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Posts Tagged ‘China’

Muitos manifestaram esta semana preocupações com os acordos comerciais de Portugal com a China, talvez estes sejam mesmo subservientes para com o gigante asiático que não é de facto um regime pluripartidário e um exemplo de liberdade. Contudo a prisão da vice-presidente da empresa Huawei no Canada a mando dos EUA indicia qual o País que mais impõe a sua vontade aos outros Estados.

Imagine-se prender em Portugal um empresário de um país estrangeiro sem ser dos EUA a mando deste, imaginemos de Angola, isto apenas porque os EUA unilateralmente não quer que neste mundo global a empresa negoceie com um dado país por o considerar seu adversário. No caso em concreto que se está a passar no Canada a empresa chinesa negociou com o Irão.

Depois digam-me que o regime prepotente com os outros Estados não é os EUA mas sim a China…

Digam-me que perdemos a soberania quando passaram a existir empresas nacionais estratégicas compradas por chineses (o que não é bom) e somos livres enquanto sobrevivemos à sombra dos interesses dos EUA.

Ah… mas os EUA são democráticos! Pois, mas quantos países já foram invadidos pelos americanos nos últimos 50 anos para preservar os interesses desta superpotência e à revelia da ONU?

Agora comprarem com os invadidos pela China e vejam quem é menos perigoso para a soberania dos países estrangeiros…

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ordem

Este livro é uma lição de história porque a Europa se viu mergulhada em frequentes guerras na falta de uma ordem internacional, como se ultrapassou essa fase conflituosa pós 1648 com os acordos de Vestfália, os falhanços no tempo de Napoleão e das 1.ª e 2ª Grande Guerra até à realidade de hoje, reconhecendo as características do mundo islâmico, a cultura asiática e outras áreas que podem desembocar num confronto global se não surgir uma ordem de entendimento adequada aos nosso tempos.

Hoje em dia muitos comentam e opinam sobre questões políticas nacionais e internacionais lendo pouco sobre grandes pensadores, as ideias subjacentes aos intervenientes que foram grandes estadistas ou motores no moldar o mundo e até sem conhecimento da história. Henry Kissinger, não só foi um importante agente da história na décadas de 1960/70, como Secretário de Estado de Nixon e de Ford, como foi prémio Nobel da paz em 1973.

Assim, Kissinger é uma pessoa que fala com conhecimento de causa sobre os problemas globais de hoje que colocam em risco a paz mundial e aponta aspetos a ter em conta para se encontrar um equilíbrio duradouro no entendimento dos povos e culturas à escala global, alertando para comportamentos de hoje que dificultam não só a perceção do problema como para a definição de entendimentos que urgem ser feitos antes que seja tarde.

Este livro faz uma excelente análise do mundo de hoje, embora não isenta, pois é vista na perspetiva de um político norteamericano arreigado aos ideais do seu país e aos interesses do mesmo. Mas Kissinger também mostra abertura suficiente para reconhecer outras realidades e assumir que apesar dos Estados Unidos deverem ter um papel crucial nesta matéria, também não podem impor os seus valores e objetivos ao mundo e por isso a conciliação implica aceitar e equacionar soluções onde todos se sintam devidamente representados e não subjugados a uma cultura, religião ou mentalidade de outra parte de que não a sua, onde o seu legado histórico e mentalidade é simplesmente menosprezado.

Um livro que vale a pena ler por quem se interessa em compreender como este mundo foi estabelecido e como pode ser destruído de uma forma avassaladora se não atendermos a pormenores essenciais que sustentam este civilização global.

A obra está disponível aqui.

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É pena mas não é original, já antes os Estados Unidos não ratificaram o Protocolo de Quioto de 1997, tal como não se comprometeram com o aumento das exigências deste que resultaram da Emenda de Doha em 2012 e não seria de prever agora com um cético nos efeitos das emissões dos gases com efeito estufa como Presidente da América que este viesse a aderir ao ainda mais exigente Acordo de Paris de 2015.

