Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘Portas’

O CDS, à exceção dos mandatos de maioria absoluta de um só partido, é a força política que mais tempo esteve a apoiar executivos em Portugal desde do 25 de Abril que resultaram de vitórias minoritárias; foi com Sá Carneiro no tempo da AD, foi com Mário Soares na década de 1980, foi com Guterres com o queijo limiano, foi com Durão Barroso e é agora com Passos Coelho.

Paulo Portas tem um instinto de sobrevivência política que o torna moldável como a plasticina, escorregadio como a enguia e capaz de saltar como uma mola de modo a tentar perpetuar a sua permanência à volta do poder. Agora já começou a pressentir que mesmo com o terramoto político José Sócrates, Passos Coelho não deverá ser reeleito primeiro-ministro nas próximas legislativas e para isso António Costa não precisa de ser génio, basta o descontentamento com o atual executivo personalizado no líder do PSD.

Assim, já começou de uma forma descarada a tentativa de sedução de António Costa, apesar do radicalismo de esquerda mostrado pelo PS no último congresso e da sua equipa principal ser toda ela socrática com discurso inflamado contra a direita. Os casos de pessoas ligadas ao CDS presente ou no passado já são tantos que farta: Pires de Lima elogia António Costa, o CDS coloca-se do lado do PS na discussão dos feriados nacionais, até existem deputados do CDS que não voltam em partidos que não pretendam repor o 1.º de Dezembro e até já há autarcas do PS vindos do CDS que consideram um grande governo uma coligação entre estes partidos.

Resta saber se depois de todas as acusações que têm sido feitas ao caráter político de Portas e da necessidade que o PS tem de se afastar de pessoas associadas a escândalos com a justiça, se António Costa morde o isto já lançado.

Read Full Post »

Seguro pediu um cartão vermelho ao Governo nestas eleições e empenhou-se de tal forma neste campo que até numa campanha para o parlamento europeu pôs a tónica num programa de governo nacional e não numa estratégia para a Europa, consequentemente o eleitorado borrifou-se para ele e até lhe deu um cartão amarelo alaranjado a puxar muito para o vermelho.

Não há maior sinal de incompetência e desnorte de um candidato a líder de um País democrata que numa ação de campanha sobre um ato eleitoral ou referendo em concreto esse mesmo líder não só seja incapaz de centrar a discussão na matéria em questão e vencê-la como até apresente um trunfo sobre um assunto que não está em jogo em cima da mesa. Já imaginaram que alguém inteligente num referendo da coadoção apresentasse a estratégia para defender a eutanásia?… foi esse o modo de agir de Seguro e o povo disponibilizou-se a assistir ao seu suicídio político.

Pior, mesmo na noite eleitoral Seguro nem foi capaz de mostrar-se capaz de se preparar para falar face a resultados reais menos prováveis do que aquele que esperava e fez um discurso de grandiosidade quando os dados não lhe davam qualquer vantagem significativa, até obtinha um dos piores resultados de sempre para o seu partido e só não era uma real derrota por que a coligação do Governo ainda fora mais penalizada. Assim Seguro se torna-se ainda mais campeão da insegurança, mostrando que não sabe reagir perante os imprevistos e as adversidades e negando a realidade.

Os líderes dos partidos do Governo mostraram-se mais inteligentes na noite eleitoral, não por que tenham feito uma boa campanha antes, mas por que souberam ler os dados e comportar-se de forma contida para minimizar os estragos da derrota e aproveitar a seu favor o imprevisto mau resultado do PS.

Contudo, como os resultados eleitorais foram maus para Seguro, quase como que uma derrota, esta situação pode ainda ser a salvação do PS e a causa de uma maior derrota do Governo nas próximas legislativas: a insatisfação dentro dos vencedores à tangente pode levar a uma revolução interna e Passos pode vir a contar com um líder socialista que muitos Portugueses veem agora como o Dom Sebastião socialista: António Costa, que poderá assim preparar-se para cavalgar e vencer uma primeira batalha interna até vencer o poder nacional, onde poderá encontrar o seu Alcácer Quibir como Hollande agora o encontrouse entretanto Portugal não conseguir dentro de portas encontrar uma solução sustentável para os seus principais problemas economicossociais.

