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Archive for Junho, 2019

O Primeiro-ministro está imune às cambalhotas que dá, se no caso dos professores foi evidente à oposição como uma mudança de posição pode ser fatal, a verdade é que o Governo já deu várias cambalhotas e nada afeta a sua popularidade, a cambalhota rápida das taxas moderadoras é um exemplo perfeito.

Falar hoje de aumentos salariais aos funcionários depois da querela dos professores é uma contradição, mas no dia seguinte a aprovar as taxas moderadores dizer que não há dinheiro e passar incólume é de facto uma imunidade doentia dada pela sociedade.

Só que  democracia tem disto mesmo, há momentos que se perdoa tudo, até as grandes coisas, depois ocorre um click, o estado de graça esgota-se e nem o pequeno erro é perdoado, mas a velocidade desta inversão da situação conta muito a eficácia da oposição e nisto Costa está cheio de sorte.

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O meu artigo de hoje no diário Incentivo:

ACESSIBILIDADES AO FAIAL E TRIÂNGULO: DE MÁS A PIOR

Não haja dúvida, no que se refere à questão das acessibilidades do exterior ao Faial e no Triângulo o Governo dos Açores, através das suas empresas SATA e ATLANTICOLINE, demonstra uma linha estratégica de degradação contínua dos serviços de transportes que presta a esta Terra que ao longo dos últimos anos não muda: é sempre a piorar de ano para ano.

Podem até mudar as Administrações das empresas regionais, mas o Governo dos Açores não muda a sua estratégia: servir cada vez pior estas ilhas. Sobretudo no verão, para que, de uma forma ou de outra, quem nos visite considere preferível recorrer ao aeroporto em São Miguel do que se arriscar a ficar retido em Lisboa, na Horta ou no Pico se optar por uma ligação direta.

Contudo, se antes no Triângulo já não bastava a má prestação da SATA e a recusa do Governo dos Açores em desbloquear a sério a execução de um projeto de ampliação da pista da Horta, nos últimos anos este executivo decidiu adicionar também o caos na programação e nas ligações marítimas inter-ilhas.

Quem diria que após tantos anos de gestão de transportes, concursos públicos de aluguer de navios, compra de aviões ou a contratar trabalhadores, o Governo dos Açores passasse a ter falta de tudo: não chegam a tempo os navios para navegar, há carência de aviões para voar para os aeroportos da Horta e Pico e são insuficientes as tripulações para os equipamentos de transporte disponíveis. Depois do presidente da SATA tanto falar da pouca procura da rota do Faial e sua rentabilidade, mesmo quando não havia lugares disponíveis a meses de distância, agora passou a faltar tudo o que compete ao Governo Regional assegurar, menos a única coisa que não estava nas mãos do Poder: passageiros para voar. Mas se dependesse dele, suspeito que até faltariam!

É um obra monumental: o Governo dos Açores e as suas empresas com gestores de confiança política conseguiram desaires em todas as frentes nas acessibilidades ao Faial e ao Triângulo!

Nos transportes marítimos, como não se venderam os navios com mais de um quarto de século, do tempo de Mota Amaral, eis que devido à incompetência governativa que se instalou no século XXI nos Açores, aquelas velhinhas embarcações vieram socorrer a má gestão de hoje em dia.

Nos transportes aéreos, a verdade é que antes a SATA era pequenina, certinha e sabia negociar com a TAP para que com muito menos recursos no Governo Regional as programações, embora sem serem ideais, fossem de confiança. Depois optou-se pela megalomania sem visão das reais necessidade dos Açorianos. Compraram-se aviões gigantes que foram um fiasco, pois não servem para voar para estas ilhas e foram convidar passageiros de longe que não quiseram vir nas quantidades rentáveis à estratégia, pelo que estes aparelhos deram um prejuízo financeiro monstro enquanto se deixavam mal servidos os passageiros que queriam vir para o Faial, o Pico e outras parcelas do Arquipélago que não São Miguel.

Após tanta propaganda do Governo dos Açores, agora além de não haver um número de ligações suficientes para o Faial e o Triângulo, estas poucas até deixaram de ser de confiança: ora por falta de equipamentos, ora por falta de tripulação, ora por falta de condições na pista por falta de quem tem o poder na Região assumir as suas responsabilidades em resolver a sério esta situação.

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Confesso ser totalmente indiferente que o SIRESP, hoje adquirido a 100% pelo Estado seja apenas público ou tenha uma comparticipação privada. Interessa-me apenas que funcione bem.

Não percebo o interesse de privados numa rede de emergência, mas eles lá sabiam, nem compreendo que o Estado tenha deixado o SIRESP nas mãos de privados. Agora sei, mesmo não desejando nenhuma catástrofe, em situação de crise o Governo vai deixar de ter o argumento de culpar os privados do incumprimento das suas obrigações de garantir a segurança das populações ao nível deste serviço de telecomunicações.

Se for a curto prazo e falhar algo, sabemos que o atual Primeiro-ministro chutará para a herança privada, mas daqui a uns tempos vai ser bem mais difícil desresponsabilizar-se como habitualmente costuma fazer quando o seu executivo falha.

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Meu artigo de hoje no diário Incentivo:

JOGADA DE DISTRAÇÃO?

No Continente bastou uma distração na comissão de trabalho da Assembleia da República, onde os deputados da oposição não repararam a tempo que fora chumbada antes a única condição fundamental para aceitarem a recuperação do tempo total de carreira dos professores e a seguir aprovar a pretensão sem a salvaguarda essencial, para logo a esperteza, que favorece o sucesso dos políticos, deu um rombo enorme no trabalho estratégico de meses dos partidos opositores.

A política não favorece os ingénuos e desajeitados, mesmo que bem-intencionados, mas sim os espertalhões hábeis, independentemente da sinceridade destes, e por muito que as pessoas digam mal dos políticos tendem a preferir os segundos e não os primeiros.

Os momentos em que casos e projetos são levados para a comunicação social pelas instituições do poder instalado são, por norma, estrategicamente escolhidos de forma oportuna, faz parte da esperteza e habilidade política, servindo ora para eleições ora para desviar a atenção de algo por cumprir enquanto se lança a discussão de outro tema importante mas a concretizar depois.

Há um ano parecia consensual que a prioridade das prioridades que animava os Faialenses era garantir a execução da ampliação da pista da Horta com as dimensões necessárias para que esta infraestrutura pudesse servir convenientemente os objetivos de desenvolvimento atuais e futuros desta ilha e até do Triângulo sem constrangimentos limitadores do crescimento.

Eu próprio, no primeiro artigo de opinião que publiquei no Incentivo este ano, fui claro na questão do aeroporto ao classificá-la como: “A prioridade do Faial para 2019” e ao escrever: “os Faialenses têm de estar atentos a estes dois aspetos: se a obra terá as características suficientes para satisfazer as necessidades sem comprometer o futuro e se depois desta salvaguarda fica garantida de facto a sua construção ainda antes das eleições de 6 outubro”.

Tal não quer dizer que este assunto tenha o exclusivo das preocupações e reivindicações do Faialenses, mas se outra obra a fazer depois for colocada à discussão durante este período pelo poder instalado é preciso desconfiar da estratégia do malabarista: fazer desviar o olhar do público do local onde do malabarismo e quando o espectador se volta a focar no cerne da questão o truque já está feito, deixando-o deslumbradamente enganado.

Tenho estranhado o silêncio que se instalou nos últimos tempos no Faial em torno da questão da ampliação da pista. Isto depois da feliz iniciativa da Câmara Municipal ao encomendar um estudo num esforço singular de demonstrar a viabilidade de se atender às reivindicações dos Faialenses a preços aceitáveis neste investimento e bem divulgada pela Autarquia, embora não pudesse ser ela a assumir o projeto, e ainda depois da propaganda em torno da inclusão de uma alínea no Orçamento da República a falar da obra que afinal não comprometia ninguém nem assegurava a concretização do projeto nos termos pretendidos pela população desta ilha.

As eleições legislativas estão à porta e nada vi a assegurar o projeto do aeroporto nos moldes pretendidos pelos Faialenses. Quem reparou nisso? Será por isso que, de repente, uma instituição ligada ao Governo dos Açores criou condições para o Povo do Faial se entusiasmar com outro assunto enquanto a pista saía do foco da agenda? Na política, acreditar em acasos é ingenuidade…

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