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Posts Tagged ‘São Jorge’

Meu artigo de hoje no diário da Horta “Incentivo”:

O TRIÂNGULO PODE VOAR… DESDE QUE SEJA BAIXINHO!

Existe uma ideia filosófica que diz que mais importante do que dar um peixe a uma pessoa é ensiná-la a pescar para esta se libertar pelos seus meios da caridade alheia em matéria de fome e pobreza. Só que o Governo dos Açores não quer que o Triângulo tenha condições de crescer livremente. Quer o Faial, o Pico, São Jorge e quiçá alguma outra ilha reféns da “solidariedade” oficial e interesseira que importa para preservar quem está no poder. Se não vejamos:

O Governo dos Açores na passada semana visitou oficialmente o Faial e programou um conjunto de eventos que, apesar de mostrarem investimentos positivos e socialmente bons, tendem a ser rebuçados para calar as vozes dos que alertam para a falta de investimentos cruciais para esta ilha de modo a assegurar o crescimento económico ambicionado pelos Faialenses.

Ninguém contesta os benefícios da inauguração e construção de instalações de apoio social, agora quanto a questões estratégicas essenciais como o aeroporto e as acessibilidades, logo o Governo dos Açores começa com discursos redondos sem se comprometer com nada de consistente e substancial.

O Executivo não tem problema em falar da concessão a privados fora da Região da sala de desmancha do Matadouro feita com dinheiro regional e na verdade percebo a via seguida dado que era preciso desbloquear o problema. Contudo, em contradição absoluta a este discurso, o mesmo Governo em simultâneo recusa investir a sério na ampliação da pista do aeroporto da Horta porque esta foi concessionada a privados exteriores aos Açores.

Ao Governo não importa que esta ampliação seja fundamental para garantir o crescimento económico do concelho da Horta sem constrangimentos nas acessibilidades aéreas. Aliás, suspeito mesmo que é isto que preocupa o Executivo regional, como é crucial para que esta ilha possa crescer sem amarras, então há que pôr travão! Não vá o Triângulo unido e o Faial em concreto crescer demais. Esta zona do Arquipélago pode voar… mas baixinho! Pode avançar… mas com trela curta, para o Governo dos Açores ter controlo nesta Gente!

O Governo dos Açores publicita reuniões com órgãos como o Conselho de Ilha para responder a questões que lhe sejam colocadas e mostrar a sua transparência na preocupação das causas dos Faialenses. Só está indisponível para responder diretamente aos cidadãos que estejam desvinculados de instituições, pois podem fazer perguntas inconvenientes. Transparência sim, mas com a dose, com uma certa de opacidade para não ficar tudo muito claro e o Executivo manter o controlo.

O Governo dos Açores está disposto a ir disponibilizando investimentos para nos mantermos vivos, se refilarmos muito, com ar de sacrifício até aumenta a dose e a seguir publicita isso como boa-vontade e iniciativa sua. Contudo nada de dar condições para pescarmos por conta própria, pois isso seria dar-nos rédea solta e liberdade para ter nas nossas mãos as ferramentas para o desenvolvimento das potencialidades do Triângulo onde o Faial se inclui.

Daí a opção de compra de aviões que não podiam voar para o Triângulo. Daí a falta de pilotos habilitados a aterrar no Faial e Pico, mas abundantes para destinos nos Açores onde existem outras alternativas. Daí falar de obras nas pistas destas ilhas, mas sem nunca se comprometer de facto. O Executivo quer dar a entender que nos deixa a voar, mas vê-se que só se for baixinho e na rédea curta deste Governo que não é do todo Regional. Este modo de agir connosco é uma estratégia castradora do nosso desenvolvimento e conta com colaboracionistas de cá.

