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Posts Tagged ‘Tradições’

Meu artigo de hoje no diário Incentivo.

PREVENÇÃO NA SABEDORIA DOS NOSSOS ANTEPASSADOS

Apesar de algumas pessoas nos últimos dias terem dito: o verão acabou e começaram os furacões! a verdade é que o verão nos Açores desemboca sempre na época de tempestades tropicais e quanto mais quente for e mais agradáveis as temperaturas da água do mar; maior é esta ameaça. É mais um caso para se dizer: não há bela sem senão!

Felizmente no Faial a preocupação com o Helene foi maior do que os efeitos e mais vale prevenir-nos sem correr nada de mal do que ao contrário e espero que continue a ser melhor a prevenção do que o azar. Na verdade, uma tempestade tende a ter piores efeitos quanto menos nos prepararmos na acalmia anterior e os avisos da proteção civil só podem ser emitidos a curto-prazo.

Na realidade cada um pode bem precaver-se a tempo, basta olhar para as técnicas que os nossos antepassados aprenderam por experiência de gerações. Não é por acaso que as janelas tradicionais tinham vidros pequenos. Assim ficavam melhor protegidas do vento forte de furacões e do inverno. Se hoje os vidros são grandes, por vezes disfarçados com ripas estéticas, é maior a necessidade de gelosias exteriores. Também no Faial predominavam janelas em guilhotina e não com dobradiças a abrir para dentro, deste modo ficavam com dois lados completos seguros nos caixilhos em vez de só um, oferecendo assim maior resistência aos vendavais e, se não havia dinheiro para gelosias mais caras, as portadas eram interiores com trancas em diagonal ou transversais. Proteções boas que a experiência ensinou que se vão perdendo enquanto a probabilidade de intempéries aumenta.

Mas a sabedoria dos nossos antepassados não estava só nas janelas. Os pátios não tinham cimento e alcatrão e quanto mais se cobre a envolvente à casa com estes materiais maior o risco da água entrar na moradia, por isso onde chove muito o acabamento dos pátios tradicionais era de terra batida ou calçada. Soluções que dão mais trabalho, mas permeáveis que evitam inundações. Assim, hoje em dia deve-se compensar a impermeabilidade do piso com “sumidouros” e canteiros em condições de receber a maior escorrência, mesmo que com o incómodo das roças e outras manutenções.

Infelizmente muitas das modernices que se copiam da construção civil de outros sítios e da oferta de novos materiais não vêm acompanhadas de bom gosto e muito menos de regras para compensar outros perigos do clima dos Açores que as alterações climáticas ainda vêm agravar mais. Nada que não possa ser obviado com conselhos técnicos de arquitetos e outros profissionais dotados de bom-senso que felizmente existem na nossa terra.

Além destes exemplos, poderia dar outros, mas, na verdade, nem tudo o que hoje se faz piorou. Antigamente só alguns podiam fazer as paredes da sua casa com pedra emparelhada para enfrentar melhor os sismos. Hoje, felizmente, a engenharia generalizou a resistência das habitações novas aos abalos com betão e ferro. Apesar de nos apoios públicos a moradias antigas muitas vezes se optar pela solução fácil e barata de disfarçar as fragilidades das paredes velhas com tinta, como se nos tempos de acalmia tectónica não fosse a altura adequada para nos precavermos contra terramotos.

Claro que no passado também a pobreza por vezes não permitia adotar as soluções mais adequadas, havia quem não podia pôr gelosias, quem não conseguia caiar as paredes para evitar infiltrações, etc., mas quando podiam, por norma, faziam-no bem feito e hoje com dinheiro muitas vezes não.

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Presépio2017

A palavra natal vem de nato, nascido; por isso natalidade indica número de nascimentos. Quando em Roma se celebrava o sol de inverno como fonte de vida e a natureza parecia morta os Cristãos aproveitaram a festa para celebrar o Nascimento de Jesus, a quem consideravam a verdadeira Vida e fonte de Luz. Se o Natal lembra esperança e amor é porque associamos estas ideias ao ver um recém-nascido como o Menino Jesus. Votos de um FELIZ NATAL  a todos os leitores de Mente Livre.

Foto: Pormenor do presépio do  Agrupamento 973 do CNE no exterior do centro de culto de São Mateus na Ribeirinha.

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À primeira vista é bom que as irmandades do Espírito Santo do Faial, pelo seu papel histórico e cultural, recebam apoio municipal, mas os protocolos das 23 irmandades religiosas celebrados com a Câmara são fruto do ESMAGAMENTO financeiro e burocrático que o sistema político neste País e Região impôs ao controlar tudo o que mexe na sociedade. Quer seja uma empresa privada, um serviço público ou uma associação religiosa como esta, ou desportiva, cultural, etc., o polvo do poder político asfixia tudo, até se cair na tutela dos protocolos em nome da sobrevivência face às dificuldades que o regime impôs.

Ainda me lembro da festa de São João quando era livre e espontânea, milhares de Faialenses iam livremente divertir-se para o Largo Jaime Melo a projeção levou o dia a ser o feriado municipal, até que há poucas décadas tudo passou a ser oficializado e gerido pela Câmara Municipal, desde a simples fogueira, passando aos subsidiados grupos para manter as tradições, ao programa da romaria e a dança tradicional da chamarrita, até que com tanto controlo passou a uma celebração moribunda que sobrevive patrocinada oficialmente e deixou de ser a maior festa popular do concelho. Prova nefasta deste sistema de controlo.

