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Meu artigo de opinião de hoje no diário Incentivo:

SISMO DE 9 DE JULHO VINTE ANOS DEPOIS

Para quem assistiu o sismo de 9 de julho de 1998 sentindo a casa a ruir à sua volta, vivendo o pavor do que lhe poderia acontecer, mesmo saindo ileso, e depois observou que tudo nas imediações estava também destruído, que todos os vizinhos eram igualmente sinistrados desalojados, que só restava cooperar na dor e na necessidade de ir em frente: 20 anos nunca vira a passado. Aquele dia é sempre hoje.

É verdade que agora, na generalidade, a grande maioria dos sinistrados vivos reorganizou a sua vida e alguns até conseguiram atingir níveis de bem-estar que antes nunca pensaram alcançar. Mas ficaram feridas profundas em praticamente todos que nunca cicatrizaram. Abriram-se fissuras sociais jamais tapadas e o mundo onde se vivia mudou tão bruscamente que as memórias ficaram desenraizadas da própria terra onde nasceram ou cresceram.

Quem não viveu de modo tão intenso este sismo não percebe a dor de quando se perde as referências do próprio passado ao dizer-se algo como: era por aqui a minha casa, penso que ali a dos meus pais, mas onde?… já nem sei bem e nem me lembro perfeitamente como era, isto está tudo tão diferente!

É verdade que a realidade à nossa volta é um contínuo em mudança, só que as coisas naturalmente mudam de modo progressivo, sem um corte radical e abrupto com o passado. Num terramoto não há tempo de adaptação entre o que era e passou a ser; não temos um aviso prévio e nunca se está preparado para a mudança que é imposta e sem culpados para responsabilizarmos das nossas angústias. Tem de se suportar tudo cá dentro: a resignação, dói; o pôr mãos à obra para recomeçar, dói; até a alegria de concluir e entrar numa casa nova nossa, dói.

Como sinistrado e após tanta dor, para mim não há insulto maior que sentir a inveja de alguém ao dizer: ainda tens é de agradecer ao sismo! Confesso, já ouvi isto numerosas vezes.

É verdade que tal como qualquer queda, toda a catástrofe é uma oportunidade para repensar a situação, levantar-se, ir em frente e muitas vezes abrem-se portas que sem esse tombo nunca teriam aparecido escancaradas. É verdade que no seio das oportunidades há os que as sabem aproveitar e os que abusam do aproveitamento, tal como há os que as desperdiçam e as perdem e nunca mais se levantam. No primeiro caso apenas há que congratular a capacidade de regeneração após tanto sofrimento. No segundo, compete à lei e à justiça disciplinar e, nos restantes, importa a solidariedade de uma mão que os puxe para cima. Só que um sinistro é sempre um mal que dói e ao mal não se agradece.

Vinte anos depois do 9 de julho de 1998 tenho a sorte de ter uma vida reconstruida, mas não me esqueço de todas as mãos que se me estenderam, algumas eram de amigos, outras geraram amizades que perduram, algumas eram de conhecidos de ocasião e muitas vieram de gente anónima e desconhecida com quem hoje pouco convivo, mas a todos os que souberam ajudar os sinistrados, sobretudo aos que nada receberam em troca e o fizeram por solidariedade grátis, merecem um agradecimento.

Vinte anos depois do sismo de 9 julho de 1998 espero que os Faialenses e os Açorianos não esqueçam das características destas ilhas onde vivemos, que não se insista nos erros que ampliam dores futuras para tirar dividendos de curto prazo, pois a melhor homenagem aos sinistrados é agir preventivamente para reduzir males vindouros… e os sismos são riscos que não deixam de nos espreitar.

