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Archive for Março, 2019

Meu artigo de hoje no diário Incentivo

O EMBUSTE DA ESCOLA DO MAR

Alguns adultos para convencerem uma criança, sobre algo que ela não quer fazer, não gosta de comer ou para ela aceitar dar o que tem na sua posse e não quer entregar, aliciam-na com um rebuçado e todos sabemos que por vezes as crianças (e não só!) se deixam levar em troca de uma doce recompensa.

Só que também há gente que depois de conseguir o que queria não cumpre com aquilo que prometeu. Uns simplesmente não dão nada do que acordaram antes, mas outros são embusteiros manhosos, disfarçam a sua falta de palavra mudando a recompensa para outra coisa com menos sabor ou menor interesse. O embuste torna-se num rebuçado amargo para quem se sente enganado.

A Escola do Mar, em fase final de construção, foi usada desde o início como o rebuçado para os Faialenses aceitarem melhor a retirada do Faial da Rádio Naval e não, como querem dar a entender, um investimento limpinho, foi uma troca que para alguns até parecia vantajosa ao princípio e se não fosse a tática do embuste manhoso esta ilha talvez não ficasse a perder tanto assim.

Desde o início desta promessa os sinais de embuste começaram a vir ao de cima, em dezembro de 2014 eu escrevi um artigo na internet onde então dizia “Apesar de a Escola do Mar ainda não ter visto a luz do dia no Faial, por nunca se ter tornado realidade, já hoje surge noticiado no Incentivo que o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia anunciou a criação de um núcleo desta escola em Rabo de Peixe, em São Miguel, uma ilha onde vive mais de metade da população dos Açores.” que intitulei “Antes de nascer: Governo esvazia mais de 50% da Escola do Mar no Faial”.

Cerca de um mês depois do artigo surgiu a polémica em torno da criação do curso em Ciências do Mar na Universidade dos Açores, que mais parecia uma tática para concorrer com a nova Escola do Mar e, apesar do então denominado Departamento de Oceanografia e Pescas estar na Horta, foi então decidido que este curso não poderia ser lecionado no Faial. Íamos ter uma escola do mar, tínhamos um polo universitário para o oceano só o que não podiam fazer é ensinar algo que fosse de nível superior ao de uma escola secundária. Contudo, apesar de um certo alvoroço de então, muitos Faialenses deixaram-se levar quando começaram a ver as obras e esqueceram-se dos sinais dados.

Nos últimos dias foi denunciado que a Escola do Mar apenas vai dar ensino equivalente ao 12.º ano em áreas marítimas, ou seja, uma outra escola profissional, e mesmo assim, alguns dos seus cursos podem ser dados noutras ilhas que não no Faial, um embuste manhoso para continuar a ludibriar os Faialenses que habitualmente se deixam enganar.

A Escola do Mar está a tornar-se cada vez mais numa obra que é mais fachada exterior para fazer uma festa inaugural para passar nos noticiários os discursos enganadores do momento, mas cuidadosamente esvaziada das principais mais-valias que poderia trazer para o Faial.

A ser assim, em resultado final: o Faial perdeu todas as valências da Rádio Naval que puderam ficar em São Miguel e não ganha quase nada em troca, pois a Escola do Mar será paredes com formação apenas de grau de ensino ao já dado por outros estabelecimentos existentes na Horta e ainda sem garantias de ser ministrado nesta ilha. Se não isto não mudar, será um embuste.

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No grupo parlamentar do BE há irmãos eleitos com o voto dos eleitores e ninguém tem poder executivo, no Governo há escolhas de casais, pais e filhos, cunhados e irmãos nomeados por escolhas não validadas em eleições transparentes e ainda por cima têm poder executivo…

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Confesso que há anos tem sido o que está expresso no ponto 5 do movimento 5.7 a minha ideologia e a minha preocupação tem sido ver isto colocado em prática.

5 – Partimos do princípio de que é possível vencer a pobreza, reparar os extremos de desigualdade injustificável que põem em causa a comunicação entre os grupos sociais, dar sustentabilidade ao Estado social e reinventar os mecanismos de coesão e de confiança cívica. E, por isso, recusamos o centralismo burocrático e a articulação das políticas sociais enquanto instrumentos ideológicos.

Não sei se será viável, desilusões tenho tido muitas, observando a prática política de gente que se diz não socialista, o grupo em que me revejo, sendo um social-democrata não socialista, pois reconheço que livre das amarras do Estado é também possível lutar por um mundo mais desenvolvido e justo e fazê-lo melhor.

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Não acredito na isenção de jornalistas mesmo com todas as éticas profissionais e foi interessante ver como no início em certos noticiários as emoções transmitidas pelas reportagens deixavam transparecer a solidariedade para com os coletes amarelos quando estes protestavam já com violência, agora a saturação desta gente também já contaminou os noticiários e usam a frase oficial do governo francês como reconhecimento e qualificação dos coletes amarelos: “profissionais do distúrbio”.

Quem os ouviu e os ouve agora…

Eu pelo menos nunca nutri simpatia por tais profissionais, por muitas razões que pudessem ter para protestar nada justificava a destruição que provocavam.

Eles falam em povo como se o Presidente não tivesse sido eleito pelo povo e como se não houvesse um período de mandato para validar ou não o eleito.