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo

CONQUISTADO A FERROS E PELOS MÍNIMOS

Faz hoje dois meses que, com grande tristeza, fomos informados do encalhe da embarcação de passageiros “Mestre Simão” no porto da Madalena e se a primeira preocupação foi para o salvamento das pessoas, que felizmente correu bem, a segunda foi logo para a necessidade de se reduzir o efeito da indisponibilização deste navio na qualidade e quantidade do serviço de transporte de passageiros no Triângulo e, sobretudo, no canal Faial-Pico.

Apesar de tudo, o Governo dos Açores e o seu braço empresarial para este serviço: a Atlanticoline, deram a entender, após o reconhecimento da irrecuperabilidade do Mestre Simão, que iriam construir um novo navio com características “similares à que agora foi perdida” e deixaram entender que, até lá, daqui a mais de um ano ou mesmo dois, apenas recorreriam aos velhinhos cruzeiros trintões do tempo de Mota Amaral para colmatar esta falta.

Contudo, cedo ficou evidente que, pelo aumento de passageiros e viaturas a circular no Triângulo e Canal e os objetivos de desenvolvimento do turismo destas ilhas, esta solução era escassa.

Assim, foi preciso pressionar o Governo dos Açores, as redes sociais na internet começassem a mostrar inquietude e após a requisição do PSD-Açores na Comissão de Economia do Parlamento Regional para audição do Presidente da Atlanticoline sobre este problema, para que este falasse, finalmente, de uma tentativa para compensar esta falta até à chegada ao Triângulo da nova embarcação a encomendar. Novamente com outra ação escassa, diria mesmo minimalista, a tentativa de reaproveitar o velhinho navio que já deixara de operar “Expresso do Triângulo”.

Não sei porquê, mas qualquer decisão do Governo dos Açores e das suas empresas para bem das ilhas do Triângulo, mesmo que para as compensar de um desastre, como é este caso, tem sempre de ser tirada a ferros do executivo regional e, mesmo assim, gera, por norma, uma medida minimalista que não repõe entretanto a situação.

A verdade é que o maior avanço das últimas embarcações de passageiros para o Triângulo não foi o número de lugares ou a redução de tempo das viagens, mas sim, a possibilidade de agora também se transportar viaturas, permitindo uma melhoria evidente neste serviço quase 20 anos depois da saída da governação de Mota Amaral e, ao primeiro contratempo, infelizmente, já não são capazes de garantir no mercado outro navio que ofereça aquela condição que tínhamos desde há poucos anos, uma vez que o Expresso do Triângulo não assegura o transporte de carros, reduz-se esta oferta.

Tenho praticamente a certeza, vendo outras situações, que se algo de equivalente tivesse corrido lá por São Miguel, o Governo dos Açores, através da sua Atlanticoline, se desdobraria, e muito bem, para encontrar uma solução temporária que não fosse inferior à das condições anteriores ao encalhe.

Infelizmente, para o Triângulo as soluções são sempre diferentes e pelos mínimos, qualquer melhoramento ou minimização de incidentes num serviço público regional prestado às suas populações e economia tem sempre de ser arrancado a ferros, com um esforço redobrado, evidenciando-se assim a má vontade do Governo dos Açores para com as gentes destas ilhas.

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Ophelia

A probabilidade de o Faial e as ilhas do Grupo Central serem afetadas por ventos de intensidade ciclónica do furacão Ofélia é inferior a 5% e como a sua posição já é próxima das longitudes destas ilhas a previsão atual não deve ficar longe da realidade. Contudo chuva e algum vento mais fraco é altamente provável para este fim de semana, algo a que nós já estamos habituados.

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A Câmara de Comércio da Horta defendeu a abertura dos aeroportos do Faial e Pico a voos “low cost”, todavia, salvaguardou a necessidade de um regime apoiado pela Região. Efetivamente a experiência tem demonstrado que abrir algo à concorrência esperando que o privado aja em benefício das populações ao corrigir disfunções da administração pública em muitos casos resulta em prejuízo das comunidades mais desprotegidas com enviesamentos para o lucro fácil. Mas o poder público também é perito nesta subversão.

