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Posts Tagged ‘epidemias’

A atual epidemia de sarampo e a morte de uma jovem de 17 anos têm levado a posições extremadas e a comunicação social tem culpas ao dar notícias sem a devida prudência. Primeiro deu que a mãe da falecida era anti-vacinas que a deixou aos olhos de muitos como culpada do falecimento, agora sabe-se que em criança a vítima tivera um choque anafilático com uma vacina que justifica os receios parentais.

Entretanto surgiu uma petição a defender a vacinação obrigatória, como se não houvesse crianças cuja saúde desaconselha a que sejam expostas a este método preventivo de doenças infetocontagiosas.

É o bom-senso que nestes casos deve prevalecer. Nem ir na onda de movimentos populares que tendem a lutar contra tudo o que de bom a ciência tem oferecido à humanidade, vendendo uma ideia de que a natureza é sempre melhor do que o trabalho sério que resulta da inteligência do homem e por vezes veiculando mitos urbanos e falsas notícias assustadoras. Nem devemos partir no sentido contrário de impor como bom tudo o que resulta da investigação, nem livre das influências e de interesses de económicos que valorizam benefícios ou amortecem outros cuidados tradicionais eficazes.

Recorde-se que os judeus escaparam fortemente à peste negra que avassalou a Europa na Idade Média apenas porque tinham regras de higiene muito rígidas de origem religiosa que foram suficientes para enfrentar melhor o problema de saúde pública de então que a restante população.

Em matéria de saúde as leis necessitam de bom-senso e este raramente vem com posições a quente, e aquele é preciso para se tomarem as decisões adequadas nesta matéria.

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Apesar das autoridades de saúde dos países desenvolvidos por norma falarem que tudo está sob controlo e foram implementadas as medidas adequadas, era previsível que pela dimensão da epidemia de ébola em África e a circulação das pessoas neste mundo global, que mais cedo ou tarde começassem a surgir casos noutros continentes.

Assim, a desmentir publicamente a eficácia das normas de segurança, o liberiano Duncan lá conseguiu atravessar o Atlântico e desenvolver a doença nos Estados Unidos, depois de ter estar em contacto com centenas de pessoas, enquanto em Espanha o protocolo do pessoal de saúde não foi suficiente para evitar o contágio de uma enfermeira que circulou livremente uns dias de férias entre o contágio e aparecimento dos sintomas.

Tanto um caso como o outro são preocupantes por não só mostrarem os falhanços das autoridades em termos de circunscrever a doença, mas também por ter havido circulação livre de doentes com pessoas que podem ter sido contaminadas e já terem passado o vírus a terceiros.

E agora?

Será que o mundo rico vai olhar para a doença com olhos diferentes e começar a pensar que os problemas de África também devem ser problemas da humanidade?

Esta não é uma guerra biológica, nem uma ficção do tipo “O ano do dilúvio” de Margareth Atwood, mas as consequências podem mesmo ser graves, pois pode ser a ponta de um iceberg de contaminações cujo o controlo será mesmo difícil uma peste negra no século XXI.

Quando fiz este artigo, já suspeitava que a Europa estava a ser negligente como hoje surgem as denúncias, afinal o ébola era um problema tão distante para um continente tão habituado a pisar os povos não europeus e pobres.

 

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ESTE MUNDO ESTÁ MESMO MUITO PERIGOSO

Sempre me lembro de os noticiários regionais, nacionais ou internacionais se sentirem atraídos por divulgar coisas negativas: escândalos sociais, ameaças económicas, crimes, atentados, guerras, catástrofes e epidemias, dando a imagem de quão frágil e perigoso é este mundo em que vivemos.

Lembro-me de alguém uma vez me dizer que se um grupo organizar uma excursão ou uma festa e tudo correr bem logo o assunto cai no esquecimento, mas se correr mal e houver sangue, então é divulgado por toda a comunicação social. Somos uma sociedade que divulga o desastre, mesmo que não nos preparemos para o enfrentar, mas que vive para as coisas agradáveis, quer estar sempre mergulhada em folguedos e foge das responsabilidades difíceis que nos protegeriam dos “azares”.

