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Posts Tagged ‘Angola’

A justiça portuguesa acusou o Vice-presidente de Angola Manuel Vicente de corrupção, situação normal num país democrático onde o poder judicial é independente do poder político. Só que no regime angolano quem governa manda, manda mesmo em tudo, e as relações Portugal-Angola já há muito que são uma pedra no sapato português perante este Estado africano, que no seu interesse gosta de impor que os lusitanos silenciem a justiça ou fechem os olhos quando está em causa um governante de Luanda. Como acabará esta história?

Suspeito que com o tempo algo levará a que com uma desculpa mais ou menos esfarrapada a acusação caia em saco roto e o caso seja arquivado com alguns pseudo-esclarecimentos vindo do hemisfério sul. Veremos quanto manda Angola em Portugal  com este caso? Temo que que sim.

Estou curioso.

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O conflito devido ao peso excessivo de Isabel dos Santos dentro de BPI que o Banco Central Europeu não aceita, por tornar a instituição demasiado exposta a uma entidade exterior à eurozona, teve a entrada direta de um novo beligerante: o Estado de Portugal. Apesar de António Costa negar, na política negam-se descaradamente  verdades evidentes, de facto a nova Lei aprovada pelo Governo contra a blindagem de estatutos em instituições financeiras, que fazia com que determinados acionistas tivessem um poder de bloqueio superior a seu peso em ações, é descaradamente uma arma disparada contra a filha do Presidente de Angola.

Não sei como acabará a guerrilha, mas um conflito com Isabel dos Santos com intervenção do Governo de Portugal deve conduzir também à entrada do conflito do Presidente de Angola com todo o seu poder de uma “democracia musculada”, onde ninguém lhe pode fazer frente e até ler livros sobre como mudar o regime leva a condenação dos leitores como associação de malfeitores.

Assim, num País onde quem Governa, pode e manda, vai ser interessante ver como retalia  José Eduardo dos Santos a esta medida de António Costa, sabendo nós que Portugal se expôs excessivamente ao poder de Angola, não acredito que não haja contra-ataque e veremos se não será doloroso para o Estado Português.

Na verdade foi Portugal que se pôs a jeito, deixando toda a sua capacidade de independência económica refém de estrangeiros, tanto Angola, como União Europeia, Euro, Chineses, etc. tudo isto a troco de benefícios de curto-prazo que permitiram os governantes manter-se no poder sem atender às consequências a longo prazo, disfarçada com o sobre-endividamento ou a venda do nosso património empresarial e financeiro aos exterior. Agora guerra económica… é guerra, e desconfio que somos o elo mais fraco.

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Faz hoje precisamente 5 anos que Portugal ficava à beira da bancarrota e o Primeiro-ministro José Sócrates pedia ao FMI e à União Europeia uma ajuda financeira de emergência de molde a este Estado super-endividado poder cumprir com os seus compromissos financeiros. Curiosamente neste aniversário português outro País lusófono, rico em petróleo e diamantes, Angola, pede ajuda ao FMI.

Apesar das previsões de novo resgate e das críticas ao Primeiro-ministro Passos Coelho, a verdade é que durante a sua governação em que esteve de arcar com as imposições da troika, Portugal não voltou a pedir um novo resgate. Evidenciando que apesar das críticas, o anterior executivo não foi o insucesso que muitos tentam convencer que foi, embora se tenham cometidos erros e injustiças e sou de opinião que poderiam ter evitado as primeiras e minimizadas e as segundas.