A verdade é que a administração pública regional não está isenta destes enviesamentos, veja-se que na questão dos transportes as pressões políticas tem sido muitas vezes interesseiras à preservação dos eleitos dos seus cargos que estes não se têm furtado a prejudicar ilhas menos populosas como o Faial e o Pico em detrimento de outras onde esperam cativar mais votos.

Por exemplo estratégia da empresa pública SATA só é possível por estar concertada com o Governo dos Açores, pois para fazer preços mais baixos a circuitos que passam por São Miguel e usam mais aviões e aeroportos para se chegar ao Continente do que ir diretamente para Lisboa num voo mais rápido e com menores encargos globais resulta de um enviesamento de não refletir no percurso indireto as despesas que resultam para a Região do uso um maior número de aparelhos e das taxas aeroportuárias das escalas pelas infraestruturas públicas regionais, ou seja: os Açorianos, inclusive os prejudicados, pagam pela calada estes encargos para a empresa pública favorecer a rota entre Ponta Delgada e Lisboa, aquela que descaradamente é referida na publicidade como Açores, para deste modo também intencionalmente apagar a existência de outras gateways no Arquipélago.

A tentativa que o Governo Açores teve em vender as plataformas logísticas no transporte de mercadorias é outro caso evidente de como o setor público também não é garante de defesa dos mais fracos se outros interesses mais altos se levantarem aos políticos.

Assim, sou favorável à abertura defendida pela Câmara do Comércio da Horta, mas as forças vivas do Faial, Pico e mesmo de São Jorge terão de acompanhar e analisar muito bem a solução a encontrar para no fim não nos venderem com grandes parangonas publicitárias nos mídia, para tirarem proveitos pessoais, um outro cavalo de Tróia que nos prejudicaria ainda mais a seguir.

Igualmente mantenho que a articulação no transporte inter-aeroportos e inter-ilhas é outra peça a estudar para garantir a unidade do Triângulo, pois deficiências neste sistema apenas servem para serem oportunisticamente exploradas por adversários da união entre o Faial, Pico e São Jorge.

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Não admira que haja um menor crescimento do turismo no Triângulo do que na Região, com tantas dificuldades que são colocadas na realização de reservas da Azores Airlines diretamente para a Horta, no embuste que foi o charter para Pico destinado a enganar Picoense e na calendarização tardia das ligações marítimas entre estas três ilhas; só um milagre é que este crescimento no Triângulo estaria acima do do Arquipélago.

Pior, este crescimento inferior é mesmo estrategicamente fomentado, não só pelo que acima foi dito, como também nas omissões de informação dos reencaminhamentos gratuitos, na tentativa de redução da rota Horta-Lisboa e nos esforços que a SATA tem feito para desunir Faialenses e Picoenses nas exigências de cada um em mais ligações nas suas ilha ou no uso dos seus dois aeroportos como alternativos e descaradamente evidenciado de quando há promoções turísticas dos Açores a imagens favorecem automaticamente a maior ilha da Região onde a transportadora aérea regional quer concentrar os passageiros.

São Jorge sofre também por tabela por muitas das indecisões que tem sempre que é convidada a reforçar a sua união ao Triângulo e vacila pelas sua histórica ligação à Terceira herdada do passado e do tempo da ditadura e, efetivamente, há quem alimente esta incerteza que prejudica a ilha geograficamente central dos Açores… mas muitos Jorgenses ainda não se aperceberam disso.

O Triângulo só confirmará todo o seu potencial quando unido vencer todos os que têm medo da sua força e criam barreiras ao turismo integrado do Faial, Pico e São Jorge.

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Ao princípio, em abril último, a propaganda política permitiu criar a ilusão de um grande feito: asseguravam-se ligações aéreas da TUI diretamente entre Amesterdão e o Pico. Era a primeira ligação internacional  com alguma regularidade no Triângulo e a ilha Montanha seria a principal beneficiária, mas também os seus vizinhos Faial e Pico. Até eu acreditei, mas depois devagarinho foi-se descobrindo a marosca.