Read Full Post »

O PS ao pedir um voto de condenação ao governo nas próximas eleições para o Parlamento Europeu (PE) e as escassas temáticas sobre a Europa que têm surgido na comunicação social nos últimos tempos demonstram bem a falta de peso que Portugal tem na União Europeia no pensamento dos políticos e dos jornalistas nacionais. O futuro da Europa onde o nosso Estado se insere joga-se lá fora nos agrupamentos que se formarão a partir dos resultados dos grandes Países.

Contudo há uma questão que está mesmo em jogo nestas eleições para o PE: os seus efeitos nas alternativas de escolha do próximo Primeiro-ministro a partir de meados do próximo ano. Considero o PS já o vencedor dessas eleições, mas se não surgirem fora deste ato eleitoral imprevistos exteriores ou interiores a Portugal que mudem radicalmente o evoluir da situação atual, destas resultarão apenas dois cenários:

O PS vence com grande folga e teremos um embate para Primeiro-ministro nas legislativas entre José Seguro e Passos Coelho e muito provavelmente depois um Governo de coligação entre socialistas e um ou dois partidos à direita, o líder do PSD talvez mude e Portas tentará resistir.

O PS, mesmo com o desgaste do atual executivo vence por escassa margem e então as alternativas dentro do PS entrarão em luta para substituir José Seguro e teremos depois um novo líder socialista para se bater com Passos Coelho que se for alguém com o prestígio de António Costa pode levar o seu partido a uma vitória mais significativa em 2015 e neste caso talvez surjam possibilidades mais alargadas no leque ideológico para constituição do novo Governo, com um retiro mais que provável dos dois atuais líderes do PSD e do CDS da cena política, pelo menos de forma mais acentuada durante os tempos mais próximos.

Por isso em Portugal apenas a cabeça de Seguro se joga a sério nas próximas eleições ao Parlamento Europeu.

Read Full Post »

Independentemente de Paulo Rangel e Nuno Melo serem bons candidatos ao Parlamento Europeu pelo seu valor individual e também o principal adversário Francisco Assis não ser inferior, mais dos do vencer as próximas eleições, o principal desafio que vejo aos dois candidatos cabeça de cartazes dos partidos da coligação é o seguinte:

Não sofrer uma derrota humilhante por efeito do descontentamento dos eleitores com o atual governo, de modo a que as suas personalidades se mantenham fortes na influência interna dos seus partidos como potenciais alternativas internas no futuro, mas garantindo que não haja uma perda tangencial ou mesmo uma vitória de modo a não destronar  a liderança titubeante e sem consistência programática sustentável de António José Seguro da oposição para assegurar à coligação esperanças nas legislativas seguintes.

Resta perceber como Rangel e Nuno Melo estão disponíveis para ajudar Passos e Portas e quanto a fação de António Costa está interessada em destronar o Secretário-Geral do PS antes das próximas legislativas, destes dois confrontos e da abstenção dependerão muito os resultados eleitorais para a Europa em Portugal…

Read Full Post »

Quem quer eleições discorda logicamente do acordo de Passos com Portas por não conduzir à dissolução do parlamento independentemente deste ficar com mais ou menos competências do que antes quando era ministro de negócios estrangeiros e número três na hierarquia do governo. Pelo que neste grupo todas as críticas ao atual líder do CDS têm de ser vistas neste contexto, concorde-se ou não com a solução que propõem.

Todavia, há também quem pretenda um entendimento de governo entre o PSD e o CDS, não deseje eleições e seja muito crítico aos termos do acordo e exponha a seguinte linha de pensamento: este levou a beneficiar o infrator, ou seja, consideram o comportamento de Portas irrefletido ou politicamente traiçoeiro e o aumento das suas competências um prémio.

