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Meu artigo de hoje no diário da ilha do Faial: Incentivo

REALIDADES CHEIAS DE CONTRADIÇÕES E UMA CONGRATULAÇÃO

Olhando para o que se passa neste País e Região parece-me que a sociedade ficou apática às contradições de quem nos Governa, estamos a viver uma pasmaceira que só se explica por estarmos a sofrer de um choque pós-traumático devido à pandemia. Os Açores por agora são uma terra sem casos de COVID-19 ativos, mas, por precaução, com a qual concordo, cancelou-se tudo o que eram festas do Espírito Santo e Santos Populares, mas enquanto o coronavírus está a alastrar em Lisboa, o nosso Presidente da República e Primeiro-Ministro participam em dois espetáculos à porta fechada com milhares de pessoas.

O mesmo Presidente, não se contentando com estar com milhares de pessoas numa zona coberta numa terra em plena expansão do SARS-Cov2, logo a seguir vem visitar os Açores por já não termos o vírus a circular, não sei se apresentou algum exame negativo como é exigido ao comum dos açorianos que queiram regressar à sua terra ou a quem vem prestar serviços a estas ilhas, a verdade é que tudo isto aconteceu como se fosse uma coisa natural, onde imperou a cordialidade diplomática e como se tal visita fosse desejada pelos Açorianos numa altura destas e depois da afronta da continuidade territorial com os aviões como se a proteção da nossa saúde fosse um movimento separatista. Dá para entender? Eu não entendo.

A economia dos Açores passou a ter, por opção política, uma forte dependência do Turismo e apesar de o projeto “Viver Açores” do Governo Regional pretender dinamizar o setor através duma procura interna que compense a redução externa, a verdade é que em paralelo está-se a usar o trunfo do Arquipélago ser uma região livre de Covid-19, sem dúvida um bom argumento para apelar à vinda de turistas de fora. A verdade é que essa limpeza é ameaçada por esses mesmos turistas terem de passar pelo aeroporto em Lisboa, onde a situação não parece de todo segura, onde o próprio passageiro se pode contaminar a seguir a obter um teste negativo e trazer a doença para esta ilhas.

Temos de facto de abrir mais cedo ou tarde as nossas ligações ao exterior, mas esta realidade é também uma das nossas fragilidades para enfrentar esta pandemia e a situação de os resultados dos testes serem de 12 horas na Terceira e S. Miguel e mais de um dia nas outras ilhas é um meio de tratamento desigual dos Açorianos das ilhas mais pequenas. Contudo não deixa de ser uma contradição criarmos cautelas que dificultam os nossos conterrâneos e a quem vem cá em trabalho enquanto se promove esta Terra para que venham cá passear: o que, assumo, é importante para a nossa economia. Como se concilia isto de forma segura? Como continuaremos a proteger os idosos que coabitam com quem trabalha e contacta com tantos colegas e se cruza com visitantes? Confesso: o recurso de apenas lavar-se as mãos e usar máscaras deixa-me muitas dúvidas como modo de manter protegidos estes anciãos não institucionalizados sem os ostracizar em casa, até porque vejo gente a usar sem cuidado máscaras diante de quem se protege por ter idosos em casa.

O festival gastronómico “Juntos à Mesa” do Faial é um bom exemplo de como as dificuldades agudizam o engenho. A minha participação foi bafejada pela sorte do restaurante escolhido ter um serviço de take-away que levava a refeição ao meio rural: uma evidência de que sem gente de fora se olha para os clientes potenciais em toda a ilha e é possível estender este modo de servir sem o limitar à zona da cidade. Talvez não haja grande rentabilidade nisto, mas fideliza gente e com imaginação dever ser possível criar no futuro um sistema que compatibilize a concorrência com cooperação do setor da restauração local com uma solução para estas situações que junte mais residentes da ilha numa mesa na dimensão do Faial. Parabéns pela iniciativa!

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Meu artigo de hoje publicado no diário da Horta “Incentivo”:

CELEBRAR ABRIL EM EMERGÊNCIA E TODA VERDADE

Pela primeira vez, desde 1974, Portugal vai celebrar o 25 de Abril com restrições à Liberdade devido à declaração do Estado de Emergência em virtude da pandemia Covid-19. Parece uma contradição celebrar a Liberdade retido pela imposição de ficar em casa e quando é interdito aos Portugueses de circularem como lhes apetece ao ar livre. Mas a vida está cheia de contradições.

