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Posts Tagged ‘migrações’

A minha perspetiva de mais cedo ou tarde a Europa tentar fechar a porta à emigração de jovens portugueses licenciados começa a dar os primeiros sinais de concretização e a Ministra do Interior do Reino Unido já está a levantar a questão, para já ainda de mansinho… depois, temo que o cerco será ainda pior.

Efetivamente, nos últimos tempos devido à crise nacional os recém-licenciados têm mais frequentemente rumado para outros Estados da União Europeia em busca de emprego e de melhores condições de vida: a livre circulação de pessoas entre estes Países tem ajudado também e as infelizes palavras de Passos Coelho no início da licenciatura deu outro estímulo a esta sangria nacional.

Contudo, apesar de se tentar culpar quase apenas as políticas do governo nacional por esta fuga de jovens licenciados, a verdade é que os Países mais ricos também a favoreceram com falta de solidariedade financeira e vindo procurar e buscar a Portugal pessoas ainda em formação para cobrir as suas carências. Assim esta Lusitânia sofre uma dupla sangria desta geração por duas vias: uma pelas dificuldades internas ampliada pela falta de solidariedade financeira europeia e a outra pelo aliciamento dos mesmos Estados ricos que nos deixa ainda mais pobres por investirmos em formação que depois é aproveitada por quem nos obriga a seguir a austeridade.

Cedo perspetivei que esta porta começaria a fechar-se, pois mais cedo ou tarde esta migração de sentido único iria não só saturar os mercados de emprego no destino, como os lusitanos (provavelmente outros vindos do leste e do sul do velho continente) entrariam em concorrência com os autóctones dos atuais Estados recetores desta geração.

Assim temo que depois da falta de solidariedade financeira, virá também a falta de solidariedade social da Europa. Os Países do sul que fiquem com a dívida e a austeridade imposta pela UE e também com os desempregados devido ao fecho de portas. É que todos os povos Europeus se consideram solidários, mas só até ao momento em que estão a beneficiar com a solidariedade e quanto mais ricos são mais disponíveis para o egoísmo estão!per

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Continuam a ser chocantes as imagens do que insistentemente se tende a chamar imigrantes ilegais que entram pelo sul da Europa, eles que mais não são do que refugiados do desastre humanitário que reina na Síria, Afeganistão, Iraque, Somália, Etiópia e outros países cujo Ocidente colocou em estado de catástrofe devido à sua má política internacional.

Não é justo fechar os olhos a esta gente vítima das asneiras e interesses do Ocidente, incluindo Europa, barrando-lhes simplesmente a entrada e retendo-os em campos de refugiados. Tal como a União Europeia não pode olhar para eles apenas como concorrentes do mercado de trabalho cujos seus cidadãos temem e por isso os deixa desumanamente em condições infra-humanas. Também é certo que estes refugiados não podem olhar apenas para a Alemanha como refúgio e o paraíso terrestre.

Certo que não é de excluir que mais cedo ou tarde se infiltrem nestes refugiados guerrilheiros do Estado Islâmico (daesh), da al Qaeda, etc. Mas a segurança interna não pode fechar os olhos à humanidade que definha nas fronteiras da Europa.

Mas o mais difícil que a Europa tem de começar a pensar é: como dar condições humanas de vida aceitáveis nas terras de origem destes povos? Já que foi o Ocidente um dos principais obreiros da destruição dessas condições que estão na origem da fuga desta gente. Só resolvendo o problema na origem esta questão pode ter um fim condigno para todos.

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Infelizmente o cerco aos imigrantes venceu no referendo suíço, foi por uma escassa margem, mas venceu.

Há muito que a esquerda em Portugal critica a falta de solidariedade económica das políticas dos países mais ricos da União Europeia, o que até compreendo, mas a verdade nua e crua é que tal como muitos Portugueses não estão dispostos a sacrifícios com argumento de que outros paguem a crise, também os Estados mais ricos não estão disponíveis para se sacrificarem pelas nações mais pobres. Mesmo vivendo bem como os suíços.