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Eram 5h19m da madrugada do dia 9 de julho de 1998 quando a Ribeirinha, onde vivo e vivia, foi atingida por um sismo de magnitude 5,9 Richter e devido a ser o local mais próximo do epicentro, uns escassos 5 km, este alcançou a intensidade VIII-IX Mercalli, o choque destruiu a povoação ao ponto que as fotos abaixo documentam:

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Uma destruição de mais de 90% do parque habitacional da Ribeirinha, ainda mais significativa nos Espalhafatos, o outro lugar da freguesia. Cinco mortos numa população com cerca de 500 habitantes, 1% dos residentes e isto pode dar a perspetiva de quantos seriam se tal destruição tivesse atingido uma cidade de muitos milhares ou milhões de habitantes. Houve mais 3 óbitos nas localidades contíguas: Pedro Miguel e Salão, mas ligeiramente mais distantes do epicentro. Os danos estenderam-se por toda a ilha do Faial e ainda Pico e São Jorge.

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Apesar de isolados por estrada, sem luz, água e em pouco minutos de outros meios de telecomunicação, a inter-ajuda no lugar da Ribeirinha das pessoas foi enorme, desde o auxílio na retirada de soterrados, ao apoio a feridos, passando pelo acalmar indivíduos em estado de choque; a verdade é que praticamente todos habitantes reunidos em torno do edifício polivalente recém-inaugurado por volta das 9 horas foi servida uma refeição ligeira com bolachas, pão, queijo, manteiga, leite e café fruto da partilha das instituições locais e dos residentes organizada por voluntários…pouco tempo depois começaram a chegar os primeiros socorros em virtude do desbloqueio das vias de acesso. Um dia difícil, mas onde a solidariedade imperou e foi a palavra de ordem.

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Nos Espalhafatos, sem um local de acolhimento adequado e com vias internas também cortadas pela queda de pontes, foi mais difícil a organização das populações, mas a solidariedade foi a mesma, não faltaram exemplos de ajuda mútua e cooperação.

 Uma data em que o programa de vida de todos os Ribeirinhenses, tal como também para muitos outros Faialenses, Picoenses e alguns Jorgenses, mudou para sempre, houve dor, mas houve solidariedade humana desde a primeira hora, naquele dia não houve divisões políticas… estas vieram mais tarde e não tiveram origem no Povo e geraram outros problemas; mas neste 9 de Julho de 2018, 20 anos depois daquela catástrofe, quero lembrar a coragem e a cooperação desta gente, sem esquecer os que partiram e para todos eles a minha homenagem.

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Agora, 20 anos depois, ainda há cicatrizes, físicas e psíquicas, há património perdido e até subsiste algum por recuperar, mas no essencial a vida das pessoas e da comunidade reconstituiu-se e tomou um rumo. Ficou a memória da Ribeirinha e dos Espalhatos anterior ao sismo em muitos então jovens e adultos. Hoje as crianças olham a freguesia como se esta sempre tivesse sido assim e parecem-me com todas as condições para virem a ser felizes como nós antes do sismo fôramos sempre sujeitos aos percalços da natureza e da história e é esta a minha homenagem às gentes que aqui vivem. Bem-hajam a todos.

Fotos cedidas há uma década por Conceição Quaresma desta freguesia para o meu único blogue de então Geocrusoe.

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Seja qual for a ideologia, crença ou outro motivo é sempre de condenar o ataque a pessoas inocentes que na vida social são agredidas na tática dos terroristas. Honrar e chorar por estas vítimas é o mínimo que se pode por elas fazer. Por isso, honra e paz aos mortos e feridos do atentado de ontem em Barcelona.

Agora o terrorismo islâmico eleva à categoria de mártir herói a morte em combate dos seus atacantes terroristas, sendo que para crentes religiosos a lógica laica materialista de que fogem à morte não se aplica. Para os crentes a vida não acaba na morte física. É verdade que após um atentado os terroristas parecem implementar sempre uma fuga, mas acredito que tal é mais para realizarem novos atos para alcançarem uma maior glória do que para escaparem aquilo que para eles é a honra do martírio.

Assim, se é difícil capturar em segurança os terroristas islâmicos, também me parecer que é fazer o jogo deles permitir atribuir-lhes as palmas do martírio face aos seus correlegionários ou eventuais candidatos ao radicalismo islâmico matando-os todas as vezes a seguir a um atentado.

