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Posts Tagged ‘BES’

1.149 milhões de euros é quanto o Novo Banco vai pedir ao fundo do resolução para o Estado injetar nas suas dívidas, passados quatro anos e meio do seu colapso e de já ter sido privatizado.

Não haja dúvida, a banca é o sugador mais eficiente dos dinheiros públicos para fazer face às suas dificuldades e o maior sugador do suor do povo para tirar dividendos na sua gestão normal cujos lucros nunca beneficiam as pessoas. Não é preciso ser de esquerda para se perceber e ver isto.

Salgado disse, com razão, que havia outras soluções para os problemas do BES. O que ele não disse é que em todas as alternativas seria sempre o Povo a pagar e logicamente preferia uma em que os cidadãos vissem os dinheiros fruto dos seus impostos ser injetado no seu banco e ele a continuar a gozar o seu estatuto de homem sério sem ter de responder por tudo o que fez.

Houve pela primeira vez com o BES uma tentativa de encontrar uma via diferente para os banqueiros arcarem com as suas dívidas, só que, pelos vistos, a alta finança tem sabido dar a volta para continuar a ser sempre os que estão de baixo a pagar.

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo:

BALANÇO DE 2014: UM ANO DIFERENTE PARA PORTUGAL

Apesar dos primeiros meses de 2014 terem sido de plena continuidade com os últimos anos, a partir de maio último ocorreram em Portugal vários acontecimentos de elevada significância que tornaram o ano que agora finda num período de rutura com o passado, embora seja ainda difícil diagnosticar como terminarão e quais os seus reais efeitos no futuro do nosso País.

O primeiro acontecimento deu-se na primavera, como para florir a esperança, foi a saída em maio de Portugal da troika e sem nenhum programa cautelar, dando-se assim por concluído o memorando de ajuda financeira externa para enfrentar a quase bancarrota de 2011.

Assim, na sequência da austeridade exigida no memorando assinado pelo anterior governo; depois do descontentamento gerado nos portugueses com o presente executivo pelo cumprimento do acordado antes devido aos seus custos sociais no emprego, rendimentos de trabalho e pensões e no reformismo da administração pública; depois de a oposição ter atirado as culpas apenas para os atuais governantes; depois de quase se ter convencido todos os Portugueses de que haveria um segundo resgate; depois do esforço em descredibilizar qualquer resultado económico positivo nacional mais recente, desde o aumento das exportações à redução dos juros da dívida e diminuição do desemprego; depois de já se dizer que talvez não fosse necessário outro resgate mas que não escaparíamos ao programa cautelar… eis que Portugal viu sair a troika sem outra exigência nova e a credibilidade financeira do País ao nível internacional continua a melhorar.

Não tenho complexo em dizer que Passos Coelho não correspondeu às minhas esperanças iniciais, mas, apesar dos ódios semeados contra ele (sobretudo por políticos mais interessados em tomar o poder do que em cooperar na busca de soluções para o País), assumo que a atual governação também não foi tão má como nos querem fazer crer. Há frutos positivos dos sacrifícios que começam a tornar-se consistentes, exceto àqueles para quem o preconceito contra o Primeiro-ministro obscurece a razão, a sinceridade do discurso e impede de reconhecer o feito bem.

Não nego os custos sociais denunciados, que são mais graves do que o Governo gosta de dizer, mas também é verdade que houve mais gente contra os remédios e a acusar o médico que tratou a crise, do que políticos a esforçar-se por ajudar a tratar Portugal com receitas válidas e alguns optaram mesmo por esperar para quando o País tivesse hipóteses de cura para começar a lutar pelo poder.

O segundo acontecimento foi no verão, as falcatruas secaram o Banco Espírito Santo e levaram-no à falência. Mas, ao contrário do passado onde a fatura era cobrada ao povo, como no caso BPN, agora procurou-se um modelo onde os que viveram à sombra da alta finança fossem prejudicados. Também houve vítimas inocentes e há riscos de alguns custos passarem à população, diferente do que o Governo no início assumia, mas depois das consequências na dívida pública no modo de solução do pequeno banco BPN foram tão grandes, agora com BES, um dos maiores bancos do País, se os efeitos forem bem menores, há que reconhecer o esforço para se ser mais justo que o habitual em Portugal, onde se salvavam os mais ricos.