A verdade é que além de descrentes nesta hipótese maioritariamente aceite por cientistas, existem ainda muitos interesses económicos de curto prazo a apoiar o ceticismo no tema. A democracia tem muitas virtudes, mas tem uma fragilidade é que por norma rende-se mais aos interesses de curto-prazo face ao riscos de longo-prazo e é isto que há anos domina a estratégia dos EUA nesta matéria, Trump apenas é mais descarado no assumir aquilo que desde de 1997 tem bloqueado a envolvência do maior poluidor do mundo per-capita neste projeto de prevenção das alterações climáticas. É pena, mas a oeste nada de novo aconteceu, apenas foi dito mais claramente o que vinha a acontecer.

Curiosamente tendo Trump acusado a China de estar por detrás da teoria das alterações climáticas para enfraquecer a economia americana, agora é este império oriental que se compromete com estas  novas exigências precisamente contando com isso fortalecer a economia asiática, pelo menos a oriente alguma coisa de novo e em contradição com o líder de Washington.

Já não se perde tudo quando o País mais populoso do mundo adere a esta causa, ele que oferecia o maior risco pela sua dimensão se não revertesse a sua estratégia de reduzir as emissões com efeito estufa.

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A Coreia do Norte já testou uma bomba atómica, pode parecer que é apenas mais um país com este tipo de armamento, mas não é.

Pelo que transpira para o mundo, a ditadura da Coreia do Norte quase torna o nazismo simpático e Hitler só iniciou a II Guerra Mundial depois se tornar numa potência militar capaz de fazer mossa aos seus vizinhos, o que só foi possível com a inoperância da França e do Reino Unido em evitar a tempo um louco se tornar forte e ameaçador.

Presentemente, Kim Jong-un não parece ter um único aspeto de caráter melhor e mais humano que Hitler. Fortalece-se à sombra e com a cumplicidade da China, a história tende a repetir erros do passado, mas as consequências das repetições também tendem a ser cada vez mais graves.

Hitler não chegou a possuir a tempo  uma bomba atómica, imaginemos que o tivesse conseguido, como seria o mundo hoje?

Kim Jong-un consegue agora algo que antes não foi possível a Hitler, o risco de as consequências serem bem piores para a humanidade do que no tempo do nazismo parece ter voltado.

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Há qualquer coisa de muito irracional no funcionamento dos mercados bolsistas, efetivamente, apenas porque de facto se constatou que a economia chinesa não está a crescer tão fortemente como se previa, mas mesmo assim cresce, perspetivas demasiado altas que teriam levado antes a uma sobrevalorização da bolsa de Xangai, imediatamente esta entrou em queda abrupta.

O efeito de contágio da bolsa chinesa levou a que o resto do mundo entrasse praticamente em pânico e Lisboa não fugiu à regra, tendo mesmo ironicamente uma queda maior que quando Portugal esteve à beira da bancarrota em 2011 e teve de ser intervencionado de urgência com um resgate que nos impôs o memorando da troika e levou à demissão de Sócrates.

São situações desta natureza que demonstra à exaustão que além de desumano o pior do capitalismo atual é ser mesmo demasiado irracional para que a economia de uma civilização globalizada esteja nas mãos destes especuladores, corretores, banqueiros e afins.

Mais cedo ou tarde esta loucura pode mesmo originar uma catástrofe onde o colapso será aterrador para todo o sistema e eu não sou adepto de Krugman…

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Há dias num noticiário soube que a China estava a perder emprego por efeito da deslocalização de fábricas do seu território, muitas delas de marcas ocidentais, até algumas já produziram mercadoria a partir de Portugal, e dos novos investimentos ocidentais estarem a preferir Estados ainda mais pobres do sudeste asiático, uma realidade que deve não só preocupar o governo chinês, mas que demonstra que o modelo da mão-de-obra barata para aumentar a capacidade concorrencial da economia nacional acabará em fiasco, mais ainda nem for pensado como uma estratégia transitória para entretanto se reformar o nosso setor produtivo.

É que se alguém pensa que ainda será viável ultrapassar a crise descendo o custo do trabalho em Portugal face à concorrência da Europa oriental, da China ou da Índia, a verdade é que mesmo que por absurdo atingíssemos esses salários desumanos, logo a seguir teríamos o Laos, o Vietname, o Mianmar a concorrer connosco e se insistíssemos na via seria só esperar por quem viria a seguir: o Burkina Faso? o Sudão? a Somália ou até a Guiné-Bissau?