Já justifiquei que não era contra eleições antecipadas, mesmo considerando ser o pior economicamente para Portugal, pelo menos nos próximos anos , mas mesmo que visse o aumento de poder como um prémio (para mim é um serviço ao País) não rejeito o acordo e muito menos os seus termos. Aliás, vejo que encerra um desafio enorme para Paulo Portas: tirar Portugal do fosso em que está metido sob o jugo da troika com medidas políticas e tecnocráticas eficazes sem aumentar a impopularidade que a precária legitimidade da atual solução confere ao executivo é praticamente tão impossível como os desafios de Hércules.

Se conseguir e é o que desejo para Portugal, todos nós Portugueses beneficiaremos disso e não me repugna que Portas colha louros de tal desafio, se não o conseguir é o fim do mito deste político que finalmente está na cabeça do touro e cabe a ele mostrar o que vale em vez de vencer com discursos dúbios populistas e jogadas palacianas.

Além do mais, mesmo considerando que o PSD tenha ganho as últimas eleições e o seu mandato só termine em 2015 e por isso possa ser legalmente justificada a legitimidade para liderar a Governação com maior peso relativo no executivo, apesar do reconhecido desgaste, antes dos interesses do partido estão os de Portugal…

Read Full Post »

A solução acordada entre os líderes dos PSD e do CDS penso que é mais um casamento por necessidade de Portugal do que por desejo das partes coligadas, semelhante àqueles casamentos entre reinos para assegurar a paz dos Países. Entre estes houve uns que deram certos e trouxeram benefícios aos seus Estados ou pelo menos evitaram guerra mortíferas  e outros que foram fiascos.

Não acredito que Passos Coelho e Paulo Portas passem a gostar mais um do outro agora do que no passado, mas talvez se sintam obrigados a se concertarem entre si  e a se tolerarem por terem tomado consciência das consequências para a economia nacional dos seus desentendimentos. Esta é a hipótese positiva, a negativa é não terem amadurecido, estarem fragilizados por uma população motivada para eleições e os mercados espreita do que se passa em Portugal.

A solução de eleições tinha a vantagem da legitimar o novo governo, caso o programa vencedor não fosse uma promessa agradável irreal para se tornar em seguida  noutro plano de austeridade não sufragado e se minoritário os desforras não minassem a necessidade de novos entendimentos. O Povo teve agora a oportunidade de ver os efeitos negativos especulativos da instabilidade que de certeza traria um segundo resgate, este seguramente mais austeridade e o risco de se mentir numa campanha num País em crise profunda não ajuda à sua resolução.

Visto os dois cenários… ambos têm riscos muitos elevados, não havendo eleições, desejo que nestas circunstâncias os meus receios não se concretizem para bem de Portugal. Mas se tivesse havido eleições, também desejaria precisamente o mesmo, pois a probabilidade de sucesso não me parece que seria maior.

Read Full Post »

Ainda é muito cedo para saber como o Governo e o País sairão desta pequena crise governativa e muito mais incógnito como sairá Portugal de toda a grande crise que é a embrulhada em que se meteu devido a erros de décadas e mediocridade da classe política.

Todavia, a presente crise governativa apenas tem um dado novo: tanto pelo modo como pela oportunidade, Paulo Portas, o mais antigo líder partidário no ativo, numa rev0lta apanhou com estilhaços dos seus atos e está pela primeira vez mais fragilizado.

Assisti o Portas jornalista, através do jornal Independente, queimar em lume brando Cavaco Silva, era um contrapoder externo, depois entrou no mundo do poder e durante duas décadas o Portas político serviu-se de alianças estratégicas para ascender no contexto nacional e com revoltas ou traições destruir os seus aliados e sair por cima, deixando sempre as suas vítimas pelo caminho.

Foi assim com um dos políticos mais promissores que o CDS já  teve, Manuel Monteiro, foi assim com Maria José Nogueira Pinto, foi assim com Marcelo Rebelo de Sousa que deu uma grande volta e regressou à ribalta pelo comentário, não teve tempo de fazer o mesmo a Santana Lopes e talvez na situação em que tivesse alguma razão tentou o mesmo com Passos Coelho. Correu-lhe menos bem.

