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Archive for the ‘Internacional’ Category

Apesar do candidato mais votado na primeiro volta ser de centro, penso que, tal como eu, mais liberal na economia e mais de esquerda nos costumes, o chocante foi ver que as duas pessoas com discursos extremos, de esquerda ou direita, obterem mais 40% dos votos, partilhando a ideia de desconfiar do euro e da União Europeia. Pelo crescimento desta tendência, por um lado ou outro, num futuro mais ou menos próximos podemos assistir a um “frexit“.

Tristemente os motivos da extrema esquerda ou direita são nacionalistas de não solidariedade, pois tanto um diz que se é contra a UE por não querer submeter-se a diretivas de integração dos estados europeus como o outro porque não quer gastar dinheiro para ajudar povos estrangeiros: o resultado é o mesmo – egoísmo nacionalista.

Se o centro não for capaz de procurar um caminho mais justo para os povos que governa abre-se de facto a porta a alternativas ainda mais sombrias em termos humanitários.

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A vontade  do populista islâmico Erdogan reforçar o seu poder ganhou por escassa margem na Turquia, mas perdeu nas maiores cidades do País, indicando que os turcos não temeram concentrar num só homem o domínio simultâneo sobre a justiça, o parlamento e o governo, algo típico de estados totalitários, pode ser perturbante, mas assustador é a aceitação deste caminho de poder sobremusculado ter tido maior aceitação nas comunidades dos seus emigrantes em estados democráticos defensores da divisão de poderes residentes na Alemanha, França e Holanda.

Esta maior aceitação de um regime musculado pelos emigrantes em Estados, onde a liberdade e a laicidade são das suas maiores bandeiras, evidencia o elevado desfasamento existente nas comunidades turcas em relação aos países de acolhimento, assemelhando-se a guetos não integrados nas nações onde vivem diariamente o que mostra grande dificuldade para sarar qualquer ferida aberta por diferenças de cultura e para aceitação do pensar distinto do outro, algo muito perigoso para o futuro desta Europa.

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Apesar do impacte socioeconómico e político negativo que o Brexit pode ter para a União Europeia e Reino Unido, talvez o maior problema que o Continente enfrentou tenha mesmo sido deixar o euroceticismo inglês minar a confiança do projeto europeu. A UE cometeu erros nas suas relações inter-Estados e nem sempre foi solidária, mas quem mais que a Inglaterra dificultou o comprometimento entre os Estados desta união em construção, quando ainda os valores da solidariedade dominavam sobre os meros interesses económicos?

Saber transformar o Brexit numa oportunidade de reforço da solidariedade entre os Países que optam por ficar na União é sem dúvida o maior desafio que presentemente a UE enfrenta.

Veremos assim se ainda é possível à União aproveitar o momento de saída do eurocético-mor, aquele mais dificultou a integração dos Estados, para reformular-se e ser capaz de levar para primeiro plano os valores políticos que estiveram na sua origem ou se vai deixar que os interesses rapaces de curto-prazo dos maiores detentores capital destruam definitivamente o projeto do tratado de Roma.

Um possível calendário dos próximos passos deste divórcio é exposto aqui no jornal Economia Online. Neste momento começou um jogo  crucial para o futuro da Europa, votos para uma vitória dos valores altruístas sobre o egoísmo separatista.

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A justiça portuguesa acusou o Vice-presidente de Angola Manuel Vicente de corrupção, situação normal num país democrático onde o poder judicial é independente do poder político. Só que no regime angolano quem governa manda, manda mesmo em tudo, e as relações Portugal-Angola já há muito que são uma pedra no sapato português perante este Estado africano, que no seu interesse gosta de impor que os lusitanos silenciem a justiça ou fechem os olhos quando está em causa um governante de Luanda. Como acabará esta história?

Suspeito que com o tempo algo levará a que com uma desculpa mais ou menos esfarrapada a acusação caia em saco roto e o caso seja arquivado com alguns pseudo-esclarecimentos vindo do hemisfério sul. Veremos quanto manda Angola em Portugal  com este caso? Temo que que sim.

Estou curioso.

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Há talvez tantas semelhanças como diferenças entre o Canada e os Estados Unidos, sendo muito mais evidentes em termos de mentalidade, onde o Canadiano tende a ser mais tolerante e progressista para com a multiculturalidade resultante das muitas origens dos seus residentes, mas, como é normal, há muitas exceções de um lado e outro, conheço conservadores radicais a norte e progressistas reformistas a sul. Nesta segunda-feira os dois maiores líderes do Continente da América do Norte reúnem-se pela primeira vez.

Politicamente os Canadianos sempre foram mais abertos à Europa, os anglófonos aos ingleses e os francófonos com uma nostalgia e admiração aos franceses, mas também sempre houve uma admiração pelo poder económico a sul, apesar de algum orgulho e rivalidade típica de vizinhos. Talvez nunca o contraste entre os dois países tenha sido alvo de tanta desconfiança como agora em que a norte há um primeiro-ministro do mais liberal nos costumes e aberto ao mundo que houve, face ao atual presidente americano que quer fechar o seu país ao exterior mais do nunca.

