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Posts Tagged ‘neoliberalismo’

dormidas

Apesar da tentativa de nos impingirem a ideia que o Faial está a beneficiar das ligações low cost a Ponta Delgada, infelizmente, o quadro acima, dados Estatísticos dos Açores, demonstra que no inverno  deste ano, enquanto São Miguel viu as dormidas no turismo crescerem 59% e a Terceira 14,1%, por cá, na minha ilha estas diminuíram 9,4% e no Pico reduziram-se em 8,9%.

Se no verão passado assistimos a uma saturação dos lugares disponíveis no reencaminhamento gratuito na SATA entre São Miguel e a Horta, que impedia a muitos dos turistas que viajassem em low cost de chegarem ao Faial e impedia os Faialenses de viajarem para Ponta Delgada de avião, no inverno, onde pode haver mais lugares disponíveis no transporte aéreo interilhas, verifica-se que o alojamento do Faial e Pico não beneficiou com o novo modelo de transportes.

Já disse e repito e se possível denunciarei muito mais esta situação: o Governo dos Açores converteu-se a um modelo de desenvolvimento económico geograficamente neoliberal, optando por apostar mais na ilha que já mais tem e vendendo a teoria ultraliberal da mão invisível que considera que quando o rico mais enriquece os mais pobres também ganham com isso através do crescimento económico assim gerado, ou seja, das migalhas caídas de cima, todavia na realidade esta é a maior falácia do neoliberalismo: os pobres continuam pobres e cada vez com um poder económico mais distante dos mais afortunados.

Nos Açores, a premissa neoliberal do Governo Regional está de facto a fortalecer  o turismo de São Miguel e a atrofiar, não só relativamente, mas até em termos absolutos, o mesmo setor no Faial. Só não vêm os Faialenses cegos ou que querem ser cegos perante estes factos.

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O Sindicado dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas acusou, na Horta,  que o Governo dos Açores abusa dos programas ocupacionais para baixar a taxa de desemprego na Região.

Efetivamente, basta contactar com muitos Açorianos que caíram no desemprego nos últimos anos ou com os jovens entrados no mercado laboral recentemente, com formação superior ou não, para perceber que esta denúncia é verdadeira, provavelmente, não há mesmo serviço regional sem ter acolhido muitos trabalhadores ao abrigo de programas ocupacionais, fazendo desta um fração muito significativa da mão-de-obra de que é detentora.

Este é o lado sombrio de um governo omnipresente em toda a economia, sendo ele mesmo em simultâneo o principal empregador, o grande regulador do mercado de trabalho, o decisor político e ainda o  gestor da propaganda. Tudo o resto fica contido em franjas sociais cada vez mais fracas em termos de intervenção pública.

Sim, o designado neoliberalismo está cheio de vícios desumanos onde os mais fortes tentam em proveito próprio servir-se dos mais fracos, são demasiado evidentes estes tiques na economia global para eu não os reconhecer.

Keynes considerava que o Estado, nos Açores será o Governo Regional, tinha a obrigação de em momentos de crise de investir para a saída desta como forma a evitar a ditadura do socialismo, pois esta tentava ocupar tudo tornando-se numa máquina pesada onde a liberdade ficava oprimida. Algo que os keynesianos em Portugal pouco divulgam. No nosso País e Região este ferramenta foi usada mesmo nos ciclos expansivos, ocupando o espaço privado em vez da política ser o regulador para uma economia justa.

Assim, criou-se uma Região onde o Governo quase tudo controla e onde o setor privado ficou anémico, mas onde o partido do executivo precisa dos votos para sobreviver, então este ficou com a faca e o queijo, mas sem a devida fartura de dinheiro (Keynes não considerava saudável endividamento público nos períodos de expansão como aconteceu em todos os níveis do nosso País) e os Açores caiu na armadilha que Keynes queria evitar e bem pode agora o Sindicato denunciar que será sempre o poder governativo a gerir os problemas conforme os seus interesses (novamente basta falar com que está nestes programas para ver como sendo reféns se sentem agradecidos a quem os explora, tal como os capitalistas fazem a quem dão emprego com baixo vencimento e sem garantias).

