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Foto: Twitter/@danielemargutti

Passaram na comunicação social muitas imagens do contraste da situação anterior e depois do sismo das zonas afetadas pelo tremor de terra de ontem, mas a primeira coisa que noto é, na generalidade, as fachadas dos prédios antes estavam bem pintadas, enquanto depois nas ruínas não se veem sinais de se terem feito reforços estrututurais das paredes dessas habitações. Uma evidência de que a estratégia de restauração deste património habitacional foi errada.

Numa zona sujeita a sismos, a prioridade na restauração deve ser a de introduzir reforços estruturais nas casas para estas resistirem melhor aos abalos, só depois vêm as fachadas para turista e vizinho ver.

Todavia, parece-me que nesta região da Itália, tal como presentemente nalgumas ilhas dos Açores, opta-se pelo mais fácil: pintam-se as fachadas e estas moradias ficam a parecer novas… até há apoios autárquicos para tinta sem se exigir antes o reforço das paredes e isto é um erro político que pode custar a vida de muitas pessoas, pois basta um pequeno sismo (é preciso lembrar que foi um pequeno tremor de terra que afetou uma zona de vilas antigas) uma vez que a tinta da casa não ajuda nada a resistir a um abalo, e o imóvel desmorona-se como um castelo de areia e soterra quem estiver no seu interior.

Penso que muito dos apoios em Lisboa do plano de restauração dos bairros históricos também é do mesmo género: fachada!

Eis uma estratégia que deixa os seus moradores residirem em armadilhas que podem ser mortais ao primeiro abano e na verdade, infelizmente, conheço mais gente a requerer tinta para fachada do que a pedir apoio para reforçar a sua casa para esta deixar de ser uma armadilha mortal…

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Foto das Ruínas da Roma Imperial

Uma revisita a Roma, esta cidade fascinante no trajeto de regresso, talvez a cidade com maior riqueza patrimonial de valor artístico do planeta, falei de Roma quando da anterior visita em 2009 aqui e aqui. Desta vez não penso passar grande tempo em museus e templos, apenas se possível saborear e observar a vida em Roma, pode ser que me surpreenda agora de um modo diferente, o que uma exploração muito programada não permitia.

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Imagem da Wikipédia – Serapi em Pozzuoli

Hoje é o dia de visita a Pozzuoli, uma antiga cidade à beira-mar anterior ao Império Romano a oeste de Nápoles, com muitos edifícios da antiguidade, mas que se situa dentro de uma caldeira vulcânica costeira e parcialmente submarina de um grande vulcão: Campi Flegrei ou Campos Flegreanos.

Tal como acontece em muitos edifícios de vulcões ativos, estes tem a particularidade de ao longo do tempo se deformarem, havendo zonas que ora sobem ou descem, cone vulcânico como que “incha” ou “encolhe”, inflação ou deflação, em função de movimentos do magma sobem ou descem dentro do edifício. Ora como esta caldeira se situa na costa parte dos edifícios costeiros e o porto ficam expostos a serem ora galgados ora a assistirem ao recuo das águas, transgressão e regressão, assim com o decurso dos anos, as ruínas romanas da foto que foram construídas em terra, já estiveram parcialmente submersas e agora estão emersas e bem acima da água, mas com sinais de erosão marinha, tal como já ocorreram portos que ficaram acima ou submersos pelo mar.

Em torno desta cidade existem ilhas resultantes de cones vulcânicos dentro da caldeira mas dentro do mar, bem como zonas dispersas com fumarolas, a mais conhecida é Solfatara, algo do género do que se observa nas Furnas em São Miguel e onde também se fazem cozidos enterrados no solo.

Pozzuoli é rica em piroclastos vulcânicos com grande percentagem de sílica, composição química que os romanos descobriram servir para produzir uma argamassa útil à construção civil: cimento (concreto no Brasil). Esta matéria-prima tem agora o nome de pozolana devido ao nome desta cidade, e muita da grandeza arquitetónica do Império Romano resulta desta descoberta, sendo o Panteão Romano o exemplo máximo da antiguidade do engenho do homem na construção de um grande monumento com cimento.

O mesmo observatório que acompanha a atividade do Vesúvio também monitoriza o vulcão de Campi Flegrei e sem dúvida esta é uma cidade muito exposta aos riscos vulcânicos e uma erupção deste pode igualmente afetar significativamente Nápoles, embora pelo impacte paisagístico do Vesúvio popularmente poucos de lembram que os Campos Flegreanos constituem um dos complexos vulcânicos mais perigosos da Terra.

