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Posts Tagged ‘Vasco Cordeiro’

Meu artigo de hoje no diário Incentivo:

MEDIDAS AVULSAS IMPEDEM O DESENVOLVIMENTO

Há anos que Portugal e os Açores não têm governações nem oposições com visão estratégica para levar a cabo um projeto de desenvolvimento para o Pais coerente e sustentável a longo prazo. Governa-se para os telejornais, as redes sociais ou calar grupos de pressão. Tomam-se decisões avulsas onde cada medida solta anunciada por si só parece justa e popular mas, na prática, falha por não ser consistente com a realidade no terreno e ser mesmo contraditória com outras em vigor.

A denúncia por instituições internacionais do crescimento do risco de pobreza em Portugal nos últimos anos, pior ainda nos Açores, apesar da propaganda governativa a encher a boca com justiça social e o fim da austeridade, levou ao anúncio apressado de combate à pobreza do aumento do salário mínimo bem acima da inflação e a alterações no regime regional de remuneração complementar para os vencimentos mais baixos. Não se vendo o conjunto esta decisão é de facto uma boa iniciativa, mas os Governos da República e dos Açores mantém congelados o aumento da maioria dos restantes salários baixos que não mínimos. Assim, os muito pobres ficam talvez menos pobres e os que sobreviviam acima da miséria ficam todos um pouco mais pobres, ou seja, disfarça-se a pobreza tornando a grande maioria mais pobre.

Há anos que alargar o ensino superior é um objetivo nacional, mas como os salários estão cada vez mais miseráveis e os Governos a cortar dinheiro às Universidades, como bem denunciou o Reitor da Universidade dos Açores, estas veem-se forçadas a aumentar as propinas para sobreviver. Assim, apesar do anunciado crescimento económico que o povo não sente, houve uma diminuição em 5,6% de candidatos em 2018 à Universidade, muitos porque não têm para pagar as propinas e as rendas de quartos. Logo se falou da medida popular: o fim das propinas! Sem dúvida boa. Portugal precisa de licenciados como do pão para a boca. Só que quando os recém-formados descobrem que os licenciados já com 10 anos de carreira estão a ganhar pouco mais de 200 euros do que os sem canudo, começam a procurar emprego no estrangeiro que recebe de mão beijada estes novos licenciados pagos com os nossos impostos, enquanto nós ficamos sem médicos e enfermeiros nos hospitais e o Estado sem verbas para pôr jovens engenheiros a fiscalizar as obras ou colocar nas Escolas os novos professores, etc. O Governo disfarça a falta de licenciados com anúncio do fim das propinas e com os congelamentos exporta esta gente com curso, mas isto não diz nem resolve.

Há meses Vasco Cordeiro referiu que não era justo pôr os Açorianos a pagar o aumento da pista da Horta por estar concessionada a privados, apesar dos grandes beneficiários serem os Faialenses e a economia das ilhas do Triângulo. Não se pedia para a Região suportar os custos todos deste projeto, só um contributo que viabilizasse a ampliação, pois uma componente caberia à ANA, outra ao Governo da República e a grande fatia aos apoios da União Europeia. Agora, após o Governo dos Açores ter feito campos em São Miguel que empresas privadas exploraram e faliram ao gosto dos interesses ali instalados, o Presidente do Açores anuncia a intenção de comprar de novo aqueles campos e repartir as despesas por todos, inclusive Faialenses, por tal beneficiar o turismo dos Açores. Como se os agentes turísticos no Triângulo, restauração e outros setores económicos por estas bandas beneficiassem com aquela compra. Não era justo o Governo dos Açores contribuir em parte numa obra em benefício do Faial explorada por um privado, mas já é justo os Faialenses pagarem os desmandos de projetos por nós pagos e depois geridos na privada em S. Miguel.

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Vasco Cordeiro criou uma nova estratégia para fugir à resolução de problemas em várias ilhas dos Açores, não fazer porque não deve pagar a fatura. Usou-a com o aeroporto da Horta e agora com o passivo ambiental da base das Lajes. Não critico esforços para que os responsáveis paguem as respetivas obrigações, só que tal não pode servir de desculpa para o Governo dos Açores não resolver os problemas ou não atender às justas aspirações de Açorianos quando não estão na maior ilha maior.

