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Posts Tagged ‘PSD-Açores’

Gaudêncio foi eleito pelo povo para o cargo executivo da presidência da Câmara Municipal da Ribeira Grande e foi no âmbito desse exercício que foi constituído arguido e até ao momento ninguém ligado ao processo apontou para a incompatibilidade da continuidade das suas funções com a investigação em curso. Tanto suspeitas como cargo limitam-se ao mesmo círculo: a Autarquia. Assim em função da sua consciência compreendo que possa continuar nas suas funções.

Já a liderança regional do PSD é um cargo de estratégia política e as acusações contra Gaudêncio não se referem a ações desenvolvidas nestas funções, mas sim como Autarca. Neste âmbito, não tem o Presidente do PSD de prestar contas dos seus atos executivos a todos os Açorianos que não sejam seus munícipes do que fez na gestão do concelho a que Preside, contudo tudo o que comentar de âmbito regional ficará inquinado pela suspeita particular, toda a crítica que fizer ao Governo fará eco aos indícios do que lhe acusam e manietará qualquer estratégia fora da Ribeira Grande.

Pode a Comissão Política Regional dar-lhe um voto de confiança, até porque muitos foram por ele escolhidos e respeito essa solidariedade, mas não pode em consciência o Presidente aceitar manietar o partido que lidera exatamente com as funções de o fazer crescer.

Assim, mesmo respeitando o princípio da presunção de inocência, a bem do PSD-Açores, Gaudêncio deve demitir-se do cargo partidário pois embora eleito pelos seus militantes passou a ficar inquinado por algo alheio a esta função mas que a compromete.

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O meu artigo de ontem no diário Incentivo:

O CENTRALISMO É CENTRALISMO, TANTO NACIONAL COMO REGIONAL

Independentemente de se gostar da escolha de Mota Amaral ou não ou de ser compreensível o porquê de alguém, após se reconhecer um bom desempenho como deputado no parlamento europeu em nome dos Açores, ter de ser substituída no termo do primeiro mandato (e já não é a primeira vez), não é uma mera questão de presunção ou de orgulho pessoal a exigência de uma posição elegível para aquele aceitar integrar a lista única nacional em representação do PSD-Açores.
A reivindicação de um lugar elegível para Mota Amaral (neste caso concreto) é, sobretudo, uma questão de se exigir o reconhecimento de que esta pessoa não vai para esse lugar apenas em nome próprio ou só pelos seus méritos individuais, vai como representante de uma estrutura política com um estatuto específico de uma Região Autónoma e Ultraperiférica, não se confundindo com um mero departamento da organização interna de um partido como uma distrital ou concelhia.
Assim, a reivindicação de um lugar, perspetivado à priori elegível, tem a ver essencialmente com o reconhecimento do estatuto próprio dos Açores no todo nacional. O Arquipélago é uma região em descontinuidade geográfica e distante do território original do País. Esta situação projeta Portugal para uma realidade marítima muito além dos limites da plataforma continental da Europa e dá ao Estado uma importância geopolítica, económica e estratégica global muito superior à da sua real dimensão em termos de território emerso e população residente.
Foi o reconhecimento destas especificidades no todo nacional que possibilitaram que num País que nunca foi capaz de levar a cabo a regionalização no seu território continental, desde o início da democracia fosse viável criar um estatuto autónomo para os Açores, com a possibilidade destes legislarem e gerirem o seu território nos assuntos de interesse regional (mesmo que nem sempre tenha sido claro e consensual o significado deste interesse regional). Assim, a reivindicação de uma posição considerada elegível do representante dos Açores numa na lista nacional ultrapassa em muito o aspeto individual e entra na defesa do reconhecimento do estatuto específico e da importância desta Região no contexto de Portugal e não é uma questão de orgulho pessoal.
Se fosse uma mera questão demográfica, os Açores não ultrapassam os 4% da população nacional e a Região teria de se cingir a uma representatividade conforme com essa dimensão. Mas não é. Só que esta especificidade esbarra com o centralismo de muitos e estes têm dificuldade em reconhecer aspetos que não giram em torno do seu centro e neste caso não é apenas Lisboa, é o todo-Portugal- Continental. Foi o reconhecer a particularidade das ilhas menores no contexto arquipelágico que lhes deu mais peso eleitoral que a sua representatividade populacional na fundação da autonomia e foi o centralismo regional que desvirtuou este reconhecimento.
Infelizmente, neste momento o PSD-Açores está a sentir, como força política desta Região, o que sentem também ilhas mais pequenas perante o esmagamento centralista das maiores do Arquipélago, que usam a sua dimensão populacional e económica para centralizar em si tudo o que interessa enquanto esmagam as terras mais fracas e lhes reduziram força eleitoral para se defenderem. O Centralismo que este partido político regional está agora a lutar dentro do nacional é o mesmo centralismo que Faialenses e outros Açorianos de ilhas pequenas combatem quando denunciam que não estão a ser devidamente defendidos os seus interesses e importância no contexto do Arquipélago. O mesmo centralismo que também mina a Autonomia dentro dos Açores.