Um dos compromissos do Presidente da República quando da declaração do Estado de Emergência foi com a verdade, mas parece que tal não obriga a que se diga toda a verdade. Assim, bastam verdades selecionadas à medida que, sem se mentir, se faz um retrato da realidade aos Portugueses diferente da verdade, mas o meu patriotismo exige que se diga toda a verdade. Ao percorrer-se os dados desta pandemia referente aos vários países europeus descobre-se uma realidade distinta da comunicada pelas autoridades nacionais e telejornais.

No combate à pandemia, até ao momento, Portugal felizmente não atingiu os números negros de mortes por milhão de habitantes como os que se têm verificado em França, Itália, Espanha e, sobretudo, o pior índice de todos e não falado da Bélgica. Assim, os nossos políticos escudam-se nas manchetes destes países para falarem de milagre e ficarem bem na foto. Mas manda a verdade que se diga, Portugal, infelizmente, apresenta números de mortos por milhão de habitantes bem piores que os da Alemanha, Áustria, República Checa e, sobretudo, os da endividada e empobrecida Grécia, esta mesmo com dimensão populacional semelhante, tem cerca de seis vezes menos mortos que nós, e existem muitos mais Estados Europeus perante quem fazemos pior figura, com quem há muito a aprender, pois fizeram bem melhor que Portugal e isto não é dito aos Portugueses.

Um Estado de Emergência comprometido com a verdade não se fica pela meia verdade conveniente ao Presidente e ao Primeiro-Ministro. Tal como é verdade que, apesar da continuidade territorial imposta por estes e de um certo descontrolo em S. Miguel, os Açores apresentam números bem melhores que os do Continente e até excelentes em 8 das 9 ilhas: tão bons como os de Macau!

Os partidos da oposição, e muito bem, assumiram, na generalidade, ser cooperantes com o governo nesta luta e não entrar em conflitos que enfraquecessem o objetivo de vencer o SARS-Cov-2. Mas na verdade isto não pode ser complacente com aproveitamentos políticos do partido no poder e é patriótico exigir pudor nos abusos. Em janeiro viu-se bem o que estava a acontecer na China, mas só em março Portugal tentou comprar mais ventiladores e até recomendou o não uso de máscaras: nem havia o suficiente para todos e a linha da frente de combate! Logo, não é correto agora fazer cartazes de aquisições tarde e a más horas de equipamento já em plena batalha, pois deveriam ter sido adquiridos quando se via o que acontecia em Wuhan, até porque as verbas são pagas pelos Portugueses para serem coladas depois ao símbolo do partido no poder e a fotos de propaganda.

É verdade que um dos objetivos nesta luta era evitar a rotura do Serviço Nacional (Regional) de Saúde e com o esforço da maioria dos Portugueses e as medidas que estão a ser impostas isto tem sido conseguido sem falhas evidentes. Pelo menos não tão graves de modo a alguém ter sido rejeitado numa Unidade de Cuidados Intensivos por falta de capacidade ou de equipamentos, por isso, mesmo em estado de emergência, festejemos algumas vitórias e celebremos, como possível a cada um, a festa da Democracia, com toda a verdade e sem censura: Viva a Liberdade de Abril!

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo:

O BULLYING DA SATA AO FAIAL

O atual Presidente do Conselho de Administração do Grupo SATA, Luís Rodrigues, bem avisou no fim de 2019 que a reestruturação da empresa iria doer. Isto para corrigir a sua situação financeira fruto de descalabros de gestão nos últimos anos devido às opções estratégicas erradas do Governo dos Açores implementadas por servis figuras obedientes dos seus presidentes nomeados pelo executivo regional. Só não disse onde doeria, mas logo suspeitei que o Faial apanharia por tabela.

Desde há já muitos anos que quando se tomam medidas estratégicas para alargar os serviços da SATA, o Faial, por norma, não beneficia dessa expansão: foi assim ao se compraram os últimos aviões e se escolheram aparelhos que não tinha condições para aterrar no aeroporto da Horta e onde já se sentia a falta de equipamentos; foi assim quando se aumentou o número de ligações para concorrer com outras empresas devido à liberalização do destino Ponta Delgada; e até foi assim ao se anunciar o alargamento da rota do Pico que se fez à custa do encolhimento das ligações ao Faial, mantendo o Triângulo o número insuficiente que a procura já exigia. Por outro lado, sempre que existem ações de reduções dos serviços da SATA o Faial volta a ser vítima direta dessas medidas.