As despesas dos estudos da Câmara da Horta já estão a ser pagas, direta ou indiretamente, pelos Faialenses, ao deslocar para este objetivo dinheiro que poderia ser empregue noutras obras, mas é obrigação do município da Horta e também do Governo dos Açores de dar prioridade às maiores necessidades da Terra e atendê-las, em detrimento de responsabilizar terceiros para não fazer nada, adiar o problema e ainda sentir-se desobrigado de atender às reivindicações do Povo.

Quando  o Estado, a Região ou o Poder Local exigem a proprietários obras por razões  de interesse público e estes se recusam fazer, tem poder para as implementar e depois cobrar a fatura. Se este novamente fugirem às suas obrigações foi também para isso que se fizeram os tribunais, o que é urgente é não parar usando a desculpa de querer-se entregar uma fatura antes dessa urgência ser feita.

Tanto a ampliação do aeroporto da Horta, como o passivo ambiental na Terceira são urgências que não se compadecem com essa inoperância estratégica agora inventada por Vasco Cordeiro.

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O meu artigo de hoje no diário Incentivo:

NA AMPLIAÇÃO DA PISTA VASCO CORDEIRO TEM O DEVER DE CORRIGIR OS ERROS

A reivindicação do aumento do atual comprimento da pista do aeroporto da Horta tem décadas. Não é casual que o Presidente do Governo dos Açores em 2001, Carlos César, prometia no Faial aos Faialenses que “se o Governo da República ou a empresa ANA não ampliarem a pista do aeroporto da Horta, o Governo Regional assumirá essa obra”. Tal garantia do líder deste governo só foi feita porque já então nesta ilha se reivindicava, e muito, a ampliação da pista.

Curiosamente, à data desta promessa, o Presidente da República, o Primeiro-ministro, o Presidente do Governo dos Açores e o Presidente da Câmara Municipal da Horta eram todos do PS, e ninguém deste partido colocou em questão que o compromisso para colmatar a não execução da obra por parte da ANA, uma empresa então pública dependente do Governo de Portugal, corresponderia a colocar os Açorianos a pagar por um erro do então Governo da República do mesmo partido de que Carlos César e Vasco Cordeiro faziam e fazem parte.

A razão porque nesse momento ninguém em nenhuma ilha levantou a questão foi porque então na Região a solidariedade inter-ilhas ainda era um conceito prevalecente da estratégia autonómica dos Açores, infelizmente, esta foi sendo substituída pelo interesse político de concentrar de preferência os investimentos públicos na terra que reunia a maior dimensão eleitoral Arquipélago, reforçando ainda mais o poder económico e político dessa parcela e aumentando o fosso da capacidade reivindicativa, da competitividade e da desertificação populacional entre as ilhas menores e a maior e ainda ampliado com a mudança dos critérios de eleição do parlamento que foram no sentido de dar mais peso aos que são grandes face aos mais pequenos.

Desde 2001 houve várias mudanças partidárias em Portugal: houve Presidentes vindos das áreas socialista e social-democrata; houve Primeiros-ministros e Ministros vindos do PS, do PSD, do CDS e independentes, mas a nível nacional só me lembro de Santana Lopes ter garantido apoiar este projeto se continuasse governo; e temos agora um Governo da República rosa que só subsiste com o apoio parlamentar da CDU e do BE. Só as Câmaras Municipais da Horta e os Governos dos Açores nunca deixaram de ser presididos pelo PS, nem foi ampliada a pista do aeroporto no Faial, apesar de ser uma reivindicação já com quase duas décadas e feita perante tanta gente.

Assim, é possível dizer que neste momento não há partido na Assembleia Regional que não tenha uma parcela de culpa por a reivindicação da pista da Horta nunca ter sido atendida: uns porque no Governo na República ou nos dos Açores nunca levaram em frente este compromisso, outros porque maioritários nos parlamentos ou no Município nunca conseguiram obrigar os Governos dos Açores, da República, a ANA ou a Vinci e executar esta obra reivindicada pelos Faialenses.

É verdade que a ANA foi privatizada, mas é um mito tal impedir agora a ampliação da pista. A Vinci pode explorar a infraestrutura, mas o aeroporto é nosso e somos nós Faialenses que precisamos do seu aumento, não aquela empresa. O que temos é um problema político, não técnico, e quem está no poder, se quiser, pode resolvê-lo. Veja-se o que se está a passar em Lisboa: apesar do aeroporto estar sob a exploração da mesma Vinci o Governo assume obras noutra pista para tirar aviões ao dono da ANA. Assim, argumentar com a privatização é desculpa de quem quer fugir às suas responsabilidades neste processo ou preconceito. Algo que os Faialenses dispensam.

