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Posts Tagged ‘livros’

Como nasceram os Estados e as Nações nas diferentes partes do Mundo? Porque uns, apesar de condições naturais semelhantes, são hoje casos de sucesso de desenvolvimento socioeconómico humano e outros colapsaram e deixam grande parte do seu Povo na miséria? É esta abordagem global que Fukuyama faz e interpreta a partir de países exemplos de vários continentes neste livro que vai dos primórdios da humanidade até à revolução francesa e industrial.Fukuyama1

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A partir do início do século XIX as ideias políticas das funções do Estado mudaram substancialmente, a responsabilização dos governantes começou a prevalecer sobre o absolutismo, o sistema liberal e o comunismo confrontaram-se, houve um novo modelo de colonização europeia e uma descolonização que novamente resultaram em casos de sucesso em todos os continente e muitos falhanços, até na Europa, coexistem Estados ricos, pobres, fracos, fortes, totalitários e democráticos e pelo planeta houve países que regrediram e outros progrediram apesar de características naturais semelhantes. Porquê este declínio e o fosso entre tantas nações? É a continuação da análise de Fukuyama da evolução dos Estados nos últimos 200 anos, entrando mesmo no século XXI.

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mudartudo

Tudo pode mudar – capitalismo vs. clima” é um livro de uma jornalista canadiana, Naomi Klein, no qual se considera que as alterações climáticas  resultantes das emissões dos gases estufa tanto podem resultar numa catástrofe global de dimensões apocalíticas ou a ameaça ser de tal forma agregadora da humanidade que permita mudar o estilo de sociedade capitalista atual para um novo modelo em equilíbrio com a natureza e mais justo.

Apesar de o cerne do livro ser mesmo a preocupação climática da jornalista, é em paralelo um manifesto agressivo anticapitalista e um apelo de mobilização global contra a extração do hidrocarbonetos, sobretudo, pelo métodos mais extremos que a tecnologia moderna permite e muito mais impactantes, os quais ainda por cima têm efeitos retardadores na adoção de soluções alternativas não poluentes, ampliando assim os efeitos catastróficos da exploração predominante atual.

Na minha opinião a mistura ideológica de radical de esquerda com a preocupação ambiental envenena a mensagem e divide as pessoas em bons contra maus de direita e conservadores, onde praticamente não há meio termo e nestes últimos não haja bom-senso ou preocupações com a justiça ou o ambiente.

Deduzo do livro que além das multinacionais do petróleo negarem as alterações climáticas, todos os céticos e negacionistas estão ao serviço destas e do capitalismo, enquanto os movimentos de protesto de extrema-esquerda e os governos do Equador, Venezuela e afins, bem como o Syriza são bons exemplos sem defeitos ou erros. Apesar de alguns casos de intervenção social relatados me parecerem não ter nada de ideologia política e aqui surgirem colados ao campo da jornalista pelo estilo da narrativa.

Numa coisa estou plenamente de acordo com esta ornalista: o modelo económico extrativista/capitalista, como ela lhe chama, bem como o discurso consumista ou neoliberal me parecem insustentáveis ambientalmente e tanto por alteração climática ou outros desequilíbrios pode desembocar numa catástrofe se a civilização global não mudar para um modelo mais humanamente justo e em equilíbrio com a natureza e esta mudança tem muitos inimigos que envenenam a discussão.

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Mente Livre não é de literatura, mas sim de análise social e política, por isso os livros que aqui falo não são de ficção. Ao longo do último ano um livro me ensinou muito sobre o diferendo entre o Ocidente e o mundo islâmico e ainda a questão dos refugiados, daí a minha recomendação no Dia Mundial do Livro: “O Islão e o Ocidente – A grande discórdia” de Jaime Nogueira Pinto. Um obra bem atual que explica a fundo as caudas desta problemática civilizacional.

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O livro “Papa Francisco – Esta economia mata” da autoria dos jornalistas católicos e vaticanistas: Andrea Tornielli e Giacomo Galeazzi, procura esclarecer o que está na mente do Papa Francisco ao criticar duramente o sistema económico capitalista atual: será uma ideologia política ou uma mensagem evangélica?