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Pompeia arqueológica – Imagem Wikipédia

Hoje é o dia que dediquei à visita da cidade de Pompeia que a erupção do Vesúvio no ano de 79 DC soterrou  completamente e está hoje a ser exposta através de escavações arquelógicas que mostram aos visitantes a dimensão, a riqueza e o estilo de vida desta povoação de luxo, onde muitos romanos ricos vinham então passar períodos de repouso tal como hoje o fazem em muitas estâncias de férias.

Desta erupção resultou um texto com uma descrição de grande pormenor feita por um observador atento: o filósofo Plínio o jovem; Plínio o Velho, seu tio, foi então uma das vítimas do Vesúvio, o que permitiu aos geólogos saberem com grande pormenor o evoluir dos acontecimentos  e caracterizar o estilo eruptivo com um nome em honra deste sábio: Atividade Eruptiva do Tipo Pliniano, uma das mais perigosas pelas explosões que tem associadas e projeção de piroclastos quer sob a forma de queda de pedra-pomes ou de cinzas, quer sob a forma de escoadas piroclásticas de grande velocidade dos mesmos materiais capazes de soterrar vastas zonas, em Pompeia muitas das vítimas vaporizaram-se pelo calor, mas deixaram os moldes na cinza vulcânica e são hoje um dos elementos observáveis na estação arqueológica que é Património da Humanidade

Recordo que no Faial a formação da Caldeira resultou de uma erupção do tipo Pliniano que descrevi neste post do meu blogue Geocrusoe quando este se dedicava em grande parte da à temática da Geologia.

Para esta cidade em concreto, fica abaixo um link de um filme para as suas últimas 24h e dá para perceber não só a erupção que num dia destruiu Pompeia, como compreender o facto de a mesma ter ficado perdida até ao século XVIII, quando ocasionalmente foi redescoberta. Veja no Youtube aqui

Espero ter possibilidade de ainda postar fotografias do que observei no terreno nestas férias em Pompeia.

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Napoli

Náspoles com o Vesúvio ao fundo – Imagem Wikipédia

Por uns dias Mente Livre estará sem acompanhar as questões que normalmente reflito neste blogue, pois ando em férias e escolhi novamente a Itália, desta vez uma visita ao sul de Itália: Nápoles, a cidade à sombra do vulcão Vesúvio, capital de reino durante séculos, com um património histórico rico e famosa pelo seu ar latino, bairros populares de aspeto decadente e baía aberta ao Mediterrâneo.

Todavia, desta vez  a escolha privilegiou o património natural dos vulcões e dos seus perigos: Vesúvio que ameaça Nápoles e sobretudo pretendo visitar Pompeia, a cidade soterrada por uma erupção no ano 79 DC e hoje um local arqueológico de excelência e Património da Humanidade da Unesco; a cidade de Pozzuoli, situada dentro de uma cratera do supervulcão ativo Campi Flegrei e o conjunto de fumarolas de Solfatara pertença deste mesmo complexo vulcânico.

Se as condições o permitirem uma viagem pela costa Amalfitana da província de Salerno, debruçada sobre o mar Tirreno e também património da humanidade.

À medida que tiver tempo e internet disponível, espero atualizar os posts agendados sobre estes locais.

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Meu artigo da passada terçar-feira no diário Incentivo:

ADVENTO: À ESPERA DO NATAL… OU DO INVERNO?

Estamos no Advento, o tempo que no calendário litúrgico dos cristãos estes se devem preparar para o Natal, ou seja, a festa do nascimento do Menino Jesus.

Não conheço nenhuma outra festa religiosa de qualquer crença que tenha uma projeção global tão forte para fora do mundo dos crentes como o Natal. Isto é mais fruto do laicismo consumista ocidental do que da evangelização cristã: a comprovar isto, certos canais de televisão já prognosticam que o próximo Natal será melhor que o do ano passado, pois medem a qualidade deste, não pelo amor que esta época destila, mas sim pelo volume que se perspetiva em compras.

Assim, enquanto por esse mundo fora, mesmo não cristão, o Natal está em pujança, desde que sejam países onde os cidadãos possam expressar e praticar livremente a sua religião ou o seu ateísmo, eis que no País sede do catolicismo, a Itália, o diretor de uma escola optou por abolir os festejos de Natal no seu estabelecimento e substituí-los por uma festa de Inverno a realizar em janeiro e decidiu ainda rejeitar a proposta de pais para que as crianças do coro aprendessem cânticos de Natal: rejeições em nome da integração das minorias muçulmanas que frequentam aquele local de ensino.

