feito melhor, mas era preciso uma criatividade diferente da que se vê no Faial. Talvez porque por lá estão há menos tempos nos seus municípios, nenhum outro no Arquipélago se arrasta sem alternâncias e renovação de cor como o da Horta, justifique o porquê de ao fim de tantos anos os do poder por cá se terem acomodado. Ainda me lembro que no início havia algum dinamismo e até capacidade reivindicativa, mas esgotou-se!

É verdade que o susto da derrota passado em outubro último permitiu agitarem-se mais um pouco: foi de empurrão; mas desde de então até tentaram mostrar estar ao lado dos Faialenses, antes em setembro não estiveram connosco… mas, mesmo assim, continuaram incapazes de unir os Faialenses de vários quadrantes, pois escondem o que dizem propor ao Governo e outras entidades, e desconfiam de todos os outros que há muito mais tempo levantavam a voz com alertas da questão do aeroporto, da SATA, do porto da Horta, do projeto RISE e outras coisas; e só agora tentam chegar-se à frente num orgulhosamente sós, típico de uma consciência pesada em política.

Apesar da degradação da Semana do Mar em terra, todos anos repito nestas páginas do Incentivo: Gosto da Semana do Mar! É uma época onde vejo amigos que durante o resto do ano não os encontro e isto basta-me. Tal não me impede de reconhecer que a comissão organizadora nunca foi capaz de levar os Faialenses a aderirem em força ao festival Náutico e a culpa não é do Povo mas sim deles quem tinham essa obrigação. Também a criatividade, imaginação e esforço nunca foi imagem de marca de quem mais investiu nestas Festas: a Câmara Municipal.

Poderiam questionar-me: se gosto… porque reivindico uma festa melhor? Porque não suporto comodismos em lideranças. Porque odeio que o Faial se deixe ultrapassar por falta de esforço. Porque poderia gostar muito mais se esta melhorasse e se tornasse num momento de projeção do Faial e do Triângulo para dentro e fora da Região e, sobretudo, porque a Horta merece melhor… muito melhor do que ver um grupo contentar-se em copiar por décadas a mesma receita da Semana do Mar sem tentar acompanhar o evoluir dos tempos e a satisfazer-se com o facto de a cada quatro anos gastar mais uns cobres nuns nomes sonantes para disfarçar a sua inércia em pré-campanha autárquica. É muita mediocridade e o meu Faial merece bem mais do que isto!

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo:

O QUE ERAM OS ANOS DE AUTÁRQUICAS NO FAIAL E O QUE É AGORA

Lembro-me bem do desfile de inaugurações que ocorria em ano de eleições autárquicas no Faial antigamente. Presidentes de Junta de Freguesia e da Câmara Municipal andavam então numa corrida de corta-fitas e de primeiras-pedras das obras resultantes do mandato que estavam a terminar. Era a forma de apresentar os frutos do seu trabalho aos Faialenses antes da ida às urnas.

Lembro-me também do desagrado das oposições com tanta inauguração e primeiras-pedras antes das eleições, pois os deixava sem discurso e assim tinham de se esforçar por apresentar ideias diferentes no seu programa em detrimento de apontar o que não fora feito.

Lembro-me, quando fui candidato à minha freguesia, me terem aconselhado que no meu programa eleitoral deveria constar o que pretendia, podia fazer e tivesse condições para arrancar ou concluir até ao final do mandato, pois os projetos repetidos para as autárquicas seguintes e não iniciados formavam a lista das promessas não cumpridas.

Era assim noutros tempos, outros modos de fazer política e onde o Faial ficava a ganhar com a exposição do trabalho realmente feito no terreno e à mostra dos Faialenses.

Depois isto começou lentamente a mudar, primeiro foi o discurso “the small is beautiful” ou “o pequeno é bonito”, para justificar a execução ou aceitação de projetos menores do que os anteriormente prometidos. Foi o início do tempo em que no desenvolvimento socioeconómico e infraestrutural o Faial começou a ficar para trás face a outras ilhas.

Após o sismo de 1998, houve autarcas a justificar o adiamento de projetos prometidos a esta terra, pois não queriam a ilha transformada em estaleiro e iniciou-se a fase onde as promessas para um mandato passaram a ter desculpas para não ser cumpridas e começou-se impunemente a repetir as mesmas propostas de 4 em 4 anos, atrasando-as mesmo décadas com desculpas esfarrapadas.

Esta degradação foi progressiva e o Faial foi ficando sempre para trás face a outras ilhas onde esta estratégia não pegava. Assim, não admira que no corrente ano de 2017 se veja a Câmara a apresentar novas versões de projetos antes prometidos, parecendo até novas promessas para o próximo mandato, mas que já se arrastam há anos e já foram comunicadas em anteriores autárquicas, repetindo a velha estratégia: dar a ideia de que é desta que vai ser. Só que a experiência mostra que no passado tal não levou a nada. É apenas o disfarce para a lista das promessas não cumpridas conforme me ensinaram antigamente e só se deixa enganar de novo quem quer.