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Nas europeias virou a sina para os Açores: ouvimos ao longo de cinco anos na Região louvores ao trabalho desenvolvido pelos deputados eleitos nas anteriores eleições para Bruxelas em representação dos Açores, quando começamos a conhecê-los, como no caso de Sofia Ribeiro ou até depois de homenageados pelo seu exercício como em Serrão Santos… chegado ao fim do primeiro mandato os lideres partidários muda-nos de forma inexplicável por outros sem provas dadas no lugar em questão… PORQUÊ?

Alguém percebe?

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Após a desilusão como o PSD-Açores agiu politicamente nos últimos anos, eu queria mudança. Para muitos Gaudêncio representava a continuidade dos últimos tempos, Nascimento Cabral a mudança, mas após o debate senti que este não sabia mudar sem hostilizar e destruir, as últimas eleições de liderança nacional serviram-me um prato cheio de desilusões para o qual sinto que contribui. Por isso, agora não arrisquei e fiquei em casa.

Espero que o rótulo de continuidade atribuído a Alexandre Gaudêncio não se torne verdade, que saiba mudar o rumo do partido e liderar uma oposição onde todas as ilhas se revejam, não se iniba de ser social-democrata sem destruir caminhadas de muitos que entretanto aspiram que os Açores mude também.

Boa Sorte ao novo líder

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Desiludido com os últimos anos da estratégia do PSD-Açores, amanhã a liderança muda por força de ausência do atual presidente, mas confesso que até ao momento não tenho qualquer preferência pelos candidatos, assisto agora ao último debate no canal de TV Açoriano, provavelmente nem votarei se nenhum me despertar esperança após este último recurso, uma coisa mantenho: não tenho medo de me assumir como um social-democrata num partido que tem este nome e onde parece que esta ideologia é um mal a abater.

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As últimas eleições para a liderança do PSD em Portugal devem tornar-se um caso de estudo de autofagia por terem tido apenas candidatos do tipo cavalos de Tróia, ou seja, destinados a destruir por dentro o partido. O primeiro ao vencer, coloca os candidatos que deram a cara partido antes dele ser líder em tribunal, o segundo ao perder, cria um novo partido para combater a força política que queria liderar.

Este ano há ainda eleições no PSD-Açores, confesso que já estou ansioso por ver se a autofagia é extensiva à Região…

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Eis uma iniciativa do CDS no parlamento regional para contornar a falta de transparência que permita compreender como as empresas do Governo dos Açores contratam pessoas e porque se endividam tanto. Resta saber se o partido que suporta o executivo quer esclarecer mesmo estas dúvidas, é que mesmo sendo potestativa para forçar o inquérito, não é por se criar a comissão que se chega a aprovar uma conclusão final unânime e transparente.

Acredito ainda que em breve quando uma empresa do setor público regional disser que não vai contratar alguém ou não vai abrir um concurso público terá a tentação de dizer que é a oposição que não quer e é esta que está a pressionar a maioria absoluta… para já espero que tenham boa sorte com esta iniciativa, que resulte numa clarificação do que se passa neste setor e os apoiantes desta saibam defender-se dos contra-ataques do poder regional é que este tem um traquejo invejável face à frequente inépcia da oposição.

