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Posts Tagged ‘ideologias’

Hoje, nos diretos na SIC-notícias, de um entrevistados lesado do Banif deduzia-se que um dos argumentos que os gestores de conta utilizaram para alguns clientes adquirirem certos produtos propostos pelo Banif foi o da segurança do banco, pois então o banco era um público na sequência da intervenção do Governo. Confesso, que me senti representado por esse lesado, pois a mesma ideia também foi passada a mim há poucos anos.

Sim, eu sei que o Banif intervencionado tinha ações privadas, mas o grande acionista poderoso de então era o Estado e foi uma decisão do Governo que prejudicou muitos dos que se sentiram confortados por então o seu banco ter capitais públicos e foi o atual Primeiro-ministro que deliberou entregar ao desbarato aquele que era a maior instituição financeira nas Regiões Autónomas a uma entidade espanhola em prejuízo de muitos Portugueses.

A Caixa foi outro banco público cujo estatuto a justiça está a investigar com a suspeita de ter sido uma peça ao serviço da corrupção e não dos Portugueses, mesmo assim, na guerrilha ideológica até parece que um setor público público é um garante de defesa dos direitos dos cidadãos… uma falácia sem dúvida, nem privado, nem público, garantem a defesa dos mais fracos na sociedade, sobretudo quando os interesses dos mais fortes estão em jogo.

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mudartudo

Tudo pode mudar – capitalismo vs. clima” é um livro de uma jornalista canadiana, Naomi Klein, no qual se considera que as alterações climáticas  resultantes das emissões dos gases estufa tanto podem resultar numa catástrofe global de dimensões apocalíticas ou a ameaça ser de tal forma agregadora da humanidade que permita mudar o estilo de sociedade capitalista atual para um novo modelo em equilíbrio com a natureza e mais justo.

Apesar de o cerne do livro ser mesmo a preocupação climática da jornalista, é em paralelo um manifesto agressivo anticapitalista e um apelo de mobilização global contra a extração do hidrocarbonetos, sobretudo, pelo métodos mais extremos que a tecnologia moderna permite e muito mais impactantes, os quais ainda por cima têm efeitos retardadores na adoção de soluções alternativas não poluentes, ampliando assim os efeitos catastróficos da exploração predominante atual.

Na minha opinião a mistura ideológica de radical de esquerda com a preocupação ambiental envenena a mensagem e divide as pessoas em bons contra maus de direita e conservadores, onde praticamente não há meio termo e nestes últimos não haja bom-senso ou preocupações com a justiça ou o ambiente.

Deduzo do livro que além das multinacionais do petróleo negarem as alterações climáticas, todos os céticos e negacionistas estão ao serviço destas e do capitalismo, enquanto os movimentos de protesto de extrema-esquerda e os governos do Equador, Venezuela e afins, bem como o Syriza são bons exemplos sem defeitos ou erros. Apesar de alguns casos de intervenção social relatados me parecerem não ter nada de ideologia política e aqui surgirem colados ao campo da jornalista pelo estilo da narrativa.

Numa coisa estou plenamente de acordo com esta ornalista: o modelo económico extrativista/capitalista, como ela lhe chama, bem como o discurso consumista ou neoliberal me parecem insustentáveis ambientalmente e tanto por alteração climática ou outros desequilíbrios pode desembocar numa catástrofe se a civilização global não mudar para um modelo mais humanamente justo e em equilíbrio com a natureza e esta mudança tem muitos inimigos que envenenam a discussão.

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Levou anos a convencer os EUA a aceitar medidas para reduzir as emissões de CO2, dado os custos que tal comportava para a sua economia, com Obama o país cedeu, mas Trump protestou e prometeu anular o compromisso por considerar as alterações climáticas uma farsa antiamericana. Agora eleito o mundo corre o risco de marcha atrás neste processo.

Trump ganhou precisamente quando começou a entrar em vigor o acordo de Paris, quando decorre a cimeira de 2016 para as alterações climáticas em Marraquexe e quando determinadas vozes, nomeadamente a do livro “Tudo pode mudar” que estou a ler, dizem que já estamos demasiado atrasados neste processo e o esforço dos países desenvolvidos tem agora de redobrar face ao já acordado.

Se existem aspetos que talvez Trump tenha exagerado no populismo e não venha a concretizar com a intensidade dos seus discursos, a descrença nas alterações climáticas parece-me ser uma convicção do próprio presidente americano agora eleito e o lóbi em defesa dos combustíveis fósseis para desacreditar a associação entre a concentração de CO2 e alterações climáticas, não só tem muito dinheiro para defender a sua causa, como passou a ter um grande aliado na Casa Branca convicto. Esta conjunção, aliada ainda à maioria republicana nas duas câmaras legislativas, fará que este seja um dos aspetos em que o novo líder da América dificilmente recuará e a ser verdade os maiores receios de cientistas e ambientalistas de que se está de facto já a entrar numa situação catastrófica, então as eleições americanas com Trump foram uma machadada final para o problema das emissões chegar a bom porto antes que ocorra um grande desastre global de dimensões incalculáveis.

