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Durante dias o Governo da República foi pressionado pelos partidos da oposição pela suspeita de poder vir a favorecer a Madeira e colocar todos os Portugueses a pagarem os esbanjamentos de Alberto João Jardim e assim branquear o líder do PSD daquela Região Autónoma.

Agora que tudo aponta para que os Madeirenses tenham de sofrer na pele as consequências das dívidas resultantes das obras na Madeira, eis que a mesma oposição critica o Governo da República por um mau acordo que obriga à Região aos sacrifícios que lhes exigiam.

Em minha opinião Alberto João Jardim agiu mal e deveria ser penalizado por isso perante a justiça, mas foram os Madeirenses que o reconduziram já depois do buraco conhecido…mas o PS para ser coerente deveria exigir uma penalização igual a Sócrates, em vez de o branquear, levar o partido a um mea culpa pela enormidade da herança que nos legou, podendo assim avançar de mãos limpas e sem ficar comprometido com o passado.

Endividar uma região ou país sem criar as condições que sustentem esse encargo às gerações futuras para mim é criminoso e a única diferença que vejo entre Jardim e Sócrates é que o primeiro está no seu posto a gerir as consequências da sua gestão e o segundo está a gozar a vida sem qualquer penalização pelo mal que fez ao País.

Hoje nos Açores é Quinta-feira de Amigos e para quem não conhece a tradição açoriana, este dia faz parte dos festejos que antecedem o Carnaval: Quinta-feira de Amigos, com data móvel em função do Entrudo, a que se seguem sempre com a mesma ordem as Quintas-feiras de Amigas, Compadres e Comadres desembocando esta no fim de semana do rei Momo.

Claro, além das saudações aos amigos, estes dias são motivo para jantaradas, convívios e pequenos bailes semiparticulares em coletividades locais e mesmo em habitações que juntam conhecidos e onde se prova gastronomia típica da estação e se implementam diversões que antecipam o espírito carnavalesco.

A todos os seguidores, leitores frequentes ou ocasionais que aqui venham aproveito o momento para desejar: Bom Dia de Amigos.

Eusébio faz hoje 70 anos, quase tantos anos como o amor que dedicou ao Benfica. Mas Eusébio é muito mais que o maior futebolista português de todos os tempos.

Eusébio representa um género de desportista que além de excelente e dedicado profissional, jogava por amor à sua arte e ao seu clube do coração.

Eusébio representa um género de desportista onde o argumento do profissionalismo e a tentação do dinheiro não se sobrepunha à sua paixão clubística, algo que os tempos modernos parece ter morto.

Eusébio é um retrato de uma época em que o futebol era um desporto e não um negócio, um período em que se podia torcer por um clube, mas não se pedia para ver os seus adversários a arderem.

Por tudo isto obrigado Eusébio! Obrigado por aqueles golos que marcaste naquela noite em que eu criança e doente não consegui largar o rádio e depois a arder em febre fui conduzido ao hospital e operado de urgência com risco de vida, por ti fiquei eternamente Benfiquista como tu. Parabéns e que gozes por muitos anos alegrias Benfiquistas para partilharmos juntos.

Enquanto os Portugueses se vão indignando com as declarações infelizes do Presidente da República, mostrando como somos rápidos a aderir a uma causa inconsequente desde que espalhafatosa, o País vai subindo no risco da bancarrota, o governo insiste que não vai pedir mais ajuda ao mesmo tempo que os empresários além de colocarem dinheiro na Holanda insistem que vai ser necessário requerer mais ajuda.

Por sua vez, o FMI vai  pedindo menos austeridade numa hora, mas fica insatisfeito na outra e alguns dos seus conselheiros lamentam os nossos sacrifícios.

Sinais de grande desatino entre esta gente que nos governa e alheamento de quem é governado, mas infelizmente, de soluções para Portugal, sobretudo para fomentar o crescimento económico, pouco ou nada vejo de eficaz e consistente no meu percurso pelas notícias nos vários OCS nacionais.

No dia do primeiro aniversário da reeleição de Cavaco Silva para Presidente da República e no auge das suas infelizes declarações  sobre a cobertura com as suas reformas das suas despesas, eis que surge em vários OCS o custo estimado de cada ex-Presidente da República ao erário público: 300.000,00 €/ano.

Assumo que não sou um republicano convicto, mas também não sou  um adepto convencido das virtudes da monarquia…

Já conheço todas as argumentações de direitos adquiridos e o facto da dignidade que deve ser assegurada a quem já assumiu o mais alto cargo da nação… só que num País que não garante a dignidade a todos os seus cidadãos ou súbditos, também não reconheço que um ex-Presidente da República necessite de assegurar mordomias após o termo das suas funções para se preservar a dignidade do Estado…

Assim, para mim isto não passa de mais uma sem vergonhice pegada deste sistema republicano que paulatinamente tem destruído os valores que diz defender desde que tomou o poder há cerca de 101 anos e que misturado com políticos incompetentes e sem dignidade tem vindo a destruir a credibilidade da república e da democracia em Portugal.