Paralelamente, nos últimos anos, enquanto o aeroporto da Horta tem aumentado no número de passageiros e na procura, a quantidade de ligações desta infraestrutura ao exterior dos Açores tem vindo tendencialmente a diminuir. Pelo que não só já se perderam pessoas que pretendiam voar diretamente entre o Continente e o Faial que recusaram toques noutras ilhas e demoras de viagem daí resultantes, como se atrofiou a taxa de crescimento da circulação de passageiros nesta ilha pela falta de oferta disponível por parte da SATA.

Agora, com a falta de aviões que a SATA tem na sua frota para aterrar no Faial e a reestruturação da empresa anunciada, aonde é que havia especialmente de doer mais? No Faial, logicamente!

Descobriu-se isto apesar da SATA ter disfarçado o novo ataque ao Faial, anunciou em voz alta o mesmo número de ligações enquanto, por falta de aviões adequados a este aeroporto por opção anterior do Governo, em voz baixa, contratou o serviço a uma outra empresa: a Hifly, e esta assegura-o com um aparelho que leva menos passageiros. O que, na prática, corresponde à redução da oferta de lugares equivalente a menos uma ligação por semana.

Assim, independentemente do tipo de estratégia levada a cabo no grupo SATA: expansão, contração ou reestruturação; o Faial leva sempre pancada a doer. Deste modo e durante anos a fio, o Governo dos Açores, não só, mas sobretudo através do seu braço SATA, tem vindo constantemente a agredir o Faial. Uma espécie de bullying, palavra inglesa para a pratica de tirania e valentia contra os mais fracos indefesos, o que o poder político tem exercido continuamente contra os Faialenses.

Tal como nas escolas; onde o bullying tende a ser exercido pelos mais fortes com a ajuda de outros aliados oportunistas sobre alunos fragilizados, submissos que se calam e sofrem sem se revoltarem de forma eficaz que penalize o agressor; também no Faial se tem assistido a um tipo de passividade que nunca doeu ao prevaricador que nos agride e que se mantém poderoso à custa de alguns aliados que beneficiam de migalhas, enquanto a generalidade do Povo Faialense vai sofrendo sem uma revolta verdadeiramente eficaz. Até quando este bullying vai continuar?

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É chocante ver a falta de humanismo com que o Japão trata as pessoas retidas por quarentena no navio Diamond Princess devido ao coronavírus associado à COVID-19

Uma coisa é ter as cautelas de colocar as pessoas de quarentena, disponibilizando espaços devidamente preparados para o efeito de modo a evitar não só o contágio para a população exterior, mas também e sobretudo evitar a propagação do vírus dentro da comunidade sob quarentena. Outra coisa é deixar uma comunidade isolada, sem as condições adequadas para o tratamento dos doentes e, sobretudo, sem criar o essencial cuidado para evitar a propagação do mal dentre desse grupo.

O Japão no caso do Diamond Princess está a comportar-se com a desumanidade do isolamento típica da luta contra a peste na Idade Média e sem o aproveitamento do conhecimento científico e humanismo que caracteriza o tempo presente.

Um retrocesso civilizacional!

Uma falta de ética e moral absurda.

Nem tanto ao mar, como o humanismo sem precaução adequada de Portugal que se deixa ficar refém de leis que colocam o voluntarismo dos potenciais afetados para se colocarem em quarentena (felizmente as pessoas em causa foram conscientes), nem o desumanismo puro e duro do Japão. Bom-senso e equilíbrio precisava-se neste controlo ao vírus, mas é em crise que se conhecem verdadeiramente as pessoas e também as civilizações ou países.

Entretanto, o Português canalizador do navio está sem tratamento, contaminado com o SARS-CoV-2 e ainda sem sintomas graves da doença no Diamond Princess.