Dói… é verdade, mas ainda me lembro de quando na década passada recebíamos imigrantes do leste europeu, Brasil e PALOP nem sempre Portugal era tolerante com esses povos mais pobres. Novamente a mesma verdade nua e crua: quem está na mó de baixo raramente recebe solidariedade dos que estão por cima, tem de ascender pelo seu pulso e sacrifício, pois se estiver à espera da ajuda dos outros a regra mais comum é nunca sair da cepa torta.

Portugal para sair da crise em que mergulhou tem de contar sobretudo consigo e pouco mais, espero apenas que nesta luta solitária ao menos que a justiça interna prevaleça… o que infelizmente também não tem sido a norma, pois o egoísmo é transversal entre e intra povos.

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Desde que se faça o despiste para controlo de eventuais terroristas ou outros elementos perigosos infiltrados, é com muita honra que assumo dizer que Portugal deve acolher os refugiados sírios que chegaram ao nosso País, que com elevado risco para aqui vieram não apenas por questões de dificuldades económicas, mas também de segurança das suas vidas, carências alimentares e fome de liberdade. Espero que Portugal, um País de emigrantes também saiba ser um País de acolhimento por razões humanitárias.

Quem conhece a história da humanidade sabe bem a importância que foi o médio oriente para o desenvolvimento da civilização humana e para muitos a cidade mais antiga que ainda persiste habitada situa-se na Síria: Aleppo.

A Síria já foi um dos expoentes altos da cultura e encontra-se numa guerra civil em parte alimentada por interesses de potencias internacionais, onde os que se encontram no poder desenvolveram a prepotência de quem sempre mandou e os que se lhe opõem, mesmo que apoiados por alguns do ocidente democrático, têm no seu seio elementos religiosos radicais que não toleram certas minorias, nomeadamente cristãs ou outras fações muçulmanas. Assim, a vida não só é arriscada para o povo sírio no seu País hoje, como as perspetivas futuras não garantem um regime livre, democrático e justo independentemente dos que vencerem.

Os Portugueses, por mera dificuldade económica, sempre partiram para os quatro cantos do mundo, o País sempre se orgulhou da sua diáspora, já vimos políticos a reconhecerem a emigração como uma porta adequada a muitos e ainda houve governos que tiraram proveitos das remessas dos emigrantes e Portugal tem tido uma estratégia de apelo aos Estados que nos recebem a desenvolverem posturas de bom acolhimento oficial. Agora não podemos moralmente ser diferentes para com os sírios que por razões mais que económicas aqui se refugiam.

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Embora tidos com favorecidos e fruto de uma concorrência desleal, os chineses que imigram encontram espaço para investir em Portugal, certo é que muita desta imigração é mesmo patrocinada pelo conhecido método soft power implementado pela China, de modo a conseguir colocar no estrangeiro os seus produtos a preços altamente concorrenciais, aumentando assim as suas exportações, e provavelmente possuir comunidades suas nos diferentes países estrangeiros de modo a no futuro influenciar políticas no exterior. Paciência de chinês pode ir a este ponto.

Todavia parece que já não são só os chineses que ocupam espaços comerciais nos bairros portugueses, enquanto o comércio tradicional se encontra envelhecido e os netos desta geração procuram avidamente empregos num mercado saturado nas suas formações ou incapaz de oferecer postos de trabalho em cursos que não foram feitos com base nas necessidades nacionais, outros povos asiáticos começam  e penetrar na rede do pequeno comércio local, tidos por pouco rentáveis, mas devido à capacidade de adaptação numa terra estranha de quem é imigrante, lá vão sobrevivendo com horários mais extensos ou adequados às necessidades da vizinhança e outros mecanismos que a sua imaginação é capaz.

Quem é filho de emigrantes como eu, bem conhece as capacidades que se desenvolvem em quem sai da sua terra natal em busca de um futuro melhor, capacidades que muitas vezes estavam adormecidas nas terras de origem, mas confesso que bem gostaria que Portugal fosse capaz de desenvolver este potencial dentro das suas fronteiras nas suas novas gerações.

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