A obra esclarece a dúvida se por detrás de Jorge Mario Bergoglio se esconde um marxista, não só informando as razões da escolha do nome Francisco, como a sua opção estratégica de centrar a mensagem na preferência pelos pobres. Depois expõem-se diversas declarações e ações deste papa que geraram desconfiança em católicos conservadores e simpatias em fações políticas de esquerda, centrando-se sobretudo na sua exortação apostólica Evangelii Gaudium.

No livro  destaco as seguintes abordagens: (1) o enquadramento da Evangelii Gaudium em todas as anteriores encíclicas da doutrina social da Igreja, iniciada por Leão XIII com a Rerum Novarum no século XIX, evidencia-se que Pio XI há 80 anos foi bem mais duro que Francisco e já Bento XVI apontou o caminho atual; (2) expor as críticas dos setores conservadores católicos que pensam o capitalismo como a via económica mais cristã; (3) entrevistar estudiosos economistas italianos que se reveem nas palavras de Bergoglio; (4) mostrar as razões da via ambientalista que foi o tema da encíclica mais recente Laudati Si e já posterior à publicação desta obra e,  (5) uma entrevista direta ao Papa sobre as dúvidas levantadas nos crentes pelas suas palavras discutidas nesta obra.

O livro não só revela o pensamento de Francisco, como demonstra que a doutrina social da  Igreja há mais de um século é crítica de um capitalismo que idolatra o dinheiro e não tem como primazia o homem e o bem comum; que não olha aos meios para alcançar os fins e acredita na recaída favorável que não se verifica na prática nos países desenvolvidos. Contudo o discurso do Papa radica-se apenas no Evangelho, não numa ideologia ou teoria económica, inclusive opõe-se ao consumismo como alternativa, dispensa Deus para a realização do Homem e acredita que se alcança o céu na terra, a nossa casa comum, pela posse de bens.

Um pequeno livro que abana consciências e se centra no apelo de Francisco para a mudança de paradigmas económicos que têm orientado a civilização nas últimas décadas. Recomendo a todos os que se preocupam com a sociedade, o cristianismo e a justiça social no mundo atual.

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Livro disponível aqui

Tal como o título refere, o livro “Os números da desigualdade em Portugal”  de Eugénio Rosa está recheado de tabelas e de gráficos com números, todavia não só o autor assume à partida que as desigualdades no País estão a aumentar, como toda a recolha e tratamento dos dados estatísticos, que são de entidades públicas, não são tratadas de uma forma isenta, mas no sentido de demonstrar este facto e, sobretudo, de o valorizar.

Apesar de ser conhecida a ideologia comunista de Eugénio Rosa, não se pode acusá-lo de desonestidade inteletual nesta obra, ele próprio assume no texto esta intencionalidade do livro “No entanto, mesmo numa matéria tão sensível e importante, a posição de classe do autor (os interesses de classe que ele defende) condiciona os objetivos da investigação, a metodologia e até as matérias investigadas. Também aqui as ciências sociais não estão acima dos interesses de classe que se confrontam na sociedade. Procurar esconder isso é tentar enganar o leitor.”. A partir daqui já se sabe ao que se vai, muitos dados são evidentemente sinais diretos de que a desigualdade de facto se tem agravado em Portugal há vários anos e mais intensamente com o resgate, mas outros foram trabalhados de forma a se conformarem à demonstração do objetivo e quem tem acompanhado a governação nos últimos anos pode até sentir que alguns aspetos não foram incluídos por poderem perturbar a conclusão pretendida.

Apesar do acima referido, o livro tem uma longa coletânea de dados e denúncias de problemas sociais que a crise agravou, as soluções apontadas no fim, na sua maioria, também se enquadram na ideologia do autor (nacionalizações de todos os setores estratégicos por exemplo), algumas sente-se as dificuldades de concretização pelo autor (investimentos públicos não especificados apesar de se condenar os famosos elefantes brancos até 2011) e omite-se que algumas conduzem mais a um empobrecimento de todos do que ao enriquecimento dos mais pobres, mas reconheço que com estou de acordo com outras (por exemplo a taxa Tobin, mais impostos para os rendimentos de capitais e grandes heranças). Aprendi alguns dados sobre o estado da nação e da vida povo português, embora seja uma obra demasiado tendenciosa.

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O Islão e o Ocidente, a grande discórdia” de Jaime Nogueira Pinto é um síntese da história das relações diplomáticas, guerras e tensões entre o mundo ocidental dito cristão e os povos do oriente na sua maioria convertidos ao islamismo desde o aparecimento desta religião até à atualidade.