Primeiro, voo direto mas com um número muito limitado de reservas no avião para o Pico, a maioria teria de ir para São Miguel, os voos eram redondos, ou seja, teriam sempre de pisar a maior ilha dos Açores e rapidamente se percebeu que o objetivo principal era rentabilizar o destino Ponta Delgada.

Depois começaram-se a ouvir problemas na promoção e integração do pacote dos destinados ao Pico, que poderiam também vir para o Faial ou São Jorge.

Agora noticia-se que a ligação ao fim de 6 meses é para acabar e enquanto no começo o Governo dos Açores colhia louros assumindo a sua liderança na iniciativa, agora o Secretário Regional do Turismo limita-se a dizer que foi uma “esta alteração foi efetuada pela operadora” (in jornal incentivo)… o comportamento típico deste executivo: nunca assume culpas dos falhanços do que por cá ocorre, a culpa é sempre dos outros.

Todavia, quando alguém faz algo de positivo logo surge o Governo dos Açores a colar-se, a assumir-se como o parceiro ou o pai da ideia ou do projeto e quando não conseguem esta bandeira sente-se o desapoio ao promotor.

Novamente se fala dos encaminhamentos… como se isso fosse algo diferente do que existia antes de abril, mais precisamente, desde que começou o atual modelo de transporte aéreo de passageiros low cost entre os Açores e o exterior

Infelizmente o Pico foi agora vítima desta forma centralista de governar a Região e o Triângulo também, mas cá pelo Faial já me habituara a ver as coisas a não passarem da primeira fase…

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O número de deputados na ALRAA é constante, exceto quando há uma alteração legislativa para uma mudança, todavia a repartição de deputados pode variar em função do número de eleitores por ilha, não o número real, que este é muito distante da verdade, mas sim dos que estão efetivamente inscritos nos cadernos eleitorais, quer sejam vivos ou mortos, residentes ou emigrantes, é assim que o funciona o regime.

Assim, pese embora o desfasamento da realidade, de acordo com os cadernos eleitorais São Miguel ganhou um deputado, enquanto São Jorge perdeu um, as restantes ilhas ficam iguais às anteriores eleições. Se a terra do arcanjo se queixa que apesar de ter a maioria dos Açorianos elege menos de metade dos deputados, agora a residentes no círculo eleitoral do santo cavaleiro, com o dobro dos habitantes de Santa Maria, Graciosa ou Flores, elege o mesmo número de representantes ao parlamento regional que cada uma destas três… tal seria correto se resultasse apenas da legislação, o problema é que resulta também do desajustamento da realidade do recenseamento.

Todavia, suspeito que a situação ainda concentraria mais o peso de São Miguel se houvesse uma correção dos cadernos eleitorais que aproximasse os seus números para a realidade dos residentes nas várias ilhas dos Açores… aspeto que se tem reforçado com um investimento preferencial na ilha do arcanjo face a outras terras cada vez mais despovoadas, não só por concentração urbana dos Açorianos, mas também por falta de alternativas nas terras mais pequenas. Uma pescadinha de rabo na boca que morde mais uma vez uma parcela mais pequena da Região.

Se o Triângulo se fosse unido, sentiria eleger 11 deputados, menos um, mas ainda mais um que a Terceira… mas o divisionismo não ajuda nenhum destes vértices Faial, Pico e São Jorge.

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Agora foi a vez do CDS ressuscitar a ideia de criação de uma Plataforma Logística na Praia da Vitória, onde as mercadorias vindas do Continente para o Faial, Pico, São Jorge, Graciosa, Flores e Corvo viriam diretamente para aquela cidade e aí far-se-ia o transbordo para outro navio e empresa que as levaria as as ilhas acima citadas, como informa o Incentivo.

