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Posts Tagged ‘Grécia’

Portugal não é a Grécia foi a principal marca do nosso País para mostrar à Europa que por cá a forma de ultrapassar a crise era feita com regras diferentes das implementadas por Atenas.

Certo que Costa mudou a estratégia, mas escolher como parceiro Tsipras na luta contra a austeridade não me parece particularmente vantajoso para a imagem de Portugal, antes pelo contrário: o Primeiro-ministro grego começou com um braço de ferro contra a União Europeia e deixou cair a Grécia num novo resgate,  isto tudo após liderar um referendo contra esta e de ter tido perspetivas iniciais de governação que começaram por merecer tantos elogios iniciais como os do atual Governo de Lisboa e desfazendo o que antes fora feito.

Se Portugal quer mostrar que tem uma via própria que não a grega, que não vai cair nos mesmos erros de Atenas o máximo que devia fazer era fugir a uma colagem a Tsipras, mas faz precisamente o contrário e os meus receios de que isto pode não acabar bem avolumaram-se, entretanto as notícias nas últimas semanas, mesmo que sem o alarido habitual devido ao estado de graça de Costa, têm vindo a degradar-se e não estão a reverter-se nos últimos cinco meses.

Se Portugal quer mostra-se diferente do que o acusam não escolha como aliados aqueles que foram mostrados como tendo esses defeitos, mas Costa faz o contrário.

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Se em 2015 a grande surpresa foi a vitória eleitoral da coligação PàF, quando desde 2013 tudo indicava para a vitória do PS, a grande incógnita para 2016 é neste momento se economicamente a estratégia de António Costa terá sucesso.

Janeiro será o mês de introdução das medidas populares que apostam em melhorias de salários e pensões, algumas reduções de IVA e de sobretaxas extraordinárias, para estimular o consumo e com isto puxar a economia para cima. Uma ideia um pouco adulterada do modelo económico de Keynes, onde o investimento público é a arma contra a recessão económica. Só pelo que li das suas teorias o ponto de partida desta via não é o de um País que chega à crise já super-endividado, como acontece em Portugal.

Para já janeiro é semelhante à euforia do primeiro mês do Syrisa, é o momento da aplicação das medidas populares e do desfazer das decisões de cortes da despesa pública e da esperança inicial. Na Grécia esta estratégia mais tarde deu para o torto, por cá e lá muitos se rejubilaram no princípio, mas lá foi o descalabro mais tarde.

Assim, apenas daqui a alguns meses será possível avaliar o evoluir da situação em Portugal, se os cálculos forçados por Centeno pelas exigências do BE e da CDU deram certo ou se os maior poder de compra irá preferencialmente para as importações de bens menos prioritários e para a cobertura das dívidas pré-existentes dos contribuintes, deixando um reflexo residual no crescimento económico e consequentemente nas receitas dos impostos que desequilibraria as contas.

Uma coisa parece evidente: a força de António Costa para enfrentar um falhanço nas previsões de Centeno não parece ter capacidade de resistir ao embate de insucesso da esperança semeada com o anúncio do fim da austeridade. Contudo um sucesso económico da via adotada poderá tornar-se numa força capaz de apagar as fragilidades com que ele chegou ao poder e deste modo prolongar a sua governação para eleições futuras. Prognósticos só no fim deste jogo económico e político.

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Se Costa sobreviver à guerrilha interna, o que não é tão improvável assim, deve estar a pensar numa solução que não o fragilize a médio prazo que de derrotado ainda com algum poder presentemente, depois torne o seu partido numa fraqueza de segunda dimensão nacional ao estilo do PASOK da atual Grécia.

