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Napoli

Náspoles com o Vesúvio ao fundo – Imagem Wikipédia

Por uns dias Mente Livre estará sem acompanhar as questões que normalmente reflito neste blogue, pois ando em férias e escolhi novamente a Itália, desta vez uma visita ao sul de Itália: Nápoles, a cidade à sombra do vulcão Vesúvio, capital de reino durante séculos, com um património histórico rico e famosa pelo seu ar latino, bairros populares de aspeto decadente e baía aberta ao Mediterrâneo.

Todavia, desta vez  a escolha privilegiou o património natural dos vulcões e dos seus perigos: Vesúvio que ameaça Nápoles e sobretudo pretendo visitar Pompeia, a cidade soterrada por uma erupção no ano 79 DC e hoje um local arqueológico de excelência e Património da Humanidade da Unesco; a cidade de Pozzuoli, situada dentro de uma cratera do supervulcão ativo Campi Flegrei e o conjunto de fumarolas de Solfatara pertença deste mesmo complexo vulcânico.

Se as condições o permitirem uma viagem pela costa Amalfitana da província de Salerno, debruçada sobre o mar Tirreno e também património da humanidade.

À medida que tiver tempo e internet disponível, espero atualizar os posts agendados sobre estes locais.

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Sobre a iniciativa de um grupo de cidadãos açorianos para se regulamentar o apoio aos mordomos e às comissões de festas nas celebrações do Espírito Santo na Região, considero que existem aspetos cujo mero chumbo da esquerda parlamentar não resolveu e até preservou a possibilidade de tratamento sem critérios e em função dos interesses do PS pelo Governo dos Açores nos subsídios a estes festejos.

As tradicionais festas do Espírito Santo são sem dúvida a expressão popular de maior referência cultural Açoriana e impor a mesma burocracia a estas iniciativas seculares que a qualquer outro evento é um abuso do poder político sobre a espontaneidade destas festividades. Exigir licenças e mais licenças, taxas e taxinhas para Açoriano continuar a sua cultura tradicional é uma afronta e inibe pessoas que têm aversão ou dificuldades de instrução a se envolver e liderar estas tradições.

Só pelo acima disse considero que era justo que a organização destas festas tivessem um tratamento de simplificação burocrática à sua volta. Mas nenhum partido procurou salvaguardar esta situação, com maior responsabilidade para aqueles que simplesmente chumbaram a iniciativa dos cidadãos.

É falso e hipócrita dizer que “como cidadão teria subscrito” o decreto, mas “como governante não o apoia, como se expressou o Secretário Regional da Educação e Cultura (fonte: Incentivo).

Tal como é desonesto o que fizeram o PCP e o BE que sem apresentar alternativas assumiram respetivamente que “esta é das áreas onde o poder político não pode, nem deve ter interferência” e “o que se está a fazer é institucionalizar as festas do Espírito Santo, o contrário do seu espírito fundador” (fonte: Incentivo). Isto porque no presente momento já ocorrem festas organizadas por autoridades públicas com fundos públicos e sabe-se de festejos organizados por irmandades que dizem ter recebido subsídios, só que o único critério para esses apoios é a discricionariedade do político que decide e assim por atribuir dinheiro público e definir a quantidade em função da simpatia política e de acordo com o interesse pessoal e do partido.

Assim, o mero chumbo apenas ironicamente salvaguardou a laicidade agressiva do BE e da CDU, interessada em eliminar paulatinamente as tradições com algum carácter religioso dos Açores, mas salvaguardar o oportunismo do PS na atribuição de dinheiros públicos em festividades do Espírito Santo.

Paralelamente, os cidadãos que subscreveram a iniciativa (eu não faço parte) assistiram assim a mais um tabefe às iniciativas de cidadania que hipocritamente o poder político diz apoiar e desejar.

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Na lógica do anterior post, mais uma promessa para o Faial publicado hoje no diário Incentivo:

Antigos cabografistas terão um gabinete na Trinity House, isto para que possam continuar o trabalho que estão a realizar, em estreita colaboração com a Direção Regional da Cultura, para a elaboração do projeto museológico dos cabos submarinos.

A partir deste momento a promessa está listada.