Infelizmente, este modo de governar os Açores ao longo dos últimos anos também leva a um miserabilismo semelhante ao do neoliberalismo, só que, em vez de serem os capitalistas privados a explorarem as fragilidades dos mais fracos, passa a ser o governo a fazer precisamente o mesmo, com recurso a armas do mesmo tipo: salários baixos e instabilidade laboral para controlo das pessoas, mas ainda reforçado por ser ele quem faz as leis à medida das suas conveniências e torna a comunicação social na sua máquina de propaganda, deixando de existir uma entidade pública reguladora forte.

Ironicamente, é a ditadura do socialismo prevista por Keynes que o sindicato está a tentar combater agora… sim ela está aí!

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Não contesto a sapiência económica de António Borges, nem a sua inteligência, nem coerência do seu discurso com o seu pensamento, nem até a crença que possuía nas suas ideias.

Mas – independentemente da figura de Robin dos Bosques que rouba aos ricos para dar aos pobres o que não era seu ser mais simpática e admirada que a de um honesto empreendedor que de uma pobre origem constrói um império ou fortuna -a verdade é que alguém de barriga cheia, mesmo que parte dos seus elevados rendimentos tenham sido pagos por grupos estrangeiros venha pedir sacrifícios aos pobres que mal têm condições para sobrevivência, é sempre um ato ofensivo e ostensivo que mostra incompreensão para as dificuldades de quem quase nada tem.

Não tenho complexo em dizer que não acredito que uma economia e uma sociedade cresçam de forma sustentada  e saudável gastando o que não tem e distribuindo bens pelos mais desfavorecidos através do endividamento. Defendo que é preciso crescer de forma racional e tal é mais lento e exige mais sacrifícios que o desejo de muitos, mas a justiça também é tão importante quanto a sustentabilidade económica e era esta sensibilidade que não se vislumbrava no discurso de António Borges.

Assim, compreendo que mesmo na sua morte a habitual desculpa que tradicionalmente perdoa os lapsos dos falecidos não tenha sido unânime neste caso, mas lamento ainda mais que entre os vivos haja falta de sensibilidade para a necessidade de fazer crescer a economia com justiça e solidariedade para com os mais fracos.

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Independentemente de ser necessário pensar, refundar ou outro termo para refletir o modo de gerir as obrigações do Estado face à realidade nacional e internacional atual, é verdade que me choca ver o FMI como conselheiro do Governo para esta reformulação sem tal resultar de uma escolha do Povo Português.

Não sendo eu neoliberal, mas conhecendo muito do trabalho levado a cabo pelo FMI por esse mundo fora, sei dos vícios neoliberalizantes desta instituição para perceber os riscos que esta consultadoria poderá ter nessa proposta de “refundação” que  o Governo está a levar a cabo. Mas, independentemente dos erros do atual governo e das suas tendências, é fácil perceber que se o PS é um partido responsável com vocação de poder, se tivesse consciência que o atual executivo iria levar Portugal à ruína e depois herdaria o poder para gerir o caos, não estaria a colocar-se de fora e a desculpar-se para não intervir atempadamente em tudo o que fosse possível e deste modo tentar evitar o desastre nacional que lhe viria parar às mãos.

Assim, a principal justificação do comportamento do atual PS é que sabe que este Governo do PSD-CDS vai fazer uma reestruturação que é eleitoralmente má mas com a qual está de acordo e considera necessária. Deste modo, deixa o ónus da culpa para o Executivo de Passos e espera depois herdar o poder já reformulado.

Provavelmente, dado o consultor, será um Estado mais neoliberalizado do que o necessário, mas no qual os socialistas governarão em frente. Aliás, uma das principais características dos trabalhistas de Tony Blair foi precisamente governar a herança neoliberal de Tatcher com a designação de 3.ª via, mantendo as reformas desta líder carismática do neoliberalismo.

Afinal, temos um PS que prefere um Estado neoliberal desde que não o responsabilizem disso. O PS tornou-se num neoliberal de forma envergonhada e com o rosto contrariado de Seguro, usando da demagogia política para que se instale o neoliberalismo em Portugal e não intervindo para não o minimizar, nem se sentir culpado. Nesta oposição a restante esquerda pelo menos é coerente.

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