É verdade que as oposições nom Município da Horta e os seus deputados de ilha nunca pararam de reivindicar esta ampliação, mesmo quando expostos à acusação de que o Governo da República era da mesma cor. Há muitos votos de protesto, questões e moções a provar isso, mas mesmo sem ser atendidos por quem tinha mais poder, têm a consciência limpa para continuar a reivindicar.

Também é verdade que apesar de nos últimos anos o PS-Faial ter andado a desculpar o Governo dos Açores e a concentrar as culpas em Passos Coelho, nos meses mais recentes o Presidente da Câmara da Horta uniu-se ao coro dos que sempre reivindicam esta obra e criou um grupo de trabalho com pessoas que deram um contributo para uma alternativa mais barata para este objetivo.

O último grande ataque que a intenção Faialense teve foi a recente declaração de Vasco Cordeiro em resposta a um pedido na ALRAA para se comprometer com todos os potenciais responsáveis na execução deste projeto, respondendo “não querer os Açorianos a pagarem por um erro e por uma falha” do anterior governo da república. Como se Guterres, Durão, Santana, Sócrates e agora Costa e, sobretudo, ele mesmo como legítimo herdeiro da promessa de Carlos César, não estivessem todos em falta para com esta ilha. Pior, disse ter falado com o atual Primeiro-ministro, mas vê-se que o líder do Governo dos Açores também nada conseguiu deste e com esta atitude não se solidarizou com o esforço do atual Presidente da Câmara da Horta que se recandidata pelo seu partido que ele preside e ainda deu uma machadada na solidariedade dos Açorianos das outras ilhas com um mau argumento para recusarem vincular-se à reivindicação dos Faialenses.

Vasco Cordeiro não quis ver os 17 anos de erros, quis concentrar todas as culpas na privatização da ANA para se descomprometer com a maior reivindicação dos Faialenses, fugir à sua obrigação e esconder a sua culpa de desvincular-se do não cumprimento da já longa promessa do Governo dos Açores que ele legitimamente herdou do seu antecessor.

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Foi insultuoso ver no Parlamento dos Açores Vasco Cordeiro a  não se comprometer com nada da ampliação da pista da Horta e ainda responder, a um deputado do PSD eleito pelo Faial, de modo a colocar muitos Açorianos contra os Faialenses com a frase “e lamento que a sua posição seja a de querer os Açorianos a pagarem por um erro e por uma falha do partido que o senhor suporta“. Não questiono a acusação que tem razão de ser, mas é um insulto à inteligência o Presidente do Governo dos Açores escudar-se em erros do passado para o não corrigir. Contudo, o pior é mesmo o Presidente do Governo dos Açores tentar dividir o Povo deste Arquipélago perante uma justa reivindicação dos Faialenses.

Considero esta atitude uma afronta a todos os Faialenses, inclusive aos votantes  e eleitos pelo PS nesta ilha que dizem estar ao lado deste projeto, quando agora fica claro que Vasco Cordeiro desistiu de se envolver neste empreendimento e reivindicação do Faial e prefere apenas acusar o passado em vez de resolver a questão do aeroporto no presente.

É muito pouco dizer que levou o assunto ao atual Primeiro-ministro António Costa, deixando claro que ele Vasco Cordeiro fica de fora pois considera que agora o investimento seria um encargo para os Açorianos não Faialenses. Uma nojeira, uma baixeza senhor Presidente do Governo dos Açores, nunca me lembro de antes um líder máximo regional utilizar argumentos divisionista no Arquipélago que preside em relação a parcelas do Povo a que governa.

Agora, perante este lavar das mãos, o Presidente da Câmara da Horta fica sozinho neste momento em que dizia estar a reivindicar o projeto para o seu concelho, pois é claro que não tem a solidariedade do seu partido a nível Açores. Recordo-se que na reportagem não há um único elemento em que Vasco Cordeiro assuma, muito menos prove, que ele aquando da privatização fez então algum esforço perante Passos Coelho para salvaguardar aquilo que ele agora considera ter sido o tempo oportuno para o fazer. Mesmo assim Vasco Cordeiro não se compromete em corrigir também o seu erro e fica aqui o meu protesto perante esta sua atitude.