Resta esperar que sejam os cientistas que estejam a ser exagerados nas suas previsões catastrofistas, caso contrário, ironicamente será um Presidente Americano, populista de direita, a acabar com o capitalismo  que foi a bandeira do modelo e poderia económico, político e militar da América, só que será um fim por uma razão bem diferente da guerrilha ideológica esquerda-direita e o mundo terá então de seguir um rumo radicalmente diferente dos dois grandes projetos económicos opostos que marcaram o século XX, sendo forçado a criar um modelo novo e típico do século XXI.

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Praticamente está reconhecido que António Guterres será o próximo Secretário-Geral da ONU, eu, desde janeiro passado, assumi neste blogue o meu gosto e apoio pessoal para que este Português conseguisse este lugar cimeiro na diplomacia mundial, e não havendo nenhuma surpresa de última hora fico feliz por isso. Sou daqueles que considera esta eventual vitória mais um sucesso individual do que nacional, pois este papel não é de desempenho de um cargo de representação de Portugal, mas sim de desempenho individual isento na busca de equilíbrios para se alcançar acordos e a paz entre os Estados e Povos da Terra.

Uma nota, não conheço nenhum dos outros candidatos e como tal não posso dizer que ganha o melhor, mas apenas que tudo aponta para que vá ganhar uma pessoa que considero um grande diplomata, honesto e bom carácter, não um bom executivo, mas o lugar para que concorreu é diplomático e, como tal, a função assenta-lhe perfeitamente.

Por fim, sempre tenho sido contra cotas e outras situações onde o género, a geografia, a raça, a religião ou a orientação individual são argumentos para se eleger alguém a  um cargo político e este processo eleitoral mostrou bem quanto estes aspetos podem de facto dificultar ou sobrepor-se à a nomeação de uma pessoa bem adequada para o lugar e levar à seleção de indivíduos por características que nada tem a ver com a habilitação do candidato em si.

Para já votos de Boa Sorte a António Guterres no desempenho das suas funções.

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O limite onde acaba o direito reivindicativo de um grupo particular de trabalhadores exercido através de uma greve face à defesa e protecção dos direitos coletivos de um Povo ou dos interesses estratégicos de um Estado é uma transição difícil de definir e a greve dos estivadores no porto de Lisboa parece estar a testar esta fronteira.

É verdade que através da luta pela greve muitos direitos dos trabalhadores foram alcançados justamente e muito do bem-estar social destes só subiu após árduas lutas, não sendo eu um defensor da ideologia da luta de classes, também não sou um ingénuo que aceite impavidamente a sujeição dos operários aos interesses e ganância dos detentor de grande capital ou dos administradores destes ou das multinacionais, há necessidade de um braço de ferro entre o poder administrativo e do capital e o poder do trabalho dependente.

Agora este braço de ferro também não é imune a jogos políticos, sabemos quanto os mineiros no Reino Unido tentaram vergar a Primeiro-ministra Tatcher de direita e a admiração a esta no eleitorado britânico cresceu, sobretudo, por esta não ter cedido e ter vergado os grevistas quando todo um País se sentia refém dos fornecedores de carvão. Mas, também é verdade que a greve dos camionistas que esteve por detrás da crise económica do Presidente Allende de esquerda serviu de mote ao golpe de Estado que instalou a ditadura no Chile.

Sim, há grupos laborais que podem colocar todo um Estado ou um País refém das suas reivindicações: transportes, energia e saúde são áreas que frequentemente podem levar a isso e, apesar de muitos falarem de igualdade, não é raro que trabalhadores nestes setores alcancem regalias bem acima da média da população que até os suporta com os seus impostos, mesmo vindo muitas vezes de pessoas mais pobres.

Não sei como irá acabar o caso da greve no porto de Lisboa, mas um Governo que deixa a estratégia económica de um País ou de alguma das suas Regiões, autónomas ou não, ficar refém de um grupo, seguramente não é um Governo forte e de confiança.

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Lembro-me das várias vezes que o governo de Passos Coelho foi acusado pela esquerda de estar obcecado com a banca, de tentar levar que as dívidas privadas dos bancos fossem pagas pelo erário público ou seja pelas pessoas inocentes. Curiosamente, António Costa, depois da subserviência a Bruxelas no caso Banif, nos últimos tempos o seu discurso é uma obsessão com o crédito malparado da banca.

A ideia de banco mau para o resolver o problema dos bancos nacionais, mais tarde, de uma forma ou outra, refletir-se-á nas pessoas inocentes. A principal diferença em relação ao tempo de Passos é que agora muita da esquerda vê esta obsessão de uma forma expectante, dando o benefício da dúvida e silenciando a sua habitual crítica a esta possibilidade, um comportamento diferente do que fazia no passado, onde não havia qualquer tolerância.

Apesar da assinatura do acordo com Tsipras, António Costa está a parecer-me cada vez mais um catavento, onde de manhã é um esquerdista radical, à tarde de direita e à noite procura conciliar tudo e o seu contrário para calar as críticas… calmamente o Presidente da República limita-se com um discurso redondo a dizer que quer ajudar para que tudo corra bem, independentemente das incoerências que abençoa, mas a o rótulo de catavento neste já era antigo.