Muitas das decisões do anterior executivo foram revertidas pelo atual Primeiro-ministro António Costa, mantenho-me na expetativa para saber se continuaremos na via de Portugal se libertar do fardo das dívidas ou se também haverá uma reversão nas contas nacionais e não é pelo estado de graça do presente Governo que se pode para já proclamar o sucesso ou não das medidas que estão a entrar em vigor

Em Angola, um País para onde muitos Portugueses emigraram à sombra do dinheiro do ouro negro e dos diamantes sujos de sangue e entrou em força nos negócios em Portugal, passando a ter um peso enorme na economia lusitana, é bom recordar os sinais de novo-riquismo do regime angolano mostrados ao mundo, em detrimento de investir no fortalecimento e na diversidade produtiva do seu Estado, nem faltaram obras públicas enormes, sinal claro que a longo prazo estas não sustentam uma economia… mas vai ser o cidadão médio Angolano quem mais vai sofrer com isto, mas também é verdade que eleitoralmente manteve este regime no poder e os opositores e críticos a este estão a ser presos. Mais uma vez se prova que a má gestão dos dinheiros públicos pode sustentar os do poder, mas nunca beneficia o Povo a longo-prazo.

Comparando estes dois Países, espero que em Portugal a atual via também não seja um exemplo populista de má-gestão cujos benefícios imediatos não se tornem em pesadelos futuros como agora acontece em Angola.

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Luatycristo

Por quanto tempo eles matarão os nossos profetas enquanto nós ficamos de fora e a ver?

Esta imagem com o texto em inglês, acima traduzido, de um mural com Luaty Beirão com uma coroa de espinhos a lembrar Cristo na representação do Ecce Homo que  dá entrada à notícia do jornal expresso sobre a condenação dos ativistas pela democracia em Angola  denuncia perfeitamente a indiferença sobre quem reflete por um mundo melhor e é perseguido por um regime que se assenhoreou do poder de um país desde os tempos da ditadura e tomou as rédeas de tal modo para que a democracia mais não seja uma fachada de um regime prepotente.

Importa recordar que, tal como noutros locais deste mundo, o Povo de Angola foi a votos, mas quando quem está no poder domina como um polvo toda uma sociedade será viável numa situação normal mudar quem está no poder? Pode-se chamar a isto democracia?

Importa também salientar que os cidadãos foram agora condenados em tribunal, mas quando o sistema judicial foi construído à sombra deste regime pode-se chamar que faz Justiça?

Em Angola reunirem-se pessoas para refletir sobre o sistema que impera no País com base num livro a discutir em grupo é crime… e é este regime que é suportado por muitos Portugueses que contribuem para o seu funcionamento e que mantém em muitos aspetos refém a economia de Portugal. Quem por cá também tem coragem de ir contra isto?

Não sei se o tribunal cumpriu a Lei e assim Angola funcionaria como um Estado de direito, sei que não se fez Justiça que está muito para além da Lei, pois esta pode por si mesmo ser injusta e o regime angolano provou mais uma vez não ser uma democracia saudável.

Fica aqui o meu protesto e a minha solidariedade para com os ativistas angolanos envolvidos neste processo

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Acabei de ler em suporte digital, sob a forma de documento pdf e disponibilizado aqui pela editora Tinta da China, o livro “Diamantes de Sangue – Corrupção e tortura em Angola” do jornalista angolano Rafael Marques que agora está a ser alvo de um processo judicial no seu País precisamente por a denúncia apresentada neste livro ser considerada uma calúnia contra vários generais angolanos

Após um início de exposição de casos de homicídio e tortura extrema sobre mulheres (é necessário bom estômago para ler), sobretudo por motivos de feitiçaria e superstição e enfraquecimento da população local. O livro avança para uma apresentação do historial da exploração de diamantes no País, sobretudo na Lunda Norte, desde o início do século XX, sob o colonialismo português, até à estruturação do sistema após a independência de Angola, desde o período da guerra civil, depois desta e no presente, com a exposição do devido quadro legal de molde a compreendermos os papeis das entidades públicas, privadas, nacionais e internacionais envolvidas.

Depois prossegue com uma descrição de quase uma centena de casos de violência extrema sobre os homens, essencialmente os garimpeiros, tanto perpetrados por soldados das FAA, como por guardas de uma empresa de segurança local, de forma a extorquir-lhes dinheiro e o fruto do seu trabalho: diamantes, bem como afugentar a população local pelo medo, pobreza e fome.