Já perdi a conta às ideias e às versões dos projetos para a frente mar da Horta, mas esta nunca arrancou. Já não sei quantas vezes se disse o que se vai fazer para o Mercado Municipal, mas após tantos anos a obra nunca começou. Já mudou a quantidade e os locais de parques de estacionamento para o centro da cidade, umas vezes é a céu aberto, outras em silos de vários andares, só não surgiram os parques que de tempos a tempos se prometeram. Eis alguns de tantos exemplos.

Não me esqueço da prosápia com que nos tempos últimos se anunciou a primeira intervenção do saneamento básico da Horta, mas recordo-me bem quando, há mais de uma década atrás, na Assembleia Municipal a bancada a oposição propunha o faseamento deste trabalho para acelerar o seu arranque e o executivo avançar ao ritmo das suas possibilidades sem comprometer as finanças da Câmara. A sugestão foi criticada por não acreditarmos na capacidade anunciada do município, mas após tantos anos seguiram mesmo o velho conselho que então se deu, só não houve agora a humildade de assumir o atraso, nem a autoria da estratégia de fasear este investimento.

Este ano, reconheço, inauguraram bancos no jardim da República substituindo-os por outros iguais aos de antigamente, algo que não estava prometido nas últimas autárquicas, mas nem quero imaginar no que se diria há 20 ou 30 anos se um corta-fitas fosse para fazer uma correção de uma asneira de mau gosto e apenas voltar a repor algo igual ao que de bonito existia antes.

Há uma área que em todas as autárquicas vinha ao de cima: a rede de abastecimento de água; mas parece que no último mandato fizeram-se de facto investimentos que há muito foram sucessivamente adiados. Talvez fiquem corrigidas as disfunções do passado neste setor, mas com tantos outros adiamentos e tantas mais obras que não saíram do papel, virando apenas a projetos alterados reanunciados, não admira que o município tenha poupado dinheiro e diminuído as dívidas. Boa gestão era executarem-se as obras prometidas e ainda assim reduzir o endividamento.

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O meu artigo de opinião publicado ontem no diário Incentivo:

FUGA NA HORA DE ASSUMIR AS CULPAS

Não sofro de ansiedade em julgar para já o Governo de António Costa sobre a eficácia da sua estratégia de retirar Portugal da crise em que o País está mergulhado desde os pacotes de austeridade dos PEC, ainda na era Sócrates, que depois prosseguiu na era da troika na subserviência de Passos Coelho. Espero com calma para ver como isto vai acabar e a seu tempo se saberá.

Contudo, há um comportamento que me está a irritar no Governo de António Costa: a sua autodesresponsabilização nos problemas que persistem sem resolução e o não assumir das culpas da falta de ética política dos seus membros, em contraste com a desfaçatez em chamar a si o sucesso de coisas boas, até as que já vinham do passado. Este executivo tornou-se um perito em assacar louros do positivo e em refutar o que de negativo vai acontecendo sob a sua governação. Decorridos nove meses de poder, está na altura de começar, não apenas a assumir louros, mas também as consequências dos seus atos e de ser coerente nas comparações que se faz com o passado.

O atual Governo orgulha-se da redução do desemprego e isto é bom para o Portugueses, mas a verdade é que há mais de um ano atrás que o desemprego vinha progressivamente a diminuir, pelo que se Costa assume louros nesta matéria, é justo que também reconheça que apenas continuou algo que já vinha de trás e não apenas tirar destes números a prova do sucesso da sua estratégia.

Já ao nível do crescimento económico, o atual executivo tem um resultado mau, pois os números eram bem mais positivos no final da era de Passos do que na de Costa. Passou a haver uma diminuição deste progresso em Portugal e, pasme-se! Este dado económico até é pior do que aquele que o próprio PS projetava antes para o País se fosse a Coligação a governar. Todavia, perante este mau número, os ministros de Costa encolhem-se, não assumem o mal, calam-se e optam por falar de erros do passado, que também houve, mas nesta matéria estão bem piores e não reconhecem.

Na banca, se a anterior Ministra das Finanças não resolveu bem o problema BANIF, se teve menos sucesso numa solução para o Banco Espírito Santo que visava menos custos para os Portugueses; a verdade é que a forma como o atual Governo enfrentou o problema no primeiro banco deixa muitas dúvidas sobre o favorecimento de uma instituição estrangeira em prejuízo dos cidadãos nacionais, o Novo Banco continua ainda por resolver e o que se está a passar na Caixa é um exemplo de asneira da grossa. Pior, nem assumem que vão contra a Lei nacional ao nomear a gestão desta e, mais desastroso ainda, pretenderam alterar a Lei a contento das suas escolhas do momento, subvertendo o princípio de que a legislação deve ser generalista e não adaptada ao gosto dum freguês. Felizmente, todos os partidos, da esquerda à direita, deixaram o PS sozinho nesta pretensão que começa a mostrar um desnorte demasiado grande no Ministério das Finanças. Mas sobre esta alhada os atuais Governantes culpam o passado, Bruxelas ou o BCE e desresponsabilizam-se dos seus erros.