Agora cuidado: o inverso também não é uma solução sustentável num país que não é autossuficiente e sobre-endividado, pois aumentar salários com o argumento de tal fazer crescer a economia faz não só diminuir a competitividade das exportações, como adquirir ainda mais os produtos importados e consequentemente o défice comercial do país. Por isso quem diz que a solução está no crescimento da economia e não apresenta uma única ideia a não ser a da oposição à austeridade, não sabe seguramente como sair do imbróglio em que Portugal está metido.

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Embora acredito que Portugal tenha promovido o seu País, incluindo a localização dos Açores, nas visitas e contactos que fez com a China, a experiência diz-me que esta só se deixa influenciar quando ela própria está interessada ou suspeita que daí pode mesmo tirar dividendos.

O facto de Xi Jinpiing ter decidido no seu regresso à China de uma visita oficial à América Latina definir uma rota onde fez escala nos Açores, se ter deslocado na Terceira e estabelecido contactos com autoridades nacionais são um sinais claros de que o maior Estado de mundo pensa que o Arquipélago lhe pode ser útil. Não sei ainda que tipo de interesse ela tem: plataforma giratória de mercadorias que passaram o canal do Panamá para entrar na Europa? Instalação de uma plataforma logística? Outros investimentos? Desconheço

Sejam quais for, o facto é que tal indicia que os Açores podem mesmo tirar proveito desta situação, tal como estes não devem deixar passar a oportunidade após várias empresas de laticínios regionais terem sido certificadas para poderem colocar os seus produtos na China, É que este País além de ser o mais populoso no planeta, tem mesmo carência de produtos alimentares e isto é uma porta escancarada a quem souber satisfazer a necessidade alimentar daquele Estado e não pensar apenas como um nicho exótico para acolher os nossos produtos.

Efetiviamente, esta é a primeira vez em muitos anos em que vejo que foram os estrangeiros que se interessaram mais por nós do que a capacidade que nós temos tido em saber penetrar no exterior e foram situações destas que estiveram na base de casos de investimentos de sucesso  para os Açores como: as escalas marítimas no comércio internacional nomeadamente a vinda da família Dabney, os cabos submarinos na Horta, o aeroporto internacional de Santa Maria e a Base das Lajes. Saiba o País e a Região aproveitar esta oportunidade.

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declinio

“O Declínio do Ocidente” de Niall Ferguson, editado pela Dom Quixote, é sobretudo uma análise da evolução de quatro campos que estruturam os Estados e o torna mais ou menos aptos em termos concorrenciais com outros e permitem dar melhores condições aos respetivos povos: a democracia ou a política, o capitalismo ou a economia, o estado de direito ou a justiça e a sociedade civil ou a participação cívica. Ao longo da obra e através da evolução destes pilares nos últimos tempos o autor demonstra e justifica porque a Europa e os Estados Unidos estão globalmente menos competitivos e se degrada o nível de vida da classe média dos seus cidadãos.

Não posso dizer que concordo com tudo o que Ferguson conclui, mas é interessante ele basear-se na comparação de um Estado a uma colmeia humana onde o alargamento da administração é equiparado ao aumento de zangãos à sombra das obreiras e considerar as enormes dívidas soberanas como uma rutura de um contrato social intergeracional, aspetos que constrangem a competitividade do ocidente. Contudo o autor, ao contrário do que o título sugere, não considera assegurado um futuro brilhante para a China pois a falta de democracia compromete a transparência necessária para um continuado progresso económico e social.

Uma aspeto interessante trabalhado no livro é a evidenciação de que pior que a desregulação financeira é uma má regulação, burocrática e ineficaz que em si é uma doença a assumir o papel de cura e tem sido a via adotada no ocidente, sendo o autor um adepto do capitalismo e do liberalismo a receita estaria num sistema onde a simplicidade, a prudência e a responsabilidade criminal dos banqueiros e gestores seriam o motor da economia.