Nos tempos que correm, com tanta tecnologia de combate ainda não percebi como as forças de segurança não mudaram a tática para os capturar e mantê-los vivos e cativos para interrogatórios com todos os meios legais, mesmo que as leis neste combate devam evoluir, e recolher informações de modo a que não fiquem honrados perante outros candidatos a práticas semelhantes.

Mesmo num quadro muito diferente, não foi matando cristãos que esta fé desapareceu, antes pelo contrário, o sangue dos mártires cristãos foi semente para novas conversões e por isso o cristianismo, fé que professo ainda hoje tem a dimensão que possui… mas pelos vistos a mentalidade laica não aprende com os casos do passado e não integra nos seus planos a força da fé que nos torna loucos aos olhos do mundo descrente.

Assim, penso que a tática de após um atentado acabar sempre por matar os terroristas me parece contraproducente no combate ao terrorismo islâmico e não  digo isto por qualquer compaixão por estes…

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Benfica

O Sport Lisboa e BENFICA conquista, pela primeira vez na sua história, quatro campeonatos consecutivos de futebol nacional: desde o ano de 2014, 2015, 2016 e, hoje, em 2017, o Glorioso passou a ser o atual TETRACAMPEÃO de Futebol em Portugal.

Como Benfiquista de coração e paixão desde que a memória da minha existência alcança, ainda antes de pisar o solo de Portugal, já palpitava este amor pelo BENFICA e como tal quero dar hoje PARABÉNS a todos os jogadores de futebol do Benfica, equipa técnica dirigida do Rui Vitória, dirigentes presididos por Vieira, sócios, simpatizantes e no fundo a mim como membro desta família encarnada que é um mundo de Paixão pelo Glorioso: SPORT LISBOA E BENFICA que hoje não só alcançou este TETRACAMPEONATO,  como o seu 36 título de campeão nacional, sem esquece a conquista no campeonato de voleibol e o sucesso no jogo de Futsal.

SLB – GLORIOSO – BENFICA- OBRIGADO POR ESTA ALEGRIA

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cravosbranco

Os cravos estão vergastados das intempéries que fustigam a liberdade; são brancos, pois só em paz a justiça floresce; são singelos, mas não é preciso muito para tornar cheio o seu sonho, basta uma democracia justa e assim se cumpre Abril.

25 de Abril para sempre em Portugal

Feliz dia da Liberdade.

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Como na generalidade dos políticos de carreira, Mário Soares teve decisões boas e outras não, mas sem dúvida que entre as positivas está a sua resistência às ditaduras: primeiro quando foi opositor ao regime de Salazar de direita e depois do 25 de Abril quando foi um dos líderes que evitou que no ano a seguir à Revolução dos Cravos Portugal voltasse a mergulhar noutra ditadura, desta vez de esquerda e dita do proletariado, que uma fração da população, políticos e revolucionários significativa tinha então aderido e estava prestes a tomar o poder, mas onde em numerosos atos eleitorais desde 1975 se verificou sempre não ser a maioritária entre os Portugueses.

Não me esqueço da austeridade que como Primeiro-ministro impôs aos Portugueses quando da entrada do FMI na década de 1980, apesar de muitos não se lembrarem da dor e da injustiça que então provocou, como esta só tivesse acontecido em 2011. Pouco tempo depois foi à luta e chegou a Presidente da República e passou a ter um comportamento faustoso de monarca, mas onde no caso do fax de Macau os indícios da prioridade de defesa dos interesses pessoais e esmagamento dos adversários se tornaram evidentes… mas, apesar de tudo, Portugal deve-lhe a manutenção da democracia neste País e no dia da sua morte é o reconhecimento deste papel fundamental que saliento e que agradeço como a herança mais importante de Mário Soares deixada às atuais gerações de Portugueses.

Lamento a sua morte e descanse em Paz!

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Na sequência da decisão do Governo dos Açores de transferir doentes em espera de cirurgia de otorrinolaringologia no hospital da Ponta Delgada para o Hospital da Horta, o que mereceu então a contestação de alguns, comportamento criticado neste post, a RTP-Açores ontem entrevistou doentes já operados no Faial que expressaram a sua satisfação pelo modo como foram recebidos e tratados no Hospital da Horta.

