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Archive for the ‘Internacional’ Category

A justiça portuguesa acusou o Vice-presidente de Angola Manuel Vicente de corrupção, situação normal num país democrático onde o poder judicial é independente do poder político. Só que no regime angolano quem governa manda, manda mesmo em tudo, e as relações Portugal-Angola já há muito que são uma pedra no sapato português perante este Estado africano, que no seu interesse gosta de impor que os lusitanos silenciem a justiça ou fechem os olhos quando está em causa um governante de Luanda. Como acabará esta história?

Suspeito que com o tempo algo levará a que com uma desculpa mais ou menos esfarrapada a acusação caia em saco roto e o caso seja arquivado com alguns pseudo-esclarecimentos vindo do hemisfério sul. Veremos quanto manda Angola em Portugal  com este caso? Temo que que sim.

Estou curioso.

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Há talvez tantas semelhanças como diferenças entre o Canada e os Estados Unidos, sendo muito mais evidentes em termos de mentalidade, onde o Canadiano tende a ser mais tolerante e progressista para com a multiculturalidade resultante das muitas origens dos seus residentes, mas, como é normal, há muitas exceções de um lado e outro, conheço conservadores radicais a norte e progressistas reformistas a sul. Nesta segunda-feira os dois maiores líderes do Continente da América do Norte reúnem-se pela primeira vez.

Politicamente os Canadianos sempre foram mais abertos à Europa, os anglófonos aos ingleses e os francófonos com uma nostalgia e admiração aos franceses, mas também sempre houve uma admiração pelo poder económico a sul, apesar de algum orgulho e rivalidade típica de vizinhos. Talvez nunca o contraste entre os dois países tenha sido alvo de tanta desconfiança como agora em que a norte há um primeiro-ministro do mais liberal nos costumes e aberto ao mundo que houve, face ao atual presidente americano que quer fechar o seu país ao exterior mais do nunca.

Assim, a cimeira entre estes dois Estados pode dizer muito da capacidade de Trump aceitar a diferença e conviver com um vizinho e parceiro tão distinto, representado por Trudeau, ou sob a possibilidade deste último, em caso de intransigência do sul, ser capaz de levar a bom porto o reforço socioeconómico do Canada desalinhado dos Estados Unidos. Um assunto que acompanho com atenção a partir de hoje.

ADENDA

Parece que mesmo assumindo diferenças conseguiram entender-se e cada um manda em sua casa sem dar lições na do vizinho.

 

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Conheço da cidade do Quebec, capital da província com o mesmo nome e coração do radicalismo separatista nacionalista de raiz francófona do Canada, ao contrário de todas as outras sedes de governo provinciais do País, que se reconhecem como capitais de província, a cidade do Quebec assume-se como “capital nacional”, sendo nação apenas a cultura francófona. Tal como injustiça, o nacionalismo é um propulsor de extremismos e violência.

Foi o nacionalismo que impediu aceitar a diferença dos muçulmanos face à cultura tradicional  dominante e de raiz católica dos “québécois”  em Alexandre Bissonnette que o levou a um ato extremo de entrar numa mesquita e disparar contra pessoas em oração.

Para quem defende fechar as portas aos refugiados de guerra ou às pessoas de outros credos com medo do terrorismo, não haja dúvida que este é um exemplo que muitas vezes os “maus” não são os que são diferentes de nós e nos pedem ajuda, mas o radicalismo é sempre mau, mesmo que na defesa da cultura maioritária de uma terra que tem receio de perder identidade ao auxiliar o outro que está fora de portas e é diferente.

Não se pode excluir a possibilidade de a coberto da figura de refugiado não haver gente mal-intencionada e há necessidade de tomar medidas de segurança preventivas, mas tal não deve impedir que estendamos a mão à maioria dos que fogem da guerra e da miséria, sob o risco de apoiarmos o desenvolvimento e a expansão do mal que já existe no seio daqueles que devem acolher. Fechar porta é não só alimentar o mal dentro e fora destas e um mal bem-nutrido nunca se pode transformar num bem a prazo, apenas torna todos piores.

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Conforme as regras da democracia dos EUA Donald Trump ganhou as últimas eleições presidenciais do seu País e é empossado hoje como Presidente da maior potência económica e militar da Terra. Não sei se Trump será tão perigoso como me aparenta, mas que me parece portador de instabilidade para o seu País e o Planeta, parece-me. Faço votos que me surpreenda pela positiva, para bem dos Americanos e da Humanidade, não piorar a situação atual já seria uma boa surpresa, espero que me engane e ele venha a ser um bom Presidente para os EUA e para o Mundo.

Foram os Americanos quem o escolheu, não o resto do mundo, mas soberania e democracia é isso mesmo, ganha a vontade do Povo conforme as leis do seu Estado e não o que mais agrada ou convém às outras Nações. Não simpatizo, nem sinto afinidade com o discurso e com o modo de agir de Trump, mas tenho de respeitar a sua legitimidade de ocupar o cargo para o qual concorreu e venceu.

Todavia o respeitar não é estar de acordo com as suas ideias, menos ainda deixar de estar preocupado, na política tão grave quanto ter ideias perigosas é ser-se intempestivo quano se enfrentam contrariedades e Trump defende não só propostas perigosas como reage emotivamente a quente e de forma temerária, o que para uma potência global é um risco enorme para a estabilidade e paz do Planeta. Ser democrata também tem uma componente de saber e aceitar a dor.