Há ainda aqueles trabalhadores que viram os seus locais de trabalho serem destruídos por incêndios e pilhagem e nunca tiveram solidariedade dos jornalistas ao longo destes meses tal como tiveram os profissionais do distúrbio ou pelo menos eu nunca vi.

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O meu artigo de ontem no diário Incentivo:

O CENTRALISMO É CENTRALISMO, TANTO NACIONAL COMO REGIONAL

Independentemente de se gostar da escolha de Mota Amaral ou não ou de ser compreensível o porquê de alguém, após se reconhecer um bom desempenho como deputado no parlamento europeu em nome dos Açores, ter de ser substituída no termo do primeiro mandato (e já não é a primeira vez), não é uma mera questão de presunção ou de orgulho pessoal a exigência de uma posição elegível para aquele aceitar integrar a lista única nacional em representação do PSD-Açores.
A reivindicação de um lugar elegível para Mota Amaral (neste caso concreto) é, sobretudo, uma questão de se exigir o reconhecimento de que esta pessoa não vai para esse lugar apenas em nome próprio ou só pelos seus méritos individuais, vai como representante de uma estrutura política com um estatuto específico de uma Região Autónoma e Ultraperiférica, não se confundindo com um mero departamento da organização interna de um partido como uma distrital ou concelhia.
Assim, a reivindicação de um lugar, perspetivado à priori elegível, tem a ver essencialmente com o reconhecimento do estatuto próprio dos Açores no todo nacional. O Arquipélago é uma região em descontinuidade geográfica e distante do território original do País. Esta situação projeta Portugal para uma realidade marítima muito além dos limites da plataforma continental da Europa e dá ao Estado uma importância geopolítica, económica e estratégica global muito superior à da sua real dimensão em termos de território emerso e população residente.
Foi o reconhecimento destas especificidades no todo nacional que possibilitaram que num País que nunca foi capaz de levar a cabo a regionalização no seu território continental, desde o início da democracia fosse viável criar um estatuto autónomo para os Açores, com a possibilidade destes legislarem e gerirem o seu território nos assuntos de interesse regional (mesmo que nem sempre tenha sido claro e consensual o significado deste interesse regional). Assim, a reivindicação de uma posição considerada elegível do representante dos Açores numa na lista nacional ultrapassa em muito o aspeto individual e entra na defesa do reconhecimento do estatuto específico e da importância desta Região no contexto de Portugal e não é uma questão de orgulho pessoal.
Se fosse uma mera questão demográfica, os Açores não ultrapassam os 4% da população nacional e a Região teria de se cingir a uma representatividade conforme com essa dimensão. Mas não é. Só que esta especificidade esbarra com o centralismo de muitos e estes têm dificuldade em reconhecer aspetos que não giram em torno do seu centro e neste caso não é apenas Lisboa, é o todo-Portugal- Continental. Foi o reconhecer a particularidade das ilhas menores no contexto arquipelágico que lhes deu mais peso eleitoral que a sua representatividade populacional na fundação da autonomia e foi o centralismo regional que desvirtuou este reconhecimento.
Infelizmente, neste momento o PSD-Açores está a sentir, como força política desta Região, o que sentem também ilhas mais pequenas perante o esmagamento centralista das maiores do Arquipélago, que usam a sua dimensão populacional e económica para centralizar em si tudo o que interessa enquanto esmagam as terras mais fracas e lhes reduziram força eleitoral para se defenderem. O Centralismo que este partido político regional está agora a lutar dentro do nacional é o mesmo centralismo que Faialenses e outros Açorianos de ilhas pequenas combatem quando denunciam que não estão a ser devidamente defendidos os seus interesses e importância no contexto do Arquipélago. O mesmo centralismo que também mina a Autonomia dentro dos Açores.

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É bonito e simbólico, mas o importante seriam medidas concretas para enfrentar o problema e disto nada vi.

Seria importante criar legislação adequada que não deixasse facilitada a vida ao criminoso enquanto a vítima continua em estado de perigo permanente e obrigada a esconder-se da sociedade. Algo que competia aos políticos produzirem em vez de atos simbólicos.

Infelizmente hoje, em dia de luto por causa da violência doméstica, mais uma mulher foi morta… e outra foi encontrada decepada sem se saber a razão do crime, manchas que caem neste dia simbólico onde não ouvi nenhuma solução efetivamente proposta para o problema.

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1.149 milhões de euros é quanto o Novo Banco vai pedir ao fundo do resolução para o Estado injetar nas suas dívidas, passados quatro anos e meio do seu colapso e de já ter sido privatizado.

Não haja dúvida, a banca é o sugador mais eficiente dos dinheiros públicos para fazer face às suas dificuldades e o maior sugador do suor do povo para tirar dividendos na sua gestão normal cujos lucros nunca beneficiam as pessoas. Não é preciso ser de esquerda para se perceber e ver isto.

Salgado disse, com razão, que havia outras soluções para os problemas do BES. O que ele não disse é que em todas as alternativas seria sempre o Povo a pagar e logicamente preferia uma em que os cidadãos vissem os dinheiros fruto dos seus impostos ser injetado no seu banco e ele a continuar a gozar o seu estatuto de homem sério sem ter de responder por tudo o que fez.

Houve pela primeira vez com o BES uma tentativa de encontrar uma via diferente para os banqueiros arcarem com as suas dívidas, só que, pelos vistos, a alta finança tem sabido dar a volta para continuar a ser sempre os que estão de baixo a pagar.

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