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O meu artigo de ontem no diário Incentivo, feito ainda antes do escândalo Panama Papers:

ÉTICA, IDEOLOGIA E INTERESSE NACIONAL

Os princípios que orientam a nossa vida individual têm de ficar acima dos interesses pessoais, ideológicos ou nacionalistas e as reações ao seu desrespeito não se podem moldar quando afetam pessoas amigas, da família política ou alguém que pode retaliar. Só assim os princípios éticos se tornam coerentes com a prática.

Uma das razões porque a política se tem vindo a degradar é pela falta de coragem em se ser coerente com a ética que se diz defender. Tem-se caído no facilitismo de mudar de posição em função dos interesses em jogo no momento da decisão. É difícil não defender a conduta de um amigo, de um companheiro de partido ou de alguém ou grupo que tem ascendência de carreira ou financeira sobre nós ou o nosso povo, mas uma coisa é ser-se solidário por amizade, outra é apoiar o errado devido a essa amizade ou interesse. Uma coisa é defender o nosso País, outra é não criticar a prepotência de um Estado estrangeiro com que temos relações intensas e age contra os seus cidadãos no âmbito de uma democracia musculada. Pior ainda, é negar o erro ou combatê-lo com o mesmo erro.

No últimos tempos temos assistido a subserviência ao erro face aos interesses em jogo. Critica-se a dureza da justiça de um regime ideologicamente adversário ou de uma área política contrária, mas no dia seguinte argumenta-se com uma desculpa esfarrapada se o erro foi cometido por um sistema que nos é próximo. Assim, hoje podemos pedir a libertação de presos políticos em Cuba ou condenar a prepotência da democracia musculada da Venezuela e amanhã fechar os olhos a uma pena de morte nos EUA ou um julgamento tendencioso em Angola.

Ontem ampliou-se as suspeitas de corrupção de um político da área política que combatemos, hoje promove-se a presunção de inocência de um dirigente que é da nossa cor política e há quem branqueie as culpas deste por noutros momentos ter tido atos meritórios na sua ação pública. Pior ainda, há mesmo quem acuse de corruptos os seus adversários e considere normal proteger os seus colegas de partido, nomeando-os para lugares cuja imunidade judicial é inerente ao seu titular.

Há quem condene o terrorismo de uns e chame ao de outros “atos defensivos”, pior ainda, há quem assuma combater o terrorismo associando-se às guerras que o geraram, uma incongruência que mostra o desnorte do mundo atual em termos de princípios.

Infelizmente este modelar da ética e princípios em função dos interesses não é um exclusivo dos políticos. Quantos cidadãos criticam a acolhimento europeu dos refugiados do médio oriente e em simultâneo apoiam os bombardeamentos pelos Estados ocidentais aos locais de onde eles fogem?

Quantos cidadãos são contra apoios sociais das vítimas do desemprego causados pelas crises económicas e pedem subsídios sempre que a sua empresa ou atividade entra em dificuldades financeiras por problemas de mercado?

Claro que nos responsáveis políticos estas contradições são mais gravosas, mas não faltam governantes a falar de reformas estruturais, desde o nível europeu, passando pelo nacional e chegando ao regional, mas que perante os primeiros choques da inoperacionalidade dessas mudanças a primeira coisa que fazem é distribuir linhas de crédito e fundos perdidos apenas para disfarçar a sua inação e a inexistência de soluções para corrigir o mal desses setores, deixando tudo na mesma e até há quem para melhorar a produtividade apoie o abandono de produtores.

Isto tudo para lamentar cobardia daqueles que não repudiaram a condenação dos ativistas angolanos, onde está o nosso compatriota Luaty Beirão, apenas porque Angola domina em muito a nossa economia nacional ou por lá termos muitos emigrantes. Para criticar que o combate ao terrorismo que ameaça a Europa e atacou Bruxelas se faça juntando a Bélgica aos Países que bombardeiam a Síria. Para assumir a discordância que a Presidente Dilma Roussef eleve a ministro o seu antecessor para que este consiga imunidade no tribunal que o investigava por corrupção, independentemente de ter feito coisas sociais boas no passado. Para protestar que após anos a falar-se da necessidade de reformar os laticínios na Região, a forma de minimizar o impacte do fim das cotas leiteiras seja subsidiar outra vez o setor, o que apenas disfarça a incapacidade do executivo regional em resolver o problema da falta de competitividade dos nossos produtos lácteos, ou decida apoiar o abandono dos produtores desta fileira agropecuária porque é a forma fácil de a curto-prazo esconder a incompetência do Governo dos Açores no modo como tratou este problema durante anos e continua ainda por resolver, nem a saber reformá-lo como deve ser.

Tanta falta de princípios e incompetência cansa quem tenta intervir na sociedade com ética e moral, afastando da vida pública os que se orientam por princípios e valores e deixa a porta aberta aos interesseiros, incompetentes e aos sem vergonha e é o que tenho visto nos últimos tempos.

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