Confesso que quando li esta notícia, pouco divulgada pelos órgãos de comunicação social em Portugal, fiquei estupefacto!

Mesmo sem estar de acordo com a proibição de símbolos religiosos por essa Europa fora, sobretudo cristãos, em muitos espaços públicos, eu até compreendo tal restrição ao abrigo da tão propalada laicidade do Estado. Agora que a tradição do Natal, assimilada pela sociedade laica, defendida pela economia organizada e apoiada por entidades oficiais com incentivos ao consumismo, pudesse ser proibida numa escola pública, é de um extremismo tal contra as religiões maioritárias na Europa que só conduz a novos extremismos e radicalismos religiosos de europeus e merece denúncia em qualquer canto deste continente onde se quer viver livremente no nosso espaço civilizacional.

Infelizmente, no pensar daquele diretor escolar de Rozzano a integração dos imigrantes com crenças e hábitos diferentes dos da maioria dos habitantes da cidade faz-se despojando os locais das suas tradições e referências religiosas no povo que os acolhe e ingenuamente acredita que violentando os usos da terra cria um mundo que se abre a acolher melhor os imigrantes.

Estou mesmo a ver que a felicidade da maioria das crianças daquela escola depende agora de não poderem trocar no espaço educacional entre os seus amigos as tradicionais prendas de Natal: só prendas de inverno! Passarem a enfeitar árvores de inverno e esperar pelo pai inverno. Ridículo!

Estou mesmo a acreditar que com esta mudança forçada os filhos dos cristãos vão amar mais os muçulmanos por em nome deles não poderem expressar livremente na sua terra a sua fé e tradições que tenham algum cunho religioso diferente da do povo acolhido.

Pessoas iguais a este diretor não são menos culpadas que os radicais islâmicos para o crescimento de forças políticas nacionalistas que defendem extremadamente a sua cultura, rejeitam acolher refugiados muçulmanos e são contra a construção na Europa de templos não cristãos para os imigrantes vindos de outras partes do mundo. Na verdade não são os imigrantes honestos que nos violentam, são pessoas como este diretor, pois o abuso do politicamente correto violenta a liberdade.

Infelizmente, os crentes das religiões do mundo que pregam o Amor também praticam o ódio quando sentem que os seus valores maís íntimos, como a sua fé, são espezinhados em nome de um laicismo militante ou de uma integração que não sabe fazer coabitar a diferença de cultos sem ostracizar uma delas, tanto maioritária como minoritária ou as tradições de uma terra.

Não tenho complexo de assumir que sou Cristão e sinto-me feliz por o poder dizer em público, no meu local de trabalho ou de convívio, mesmo sabendo que entre os meus colegas e amigos há gente que assume crenças ou descrenças diferentes e, felizmente, eles também se podem reunir, conviver e afirmar os seus valores sem me violentar. É isto a integração social multicultural.

Nesta quadra desejo a todos os leitores do Incentivo votos de um Bom Natal… mas, se preferirem, aceito votos de um Bom Inverno, desde que mo digam em liberdade e por direito de opção, algo que os estudantes daquela escola não têm e para quem vai este grito de liberdade.

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Imagem Wikipédia

Florença foi uma das cidades que mais cedo desejei visitar, contudo, talvez tenha levado mais de uma década entre a decisão e a programação da visita, mas depois de ter passado rapidamente por Veneza, reconheci que não poderia passar mais tempo para comparar aquelas que artisticamente e arquitetonicamente devem ser as duas cidades mais marcantes da Itália.

Espero neste berço do renascimento e património mundial, não só conhecer a arquitetura como arte, como os grandes Giotto, Boticelli, da Vinci, Michelangelo Buonarroti e Caravaggio e outros artistas que viram projetada a sua luz genial através da família Medici na terra do grande Dante cuja obra-prima, “A divina comédia” já li e de Maquiavel que tantos políticos tem influenciado também no mau sentido. Sendo esta a capital da Toscânia, à qual cheguei de comboio para conhecer a paisagem entre a Lombardia e esta cidade, e estando numa das províncias mais cosmopolitas deste país, penso ainda visitar, pelo menos duas das cidades com património conhecido mundialmente e ainda na minha rota operática ter mais um grande momento musical, agora com um obra suis generis e como se vai curiosamente tornando hábito, na Itália não ouço óperas italianas.