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Só acompanhei os discursos finais deste congresso e as reportagens dos telejornais da televisão regional, mas para já saliento 2 aspetos: Primeiro, Duarte Freitas quando da sua primeira candidatura a líder do PSD-Açores deixou claro que o seu projeto não ficava refém de uma vitória nas legislativas de 2016, trabalharia para vencer, mas se não conseguisse, tentaria continuar a liderar o partido e amadurecer a sua proposta. Assim, é uma novidade desde 1996 que após uma derrota nas regionais o líder dos sociais-democratas não muda logo a seguir e isto é positivo, até porque se recandidatou com concorrentes alternativos.

Como segunda nota, saliento que, em coerência, no discurso final do congresso, Duarte Freitas não renunciou ao projeto que antes defendeu e perdeu nas urnas, antes pelo contrário, assumiu que iria apostar nas ideias que acreditava, mantê-las em debate e lutar por aquilo que considerava importante para a Autonomia. Amadurecendo-as no sentido de melhorá-las no que poderia ser feito neste sentido.

É bom que um partido, mesmo que na oposição, tenha um projeto que não seja apenas conjuntural para um dado evento eleitoral, mas sim uma ideia enraizada que é para manter, aperfeiçoar e é independente de ondas de curto prazo que caem ao primeiro desaire político. Um sinal que  a estratégia do PSD-Açores passou para um projeto de fundo para os Açores e não um mero manifesto eleitoral passageiro.

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O meu artigo de ontem no diário Incentivo:

ENTRE A ESPADA E A PAREDE

Oito de dezembro é feriado nacional para celebração da festa religiosa da Imaculada Conceição, apesar da tradição católica do Povo luso, esta data tornou-se para a maioria dos Portugueses, Açorianos e Faialenses exclusivamente no Dia das Montras.

Efetivamente, tanto em conversas com colegas, como nos noticiários e ainda da leitura de redes sociais na internet, verifiquei que as conversas daquele dia centravam-se, sobretudo, nas animações de rua e nas vitrinas das lojas comerciais, embora a tempestade da véspera tenha ocupado algum espaço na comunicação das pessoas, contudo, sobre as festas de Nossa Senhora da Conceição que decorreram nesta ilha, em muitas paróquias do Arquipélago e por este País fora, apesar de ser o motivo do feriado, o assunto ficou alheio de quase todos diálogos e reportagens.

Sendo eu Cristão e crescido numa sociedade onde a religião penetrava nos costumes intensamente, não deixo de notar este alheamento das pessoas ao cerne dos eventos que formataram a nossa cultura ocidental, mas é assim mesmo a realidade em que vivemos e respeito.

Já ao nível do Dia das Montras reconheço que o programa levado a cabo em cooperação entre as Câmaras Municipal e do Comércio da Horta foi este ano um sucesso, não só pela adesão dos Faialenses, como pelas opiniões de agrado manifestadas por estes. Não tenho complexo de elogiar uma organização que corre bem, mesmo que em muitos outros aspetos eu seja crítico, é precisamente a justeza das minhas análises que tanto leva a denunciar o que está mal, como também a louvar com igual correção o que correu bem.

Outra notícia promissora que ouvi a seguir ao feriado foi a celebração de um protocolo de cedência do Quartel do Carmo pela Secretaria de Estado da Defesa ao Ministério da Economia, para no âmbito do programa Revive se disponibilizar aquele imponente imóvel a investimentos na área do turismo. Tenho de reconhecer que ainda não está claro se já existe um projeto de aproveitamento do edifício, montantes ou identificação de interessados, mas reconheço que é algo com potencial interesse económico para o Faial e fico aguardar o evoluir da situação, esperando que se concretize.

Infelizmente também não faltaram notícias de movimentações tendentes a criar instabilidades e divisões no Triângulo na estratégia de ataque do grupo SATA e do PS- Açores ao Faial. Esclareço desde já que o anúncio de mais ligações aéreas a qualquer outra ilha desta zona do Arquipélago não cria em mim qualquer frentismo divisionista, nem reduz a força da argumentação da necessidade de se aumentar o número de viagens diretas entre o Faial e Lisboa.

Assim, o Presidente do grupo SATA fica informado que qualquer aumento do número de voos ao Pico é bem-vindo, só não justifica qualquer diminuição das ligações deste lado ocidental do Canal e ele tem de ter consciência que só há uma melhoria global do serviço prestado pela transportadora aérea regional ao Triângulo se um melhoramento numa parte deste não estiver associado à pioria ou redução do serviço noutra ilha desta zona, caso contrário, se um lado sobe à custa do baixar do outro, então o saldo é negativo ou nulo.

