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Posts Tagged ‘Catolicismo’

Interessante a aceitação do argumento da tradição para invocar a tolerância de ponto no Carnaval, uma festa associada ao calendário litúrgico num Estado Laico, enquanto o uso da tradição de dar tolerância de ponto pela vinda de um Papa a Portugal escandalizar por estarmos num Estado laico. Em 2010 falei sobre isto e disse:

Não sou um defensor da tolerância de ponto de hoje, mas ela não me choca, este é um País onde a grande maioria de cidadãos ainda se assume como católica e a tolerância quase não tem custos para o Estado: evita a burocracia da alteração de férias aos que se forem às celebrações com o Papa, que ao contrário de outros Chefes de Estado fala diretamente ao povo nas visitas oficiais, e não coloca serviços a meio-gás, com todas as confusões resultantes.

Talvez a tolerância num jogo da selecção não fosse polémica, mas há aqui muita hipocrisia e propaganda de movimentos anti-católicos e de ateus que, pela sua agressividade, se comportam como religiões modernas à conquista dos seus fieis.”

O posto mantém-se atualizado, pois continuo a pensar precisamente o mesmo.

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Feliz Páscoa

Páscoa

Momento do Fogo Novo integrado nas cerimónias do Anúncio da Ressurreição de Jesus que os Cristãos celebram na Vigília Pascal.

Feliz Páscoa a Todos

 

 

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economiamata

O livro “Papa Francisco – Esta economia mata” da autoria dos jornalistas católicos e vaticanistas: Andrea Tornielli e Giacomo Galeazzi, procura esclarecer o que está na mente do Papa Francisco ao criticar duramente o sistema económico capitalista atual: será uma ideologia política ou uma mensagem evangélica?

A obra esclarece a dúvida se por detrás de Jorge Mario Bergoglio se esconde um marxista, não só informando as razões da escolha do nome Francisco, como a sua opção estratégica de centrar a mensagem na preferência pelos pobres. Depois expõem-se diversas declarações e ações deste papa que geraram desconfiança em católicos conservadores e simpatias em fações políticas de esquerda, centrando-se sobretudo na sua exortação apostólica Evangelii Gaudium.

No livro  destaco as seguintes abordagens: (1) o enquadramento da Evangelii Gaudium em todas as anteriores encíclicas da doutrina social da Igreja, iniciada por Leão XIII com a Rerum Novarum no século XIX, evidencia-se que Pio XI há 80 anos foi bem mais duro que Francisco e já Bento XVI apontou o caminho atual; (2) expor as críticas dos setores conservadores católicos que pensam o capitalismo como a via económica mais cristã; (3) entrevistar estudiosos economistas italianos que se reveem nas palavras de Bergoglio; (4) mostrar as razões da via ambientalista que foi o tema da encíclica mais recente Laudati Si e já posterior à publicação desta obra e,  (5) uma entrevista direta ao Papa sobre as dúvidas levantadas nos crentes pelas suas palavras discutidas nesta obra.

O livro não só revela o pensamento de Francisco, como demonstra que a doutrina social da  Igreja há mais de um século é crítica de um capitalismo que idolatra o dinheiro e não tem como primazia o homem e o bem comum; que não olha aos meios para alcançar os fins e acredita na recaída favorável que não se verifica na prática nos países desenvolvidos. Contudo o discurso do Papa radica-se apenas no Evangelho, não numa ideologia ou teoria económica, inclusive opõe-se ao consumismo como alternativa, dispensa Deus para a realização do Homem e acredita que se alcança o céu na terra, a nossa casa comum, pela posse de bens.

Um pequeno livro que abana consciências e se centra no apelo de Francisco para a mudança de paradigmas económicos que têm orientado a civilização nas últimas décadas. Recomendo a todos os que se preocupam com a sociedade, o cristianismo e a justiça social no mundo atual.

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Foi preciso uma nova perseguição aos Cristãos, desta vez aos grupos minoritários no médio oriente muçulmano e uma ameaça de guerra que se serve do Islão para um combate ao ocidente tradicionalmente cristão mas de gestão preferencialmente laica, para que o líder Católico Romano e o líder Ortodoxo Russo se encontrassem ao fim de um milénio de costas viradas entre si. Mas mais vale tarde do que nunca!

Como Cristão de fé ligado ao catolicismo, talvez mais por cultura e tradição do que por particularidades dogmáticas pois não sou um fundamentalista de dogmas que foram surgindo ao longo dos séculos na Igreja, faz-me confusão como modos de expressão religiosa diferentes e relativos a um mesmo credo inicial, que professa um Deus de Amor, se separem por questões dogmáticas depois do credo estabelecido durante a passagem do império romano de pagão a cristão e fiquem de tal modo antagonizados que mais se combatam entre si do que se aliem durante tanto tempo no anúncio da Boa Nova que acreditam ambos.

Como ecuménico que sou, espero que esta seja uma oportunidade para que as duas grandes confissões mais antigas do cristianismo sejam capazes de no futuro possam vir a andar como irmãos que no essencial acreditam em Jesus Cristo como o Filho do Deus Único, que se fez Homem, pregou, morreu e Ressuscitou por Amor à Humanidade… convencidos deste cerne não percebo divisões substanciais

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Amanhã o Papa Francisco irá canonizar dois papas da segunda metade do século XX, por coincidência dois que com que a minha vida se cruzou nos respetivos pontificados:

JohnXXIII

João XXIII, papa desde 28 de outubro de 1958, era o líder do catolicismo à data do meu nascimento, funções que terminaram em 3 de junho de 1963. Promoveu a maior revolução na forma de pensar a Igreja em sociedade laica e global no mundo do seu tempo, levando para o efeito a iniciativa de organizar o Concílio Vaticano II, e se apenas a um chefe supremo do catolicismo nos últimos 100 se pode chamar progressista, sem dúvida alguma que João XXIII leva a dianteira. Revolucionário não tanto na política mas na busca do caminho de se ser Igreja e cristão nos tempos de hoje, tornou-se num símbolo de popularidade na comunicação social, isto numa época em que esta dava os primeiros passos para ser o meio mais eficaz de influenciar a massas e fazer novos ídolos.

Jan_Paweł_II

João Paulo II, o primeiro papa não italiano após vários séculos, foi eleito em 16 outubro de 1978 e terminou as suas funções a 2 de abril de 2005, foi talvez o papa mais popular do século XX, sobretudo pelo sua simpatia e quase juventude no início do seu pontificado, por ser o homem peregrino visitando quase todos os povos do planeta, dignificação da velhice, do papel do idoso com chamada de atenção para o respeito na doença já no final do seu longo mandato e sempre um génio na forma de passar a mensagem na comunicação social. Não foi um revolucionários religioso, até foi um período de estagnação na reflexão na forma de ser igreja nos tempos atuais, o seu pontificado pautou-se pelo silêncio de muitos problemas que avassalavam a hierarquia religiosa, foi revolucionário na política, por isso não admira que tenha sido o primeiro Papa a ser visitado por um presidente dos EUA não católico que lhe reconheceu a sua influência na luta às ditaduras comunistas na guerra fria.

Comum aos dois papas amanhã canonizados foi mesmo a respetiva empatia com os meios de comunicação social. Em termos religiosos, ao progressismo do primeiro vingou o conservadorismo no segundo. O Papa Francisco partilha com eles o mesmo tipo de popularidade e facilidade de comunicar… resta-me saber o resto, vivemos num mundo onde a materialidade das palavras agradáveis tendem a dominar e a ofuscar as exigências de fundo das ideias globais e a coerência dos atos.

(imagens extraídas da wikipedia)

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