Por no outono vimos que também as grandes árvores podem perder as folhas, pois pela primeira vez um ex-Primeiro-ministro foi detido num processo judicial. Não sei se é culpado do que o Ministério Público suspeita, sei que é uma mudança de atitude da Justiça em Portugal e demonstrou que todos, incluindo os que foram ou são poderosos neste País, podem um dia vir a ser acusados e isto tem reflexos nos que estão ou vão para o poder, pois já perceberam que deixaram de ficar isentos e poderão ter que vir a se defender em Tribunal dos seus atos que praticaram contra a Lei.

Há hoje quem se mostre indignado por a Justiça ter tido tal coragem, não era habitual isto. A norma era a impunidade dos grandes banqueiros e políticos. Há os que agora quase impõem a presunção de inocência dos seus companheiros de poder, mas sempre prontos a culpar os seus adversários. Espero que 2014 tenha acabado com o desaforo dos grandes serem intocáveis pela Justiça.

Votos que 2015 seja melhor para todos os leitores e que Portugal não deixe de trilhar uma via mais justa para o seu desenvolvimento socioeconómico.

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Se muitos dão toda a presunção de inocência a Sócrates e acusam o juiz Carlos Alexandre de prepotência contra o ex-Primeiro-ministro e lançam dúvidas às investigações de Rosário Teixeira, no caso BES não tenho ouvido ninguém defender Ricardo Salgado e outros gestores do grupo ou  a lhes dar qualquer benefício da dúvida pró-réu, antes mesmo destes serem julgados.

Pelo menos neste caso penso que o juiz Carlos Alexandre e o procurador Rosário Teixeira poderão investigar, acusar e agir contra os implicados no escândalo BES que suspeito que apenas se ouvirão aplausos nos meios de comunicação social quanto mais duros forem as medidas impostas pela justiça. Será que estou enganado?

Pela minha parte continuo a desejar que em todos os escândalos a justiça aja sem olhar a quem e sem preconceitos à priori pelo tipo de atividade e vida pública dos implicados.

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O grupo privado francês Altice está a pensar comprar a ainda portuguesa e privada PORTUGAL Telecom. Nos anos agudos da crise assistimos aos grandes grupos económicos e financeiros nacionais ainda a tirar lucros e a distribuir dividendos aos seus acionistas por negócios muito rentáveis a curto-prazo, para grande irritação de partidos de esquerda que denunciavam o facto como uma injustiça e prova de concentração de riqueza, mas soubemos depois que faziam acordos entre si e investimentos arriscados para criar a imagem conjuntural de serem fortes e apetecíveis aos jogadores da bolsa, mas tinham pés de barro.

O endividamento do Estado também tinha uma filosofia do mesmo género, engenharia contabilística para desorçamentar dívidas para parecer que Portugal se estava a desenvolver e a fortalecer a sua economia, novamente uma política arriscada com pés de barro e o País falido foi pedir a ajuda do resgate.

Infelizmente, o apoio da banca ao esquema da dívida pública e privada sem critérios deu uma imagem de força no momento, ocultando a fragilidade dos pés de barro e vários bancos tiveram depois de recorrer ao resgate.

Todos os investimentos arriscados têm dado para o torto em Portugal e lá caiu o Estado, depois alguma Banca e por fim o Grupo Espírito Santo e arrastou consigo o outro gigante e símbolo do sucesso empresarial a PT. A necessidade urgente do governo de dinheiro em caixa levou à privatização e compra por estrangeiros da GALP e da CIMPOR, et caetera e assim sucessivamente, as ondas de choque da crise resultante da dívida como investimento e ganância de lucros e votos a curto-prazo não só a destruiu o estado-social português, como os grupos económicos privados ou privatizados nacionais.

Dívida é dívida e jogo é jogo, a primeira pensá-la como uma fonte inesgotável de recursos para sustentar os políticos no poder compromete o Estado e as empresas, tal como os negócios ocultos de risco estalam a segurança financeira, todos mais cedo ou tarde rebentam como bolhas e deixam estilhaços por todos os lados.

Quem vier a seguir que apare os cacos pois a festa acabou para todos, público e privados, sue as estopinhas para pôr a casa em ordem, mas não vai ser fácil para ninguém, políticos e empresários, e a palavra Portugal já nem no nome pode significar ser propriedade do Estado Português ou de Portugueses, se é que estes ainda se podem considerar como vivendo num independente Estado que não seja de miséria.

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Não vou comentar as razões da demissão de Vítor Bento e da sua equipa administrativa do Novo Banco, até por que não sabemos toda a verdade sobre o assunto que levou a tal decisão, e como não frequento os meandros do mundo financeiro, nem conheço as pessoas que saíram ou foram nomeadas agora para darem continuidade ao “banco bom” saído do colapso do BES, também não me posso pronunciar sobre estas.