Depois de tanta luta, eis que um partido cuja expressão parlamentar mais significativa fica na Terceira volta ao ataque para concentrar naquela ilha um serviço que só ia custar mais aos cofres da Região ou aos Açorianos que vivem nas ilhas do Faial, Pico, São Jorge, Graciosa, Flores e Corvo. Para concentrar mais uns serviços na Terceira em prejuízo de outras de modo a alcançar mais uns votinhos por ali.

Curiosamente, a loucura não se fica por aqui, para agradar aos Jorgenses, onde aquele partido também tem uma boa expressão eleitoral, propõem ainda a permanência de um navio da Atlanticoline naquela ilha para fomentar um triângulo com vértices longíssimos à custa do outro Triângulo fruto da proximidade entre o Faial, Pico e São Jorge, isto porque as ligações entre o Faial e São Jorge far-se-ia através de uma ligação por mar entre a Horta e a Madalena, depois por terra entre Madalena e Cais do Pico e o troço final por mar entre este porto e uma das vilas jorgenses de forma a retira o do novos ferries da cidade-mar.

Na realidade estamos em anos de eleições, a Terceira elege muitos mais deputados que o Faial e para se conseguir eleger mais deputados não há quem não seja capaz de prometer o impossível ou de propor coisas loucas em prejuízo dos mais pequenos para merecer o favor dos maiores, foi este o caso.

Já não estranho, mas há uma faialense subscritora desta proposta eleita pela Terceira, mas o Faial já se habituou a assistir ataques à sua ilha apoiados ou com a complacência de políticos dele naturais ou por aqui residentes.

Espero que entre os outros Faialenses e Açorianos haja bom senso para impedir mais este ataque ao Faial… ou que depois das eleições estas loucuras sejam novamente arrumadas na gaveta.

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Meu artigo de ontem no diário Incentivo.

20 ANOS DA ADELIAÇOR: PARABÉNS!

Fui recentemente surpreendido num telejornal pela reportagem de comemorações do vigésimo aniversário da criação da Associação para o Desenvolvimento Local de Ilhas dos Açores, abreviadamente – ADELIAÇOR, cujo nascimento oficial ocorreu a 28 de setembro de 1994, com a subscrição em cartório dos seus estatutos por 15 pessoas, a título individual ou em representação de entidades, entre as quais tenho orgulho de estar incluído.

Tal como nos bebés, a conceção deu-se meses antes de a ADELIAÇOR ver a luz do dia. Ocorreu numa reunião das Juntas de Freguesia do Faial com o vereador Rui de Jesus Goulart, onde foi lançado o repto de se criar uma associação para a ilha se candidatar e gerir fundos do programa comunitário LEADER II, destinado a apoiar projetos de desenvolvimento no espaço rural dados pela então Comunidade Europeia e na sequência de um desafio lançado antes, penso que pelo então Diretor Regional com o pelouro da agricultura, a vários autarcas dos Açores.

Foram então nomeados dois Presidentes de Junta para assumirem o projeto, eu próprio, eleito pelo PSD, e Carlos Carepa, eleito pelo PS, desde então começou a gestação desta Associação, ainda sem dinheiro e sem saber com rigor as regras que tinha de respeitar.

Com o tempo soube-se que havia uma área e população mínima e como tal teria de se estender ao Pico, São Jorge, Flores e Corvo. Precisaríamos assim de fazer pontes de confiança com as principais forças-vivas destas ilhas, elaborar estatutos e ter conhecimentos jurídicos das exigências europeias e nacionais. Reconheço que a cooperação entre mim e o Autarca das Angústias foi ótima, o ideal de se criar uma entidade em benefício das populações apagou qualquer preconceito partidário e nenhum de nós tinha pretensões pessoais a tais fundos. Movíamo-nos pelo serviço às populações sem interesses individuais. A forma como eu ainda hoje sinto que se deve estar na política.