Apregoou-se o fim da austeridade, mas subir a coleta de impostos mais do que o crescimento económico significa que a austeridade aumentou, mas em vez de ser às claras, o Governo paga mais e tira mais ainda nas tributações, nos impostos sobre os combustíveis ou outras formas para disfarçar o que acontece e é ouvir gente a dizer que no fim do mês o dinheiro continua a desaparecer cada vez com maior intensidade, só que não foi às claras e o culpado não se assume.

Quanto à ida a França ver jogos de futebol à custa de empresas com as quais o Governo tem litígios, se isto fosse no passado era um escândalo monumental, agora ninguém assume culpas, apenas se devolve a oferta, esquecem-se as regras de conduta em vigor e impostas pelo próprio partido do

Governo e pelos seus desrespeitadas, propõe-se outras para o futuro e procura-se ainda comparar quem manda com comportamentos menos transparentes de quem está na oposição.

Este Governo viciado em acusar o passado e em desresponsabilizar-se do presente, nos primeiros dias da vaga de incêndios foi dizer que até então ainda tinha ardido menos do que no ano anterior, infelizmente para Portugal, nos dias seguintes no nosso País ardeu mais área do que em todos os restantes 27 Estados da União Europeia e bateram-se recordes de décadas. Alguém até hoje assumiu erros? Ninguém! Ao princípio ainda tentaram disfarçar com a calamidade da Madeira, mas perante a dimensão do desastre no Continente, quando se tratou de assumir culpas e já sem poder comparar-se com o Governo de Passos, o executivo de Costa fechou-se em copas.

Na verdade, a má gestão do espaço florestal tem décadas em Portugal, mas o atual governação também não fez nada para mudar este estado de coisas, pois só está bem preparada para a propaganda e não para corrigir erros. No Continente, sujeito fortemente a incêndios, em vez de se gerir preventivamente o problema, continua-se a optar por combater fogos quando o terreno já arde, tal como na Horta, exposta a tremores de terra, prefere-se fornecer tinta para fachadas em vez de cautelarmente se apoiar o reforço contra sismos, depois, quando corre mal, culpa-se a natureza.

Está na hora dos nos governam de não apenas divulgar louros, que também têm, mas igualmente de assumir os seus erros e de os corrigir, para não legar ao futuro um País, Região ou Concelho com os problemas que já herdaram e continuar na propaganda a culpar passado sem se resolver nada.

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Esta semana termina o prazo para a apresentação de candidaturas à liderança do PSD que vai a eleições no próximo dia 14 de março e elege a sua estratégia política e os restantes dirigentes em congresso de 1 a 3 de abril.

Apesar de numerosos militantes com projeção nacional e responsabilidades históricas no PSD, pelos cargos políticos que já desempenharam, terem sido fortes críticos de Passos Coelho nos últimos anos, a verdade é que este agora já não é Primeiro-ministro e era a altura dessa fação ou fações discordantes apresentar(em) projeto(s) alternativo(s) para o partido enquadrado na realidade atual. Só que esses críticos com as suas ideias diferentes encolheram-se, acobardaram-se e parece que vão contentar-se em ser meros comentadores na comunicação social e por isso passam a meter-me nojo pela sua falta de comparência.

Com a cobardia de todos que tinham agora a oportunidade para assumir a diferença de Passos Coelho, este vai ser o único candidato à liderança do PSD, mas suspeito que a partir de 3 de abril os seus opositores voltarão sem dúvida a criticá-lo como se não tivessem responsabilidades por ele se manter líder do partido, pois os seus adversários internos fogem ao desafio de se proporem condutores de uma estratégia futura diferente para o PSD.

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Meu artigo de opinião publicado ontem no diário Incentivo:

AQUI HÁ GATO!