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Não sei quando começou a tradição dos ranchos da Natal no Faial, penso que estão de alguma forma associados às Janeiras  no Continente ou ao Cantar ao Reis que acontece noutros locais, mas não sei quais as raízes destes últimos costumes.

Contudo, lembro-me que há poucas décadas os Ranchos de Natal do Faial eram de iniciativa popular e sem serem com intenção de acolher subsídios públicos, nuns dominavam instrumentos como o pífaro/flauta e a percussão e outros eram pequenas tunas de instrumentos de corda.

Assim sobre a liderança de alguém várias pessoas juntavam-se e ensaiavam três ou quatro músicas, nem todas eram obrigatoriamente originais ou cantadas, mas por norma havia pelo menos uma canção relacionada com o nascimento do Menino Jesus e outra a saudar e/ou a despedir-se dos ouvintes, esta muitas vezes também a solicitar uma gratificação que poderia passar até por um licor, uns figos passados ou uns biscoitos.

Depois de uns ensaios lá iam os Ranchos pelas coletividades da freguesia e da ilha e a algumas casas conhecidas cantar nas noites da passagem de ano, primeiro dia do Ano Novo e na noite e dia de Reis. As pessoas então aglomeravam-se nestas instituições para os ouvir, muitas vezes formavam-se filas de ranchos para chegar a sua vez de cantar tal era a quantidade deste grupos. Os ouvintes muitas vezes muniam-se de moedas para a devida gratificação, enquanto a Direção os brindava no seu bar.

Recentemente algumas instituições organizam ranchos como que representações oficiais da mesma, muitas tendo em vista o subsídio municipal aprovado para preservação desta tradição e lá vão os Ranchos de Natal oficialmente atuar perante os Autarcas e acabou-se o papel a desempenhar. Este ano parece que a audição foi mesmo apenas nos Paços do Concelho.

Sei que esta estratégia de preservar a tradição dos Ranchos de Natal não é demasiado recente,  mas está a desembocar numa tradição adulterada do que era um património cultural desta ilha, nem sei como dar a volta a esta descaracterização.

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Muitos nos últimos anos têm manifestado desagrado por o Halloween estar a ocupar o lugar da nossa tradição do Pão por Deus e da celebração de Todos os Santos, neste dilema compreendo tanto o desgosto de uns, como aceito o alastrar da celebração anglo-saxónica.

No meu caso concreto, tendo nascido na Canada, a minhas primeiras memórias vão para o Halloween, os mascarados e os pedidos à minha porta da primeira infância, só depois é que mergulhei no Pão por Deus e já em adulto comecei a viver com maior intensidade o significado da festa religiosa de Todos os Santos.

Agora a verdade é que o halloween é também uma celebração relacionada com a morte no paganismo celta, morte que por estes mesmos dias os cristãos também rendem culto, os portugueses também têm sangue celta e festejos de origem neste povo que vivia na península ibérica antes da tomada desta pelos romanos e das conquistas árabes. Igualmente vivemos num período expansionista da cultura anglo-saxónica global que é fruto de uma mistura céltica e germânica e novamente os visigodos que eram germanos, criaram o reino suevo, onde hoje é a Galiza e Portugal a norte do Tejo e são as principais causas da criação do nosso País. Isto mostra bem quanto somos um misto de celta e germanos. Assim, nada mais lógico que os Portugueses sejam um povo que facilmente se deixa influenciar por uma cultura que está nas raízes da sua.

Apesar desta proximidade anglo-saxónica, o cristianismo dominou Portugal desde a sua formação e como tal é natural que nos últimos séculos tenham prevalecido os festejos cristãos, embora os resquícios mais antigos nunca tenham ficado de todo apagados na nossa cultura e inclusive o Halloween na Inglaterra, para se proteger do domínio cristão no poder, colou-se no calendário à festa dos mortos dos cristãos.

Agora quando a festividade cristã estava muito ameaçada por um culto ou tradição pagã, nos dias da negociação de suspensão temporária dos feriados católicos os bispos optaram por uma machadada na festa ameaçada para preservar o culto mariano que não sofria de um declínio igual em Portugal e até tinha três feriados específicos para este, além do enraizado dias 13 de cada mês.

