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Posts Tagged ‘salários’

Há dias num noticiário soube que a China estava a perder emprego por efeito da deslocalização de fábricas do seu território, muitas delas de marcas ocidentais, até algumas já produziram mercadoria a partir de Portugal, e dos novos investimentos ocidentais estarem a preferir Estados ainda mais pobres do sudeste asiático, uma realidade que deve não só preocupar o governo chinês, mas que demonstra que o modelo da mão-de-obra barata para aumentar a capacidade concorrencial da economia nacional acabará em fiasco, mais ainda nem for pensado como uma estratégia transitória para entretanto se reformar o nosso setor produtivo.

É que se alguém pensa que ainda será viável ultrapassar a crise descendo o custo do trabalho em Portugal face à concorrência da Europa oriental, da China ou da Índia, a verdade é que mesmo que por absurdo atingíssemos esses salários desumanos, logo a seguir teríamos o Laos, o Vietname, o Mianmar a concorrer connosco e se insistíssemos na via seria só esperar por quem viria a seguir: o Burkina Faso? o Sudão? a Somália ou até a Guiné-Bissau?

Agora cuidado: o inverso também não é uma solução sustentável num país que não é autossuficiente e sobre-endividado, pois aumentar salários com o argumento de tal fazer crescer a economia faz não só diminuir a competitividade das exportações, como adquirir ainda mais os produtos importados e consequentemente o défice comercial do país. Por isso quem diz que a solução está no crescimento da economia e não apresenta uma única ideia a não ser a da oposição à austeridade, não sabe seguramente como sair do imbróglio em que Portugal está metido.

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Christine Lagarde, diretora do FMI, não disse nada de novo, nem foi a primeira pessoa a defender um aumento de salários na Alemanha para ajudar a economia europeia nomeadamente Portugal.

O raciocínio está certíssimo, é uma forma de desvalorização relativa dos salários dos países periféricos, Krugman, prémio Nobel da economia em 2008, já em 2012 referiu algo de semelhante quando veio a Portugal: “Eu preferiria até que esse ajustamento fosse alcançado com os salários alemães a subirem em vez de serem os salários portugueses a caírem.”

O principal problema desta solução é que não depende do Governo de Portugal decidir isto e depois, mal os países ricos da zona euro aumentem os seus salários, logo por cá se começa a exigir aumentos semelhantes, tendo como argumento o aumento dos salários dos outros Estados da zona euro e tudo fica na mesma.

Contudo também é verdade que cortar continuamente salários ou subir sempre os impostos é uma solução já gasta e que comprovadamente não resolve o problema económico e financeiro de Portugal.

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Muito antes de Passos Coelho abrir a porta ao aumento do salário mínimo nacional, já a maioria dos partidos, sindicatos o tinha proposto e até alguns representantes das entidades patronais se tinham mostrado favoráveis a isso, por isso não me admira que comunistas, socialistas e a CGTP até falem como se tivessem a paternidade desta ideia e tendam a forçar o Primeiro-ministro a ir em frente.

O aumento do salário mínimo pode não ser uma medida que favoreça as políticas pretendidas pela troika e mesmo a consolidação das contas públicas, nem acredito que estimule o emprego, mas é uma necessidade de justiça para dar dignidade a quem trabalha com este salário miserável.

Agora o que me parece intolerável é usar-se o assunto como arma de arremesso eleitoral, se aceito que o líder do PS tenha desafiado Passos a convocar a concertação social para discutir o salário mínimo, já não aceito que que o líder da UGT que até está na Comissão Nacional do PS e é autarca socialista, depois do repto lançado por António José Seguro, Carlos Silva como sindicalista em vez de acelerar o processo para se aumentar o salário mínimo nacional venha rejeitar negociações imediatas e exija adiar as negociações para depois das eleições e saída da troika.

É uma incoerência a todos os níveis, se a proposta do governo tivesse motivações eleitorais e não acredito que lhe desse bons frutos, então era neste período que o executivo estaria mais fragilizado para ceder a exigências mais altas dos sindicatos e quanto mais cedo isto foi conseguido melhor seria para os trabalhadores em causa. Este jogo do PS exigir a medida já para mostrar interesse e do seu agente sindical máximo exigir o adiamento mostra muito a realidade que é este partido, onde o jogo politiqueiro está acima das pessoas e daí o grande risco de desilusão que poderá enfrentar numa provável vitória em próximas legislativas semelhante à que provocou Hollande.

Mesmo considerando exorbitante a dimensão das exigências de aumento, a verdade é que nisto BE, CDU e CGTP se mostraram muito mais coerentes ao subirem a parada e a pedirem urgência nesta matéria e eu não tenho pessoalmente nenhum benefício nem a minha família neste aumento que considero uma das mais justas reivindicações que andam em discussão na comunicação social, mas considero uma desfaçatez vergonhosa e interesseira subjacente ao comportamento do líder da UGT nesta matéria.

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