Foi com agrado que ouvi elogios ao médico e aos cuidados prestados na unidade hospitalar faialense por pessoas que agora vêm em alternativa a estruturas de ilhas maiores para esta mais pequena e ao contrário do que acontecia antes.

Agrado, não só porque reforçam a minha boa opinião sobre Hospital da Horta, que já já me tratou e me recebeu muito bem, como melhora a confiança  e a imagem desta infraestrutura de saúde que de facto pode desempenhar um papel ainda maior ao nível dos cuidados a prestar nos Açores.

Espero que estes elogios contrariem alguns que interesseiramente tem apostado em esvaziar o Hospital da Horta para concentrar valências noutras unidades sobredimensionadas e concessionadas a privados e aqueles que estrategicamente pretendem esvaziar o Faial daquilo que foram conquistas do passado que não só beneficiaram os Faialenses, mas também as populações das ilhas do Triângulo e do grupo Ocidental.

Parabéns ao pessoal do Hospital da Horta que trabalhou bem para justificar estes elogios e assim contribuir para o prestigio do Faial.

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camepões

Foto: Sapo

Este campeonato mostrou que no mundo do Futebol e no País da Liberdade, Igualdade e Fraternidade uns são mais iguais que outros, desde as arbitragens, até ao comportamento da organização, passando pelo próprio país anfitrião, viram-se discriminações que só não são mais faladas agora em Portugal porque contra muitos somos mesmo CAMPEÕES!

Em primeiro lugar destaco a sobranceria e chauvinismo dos Franceses, depois de criticarem a seleção e de a menosprezarem, entraram em campo já convencidos da vitória e agressivos fisicamente, a forma como lesionaram Cristiano Ronaldo sem ser marcada uma falta fala, não apenas da atitude dos azuis, mas também da arbitragem e o aplauso ao culpado no momento da sua substituição fala muito de ser de certos gauleses.

Três penaltis a favor de Portugal ficaram por marcar em várias partidas anteriores, um lapso é normal, três indicia muito da predisposição de um grupo de juízes face à nossa seleção. A nomeação de um árbitro italiano para arbitrar o jogo França-Alemanha logo a seguir aos germânicos eliminarem a esquadra azzurra e de um britânico para a final, mesmo após os lusitanos derrotarem a última equipa britânica, são indícios preocupantes da transparência e isenção da UEFA depois de todos os escândalos de corrupção em que se tem visto envolvida.

Infelizmente o mau perder, o chauvinismo e a sobranceria da França, também subiu ao nível oficial, pois foi evidente com a insistência da cor azul na torre Eiffel após a derrota dos bleus e do desprezo ao verde e vermelho a iluminar aquele monumento na noite de glória dos Portugueses. Isto não foi um ato inocente de um cidadão gaulês de rua com cabeça quente ou menos formação, faz parte da organização do Estado anfitrião e mostra a baixa atitude de um país que pode ser poderoso, mas é pequeno em humildade e de carácter baixo. Mas estou certo que há Franceses que não são assim.

Portugal não fez jogos brilhantes na maioria dos seus 90 minutos, mas foi unido e apoiado pela maioria dos lusitanos, cá e lá, mesmo contra alguns comentadores e técnicos sempre dispostos a desvalorizar quem está por cima. Uma lição de que um Povo e uma Equipa com humildade, coragem e unidos vale muito mais do que certas invejas, potências mundiais chauvinistas e organizações enviesadas… e se o nosso pequeno e humilde País também se unisse plenamente para enfrentar estes potentados e vencer a crise que vimos a atravessar há uns anos, em vez de apenas reclamar contra a injustiça dos poderosos, suponho que também daríamos outra lição à Europa, pois o Futebol é apenas um dos retratos de outras realidades políticas do mundo em que vivemos.

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Penso que ainda é cedo para se acusar quem quer que seja do acidente do avião caído na Ucrânia, inclusive para se estar seguro de que este resultou de um incidente lateral proveniente da guerra civil que se trava na zona ou foi apenas fruto de um problema técnico na aeronave. Falta muito a investigar no terreno para se tirar as conclusões finais, felizmente parece haver cooperação de ambas as partes em confronto.