Estão a concretizar-se, a uma velocidade estonteante e assustadora, as consequências mais pessimistas para o Faial em resultado da mudança do sistema de ligações aéreas entre os Açores e Lisboa, que levou à liberalização dos destinos de Ponta Delgada e Terceira, associada à respetiva abertura às companhias de baixo custo, enquanto Faial, Pico e Santa Maria continuaram ao abrigo das compensações financeiras de serviço público e, nisto, ainda bem.
Os impactes negativos não parecem ser tanto por a liberalização não se ter estendido a todas as “gateways” da Região, até porque até ao momento não se têm visto grandes benefícios para a Terceira, mas, sobretudo, pelas adaptações daí resultantes na TAP e na SATA, conjugadas com os encaminhamentos a custo zero para Ponta Delgada, que indiciaram desde o princípio a existência de interesses ocultos ou de uma conspiração para se criarem as condições destinadas a esvaziar as “gateways” dos aeroportos do Faial e do Pico.
Em primeiro lugar vieram as movimentações de forças-vivas de São Miguel para aproveitar a mudança no regime de ligações entre os Açores e Lisboa para transformar o aeroporto de Ponta Delgada num “hub”, placa giratória ou plataforma logística para a circulação de passageiros entre a Região e o exterior. Indiciando pressão nos corredores dos poderes políticos daquela ilha para surgir uma aliciante aos Açorianos para convergirem para aquela ilha e ela veio algum tempo depois com o anúncio dos encaminhamentos a custo zero a quem viajasse para fora da Região, que à primeira vista beneficia sobretudo aquela infraestrutura.
Em segundo lugar foi a inesperada desistência da TAP em concorrer às rotas da Horta e do Pico, há quem aproveite esta opção da empresa para dizer que é uma consequência direta da intenção de privatizar a transportadora aérea nacional, só que este argumento não me convence, pois desde o Primeiro-ministro Guterres, inclusive, todos os Governos de Portugal efetuaram diligências neste sentido e, desde 1996, tal nunca foi motivo para a desistência desta rota, antes pelo contrário, nestes 20 anos esta até concorreu com mais viagens e tratando-se de um concurso, bastava à TAP estimar o custo por passagem, tendo em conta a taxa de ocupação previsível, que o Governo de Lisboa, ao abrigo do serviço público, cobriria o preço acima dos 134€ por passageiro para evitar prejuízos à empresa e esta só perderia esta aposta se houvesse uma melhor proposta. Mas a TAP simplesmente desistiu da Horta e correu para Ponta Delgada para concorrer sem compensações financeiras com “low-costs”, como se soubesse que aquele aeroporto viria a receber, para além dos passageiros desviados para as companhias de baixo-custo e dos novos turistas aliciados por estas, muitos outros dispostos a pagar os 134€ anunciados. Ora isto só é plausível se tivesse tido sinais claros que os incómodos das ligações inter-ilhas até São Miguel compensariam as saídas dos Açores por outras “gateways” mais distantes.
Em terceiro lugar vieram as reduções do número de voos que a SATA propôs para o Faial e os horários desfavoráveis com que concorreu ao Pico, precisamente os destinos onde se asseguram compensações financeiras para se prestar um melhor serviço público! Só que isto parece mais um convite subtil para que os Faialenses e Picoenses optem por sair por Ponta Delgada, até onde são transportados a custo zero nos aviões (apenas nos aparelhos, pois táxis, refeições e hotéis necessários durante a ligação estão a cargo das pessoas) do que uma boa prestação de serviço de transportes nestas duas “gateways”.
Por fim, mas não de menor efeito no sentido de esvaziar os aeroportos do Faial e Pico, sabendo nós que a SATA já tinha a fama e proveito de fazer mais cancelamentos pelas variadas razões nas ligações entre Lisboa e Horta do que a TAP, logo na primeira semana do novo regime assegurado pela SATA esta presenteou-nos com três cancelamentos em série para o Faial, com todo o alarido público associado isto de modo a afugentar passageiros desta rota, a que se associou a escandaleira que foi o de também divergir para Ponta Delgada o voo para o Pico no primeiro fim de semana, tendo os passageiros chegado ao destino só na madrugada do dia seguinte.
São chatices a mais o que a SATA nos presenteou logo na primeira semana e foi muito chato o serviço que a SATA prestou aos passageiros com destino ao Canal. Não sou dado a teorias da conspiração, mas que elas existem… existem, e tantas coincidências que aconteceram logo na primeira semana do novo regime de transportes aéreos para fora da Região levam-me a acreditar que aqui há gato e este gato é mesmo a implementação de uma estratégia concertada para se esvaziar as “gateway” do Faial e do Pico e canalizar os passageiros com estes destinos ou origens para Ponta Delgada, por onde assim se asseguram melhores condições de concretização da viagem.
Custa-me a admitir tal conspiração e não vejo benefícios na mesma para qualquer entidade do Continente, ao contrário de várias forças que se movimentam nos Açores, pelo que os seus mentores prováveis devem estar na Região e também terão de ser os residentes no Faial e Pico quem terão de velar pelos interesses das suas ilhas, doa a que partido doer, ou a que forças ocultas ou bairristas se escondam por detrás de tantas coincidências que demonstram que de facto aqui há gato e este está a mostrar-se um felino feroz, traiçoeiro, interesseiro, inteligente e inimigo do Triângulo. É tempo de agir antes que seja demasiado tarde!

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