Espero que a espontaneidade das festividades das irmandades do Espírito Santo não venha a prazo ter um destino semelhante e uma homogeneização fruto deste polvo que controla tudo é que é de iniciativa do Povo, até uma forma religiosidade popular que nem a Igreja Católica conseguiu domesticar a seu gosto nos seus tempos áureos de controlo social.

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Espero que seja um período feliz o ano de 2017 que o mundo, Portugal e o Faial melhorem as suas condições de vida e económicas para permitir a esperança no futuro. Desejo que o discurso de Trump não atrumpalhe o mundo, que a dívida soberana não afogue Portugal e a pista da Horta garanta vir ter condições para do Faial se voar mais longe, com maior frequência e segurança.

Feliz passagem de ano 2016/17 e depois 12 meses sempre a melhorar para todos.

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Sobre a iniciativa de um grupo de cidadãos açorianos para se regulamentar o apoio aos mordomos e às comissões de festas nas celebrações do Espírito Santo na Região, considero que existem aspetos cujo mero chumbo da esquerda parlamentar não resolveu e até preservou a possibilidade de tratamento sem critérios e em função dos interesses do PS pelo Governo dos Açores nos subsídios a estes festejos.

As tradicionais festas do Espírito Santo são sem dúvida a expressão popular de maior referência cultural Açoriana e impor a mesma burocracia a estas iniciativas seculares que a qualquer outro evento é um abuso do poder político sobre a espontaneidade destas festividades. Exigir licenças e mais licenças, taxas e taxinhas para Açoriano continuar a sua cultura tradicional é uma afronta e inibe pessoas que têm aversão ou dificuldades de instrução a se envolver e liderar estas tradições.

Só pelo acima disse considero que era justo que a organização destas festas tivessem um tratamento de simplificação burocrática à sua volta. Mas nenhum partido procurou salvaguardar esta situação, com maior responsabilidade para aqueles que simplesmente chumbaram a iniciativa dos cidadãos.

É falso e hipócrita dizer que “como cidadão teria subscrito” o decreto, mas “como governante não o apoia, como se expressou o Secretário Regional da Educação e Cultura (fonte: Incentivo).

Tal como é desonesto o que fizeram o PCP e o BE que sem apresentar alternativas assumiram respetivamente que “esta é das áreas onde o poder político não pode, nem deve ter interferência” e “o que se está a fazer é institucionalizar as festas do Espírito Santo, o contrário do seu espírito fundador” (fonte: Incentivo). Isto porque no presente momento já ocorrem festas organizadas por autoridades públicas com fundos públicos e sabe-se de festejos organizados por irmandades que dizem ter recebido subsídios, só que o único critério para esses apoios é a discricionariedade do político que decide e assim por atribuir dinheiro público e definir a quantidade em função da simpatia política e de acordo com o interesse pessoal e do partido.

Assim, o mero chumbo apenas ironicamente salvaguardou a laicidade agressiva do BE e da CDU, interessada em eliminar paulatinamente as tradições com algum carácter religioso dos Açores, mas salvaguardar o oportunismo do PS na atribuição de dinheiros públicos em festividades do Espírito Santo.

Paralelamente, os cidadãos que subscreveram a iniciativa (eu não faço parte) assistiram assim a mais um tabefe às iniciativas de cidadania que hipocritamente o poder político diz apoiar e desejar.

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Não sei quando começou a tradição dos ranchos da Natal no Faial, penso que estão de alguma forma associados às Janeiras  no Continente ou ao Cantar ao Reis que acontece noutros locais, mas não sei quais as raízes destes últimos costumes.

Contudo, lembro-me que há poucas décadas os Ranchos de Natal do Faial eram de iniciativa popular e sem serem com intenção de acolher subsídios públicos, nuns dominavam instrumentos como o pífaro/flauta e a percussão e outros eram pequenas tunas de instrumentos de corda.

Assim sobre a liderança de alguém várias pessoas juntavam-se e ensaiavam três ou quatro músicas, nem todas eram obrigatoriamente originais ou cantadas, mas por norma havia pelo menos uma canção relacionada com o nascimento do Menino Jesus e outra a saudar e/ou a despedir-se dos ouvintes, esta muitas vezes também a solicitar uma gratificação que poderia passar até por um licor, uns figos passados ou uns biscoitos.

Depois de uns ensaios lá iam os Ranchos pelas coletividades da freguesia e da ilha e a algumas casas conhecidas cantar nas noites da passagem de ano, primeiro dia do Ano Novo e na noite e dia de Reis. As pessoas então aglomeravam-se nestas instituições para os ouvir, muitas vezes formavam-se filas de ranchos para chegar a sua vez de cantar tal era a quantidade deste grupos. Os ouvintes muitas vezes muniam-se de moedas para a devida gratificação, enquanto a Direção os brindava no seu bar.

Recentemente algumas instituições organizam ranchos como que representações oficiais da mesma, muitas tendo em vista o subsídio municipal aprovado para preservação desta tradição e lá vão os Ranchos de Natal oficialmente atuar perante os Autarcas e acabou-se o papel a desempenhar. Este ano parece que a audição foi mesmo apenas nos Paços do Concelho.

Sei que esta estratégia de preservar a tradição dos Ranchos de Natal não é demasiado recente,  mas está a desembocar numa tradição adulterada do que era um património cultural desta ilha, nem sei como dar a volta a esta descaracterização.

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Presépio

Imagem Presépio da Wikipédia.de

A todos os leitores deste blogue, tanto amigos, como conhecidos ou mesmo desconhecidos, comentando ou apenas espreitando incognitamente apresento os meus votos de:

FELIZ NATAL

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