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Posts Tagged ‘Paz’

Posso estar enganado e até o desejo intensamente, mas não acredito que seja viável um acordo de cessar-fogo de carater permanente ou mesmo de longo prazo entre Israel e o Hamas, como o que há pouco começou a ser noticiado.

Contudo a ser alcançado será sem dúvida uma vitória para a humanidade, não só com benefícios para os palestinianos e israelitas, mas um passo de gigante para se alcançar uma paz mais global, para a redução do risco de confronto generalizado entre a civilização de cultura europeia (cristã/judaica e laica) e a civilização islâmica onde o laicismo é ainda pouco entendido por muitos.

Não que desapareçam todos os focos para uma guerra planetária, a própria Europa tem uma semente que pode germinar na Ucrânia, mas que este acordo a ser eficaz esvazia muito do extremismo associado à jihad: esvazia.

Queiram os Homens, Deus ou Alá que tal sucesso se consiga.

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A Europa tem sido tradicionalmente um continente em guerra permanente nos últimos milénios: o império romano cresceu invadindo os povos “bárbaros”, depois a sua queda foi levada pela invasão dos “bárbaros”, seguiu-se conquistas dos árabes no sul sobretudo da península Hispânica, sucederam-se as cruzadas, as guerras entre germanos e anglo-saxões, alemães e francesas, algumas com fama de terem atingido 100 anos ou 30 anos, guerras entre os povos britânicos, invasões francesas, guerras civis e só no século XX este bocado do mundo conseguiu gerar duas guerras mundiais.

Felizmente com a constituição da Comunidade Económica Europeia as guerras reduziram-se drasticamente neste continente, à exceção da “guerra fria” de um género diferente, apenas o leste foi alvo de invasões soviéticas sempre que algum povo tentava libertar-se das ditaduras, o único regime em que o comunismo tem sobrevivido.

Com o colapso comunista, deu-se a guerra civil nos Balcãs, mas a CEE permaneceu um reserva de paz, evoluiu para CE e transformou-se em União Europeia sempre à sombra se um sonho de unir os europeus e integrá-los num grande confederação de Estados que cooperam em paz para benefício dos seus povos.

Ironicamente, quando sopram fortes ventos de egoísmo exacerbado dos países ricos em relação aos pobres, existem Estados em rotura social e económica ou até mesmo em vias de desintegração e criando sombras sobre o futuro desta União Europeia como entidade humanista é que esta recebe o Prémio Nobel da Paz.

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É irónico que os pacifistas, na sua maioria europeus, que se manifestaram hoje em Lisboa contra a NATO tenham de agradecer à Aliança Atlântica a existência de mais de meio século de paz na Europa.

É irónico que a nova estratégia da NATO, aprovada na cidade mais ocidental da Europa, seja acompanhada pela expansão para leste deste continente e penetre na Ásia até ao Pacífico com um acordo de protecção antimíssel.

É irónico que a NATO, criada para se defender do poderio de Moscovo, hoje procure aliar-se ao líder da Rússia

É irónico que num dos países mais frágeis económica e militarmente da Aliança Atlântica, tenha sido um dos mais competente no controlo das manifestações de violência que por norma ocorrem em torno das cimeiras da NATO.

É irónico que a Europa que dominou o mundo até ao século XX, que se considera a portadora dos valores sociais e crítica do sistema americano, para se defender se ponha à sombra dos Estados Unidos e mostre a sua incapacidade de se proteger do mundo neste século XXI.

É irónico que Sócrates, após tanto ter falado que o mundo mudou, tenha sido o anfitrião da maior mudança  de estratégia militar do hemisfério norte após a II Guerra Mundial.

É irónico  que quando tanto se fala de tolerância religiosa, a NATO se transforme sobretudo numa aliança defensiva de países laicos contra a ameaça de uma cultura que não distingue o poder religioso do político.

Uma coisa é certa, após a cimeira da NATO em Lisboa ficou claro que os desafios mundiais para este século são bem diferentes dos do século XX.

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