Assim nada mais normal que com esta decisão o Halloween tenha saído reforçado, é um festejo menos controlado por qualquer religião e mais divertido, logo mais aliciante para toda a população numa cultura onde está a enraizar-se um laicismo agressivo e uma queda da prática e cultura religiosa, afinal os Portugueses apenas estão a despertar com a ajuda da hierarquia da Igreja para tradições milenares abafadas pela própria Igreja.

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Há uma coisa que me irrita na política, é quando fazem leis em prejuízo do cidadão para beneficio do um setor empresarial, a novas alterações à lei do livro que vinha do tempo de José Maria Carrilho, a apertar ainda mais a malha na possibilidade de descontes de venda deste suporte de cultura e de saber é um desses casos.

Quem anima o mercado livreiro não são as editoras e os pequenos ou grandes retalhistas das livrarias: são única e exclusivamente quem compra livros voluntariamente e estes são, na sua esmagadora maioria, leitores, já que esta política de preços não se aplica aos manuais escolares de onde se encontra sobretudo os compradores forçados de livros.

Assim, o cerco para impedir descontos superiores a 10% em livros novos com menos de 18 meses de publicação ou importação face ao preço de capa, com a desculpa de defender o pequeno livreiro, apenas faz três coisas: 1. prejudica o poder de compra do consumidor português que já enfrenta em Portugal livros mais caros, em termos absolutos e relativos, que em muitos outros países da Europa desincentivando deste modo a leitura; 2. incentiva a compra de livros estrangeiros no exterior ou pela internet por quem sabe outras línguas, pois estes ficam comparativamente ainda mais baratos; e 3. reduz o mercado nacional do livro por afastar compradores que aproveitavam as vantagens de muitas campanhas agora mais limitadas reduzindo a diversidade de obras às que asseguram um maior sucesso de vendas em detrimento das apostas na qualidade.

Infelizmente, quase a sair de cena, o atual executivo tinha ainda de fazer mais um ataque ao cidadão, um tiro no pé em prejuízo da cultura em Portugal.

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o_islao_e_o_ocidente

O Islão e o Ocidente, a grande discórdia” de Jaime Nogueira Pinto é um síntese da história das relações diplomáticas, guerras e tensões entre o mundo ocidental dito cristão e os povos do oriente na sua maioria convertidos ao islamismo desde o aparecimento desta religião até à atualidade.

Apesar de muitas vezes se atribuir este tipo de tensões como fruto da intolerância destes dois credos religiosos, o livro demonstra que se a fé pode ter fomentado guerras entre as partes, não foram menos importantes os interesses políticos e geostratégicos, muitas vezes dentro do mesmo bloco, dos países envolvidos no envenenamento das relações entre os mundos ditos cristão e muçulmano e, presentemente, até o laicismo e ateísmo militante que grassa nalguns Estados do ocidente é um fator que fomenta discórdia e terrorismo dito religioso.

O autor denuncia acontecimentos como as cruzadas e os interesses paralelos não religiosos dos interveniente que comprometeram negativamente estas relações, bem como outros momentos que alimentaram a desconfiança e o ódio, como o surgir e a expansão do império otomano, a evangelização nas descobertas em paralelo com motivações económicas e coloniais, a coligação estratégica da Europa para desmantelar o domínio turco, a descoberta do petróleo e sua importância na industrialização, as rivalidades entre xiismo e sunismo, o colonialismo, a guerra fria, o laicismo agressivo, a primavera árabe e o sionismo. Tudo pesa e mistura aspetos de crença, orgulhos nacionais, visões fanáticas, sedes de justiça e de liberdade.

No fim fica claro que neste relacionamento não há soluções fáceis nem verdades racionais absolutas pois tantas são as variáveis e complexas onde em ambos os lados há culpados e inocentes, interesses ocultos e aproveitamentos demagógicos.

Um excelente livro de fácil e rico de informação, onde o papel de Portugal na história não é omitido, que recomendo para melhor se compreender o que está na origem e distingue a Al-Qaeda do DAESH, as motivações, os erros do ocidente e as suas sequelas, a revolução do Irão, as guerras do Afeganistão, do Golfo e da Síria, a primavera árabe, os refugiados e o terrorismo jihadista e os equilíbrios precários que ligam tudo isto e inclusive os posicionamentos atuais que do lado de cá e de lá continuam a inflamar esta discórdia.

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