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Li todos os projetos que estão em vias de discussão na AR sobre a eutanásia. Todos têm em comum o facto desta só poder ser feita a pedido da pessoa sobre que pretende morrer e a solicitação só é válida se o doente estiver plenamente consciente e em caso de dúvida após verificação por médico de psiquiatria. Todos eles consideram que o processo pára se o requerente da eutanásia até há hora da morte assistida mudar de opinião e ainda consideram que o ato pode ter testemunhas de pessoas próximas e dos técnicos envolvidos.

Por estes projetos não há eutanásia para pessoas incapazes de decidir, nem a pedidos de terceiros, nem por decisão de terceiros por compaixão ou desistência.

Deste modo a eutanásia só recai sobre quem decide conscientemente sobre si mesmo.

Assim, imagino-me no futuro numa situação extrema em que eu decida sobre mim que quero morrer e estou incapaz de realizar tal ato, eu não aceito que outra pessoa em referendo me retire o direito de eu vir a poder decidir sobre mim e de me impedir que outro concordando comigo me ajude na execução minha decisão que recairia apenas sobre mim.

Tal quer dizer que a eutanásia é uma alternativa aos cuidados paliativos, estes devem ser implementados sempre no máximo possível, mas não são um substituto à minha livre decisão e quem não quer ser “eutanasiado” nunca o deve optar por esta via por falta de tratamentos paliativos.

Se há religiões e consciências que não aceitam a eutanásia, não têm o direito de impor a sua crença ou consciência a quem não crê ou tenha uma opinião diferente.

Já me custa bastante que neste momento eu esteja refém da vontade da maioria de deputados sobre uma possível decisão futura que me diz respeito apenas a mim mesmo e sobre mim mesmo sem vitimar terceiros.

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Meu artigo de hoje no diário da Horta: Incentivo

SILÊNCIO E SUBSERVIÊNCIA QUE CUSTAM CARO

Lembrei-me que num encontro acidental e a sós com uma pessoa que depois veio a ser primeiro-ministro falei do medo que muitos cidadãos tinham em denunciar em público o que estava mal num caso concreto da ação do poder executivo. Ele foi da opinião que, em democracia, “medo” nos cidadãos era uma palavra muito forte, pois era suposto tal não existir neste tipo de regime.

Em teoria eu concordei com ele, pois o medo não deveria existir num sistema onde o Povo tem a última palavra, mas mantive a discordância de que “o medo de falar” existia de facto por possíveis retaliações ao se denunciar ou se protestar pelo que estava mal e muitas pessoas sentiam isto. A conversa ocorreu há décadas, mas desde então eu recebi confidências de não poucos Faialenses que me falaram de situações que gostariam de denunciar ou de protestar mas tinham receio. A frase mais forte foi: diz isto pois eu tenho filhos que precisam de emprego pelo que não posso falar!

Contudo, a culpa de vivermos numa sociedade onde o poder político é quase o único empregador também é do Povo, muitos acreditam sem reservas na premissa de que o poder público age só no interesse coletivo das Pessoas. É verdade que o privados agem com perspetivas de lucro e a ganância muitas vezes sobrepõe-se à lei. Mas um sistema económico que permite um poder, público ou privado, ir-se instalando sem concorrência torna a maioria refém desse domínio quase absoluto.

Na verdade, têm sido muitos os Faialenses que ao longo de décadas têm permitido que um partido tivesse poder dominante sobre toda a economia e política da ilha e este aos poucos estendeu os seus tentáculos a todos os setores, inclusive aos privados: ora ocupando lugares de topo administrativos de algumas unidades industriais privadas coletivas, ora forçando ou permitindo que outras se transferissem para fora da ilha, ora fazendo mesmo concorrência as estas de molde a dificultar o seu crescimento, as atrofiar ou até as tornar inviáveis. Assim, não admira que hoje muitos digam que não falam por causa de terem filhos, mas este é um legado para o futuro montado pelo Povo atual.

Esta reflexão nasceu devido a um troço com 1 Km de estrada, a Reta de Pedro Miguel, uma obra sem dúvida necessária e pertinente, ter sido fechado para se executar um novo tapete de asfalto e uma pequena obra hidráulica por um prazo de 23 dias consecutivos mas só reaberto 50 dias depois. Um atraso de mais de 200% sem uma nota justificativa devidamente divulgada às pessoas. Houve muitos Faialenses do lado norte que em conversas particulares se lamentaram, se queixaram, mas protestos e questões em voz alta: nada!

