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Posts Tagged ‘lusofonia’

Luatycristo

Por quanto tempo eles matarão os nossos profetas enquanto nós ficamos de fora e a ver?

Esta imagem com o texto em inglês, acima traduzido, de um mural com Luaty Beirão com uma coroa de espinhos a lembrar Cristo na representação do Ecce Homo que  dá entrada à notícia do jornal expresso sobre a condenação dos ativistas pela democracia em Angola  denuncia perfeitamente a indiferença sobre quem reflete por um mundo melhor e é perseguido por um regime que se assenhoreou do poder de um país desde os tempos da ditadura e tomou as rédeas de tal modo para que a democracia mais não seja uma fachada de um regime prepotente.

Importa recordar que, tal como noutros locais deste mundo, o Povo de Angola foi a votos, mas quando quem está no poder domina como um polvo toda uma sociedade será viável numa situação normal mudar quem está no poder? Pode-se chamar a isto democracia?

Importa também salientar que os cidadãos foram agora condenados em tribunal, mas quando o sistema judicial foi construído à sombra deste regime pode-se chamar que faz Justiça?

Em Angola reunirem-se pessoas para refletir sobre o sistema que impera no País com base num livro a discutir em grupo é crime… e é este regime que é suportado por muitos Portugueses que contribuem para o seu funcionamento e que mantém em muitos aspetos refém a economia de Portugal. Quem por cá também tem coragem de ir contra isto?

Não sei se o tribunal cumpriu a Lei e assim Angola funcionaria como um Estado de direito, sei que não se fez Justiça que está muito para além da Lei, pois esta pode por si mesmo ser injusta e o regime angolano provou mais uma vez não ser uma democracia saudável.

Fica aqui o meu protesto e a minha solidariedade para com os ativistas angolanos envolvidos neste processo

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Mesmo reconhecendo o problema financeiro da Grécia, a verdade é que praticamente toda a esquerda portuguesa apela à solidariedade para com a Grécia, mesmo sabendo que depois do Não do referendo grego as primeiras coisas que o Syriza tem deixado claro é que não tem condições para pagar as suas dívidas, pede mais dinheiro à Europa e não foi capaz de fazer o pedido integrado com um programa económico-financeiro para negociar com os Europeus.

A verdade é que esta solidariedade a que muita esquerda portuguesa apela para com a Grécia, um País onde os salários e as reformas são mais maiores do que em Portugal, é alvo de críticas e ironias se Portugal a tiver para com a Guiné-Bissau, um País miserável, sem infraestruturas que fala oficialmente Português, já esteve sob alçada portuguesa e precisa mesmo de ajuda não para preservar um nível de vida elevado das pessoas, mas para a sobrevivência do seu Povo e da Nação como um Estado.

Isto de facto acontece porque muitos dos que torcem pela Grécia não o fazem por uma questão de solidariedade humana, mas por um questão de guerrilha ideológica e política, estivessem os helénicos a ser governados por outro campo político e muitos dos que hoje defendem os gregos duvido que continuassem na linha da frente por estes, basta olhar como criticavam o segundo resgate à Grécia e agora como se comportam perante o pedido do terceiro.

Confesso que sinto um maior apelo solidário para ajudar os mais Pobres do que nós, como os Guineenses e para a maioria dos fins aqui descritos, do que emprestar dinheiro a quem não tem condições de pagar e é mais rico do que Portugal…

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Pode haver algum subtrato de razão na argumentação de Xanana Gusmão sobre a não adequação aos objetivos do País dos trabalhos desenvolvidos pelos funcionários judiciais estrangeiros, nomeadamente portugueses, expulsos de Timor-Leste esta semana.

Contudo, o facto de se ter tornado público agora que vários ministros estavam a ser alvo de investigação por corrupção relacionada com o processo da exploração do petróleo levanta uma suspeita que na política se torna aos olhos das pessoas numa verdade.

A partir de agora será impossível olhar para o ex-guerrilheiro, libertador de Timor-Leste e líder do atual Governo apenas como um herói de mãos limpas, doravante a nuvem de proteger corruptos e do poder no País estar minado pela corrupção passou a pairar de modo permanente para muitos que olharam até ao presente com ternura, paixão e admiração a luta do povo maubere.

Na lusofonia mais um país deixou de fazer parte dos Estados inocentes, transparente e puros para entrar bruscamente no clube dos eventuais dominados pela corrupção, espero que ainda seja tempo de Timor-Leste conseguir limpar as suspeitas que recaem sobre ele, mas nunca mais voltará a ser o mesmo em termos de virtude aos meus olhos. Infelizmente…

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Quando muita coisa (não tudo) parecia indiciar que Portugal depois de sair do resgate com maior ou menor dificuldade iria ter um caminho de confiança acrescida, eis que surge o escândalo de BES que contagia todas as grandes empresas nacionais com quedas bolsistas, faz a PT perder posições na OI e dá uma machadada na credibilidade sobre a honestidade do principal chefe da mais importante família histórica de banqueiros do País.