Espero assim ao longo desta semana colher impressões suficientes sobre a vida atual, a gastronomia e o estado da arte da cidade de Florença e da província da Toscânia. Entretanto deverei fazer uma pausa no debate das questões locais, regionais ou nacionais… para acompanhar o programa e impressões das férias visitem o meu blogue, de cultura, lazer e geologia, Geocrusoe.

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Portugal e as suas instituições podem ter muitos defeitos, mas não são diferentes do que se passa no resto do mundo.

Em Portugal, quando há um candidato no poder suspeito de corrupção ou mesmo com um processo de acusação a decorrer na justiça ou em torno da sua equipa, por norma isso não o faz perder eleições. Na Itália situações destas têm sido primeira página de todos os grandes jornais mundiais

No Brasil e Espanha passou a ser norma que a partir do número dois de uma equipa no poder haver um conjunto de elementos acusados de corrupção, mas ressalva-se sempre que o número um está inocente, não sabe de nada e até a seguir ganha eleições.

Na FIFA, foi meia equipa da direção acusada de corrupção, usou-se a técnica brasileira e espanhola de que o número um é de uma pureza tal que a corrupção circundou-o mas não lhe tocou. Até Putin deu um ar da sua graça a falar em defesa de Blatter e assim reforçar a inocência do Presidente da instituição. Deste modo não admira que Blatter seja a seguir reeleito.

Efetivamente, tanto na política, como no futebol, como em muitas outras instituições nada melhor que umas eleições para o eleitorado validar a corrupção… e depois ainda dizem mal dos eleitos e tentam sujar os que nada de suspeito existe contra eles usando o argumento de que são todos iguais…

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Lembram-se da bela estudante Adriana Xavier que abraçou um polícia numa manifestação contra a austeridade e a TSU em setembro de 2012 junto às instalações do FMI? Pois foi um sucesso nacional e internacional.

Talvez a pensar no mesmo sucesso, agora uma estudante italiana foi um pouco mais longe e beijou a máscara de um polícia em Turim…. só que ou por ter ido longe de mais… ou por que essa coisa dos italianos serem um povo muito romântico é chão que já deu uvas e virou a mentira… ou porque os Portugueses são mesmo muito mais românticos, a verdade é que a menina italiana foi acusada de abuso sexual.

Apesar das dificuldades, quanto não vale vivermos neste belo Portugal!?….

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Pela visita deduzi que os aspetos mais imponentes de Milão serão: o Duomo ou a catedral; o fresco da última ceia de da Vinci; a moda e o comércio de marcas de luxo; e a importância cultural do alla Scala, sobretudo no domínio da ópera.

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Genericamente Milão é uma cidade mais elegante, cosmopolita e exibicionista de luxo do que uma metrópole monumental ou com grande valor patrimonial nos seus edifícios. Infelizmente, pululam mendigos nas suas zonas mais imponentes e de exposição das grandes marcas para as pessoas mais ricas do planeta, montras e ruas que sem despudor mostram carros, jóias e peças de vestuário e acessórios ostensivos perante os sinais de miséria com que nos cruzamos nos passeios por onde se circula.

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O Duomo, pela sua qualidade estética e impacte arquitetónico, destaca-se na cidade, pelas suas fachadas de calcário claro de estilo gótico e neoclássico e onde se encontram numerosas esculturas e rendilhados de santos, gárgulas e agulhas que conferem um riqueza que merece ser apreciada.

No resto da cidade  não abundam grandes monumentos de beleza significativa, embora se encontrem dispersos imóveis antigos, como a basílica de Santo Ambrósio na sua traça medieval, o castelo Sforza da grande família do poder em Milão durante o renascimento e algumas relíquias do império romano.

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Não parecem existir bairros históricos antigos em Milão, provavelmente foram demolidos em planos de urbanização do século XIX, época em que se terão construído as largas vias marginadas por imóveis elegantes de estilos barroco e romântico que irradiam e circulam a catedral no centro da cidade, resistiram alguns arruamentos entre estes eixos viários na sua maioria pintados de cores ocres a castanhos e bem arranjados.

Uma cidade cosmopolita onde se come bem, cara, culta, orgulhosa da sua pujança económica que atrai para compras muitos ricos de vários países, mas que apagou aspetos humildes das suas gentes e mantém pobres a viver nas suas ruas, alguns vindos do estrangeiro… gostei da parte cultural, mas o contraste não me esqueço facilmente.

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