Nota: Reportagem sobre este assunto a partir do minuto 13 e 30 segundos do Telejornal da RTP-Açores.

 

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo.

O JOGO DO EMPATA E O DO EMPURRA COM O FAIAL

Desde as últimas eleições legislativas regionais o Faial tem assistido a uma grande agitação no Governo dos Açores e da Câmara Municipal da Horta no sentido de darem a entender que, finalmente estão de acordo com as reivindicações dos Faialenses e que até se esforçam em as atender, apesar de não se ver nada de novo efetivamente alcançado.

Na questão do mamarracho que a Porto dos Açores apresentou para a baía sul da Horta e depois de meses com várias manifestações de preocupação, assistimos ao Presidente da Câmara da Horta ir com ar voluntarioso reunir-se com aquela empresa expressando publicamente a sua solidariedade com as preocupações dos Faialenses. Frutos deste encontro?… Nada!

Alguém ouviu falar quem tem competência para decidir sobre a alteração do projeto de que vão ser de facto respeitadas as promessas feitas aos Faialenses para aquela obra e salvaguardada a imagem de uma baía sem aquele mamarracho? Tenho estado atento e não escutei nada dessa entidade. Os resultados destes aparentes esforços parecem estar no segredo dos políticos ou então deram mesmo em: Nada!

Ao nível da questão da ampliação da pista do aeroporto da Horta e das acessibilidades, devido à forma como o grupo SATA, através da Azores Airlines, tem vindo a exercer este serviço, soube que à lista das reivindicações entregues ao Presidente do Governo dos Açores durante a manifestação dos Faialenses do passado dia 7 de setembro, em frente ao Parlamento Regional, decorridos mais de quatro meses veio, finalmente, uma resposta do líder do Executivo Açoriano.

Nesta resposta torna-se claro que no que estava então parado tentar parecer que se procura ultrapassar a estagnação, mas, de facto, nada se avançou e continua-se a passar responsabilidades para terceiros: Governo da República, ANA e a privatização desta. Mas compromissos a sério assumidos pelo Governo dos Açores: Nada!

Aquela promessa lançada em 2001 pelo Presidente Carlos César “se o Governo da República ou a empresa ANA não ampliarem a pista do Aeroporto da Horta, o Governo Regional assumirá essa obra” nem é considerada em termos de eventual parceria com as entidades nomeadas para deste modo ultrapassar o problema. Parece que o Faial não está na área geográfica da gestão do Governo dos Açores, pelo que se as entidades exteriores à Região não atenderem ao que os Faialenses reivindicam, este excusa-se, pois sente que nada tem a ver com os Faialenses, como se estes nem fossem Açorianos e como se entre a promessa e a privatização não tivessem existido quase 15 anos em que o aeroporto foi público e o Governo dos Açores foi liderado quase exclusivamente por Carlos César.

Todavia, o que naquele dia de setembro estava em efetivo andamento e vinha de trás, continua o seu caminho, ou seja: está a avançar o projeto RISE da parceria iniciada no tempo da TAP, depois parado com a saída desta da rota Horta-Lisboa e já então retomado pela Azores Airlines.

Assim, o que Vasco Cordeiro respondeu aos Faialenses foi: o que estava a andar, continua a andar o que estava parado: Nada fez de novo! O Presidente açoriano até pode lamentar se os do Continente não fizerem nada, mas não dá qualquer sinal que o podemos contar com o Governo dos Açores para se comprometer com as necessidades e reivindicações Faial: não é nada com ele além de conversar a favor do que pedimos.

Este jogo de empurrar as responsabilidades sempre que se pode apontar para terceiros e sem o poder regional se comprometer com nada e, quando não pode atribuir aos outros a resolução das questões colocadas em cima da mesa, fazer o jogo do empata: é a estratégia do PS-Açores. Por isso é que até ao momento dá-se a aparência de que se está a trabalhar, mas sem acrescentar nada de facto à situação que já existia antes das últimas eleições legislativas regionais.

Os Faialenses já disseram uma vez: Basta de maus tratos ao Faial! Suspeito que não estão dispostos a se deixarem enganar com estes jogos do empurra ou do empata para continuarem a ser maltratados. Agora há apenas se acrescenta mais cinismo sem nada beneficiar esta Ilha e este Povo. Continuo à espera de resultados que não aparecem e a resposta do Presidente do Governo dos Açores, mais o silêncio sobre o projeto da baía sul do Porto da Horta indiciam que é mesmo para não aparecer nada de concreto. Infelizmente!

Resta-me apenas o compromisso de que não deixarei de denunciar todas as artimanhas que sinto prejudicarem o Faial sem resolver os seus problemas.

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Começo já a pensar no que de importante transita para 2017. No Faial, o projeto da pista e as condições de acessibilidade são os dois maiores desafios, a SATA pode até pacificar os Faialenses nos cancelamentos antes das autárquicas, mas se as obras de ampliação não forem conseguidas de modo irreversível até outubro é porque nos atiraram foguetes de propaganda que se apagarão a seguir.

Na nossa ilha resta também saber o que se passará com o porto da Horta, faz-se obras necessárias para atender o que se espera desta infraestrutura ou apenas de fachada? Será que o edifício do quartel do Carmo não foi apenas outro evento de propaganda? Até ao momento não conheço qualquer anúncio de interessado no aproveitamento turístico do imóvel e, sobretudo, qual será o destino da Cooperativa CALF? temo que seja semelhante ao que se perspetiva para a SINAGA… vamos a ver o que nos reserva de facto 2017 para o Faial antes das eleições, o que não for conseguido até lá… esqueçam de alcançar nos tempos mais próximos!…

Ao nível dos Açores a crise no setor dos laticínios, com efeitos na fábrica da CALF no Faial, é sem dúvida um dos maiores desafios económicos regionais, podemos ter mais turistas e fazer folclore com o turismo, mas há que não esquecer os nossos agricultores que sempre foram a força produtiva do Arquipélago e não merecem ficar desesperados por incompetência das políticas regionais na defesa destas ilhas face aos interesses discutidos em Bruxelas. O desemprego nos Açores é outro desafio, é sem dúvida a maior operação de maquilhagem estatística do Governo de Vasco Cordeiro, só não sei se é sustentável manter tanta gente em programas ocupacionais ou simplesmente meter toda esta gente continuamente no emprego público.

Em termos nacionais dois aspetos me levantam maior curiosidade:

  • manter-se-á o sucesso da governação de António Costa? em 2016 quase não houve investimento público em Portugal (uma das maiores reivindicações do PS no passado), nem reforço financeiro da Caixa Geral de Depósitos e fez-se um perdão do défice, tudo para garantir um défice dentro dos limites, mas esta situação parece insustentável. Efetivamente foi o emprego em 2016 que melhor correu ao Governo sem grandes cosméticas.
  • continuará a CDU através do seu sindicato em paz social assistindo de bancada ao declínio da coligação nas sondagens enquanto o PS vai penetrando no seu eleitorado e no do BE? O PSD e o CDS resta-lhes esperar pois a sua capacidade interventiva está anulada pela geringonça e o desgaste do anterior executivo e de Passos Coelho.

Internacionalmente a grande incógnita é mesmo Trump e sua estratégia quando tiver de enfrentar a política real no terreno tanto internamente como internacionalmente, com o amigo dúbio Putin a aproveitar conquistar influência no globo e a China a crescer economicamente às custas do ocidente. Um risco que pode fazer mudar o futuro do planeta.

Também em termos internacionais a guerra na Síria, o coesão europeia, a questão humanitária dos refugiados e a saída do Brasil da sua crise socioeconómica são outros desafios enormes que podem marcar 2017.

Haverá mais, mas estes parecem-me ser mesmo os maiores desafios para o Faial, os Açores, Portugal e o Mundo em 2017.

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O meu artigo desta semana no diário Incentivo:

A CULPA DA SITUAÇÃO É APENAS DOS POLÍTICOS!?

À medida que vou amadurecendo e faço uma retrospetiva cada vez mais longa do evoluir dos problemas de Portugal, dos Açores e do Faial ao longo das últimas décadas cada vez se torna mais evidente que as crises que assolam este País, Região e Ilha não têm como culpados apenas os políticos.
É verdade que nos habituámos a ver a desresponsabilização dos governantes pelo seu mau modo de governar, mas também é verdade que tal só foi possível porque a sociedade portuguesa, açoriana e faialense se acomodou na conversa fácil de dizer mal dos políticos sem nunca ter contestado seriamente o rumo que os problemas iam seguindo.
Não é politicamente correto dizer que muitos cidadãos têm culpa por os políticos nos terem desgovernado como nos desgovernaram, mas é verdade que houve quem alienasse as suas obrigações cívicas, considerando deste modo limpa a sua consciência por deixar os dirigentes públicos gerirem o erário público ao seu bel-prazer, refugiando-se na abstenção, como se isto não fosse um modo de, por falta de comparência, abrir caminho a este estilo de desgovernar.
Igualmente houve quem votasse em qualquer desgoverno desde que as consequências financeiras deste erro fossem compensadas a curto-prazo com uns subsídios ou umas obras mal projetadas e sem rendibilidade económica, como se isto não fosse uma forma de não serem apenas os políticos a se renderem à salvaguarda dos seus interesses e de não se preocuparem com as consequências coletivas a longo-prazo das más opções.
Também houve aqueles que, embora descontentes com quem nos desgovernava, temeram a mudança e optaram por não arriscar em tirar os que criaram raízes e vícios no poder, mesmo sabendo que estes não eram capazes de resolver nada de importante, pois contentavam-se em dar pão e circo para disfarçar o mal, como se isto não fosse um modo de compactuar com tal forma de não resolver os problemas.
Se os abstencionistas não fazem medo aos maus governantes, pois é uma forma cobarde de desistir e de delegar nos outros a decisão eleitoral, nesta Região, os dois últimos grupos, que votam e decidem, têm permitido maus governos e devem ter um peso muito grande para que o atual presidente do Governo dos Açores sinta que pode dizer impunemente, após vinte anos de governação do Partido Socialista e em congresso do PS, que pretende concretizar agora “uma estratégia regional de combate à pobreza e à exclusão social”, como se isto não fosse um assumir publicamente do falhanço neste campo após tantos anos a governar. Falar de solidariedade é mais fácil que saber tirar as pessoas da pobreza e este Governo dos Açores já demonstrou que não sabe.
Só um governante que sabe que pode assegurar votos com subsídios se permite propor, como forma de enfrentar a crise do leite e das pescas nos Açores pelo fim das cotas leiteiras e das restrições piscatórias, a distribuição dos habituais subsídios e, inclusive, apoiar os agricultores a abandonarem a sua produção. Pior, isto acontece sem se ter ouvido, nos últimos anos ou mesmo décadas, uma única medida inovadora e eficaz para tornar os laticínios açorianos competitivos no mercado das exportações regionais e continuar sem propor nada reformista para o setor. Distribuir dinheiro obtido ao abrigo do estatuto da Autonomia é bem mais fácil que saber resolver os problemas dos Açores e este Governo dos Açores já demonstrou que não sabe.
Só um Governo que consciente que o anúncio de obras é suficiente para se preservar no poder justifica que todos os dias se ouçam Secretários Regionais a publicitarem projetos futuros sem anunciarem reformas a sério na educação e na saúde, onde, apesar de tanto “paixão pela educação” nunca os Açores deixaram de ter as mais elevadas taxas de insucesso escolar do País, mesmo construindo boas escolas, nem se resolveu o problema das listas longas e demoradas de espera para consultas de especialidades e cirurgias neste Arquipélago, até estão cada vez mais longas apesar da modernidade das infraestruturas hospitalares. Obras para um setor são bem mais fáceis que saber reformá-lo e este Governo dos Açores já demonstrou que não sabe.
Só um Governo que viu que os ataques ao Faial saem impunes permite que daqui se tenham tirado valências da Rádio Naval, só não foram mais porque a mudança não teve os resultados esperados em termos de operacionalidade; se tenha desmembrado a Escola do Mar com uma extensão em São Miguel ainda antes desta abrir; se tenha engavetado a segunda fase da Variante após um projeto quase pronto; se continue sem avançar com a segunda fase do projeto de reordenamento do Porto da Horta retardado com protocolos sobre a frente marítima da cidade da Horta; e até diga que a administração da Atlanticoline está no Faial e, como este jornal há poucos dias demonstrou, é só fachada, pois esta de facto decide e anuncia a sua atividade em Ponta Delgada. Atacar o Faial é algo que de facto este Governo dos Açores sabe que não lhe tira votos.
Sim, anúncios de novas obras para o futuro não faltam, já listei onze. O que falta é a execução das muitas prometidas no passado que se eclipsaram sem qualquer penalização dos faialenses que à mesa do café e em surdina reconhecem que o Faial se esvazia, que os projetos agora prometidos surgem porque estamos em ano de eleições, mas que no fim, por um motivo ou outro, deixam que o Governo dos Açores trate assim a nossa ilha e depois dizem que a culpa é só de quem nos governa!?

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Após ter sido anunciado pelo Governo dos Açores em janeiro de 2012 que o Matadouro do Faial que avançaria naquele ano de eleições regionais, como aqui falei para memória futura, o matadouro desapareceu do orçamento regional em 2013 após as eleições, como denunciei neste blogue, para ser reanunciado como adjudicado em 2015, como então referi, agora, com um atraso de 4 anos, a obra finalmente começou em ano de outras eleições regionais.

Embora o atraso da obra pelo Governo dos Açores, congratulo-me com o arranque desta infraestrutura importante para o setor agropecuário, sobretudo  da fileira da carne, este é um investimento reprodutivo por aumentar o rendimento dos agricultores que dele se servirão.

Odeio que os governantes descaradamente sejam capazes de adiar obras em prejuízo do Faial para momentos em que o discurso de propaganda eleitoral lhes é mais favorável, até porque se a obra tivesse arrancado a tempo também estava viabilizada a propaganda, pois agora Vasco Cordeiro, em vez de divulgar o arranque da construção do matadouro, estaria a cortar a fita da inauguração e os Faialenses já teriam ao seu serviço esta infraestrutura que prejudicava as finanças dos produtores de carne desta ilha, mas também sei que muitos não terão inteligência para ver a maldade politiqueira do executivo regional, entretanto esse dinheiro que estava antes previsto para esta terra serviu para investir noutras ilhas que não o Faial. Mesmo assim, digo: Finalmente!

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O meu artigo de opinião remetido para o Incentivo para ter sido publicado ontem naquele diário faialense:

A CULPA FICA PARA A PRÓXIMA

Os últimos casos têm mostrado o calibre das pessoas que estão ou têm estado na tutela dos transportes nos Açores nos últimos tempos.

No concurso para a construção de navios para a Atlanticoline, depois de ser demonstrado que a opção por dois navios e com as dimensões pretendidas era um buraco financeiro e um elefante branco face às necessidades, nada demoveu o Governo dos Açores desta irresponsabilidade e este foi sempre em frente. Uma estratégia que se encaixa perfeitamente num tipo de gente que não assume as consequências dos seus atos e sempre tem saído impune: quem vier a seguir que fique com as culpas das dívidas ou pague os custos. Aos autores cabe cortar a fita e receber os louros dos aspetos agradáveis das suas asneiras.

Mesmo assim, o Governo dos Açores não chegou com esta pretensão ao fim, primeiro foi exigindo alterações no navio face ao inicialmente previsto e só depois descobriu que tal levou a que não se pudesse cumprir o caderno de encargos do concurso: mas como a impunidade das ações faz parte destes governantes, logo chutou as culpas para os Estaleiros de Viana do Castelo e saiu incólume dos seus erros. Lixou-se a empresa que confiou nesta gente, que assim ficou com as dívidas do investimento não pago e com o navio por vender.

Não satisfeito com esta embrulhada, o Governo dos Açores voltou a insistir noutro concurso e seguir a mesma estratégia desmesurada em busca de novos incautos. Há sempre quem caia no discurso dos vendedores de banha da cobra! Entretanto, para manter a estratégia de benefícios políticos para hoje e dívidas para o futuro, lá vai alugando anualmente navios a custos elevadíssimos. Mesmo assim, o serviço de transportes marítimos inter-ilhas prestado pela Atlanticoline ao longo dos anos nunca foi de confiança em termos de qualidade, se não, vejamos:

– Umas vezes os navios chegam tarde para atender ao principal objetivo de programação de viagens para os turistas e para as festas de verão, com um coro de protestos na altura, mas no fim da época todos se esquecem e o responsável sai impune;

– Noutra deixaram os empregados contratados em condições desumanas como se não fossem gente, após denúncias e umas reportagens nos meios de comunicação social, ninguém foi responsabilizado pelo mal que fez àquela gente e a impunidade manteve-se;

– Todos os anos a velhice dos navios leva a avarias frequentes, já ninguém confia nos horários programados no início da época, estes sofrem sempre alterações, mas o problema nunca se corrige, pois os responsáveis sabem que basta um comunicado, manter tudo na mesma e saem impunes;

– Agora, só depois de uma embarcação ter sofrido um rombo, felizmente sem consequências mortais, soube-se que estes navios nem possuíam um radar para detetar objetos submersos com os riscos inerentes a tal lacuna, mas, como é habitual, ninguém é responsabilizado por ao longo destes anos tal nunca ter sido acautelado e a impunidade continua.