Ao nível da justiça Ferguson usa e abusa do orgulho britânico para defender o direito comum inglês que considera mais apto na busca de resolução de conflitos que dinamizam os investimentos face aos herdados do Velho Continente que são mais complexos e defensores dos interesses do Estado que trava a economia, alerta para a tendência da burocracia excessiva, para o primado dos advogados e a onerosidade da justiça como restrições à liberdade necessária à evolução da sociedade e competitividade.

O autor não é menos complacente com os cidadãos do que é com políticos e agentes económicos e da justiça. A exigência do Estado democrático satisfazer todas as necessidades das pessoas, sem dar lugar à concorrência público privado, cria povos acomodados e hiper-protegidos que deixam de intervir coletivamente, o que degrada a vitalidade dessas sociedades, condenando o País ao endividamento e perda de dinâmica competitiva económica e social.

Mesmo discordando em vários aspetos com Ferguson, muito dos problemas que aponta no livro e soluções que propõe devem ser conhecidos e refletidos por todos antes que seja demasiado tarde para o ocidente…

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Dambisa Moyo no seu livro demonstra que neste planeta superpovoado e em crescimento demográfico e económico a alastrar-se nos países emergentes muito em breve a humanidade passará por uma escassez de alimentos, água, terra arável, recursos minerais e combustíveis fósseis e só há um país em todo o mundo a preparar-se para esse cenário catastrófico: a China.

A China, o potencial vencedor desta estratégia de longo prazo que pode açambarcar tudo na escassez, está a desenvolver uma estratégia de parceria com outros países ricos de recursos mas pobres economicamente ou endividados. China que, ao contrário do colonialismo europeu e capitalista que explorava o mais pobre sem dar nada em troca, opta por uma via de simbiose onde ambas as partes beneficiam, enquanto ela fica com a fatia que lhe faz falta no futuro e o mais fraco se protege no presente. China que se torna na potência amiga do momento enquanto o ocidente é cada vez mais olhado com desconfiança como rapace.

Dambisa Moyo não assume que esta estratégia salvará a China, sentindo-se as democracias ocidentais sem recursos a guerra pode ser uma saída de resultados imprevisíveis ou então o mundo atempadamente desenvolve uma cooperação global nos domínios em causa para alcançar uma saída sustentável.

Por agora só há um Estado com visão de futuro: a China.

Um livro a ler por todos e que mostra, de forma indireta, a mediocridade em que a política do ocidente caíu.

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A Coreia do Norte – o País tão igualitário que até limita o número de tipos cortes de cabelo aos seus cidadãos, cujo regime comunista levou à miséria do seu Povo, que mantém na ignorância os nortecorianos sobre o que se passa no resto do mundo para os mesmos acreditarem que vivem e são melhores que os outros, que tem um historial de milhões de mortes à fome – apenas sobreviveu nestas condições de justiça comunista por a União Soviética e, sobretudo, a China terem feito deste País um proterado durante a guerra fria contra os regimes do ocidente.

Terminada a guerra fria, enquanto os Estados Unidos se entretinham com Sadam Hussein e o seu petróleo no Iraque, a Coreia do Norte ora recebia ajuda humanitária, devido à fome que grassava no País, ora ia investindo nas forças armadas, incluindo no nuclear, tornando-se assim num pequeno Estado comunista miserável, mas com um poderio bélico capaz de ameaçar o mundo e de pôr em cima da mesa o perigo de uma guerra atómica após o fim da União Soviética.

Assim, não sei desta vez até que ponto irão as ameaças de ataque da Coreia do Norte, sei que, mesmo que a tensão venha a desanuviar-se agora sem graves consequências, o perigo de um dia as coisas se descontrolarem e de produzirem danos de âmbito global em termos humanitários, ambientais e económicos irá manter-se.

Deste modo à China, uma potência económica e militar atual, mas uma potencial vítima direta caso haja um confronte bélico na zona com armas nucleares, terá de caber um papel importantíssimo para pôr termo a esta ameaça do seu histórico protetorado, não só agora, mas inclusive para evitar outros prováveis confrontos futuros, antes que seja demasiado tarde, é que assim a situação da Coreia do Norte é insustentável eternamente.

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