Não foi um tempo fácil, o apoio financeiro à criação era escasso, as ilhas eram muitas, dispersas e sofriam entre si desconfianças bairristas que precisávamos de curar e transformar em cooperação. Contratou-se uma equipa administrativa e jurídica a tempo inteiro para a burocracia necessária que muito trabalhou. Fizeram-se contactos profundos com as nove Câmara Municipais da área que serviram de intermediárias e envolveram Juntas de Freguesia, Casas do Povo, Associações Agrícolas, Cooperativas, Filarmónicas, a Câmara do Comércio da Horta e pessoas interventivas.

Assim, foi-se gerando uma entidade onde todos depositavam confiança na Comissão Instaladora, que do Faial já envolvia a JAGRIFA, a AAIF e a Câmara do Comércio e foi nessa boa-fé e sem bairrismos que se tornou viável irem ao cartório 15 residentes desta ilha oficializar o nascimento da ADELIAÇOR em nome de dezenas de potenciais sócios dispersos pelo Pico, São Jorge, Flores e Corvo, que moralmente também seriam merecedores do estatuto de fundadores.

Fizeram-se as primeiras eleições dos órgãos sociais, Carlos Carepa ficou Presidente da Assembleia Geral, eu da Direção com Jacinta Melo a representar a JAGRIFA, e José Borges a Câmara do Comércio, para permitir um quórum de residente nesta ilha nas assinaturas urgentes, mas existiam elementos de outras ilhas. Não foi um mandato fácil, havia muitas incertezas, os projetos candidatos eram muitos, a burocracia legal enorme, o dinheiro demorava a vir e tinham-se despesas correntes como salários. Mas eu já então temia dívidas e que estas pudessem comprometer o futuro da ADELIAÇOR perante a banca. Cheguei mesmo a emprestar sem juros à instituição verbas para esta cobrir vencimentos e encargos urgentes e esta ficou saudável e devolveu-me quando lhe foi viável.

Definiram-se regulamentos, os fundos comunitários começaram mesmo a chegar, tive críticas (normal para quem assume estratégias): as candidaturas teriam de ser pequenas por precaução inicial e o dinheiro chegar para todos. Já então preferia as de setores reprodutivos criadores de emprego, só que estas eram mais escassas, mas por fim saíram os primeiros apoios. Veio sismo e tive de sair, mas outros sucessivamente foram assumindo as rédeas com as suas ideias. A ADELIAÇOR cresceu. Hoje é uma Associação madura, respeitada e ao serviço das cinco ilhas.

Sempre tive como princípio que na minha vida pública me competia semear projetos e apoiar coisas boas para a sociedade, mas seria esta a colher os frutos e não eu. Assim fiz com ADELIAÇOR. Não mais interferi com ela, nem dela me servi e vejo-a agora a comemorar já 20 anos. Parabéns e obrigado a todos os que desde então confiaram e deram o seu melhor para que hoje a Associação para o Desenvolvimento de Ilhas dos Açores esteja viva e saudável.

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Não sei se o acidentado teria tido alguma hipótese de sobrevivência se os meios aéreos tivessem agido de imediato na evacuação do ferido em causa, sei que o que aconteceu em São Jorge não deveria ter acontecido e ficará para sempre a dúvida se a pessoa morreu por falta de socorro.

Agora, isto de um aeroporto estar certificado para aterragens noturnas comerciais e não estar para operações de resgate e salvamento em emergência não lembra ao diabo, é um atentado contra o povo açoriano e devem ser imediatamente apuradas as responsabilidades que levam a que a burocracia num caso de proteção civil seja mais importante que a vida de uma pessoa em perigo.

Se calhar se tivesse sido um avião comercial para fazer um resgate pago já teria sido considerado uma operação a coberto de certificação no aeródromo de São Jorge.

Sinto-me de facto revoltado com uma situação deste género. Qualquer dia, num caso de catástrofe natural nos Açores, corre-se o risco de se estar à espera que o resgate se faça com aviões comerciais por problemas de certificação. É fundamental que tudo fique bem esclarecido e que esta situação nunca mais se repita em nenhuma ilha dos Açores.

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