Agora gostaria de saber quanto vai custar ao bolso dos Portugueses esta demissão e substituição:

– o impacte em termos de bolsa (onde não costumo jogar) nacional, pois suspeito que amanhã os bancos estarão menos valorizados e isso não é bom para a sustentabilidade da banca e para o apoio financeiro à economia; e

– o efeito no valor do próprio Novo Banco que se poderá refletir na sua venda por um menor preço e onde os riscos que daí resultam para a banca e finanças públicas também implicam custos nacionais.

Há um ano uma briga entre os líderes dos partidos da coligação do Governo deu uma demissão irrevogável e o seu recuo que se refletiu em juros da dívida pagos por todos os Portugueses. Agora novos desentendimentos entre os responsáveis pela resolução do caso GES/BES, dirigentes do Banco de Portugal, Administração do Novo Banco, Primeiro-ministro e Ministra das Finanças levam a novas demissões e nomeações desnecessárias e seguramente com custos que de novo deverão ser pagos, de uma ou outra maneira, por todos os Portugueses.

Num ano já são dois exemplos de como a irresponsabilidade de quem ocupa altos cargos políticos, mesmo sem ilegalidades, pode ter elevados custos para o Povo e na credibilidade do País e de toda uma classe que considero necessária à gestão do Estado e para resolver isto não há Justiça que nos valha.

Adenda: Como previ ontem, a banca hoje está em queda.

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Nuno Godinho de Matos. ‘Em seis anos, entrei mudo e saía calado. Bem como todos os administradores’ | iOnline.

Por haver muitas pessoas como estas, que são talvez em maior número que os políticos e estão na sombra, é que o Pais, o BES o BPN e o português estão de tanga e ainda culpa o Banco de Portugal.

Claro, tudo isto por 2400 euros por reunião, 10 a 12 mil euros ano e durante muitos anos.

 

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Depois de Portugal ter adotado no BES um modelo onde se abandonou o injusto critério de “banco demasiado grande para falir” de modo a que as dívidas passassem para o Estado e a população pagasse os erros do especuladores, enquanto os acionistas pouco perdem, mas ganham muito se houver lucros, momento em não repartem praticamente nada pelo povo que de facto paga o risco todo, a Bolsa de Lisboa passou a ser um navio a afundar, mas onde em vez de ratos em fuga temos sim os abutres dos especuladores a por-se à distância.

Sei que há muita gente da esquerda à direita contente com isto, até por vários motivos e nem sempre coerentes ideologicamente, nomeadamente:

– os que torcem pelo insucesso da medida apenas por ter sido tomada por um governo que desejam ver cair, independentemente da sua cor política, são sobretudo cidadão nacionais, politicamente ativos e reconhecem-se por que as suas posições sobre a crise nos últimos tempos são sempre para tirar dividendo políticos no momento, muitas vezes contraditórias com o decorrer do tempo e têm ânsia de poder a qualquer preço;

– os que se programaram para viver à sombra da injustiça da especulação e esta mudança é um precedente que não lhes convém mesmo nada, normalmente situados à sombra do capitalismo selvagem neoliberal, muitos deles, mesmo sem o dizer, até perderam ativos no BES e na PT, tanto podem ser nacionais como estrangeiros, protestam pela inovação da medida e a este grupo pertencem muitos dos que estão a fugir da bolsa nacional, não só por desforra, mas também por medo, têm sobretudo a força da sua influência  económica a nível global de distorcer mercados por ganância;

– outros ainda por que o caos financeiro pode criar condições para uma convulsão social e uma mudança de regime político nacional afim do cubano ou venezuelano, algo que por cá nunca ganharam nas urnas, nem perspetivam que num sistema que funcione em equilíbrio e em democracia representativa o venham a alcançar, reconhecem-se pelo discurso de que os ricos que paguem a crise, mas quando pela primeira vez surgiu uma medida que foram os especuladores acionistas a ficarem com o banco mau, logo atabalhoadamente se mostraram contra a medida pois um banco bom não deveria ser privado.

Como isto vai acabar ainda não sei. Sei que mudar o sistema que se implantou em democracia de alternância e onde a classe média paga sempre os pecados dos grandes tem riscos e nem sempre uma medida mais justa alcança o seu objetivo por ser obstruída por abutres que se habituaram a crescer em torno da injustiça que esmaga o povo… a ver vamos como acaba este caso em concreto.