Assim os cenários que tem pela frente são:

Une-se à esquerda radical anti-euro da CDU e da renegociação da dívida do BE ao estilo de Syriza seguindo a estratégia grega de 2015, uma tentação para muitos que por norma têm dificuldades de ver as coisas a longo prazo, será então erodido pelo centro que o torna num PASOK português com apoiantes quase exclusivamente do sua fação mais esquerdista;

ou

Une-se à direita do PàF que neste momento é a mais liberal de sempre, uma visão demasiado hostil à maioria dos eleitores, será então erodido pela esquerda que o torna num PASOK português quase unicamente com gente do centro comodista do centrão e de elite;

ou

Assume o papel charneira viabilizando por fora um governo à direita enquanto no seu jogo de cintura vai negociando coisas à direita para tirar proveito e desgastar o Primeiro-ministro, enquanto vai apoiando questões fraturantes à esquerda para esvaziar partes do BE e depois com um PS gordinho tira o tapete ao PàF e vai a eleições com força e arrebata o poder.

Claro que existem temperos nisto tudo do interesse nacional, mas António Costa da forma como atacou Seguro e depois da tareia que teve deve estar mais interessado na sua sobrevivência do que na de Portugal… mas se de facto tiver pruridos apenas poderá alcançar algo de melhor para o País negociando o que for mais conveniente sem se comprometer com o desgaste do executivo, uma tática com benefícios para os dois lados: o do PS a médio-prazo e o do País a curto-prazo.

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As eleições de ontem na Grécia fizeram-se em condições bem diferentes das de janeiro passado, no momento em que o Syriza representava o paradigma da luta contra a austeridade e agora em que representa a resignação à austeridade.

Efetivamente nas eleições gregas de agora, mais do que saber se a vitória caberia ao Syriza ou à Nova Democracia, pois subscrevem ambos as condições para o terceiro resgate, o importante era ver se os gregos iam atrás de Varoufakis que resistiu à austeridade até ao fim, foi contra o próximo resgate e até junto com outros revoltados saíu do Syriza que criaram um novo partido com o discurso do passado: a Unidade Popular, tendo sido este de tal forma derrotado que nem um deputado elegeu para o parlamento grego.

Todavia entre os políticos nacionais é interessante ver as reações de cada um no contexto do que dizem ou fazem:

António Costa depois de se ter colado ao Syriza anti-austeridade, descolou-se deste depois do fiasco e agora, com a vitória deste, considera que pode ser uma viragem de página na crise da zona euro, enquanto ele mantém o discurso de campanha anti-austeridade e o outro é o exemplo do partido  que se rendeu em absoluto à austeridade. A contradição é total, até na alegria da derrota da Nova Democracia porque não só liderou o governo da Grécia que tem mais culpas no mergulho daquele País na crise, por ter sido quem mais esbanjou em obras faraónicas e agiu à semelhança do PS de Portugal no poder cuja herança ele defende por cá.

O Bloco de Esquerda, que desde o início esteve colado ao Syriza, com toda a lógica pois tinham o mesmo pensamento estratégico, e depois elevou ao estrelato Varoufakis, que mantém ainda o discurso do BE atual, congratula-se é com a derrota da Nova Democracia e sobre a Unidade Popular que preserva o discurso do BE não fala sequer. Coerências!…

O atual Primeiro-ministro, que representa os estilo de acomodação à austeridade, não o preocupa a vitória do Syriza, nem fala da Nova Democracia que ideologicamente lhe é mais próximo, embora Passos não tenha de facto o mesmo género de culpas pelo buraco em que Portugal se meteu, pois o monstro cresceu por cá quando ele nem gozava de simpatias nas lideranças do PSD ou o PS foi governo.

Caso para se dizer: tão diferentes nos discursos, mas previsivelmente tão iguais na prática e claro na austeridade que terão de implementar se vencessem as eleições. Assim se percebe que quem mais mente é quem mais defende a preservação de Portugal no euro sem austeridade.

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Certo que para alguns ficam desgostosos quando os dados estatísticos nacionais quando são bons, mas de facto tem havido uma tendência no último ano para o desemprego vir progressivamente a baixar que voltou a confirmar-se em junho de 2015.

Contudo, o primeiro gráfico da notícia baseado no INE evidencia que nos últimos dois anos se começou a ter um saldo positivo na criação de emprego em Portugal, mas agora existe menos população a trabalhar do que antes da crise.

emprego

Assim, comparando estas duas situações: taxa de desemprego a diminuir, emprego a crescer, mas menos pessoas a trabalhar do que antes, temos o sinal do efeito da emigração forçada que a crise teve neste domínio.