Apesar de muitas vezes se atribuir este tipo de tensões como fruto da intolerância destes dois credos religiosos, o livro demonstra que se a fé pode ter fomentado guerras entre as partes, não foram menos importantes os interesses políticos e geostratégicos, muitas vezes dentro do mesmo bloco, dos países envolvidos no envenenamento das relações entre os mundos ditos cristão e muçulmano e, presentemente, até o laicismo e ateísmo militante que grassa nalguns Estados do ocidente é um fator que fomenta discórdia e terrorismo dito religioso.

O autor denuncia acontecimentos como as cruzadas e os interesses paralelos não religiosos dos interveniente que comprometeram negativamente estas relações, bem como outros momentos que alimentaram a desconfiança e o ódio, como o surgir e a expansão do império otomano, a evangelização nas descobertas em paralelo com motivações económicas e coloniais, a coligação estratégica da Europa para desmantelar o domínio turco, a descoberta do petróleo e sua importância na industrialização, as rivalidades entre xiismo e sunismo, o colonialismo, a guerra fria, o laicismo agressivo, a primavera árabe e o sionismo. Tudo pesa e mistura aspetos de crença, orgulhos nacionais, visões fanáticas, sedes de justiça e de liberdade.

No fim fica claro que neste relacionamento não há soluções fáceis nem verdades racionais absolutas pois tantas são as variáveis e complexas onde em ambos os lados há culpados e inocentes, interesses ocultos e aproveitamentos demagógicos.

Um excelente livro de fácil e rico de informação, onde o papel de Portugal na história não é omitido, que recomendo para melhor se compreender o que está na origem e distingue a Al-Qaeda do DAESH, as motivações, os erros do ocidente e as suas sequelas, a revolução do Irão, as guerras do Afeganistão, do Golfo e da Síria, a primavera árabe, os refugiados e o terrorismo jihadista e os equilíbrios precários que ligam tudo isto e inclusive os posicionamentos atuais que do lado de cá e de lá continuam a inflamar esta discórdia.

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Disputar a democracia – a política para tempos de crise” de Pablo Eglesias, que acabei de ler para conhecer melhor as ideias desta ala de esquerda radical europeia, é essencialmente um livro de denúncia do sistema politicofinanceiro atual pelo modo como o autor e Secretário-Geral do partido “Podemos” espanhol vê e conta a história do seu País, da Europa e do Ocidente desde o final do século XIX e a exposição da sua estratégia para conquistar o poder aos homens da finança e dos partidos tradicionais designados por ele como  “a casta”.

Apesar de concordar com o autor de que o poder da finança impôs-se internacionalmente e tornou a política numa fonte de injustiças, de desrespeito dos cidadãos como pessoas e dos próprios Estados como Países soberanos, não vejo esta situação como resultado de uma cabala global organizada pelas elites tradicionais do poder contra o povo iniciada no século XIX e que a mudança implica uma disputa em luta de classes que leve à derrota de uma minoria vergada sob o povo como se deduz da obra.

Para mim é claro que esta perspetiva é fruto das injustiças do sistema atual que está a esmagar muitos inocentes e urge mudar. Só que para Pablo Eglesias nesta luta de um lado todos são maus, muito maus mesmo, e do outro só há bons, não há erros, nem vícios, nem oportunistas, apenas vítimas inocentes. Mais chocado fico quando para demonstrar a sua visão por vezes se contradiga, reveja a história, dê como exemplos como se tudo esteja a ser um sucesso na América Latina ideologicamante próxima e branqueie Estaline selecionando exemplos como se este não fosse de facto um ditador.

Conclui que a proposta de Pablo Iglesias pode ser uma utopia e vende devido ao desumanismo e injustiça da política atual. Radica no marximo e estalinismo duro, é estrategicamente inteligente por vestir-se de forma atraente e fazer a guerra sem armas bélicas, mas é uma disputa ao sistema capitalista ocidental e por isto não vejo compatibilidade, que alguns dizem ser viável, que possa ser partilhada democraticamente numa mesma união monetária como a eurozona, pois, de facto, tem por fim a destruição do modelo e não a cooperação para o melhorar por dentro, só eles são democratas. Recomendo a leitura da obra a todos que vão mais no sonho do que no conhecimento das ideias do Podemos, do Syriza e talvez do BE e do Livre.

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