Vou ser muito claro: mais voos diretos para o exterior para o Pico, sim senhor! Tem todo o meu apoio, só que nem um voo a menos entre a Horta e Lisboa do que os 14 exigidos por unanimidade na Assembleia Municipal desta ilha.

Agora existe uma realidade social na ilha Azul diferente da que a Administração da SATA e o PS-Açores estavam habituados. Os Faialenses despertaram, abriram os olhos e já não se deixam enganar. Mais, o próprio partido do poder que localmente era subserviente às maldades feitas ao Faial percebeu que já não pode ser conivente com esquemas que prejudiquem esta terra: ou lutam connosco por ela, mesmo com risco de perderem a simpatia dos camaradas de outros círculos mais poderosos, ou são os residentes desta terra que os desalojam e mais, correm até o risco de perder as simpatias nas duas frentes se não alcançarem vitórias irreversíveis para o Faial e a questão da acessibilidade aérea e da operacionalidade do aeroporto são fundamentais para recuperar o tempo perdido que agora não lhes é perdoado se não o compensarem efetivamente.

Assim, os eleitos pelo PS-Faial estão entre a espada dos residentes, que exigem resultados, e a parede dos camaradas de partido, adversários desta ilha, que dizem na RTP-Açores “os Faialenses não têm razão”, mas foram os locais que se meteram nesta encruzilhada, pois, apesar de estarem no poder da ilha, desprezaram os conselhos de quem nunca baixou os braços na defesa desta terra.

Assim, por muitas manobras de diversão e tentativas de divisão vindas de fora, compete ao PS-Faial agora recuperar o essencial e há muito adiado por culpa deles, pois por cá já ninguém anda distraído, apenas desconfiado que possamos estar em manobras eleitoralistas sem frutos antes das eleições e depois foi-se… tática que já não pega nos Faialenses. Bom Natal a todos os leitores!

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Não costumo pronunciar-me em público sobre grandes estratégias políticas que o PSD-Açores deve seguir, tenho acessos aos órgãos próprios deste no Faial para aí dizer o que penso se o desejar fazer. Por aqui limito-me mais a comentários de decisões concretas de governantes do que ao rumo desta força política e não é segredo que nela milito.

Mas a divulgação ontem de um livro do grupo consultivo de independentes desta estrutura regional, no qual está, seguramente entre outras coisas, a opinião de que o PSD-Açores deve voltar à sua matriz social-democrata, tendo em conta o nome do partido, tal só não parece um contrassenso por ser pública a realidade do liberalismo económico trilhada por este partido nos últimos anos a partir de Lisboa, ideia que se alastrou por toda as estruturas desta força política e inclusive atingiu as mais autónomas do poder central como o PSD-Açores.

Assumo que não rejeitei a experiência liberal proposta internamente por Passos Coelho, também assumo que sou de opinião que aproveitar  certas medidas liberais no mundo atual globalizado, num País sem moeda própria como Portugal e super-endividado, é, em grande parte, uma necessidade e daí a minha abertura parcial a tais ideias. Agora excluir a matriz social-democrata do partido foi algo que nunca pensei experimentar e, embora esta não tenha desaparecido de todo, foi excessivamente enfraquecida e o PSD-Açores no seu discurso não tem sido imune a isso.

Uma das razões porque agora surge tal proposta à partida ilógica tem a ver com o facto que o PSD-Açores desde que viu o PSD em Lisboa chegar ao Governo na sequência da crise de 2011 não soube encontrar o equilíbrio entre defender medidas necessárias para Portugal sair da bancarrota, a sua raiz ideológica e, sobretudo, a sua razão de existir: ser uma força política regional onde o Arquipélago dos Açores é a sua razão de existir como estrutura autónoma.

Apesar da maioria dos Açorianos hoje parecer esquecida, na realidade o PSD-Açores foi quem de facto instituiu a Região Autónoma dos Açores, praticamente contra todas as restantes forças políticas no País e na Região, que tendencialmente eram contra a autonomia, defendendo umas uma centralização e outras uma independência.

Espero com este livro e com a situação que se está a passar no Continente a direção do PSD-Açores saiba encontrar-se com os genes da origem desta estrutura partidária: a defesa dos Açores em Social Democracia.

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