Não tenho opinião formada sobre a nova Lei de Finanças Regionais porque não a conheço. Pelas declarações políticas dos vários partidos ficou claro que a mesma não prejudica em nada os Açores, até beneficia e é ainda mais benéfica para a Madeira.
Lembro-me que na discussão da anterior Lei de Finanças Regionais concordava plenamente com o princípio de discriminação positiva para os Açores, tendo em conta as características desta Região: dimensões populacionais semelhantes, mas com uma dispersão geográfica superior e muito mais descontínua.
Todavia, tal nunca deixei de sentir que havia uma vontade política de prejudicar Alberto João Jardim, não só pelo facto de ter um discurso populista, por vezes inconveniente e fraturante, como também por ser conhecido como despesista e, sobretudo, por ser do partido da oposição a José Sócrates.
Apesar de tudo, o PS nos Açores conseguiu de tal forma estigmatizar qualquer declaração de solidariedade de um Açoriano para com a Madeira e o seu povo que esmagava qualquer manifestação no sentido da Lei beneficiar os Açores mas sem ser injusta para com o povo madeirense por preconceitos políticos.
Algo diferente aconteceu quando da polémica da última versão do Estatuto Politico-Administrativo dos Açores, aqui qualquer manifestação de dúvida constitucional, independentemente de se ser autonomista ou não, o seu autor era logo rotulado de centralista e anti-Açores.
Se no segundo caso era apenas uma questão política e de direito, no primeiro ficou-me sempre um problema de consciência. Compreendo a existência de opções políticas, mas não concordo com a criação de quadros legais com princípios injustos por motivos de guerra política. As Leis devem estar acima dos partidos.
Assim, embora continue a não poder-me pronunciar sobre a oportunidade e correção da nova Lei das Finanças Regionais, observei o comportamento neste processo dos líderes do PS-Açores e tornou-se claro que dramatizam com todas as forças a defesa dos Açores se de tal tirarem proveito político.
Mas num processo em que os Açores seja beneficiado ao abrigo de uma Lei votada com a justificação de reparar uma injustiça feita a um povo, mas onde indiretamente um adversário do PS seja mais beneficiado, então todo o discurso se torna nacionalista, usa os mesmos argumentos do governo central e os inimigos da Região são aqueles que trouxeram mais alguns benefícios aos Açores, mas por questões de consciência não alinharam com a guerrilha política do PS.
Isto só é possível porque César manipula a mensagem como se todo o povo fosse ignorante e não percebesse muito além das palavras. Muitos do PS-Açores agora mostraram as razões das sua paixão pela autonomia a quem tem olhos.