Não sei se o atraso foi culpa da administração regional ou da empresa que fez a obra. Do tempo e época não foi: todos já sabiam que dezembro é chuvoso e tem o Natal, logo o período invernoso e a festa não justificam mais de 200% de dias de atraso ao prazo anunciado. Desconfio que a culpa morrerá solteira, o poder dominante põe e dispõe sem explicações e não assume culpas. Se for do empreiteiro este poderia ser multado mas desconfio que por autoproteção não haverá nada.

Assim, veremos uma notícia do Poder a se louvar pela conclusão da obra que já deveria estar concluída há 50 dias, sem qualquer pedido desculpa que lhe estragaria a propaganda. Na verdade, há muito que o desrespeito pelo Povo do Faial não prejudica os governantes. Por isso abusam, só que este silêncio e subserviência sai caro em liberdade, qualidade de vida e dá espaço para o Povo ficar mais refém do poder instalado e ter medo pois esta democracia está minada por quem manda.

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Meu artigo de opinião de hoje no diário Incentivo:

ENTRE A FRENTE DA ESTALAGEM E A SURDEZ DO PODER

Foram numerosos os comentários reprovadores que me chegaram sobre o feio resultado do rearranjo da frente-mar diante do Forte de Santa Cruz e muitos outros lamentos tenho lido nas redes sociais que fizeram com que eu deitasse uma olhadela em tal direção a partir do início da Cônsul Dabney e, embora sem ser de perto, o que já observei também não me agradou.

Contudo confesso que não é este arranjo junto à estalagem o essencial das minhas preocupações para o Faial. Preocupa-me muito mais o resultado, ainda por se ver, de como ficará a praça do Infante, a avenida marginal, a zona da Alagoa e o largo Manuel Arriaga que são de facto os principais espaços da frente-mar e a sala-de estar da cidade da Horta, não só para os visitantes, mas também para os Faialenses. Contudo aquilo que mais me aflige, já aqui o referi, continua a ser a questão da ampliação da pista do aeroporto e a política de acessibilidades aéreas à nossa ilha.

Todavia concordo que não podemos passar os dias todos a falar do aeroporto e dos transportes aéreos. Até porque o tema já leva muitos anos e o poder já fez anúncios e renúncias à obra, só não atendeu ao que os Faialenses exigem nesta matéria há tanto tempo. Mas o que se passou junto à Estalagem é mais um exemplo de como a Câmara se perde em pormenores a estragar o que não estava mal de todo, o mesmo já ocorrera no adro da igreja das Angústias para ir mostrando obra enquanto não faz o essencial: o projeto da frente-mar.

Isto acontece porque a Câmara Municipal sofre de surdez parcial: não atende ao essencial do que os Faialenses lhe dizem em momento oportuno se não pertencerem à sua máquina política, mas responde à crítica desfavorável generalizada de que não faz nada de importante e, para desviar a atenção, executa coisas acessórias propostas por projetistas ávidos por mais dinheiro da autarquia.

Sabemos que o projeto da frente-mar esteve à Consulta Pública, mas na verdade o cidadão-comum já viu que se criticar uma proposta do poder, da Câmara ou Governo, estes reagem mal e dizem: só sabem criticar! Então se for algo dito por alguém da oposição a desvalorização é total e arrogantemente não acatada. Uma sobranceria que é uma maleita de quem está há demasiado tempo no poder e se habituou e não dar ouvidos aos outros na altura certa. Assim, subsistem só alguns resistentes nestas consultas, mas a maioria do povo cala-se na hora de dizer, mas não prescinde de falar no convívio social e embora tarde a verdade incómoda do senso-comum vem ao de cima.

O município também já criou momentos de auscultação direta (uma forma de camuflar que não ouve a oposição é perguntar coisas acessórias ao Povo) é caso dos orçamentos participativos, mas até aqui atua com surdez parcial. Já houve iniciativas apresentadas por quem está habituado a estas ações, que sabe cativar votos para os seus projetos mas que enfermavam de problemas que a Câmara não escutou em devido tempo e depois de vencerem. Depois a Autarquia adiou a sua execução e fez ouvidos moucos aos que mais votaram nessas participações. A tal surdez parcial!