Agora é sempre preferível que se estejam a criar postos de trabalho pois isto é um sinal que de facto o pior já passou… se não cairmos noutras asneiradas que nos fizeram cair a crise.

Isto não invalida que se vejam só méritos de quem trabalhou para se chegar à situação atual ou que se tenha negar a realidade para só ver deméritos, pois de facto também houve erros e injustiças cometidos, é que a verdade não está apenas nos apoiantes ou nos detratores deste Governo, certo é que este herdou uma situação que nos podia ter levado ao descalabro que vimos na Gréciae muitos dos críticos não reconhecem isso.

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Não sei onde acaba a verdade ou se entra na mentira, mas uma coisa é certa, quem com bom-senso acompanhou o comportamento do Syriza nos tempos de Varoufakis como ministro percebe que muitas coisas que não batiam certo nesta relação negocial da parte grega com a eurozona.

É verdade que a Europa era dura, mas percebia-se a sua linha de pensamento e era consistente nessa lógica impopular para os países do sul, mas do lado helénico: de manhã dizia-se uma coisa, depois das reuniões ouvia-se que não tinham sido apresentadas propostas e à noite acusavam a eurozona de intransigente como para branquear o comportamento dúbio do governo de Atenas.

Confesso que mais do que sentir que a eurozona queria expulsar o Grécia do euro, pois esta parecia ter medo desse cenário, sentia mais que Varoufakis e Tsipras estavam a esticar a corda para sair da moeda única e atirar as culpas para a dupla impopular Schäuble/Merkel. Agora, depois de tantas incoerências negociais e do Primeiro-ministro helénico ter demitido o seu Ministro das Finanças, eis que se começa a lavar roupa suja em Atenas e cada vez são mais evidentes que a confiança não era um atributo que aquele grego vaidoso podia despertar nos credores, enquanto negociava à falsa-fé, parece que ia roendo a corda pela calada para esta rebentar.

Depois de ler o livro de Pablo Iglesias para perceber a lógica do Podemos e indiretamente do seu irmão Syriza, percebi de facto que o modelo não é compatível com uma moeda única entre países soberanos no sistema atual da eurozona, sinto cada vez mais que são cavalos de Troia que disfarçadamente tentam destruir em primeiro lugar esta construção europeia defeituosa em detrimento de a reformar por dentro e os indícios que estão saindo dão razão cada vez maior à perspetiva com que vi as negociações de Varoufakis com os credores: um inimigo do euro disfarçado de negociador. Espero que Tsipras ao menos seja feito de outro barro, para bem dos gregos e dos europeus.

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Pois, enquanto estamos de olhos na crise financeira da Grécia, a Hungria, perante um mundo muito mais desatento, constrói um muro para impedir a entrada de refugiados no seu território através da Sérvia…

Veja o vídeo

http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-07-17-Imagine-um-muro-a-separa-lo-dos-outros-o-mundo-continua-a-faze-lo

Ironicamente, o país europeu que mais recebe involuntariamente entradas de refugiados à espera de ajuda europeia é a Grécia.

Continuando a ironia, muitos destes refugiados estão a contar com a solidariedade da Alemanha para se instalar neste Estado que lidera presentemente a política europeia.

Em para não terminar a triste ironia estes refugiados são provenientes da Síria, onde o ocidente não sabe como controlar a guerra com o Estado Islâmico que inicialmente apoiou contra o governo sírio; do norte de África, onde fruto da primavera árabe incentivada pelo ocidente esta se transformou num inverno de instabilidade social para os seus povos; e do Corno de África, onde o ocidente nunca foi capaz de resolver o problema humanitário daqueles países.

Por último, na generalidade os países Europeus não pretendem acolher a maioria desta gente vítima dos conflitos que a Europa espoletou e a Alemanha é um desses Estados que está assume ter de expulsar quem nela procurou refúgio como se viu esta semana do encontro de Merkel com jovens a pedir asilo naquele Estado por ela liderado

Assim vão as contradições desta Europa dos valores humanitários do início do século XXI

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