Também excluo de reconhecer que Obama também cometeu erros que degradaram as relações de paz na humanidade, não teve culpa de lhe terem atribuído o prémio Nobel da Paz antes de provar que as suas decisões o justificava, mas nem sempre foi sensato no modo como enfrentou o problema do mundo árabe, as ambições russas no leste da Europa e, sobretudo, não compreendeu as dores de muitos americanos da denominada América profunda que se confrontaram com o desemprego, as sequelas da crise financeira e as imposições do capitalismo exacerbado no seu próprio País e daí muito do voto de protesto das passadas presidenciais, mas ao menos o Presidente que agora abandona a Casa Branca parecia ser capaz de fazer exames de consciência e de tentar corrigir-se para bem do seu Povo e do Planeta.

Trump pode até nem ser tão mau em consciência quanto a batalha ideológica faz crer, mas o modo impulsivo e radical com que explora as contrariedades e muito dos seus argumentos provocam receios a quem, como eu, considera o bom-senso e o humanismo como algo fundamental na política para evitar injustiçase conflitos sociais, ideológicos ou mesmo bélicos de efeitos imprevisíveis. Que Deus proteja a América e o Mundo.

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Pode-se desejar diferentes modelos de sociedade com gestão de esquerda, centro ou de direita e acredito que os aderentes de cada um deles reconhece que no dos seus sonhos as virtudes superam os defeitos, mas há princípios de justiça coletiva que não podem ser ultrapassados por nenhum deles. Uma desigualdade na distribuição da riqueza onde os 8 maiores bilionários do planeta possuem mais que metade da riqueza mundial e os 1% dos mais ricos tem mais do que os restantes 99% da população da Terra é revoltante e o espelho de uma injustiça que urge combater.

Sou dos que assumem que a igualdade imposta não gera justiça, esta defende-se com a equidade de tratamento e humanismo, mas também desigualdade que se observa no mundo atual não é o fruto da equidade ou do humanismo que defendo, mas sim o resultado do egoísmo de uma concorrência sem princípios entre as pessoas que permite pisar os direitos dos mais fracos que se instalou nesta civilização que se diz global, mas que não o é, pois os seus bons resultados não chegam à maioria dos humanos de forma digna e justa.

Confesso-me cansado de ver o aproveitamentos de oportunistas que singram às claras em torno daqueles que lutam com as bandeiras da liberdade individual e do empreendorismo como se nestes domínios não houvesse necessidade de ética e moral que regule os proveitos de quem investe, trabalha e dinamiza a economia.

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Espero que seja um período feliz o ano de 2017 que o mundo, Portugal e o Faial melhorem as suas condições de vida e económicas para permitir a esperança no futuro. Desejo que o discurso de Trump não atrumpalhe o mundo, que a dívida soberana não afogue Portugal e a pista da Horta garanta vir ter condições para do Faial se voar mais longe, com maior frequência e segurança.

Feliz passagem de ano 2016/17 e depois 12 meses sempre a melhorar para todos.

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mudartudo

Tudo pode mudar – capitalismo vs. clima” é um livro de uma jornalista canadiana, Naomi Klein, no qual se considera que as alterações climáticas  resultantes das emissões dos gases estufa tanto podem resultar numa catástrofe global de dimensões apocalíticas ou a ameaça ser de tal forma agregadora da humanidade que permita mudar o estilo de sociedade capitalista atual para um novo modelo em equilíbrio com a natureza e mais justo.

Apesar de o cerne do livro ser mesmo a preocupação climática da jornalista, é em paralelo um manifesto agressivo anticapitalista e um apelo de mobilização global contra a extração do hidrocarbonetos, sobretudo, pelo métodos mais extremos que a tecnologia moderna permite e muito mais impactantes, os quais ainda por cima têm efeitos retardadores na adoção de soluções alternativas não poluentes, ampliando assim os efeitos catastróficos da exploração predominante atual.

Na minha opinião a mistura ideológica de radical de esquerda com a preocupação ambiental envenena a mensagem e divide as pessoas em bons contra maus de direita e conservadores, onde praticamente não há meio termo e nestes últimos não haja bom-senso ou preocupações com a justiça ou o ambiente.

Deduzo do livro que além das multinacionais do petróleo negarem as alterações climáticas, todos os céticos e negacionistas estão ao serviço destas e do capitalismo, enquanto os movimentos de protesto de extrema-esquerda e os governos do Equador, Venezuela e afins, bem como o Syriza são bons exemplos sem defeitos ou erros. Apesar de alguns casos de intervenção social relatados me parecerem não ter nada de ideologia política e aqui surgirem colados ao campo da jornalista pelo estilo da narrativa.

Numa coisa estou plenamente de acordo com esta ornalista: o modelo económico extrativista/capitalista, como ela lhe chama, bem como o discurso consumista ou neoliberal me parecem insustentáveis ambientalmente e tanto por alteração climática ou outros desequilíbrios pode desembocar numa catástrofe se a civilização global não mudar para um modelo mais humanamente justo e em equilíbrio com a natureza e esta mudança tem muitos inimigos que envenenam a discussão.

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