Eis uma causa da falta de beleza que diz existir na intervenção junto à Estalagem, já agora, aqui escrevi há semanas de crianças que vão para a escola com a iluminação pública já apagada, há poucos dias vi um quase acidente de um aluno na rua por falta de luz que persiste devida à surdez da Câmara nesta questão de segurança, algo mais importe que a feia obra em Santa Cruz.

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Os cortes aos salários e pensões mais elevadas só foi aceite pelo Tribunal Constitucional como medida transitória que até obrigava Passos a repor se continuasse a governar, mas Costa assumiu a reposição como um mérito pessoal seu ao anunciar as reposições, mas isto não era o fim da austeridade era uma imposição legal, mas ninguém soube denunciar a fraude, nem a direita, talvez porque a velocidade da proposta desta era mais lenta.

Depois das reposições Costa manteve os congelamentos salariais praticamente a todos , a não atualização de vencimentos até já vinha de Sócrates, e é uma forma de manter cortes salariais disfarçados, mas ninguém foi capaz de denunciar a fraude.

Agora ao fim de 10 anos e após uma década de congelamentos e de não progressões eis que Costa propõe aumentos muitos menores para a função pública onde considera apenas o último ano de inflação e o crescimento económico. Toda gente grita que é uma vergonha, e é, mas prova, sobretudo, crescimento anémico ao nível nacional e é a evidência de que a austeridade de Centeno sempre usou os salários da função pública, mas poucos em Portugal têm a coragem de chamar a isto a austeridade desta Governação. Além de ser a prova de que Portugal sempre tem vindo a recuar economicamente dentro da União Europeia apesar do propalado sucesso da Geringonça que apenas deu continuidade à perda de competitividade do nosso País.

No contexto Europeu, Portugal tem continuado sempre a perder para os restantes Estados desde que a troika saiu do nosso País.

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo:

QUANDO BOAS CAUSAS DESCAMBAM EM RADICALISMOS

A injustiça de um modelo político que arrumava as pessoas por classes sociais que concentrava os direitos e a riqueza numa minoria privilegiada, enquanto as obrigações e pobreza ia para uma maioria desfavorecida, levou à revolução francesa de que brotou o reconhecimento da qualidade de cidadão a todos os indivíduos com igualdade de direitos e obrigações.

Assim, o reconhecimento de que ao Estado e Instituições Públicas compete assegurar o suficiente o acesso a bens alimentares, aos cuidados de saúde, à formação educacional, à segurança e ao bem-estar condigno para todos é a principal marca da Idade Contemporânea iniciada em 1789 e neste contexto a luta pela justiça social é uma boa causa.

A ciência tem evidenciado que a alteração da composição do ar por emissão excessiva de gases com efeitos estufa na imparável industrialização poluente da humanidade, a extração excessiva de recursos não renováveis e a ocupação selvagem de espaços naturais têm destruído os equilíbrios do ecossistemas e extinto espécies animais e vegetais o que está a levar a uma situação catastrófica à escala planetária. Assim, o apelo à adoção de uma economia limpa e sustentável no consumo dos bens da Terra, colocam os argumentos da defesa do ambiente numa boa causa.

A implantação da democracia em Portugal no 25 de abril de 74 teve como bandeira a conquista da liberdade e como se viera de uma ditadura cheia de proibições uma das ideias que então floresceu é que passara a ser proibido proibir. Assim, sendo a liberdade uma das boas causas da revolução, o proibir proibir tornou-se num dos frutos melhores e mais belos de Abril em Portugal.

Infelizmente uma boa causa suportada em princípios louváveis pode descambar para ideias radicais que destroem o bom-senso e gera novas injustiças e torna essas causas perniciosas. A decisão de proibir a carne de vaca nas cantinas dependentes da Universidade de Coimbra consegue reunir todos os radicalismos maléficos que matam as boas causas, acompanhada da poluição das lutas partidárias e ideológica que deturpam os factos.

É verdade que a agropecuária bovina produz equivalentes de dióxido de carbono, que na Amazónia a sua expansão tem sido feita à custa da destruição da floresta e há uma classe que se serve da atual presidência para acelerar a desmatação deste pulmão do Mundo. Mas no Brasil a guerra ideológica radicalizou-se e as partes em confronto tendem a levar a luta interna a todo o globo para ter aliados externos que contam para vencer o inimigo, não parecem adversários tal o ódio entre eles.