Todavia, a se provar ou a se conseguir acusar uma das partes em confronto na Ucrânia (pois em cenários bélicos a hipótese de manipulação dos factos nunca se pode excluir na totalidade), esta seria talvez a primeira grande consequência trágica de nível internacional e sobre civis resultantes de um conflito local gerado na Europa, fruto de políticas desastrosas e incompetentes da luta de influências entre a União Europeia liderada pela Alemanha e a Rússia após o termo da guerra fria.

Na Jugoslávia, onde também a força das armas foi culpa de erros de opções dos líderes no velho continente, as mortes de cidadãos foram sobretudo de residentes locais, enquanto a morte de cidadãos dos outros Estados concentraram-se essencialmente em forças militares e paramilitares que foram intervir nos Balcãs. Agora, a concluir-se pelo abate por um míssil, veremos um número significativo de cidadãos de estados da União Europeia, criada inicialmente para se evitar novas guerras no continente, a morrerem em solo europeu e isso não permitirá que os povos agora de luto deixem de reparar que os conflitos que correm à nossa porta são resultado de erros estratégicos nas lideranças da Europa aos quais ninguém está livre de vir a tornar-se vítima.

No cenário da abate do avião, a Europa terá de tomar consciência de que o rumo que o Velho Continente está a tomar, tanto ao nível das influências leste-oeste, como centro rico-periferia endividada, pode mesmo ser fraticida e suicida. Por agora estou chocado por saber que muitas das vítimas são holandeses de cidades onde passei dias felizes há bem poucos dias e saídos do mesmo aeroporto de onde tão recentemente vim para casa e compartilho o luto e a solidariedade.

ADENDA: Já começou o jogo de responsabilizar o outro… a “verdade” assim dificilmente pode nunca corresponder à realidade.

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Não sei quem foi seguramente o maior vulto do século XX a lutar e a sofrer por causa de políticas mais humanas, mas Nelson Mandela foi um dos maiores seguramente e por ter morrido ontem está valorizado, enquanto outros estão momentaneamente subvalorizados e se calhar alguns mesmo esquecidos.

Para mim, neste panteão, além de Mandela, têm seguramente lugar outras pessoas como: Luther King, Mahatma Ghandi. Provavelmente até há outros.

Luther King lutou pela dignificação dos negros nos EUA, numa sociedade onde a democracia tinha cor branca e os negros eram minoria. Não foram as armas os seus instrumentos para alcançar a justiça, nem a sua causa era ideológica, foram os seu discursos baseados na sua fé cristã e a sede de justiça os motores da sua luta.

Mahatma Ghandi sentiu na pele a discriminação racial como indiano precisamente na África do Sul, mas foi na Índia e perante todo o seu povo sem direito à autodeterminação e manietado pelo império britânico que decidiu lutar pacificamente pela independência e alcançar a justiça para os indianos, mas com recurso aos valores das religiões com que estivera mais em contacto: cristã, hindu e islâmica. Fica-me na memória a simbólica marcha do sal.

Nelson Mandela perante o apartheid não iniciou a luta de forma pacífica, o seu arranque inicial foi como guerrilheiro com os instrumentos que  a maioria negra pobre tinha à mão ou conseguia alcançar. Não era propriamente um arauto da paz e do perdão perante uma minoria branca racista e exploradora das riquezas do País. Foi a sua prisão como homem de luta armada que o converteram para os valores do perdão e dos instrumentos pacíficos para alcançar a vitória política da sua causa de justiça.

Não faz mal lembrar o arranque como guerrilheiro de Nelson Mandela, ele foi sempre um homem que lutou por uma causa justa, mas o método não foi sempre o mesmo e foi a sua capacidade de na prisão conhecer um homem branco que  lhe permitiu descobrir no adversário que mesmo diferente na cor  o adversário era um ser humano igual que também deve ser respeitado, o que fez ver nele que a vingança não era a arma para se alcançar a solução justa e pacífica e aqui tornou-se no grande Homem cuja a vida nos deixou ontem, mas cujo legado fica.

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