Até à queda do muro de Berlim o mundo vivia a ameaça permanente de uma guerra entre os regimes comunistas e as democracias ocidentais, então as guerras civis em África, América Latina e Ásia eram quase todas fruto da manipulação das duas grandes superpotências: USA e URSS; mas parecia estar-se num sistema controlado e esperava-se que um mundo não desembocasse num confronto generalizado global e não aconteceu de facto.

A partir da queda do União Soviética o mundo respirou de alívio da ameaça da guerra nuclear global. O ocidente encheu-se de esperança no futuro e sonhou com crescimento económico sem fim e continuou a ver a guerras locais como instabilidades limitadas a espaços regionais e controláveis.

Assim, enquanto a economia se globalizava e a democracia se se expandia, o mundo deixou de estar atento aos muitos perigos que se insinuavam aqui e ali e só quando se deu o 11 de setembro de 2001, que esta semana faz 13 anos, acordou para a existência de novas ameaças globais.

Os Estados mais fortes do ocidente pensaram então que bastava umas invasões cirúrgicas em zonas estratégicas, retirar certos ditadores amigos de terroristas ou mais afoitos contra a USA e substitui-los por governos amigos das economias da Europa e da América e apagar dos noticiários as atrocidades contra os cristãos em África e tudo voltaria à normalidade da paz podre, injusta, mas controlável. Infelizmente a evolução da situação mundial não tem sido a esperada.

De um lado a Rússia capitalista, mas com uma democracia musculada centralizada e personalizada, manteve-se como um País expansionista e mostrou que continua a querer impor também a sua vontade. Então, tal como a Alemanha fez antes da II Guerra Mundial, agora com a justificação do cerco da NATO, começou a criar protetorados fantoches à sua volta que o ocidente engoliu, depois anexou partes de Estados vizinhos e por fim ameaça invadir um País: a Ucrânia.

Do lado do médio oriente descobriu-se que aqueles que se diziam amigos afinal não eram mais que lobos disfarçados e, após terem sido ajudados pelo ocidente na Síria, eis que criaram o Estado Islâmico e começaram a ameaçar tudo o que não obedecesse ao seu fanatismo e até insistem estender o seu califado de Lisboa, passando por Madrid, Belgrado, Atenas e indo até à China, sem esquecer toda a metade norte de África. Só não percebi por que deixam de fora toda a Itália.

Enquanto isto, o vírus ébola que parecia só ameaçar os povos pobres em África e como tal nunca mereceu a devida atenção da medicina dos países desenvolvidos, agora começou a alastrar-se como nunca e a ameaçar atingir Europeus e Americanos e presentemente é um acelerar de investigações e testes para ver se a epidemia não se transforma numa peste negra do século XXI, só que a incerteza se ainda se vai a tempo paira no ar.

Infelizmente, hoje parece que os maiores acontecimentos que ameaçam o mundo estão desregulados e arriscam-se a desembocar num descontrolo e global, muito ao gosto dos noticiários, mas já há muitos anos que o mundo não se encontrava numa situação tão perigosa como a que se depara agora no final do verão de 2014 e que nos pode em breve fazer esquecer as ameaças do fim das cotas leiteiras e da troika ou das sequelas do BPN, do Grupo Espírito Santo ou do caso Face Oculta.

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A verdade é que o ébola não parece tão contagioso quanto outras doenças epidémicas em África, nem matou ainda tanta gente quanto a fome mata no continente mais pobre do planeta.

O problema é que o ocidente ainda não sabe bem como se defender se esta doença entrar de facto na Europa e na América do Norte e isto pode causar mortes nestes continentes e danos políticos e económicos nos países ricos.

Infelizmente, se efetivamente é necessário estar preparado e lutar contra esta epidemia na origem, não é menos importante olhar para África com outros olhos para tirar este continente da miséria, acabar com a fome e outros males, mas neste momento o alerta da OMS e a cobertura dos OCS sobre o tema soam mais a preocupações de defesa egoísta do hemisfério norte do que a uma doação desinteressada e altruísta aos africanos.

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