Mas porque é que esta guerra tem de afetar um agricultor Açoriano ou Continental quando a transição para a vaca se fez no País essencialmente com novos usos aos solos que já antes eram cultivados? Como é possível que uma bandeira da justiça, onde a esquerda dizia que o povo também deveria poder pôr carne nas suas mesas e não só as elites ricas, levou a que colocar um bife no prato seja quase um crime para partes da geringonça? Como se transformou o coração da luta estudantil pela liberdade em Portugal numa subserviência a poderes influentes para que se aceite submissamente de novo o proibir, até a carne de vaca dos Açores, em nome da autonomia universitária? Como os políticos e governantes abriram caminho às novas injustiça dos radicais?

Radicalismos que não olham a meios para que as suas crenças sejam impostas a todos com novas injustiças e vítimas cuja ditadura desta irracionalidade silencia muitos. Mas eu protesto!

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O meu artigo de opinião hoje publicado no diário Incentivo:

NA AMPLIAÇÃO DA PISTA DA HORTA NADA DE NOVO

Agosto está a acabar, o ano já vai em bem mais de metade, o principal período de gozo de férias está a findar e as próximas eleições estão à porta como evidenciam os prospetos de apresentação da lista de candidatos a deputados pelo partido no poder recentemente distribuídos pelas caixas do correio. Mas cá no Faial a principal reivindicação dos Faialenses para 2019: o projeto de ampliação da pista do aeroporto da Horta; continua a não sair da gaveta, nem se assistem a passos efetivos e irreversíveis que assegurem que este vai passar à realidade.

Há quase um ano atrás vendiam-nos um grande sucesso político: finalmente a inclusão num artigo do Orçamento de Estado para 2019 de uma referência, sem qualquer compromisso ou montante definido, sobre a ampliação da pista do aeroporto do Horta. Então alertei que tal não garantia nada, que era cedo para foguetes, pois suspeitava ser mais propaganda do que obra a arrancar até outubro próximo. O tempo está a esgotar-se e desgostosamente os meus receios a concretizarem-se.

Alguém pode pensar que um ano é pouco. Contudo esclareço que a não realização do projeto no terreno, nem de passos burocráticos como o início de um concurso público para execução desta empreitada, não é o saldo de um ano, mas sim o fruto a entregar aos Faialenses do trabalho de um mandato de quatro anos. Resultado: uma mão cheia de nada essencial!

Nestes quatro anos tudo parecia combinar-se a favor da ampliação da pista da Horta, desde o poder local, passando pelo regional até ao nacional todos os órgãos executivos eram liderados por membros de um mesmo partido, inclusive o deputado residente nesta ilha não era novo na política e conhecia bem como autarca a principal reivindicação dos Faialenses há muito tempo.

Infelizmente, apesar do crescimento económico, das contas certas, do anúncio do fim da austeridade, da coincidência da mesma cor política, da propaganda oca entretanto lançada (sinal que a reivindicação era bem do conhecimento dos eleitos) e apesar de há décadas ser notória e pública a necessidade de ampliação da pista do aeroporto da Horta para satisfazer adequadamente as necessidades de crescimento económico do Faial, não houve nenhum resultado novo, nem se deu qualquer passo seguro em frente.

Assim, mais um mandato passou e o projeto de ampliação da pista da Horta nem deu um passo para o terreno, apenas foguetes para o ar que produziram barulho sem qualquer benefício para o Faial.

Podem acenar-nos com outros rebuçados, bijuterias e prendas menores que a joia da coroa das reivindicações dos Faialenses era e continua a ser a ampliação da pista do aeroporto da Horta.

Não faz mal que nos deem outras coisas. Temos faltas de muito mais, mas o que não se pode esquecer é que o acessório não substitui o essencial e o fundamental era a ampliação da pista do aeroporto da Horta de modo a garantir não só condições de segurança, mas também permitir aterragens de aviões com dimensões e características necessárias ao progresso económico do Faial.

Infelizmente este mandato passou e não foi aproveitada a oportunidade de um partido ter todos os cargos nas suas mãos, só faltou a boa-vontade de quem podia decidir pela concretização deste projeto e agora não há argumentos nem poeira para o ar que escondam este triste resultado.

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