Faltas de Vergonha II

A última parte do meu mais recente artigo no diário Incentivo:

FALTAS DE VERGONHA

continuação

Já não bastava a Europa ter aliciado com subsídios os nossos agricultores para abandonarem a produção e depois de Portugal ficar com os malefícios daí resultantes nesta crise e ainda ter de ouvir as lições de moral vindas da Alemanha, França e Finlândia; para agora também cadeias de hipermercados nacionais, que colocam as sedes das suas holdings na Holanda para daí tirar benefícios fiscais, importarem leite estrangeiro e o venderem abaixo do custo aos portugueses, dando mais uma machadada num dos poucos setores produtivos que, embora cada vez menos rentável, ainda é responsável por gerar riqueza em produtos consumíveis dentro deste País.

Efetivamente o que não falta neste País é descaramento e desfaçatez, pessoas sem vergonha e sem soluções para Portugal, mas que dão lições de moral enquanto pisam quem trabalha. Mas são estes últimos que se veem despojados de direitos, abandonados ou ainda lhe dificultam a possibilidade de produzir ou ter riqueza que lhes assegure, ao menos, viver com dignidade.

As reformas de Cavaco Silva

Apesar de Cavaco Silva não ter dotes oratórios, pensa  o que diz e tende a não falar muito, pois abusa dos silêncios e escasseia em declarações. Por isto tudo, parece-me estranha a sequência de declarações de Cavaco Silva efetuadas ontem sobre o montante das suas reformas e cobertura das suas despesas.

Na verdade, o mesmo tem cuidado em não referir o total de todas as suas reformas, mas sabe que isso é do conhecimento público, diz que descontou cerca de 40 anos, insiste numa reforma de 1300€ e de outra dá os dados o seu posicionamento de carreira para calcularem o montante, esclarece que não recebe o vencimento de Presidente da República e estraga o ramalhete dizendo que a sua reforma quase não dá para as suas despesas, que se vale das poupanças da sua vida.  Confuso! Mas o que pretende Cavaco Silva?

Dizer que as despesas totais dos descontos que teve para obter uma reforma de 1300€ quase não cobrem o investimento? Passar a mensagem que não acumula pensões com vencimento ao contário de Catroga e outros políticos? Incentivar à poupança? Chamar à atenção sobre si e esvaziar o ataque sobre o acordo da Concertação Social? ou abrir um nova frente de questões e chegar a um ponto que ainda não percebemos?

Hoje em Guimarães poderão ser dados novo sinais se esta polémica foi um acidente premeditado ou um deslize infeliz… é que neste último caso foi mesmo uma declaração muito infeliz…

Faltas de Vergonha I

Excerto da primeira parte do meu último artigo publicado no diário “Incentivo” esta semana:

FALTAS DE VERGONHA

A falta de vergonha ou descaramento não tem partido, nem é exclusivo de políticos, mas é sempre um desrespeito ao próximo e resulta do aproveitamento de situações por alguns em benefício próprio ou de um grupo.

Sou daqueles a quem cortaram no vencimento e os subsídios de férias e de natal e não reclamo. Tenho-me disponibilizado (já desde o tempo de Sócrates) para com sacrifício contribuir de modo a Portugal ultrapassar as dificuldades em que se meteu e até tenho a consciência tranquila por há muitos anos denunciar o grave erro de gestão que era a corrida ao endividamento de tudo o que era público neste País, dizendo que tal comprometia o futuro, tal como agora se veio a comprovar.

Há outros com vencimentos iguais ou melhores que protestam com os sacrifícios impostos e merecem o meu respeito, pois eles lá sabem as dificuldades ou vícios que têm e a sua disponibilidade em colaborar nesta tarefa.

Agora não tolero que o Estado possa cortar unilateralmente vencimentos aos seus funcionários e impedir de terem tarefas remuneradas em férias ou fora de horas sem penalizações e depois argumentar com direitos adquiridos a quem fica com reformas douradas de muitos milhares de euros e ainda acumula muitos mais milhares para desempenhar funções em empresas privatizadas que cresceram à custa de monopólios públicos como é o caso da EDP.

Se há direitos adquiridos para uns… há para todos ou então não há para ninguém!

Se um reformado descontou ao abrigo de critérios para benefícios futuros, também um funcionário público esforçou-se e sujeitou-se a condicionantes tendo em conta regras para ascender na carreira e melhorar no seu vencimento. Por isso não me sinto minimamente com menos direitos, que me têm sido tirados em nome da crise, do que qualquer alta personalidade pública muito competente.

continua

Ainda a propósito deste artigo a reconhecer que presentemente os Açores importavam quase tudo o que consomem… e depois de ver alguns anúncios de inaugurações de obras públicas em curso nos Açores ou ocorridos recentemente surgiu-me uma questão.

Alguém se lembra de qual foi o último grande investimento nos Açores numa unidade industrial geradora de produtos transacionáveis e em que ano isso ocorreu?

Os resultados deste estudo são altamente preocupantes, embora ainda 56% considere a democracia o melhor sistema, já 44% de uma forma ou outra não assumem esse problema e a crise sabe-se que não atingiu o seu auge.

15% dos inquirido chegam a considerar que em determinadas circunstâncias um governo autoritário pode ser um sistema preferível… abrindo caminho assim a um suporte de eventuais extremismos partidários.

Ironicamente, no passado foi a crise da Alemanha face às exigências económicas e justiceiras das maiores potências democráticas da Europa que levaram os germânicos ao nazismo, hoje, é a crise nos países periféricos perante as acusações justiceiras da líder alemã que está pondo em risco a democracia dos pequenos Estados que cercam o velho mundo.

Maus presságios para o futuro da democracia no Continente e Estado berço deste modelo político de governar os povos.

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