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Depois das proporções da crise no Grupo Espírito Santo e das suas repercussões no BES, deixei de acreditar numa solução que fosse totalmente justa: haverá sempre quem seja prejudicado sem ter culpas.

Todavia, o que mais me preocupava nos últimos dias é que a opção fosse simplesmente nacionalizar o banco com as suas dívidas, resultante do buraco criado pelas fraudes e especulações detetadas no GES, de modo a que todos os Portugueses (classe média) pagassem uma fatura por igual, enquanto accionistas do BES veriam o custo dos seus maus investimentos passar para as pessoas que nem têm dinheiro para comprar ações ou fazer derivados altamente rentáveis com este modelo de repartir os riscos por todos e concentrar os lucros das mais-valias por quem especula.

Pelo que percebi até agora, a solução que mais temi não foi a tomada, a divisão do banco em dois, onde os acionistas ficam com o banco mau e onde a gestão consistirá em minimizar as perdas, de modo a recuperar alguns potenciais ativos e diminuir algumas das principais dívidas, para que quem investiu perca o mínimo e se esta operação der lucro tal irá para o capital do Novobanco, à partida parece-me mais justa que a tomada com o BPN… embora perceba que pequenos acionistas que investiram algumas das suas escassas poupanças ao lado dos especuladores viciados e gananciosos paguem uma fatura equivalente como se fossem tão viciados no esquema quanto os abutres.

Dizer que não sobrará nada para os outros Portugueses é algo que não acredito como sendo completamente verdade, alguma coisa para nós sobrará, mas se forem apenas umas migalhas face ao buracão criado e se forem os especuladores, os banqueiros culpados e os seus gestores bancários gananciosos os principais prejudicados, já estamos numa solução bem melhor do que a que temi antes e espero que não me estejam a tentar enganar como fizeram com o BPN no anterior Governo (quando de facto não me deixei enganar e o tempo me deu total razão).

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Independentemente de todo o escândalo em torno do grupo Espírito Santo, quem olha  para aquele que era o maior banco privado em Portugal há poucos meses atrás, avaliado então em mais de 6.000 milhões de euros e descobre que ontem já valia apenas de 2.000 milhões de euros e hoje continua a desvalorizar-se, deve ficar a perceber quanto é falacioso o crescimento económico baseado não na produção industrial e de serviços transacionáveis, mas sim num consumo alavancado na dívida, obras públicas não reprodutivas e engenharia financeira que leva a uma valorização bolsista e dá a sensação de uma riqueza aparente não cimentada na realidade.

Os receios de contaminação da crise do BES, que levaram às quedas da PT e outras empresas e bancos, demonstram bem que também a ideia de sair da crise sem salvar o setor financeiro alimentada pelo conceito de “os ricos que paguem a crise” é perigosa, embora se compreenda que o modelo de resgate seguido deveria ser mais justo e repartir os custos não só pelos rendimentos de trabalho, das pensões e das PME.

É que de um dia para o outro a riqueza de capital desaparece com a descoberta de uma fraude, de uma suspeita e volatiliza-se, simplesmente o valor ou o dinheiro deixa de existir, o que já não acontece com uma riqueza baseada nos produtos palpáveis produzidos quer seja uma simples maçã ou uma máquina… mas assumo, eu nisto sou um conservador que ainda pensa como na revolução industrial.

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Lembro-me do tempo de Vale Azevedo que enquanto não perdeu as eleições para o Benfica nunca se ouviu da justiça ter atuado sobre ele apesar das numerosas acusações de crimes que logo a seguir o acusou.

Não me lembro de nenhum Primeiro-ministro ter sido acusado de gestão danosa e se nalguns casos houve o assumir de investigações, estas resultaram mais em os ilibar durante o seu exercício e depois enquanto estão na vida pública nunca foram acusados de nada, apesar de Portugal ter ido 3 vezes à bancarrota nos últimos 40 anos.

Agora que Ricardo Salgado saiu da Direção do Banco começa-lhe já a cair em cima um processo antigo, quando até há dias não se falava às claras como envolvido na Operação Monte Branco.

Há uma coisa que pelo menos a justiça não se livra em Portugal, é de haver pessoas como eu que pensam que ela só atua forte com os fracos e com os fortes só depois destes caírem por motivos que são alheios à justiça… isto pode não ser totalmente verdade, mas é o que parece e se não política o que parece é, não vejo por que há de ser diferente na justiça.

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