Choquei-me com a entrada da Guiné Equatorial para a CPLP, mas também vi a situação como uma oportunidade para se pressionar esse País em prol dos direitos humanos, a verdade que erros como os que aconteceram no BPN, desconfianças no escândalo dos submarinos e outros, efeitos catastróficos das governações portugueses que nos levaram à falência que todos os portugueses estão a pagar tão caro e agora com o que vejo acontecer na família Espírito Santo e as suas repercussões sobre a economia nacional, bem como as coisas que se referem sobre este grupo financeiro na sua gestão em Angola, que já nem sei quem são os maus da fita neste País.

Assim, apesar de tudo, começo a ter mais receio de parceiros nacionais do que capacidade de criticar e de julgar os interesses de entrada da Guiné Equatorial no Banif que estão calmamente a ser negociados, infelizmente isto só indicia que é a moralidade em Portugal que anda a cair e nenhuma melhoria ao nível dos direitos humanos e ética política em África.

Talvez a Guiné Equatorial não seja pior que muitos interesses que sujaram Portugal e nos trouxeram até aqui…

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Pouco conheço deste País africano, sobretudo de língua espanhola e cristão que em 2007 adotou também o Português como expressão oficial para aderir à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), situação que está quase a concretizar-se.

Sei que é um Estado ditatorial, rico em petróleo, perto de São Tomé e Príncipe, que tem um crioulo derivado da língua de Camões na ilha de Ano Bom, menos de um milhão de habitantes, que apesar do baixo desenvolvimento socioeconómico tem um dos PIB mais altos de África, parece que comprou cerca de 10% do BANIF e está disposto a abolir a pena de morte se for aceite na CPLP.

Sei que não deve ser motivo de orgulho fazer entrar uma ditadura para a CPLP, sei que as razões deste interesse da Guiné Equatorial comunidade lusófona são sobretudo de foro comercial, sei que por mais consciências que se falem, na política o dinheiro costuma falar mais alto, vejam-se as trocas comerciais (sobretudo recursos minerais e petróleo) com muitos estados duvidosos… se Portugal conseguir de facto fazer terminar a pena de morte naquele País e diplomaticamente levar mais liberdades e garantias aos seus cidadãos melhorem, talvez seja positivo para todos esta adesão… caso contrário, é uma pena, mas também há poucas décadas atrás a maioria dos Estados desta comunidade eram ditaduras, por isso podemos, apesar de tudo estar na direção certa e não é com boicotes a nações com recursos que a conduzimos para uma situação mais justa… mas a sua aceitação não deve servir para baixar os braços na defesa dos direitos humanos.

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Sei que o Canada oferece excelentes condições de vida ao seu povo residente no País e preocupa-se com a segurança dos seus cidadãos além fronteiras.

Sei que o Canada cresceu economicamente através do contributo dos imigrantes que recebeu ao longo de quase século e meio de história e tem uma política de acolhimento de refugiados estrangeiros do mais humano, solidário e abrangente que existe no mundo.

Sei que o Canada trata a Comunidade Portuguesa com grande respeito, admiração e possui políticas de apoio ao multiculturalismo invejáveis e de onde os lusófonos podem tirar importantes dividendos.

Todavia também sei que quando se trata de cumprir a lei ou se sentem que alguém abusa da grande abertura da sua legislação de refugiado no Canada, o meu País Natal é de uma frieza e dureza difícil de quebrar e onde a esperteza saloia dificilmente tem sucesso.

Tudo isto a propósito da deportação de uma família de 10 portugueses que pediu o estatuto de refugiado de Portugal, nunca concedido que conduziu à decisão de deportação em 2007 e agora, após a não aceitação dos recursos dos pedidos de refugiado, impôs a execução da medida extensiva a todo o agregado para Portugal.

Apesar de sentimentalmente poder estar do lado destes açorianos, questiono-me: que justificação teriam dado para pedirem o Estatuto de Refugiado de Portugal, um País que ao longo da última década foi um exemplo em políticas sociais, humanitárias e uma democracia robusta aos olhos de todo o mundo? Que disseram eles da sua Pátria para não serem emigrantes mas refugiados destas ilhas de sonho?

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Não sei se a golden share era legal, sei que existia e poderia ser usada pelo Governo Português.

Não sei se quando o Governo inicialmente boicotou a venda da Vivo tinha alguma estratégia definida ou se foi por pura sorte que a sua decisão resultou não só em mais um aumento da oferta da Telefónica de 350 milhões de Euros, mas também numa negociação que permite que a saída de PT da Vivo seja compensada com a sua entrada na Oi, integrando assim o maior grupo de telecomunicações de língua portuguesa.

Numa época que se luta pela reforço da língua ao nível mundial, integrar na era da globalização e do acordo ortográfico um grupo cujos acionistas comunicam maioritariamente em Português e atuam num mercado com mais de 200 milhões de luso falantes em vários continentes, é uma oportunidade para reforçar o Português.

Como sou próximo da ideia de que a minha Pátria é a Língua Portuguesa, não considero honesto dizer que o interesse nacional vale 300 milhões de Euros e se os opositores da golden share diziam que o dinheiro não tinha pátria quando aquela foi usada, não podem contra-argumentar agora com a possibilidade do controlo da PT passar para mãos luso falantes do Brasil e isto não abala a minha identidade Patriótica.

Apesar de tudo, com as contradições que se ouvem entre os discursos de ontem e os de hoje, abstenho-me de qualificar o negócio em concreto, mas que houve quem tirou lucro… houve, mas temo que não foi o Povo.

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