Assim, a cimeira entre estes dois Estados pode dizer muito da capacidade de Trump aceitar a diferença e conviver com um vizinho e parceiro tão distinto, representado por Trudeau, ou sob a possibilidade deste último, em caso de intransigência do sul, ser capaz de levar a bom porto o reforço socioeconómico do Canada desalinhado dos Estados Unidos. Um assunto que acompanho com atenção a partir de hoje.

ADENDA

Parece que mesmo assumindo diferenças conseguiram entender-se e cada um manda em sua casa sem dar lições na do vizinho.

 

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Conheço da cidade do Quebec, capital da província com o mesmo nome e coração do radicalismo separatista nacionalista de raiz francófona do Canada, ao contrário de todas as outras sedes de governo provinciais do País, que se reconhecem como capitais de província, a cidade do Quebec assume-se como “capital nacional”, sendo nação apenas a cultura francófona. Tal como injustiça, o nacionalismo é um propulsor de extremismos e violência.

Foi o nacionalismo que impediu aceitar a diferença dos muçulmanos face à cultura tradicional  dominante e de raiz católica dos “québécois”  em Alexandre Bissonnette que o levou a um ato extremo de entrar numa mesquita e disparar contra pessoas em oração.

Para quem defende fechar as portas aos refugiados de guerra ou às pessoas de outros credos com medo do terrorismo, não haja dúvida que este é um exemplo que muitas vezes os “maus” não são os que são diferentes de nós e nos pedem ajuda, mas o radicalismo é sempre mau, mesmo que na defesa da cultura maioritária de uma terra que tem receio de perder identidade ao auxiliar o outro que está fora de portas e é diferente.

Não se pode excluir a possibilidade de a coberto da figura de refugiado não haver gente mal-intencionada e há necessidade de tomar medidas de segurança preventivas, mas tal não deve impedir que estendamos a mão à maioria dos que fogem da guerra e da miséria, sob o risco de apoiarmos o desenvolvimento e a expansão do mal que já existe no seio daqueles que devem acolher. Fechar porta é não só alimentar o mal dentro e fora destas e um mal bem-nutrido nunca se pode transformar num bem a prazo, apenas torna todos piores.

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Conforme as regras da democracia dos EUA Donald Trump ganhou as últimas eleições presidenciais do seu País e é empossado hoje como Presidente da maior potência económica e militar da Terra. Não sei se Trump será tão perigoso como me aparenta, mas que me parece portador de instabilidade para o seu País e o Planeta, parece-me. Faço votos que me surpreenda pela positiva, para bem dos Americanos e da Humanidade, não piorar a situação atual já seria uma boa surpresa, espero que me engane e ele venha a ser um bom Presidente para os EUA e para o Mundo.

Foram os Americanos quem o escolheu, não o resto do mundo, mas soberania e democracia é isso mesmo, ganha a vontade do Povo conforme as leis do seu Estado e não o que mais agrada ou convém às outras Nações. Não simpatizo, nem sinto afinidade com o discurso e com o modo de agir de Trump, mas tenho de respeitar a sua legitimidade de ocupar o cargo para o qual concorreu e venceu.

Todavia o respeitar não é estar de acordo com as suas ideias, menos ainda deixar de estar preocupado, na política tão grave quanto ter ideias perigosas é ser-se intempestivo quano se enfrentam contrariedades e Trump defende não só propostas perigosas como reage emotivamente a quente e de forma temerária, o que para uma potência global é um risco enorme para a estabilidade e paz do Planeta. Ser democrata também tem uma componente de saber e aceitar a dor.

Também excluo de reconhecer que Obama também cometeu erros que degradaram as relações de paz na humanidade, não teve culpa de lhe terem atribuído o prémio Nobel da Paz antes de provar que as suas decisões o justificava, mas nem sempre foi sensato no modo como enfrentou o problema do mundo árabe, as ambições russas no leste da Europa e, sobretudo, não compreendeu as dores de muitos americanos da denominada América profunda que se confrontaram com o desemprego, as sequelas da crise financeira e as imposições do capitalismo exacerbado no seu próprio País e daí muito do voto de protesto das passadas presidenciais, mas ao menos o Presidente que agora abandona a Casa Branca parecia ser capaz de fazer exames de consciência e de tentar corrigir-se para bem do seu Povo e do Planeta.

Trump pode até nem ser tão mau em consciência quanto a batalha ideológica faz crer, mas o modo impulsivo e radical com que explora as contrariedades e muito dos seus argumentos provocam receios a quem, como eu, considera o bom-senso e o humanismo como algo fundamental na política para evitar injustiçase conflitos sociais, ideológicos ou mesmo bélicos de efeitos imprevisíveis. Que Deus proteja a América e o Mundo.

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