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Posts Tagged ‘África’

Mesmo reconhecendo o problema financeiro da Grécia, a verdade é que praticamente toda a esquerda portuguesa apela à solidariedade para com a Grécia, mesmo sabendo que depois do Não do referendo grego as primeiras coisas que o Syriza tem deixado claro é que não tem condições para pagar as suas dívidas, pede mais dinheiro à Europa e não foi capaz de fazer o pedido integrado com um programa económico-financeiro para negociar com os Europeus.

A verdade é que esta solidariedade a que muita esquerda portuguesa apela para com a Grécia, um País onde os salários e as reformas são mais maiores do que em Portugal, é alvo de críticas e ironias se Portugal a tiver para com a Guiné-Bissau, um País miserável, sem infraestruturas que fala oficialmente Português, já esteve sob alçada portuguesa e precisa mesmo de ajuda não para preservar um nível de vida elevado das pessoas, mas para a sobrevivência do seu Povo e da Nação como um Estado.

Isto de facto acontece porque muitos dos que torcem pela Grécia não o fazem por uma questão de solidariedade humana, mas por um questão de guerrilha ideológica e política, estivessem os helénicos a ser governados por outro campo político e muitos dos que hoje defendem os gregos duvido que continuassem na linha da frente por estes, basta olhar como criticavam o segundo resgate à Grécia e agora como se comportam perante o pedido do terceiro.

Confesso que sinto um maior apelo solidário para ajudar os mais Pobres do que nós, como os Guineenses e para a maioria dos fins aqui descritos, do que emprestar dinheiro a quem não tem condições de pagar e é mais rico do que Portugal…

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Enquanto muitos Estados europeus falam da sua crise financeira e repercussões sociais, a Europa é vista por muitos africanos e pessoas do médio-oriente como um espaço de liberdade, bem-estar social e riqueza e são capazes de arriscar a sua vida para entrar nesta espécie de paraíso terrestre e infelizmente, com consequências trágicas como este fim de semana com mais de 700 mortos num naufrágio em pleno mediterrâneo de um navio de refugiados.

É verdade que o bem-estar no Luxemburgo é muito diferente do de Portugal, mas a verdade é que até a Grécia tem condições humanas muito acima das muitos povos subsaarianos. Tal como é verdade que se deve trabalhar mais para que todos atinjam o nível luxemburguês do que deixar-se cair nas condições da Etiópia. Agora que há muito egoísmo por esta Europa fora de norte a sul, há.

Apesar da fúria grega e das injustiças que vejo em muitas políticas económicas liberais, a verdade é que me choca muito mais o hemisfério norte, sobretudo a Europa, deixar que os povos à sua volta morram à carradas enquanto se queixam ao olhar para o seu umbigo…

Catástrofe humanitária é mesmo o que se passa às portas da Europa e não o que acontece dentro desta, aqui é sobretudo falta de humanismo.

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A verdade é que o ébola não parece tão contagioso quanto outras doenças epidémicas em África, nem matou ainda tanta gente quanto a fome mata no continente mais pobre do planeta.

O problema é que o ocidente ainda não sabe bem como se defender se esta doença entrar de facto na Europa e na América do Norte e isto pode causar mortes nestes continentes e danos políticos e económicos nos países ricos.

Infelizmente, se efetivamente é necessário estar preparado e lutar contra esta epidemia na origem, não é menos importante olhar para África com outros olhos para tirar este continente da miséria, acabar com a fome e outros males, mas neste momento o alerta da OMS e a cobertura dos OCS sobre o tema soam mais a preocupações de defesa egoísta do hemisfério norte do que a uma doação desinteressada e altruísta aos africanos.

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Pouco conheço deste País africano, sobretudo de língua espanhola e cristão que em 2007 adotou também o Português como expressão oficial para aderir à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), situação que está quase a concretizar-se.

Sei que é um Estado ditatorial, rico em petróleo, perto de São Tomé e Príncipe, que tem um crioulo derivado da língua de Camões na ilha de Ano Bom, menos de um milhão de habitantes, que apesar do baixo desenvolvimento socioeconómico tem um dos PIB mais altos de África, parece que comprou cerca de 10% do BANIF e está disposto a abolir a pena de morte se for aceite na CPLP.

Sei que não deve ser motivo de orgulho fazer entrar uma ditadura para a CPLP, sei que as razões deste interesse da Guiné Equatorial comunidade lusófona são sobretudo de foro comercial, sei que por mais consciências que se falem, na política o dinheiro costuma falar mais alto, vejam-se as trocas comerciais (sobretudo recursos minerais e petróleo) com muitos estados duvidosos… se Portugal conseguir de facto fazer terminar a pena de morte naquele País e diplomaticamente levar mais liberdades e garantias aos seus cidadãos melhorem, talvez seja positivo para todos esta adesão… caso contrário, é uma pena, mas também há poucas décadas atrás a maioria dos Estados desta comunidade eram ditaduras, por isso podemos, apesar de tudo estar na direção certa e não é com boicotes a nações com recursos que a conduzimos para uma situação mais justa… mas a sua aceitação não deve servir para baixar os braços na defesa dos direitos humanos.

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Não sei quem foi seguramente o maior vulto do século XX a lutar e a sofrer por causa de políticas mais humanas, mas Nelson Mandela foi um dos maiores seguramente e por ter morrido ontem está valorizado, enquanto outros estão momentaneamente subvalorizados e se calhar alguns mesmo esquecidos.

Para mim, neste panteão, além de Mandela, têm seguramente lugar outras pessoas como: Luther King, Mahatma Ghandi. Provavelmente até há outros.

Luther King lutou pela dignificação dos negros nos EUA, numa sociedade onde a democracia tinha cor branca e os negros eram minoria. Não foram as armas os seus instrumentos para alcançar a justiça, nem a sua causa era ideológica, foram os seu discursos baseados na sua fé cristã e a sede de justiça os motores da sua luta.

Mahatma Ghandi sentiu na pele a discriminação racial como indiano precisamente na África do Sul, mas foi na Índia e perante todo o seu povo sem direito à autodeterminação e manietado pelo império britânico que decidiu lutar pacificamente pela independência e alcançar a justiça para os indianos, mas com recurso aos valores das religiões com que estivera mais em contacto: cristã, hindu e islâmica. Fica-me na memória a simbólica marcha do sal.

Nelson Mandela perante o apartheid não iniciou a luta de forma pacífica, o seu arranque inicial foi como guerrilheiro com os instrumentos que  a maioria negra pobre tinha à mão ou conseguia alcançar. Não era propriamente um arauto da paz e do perdão perante uma minoria branca racista e exploradora das riquezas do País. Foi a sua prisão como homem de luta armada que o converteram para os valores do perdão e dos instrumentos pacíficos para alcançar a vitória política da sua causa de justiça.

Não faz mal lembrar o arranque como guerrilheiro de Nelson Mandela, ele foi sempre um homem que lutou por uma causa justa, mas o método não foi sempre o mesmo e foi a sua capacidade de na prisão conhecer um homem branco que  lhe permitiu descobrir no adversário que mesmo diferente na cor  o adversário era um ser humano igual que também deve ser respeitado, o que fez ver nele que a vingança não era a arma para se alcançar a solução justa e pacífica e aqui tornou-se no grande Homem cuja a vida nos deixou ontem, mas cujo legado fica.

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