Pelo meio é explicado um sistema internacional das Nações Unidas, Processo Kimberley, tendente a assegurar os direitos humanos na obtenção e introdução no mercado dos diamantes, mas onde é evidenciado como a Angola do MPLA transformou este processo num mecanismo para derrotar a UNITA e branquear desde então o que se passa naquele País, de molde a que, não só um grupo de generais, com a complacência dos poderes políticos, mas também soldados e guardas,  obtenham de forma sangrenta riqueza neste processo e estas pedras preciosas exportadas sejam de facto diamantes de sangue branqueados.

Um relatório forte, que deve ser lido por todos aqueles que gostariam saber o que se diz sobre o regime de José Eduardo dos Santos e que até olham para Angola como terra da nova emigração lusa e como um parceiro a privilegiar… entretanto o jornalista vive em Luanda com toda estes interesses a jogar contra ele.

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Durante os últimos anos Angola era o exemplo do país rico, certo com desigualdades sociais e dúvidas sobre os princípios de democracia e de transparência económica, mas era um estado a nadar em dinheiro e Luanda a cidade do luxo.

O portugueses habituaram-se a emigrar novamente para Angola quer como técnicos, quer em comissão de serviço integrados em empresas nacionais que ganharam concursos de investimentos naquele país.

Bastou uma guerrilha da OPEP para fazer baixar o petróleo e já se instalou uma crise cambial e receios na economia angolana, pois à semelhança de Portugal, ou não tivesse aquele país assimilado a nossa tradicional cultura provinciana de exibição de riqueza em obras públicas luxuosas em detrimento de criarem os pilares para uma economia sustentável não dependente de uma única fonte, e já quase só se leem notícias e alertas para a situação em Angola.

Falta só acusar Merkel para esconder a incompetência de se fazer política à portuguesa, cujos resultados são sempre os mesmos: miséria a longo prazo para o povo devido à insustentabilidade económica das opções para o País, logo agora que em Portugal já muitos viam ali uma saída segura para os nossos problemas sem se corrigirem os nossos defeitos com as reformas que de facto são necessárias para cortar com os tradicionais vícios nacionais,

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Muitos sentem-se de facto preocupados com o impacte económico do que pode acontecer em Portugal caso as relações com Angola de deteriorem, pondo aquele país fim à denominada parceria estratégica e se tal se refletir nos negócios com as empresas deste Estado europeu à beira mar plantado.

Contudo, para mim só a dependência de Portugal da boa vontade daquele país é já em si humilhante para os lusitanos: Portugal, uma antiga potência colonial, depois de quase quarenta anos de descolonização e de democracia, seguiu uma via de degradação económica que o levou não só à beira da bancarrota, como muitos ainda se sente em grande parte reféns de uma das suas antigas colónia que após a independência teve décadas de ditadura a que se seguiu uma democracia musculada pelo líder da nação, considerada por muitos observatórios internacionais como de um Estado com grandes deficiências na transparência democrática e graves problemas de ética política, mesmo assim, consegue falar por cima e pôr a tremer muitos Portugueses.

Ao estado a que este Estado Português chegou depois de tantos anos de democracia e integração europeia com décadas de apoio económico vindos de Bruxelas para nos tornarmos num País do pelotão da frente da Europa… triste triste, é de facto termo-nos deixado cair a este ponto e não o discurso arrogante do Presidente de Angola.

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Portugal é bem o exemplo do declínio europeu no seu extremo: depois de Portugal ter sido a metrópole do primeiro grande império transoceânico global, foi descendo ao longo dos séculos até se tornar num País com algumas colónias até ao início do último quartel do século XX e encaminha-se agora em pleno século XXI para passar à categoria de colónia da sua ex-colónia Angola.

Mudam-se os tempos, mudam-se as ideologias de líderes comunistas na guerra fria, passam a impérios capitalistas na globalização e invertem-se as potências e as Europas da Merkollande e de Cameron que vão pondo as suas barbas de molho nestes dias da euforia eleitoral…

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