Nunca vira no meio de uma revolta Paulo Portas sem cantar vitória e a destruir na praça os seus adversários, agora até é contestado dentro do partido que personalizou de tal modo que ficou como ele PP. Não sei se tal será bom para o CDS, para Portugal ou para ele, mas é uma situação nova desde que Paulo Portas se instalou no coração da política nacional. Um homem que há já duas décadas é político de poder e continuou incólume como se nada tivesse a ver com o estado a que este Estado chegou…. mas ainda faltam os próximos episódios para acabar esta temporada.

Read Full Post »

Confesso que após décadas de acompanhar a política nacional nunca assisti a um espetáculo de crise governativa tão degradante quanto ao que hoje se assisti.

Compreendo que numa coligação existem negociações na repartição de ministérios e cargos de ministros, até admito descontentamentos a determinados nomes e se ao Primeiro-ministro cabe a prerrogativa de aprovar o nome final, ao parceiro cabe o direito de assumir atempadamente veto na negociação.

Agora não compreendo que um descontentamento sem ameaça de veto ou de demissão do parceiro de coligação durante a negociação se torne depois do nome ser tornado público e de ser constituído o gabinete pluripartidário do novo ministro, o parceiro apresente uma carta de demissão no dia seguinte.

Quando há um casamento, o representante legal ou da religião questiona na hora de se dar o nó se alguém conhece algum impedimento para o contrato que se vai celebrar, implícito que se não for nesse momento, quem se calou deve continuar calado se não surgir nada de novo. Hoje assisti a alguém desrespeitar todos os princípios de confiança numa negociação rompendo depois de ter sido publicamente assumido o nó…

Não vou defender Passos, nem acusar quem na oposição pede eleições, mas sem complexo assumo que vi alguém mostrar falta de carácter e de sentido de oportunidade.

Read Full Post »

As cambalhotas de Paulo Portas

Após a comunicação pública do Ministro Paulo Portas e líder do segundo partido da coligação governamental a pôr uma fasquia nos limites das alterações no regime de pensões que contradizia o que o Primeiro-ministro e líder do primeiro partido da coligação dissera em comunicação ao País ter sido decidido, eis que um Conselho de Ministros extraordinário acorda a maioria do já dito ao nível do sistema de reformas e coloca a hipótese de só em último recurso se implementar a taxa de solidariedade que era a barreira intransponível.

Para aqueles que esperavam uma rotura no governo e a sua queda, esta situação apenas demonstrou que, apesar de dentro do executivo existirem discordâncias, no que depender de Paulo Portas só uma situação muito extremada levará a que pelo lado do PP o executivo venha a cair.

Não estou seguro das motivações que levaram a que o PP recue naquilo que tão afirmativamente declarara ao País, acredito que Paulo Portas esteja disposto a fazer braços de ferro com Passos Coelho, mas tudo indica que não está disposto a esticar a corda até ao Governo cair e neste jogo o bluff faz parte das negociações.

Agora ainda não sei o saldo final da decisão da taxa de solidariedade, mas tudo aponta para que à desigualdade que beneficiava o setor público se crie futuramente uma nova desigualdade que penalize os trabalhadores do Estado.

Read Full Post »

Há muito que é evidente que se internamente o Conselho de Ministros é tenso e discutem até chegar a uma decisão das medidas que o Governo tem de tomar, para o exterior o executivo fala a duas vozes como se fossem duas cabeças independentes:

Passos dá as notícias impopulares, muitas vezes de forma mal justificada, assume os sacrifícios e deixa-se arder em lume brando… ou mesmo numa intensa labareda.

Portas apresenta as conquistas para minimizar as medidas impopulares, justifica as suas derrotas internas que não aceita e vai voando como um cuco sobre o ninho do governo à espera de colocar aí os ovos que lhe tragam dividendos.

Um coligação governamental não é bem isto…

Read Full Post »

Older Posts »

%d bloggers like this: