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Posts Tagged ‘centralismo’

Meu artigo de hoje no diário Incentivo

UNS COM OBRAS A MAIS E O FAIAL COM FALTA

Na semana passada numa deslocação a São Miguel fui surpreendido pelo descontentamento de alguns Micaelenses pelo recente anúncio do Governo Regional de uma obra de vinte milhões de euros para aquela ilha, isto porque os mesmos consideravam um desperdício de dinheiro público face aos benefícios da mesma.

Não me vou pronunciar sobre a obra em concreto, até porque, por princípio, não costumo pronunciar-me contra obras propostas ou executadas noutras terras dos Açores. Sou sim um defensor de investimentos de projetos que considero necessários ao Faial. Nada me move contra nenhuma outra ilha.

Agora a comunicação deste descontentamento por vários conhecidos foi para mim um murro no estômago. Isto porque estou cansado de ouvir desculpas esfarrapadas do poder político para não se fazerem algumas das obras imprescindíveis para assegurar o bom desenvolvimento económico do Faial, as quais até geram um consenso reivindicativo no povo Faialense e, mesmo assim, passados longos anos alguns destes investimentos continuam a esbarrar com um não do Governo dos Açores. Logo este que “impõe” na ilha maior obras que nem ali são consensuais para os seus habitantes, não são reivindicadas pela maioria da sua população e ainda vários cidadãos de lá consideram-nas como sem trazer benefícios significativos para a terra deles.

Assim chegámos a uma situação onde numa ilha há obras caras anunciadas que os seus habitantes consideram desnecessárias, enquanto no Faial o mesmo Governo nega obras fundamentais para esta terra. Como Faialense dói-me muito assistir a isto sem conseguir alterar este estado de coisas.

O encolhimento da baía norte do porto, o abandono da variante à cidade, a recusa em ampliar a pista do aeroporto, a inexistência de apoio para recuperar um polivalente desportivo existente que poderia cobrir as necessidades de prática de várias modalidades na Horta e até à não implementação de um bom serviço de transporte aéreo para passageiros e cargas entre o Faial e Lisboa são alguns exemplos de falta de investimentos que os Faialenses têm visto ser adiados ou recusados ao longo dos anos na sua ilha. Por vezes com a desculpa de não haver dinheiro, mas para lá o dinheiro até surge para o que não é muito reivindicado e gera descontentamento.

Uns com obras que eles próprios já dizem serem a mais, enquanto por cá temos a menos e ainda recusam-nos muitas das consensuais e essenciais ao futuro do Faial.

Não vou dizer que por cá nada se fez, mas não tenho problema em assumir o contraste: aqui houve obras a menos que as necessárias e no outro lado os seus habitantes demonstraram-me que tem havido obras a mais do que as necessárias, o que já lhes causa descontentamento.

Uns com congestões de tanta obra, inclusive impostas pelo Governo dos Açores, e nós com fome de vários projetos essenciais que reivindicamos há anos, mas que o mesmo Governo dos Açores nos recusa e confesso: não há comemoração do dia de Portugal na Região, cheia de “selfies”, exposições e discursos promotores do orgulho nacional e regional que apague a real injustiça desta gestão centralista na atual política autonómica

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A Rádio Faial noticiou ontem que o número de passageiros nos aeroportos dos Açores cresceu em fevereiro último face ao mesmo mês de 2017, mas o Faial, em contraciclo, é a ilha que mais diminui. As consequências da estratégia da SATA de não promover o aeroporto da Horta aos visitantes ou de tornar esta entrada mais cara, se for usada como entrada ou saída direta do Arquipélago, continua a fazer os seus efeitos de prejudicar esta infraestrutura faialense.

É evidente que um visitante ao ver que só pelo facto de circular num voo direto para o exterior a partir da Horta lhe custa muito mais dinheiro, tende a desviá-lo para outras entradas e saídas da Região (até eu faria o mesmo), até porque pode poupar praticamente o preço dos voos entre várias ilhas do Arquipélago, embora com mais incómodos que não sabe, ou seja, andar de graça à custa dos impostos dos Açorianos que são prejudicados com esta maldade de centralizar os transportes aéreos em Ponta Delgada.

O centralismo de Lisboa face ao resto do Continente que anda recentemente a ser denunciado, não é maior que a estratégia centralista do Governo dos Açores para favorecer São Miguel.

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Ao princípio, em abril último, a propaganda política permitiu criar a ilusão de um grande feito: asseguravam-se ligações aéreas da TUI diretamente entre Amesterdão e o Pico. Era a primeira ligação internacional  com alguma regularidade no Triângulo e a ilha Montanha seria a principal beneficiária, mas também os seus vizinhos Faial e Pico. Até eu acreditei, mas depois devagarinho foi-se descobrindo a marosca.

Primeiro, voo direto mas com um número muito limitado de reservas no avião para o Pico, a maioria teria de ir para São Miguel, os voos eram redondos, ou seja, teriam sempre de pisar a maior ilha dos Açores e rapidamente se percebeu que o objetivo principal era rentabilizar o destino Ponta Delgada.

Depois começaram-se a ouvir problemas na promoção e integração do pacote dos destinados ao Pico, que poderiam também vir para o Faial ou São Jorge.

Agora noticia-se que a ligação ao fim de 6 meses é para acabar e enquanto no começo o Governo dos Açores colhia louros assumindo a sua liderança na iniciativa, agora o Secretário Regional do Turismo limita-se a dizer que foi uma “esta alteração foi efetuada pela operadora” (in jornal incentivo)… o comportamento típico deste executivo: nunca assume culpas dos falhanços do que por cá ocorre, a culpa é sempre dos outros.

Todavia, quando alguém faz algo de positivo logo surge o Governo dos Açores a colar-se, a assumir-se como o parceiro ou o pai da ideia ou do projeto e quando não conseguem esta bandeira sente-se o desapoio ao promotor.

Novamente se fala dos encaminhamentos… como se isso fosse algo diferente do que existia antes de abril, mais precisamente, desde que começou o atual modelo de transporte aéreo de passageiros low cost entre os Açores e o exterior

Infelizmente o Pico foi agora vítima desta forma centralista de governar a Região e o Triângulo também, mas cá pelo Faial já me habituara a ver as coisas a não passarem da primeira fase…

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