No concurso para os navios da Transmaçor ao princípio parecia que até não tinha havido tanta incompetência, mas mal começou a exploração das embarcações estas vieram ao de cima e até mostraram que a impunidade de tanto erro também se estendia à gestão das infraestruturas portuárias.

Assim, apesar da tutela governativa ser a mesma, depressa descobriu-se que a compatibilidade da operacionalidade dos navios com os portos recém-construídos no Triângulo não tinha sido bem equacionada: umas vezes os cabeços de amarração não estavam nos lugares adequados, outras as rampas ro-ro gerava instabilidades que não permitia o seu uso sem novas correções e, por fim, em resultado de um acidente mortal de um Faialense, soube-se até que a falta de manutenção de alguns dos cabeços já se arrastava por 30 anos!

Novamente, à semelhança dos numerosos casos de impunidade ao longo dos anos na Atlanticoline, depois de tantos sinais de terem sido cometidos demasiados erros no processo da Transmaçor e de manutenção nos portos das ilhas do Triângulo, o Secretário Regional dos Transportes refutou qualquer responsabilidade política do que se passou, no que até foi coberto pelo próprio Presidente do Governo dos Açores: pois só agora aconteceu um acidente mortal, pelo que doravante é que se vão fazer os trabalhos necessários para se corrigir a situação e evitar-se que outros casos venham a acontecer no futuro. Pois era de esperar isto, até porque ao nível dos transportes a responsabilidade fica sempre para a próxima e até ao momento sempre reinou a impunidade total dos que tão mal têm gerido este setor.

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Na apuração de responsabilidades de qualquer índole sobre o acidente que vitimou José Norberto num navio da empresa pública regional “Transmaçor” no porto do Cais do Pico, devido ao rebentamento de um cais de amarração, infelizmente, cada vez que alguém das tutelas  abre a boca, o desplante vai sempre crescendo.

Primeiro foi a vez do Secretário Regional do Turismo e Transportes a não assumir qualquer responsabilidade política do caso, com base no conteúdo do relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes Marítimos. Uma desfaçatez incompreensível de uma tutela perante o conteúdo de um relatório que denuncia 30 anos de falta de manutenção de uma infraestrutura que aquele membro do executivo tinha sob sua gestão.

Depois foi a vez do Presidente do Governo dos Açores se solidarizar com as declarações do Secretário Regional do Turismo e Transportes, não havia necessidade de se expressar sobre esta matéria em que um membro do seu executivo já se tinha politicamente inocentado e, pior, fez recair sobre si mesmo a cadeia da autodesresponsabilização no poder político regional.

Agora, segundo o jornal Incentivo de hoje, o Presidente do Conselho de Administração da empresa pública regional “Portos dos Açores” na altura do acidente e agora reconduzido, a entidade gestora direta da infraestrutura portuária cuja cedência do equipamento causou o acidente mortal, perante a Comissão de Economia da Assembleia Legislativa Regional, o chefe máximo desta empresa invocou relatórios secretos que apontam para outras conclusões, isto como se não fosse NOJENTO e GRAVE um titular de um cargo público de nomeação política invocar, perante questões de eleitos pelo povo, relatórios que são secretos, nojento não só com este tipo interrogadores, usar a mesma técnica com um jornalista ou cidadão também seria nojento.

Só num regime de democracia duvidosa e demasiado pouco transparente ou então numa ditadura seria compreensível que alguém nomeado pelo poder político executivo defender-se perante adversários eleitos pela oposição com relatórios secretos. Um argumento NOJENTO, GRAVE e um precedente PERIGOSÍSSIMO para a saúde de qualquer regime democrático.

Esta gente não se enxerga mesmo, por isso até se desresponsabiliza politicamente do que acontece nas infraestruturas que estão sob a sua alçada de gestão, isto perante relatórios tornados públicos que os acusam claramente de falta de manutenção de estruturas a seu cargo e, pior ainda, se defende publicamente com dados secretos.

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